Someone Like You
1 Prólogo: A melhor coisa que já foi minha
Notas iniciais
SOMEONE LIKE YOU
Capitulo I: Mine
Foram anos loucos aqueles de ensino médio. William McKinley High não era nem de longe a melhor escola de Lima, mas você bateu o pé durante todo o verão para convencer seus pais de que você queria estudar lá. Seu pai já era o médico mais famoso da cidade e você não precisava passar outro ano na escola pública, como aconteceu logo que vocês chegaram do México, mas já era tarde demais, não é mesmo? Você já tinha conhecido a garota que faria da sua vida uma bagunça e era inadmissível passar o ano letivo longe dela. Você já estava apaixonada em nem sabia.
Quando seus pés tocaram aquele pequeno pedaço do inferno você percebeu que se fosse fraca ou não estivesse dentro daquele padrão clichê de ensino médio tipicamente americano, acabaria esmagada como um inseto insignificante. Status nunca significou nada para você, mas as fofocas ali dentro começavam rápido, e se algo acabasse chegando aos ouvidos de seus pais você seria arrancada daquela escola mais rápido do que sua abuela conseguia cozinhar tacos. Por isso você acabou aceitando a regra deles.
Animadoras de torcida foi fácil, aquelas malditas aulas de ballet que sua mãe lhe obrigou a fazer desde os quatro anos serviram para algo afinal, e sua melhor amiga acabou te seguindo como sempre, mesmo achando Sue Sylvest uma louca de pedra. Aquele mundo de vestiários, boxes sem porta e trocas de roupa uma na frente da outra acabou levando a amizade de vocês para um nível totalmente novo e quando aqueles selinhos de despedida evoluíram para amassos quentes no armário do zelador não acabou sendo surpresa nenhuma. Ainda assim, você gostava de se iludir que tudo não passava de uma grande amizade com benefícios e que vocês sempre seriam apenas duas amigas conversando com as línguas perto demais. Sem rótulos. Sem relacionamento.
Até o dia em que você não aguentou mais e teve de entrar nas calças dela. Definitivamente foram as melhores lembranças do acampamento de torcida que você poderia ter esperado ter. Mas a negação sempre foi seu sentimento preferido, não?
Foi exatamente por isso que você acabou na cama com Puckerman na festa de boas vindas de Mike Chang e logo depois acabou fazendo o mesmo com metade do time de futebol americano. Era de alguma forma melhor ser chamada de puta pelos vestiários do que de gay. E sua personalidade se tornou insuportável, fazendo sua arrogância chegar à níveis que te deixavam assustada, embora você nunca tivesse feito nada para mudar qualquer coisa que fosse. E apesar de você agir como uma cadela o tempo todo, a garota de olhos azuis nunca se afastou de você. Nem nunca negou te beijar mesmo sabendo que você tinha acabado de ir a um encontro com outro cara estúpido que só queria conseguir pegar nos seus seios como todos os outros. Ela continuava sendo sua garota. Mesmo que apenas entre quatro paredes.
Tudo funcionava perfeitamente bem no seu modelo deturpado de mundo ideal. Sua popularidade era incrivelmente alta, todos os caras queriam ter uma chance de passar a mão em seu corpo e para quando a carência batesse a porta sua melhor amiga estaria por debaixo dos panos suprindo seu enorme vazio emocional. Era tão cômodo manter as coisas daquela forma e até se considerar feliz de modo geral, entretanto Artie Abrams apareceu e foi como um chute no meio do seu estômago. Ele e seu cabelo ridículo e sapatos oxford acabaran com sua harmonia a roubando de você não foi?
E o que realmente doeu foi o fato de sequer ter sido difícil. Você sempre soube que ela merecia algo muito melhor do que você seria capaz de fornecer naquela estúpida e egoísta “amizade com benefícios”, só não achou que seria tão duro vê-la seguir em frente sem você.
Ela amava outro agora. E disse isso na sua cara sem titubear.
Aquela foi a primeira vez que ela quebrou seu coração. E você chorou tanto achando que sua dor era a pior do mundo sem ao menos suspeitar que já tinha sido responsável por quebrar o dela várias vezes antes, sem nem ao menos perceber. Havia chegado a vez da menina de olhos claros de ignorar o sofrimento alheio. O resto ficava a cargo do universo e ele te faria sentir cada grama do mal que você já havia causado inconscientemente na garota que ironicamente você amava sem assumir.
E com o tempo tentando se acostumar com toda a inveja e a ira de vê-la sendo capaz de ser feliz sem você por perto sua consciência finalmente se entregou a tarefa nada fácil de tentar lidar primeiro com os seus próprios sentimentos confusos sobre si mesma antes de tentar reconquistá-la.
Você finalmente aceitou em uma conversa nada normal com Quinn Fabray que talvez fosse realmente lésbica e ela te respondeu com um abraço meio estranho te respondendo que não havia nada de errado nisso. Foi bom ter desatado aquele peso das costas e você acabou ganhando sem saber uma amiga pra vida toda.
Depois de resolver suas coisas você teve de procurá-la e pedir desculpas por ter sido a maior imbecil do universo e apesar de suas palavras terem sido sinceras e quase poéticas você percebeu por seus olhos que ela não tinha realmente acreditado. De qualquer forma ela te beijou quando você acabou de falar e depois terem transado a noite inteira ela te disse que não largaria Artie. Provar o gosto do próprio veneno nunca foi tão amargo.
Depois de uma semana sem pisar no McKinley sua mãe finalmente percebeu que tinha algo muito errado e te chamou para conversar. Suas mãos nunca suaram tanto e levou cerca de meia hora para pronunciar a frase que ela sempre soube que era verdade.
— Mãe, eu sou gay.
— Eu sei disso babe. – O terceiro olho mexicano dela realmente funcionava no final das contas e depois de chorar como uma recém nascida em seu colo decidiu que já chegava de todo aquele melodrama barato. Nas palavras de sua mãe. – Jamais vai recuperar sua garota sem mexer essa bunda. Mulheres não são fáceis de encantar como os homens porque temos apenas a cabeça de cima para pensar. Você é uma Lopez, Santana! Tem um sobrenome pra honrar.
E finalmente sua conta de acertos subiu. O show de talentos estava no final e você sabia que ela estaria lá aquela noite porque praticamente teve de vender a alma para Rachel Berry fazê-la ir. Foi o dia mais assustador de sua vida, mas qualquer loucura era pouco por ela. Suas mãos nunca tremeram tanto e com um pouco de dificuldade ao ouvir seu nome ser anunciado seguiu até o palco com o violão a tira colo, se esforçando para não esquecer a letra da música que pretendia cantar, fenômeno que quase aconteceu ao cruzar seu olhar com o dela, ao tomar posição e esperar o holofote ser dirigido à Brittany. Ficaria devendo uma até a faculdade para Quinn por tê-la feito se inscrever na equipe de iluminação apenas para isso.
— Essa música é pra você. De todo o meu coração.
Todo o corpo discente do McKinley Hig se calou aquela noite para te ver se declarar ao som de Songbird, só que desta vez para todo mundo ver. Sua apresentação foi a mais aplaudida da noite apesar das palavras de repudio que recebeu de alguns babacas ao descer do palco e ter perdido para a garota do violoncelo, mas tudo bem, estava ocupada demais beijando sua garota na frente de todos para ouvir seu nome sendo anunciando como segundo lugar.
O assunto de que duas das líderes de torcida mais quentes da escola estavam juntas agora não provocou a revolução idiota que você tanto temeu mentalmente, antes ela era Brittany Pierce namorando Artie e agora era Brittany namorando Santana. Foi simples assim todo o tempo, mas seus olhos estavam cegos demais para encobrir uma coisa que justamente o próprio olhar denunciava.
Então chegamos a questão final. Se vocês sempre foram tão simples e feitas para durar como pode ser facilmente comprovado ao longo dessa pequena recapitulação como pode você está novamente sofrendo sozinha, trancada em seu dormitório em Yale, por já fazerem 4 anos que não a revê? Não faz a porra de nenhum sentindo.
Felizmente eu tenho a resposta para sua inquietação e você também teria se fosse capaz de olhar seu passado com mais cuidado, contudo, não posso me permitir dá-las de bandeja a você, visto que, seu aprendizado até agora não foi o suficiente para que seu amadurecimento chegasse até onde precisa estar.
Mas, como disse Martin Luther King, o tempo sempre é certo para fazer o que é certo e definitivamente nunca é tarde demais para duas pessoas que se amam.
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