Notas iniciais
Primeiramente muito obrigado a quem deixou um comentário espero que o rumo que a historia ganhe os deixem satisfeitos. Aposto que todos piraram tanto quanto eu com BRITANA-KISS, espero que Ryan crie vergonha na cara e ponham mais cenas delas juntas, elas são muitooo fofas!! Enfim, espero que gostem, enjoy

Capitulo III: Sonhos

''Se sonhar um pouco é perigoso, a solução não é sonhar menos é sonhar mais.'' (Carlos D. Andrade)

(...)

– O que a nova garota de ouro de Hollywood estaria fazendo na minha porta essa hora da manhã? – Santana ergueu a sobrancelha com um sorriso brincalhão indicando que aquele habito havia pegado nela afinal, após anos de convivência com a loira idiota a sua frente.

Elas se olharam por alguns segundos antes de Quinn avançar no primeiro passo, invadindo o espaço pessoal da latina a envolvendo em um abraço fraterno que ambas mesmo não admitindo em um primeiro momento sem dúvidas sentiam uma falta extrema. Abraçar Quinn era como abraçar um pedaço de casa.

– Calada S, eu sei que você morreu de saudades minhas! – O tom convencido de sua amiga a fez rolar os olhos enquanto fechava a porta atrás de si. Certas coisas nunca mudavam.

Quinn havia mudado muito desde sua última visita a New York. Ainda adotava os cabelos curtos e loiros acinzentados, que havia usado no seu último papel, mas parecia ter emagrecido muito naquele meio tempo. Os mesmos jeans surrados e jaqueta de couro que costumava usar e abusar na faculdade ainda marcavam seu estilo tão diferente do que costumava ser quando se conheceram. Os vestidos floridos e sapatilhas definitivamente tinha ficado no passado para ela.

Ambas tinham muito do que falar, já fazia quase um ano que não se encontravam pessoalmente, afinal após a formatura, Santana optou por Nova York para estudar cirurgia neurologia em um dos melhores hospitais de pesquisas do mundo enquanto Quinn seguiu para Los Angeles na tentativa de crescer como atriz. Eventualmente elas visitavam uma a outra, mas até mesmo telefonemas se tornaram menos frequentes conforme o trabalho aumentava para ambas e o tempo mostrava que era seu próprio regulador. Entretanto, agora ambas se reencontravam envolvidas naquele mesmo ar fraterno e amistoso que tinha servido para ensinar o modo que elas deviam conviver com todas as semelhanças que as separaram por serem tão competitivas quando se conheceram e que acabou desfazendo todos seus desentendimentos a partir do segundo ano no McKinley High. Logo depois veio Yale e quando ela se deu conta a garota era sua colega de quarto e único ponto de apoio que ela conseguia se sentir verdadeiramente segura.

Elas sabiam que sem o laço fraterno que desenvolveram jamais teriam a chance de cumprir com todos aqueles objetivos que tinham em mente.

Santana deu um sorriso doce ao notar o brilho que cintilava no pescoço de sua amiga onde uma estrela prateada reluzia quase tanto quanto o sorriso apaixonado da ex-lider de torcida. Ela estava ciente de que Quinn estava fielmente comprometida com Rachel e que o amor entre elas era do tipo a ser apreciado. Afinal elas tinham conseguido superar todas as barreiras firmes nele. Afinal, elas tinham conseguido superar todas as barreiras de um ensino médio onde passaram a maior parte do tempo brigando pelo mesmo cara para só então darem o braço a torcer que a tensão entre elas era algo muito mais sexual do que qualquer sentimento de ódio. Quinn e Rachel tinham aquele tipo de amor que daria uma ótima comédia romântica.

– Bem, eu vou por uma roupa assim conversamos direito! – A latina deu meia volta com as mãos nos bolsos laterais do roupão de banho enquanto seguia em direção ao seu quarto deixando Quinn na sala observando atentamente todos os detalhes ao seu redor.

Na época de sua última visita, Santana havia acabado de mudar para aquele apartamento e não tinha o visto após a latina terminar de decorá-lo. E mesmo que no geral tudo portasse um aspecto simples havia intricado seu ar sofisticado que segundo a médica não poderia faltar. Podiam-se notar seus toques pessoais em vários pontos, porém o que mais prendeu sua atenção fora o brilho dos poucos porta-retratos cintilando pelos cantos da estante que se destacavam entre os eletrônicos. Sabia que nenhuma das fotos neles era recentes justamente por ter sido ela mesma que tirou a maioria delas com sua velha polaroide, anos atrás ainda em Lima. Havia fotos na praia, fotos da família Lopez e como era de se esperar em nenhuma delas aparecia Brittany. Talvez Santana tivesse levado a sério aquela coisa de superar e seguir em frente. Ou não.

– Café, Q? – A latina retornou a sala tirando sua amiga de suas divagações internas enquanto acenava para que a acompanha-se até a cozinha.

Santana lhe serviu uma xícara de café recém esquentado na cafeteira, enquanto pegava algumas frutas na geladeira. Ela precisava ir urgente ao supermercado, pois sua dispensa estava quase jogada as traças. Quinn acompanhou a outra morena sentando-se a mesa para degustar a bebida que continuava doce e forte como da última vez que provou.

– Então quais as novidades em L.A e qual delas te trouxeram para Nova York? – Sua ex colega de quarto lhe respondeu com um daqueles sorrisos totalmente clichês de quem está apaixonado. Rachel com toda certeza a tinha amarrado com um nó cego de onde nunca conseguiria se soltar.

Ela permaneceu ainda em silencio por alguns instantes como se estivesse escolhendo as palavras certas para dar a notícia, mas no fim acabou indo direto ao ponto, pois sabia que sua amiga odiava muitos rodeios:

– Eu vim para pedir Rachel em casamento. – Santana arregalou os olhos de forma extrema. Ela não sabia que não era aconselhável estar ingerindo líquidos ao saber às tais novidades, pois quase engasgou instantaneamente com o café em sua boca ao escutar as palavras da atriz.

– Você têm certeza do que está fazendo? – O tom de voz da morena remetia exatamente toda a confusão na qual se encontrava afinal uma coisa era perceber que entre aquelas duas não existia ódio e sim paixão reprimida fazendo com que finalmente ficassem juntas. Outra completamente diferente era que ambas quisessem levar a relação a esse nível tão complicado como significava o casamento. Era um enorme e arriscado passo.

Quinn apenas gargalhou com a reação da amiga que levantou irritada da mesa levando consigo a xícara ainda pelo meio com café para a pia. Havia perdido todo o apetite após ter tanta informação jogada sobre si daquela forma crua. Bem Quinn sabia que ela odiava ser enrolada de qualquer maneira.

– Claro que tenho certeza. E eu sei que ela também leva casamento muito a sério. – Afirmou à atriz revirando os olhos. Santana ainda permaneceu com a expressão de choque por alguns instantes antes de indagar irritada.

– Eu lembro o quão ela levava a sério para quase se casar com Finn Hudson! Por que vocês duas brigavam por aquele palerma mesmo? – cruzou os braços no peito em sinal de protesto, afinal mesmo não admitindo Quinn era como se fosse parte de sua família e ela sentiu na pele a terrível dor que um coração dilacerado poderia causar. Não queria que sua melhor amiga sofresse desnecessariamente.

– Primeiro, Finn era um cara legal. E você namorou ele também então qual a sua desculpa, Snix?

Santana bufou lembrando desse detalhe de seu passado. Ok, ela tinha saido com Finn quando estava no armário, mas ela havia feito o mesmo com todo o time de futebol então não fazia diferença.

– E eu sei que isso trata minha carreira em Los Angeles e que ela também tem seus contratos com a gravadora daqui, mas foda-se eu abriria mão de tudo pra ficar com ela.

Santana ainda lhe fintava com a expressão fechada esperando seus próximos argumentos. De alguma forma sabia que a médica já desconfiava do que pediria a seguir.

– E voei ontem de Londres pra cá especialmente para te fazer um convite muito especial, que eu espero que você não recuse! – Um vestígio de curiosidade passou pelo rosto da morena, mas ele sumiu com a mesma rapidez com o qual surgiu, dando lugar a uma sobrancelha arqueada indicando que Quinn deveria se explicar melhor.

– Eu quero que você seja minha madrinha! Sinceramente, não consigo imaginar mais ninguém para estar ao meu lado enquanto eu dou esse passo tão importante.

Foi quase impossível que a latina evitasse corar ao ouvir as palavras de sua amiga. Afinal a amizade das duas era uma das poucas coisas que ainda a ligava ao passado e mesmo muitas vezes ter desejado que essa ligação não existisse aprendeu que não se pode apagar o passado, pois ele acabou se tornando um importante alicerce do seu presente. E em meio a tantas surpresas e emoções a flor da pele uma lagrima tímida brotou no canto de seus olhos e ela não fez questão de limpa-la, estava realmente emocionada com aquele convite e apenas balançou com a cabeça em afirmação antes de sentir os braços de Quinn ao seu redor mais uma vez.

– Existe Skype sabia? Não precisava ser idiota e cruzar o oceano para pedir uma coisa simples dessa. É obvio que eu diria sim!

Foi um daqueles momentos fofos de seriados da tv em que você suspira alto com a interação do seu friendship favorito. Poucas coisas são tão bonitas de se ver do que um abraço sincero.

– Dá pra você não estragar nosso momento? – disse Quinn lhe dando lingua. – E só eu acho que já estava na hora de te ver sua chata? Faz tipo um ano todo que não tenho de lidar com esse seu ego inflado.

Santana respondeu esmurrando fraco seu ombro. – Não estrague o momento você, sua vagabunda... – A voz da médica fez seus olhares se encontrarem e ambas compartilharam uma daquelas gargalhadas de fazer o estomago doer. Inferno, ela sentia tanta falta daquela implicante oxigenada!

– Sabe eu nem acredito que vou dizer isso, mas estou orgulhosa de você. – concluiu Santana chamando sua amiga para conversarem na sala. – Você pode ter conseguido ser mais rainha de Nárnia do que eu no ensino médio e ter escolhido a criatura mais chantagista do mundo para se casar e ainda assim eu te desejo tudo de bom daqui para frente. Faça com que o amor de vocês apenas aumente com o tempo, nunca deixe a chama se apagar, pois se ela morrer tudo vai se tornar apenas banal.

Ela não havia notado, mas seu pequeno monólogo fez Quinn ficar com o rosto quente e com vontade de chorar. As vezes Santana tinha essa coisa de dizer a verdade e a mesma te bater na cara e te fazer chorar como um recém nascido.

– Você sabe que o amor ainda existe dentro de você, San. Ele está apenas esperando que a pessoa certa o desperte outra vez, talvez você devesse apenas tentar um pouco mais.

Também doía em Quinn perceber que mesmo após tantos anos sua amiga ainda alimentava aquele sentimento, fruto do amor que viveu no ensino médio, e que ela manteria seu coração fechado como vinha fazendo até agora temendo sentir mais dor.

– Essa pessoa já veio, Q. Mas ambas sabendo que ela também se foi e não haverá retorno. – Santana devolveu suas palavras encorajadoras com um sorriso fraco e os olhos brilhando por pequenas lagrimas que ela não permitiu desabrocharem. Seus ombros se moveram em sinal de conformidade e ela tentou engolir a mentira de que não se importava realmente.

Algo no rosto de Quinn mudou, mas Santana não chegou a perceber essa mudança. Foi como se a atriz pensasse em algo importante por alguns segundos antes de se voltar a amiga novamente, que por sua vez já terminava de se recompor trocando toda a tristeza de minutos atrás por uma expressão mais amena. Não queria desperdiçar o tempo que tinha com Quinn falando de assuntos tão melancólicos como ex-namoradas.

– Então como foi o pedido? – Santana tinha um toma animado o que fez Quinn derramar toda a experiência sobre ela de forma eufórica. Sim, definitivamente Rachel havia jogado o feitiço do amor na sua amiga.

– Esse fim de semana o novo espetáculo dela estará em estréia na Broadway e uou promete ser bom. Acho que teremos de abrir espaço na prateleira para mais Tony's.

– Se eu não tiver de ouvir Rachel cantar eu super concordo em ir. – disse em tom de desdém antes de ser acertada com uma de suas almofadas. – Ok, eu vou sim sua implicante. Agora sem querer te expulsar, mas eu realmente preciso ir dormir. Eu estou á quase 48 horas de pé e posso desmaiar por estafa a qualquer momento. – A morena segurava sua nunca e ajeitava sua postura sentido suas costas doerem outra vez. Era notório que ela precisava de umas boas horas de descanso antes de fazer qualquer outra coisa.

Quinn deu um sorriso compreensivo antes de levantar pegando sua bolsa e seguindo até a porta. Ambas trocaram olhares significativos que os anos de convivência saberiam traduzir perfeitamente em uma ato afetivo e carinhoso entre as duas. E antes mesmo de conseguir chegar ao elevador escutou a Santana proferir da porta:

– E mais uma coisa, avise para a anã que caso ela te machuque ou faça qualquer merda que seja com o seu coração é melhor que ela sabia que eu ainda sei como se pratica vingança dos becos de Lima Heights.

A atriz acenou antes das portas do elevador se fecharem e a latina entrar em casa com um sorriso moderado nos lábios. Afinal mesmo que não admitisse, Quin lhe trazia uma segurança enorme quando estava por perto e ela jamais conseguiria retribuir por todas as noites de lágrimas onde o amparo de sua amiga era fundamental para que ela levantasse no dia seguinte. Seu corpo praticamente se arrastou à cozinha para pôr o restante da louça na pia e tirar os demais itens da mesa. A dor em suas costas estava mais acentuada e decidiu que depois de acordar lavaria a louça já que estava cansada o suficiente para não pensar em mais nada além de sua cama.

(...)

Os corredores do McKinley High se encontravam desertos e o enorme relógio da secretaria indicava que o paradeiro de todos os alunos deveria ser o do refeitório. Mesmo naquele silencio quase mórbido Santana se encontrava tão presa em seus pensamentos que não notou quando uma morena alta de cabelos castanhos vestindo seu uniforme branco e vermelho de torcedora parou ao seu lado com um olhar tão questionador quanto feliz.

– Por Deus, Santana! Eu não consegui te ver o dia todo. Onde você estava? – A latina rapidamente espantou todas as suas reflexões e quase respondeu o real motivo de chegar tão atrasada na escola, mas as palavras não saíram e, ela não sabia se queria contar a alguém problemas tão íntimos. Por isso decidiu optar por dar apenas um de seus sorrisos presunçosos antes de fechar seu armário e responder:

– Não é da sua conta, Fabray! Eu apenas precisava por algumas coisas em ordem... – Seu humor estava um lixo desde que acordou e por isso ela teve de morder a língua para não dizer algo mais grosseiro. Mas Quinn pareceu não ligar para seu ódio sem motivo ao mundo e apenas a abraçou com força sem motivo nenhum como se tivesse acabado de presenteá-la com a melhor surpresa do mundo.

Santana ficou estática com o gesto da amiga meio descrente que recebeu um ato de afeto de sua amiga sempre tão disposta a reagir a suas patadas. Quinn estava envolta em uma áurea sufocante de felicidade.

– Sua puta, por que você não me disse que tinha conseguido? Sabe que eu queria ser uma das primeiras a saber quando a resposta chegasse. – A garota mais magra ficou sem palavras por alguns instantes e sentiu Quinn afrouxar o abraço lhe dando um sorriso aberto.

– Como você ficou sabendo?

– Seu pai ligou para minha casa vibrando de felicidade fazendo questão que dividíssemos o mesmo apartamento no campus! – A expressão da latina ficou mais contraída ao ouvir as palavras da amiga e só conseguiu dar um sorriso de lado ao responder.

– Mas eu não vou para Yale, Quinn! – A morena em sua frente deu uma pequena gargalhada pensando que fosse apenas mais uma das respostas sarcásticas da Latina de mau humor. Analisou novamente a morena que tinha o semblante neutro e irredutível

Santana apenas baixou a mochila dos ombros e de lá retirou um envelope dourado com detalhes em vermelho vinho. O remetente se encontrava no verso: Los Angeles Recording Studio.

– Britt foi aceita! – Santana disse finalmente olhando nos olhos castanhos de sua amiga com um sorriso meio bobo por falar de sua namorada. Quinn por sua vez continuou calada tentando processar tantas informações, e antes que conseguisse formular uma resposta Santana a repreendeu.

– Eu a inscrevi sem ela saber e caso ela descida ir para Los Angeles eu vou também, já decidi. Não vou deixar Yale nos afastar como fez durante toda essa seleção estupida e desta vez eu vou cumprir com minha promessa de sempre estar ao lado dela.

– Mas Yale sempre foi seu sonho e...

– Não. Esse é o sonho do meu pai e você melhor do que ninguém sabe o que é fazer uma coisa só pra deixar os outros felizes. Minha felicidade é com ela Q, nós duas sabemos disso.

A outra líder de torcida ainda parecia um pouco incrédula, que ela seria capaz de jogar mesmo tudo para o alto, mesmo sabendo que Santana sabia como cuidar de si mesma, embora não conseguisse esconder o desapontamento por seguirem caminhos diferentes.

– Tenho de ir. B acabou de me mandar uma mensagem para encontrá-la nas arquibancadas, encontro com você mais tarde na festa.

E assim foi se afastando dos armários e ao chegar ao fim do corredor, sentiu como se estivesse caindo em um abismo sem fundo e ao tentar gritar percebeu que sua voz havia sumido. Tentou se livrar da escuridão a sua volta, porém antes que pudesse fazer algo foi capaz de visualizar aqueles olhos verdes como o mar antes de finalmente despertar.

Em um pulo viu que estava no chão com a camiseta que havia dormido colada ao seu corpo pelo excesso de suor. Olhou ao redor notando estar novamente em seu quarto e finalmente percebendo que todo aquele flashback não tinha passado de um sonho. Sonho. Talvez essa não fosse a palavra certa a ser usada, pois lembrava o quão doloroso foi sair daquele simples encontro nas arquibancadas. Fora naquele dia que Brittany havia terminado a história que construíram juntas. E a única saída que encontrou foi ficar o mais longe possível de Lima e de tudo que pudesse lembrá-la. Yale foi sua primeira e única solução.

Levantou-se do chão amaldiçoando seu cérebro por pregar peças tão estúpidas ao ponto de parecerem tão reais. Sentiu algo queimando em seu rosto e viu que estava chorando descontroladamente. Ela estava tão confusa e desnorteada que sequer conseguia raciocinar naquele momento a cercar dos motivos que fizeram aquelas lembranças ressurgirem daquela forma tão arrebatadora em um simples sonho.

Arrastou-se para o banheiro da suíte na tentativa de que uma ducha quente a ajuda-se á pôr os pensamentos e sentimentos em seus devidos lugares. Era normal ela ter sonhos onde cenas do passado se misturavam com coisas sem sentindo, mas jamais tivera sonhado com algo tão real e tão concreto assim antes. E o pior parecia que algo dentro dela avisava-a que algo de errado estava acontecendo, ou prestes a acontecer, ela não sabia explicar como, apenas sabia. Era como se seu sexto sentido estivesse quebrado e apenas apontasse para direções diversas.

Saiu do cômodo tomado pelo vapor a passos lentos com a toalha frouxamente presa ao corpo. O barulho do toque polifônico do seu celular vinha da sala, abafado por sua bolsa. E ela não se importou de deixar vestígios de água por todo o trajeto, pois seu corpo estava funcionando totalmente no modo de piloto automático. Sua mente estava longe e suas ações eram meramente instintos, o barulho de seus passos por entre o curto corredor de seu apartamento pareceu refletir nas paredes sua solidão. Ela já havia se acostumado a ficar sozinha, não que estivesse reclamando, a solidão era bem mais fácil de lidar do que com as pessoas, a solidão feria bem menos.

Às vezes ela pensava em ter um cachorro ou algo assim, só para fazer-lhe companhia, mas animais não eram adequados para seu estilo de vida. Ela sequer lembrava-se da última vez que não voltou em seu apartamento apenas para dormir ou por uma ducha quente. Jamais teria energia para levar um Golden Retriver pelo Central Park. Ela também não pode lembrar-se da última vez que pois os pés no central Park, mas isso já era outra história, de qualquer forma aquela sensação tinha voltado com uma intensidade tão expositiva apenas por um sonho estupido.

Seu celular havia parado de tocar, porém em seu visor podia se ler quase sete chamadas perdidas do mesmo número. Ela retornou a ligação enquanto retornava ao quarto para procurar algo confortável para vestir.

– Onde você se meteu Santana Lopez? – A voz na outra linha tinha o tom irritado, a médica checou o visor do celular vendo para quem tinha retornado a ligação.

– Para que tanto alvoroço Liz? Foi você mesma que me mandou ir para casa descansar. – Santana tirou um jeans e uma camiseta azul do armário. Tinha decidido que precisava sair de casa e o fato de sua dispensa estar às traças reforçavam o fato de ela precisar ir com urgência ao supermercado.

Ela apenas necessitava de um pouco de ar puro.

– Por quanto tempo você dormiu? A reunião do conselho começa em cinco minutos e você já deveria estar aqui.

Santana quase repreendeu sua colega de equipe, pois além da reunião somente ser no dia seguinte sua presença era apenas facultativa já que era apenas responsável pela equipe de cirurgia neuropediatra, mas ao checar as horas no relógio de cabeceira se assustou ao ver a data. Praticamente pulou da posição que estava procurando com urgência vesti suas peças intimas.

– Eu já estou a caminho. – Foi tudo que disse antes de desligar e jogar o aparelho na cama.

Não fazia ideia de que estava tão exausta, pois tinha adormecido após Quinn ir embora e não deveriam ser nem oito horas e de alguma forma ela conseguiu dormir por mais de vinte e quatro horas seguidas. Talvez ela tivesse entrado em estágio de hibernação caso não tivesse tido aquele pesadelo.

Ela estava realmente muito atrasada e mesmo se usasse algum método de teletransporte não conseguiria chegar a tempo de ver a primeira parte da reunião. Terminou de pôr a blusa e rapidamente buscou uma jaqueta no armário, enquanto procurava as chaves do seu carro. Passou pela cozinha e pegou uma fruta qualquer na geladeira ao mesmo tempo em que pegava sua maleta e o jaleco já seguindo para o elevador após trancar a porta do seu apartamento.

Não sabia ao certo quanto tempo tinha de sobra, mas já tinha total certeza que estava muito atrasada. Por algum milagre divino o transito não estava muito congestionado e em pouco tempo chegou ao estacionamento. Colocou seu carro em sua vaga rotineira checando o relógio pela milésima vez desde que tinha começado a dirigir, seguiu para o elevador resmungando internamente por não lembrar se tinha ou não deixado o gás da cozinha desligado.

Após entrar sorrateiramente a sala de reuniões enquanto todos prestavam atenção na planilha de gastos que estava sendo explicada por um dos caras da administração ela sentou ao lado de Liz respirando fundo. Seguiram a pauta para os pedidos de equipamentos da fisioterapia infantil e comentava sobre os novos funcionários que tinham sido admitidos, sua mente tentou se fixar na reunião, mas seu corpo respondia de forma diferente.

Por algum motivo uma sensação nova revirava seu estomago, e ela não sabia dizer se era algo bom ou se deveria se preocupar. Aos poucos os tópicos foram discutidos até a reunião ser encerrada. Santana cumprimentou os demais médicos enquanto arrumava as pastas que deveria analisar com alguns prontuários que lhe foram requeridos especialmente.

– Dava para você me dizer onde eu consigo um pouco do seu charme latino?

A morena apenas revirou os olhos dando de ombros as palavras da fisioterapeuta que a acompanhava em direção a recepção onde pegaria seus horários. Liz não perdia a chance fosse com cafés fosse com elogios pela manhã quando sua cara parecia um lixo de tentar entrar em suas calças outra vez.

– Eu não sei por que ainda paro para escutar você, mas a que diabos está se referindo?

– Você sabe que eu tenho razão, ou vai dizer que não notou como o Ben ficou te olhando? – A Latina revirou os olhos outra vez, Bernard Gualter era o atual diretor do hospital, ele tinha uma enorme simpatia por ela, mas não passava de contato profissional. Ele era apenas um dos amigos de seu pai, apenas aquilo.

– Ele só gosta do trabalho que venho desenvolvendo! Além do mais, eu não sei se você lembra mais eu jogo no outro time. – Foi impossível que a ruiva não gargalhasse ao escutar as palavras da latina. Seria impossível que ela esquecesse essa informação após já ter ido para cama com Santana e ter tipo orgasmos maravilhosos. Não é algo que saia com facilidade da cabeça.

– Pena que você faz o tipo apenas uma noite e adeus.

E lá estava Liz de novo introduzindo um flerte nada sutil em suas palavras. Santana já tinha consciência que sua colega de trabalho era intensa demais quando se tratava de sentimentos por isso sempre deixou claro que ela não queria nada além de uma noite. Era mais fácil não se apegar dessa forma, mas parecia que a fisioterapeuta tinha ido pelo caminho mais difícil.

– Você sabe o quão complicado é minha vida. E aposto que caso soubesse um terço da minha história estaria disposta a se envolver. Tenho muita bagagem para ter algo mais do que isso.

– Você pode me contar sua história a hora que bem quiser, mas no meu apartamento e de preferência com vinho tinto.

Ok, Liz tinha jogado a sutileza realmente no inferno aquela manhã. Era tentador dizer um enorme não e encerrar aquela conversa de uma vez, mas depois daquele pesadelo e após o conselho que Quinn mais uma vez tinha lhe oferecido ela resolveu que não faria mal a ninguém ao menos tentar.

– Meu turno termina as sete. – respondeu também sem rodeios ganhando um sorriso malandrando da ruiva.

Talvez não fosse a coisa mais correta a ser feita na situação, mas resolveu arriscar, quem sabe todas aquelas sensações dentro de si não fosse um sinal. Pelo correto ou não ela ao menos teria uma noite divertida que a ajudaria a lhe distrair. A médica parou na recepção para pegar o seu horário e mais uma lista de prognósticos, o fluxo no hospital já estava intenso, era nessa hora do dia onde geralmente os residentes mais sofriam e hoje ela estava responsável por um grupo de três na emergência o que por si só já garantia que o dia seria bastante aborrecedor.

Por enquanto tudo parecia estar extremamente normal e se não fosse à estranha sensação que sentiu ao ver uma maca sendo puxada por dois enfermeiros para a emergência ela jamais suspeitaria que seu pesadelo pudesse ter um algum fundamento.

Notas finais
Então o que acharam:? Se quiserem dar alguma sugestão ou critica e so deixar um comentário ou uma Dm que eu responderei com prazer... Espero que tenham gostado, e deixar um rewier nao vai fazer sua mão cair entao...