Someone Like You
27 Sweet Dreams
Notas iniciais
Someone Like You
Capitulo 27: Sweet Dreams
Can we pretend that airplanes in the night sky are
like shooting stars
(Podemos fingir que os aviões na escuridão da noite
são como estrelas cadentes)
I could really use a wish right now, a wish right
now, a wish right now
(Seria muito bom um pedido agora, um pedido
por você agora)
Naquela manhã podia-se ouvir Santana Lopez cantar Sweet Dreams no chuveiro e sentir sua animação ao coreografar os passos descontraidamente pela cozinha de seu apartamento. A latina possuía um sorriso que cantarolava por seu rosto e ganhava força conforme seus pensamentos se ordenavam nas lembranças da noite passada.
Aquelas sensações eram quase como uma virose, haviam aparecido fulminantemente, logo após exposição prolongada a Brittany Pierce, com o aparecimento simultâneos de sintomas como: 1. Longos suspiros ao acordar, 2. Sorrisos Idiotas, 3. Cantar literalmente toda a discografia de Beyoncé no chuveiro aquela manhã e por fim estar animada para ir ao trabalho quando os termômetros da cidade marcavam -8º graus e sua cama estava malditamente convidativa e quentinha. Era obvio como ela não estava bem da cabeça.
Mas pela primeira vez, em todos aqueles longos meses de incertezas, Santana gostou de se sentir assim.
Era estúpido, era juvenil, ao passo que também era renovador e viciante. Eram efeitos que há muito ela havia esquecido a delícia que era sentir e já que havia resolvido entrar nos caminhos tortuosos da reconciliação de cabeça, em pleno temporal, não podia se sentir culpada por ser molhar. Não fazia sentindo procurar subterfúgios para justificar seu bom humor se o claro motivo era ter ido ao Nitehawk Cinema e sentido o gosto de sua pinha colata na boca de Brittany após passarem do terceiro beijo.
Sair com ela havia sido como visitar a lua, um evento único e raro. Algo literalmente capaz de deixá-la em orbita. Literalmente fora de gravidade.
A dançarina de olhos doces era como uma maldita nuvem intoxicante para Santana, ela não podia evitar não se envolvida e perder o fôlego a cada tragada mais profunda. Era algo que sequer sua área medica era capaz de explicar, era patológico, era perigoso, mas também era prazeroso e instigante. Santana não conseguia evitar desejar mais daquilo. Talvez, fosse por isso que ficar longe dela, longe por tanto tempo, tivesse tido efeitos tão intensos e profundos na sua vida ao ponto de a mesma ter pensado inúmeras vezes jamais ser capaz de perdoá-la por deixá-la do nada. E havia sido forte nas próprias convicções, persistindo e resistindo à ela até o único instante, mas pateticamente ali estava de novo, como se tivesse a beijado pela primeira vez e sem conseguir deixar de pensar naquilo.
Sem conseguir pensar em como queria mais dela. E nem mesmo seus ainda vivos remorsos e medos mais profundos conseguiam bloquear Brittany de sua mente.
Foi desta forma, mesmo com uma porcaria de nevasca se aproximando, que Santana levantou como se fosse verão e os pássaros da Cinderela tivessem puxados suas cobertas para fora.
Ela deslizou até o banheiro com suas meias e cantarolou como se ainda competisse por solos no Glee Club.
Santana sentia algodão doce na ponta de sua língua.
Ela estava genuinamente feliz.
Seu celular começou a vibrar freneticamente em cima da mesa assim que o ligou. A opção de se deixar incomunicável a noite passada inteira, sem eletrônicos incomodando, era algo que ela raramente se permitia fazer. Santana gostava de sempre estar disponível para emergências no hospital, mas sinceramente não se arrependia de ter tirado uma grande folga de tudo aquela noite. Ficar fora da gravidade ao lado de Brittany foi a melhor escolha que tomou, talvez, pela semana inteira.
Ela abriu o painel de notificações enquanto tentava passar creme na torrada e beber seu café sem fazer um estrago tão grande na própria cozinha logo tão cedo. Ela não teria como limpar nada antes de ir ao hospital por isso tentou não ser um completo desastre como costumava ser ao ficar toda agitada.
Notifications:
“Você deixou seu casaco comigo, mas eu gostei demais dele para te devolver, desculpe por isso. Tenha um bom dia, Doctor S, xoxo”
“Eu tomei aquele cappuccino com baunilha incrível que você comprou pra gente outro dia, acho que estou viciada. Tem algum tipo de droga nisso? É a única explicação”
“Você nem deve ter acordado ainda e eu já te enchi de mensagens, desculpe por isso tbm”
“Tenha um bom dia de novo, San. Eu já disse isso na primeira msg, mas acho válido repetir :D”
“Ok, juro que vou parar agora”.
Todas aquelas mensagens de Brittany fizeram Santana conter a pequena gargalhada que se formou em sua garganta. Seria muito adolescente rir e comemorar inteiramente por mensagens no dia seguinte? Ela não queria se sentir uma boba, mas aquilo era tão... fofo. Fazia tempo que ninguém a bombardeava com mensagens doces como aquelas (até porque nunca trocava telefones com suas aventuras), mas Brittany parecia sempre acertar ao surpreendê-la.
Talvez ela ainda a estivesse subestimando. Talvez, Brittany Pierce houvesse mesmo entrado naquilo com tudo para chamar sua atenção.
— E você conseguiu, B. – respondeu para si mesma balançando a cabeça.
Respondeu as mensagens terminando seu café e procurando o que a aguardava aquela manhã pelo resumo de seu bip. Apesar da carga de trabalho estafante a esperando, Santana terminou sua torrada sem alterar o sorriso do rosto e pegou sua bolsa junto ao casaco indo na direção a porta.
Antes de entrar no elevador ela olhou para porta de sua vizinha e pensou se não seria uma boa ideia chamá-la para um almoço – isso caso tivesse tempo durante o plantão para almoçar. No entanto, resolveu jogar a sorte e perguntar primeiro se ela aceitaria, ou não.
Aquele parecia o tipo certo de dia para se arriscar em alguma coisa. E Brittany havia mostrado que valia a pena o esforço para pequenas coisas serem especiais.
(...)
Eu pulsava por ela, cada minuto mais próxima, mais radiante com aquele sorriso torto e cafajeste que por si só já me fazia querer derreter em gozo por ela. Santana conseguia me fazer ficar molhe só de me olhar fixamente.
Ela só podia gostar de me torturar prolongadamente já que depois de estarmos completamente despidas e apenas rodeadas pelas cobertas de seda branca Santana ainda me olhava daquela forma selvagem, mas por alguns instantes sem se mover. Apenas me olhava como se não estivesse no meio das minhas pernas e como se o cheiro da minha excitação não fosse tão forte. Eu suava frio e ela sabia que estava me enlouquecendo. Sua mão passou firme pela base da minha perna erguida e encostando sua boca quente em toda a minha pele que pinicava implorando por contanto. Ter ela dentro de mim era questão de necessidade:
— Vamos, San... você vai me enlouquecer desse jeito.
— Brittany, vamos...
— Pra onde você quiser, baby. – Deus ela queria acabar comigo.
— Brittany Susan Pierce, pare de gemer na porra do meu sofá e levante agora mesmo! Eu não sou obrigada a ouvir seus sonhos eróticos com Santana no meu camarim!
Brittany sobressaltou-se praticamente caindo da superfície onde estava deitada com Rachel batendo um travesseiro no seu rosto. Aquela doida queria matá-la ou algo assim?
— Merda, Rachel, você está me machucando.
— Essa é intenção, sua pervertida. Pelo menos, se eu te fizer sangrar, você pode correr pra sua medica gostosa ao invés de ficar só aqui sonhando com o corpo dela.
— Do que você está falando?
A loira coçava um dos olhos e tentava se proteger da atriz com uma das mãos. Talvez a Broadway finalmente tenha subido a cabeça de sua amiga. Era a famosa febre do Show Bisness.
— Você fala dormindo sabia? E eu vim aqui na maior camaradagem te chamar para o ensaio do próximo ato e te pego aqui quase tendo um orgasmo sonhando com Santana.
Brittany olhou para Rachel como se a mesma tivesse duas cabeças e depois gemeu jogando a almofada no próprio rosto. Cristo, aquilo era muito constrangedor!
— Eu juro que vou matar você, Rachel Berry!
— Não me culpe por sua mente pervertida, Brits! Até porque você vai querer beijar meus pés depois que eu te contar essa novidade.
Brittany ergueu uma sobrancelha e finalmente levantou do sofá arrumando o cabelo no espelho do camarim, fingindo que não havia escutado sua amiga. Nada poderia vir de bom de uma Rachel Berry eufórica.
— É sério, Brittany olha pra mim!
— Seja lá o que você aprontou, é melhor ser bom. Eu poderia ter aceitado um almoço super fofo com ela hoje se você não tivesse feito o favor de chegar atrasada e acabar com nosso cronograma.
— Eu já pedi desculpas por isso. A culpa foi toda de Quinn, ela voltou de surpresa ontem à noite... E eu me perdi toda no horário, foi uma falta de sorte o transito das dez.
— Nós moramos em Nova York, aqui sempre tem trânsito! E você mora a três quadras do teatro Rachel, não me vem com essa desculpa esfarrapada.
A dançarina a olhou cruzando os braços, ela não estava mais irritada com sua amiga, até porque aquela deveria ter sido a primeira vez em todos os anos que trabalharam juntas que Rachel se atrasou, mas precisava contê-la. Contê-la e distrai-la do fato constrangedor de mais uma vez ter sido pega sonhando aquelas coisas... inapropriadas com Santana. Deus, seu corpo só podia estar fora de controle. Ela não era nenhuma ninfomaníaca louca por sexo, mas parecia que ter tido tantos momentos nos últimos dias com sua ex namorada havia despertado algo selvagem nela.
Brittany só não sabia se aquilo era algo bom ou não.
— Quinn é realmente muito insistente de manhã, eu quase não consegui sair da cama hoje! – respondeu a judia como se fosse a coisa mais normal do mundo. Brittany se limitou a revirar os olhos ainda a encarando.
— Você não tinha algo super importante para me contar ou algo assim?
— Oh, sim. E isso vai fazer você querer me amar ainda mais pelo resto da vida. Eu sou uma amiga incrível.
— Você sabe que está divagando, certo, Rach? E nós não tínhamos ensaio ainda?
— Cristo, ok, vou direto ao assunto. Falei com Quinn e ela vai se encarregar de levar Santana para a pequena reunião que teremos hoje lá em casa.
A dançarina parou o coque que fazia pela metade quando ouviu Rachel terminar aquela frase. Ela só poderia estar zoando com a sua cara.
— Que reunião na sua casa? Esqueceu de me avisar isso?
— Eu acabei de inventar isso, olhos azuis. E Quinn adorou a ideia, me garantiu que a sua doutora vai aparecer, podemos ter um momento nós quatro e sua filha maravilhosa. Noite das garotaaas! – disse Rachel gritando a última frase. Ela estava realmente louca!
— Ok, vamos ensaiar antes que você também me diga que tatuou o nome da Quinn no traseiro, você disse que não ia mais se meter no que rolasse entre mim e Santana. Mas pelo visto você já arrastou a pobre Quinn pra isso de novo.
— Eu não pude conter essa ideia, até porque ainda não sei como foi o encontro de vocês ontem, mas eu aposto meu Tony como foi super cheio de beijos molhados no escuro do cinema. Estou errada?
Brittany tentou não corar enquanto puxava Rachel pelos corredores do teatro na direção do palco principal. Alguns rapazes da iluminação passavam e as cumprimentavam enquanto a muito madura estrela do show lhe cutucava no braço querendo saber detalhes da noite passada. Cristo, ela só poderia ter feito sapateado na santa ceia para merecer aquilo.
— Sim, nós nos beijamos. Não, nós não dormimos juntas ou chegamos perto disso. Ainda estamos dando passos simples nisso, Rach. Não quero que nada se precipite.
— Bom, seu corpo não parece concordar com você, ele parece precisar de uns amassos bem quentes.
Brittany jogou os sapatos de plataforma com que treinavam o terceiro ato no peito de sua amiga e seguiu para o centro do palco onde os outros atores e dançarinos ainda bebiam água ou se alongavam depois da última pausa. Rachel fintou sua amiga e sorriu com a ideia do que Quinn e ela havia preparado para aquela noite.
O casal Brittana aconteceria sim, elas quisessem ou não.
(...)
You can be a sweet dream or a beautiful nightmare
(Você pode ser um sonho doce, ou um lindo pesadelo)
Either way I
(De qualquer jeito eu)
Don't wanna wake up from you
(Não quero acordar de você)
Nevava como se o céu de Nova York quisesse se desmanchar no chão. Santana não lembrava de ter enfrentado um tempo tão ruim desde que começou a morar na cidade, mas sempre havia primeira vez para tudo. Ela também nunca tinha saído com um tempo tão ruim, mas lá estava ela seguindo o carro de Quinn com os dedos apertados no volante do carro. Até o seu aquecedor novo estava com dificuldade de brigar com o frio que vinha de fora.
— Finalmente, esses idiotas parecem lesmas!
O transito estava ainda pior que o normal, como era de se esperar com aquele tempo horrível. Tinha sido uma má ideia aceitar o convite de sua melhor amiga, mas era tão estupido o quão fácil foi convencê-la. Foi apenas necessário mencionar quem estaria lá e pronto, lá estava Santana fazendo mais papéis de trouxa que a Amazônia inteira poderia produzir só para encontrar Brittany outra vez. Ela já havia sido mais inteligente quando tinha suas paredes com a dançarina do lado de fora.
Agora tudo estava uma bagunça, das mais generalizadas.
Finalmente o SUV prata, de Quinn, entrou na rua do famoso condomínio de Luxo que havia na West Avenue com a 5th. O Manhatthan Brokerage era o maior prédio que Nova York já teve antes da construção do Empire State, a arquitetura clássica e os manobristas de terno na entrada deixavam o recado de que aquele se tratava de uma moradia exclusiva a alta classe americana.
— Sua noiva sabe como escolher onde morar, definitivamente!
— Isso porque você não viu a decoração lá em cima, minha Rach praticamente vive em um palácio.
— É. E ela merece isso, sabe. Nunca vi alguém ser tão focada e obstinada como ela sempre foi a carreira e bem, aqui estamos. Ela conseguiu Nova York.
— E eu consegui ela, não poderia ser mais feliz que isso. – completou sua amiga lhe guiando até o elevador esculpido em Carrara. Elas seguiram até a cobertura dentro da armação feita de vidro e puderam observar as vidraças iluminadas e embaçadas pela neve. Apesar do caos do frio e do gelo, a noite estava linda vista daquele ângulo.
— Você não mencionou que seria uma festa privada?
— Oh, esse era o plano.
Gritou Quinn por cima do som ensurdecedor que tocava no ambiente após abrir a porta. Havia pessoas das mais diversas aparências e estilos amontadas dançando algum remix de um DJ famoso. Santana olhou para Quinn e ambas arquearam a sobrancelha ao mesmo tempo. O que diabos Rachel Berry havia feito?
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