Somewhere only we know
2 Back of my hand
Notas iniciais
Aomine corria o mais rápido que podia. Mesmo tendo um bom fôlego, seus pulmões já clamavam por ar. A chuva tornava aquilo tudo mais complicado, pois a calçada já estava ficando um pouco mais escorregadia. E ele procurando mais xingamentos a si mesmo em seu vocabulário sujo não ajudava tanto em sua concentração.
"Nunca mais quero ver a sua cara!"
"Qual o seu problema, seu ganguro?! Não dou a mínima!"
Seu rosto ainda estava dolorido por conta da prancheta e dos livros que foram jogados na sua cara. Ele tinha que aprender a parar de dizer coisas sem pensar quando estava com raiva, porque era óbvio que não queria que Satsuki se afastasse. Ele estava sendo idiota e impulsivo, ela deveria ter apenas ignorado tudo e ficado com ele, já que assim não faria mais besteira.
— Que droga... — Grunhiu baixinho enquanto apoiava-se numa árvore. Bagunçou cabelo pra tirar o excesso de água e parou um pouco parar recuperar o ar perdido.
Deu um fraco sorriso de canto ao ver que o parque já estava bem do lado. Pediria desculpas, Satsuki lhe daria alguns socos enquanto o chamava de idiota e os dois voltavam pra casa juntos como se nada tivesse acontecido. Todas as suas brigas eram assim, sendo elas bobas ou que nem a que houve a minutos atrás. Ele fazia alguma merda, Satsuki vinha para o parquinho, ele pedia desculpas, ela lhe dava soquinhos, e depois estava tudo bem.
Respirou fundo e se afastou da árvore. Pôs suas mãos nos bolsos da calça já encharcada e andou calmamente até a entrada do parque. Passou pela quadra de basquete e foi direto até o parquinho, lugar que iam até hoje e provavelmente sempre iriam independente de suas idade.
Passou a mão na nuca e virou o rosto ao ouvir o ranger do balanço. Soltou um suspiro antes de começar a falar.
— Satsuki, eu...
Se interrompeu quando virou o rosto e viu que o balanço rangia por causa do vento. Olhou ao redor alarmado, mas ele era o único que estava ali.
Franziu a testa. Satsuki vinha para o parquinho quando estava triste desde que se entende por gente. Ele também fazia isso, porém era mais quando estava estressado com algo. Sentou-se em um balanço e ficou um tempo encarando o próprio pé. Logo ergueu a cabeça e olhou para o lado, observando o balanço vazio do seu lado. Por que ela não estava ali?
— O que foi que eu fiz? — Se perguntou de forma inaudível, puxando seus fios azulados com certa força. — Satsu, eu não queria dizer aquilo...
Aomine teve sorte daquela vez, pois no dia seguinte Satsuki ainda poderia ir se sentar naquele balanço.
❝Eu conhecia o caminho como a palma da minha mão❞
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