Someone Like You

15 Novos começos - Parte I


Notas iniciais
Leiam primeiro, me matem lá embaixo apenas. Perdoem meus erros please, mas se fosse revisar eu só postaria amanha. e eu prometi por Naya Rivera que postaria hoje u.u Enjoy...

Caitulo XV: Novos Começos parte I

'' heard that you're settled down That you found a girl and you're married now I heard that your dreams came true Guess she gave you things, I didn't give to you''

(...)

Ela estava aguentando firme.

Sendo forte.

Em um local seguro atrás de todas as suas proteções externas.

Sabia que nada conseguiria lhe atingir ao ponto de fazê-la fraquejar.

Mas não estava preparada para aqueles olhos.

Foi apenas àquela simples conexão que destruiu toda e qualquer barreira que a estava mantendo de pé naquele momento. Apenas um par de olhos azuis que mudava totalmente a sua percepção dos acontecimentos a sua volta, que conseguia fazer o ar ao seu redor crepitar e o seu coração bater de forma tão acelerada que fazia todo o seu corpo pulsar de uma forma arrebatadora. Seu corpo se tencionou, ela sente que não tem o controle sobre seus movimentos, pois seus lábios se curvam espontaneamente em um sorriso sincero enquanto suas mãos e pernas que tremiam havidamente pareciam querer impulsiona-la na direção de Brittany.

Essa era apenas a descrição superficial de como aquele olhar fazia com que Santana se sentisse, as sensações restantes fazem parte daquelas as quais não há palavras disponíveis para ilustrar e, somente quando se compartilha de um amor tão forte quanto o delas que é possível compreender tal natureza inexpugnável.

Sua mente parecia ter sido desligada e as únicas coisas que podiam ser considerados como pensamentos em sua cabeça estavam totalmente relacionados à loira degraus abaixo que foi impedida de prosseguir seu trajeto em sua direção graças a Quinn. Ela sabia bem que sua amiga não iria interferir diretamente em suas escolhas, mesmo suspeitando de que algumas situações propícias para que ela e Brittany se encontrassem foram um tanto quanto pré-planejadas. Mas sabia que a atriz precisava ter certeza de que aquele era o momento apropriado para mais um embate emocional, a principal coisa a qual Quinn estava procurando evitar é que ela fizesse a escolha errada por estar sobre as circunstâncias erradas para uma resposta a qual ela posteriormente se arrependesse.

A Latina sorriu um pouco mais abertamente ao perceber que se os amigos foi à família que nos foi permitido escolher então, sim, Quinn Fabray era sua Irma mais velha.

Ela manteve o olhar preso na interação das duas mulheres abaixo de si. Brittany sempre teve uma espécie de força quase mística que sempre fazia com que a sua total atenção se prendesse somente nela. Anos atrás ela considerava apenas que aquilo deveria ser um efeito colateral das varias seções quentes de amassos que ambas mantiam secretamente, porém quanto ela aceitou aquele sentimento para si ela percebeu que aquilo foi à primeira coisa pela qual era apaixonada. Pela capacidade de Brittany de ser perfeita, não era á sua aparência a que a latina se referia, mas ao dom de conseguir ser a única em sua época de ensino médio que era capaz de resgatar a melhor parte de si. A mulher que ela acabou se tornando após tanto sofrimento era apenas um reflexo de uma parte da sua personalidade que somente Brittany conseguia despertar. E era por esse motivo que ela poderia ter sido uma completa vadia com todos ao seu redor durante a sua adolescência, mas com a dançarina não. Santana sempre a tinha tratado com amor, mesmo que tenha demorado anos para admitir isso.

‘’ Não deixe que a sua mente coloque barreiras onde não é preciso tê-las, ser feliz faz valer a pena o risco de estar exposta, mi amor. ’’

Ela tinha esquecido-se completamente de que ainda estava apoiada no corpo de sua mãe, a mesma havia sussurrado levemente as palavras em seu ouvido antes de se afastar com aquele mesmo olhar que lhe direcionava todas as vezes em que Santana precisava de coragem para fazer algo. Tudo ao seu redor parecia estar conspirando para que ela reunisse a coragem necessária para fazer a única coisa que sabia que iria libertar e fazer um bem real ao seu coração.

Naquele momento ela apenas queria um abraço.

Mas não qualquer abraço.

Ela precisava de Brittany ao seu redor.

Parecia uma completa insanidade que a única coisa que lhe faria bem naquele momento tinha sido a mesma a lhe fazer atingir um estado tão péssimo. A realidade não conseguia achar um consenso com suas necessidades, ela tentava não ouvir o medo que sempre a assombrou, mas sua razão a todo segundo martelava em seus pensamentos que se ela cedesse ao seu coração oura vez, outrora ela não teria mais forças para se reerguer.

Suas mãos tremiam violentamente e procuravam o abrigo nos bolsos do seu casaco mesmo estando ciente de que não era pelo frio que se debatiam com toda aquela intensidade. Seu olhar não ousou se erguer outra vez, ela não podia se render a conexão que se seguiria caso encontrasse com aqueles olhos outra vez.

Ela precisava ter o controle de si mesma outra vez.

Mas é inútil tentar se esquivar de algo que voce anseia mais do que qualquer coisa. Por isso assim que sentiu os braços temerosos sobre si ela se rendeu sem ao menos tentar lutar. Ela precisava do calor daquele corpo se quisesse permanecer inteira.

Ela teve de segurar o fôlego, pois o ar simplesmente deixou de existir.

Mas respirar era apenas um detalhe.

Ela não precisava de oxigênio.

Brittany era o seu oxigênio.

E Nove anos era tempo demais para ficar sem algo tão essencial à sobrevivência, por esse motivo ela se agarrou ao corpo esbelto da dançarina como se selasse um campo de força ao redor de ambas para que aquele momento não pudesse ser quebrado.

E ali dentro, sentido aquele aroma de pêssego que vinha dos cabelos loiros, era todo o universo que era necessário existir.

‘’ Mi Hija o padre já chegou e irá começar a missa. ’’

A voz de suave de sua mãe parecia estar sendo transmitida do outro lado do planeta, pois o som que chegava a seus ouvidos era distante e um tanto quanto disforme. Seu corpo tomou consciência primeiro que seu cérebro de que ela deveria voltar ao universo real

E assim ela se afastou. Mas no momento em que concluiu essa ação seu corpo reagiu instintivamente; Foi uma ação involuntária que acabou acarretando outro mar de sensações em seu interior.

Seus mindinhos estavam entrelaçados.

Fazia quase uma década que elas não executavam aquele toque que ao mesmo tempo em que era tão impessoal também significava um gesto intimo e carinhoso entre elas. Com isso foi impossível conter o sorriso que cintilou em seus lábios, ela tinha de demonstrar de alguma forma que aquele toque ainda tinha o mesmo significado de antes, que ainda se sentia da mesma forma.

E entrelaçar seus dedos mínimos era uma forma de permanecerem conectadas não importando as circunstâncias.

Não era como se fosse um gesto de perdão a todo o sofrimento que a dançarina a tinha feito passar.

Mas já era um recomeço.

E os sorrisos de ambas, mesmo contidos pela situação, comemoravam aquele vitoria.



''Old friend Why are you so shy It ain't like you to hold back Or hide from the light''



(...)

As homenagens finais foram prestadas assim que a missa foi concluída. Alguns poucos familiares ainda passavam pelo o altar para uma ultima despedida antes que a tampa do caixão fosse lacrada. Santana permanecia sentada em um dos bancos laterais de onde havia acompanhado a toda cerimônia. A latina continuava observando singularmente a urna negra onde o corpo sem vida de sua avó repousava.

Aquele era um daqueles momentos perfeitos para terem como musica de fundo um dos solos de Rachel Berry com alguma das musicas da Celine Dion o qual faria ate mesmo o mais duro dos corações se abrir, tornando as lagrimas do publico um coro a sua voz. Talvez Santana somente precisasse de uma musica para ler todos aqueles sentimentos misturados em seu peito, mas inexplicavelmente a mão a qual agarrava a sua naquele momento, não apenas o dedo mínimo, faziam com que seus sentimentos fossem simplificados de uma forma tão branda que ela se sentiu estúpida por não enxergar as repostas que sempre voaram ao seu redor.

Ela vinha tentando lutar durante todo o tempo que se seguiu a cerimônia para não se render a mais nenhuma interação com a dançarina que se sentou ao seu lado, mais foi impossível não desejar muito mais do que aquele simples contanto entre seus dedos.

Ela precisava de muito mais.

Com isso foi à própria médica que agarrou a mão da dançarina ao seu lado pousando-as em seu joelho. Como se precisasse daquilo para que seu coração continuasse a bombear sangue por todo o seu corpo, a mantendo viva.

Talvez fosse o contato entre suas peles, ou o sorriso cada vez mais iluminado que se formava no rosto de sua ex-namorada, ou apenas sua presença que já acarretava tantos sentimentos, Santana jamais seria capaz de afirmar ao certo, na verdade nunca soube.

Quinn se encontrava sentada do seu lado esquerdo e mesmo sem proclamar nenhuma palavra a Latina pode notar pelas feições de seu rosto que a atriz encontrava-se satisfeita com as suas escolhas e, poderia ate arriscar certa comoção em seu olhar. Quase como lagrimas prestes a amadurecerem. E mesmo elas estando em um ambiente propicio para que elas brotassem Santana sabia que não eram lagrimas de tristeza e sim por perceber que ela finalmente tinha dando uma chance para sua própria felicidade.

Santana sorriu mais uma vez na direção de Quinn.

Não havia duvidas que ela tenha ganhado muito mais do que uma amiga.

E mesmo estando no enterro de uma das pessoas que mais significaram durante toda a sua criação e a mesma que a tinha magoado profundamente, ela não poderia se sentir realmente tão triste quanto antes. A dor da perda ainda era a mesma, mas a perspectiva a cerca dela havia se modificado nos últimos dias.

Ela havia passado anos modificando a si mesma, suas ações, seu modo de vida, seu caráter. Porém sua transformação só se tornou completa quando ela se bateu de frente com uma parte de importância enorme no seu passado.

Ela bateu de frente com seu amor por Brittany.

E aquele sentimento sempre causava efeitos colaterais inesperados.

Agora que ela já havia conseguido assimilar a verdade com a ajuda de Quinn, não eram mais o seu coração e a sua razão que duelavam pelo controle, dessa vez a única coisa que a impedia de esquecer os últimos anos e se entregar ao amor que sentia, era algo de certa forma simples.

Ela tinha medo.

Não era o mesmo tipo de medo que se tem, por exemplo, de ser assaltado quando se volta tarde para casa, ou esquece se trancou ou não a porta antes de sair. Era um sentimento mais complexo e, muito mais complicado de se lidar.

Ela precisava pensar em tantas consequências com urgência.

Pois a hora de colocar as cartas na mesa estava próxima.

Os bancos ao seu redor começaram a esvaziar, todos se levantavam para seguir o cortejo ate o cemitério atrás da igreja.

‘’ Esta na hora de ir. ’’ A voz doce a qual tinha embalado seus sonhos mais íntimos vezes incontáveis lhe sussurrava baixo, quase como se temesse que suas palavras a fizessem quebrar. Porém suas palavras apenas a fizeram despertar de seu poço de reflexões.

Afinal o mundo não pararia seu movimento de rotação apenas para que ela pudesse parar o tempo e pensar em seus problemas.

Ela se levantou sem se afastar do aperto entre suas mãos.

E mesmo sem saber ela estava errada, ao seu lado estava a única solução universal para os seus problemas, ela apenas tinha que acreditar outra vez que por amor todos os fins sempre justificarão os meios.



''I hate to turn up out of the blue uninvited But I couldn't stay away, I couldn't fight it I hoped you'd see my face and that you'd be reminded That for me, it isn't over''



(...)

O céu límpido e alaranjado de Lima trazia consigo muito mais do que mais um simples fim de tarde.

Aquele era como se fosse um final pré-estabelecido pelo destino para um dos muitos pontos de sua jornada.

Ela não queria que terminasse dessa forma, não era justo que ela não tivesse tido a chance de uma ultima conversa com sua abuela. Talvez seus motivos fossem egoístas, ela não poderia modificar as perspectivas de uma pessoa apenas para que ela fosse aceita.

Mas não era exatamente sobre isso que se trata o amor? Milhares de musicas pop e seriados adolescentes sempre mostraram que certas mudanças são necessárias quando se ama e que aceitar certos defeitos não é uma exigência e sim uma prova desse sentimento. Alem do mais gostar de alguém do mesmo sexo não pode nem sequer ser considerado um defeito, não é algo que ela possa simplesmente corrigir, ela nasceu dessa forma e tinha orgulho de ser assim.

Santana estava ciente de que mudar não era algo fácil quando se é criado sobre uma percepção e acredita que aquela seja a verdade absoluta. Mas tantos argumentos não chegam a ser validos quando se ama alguém, essa passa a ser a sua verdade absoluta. Sua avó poderia não ama-la a, ou o fizesse a sua própria maneira, isso ela jamais seria capaz de determinar. Mas tanto sofrimento ao menos tinha lhe ensinado de que jamais se deve envergonhar de si, não importa o que as pessoas jogam sobre voce, aquilo que mais criticam é o que nos torna mais especiais. Sim, ela sabia que aquilo era verdade, afinal o melhor professor que ela poderia ter em seu ensino médio a tinha ensinado. Ela tinha aprendido a se sentir aceita, a reconhecer amigos, a fazer parte de algo especial e, o mais importante, ela tinha aprendido a sonhar.

Ela não soube determinar o tempo ao qual tinha ficado olhando para o lapide a qual agora sua avó se encontrava sete palmos abaixo da superfície. Mas com certeza fora tempo suficiente para que as pessoas começassem a se despedir e o céu se transformasse em um escuro cinzento assim como o vento frio que se intensificou fazendo com que todos apertassem mais os casacos sobre si.

Suas mãos delicadas fecharam os botões superiores do casaco, foi somente nesse momento quando ela olhou ao seu redor e tomou consciência de que estava sozinha de frente a sepultura somente com o vento passeando em seus cabelos.

Seu corpo havia avisado-lhe de que Brittany tinha se afastado liberando a pressão que exerciam em suas mãos entrelaçadas. Ela compreendia que deveria passar um tempo sozinha para fazer suas próprias reflexões, mas sua pele estava formigando ansiando pela oportunidade de ter outro contato com a dançarina.

Um toque leve em seu ombro a fez virar abruptamente com um sorriso de canto, seu primeiro extinto a tinha feito pensar que era a dançarina outra vez, mas havia se enganado, era apenas Maribel Lopez e seu largo sorriso ao qual continha aquele brilho Latino que graças à genética havia herdado em seus genes.

‘’ Talvez já seja a hora de voce se recolher mi hija. Posso ver pelo seu rosto que voce precisa de umas boas horas de sono antes de voltar à loucura que é Nova York, realmente me desculpe pelo seu quarto estar ocupado. ’’

‘’ Não se preocupe mamá, eu ficarei com Quinn no hotel e antes de ir para o aeroporto eu prometo passar na sua casa. ’’

‘’ Aquela casa também é sua mi amor, nunca se esqueça disso, eu e seu pai sempre estaremos aqui e não fique hesitante em procurar um pouco de colo, ate mesmo os médicos precisam se curar às vezes. ‘’

‘’ Obrigado máma, suas palavras sempre me fazem achar a direção certa. ’’

‘’ Não são minhas palavras é o seu coração que merece o credito, por isso de a ele a confiança que ele pede. Pensar demais às vezes só gera mais dor de cabeça. ’’

A Latina menor sorriu e deu um ultimo abraço em sua mãe aproveitando um pouco do aconchego e a proteção da qual ela tanto sentia falta. A médica se despediu também de seu pai e ele somente a deixou ir sobre a promessa de que tomaria o café da manha com eles. Ela aceitou sem precisar pensar muito, talvez um pouco de Lima fosse o começo que ela estava procurando para solucionar uma parte de seus problemas.

''Never mind, I'll find someone like you I wish nothing but the best for you, too Don't forget me, I beg, I remembered you said Sometimes it lasts in love But sometimes it hurts instead''



(...)

Ela mudou de posição pela milésima vez desde quando se deitou na espaçosa cama de casal e sem sucesso tentou descansar algumas horas antes do sol amanhecesse.

Era apenas ela e seus pensamentos em um quarto de hotel escuro.

E era exatamente por isso que não conseguia descansar.

Seus pensamentos além de esgotar seus dias a estavam enlouquecendo durante a noite e, com isso ela simplesmente não conseguia se desligar de tudo e apenas ter uma boa noite de sono.

Ela sabia que a noite seria difícil, mas em seus planos originais ela e Quinn ficariam conversando, rindo, ou assistindo qualquer besteira na televisão ate suas pálpebras ruírem e ela acordasse disposta a um ótimo café com seus pais.

Porém antes mesmo de chegar ao hotel, sua amiga teve de desviar o caminho ate o aeroporto, pois uma chamada urgente para uma reunião com seu agente e os produtores de seu próximo filme a fizera ter de voltar às pressas para Los Angeles.

Santana compreendia totalmente que aquele era o trabalho de sua amiga e a mesma já tinha feito muito por ela ate o presente momento, com isso voltou sozinha para o hotel na tentativa de que a estafa física fosse o suficiente para derruba-la.

Mas ela estava completamente enganada.

Ela não conseguia dormir pensando naqueles olhos.

Naquele toque.

Naquela pele.

Em resumo, pensando em Brittany. Isso a estava deixando frustrada, tanto emocionalmente quanto fisicamente. Suas lembranças eram fortes ao ponto de se ela fechasse o os olhos e se concentrasse não teria problemas em materializar em sua pele cada sensação, cada arrepio, cada sentimento. Isso poderia ate ser uma coisa boa, ate a realidade voltar a fazer sentido e ela se repreender por se pegar fantasiando com Brittany outra vez.

Ela acabaria surtando se tivesse que continuar se policiando daquela maneira. A Latina apenas queria se libertar daquela tensão, com isso se viu fintando o teto em outra tentativa de esvaziar sua mente, dispensar seus pensamentos para só então relaxar seu corpo e dormir merecidas horas de sono.

A neurologista se levantou desanimada ao perceber que não tinha funcionado em nenhum aspecto.

Santana sentou-se próxima a sacada na varanda. Fazia uma linda noite, mesmo com a ausência de estrelas no céu, o que era comum nos meses de inicio de inverno na cidade. A médica tinha uma visão privilegiada de uma boa parte da rua que se iniciava em uma floricultura e terminava com a cafeteira no fim da esquina. Sem precisar de muito esforço ela poderia seguir o restante do caminho após o fim da rua, ela conhecia todos os atalhos referentes aos caminhos daquela cidade. E sem problemas conseguia refazer o caminho ate sua antiga escola de ensino médio, o McKinley High, que não se encontrava a mais de quatro ruas dali.

Ela considerou a ideia por alguns instantes, talvez uma leve caminhada ate sua antiga escola fosse o suficiente para contornar seus pensamentos inconvenientes e com isso pudesse voltar para o hotel e descansar devidamente.

Sim, aquilo parecia ser um plano.

Um pouco esquisito para àquela hora já um pouco avançada, mas era melhor que plano algum.

E Santana gostava de ao menos fingir ter o controle sobre algo, e ter um plano já era um começo aceitável.

Deveria ser perto das onze da noite, mas em uma cidade como Lima normalmente as pessoas se recolhiam por volta das dez. Ela sorriu ao passar pela frente do prédio do cinema no qual tantas vezes havia fugido para seções da meia noite as escondidas de seus pais com seus amigos. A cirurgiã havia avançado as três ruas com rapidez e já terminando o seu destino ao cruzar a avenida principal se deparando com o portão branco que dava para as arquibancadas. Ela não poderia sequer negar que tinha varias lembranças de seu ano como caloura ao qual matou aula diversas vezes por aquela saída uma vez que tinha conseguido fazer copias do molho de chaves do zelador.

A Latina sentiu uma enorme vontade de entrar naquele campo mais uma vez, aquelas arquibancadas mesmo guardando a terrível recordação de seu termino com Brittany, também era o cenário de varias outras que faziam valer a pena sua vontade de entrar ali outra vez.

Mas ela não possuía mais as chaves.

Se ela tivesse ficado hospedada na casa de seus pais, o que não era possível, pois alguns de seus tios que moravam fora da cidade haviam chegado primeiro, ela ainda encontraria suas copias das chaves guardadas em algum lugar dentro do seu closet. Pois quando foi para a faculdade ela não fez questão de levar qualquer tipo de recordação, muita coisa havia ficado na antiga casa de seus pais em seu quarto que sua mãe tinha feito questão de manter intacto.

Suas mãos tocaram o portão apenas o suficiente para que ela espiasse alguns metros do campo pelas grades verticais. Ela achou que tudo estaria escuro e, silencioso devido o horário tardio. Mas sua surpresa foi dupla quando percebeu as luzes frontais do campo ligadas e uma figura magra por entre as sombras formadas pelas arquibancadas seguintes.

Seu corpo se impulsionou para frente verificando que o portão se encontrava apenas encostado no gancho. A médica deu alguns passos para frente ainda um pouco temerosa por desconhecer a identidade da pessoa que balançava os pés no ar por entre os lugares da fila seguinte.

‘’ Hey, o que esta fazendo aqui?’’ Sua voz tinha um tom acusador enquanto apertava os olhos na penumbra parcial para tentar focar o rosto da pessoa que agora se virava para ela.

‘’ S-santana?’’ A pronúncia de seu nome foi o suficiente para que ela identificasse quem era a portadora da mesma.

‘’ Brittany? O que esta fazendo aqui? ‘’ A Latina apertou um pouco mais um casaco negro em seu corpo enquanto subia por entre os blocos de concreto pintados em vermelho e branco, seu rosto mesmo impassível trazia vestígios de noites mal dormidas.

‘’ Acho que o mesmo que voce. ’’ Falou a garota de olhos azuis enrolada em um casaco vermelho. ‘’ Eu não consegui dormir estando nessa cidade, são muitas lembranças para lidar e ficar hospedada no meu antigo quarto não me ajudou a ter uma boa noite de sono. ’’

A morena pareceu refletir um pouco antes de dar os passos restantes se sentando ao seu lado, porém com alguns bons centímetros de distancia.

‘’Como conseguiu entrar?’’ A loira tirou uma das mãos do bolso do casaco no qual um chaveiro da pequena sereia prendia uma meia dúzia de chaves.

‘’ Mesmo após tantos anos eles não mudaram as fechaduras. ’’ Uma espécie de risada baixa foi ouvida de ambas e logo após um silencio denso se instalou entre as duas mulheres. O único som que era propagado por entre o gramado baixo era o do vento cada vez mais frio serpenteado por seus rostos fazendo seus lábios tremerem.

A Latina olhou para o desenho na parte lateral de suas botas se amaldiçoando mentalmente por seguir planos bolados por sua mente sonolenta. Ela não deveria estar ali, muito menos com Brittany.

As cartas deveriam ser postas em jogo.

Sua felicidade era a aposta principal.

Mas ela não fazia ideia se conseguiria sequer uma palavra naquele momento.

Sua voz havia fugido.

E ela apenas queria fechar os olhos outra vez e esperar seu despertador tocar ao lado da sua espaçosa cama do hotel onde ela levantaria e tomaria um ótimo banho antes de seguir para a casa de seus pais.

‘’ Eu nunca te pedi desculpas. ’’ Sua garganta engoliu em seco e seus olhos se fecharam brevemente tentando assimilar as palavras da loira ao seu lado.

‘’ Esse provavelmente seria o ultimo lugar na terra no qual eu deveria estar falando isso, mas eu realmente quero o seu perdão. Eu nunca quis machucar voce, eu apenas queria o melhor para o seu futuro, mas acabei percebendo tarde demais que não tinha o direito de decidir por voce. ’’

Outra camada de silencio se gerou entre as duas e a médica sentiu uma necessidade enorme de apenas sair correndo daquela escola o mais rápido de conseguiria ate a casa de seus pais e apenas se aconchegar no colo de sua mãe e fingir que jamais tinha voltado aquele lugar.

‘’ Eu também te devo desculpas. ’’ Sua voz era arrastada e rouca, como se doesse sua garganta pronunciar tais palavras. Mas não era dor, era alivio, alivio por finalmente ter a coragem de assumir sua culpa não só para si. ‘’ Todos faziam questão de lembrar o que estava em jogo naquele ano, eu tinha de entrar em Yale de qualquer forma, eu tinha de alguma forma mostrar a eles que só porque na verdade eu amava garotas que isso não mudava em nada no que eles sempre esperaram de mim. ’’

A médica respirou fundou soltando o ar com dificuldade antes de prosseguir sua narrativa enquanto seus olhos já transpareciam sinais de lagrimas.

‘’ Mas eu estava errada. Eu não queria ser apenas o orgulho do meu pai, eu queria voltar a ser aceita na minha família, eu queria que eles parecem de me olhar como se eu fosse uma aberração por ser lesbica. E eu sabia que não haveria jeito de ser aceita sem que eu renunciasse um pouco de quem eu sou. E foi isso que eu acabei fazendo, afastando o amor da minha vida, renunciando a mim mesma, por pessoas ais quais sequer valiam apena. ’’

As duas estavam mais próximas, o rosto de Brittany estava vermelho e ela constantemente passava a costa das mãos por entre seus olhos na tentava de conter as lagrimas que queriam escapar conforme as palavras de Santana.

‘’ Se eu soubesse que voce estava grávida mesmo que eu me sentisse traída eu jamais te abandonaria. Eu também fui responsável por tudo que aconteceu com nos duas, por isso me desculpe B. ’’

Sua voz se perdeu enquanto as lagrimas abriram caminho por entre seus olhos de maneira selvagem, seu peito pareceu revirar enquanto seu estômago a fazia querer ter náuseas. Porém como sempre não precisou mais do que um abraço para o efeito calmante, que se formavam todas às vezes quando seus corpos se uniam, fosse propagado para o organismo de ambas.

Foi como se perder no espaço-tempo, tudo passou em um borrão cego e somente após longos minutos as duas conseguiram forças para se desconectarem. Afinal ainda tinha muito naquela noite a ser dito.

‘’ Desculpe-me por vir para Lima, ainda mais depois de tudo que conversamos naquele elevador. Mas eu não poderia ficar em New York sabendo da forma que voce estaria arrasada, eu já te provoquei sofrimento tempo demais para permanecer de braços cruzados. ’’

Seus olhares eclodiram outra vez assim que se conectaram e então Santana pode observar que a loira não dizia todas aquelas coisas apenas da boca para fora. Os olhos são realmente as janelas da alma, pois a Latina sempre soube quando a loira lhe falava de todo coração.

Não havia mascaras entre elas.

‘’ Eu apenas tinha de me certificar que voce estava bem. ’’

‘’ Obrigada. Voce me fez sentir bem, eu realmente agradeço por ter vindo, mesmo que como sua médica eu repreenda a essa viagem. ’’

Seu pequeno diálogo foi seguido por risadas leves, às duas mulheres sentiam o frio da noite por entre seus casacos assim como o calor de seus corpos ao menor contato corporal. Podia se notar um semblante mais leve e suas expressões mais serenas. Santana sorriu de lado antes de pigarrear ajeitando sua postura.

‘’ E eu estou bem por estarmos aqui é preciso que nós duas acertemos logo como será daqui para frente. ‘’

Brittany também ajeitou sua postura como se suas palavras tivessem a pego com a guarda baixa. A loira sabia que teriam de ter eventualmente aquela conversa, afinal alem de estarem fadadas a se encontrarem periodicamente, por serem vizinhas de corredor, ainda existia uma certa tensão entre as duas inegavel.

Afinal mesmo não admitindo aquilo, após quase uma década de separação, as respostas ao menor contato entre as duas não tinha se alterado em nada, pelo contrario, as sensações parecem ter triplicado de intensidade.

Sem contar com os sentimentos, que as ambas sabiam ainda ser recíproco.

Elas ainda se amavam.

Mas alguém tinha de dar o primeiro passo naquela conversa.

‘’ Obrigada pelas flores. ’’ Os olhos da morena se arregalaram brevemente antes de sentir o seu rosto ficar mais quente.

Droga, ela estava corada.

Não tinha como negar que tinha sido ela a mandar as flores.

‘’ Ficou tão em evidencia que havia sido eu a manda-las? Eu fiz de tudo para que chegasse em anonimato. ’’

‘’ Confesso que me surpreendi quando percebi que tinha sido voce, afinal pensei que você iria precisar de mais algum tempo para tentar outra conversa. ‘’

As mãos da neurocirurgiã deslizavam pela lateral de sua calça jeans fazendo padrões circulares, ela sempre fazia isso quando estava sem graça ou perdidamente nervosa. Naquele momento ela estava das duas formas.

Não tinha mais como correr das perguntas, ela tinha de abrir de uma vez o jogo e libertar de vez as malditas palavras que tanto serpenteavam em sua garganta.

Tudo seria descido naquela noite.

Na manha seguinte ao entardecer ela voltaria á Nova York e, aquela conversa determinaria se seria com ou sem a sua felicidade.

Com ou sem Brittany.

‘’ Sabe... Eu acabei aceitando que tudo bem em desistir, não correr riscos, permanecendo na zona de conforto onde eu sempre me protegi. Mas foi então que eu me dei conta de que os motivos para eu ficar na defensiva nunca passaram de desculpas. E o que eu havia feito esse tempo todo foi me esconder na verdade, então eu desistir de me esconder do medo que eu estou sentido para arriscar tudo uma ultima vez, B.’’

Dessa vez não havia lagrimas bloqueando sua visão, talvez ela já tivesse gastado todas as suas disponíveis ou apenas seus olhos tenham se cansado de chorar, ela não sabia ao certo mais seu olhar estava conectado aos azuis de uma forma que ela tinha esquecido ser possível.

‘’ Do que voce tem medo, S?’’ A voz da dançarina saiu quase como um sussurro, provavelmente Santana não escutaria aquela pergunta se não estivessem no meio da noite silenciosa ou tão perto uma da outra.

‘’ Eu estou com medo de me entregar e ser feliz por um momento que seja. Porque eu sinto que se eu deixar isso acontecer, o mundo inteiro vai desabar outra vez é eu não sei se ainda consigo suportar esse peso. ’’

Aquelas palavras pesaram nos ombros de Brittany.

Ela era a responsável por tanta dor.

Ela tinha causado tudo aquilo.

Ela não merecia o perdão, ela não merecia Santana.

Mas ela precisava tentar, pois sabia que se afastar iria causar o efeito contrario ao desejado, elas já tinham tentado essa solução que só fez tudo piorar. Se ela se afastasse de Santana isso não evitaria mais dor e, sim apenas terminaria de sepultar a esperança que ambas ainda guardavam de serem felizes.

E essa felicidade só aconteceria se estivassem uma nós braços da outra novamente.

‘’ Voce não precisa sentir medo S, eu não estaria aqui se não estivesse disposta a dar toda a minha alma se preciso apenas para nunca mais deixar nada te ferir outra vez. Eu quero estar com voce, te proteger, me redimir de toda a dor que eu te causei. ’’

Os dedos gelados da dançarina exploram com delicadeza o rosto da ex-namorada, seu toque era tão suave que remetia que o rosto de Santana fosse feito de um material tão sensível que ao menor toque se desfragmentaria.

‘’ Eu apenas te peço uma chance... Nem que seja apenas para ser sua amiga outra vez, eu apenas tenho de voltar para a sua vida de alguma forma. ’’

Fez-se Silencio.

Sim, aquele de longe havia sido o silencio mais denso e compactado que já tinha as acometido em algum momento de suas vidas. Santana sentiu como se tivesse engolido uma bola de lã, pois sequer conseguia respirar. Ela estava congelada, não conseguia raciocinar, emitir qualquer som, ou ter qualquer controle sobre seu corpo.

A dançarina sentiu como se estivesse andando em uma corda bamba atravessada sobre a boca de um vulcão e uma simples palavra da médica a jogaria em um mar de larva.

E a sensação que sentiu nos segundos resultantes foi um sentimento pior que larva quente derretendo toda a sua pele.

Sim, ela estava queimando.

Mas queimando de amor.

(...) continua...

''Sometimes it lasts in love But sometimes it hurts instead Sometimes it lasts in love But sometimes it hurts instead'' (ADELE- SOMEONE LIKE YOU)

Notas finais
Então o que acharam? Sim eu sei, vocês querem me matar certo? Sinceramente nem mesmo eu sei porque demorei tanto, serio gente eu tive um bloqueio criativo terrivel por estar super cansada. Tanto é que acreditem ou não eu não tinha nada escrito ate hoje de manha, porém a inspiração resolveu dar as caras e ai estar o resultado. Espero que vocês tenham gostado do capitulo e sim não irei mais atrasar com voces queridas domingo tem mais um lol prometendo pela Naya, e olha que prometer pela Naya é coisa seria pra mim em u.u Quero saber a opiniao de todos, leitores novos sejam bem vindos, fantasmas se manifestem e os que sempre comentaram apenas um enorme BEIJO e um muito obrigada.