Someone Like You

22 Oh, take me back to the start


Notas iniciais
Oi?

Someone Like You

Bruna S. Caldas

“Quando o amor é verdadeiro, ele contagia quem está por perto. Essa é prova de que vale a pena continuar.” — Carina L.

– Sabe, Brit, eu acho que já tivemos etapas demais. Que tal tornar as coisas mais interessantes...

Santana espalmou suas mãos contra o balcão da cozinha pressionando seu incrível e quente corpo contra as costas de uma Brittany ofegante pelo ato abrupto. A surpresa foi sua primeira reação, embora, não tenha sido difícil de ignorá-la prontamente quando sentiu aquele tom aranhado e hálito fresco de vinho arrepiando os pelos de sua nuca. Inferno, só a voz daquela mulher já fazia suas pernas bambearem.

– Você continua tão gostosa, Brit... Que tal tirar essa roupa e me mostrar uns passos de dança na sua cama?

Brittany girou e em dois passos já estava frente a frente com a latina e completamente presa contra a mesma. Dedos habilidosos e familiares começaram a explorar sua coxa direita e passear pela barra do seu vestido fazendo sua pele formigar e pegar fogo ao mesmo tempo. Cruzou seus braços ao redor do pescoço dela e a puxou ainda mais para perto enquanto experimentava aquela língua deliciosa que a fez gemer alto e estranguladamente de satisfação. Droga, dava vontade de ter a porra de um orgasmo cada vez que ela parava e agarrava seu cabelo e enchia todo o seu pescoço com lambidas e chupões.

Santana começou a descer pelo seu corpo despreocupadamente como se não estivesse praticamente nua naquela lingerie minúscula. Já não lembrava mais como as roupas dela foram parar dentro da pia e, sinceramente, como recordar de algo quando aqueles olhos cheios de desejo te fodem com prazer junto com aquelas mãos cheias de malicia arrancam sua roupa fora?

E quando, finalmente, chegou na sua barriga e aquela língua quente percorreu sua pélvis como se sua pele fosse chocolate branco sua calcinha encharcou. Seria vergonhoso se não fosse um fato que aquela mulher sempre a deixou de quatro.

Era hora de relembrar aqueles velhos e deliciosos tempos onde qualquer armário de limpeza pela escola virava seu motel particular. Sentiu suas unhas aranhando suas coxas e puxando sua calcinha fora para finalmente cair de boca na sua doçura. Ela seria comida, e muito, bem comida. E assim que sentiu lábios incríveis e fodidamente deliciosos trabalhando dentro de si também sentiu um travesseiro a acertando bem na cara. Merda.

– Mama, acorda! Você tá tendo um pesadelo?

– Oh, babe, eu estou bem... O que, hum... Mas o que faz acordada?

– Já é de manhã e vim te chamar porque hoje temos de ver os patos, mas parecia que você estava sonhando feio porque está toda suada e estava fazendo uns barulhos estranhos como se estivesse doendo alguma coisa. Você se machucou ontem, mama?

Ok, aquilo era constrangedor pra caramba. Graças aos céus que sua filha ainda era inocente demais para realmente perceber o que estava acontecendo ali. Não havia sido a primeira – e dificilmente seria a última – que teria sonhos tão... quentes e inapropriados com sua ex namorada, mas dessa vez foi diferente. A nitidez foi muito maior, o que a deixou um pouco assustada. Era quase como se ainda estivesse contra o balcão da sua cozinha prestes a gozar. Oh, sim, totalmente inapropriado.

– Ok, vá para banheiro meu coração. Mama vai beber um pouco d’agua e já vai escolher uma roupinha bem legal para hoje.

– Yep!! Estou tãoooooo feliz. – cantarolou a pequena Valerie rodopiando para fora de sua cama e seguindo dançando para o banheiro. Era incrível vê-la tão feliz por algo tão simples. E naquele momento Brittany também ficou radiante.

...

– Eu não acredito, Mama, olha lá fora!

Havia neve em toda parte. Nova Iorque estava oficialmente no inverno depois daquela frente fria que chegou a cidade de madrugada silenciosamente e tornou tudo um pouco mais mágico. Sim, mágico. Não existe maior prova de que a magia realmente existe para uma garota de 9 anos do que ver neve pela primeira vez.

– Oh meu deus, Mama! Vamos fazer um boneco de neve? Podemos trançar nossos cabelos como em Frozen e cantar como Demi Lovato!

Valerie começou a correr agitada pela sala como se fosse verão e a final do The X Factor estivesse prestes a começar. Ela começou a falar que iria usar seu gorro azul e cantaria Let it Go¹ no Central Park quando a campainha do seu apartamento tocou a fazendo parar de rir das graças de sua filha e ir atender a porta. Do outro lado havia uma médica charmosa com seu gorro xadrez meio torto e pedaços de gelo no casaco segurando três copos de plástico cheios de algo que cheirava como chocolate quente. Santana Lopez nunca lhe pareceu tão... perfeita.

– Ei, Brit... bom dia.

– Bom dia. – disse com um sorriso tão quente que sentiu como se estivesse ainda vivendo nos 80°F de OHIO. – Estão prontas para um pouco de Nova Iorque?

– Nossa, você é incrível. Não precisava ter comprado nada pra gente.

– Besteira! Como sua guia oficial eu tenho a honra de trazer os melhores chocolates quentes com baunilha que a padaria do outro lado da rua pode fazer.

Acabou rindo como uma boba e pediu para que ela entrasse. Ainda precisava de um casaco e pegar as botas e luvas de Valerie. Sua garotinha ainda parecia uma bola de Pinball correndo na sala tentando cantar todas as músicas da trilha sonora de Frozen.

– Venha aqui, mini Elza. Vamos te agasalhar para não acabar doente.

– Mama! Sua amiga me deu chocolate quente com essa coisa cobertura branca maneira. Ela é tãoooo legal! E ainda me trouxe esse kit para fazer bonecos de neve. Tem até um cachimbo.

A menina lhe mostrou ainda saltitando o pacote pequeno de plástico aberto com todos os itens para decorar um boneco dentro. Logo em seguida começou a correr atrás do seu gato colocando o cachimbo na boca e dizendo que queria experimentar as coisas nele. Pobre senhor Branca de Neve.

– Não queria que ela ficasse triste por não ter nenhum pato para ver hoje. Todos já devem ter ido para o sul uma hora dessas. – murmurou Santana dando de ombros como se não fosse nada de mais. Brittany nunca teve tanta vontade de beijá-la como naquele momento. Ela era incrível.

– Ei volte aqui Marshmallow. Você se lembrou de agradecer pela gentileza dela?

A menina deu a volta no sofá se jogando no meio de suas almofadas desistindo de tentar pegar seu gato que corria muito para um animal tão gordo.

– Claro. Ela até disse que posso fazer um Olaf² igual ao do filme. E disse também que é amiga de tia Rachel e tia Quinn. Isso não é demais? Todas vocês serem amigas?

– Oh, babe. Sim, todas nós estudamos na mesma escola no ensino médio. Por isso Santana também vai ser madrinha no casamento delas.

– Humm... Entendi. – Se voltou para a médica que as esperava também sentada no sofá como se fosse contar a maior novidade do mundo. – Sabia que eu vou ser a dama de honra? Tia Rachel disse que meu vestido vai ser igual a de uma princesa. Irado, né?

– Totalmente. Ainda mais que Kurt depois de ver todos os filmes da Disney com certeza deve ter algo especial em mente pra você. Ele é como a fada madrinha gay da moda.

Valerie continuou conversando com ela como se elas já tivessem se visto uma centena de outras vezes. Sua filha sempre foi um poço de sociabilidade, mas parecia que com Camila ela estava sendo ainda mais cativante. Rachel tinha razão: não havia como a relação entre elas não ser incrível. Ainda mais com sua ex tendo se tornado aquela incrível – e totalmente sexy – neurocirurgiã pediátrica.

– Pronta para ir, Marshmallow?

– Totalmente pronta, Mama! E você chocolate?

– Chocolate? – perguntou Brittany rindo da cara obvia que Valerie fez erguendo suas luvas coloridas. Santana mordeu o lábio também esperando a explicação dela e Brittany só conseguiu acha-la ainda mais bela. Como conseguir achar mais bonito algo que você já considera perfeito? Simples. Santana Lopez era como aquela música favorita que toda vez que toca no seu rádio você canta alto e sente como se a letra tivesse ficado ainda melhor.

– Sim. San é chocolate porque você é a cobertura branca legal por cima, Mama. Como na bebida.

– A baunilha? – concluiu Santana arrumando seu gorro xadrez também pronta para saírem.

– Isso. Vocês são tipo chocolate e baunilha.

...

Elas desceram na estação da West 110th Street. Era muito melhor andar pela cidade de metrô no inverno, já que o transito conseguia ficar ainda mais caótico com o tempo ruim. A paisagem estava belíssima e após terem acabado de passar pelos portões centenários do parque Valerie se jogou no maior monte de neve que encontrou. Adorável como sempre.

– Eu quero fazer um milhãooo de anjos de nevee! – falou a menina esfregando seus braços e pernas como já tinha visto nos filmes. – Será que se eu fizer ao contrário e colocar minha cara na neve o meu sorriso vai aparecer no chão?

– Hum... Acho que isso não é uma boa ideia por enquanto. Você não querer ficar com o rosto dormente, certo? – respondeu Brittany lhe estendendo uma mão para que ela pudesse levantar.

– Então vamos logo achar um lugar para fazer nosso boneco de neve tem de ser bem espaçoso para que todo mundo possa me ver cantando Do You Wanna Build Snowman³.

Valerie começou a correr na frente procurando pelo seu local perfeito deixando ela e Santana andando lado a lado enquanto a seguiam. O chão não estava muito escorregadio o que a deixou mais despreocupada olhando sua pequena brincar e rodopiar. Em paralelo ela também observava a mulher maravilhosa ao seu lado com seu gorro xadrez e casaco elegante adorando o fato de poder apenas ficar ao redor dela. Não parecia um grande avanço, mas já ter uma Santana sorridente passeando ao seu lado parecia com um enorme presente de natal adiantado.

– Impressão minha ou ela parece ter sido substituída por Rachel Berry?

– É. Acho que tenho de parar de deixa-la com ela ou terei que lidar com mais uma diva quando chegar em casa.

– Sabe eu já sei que disse isso, mas sua filha é realmente incrível. Uma criança muito especial.

– Obrigada, San.

– De nada, Brit. – Santana pegou sua mão sem luvas e a puxou para a direção onde a pequena Valerie sinalizava com os dois braços. Ela tinha achado o tal local perfeito. Era hora de começar a trabalhar.

– Caramba, nosso boneco de neve parece um gangster. Ele tem essa cara de mau e tudo mais. – deduziu Valerie limpando uma parte do banco de madeira e sentando ao lado de Santana após ter arrumado o olho de botão de um deles. Elas tinham construído dois bonecos perto de um dos lagos, que ainda não havia congelado completamente.

– Serio? Porque eu não lembro de ter visto muitos gangsteres com narizes de cenoura por ai, babe.

– Puff. Não escute sua mãe, Val. Ela está com inveja porque nosso boneco é mais durão do que o dela. Qual é! Esse cachimbo dele me dá medo. – Santana fez uma cara dramática juntando as sobrancelhas o que fez Brittany querer sorrir ainda mais.

– Boa sorte em montar sua gangue da Disney com Olaf, o malvado.

– Você está por fora disso, querida Brittany Pierce. Eu e Valerie planejamos fazer um exército de bonecos de neve para dominar Nova Iorque e depois o mundo.

– Hum... Seriamos como Felícia, Pink e o Cérebro? – perguntou a menina tirando suas luvas coloridas e jogando para sua mãe pegar.

– Mesmo Brit sendo uma descrente na nossa causa ela pode ser o Pink se quiser entrar no nosso grupo.

– Nosso grupo? Não acredito que me trocou tão fácil por ela, Marshmallow. Isso é traição!

– Ela disse que iriamos ao zoológico depois daqui. Não me culpe por ser fraca, Mama. – Valerie respondeu fazendo uma cara culpada e levando para lhe abraçar pela cintura. – E você pode ser Felícia, você é durona igual ela.

– O que? Você só pode estar brincando. É obvio que eu tenho de ser o cérebro sou muito mais inteligente que vocês duas juntas.

Valerie e Santana riram juntas como cumplices e Brittany devolveu com um olhar de falsa indignação para ambas. Aquele dia de neve estava se saindo maravilhosamente divertido. Assim como sua garotinha deveria estar torcendo para o tempo passar mais devagar ela também estava.

– Não você não pode ser a inteligente da turma. Vai estragar tudo porque você já é a mais bonita. Não é justo.

– O mundo não é justo, San. Eu sou um gênio aceite.

– Vocês me deixam confusa, sabia? Acho que vou comer um cachorro quente. Pode me dar 5 dólares, Mama? – cortou a menina levantando como um gato.

– Tudo bem, pequena traidora. Mas vá naquele carrinho perto da ponte onde eu posso te ver.

– Ok.

E ela correu pela neve fofa até chegar na calçada de pedra onde alguns metros à frente estava o vendedor de cachorro quente firme e forte. Brittany arrumou seu próprio cachecol sentindo que Santana ainda a olhava fixamente depois do seu último comentário. Ela queria não corar, mas foi inútil.

– Também é estranho pra você como isso parece normal?

– O que?

– Parece meio estupido, mas... sentir como se ainda tivéssemos dezessete e o tempo nunca passou.

A mulher de olhos castanhos se sentou mais ereta e depois de alguns instantes de aproximou um pouco mais de seu corpo. Parecia que a cada esforço seu Santana sedia um pouco mais em relação a elas e.... isso a deixava extasiada e amedrontada ao mesmo tempo. Não queria ser um desastre total como da última vez e estragar tudo, mas era um risco necessário a se correr.

– Bem, quando você tem uma ligação com alguém isso nunca passa, sabe? – respondeu a médica tão baixo que Brittany se perguntou se era uma resposta a ela ou para si mesma. Então ela continuou. – Uma volta a ser importante pra outra como porque isso... nunca mudou. Não de verdade.

– Eu sou importante para você?

E Santana beijou Brittany. Não da forma como ela havia sonhado na noite passada com toda a luxuria e tensão acumulada, mas como chocolate encontrando baunilha na mesma proporção formando algo doce, delicioso. E Brittany beijou Santana de volta.

Notas finais
É gente eu nunca conseguirei abandonar essa fic