Someone Like You
16 Novos Começos- Parte II
Notas iniciais
Capitulo XVI: Novos Começos — Parte II
Parece que foi ontem, quando o meu olhar cruzou com o teu na esquina da solidão, sem sentido e sem razão, sua beleza congelou meus sentidos. Você mudou minhas simples palavras nos mais belos versos de amor no qual te dedico todo dia, toda hora, todo minuto em cada segundo sinto o teu perfume exalando no meu coração, me dando força para prosseguir, me dando motivo para existir.
Você me faz entender o amor, em um único gesto me leva ao paraíso, um sonho eterno no qual jamais quero acordar, pois sonhar com você é mais que uma honra, é uma dádiva de Deus. (Bruna S.)
Os minutos corriam em velocidade pareada ao do vento forte que serpenteava por entre todos os espaços vagos submersos naquela noite nublada. Seus olhos negros eram uma mistura indecifrável de sensações e pensamentos conseguindo transmitir todo o impasse que o restante de seu corpo foi incapaz de exprimir por ações.
Ela se encontrava completamente paralisada diante da pergunta que Brittany á havia feito. Não havia qualquer movimento, palavras ou ações que ela conseguisse executar naquele instante. Era como se todos os milhares de pensamentos cobertos de duvidas e outras consequências que bombardeavam sua cabeça naquele momento necessitassem de toda a energia disponível em seu corpo para serem processados corretamente.
A Latina se via encurralada em um dos maiores impasses de toda a sua vida, poderia ate ser apenas uma resposta simples a qual ela teria de dar a Brittany, mas a mesma teria consequências incalculáveis sobre si. Havia um mar de prós e contras envolvidos naquela simples resposta e ela estava entrando quase em estado de pânico por não conseguir encontrar a saída daquele labirinto de duvidas.
Seu olhar fora de foco procurou por alguma luz que a pudesse resgatar daquela encruzilhada, porém ela apenas conseguiu cair em mais uma armadilha, pois aquele brilho que vinha do olhar da loira a sua frente conseguia bloquear completamente toda a sua percepção a fazendo se guiar plenamente por seus impulsos. E Santana sabia bem as consequências que se sucederiam caso cedesse às vontades que desde o inesperado reencontro entre elas na igreja á estavam deixando louca.
Ela ainda tentou desviar o olhar na tentativa de fugir do inevitável, porém naquele momento ela percebeu que todo o seu esforço em se manter sóbria daqueles lábios tinha sido completamente em vão.
Ela necessitava experimentar outra vez o gosto daqueles lábios.
Mesmo que para isso fosse preciso desistir completamente da sua sanidade.
Com isso o ultimo pensamento sóbrio que ela conseguiu processar tinha sido um dos conselhos que sua mãe havia lhe dado ainda na igreja quando ela fintou aqueles olhos azuis pela primeira vez naquela tarde. ‘‘ Não deixe que a sua mente coloque barreiras onde não é preciso tê-las, ser feliz faz valer a pena o risco de estar exposta. ’’ Foi quando ela cedeu.
Não era como se ela tivesse ou não escolha sobre o rumo que se seguiria, o sentimento que queimava em seu peito tornava indiscutível a necessidade com a qual ela tanto lutou em resistência. Porém uma vez que aquele momento finalmente foi selado, em um beijo que a principio se iniciou sereno, qualquer resistência que poderia estar ainda trabalhando para impedir aquela atração inevitável foi simplesmente exterminada. O silencio carregado de tensão e expectativas ao qual as envolvia pareceu se converter em uma bolha de proteção que tinha como objetivo principal prolongar ao máximo todas as sensações que estavam compartilhando, pois quanto mais tempo permanecem naquela bolha menos teriam de se preocupar com as implicações que viriam em decorrência daquele beijo. A temperatura pareceu cair bruscamente naquele universo particular em que estavam agora e a sensação térmica em seus corpos foi idêntica a de mergulhar em uma fornalha.
No começo o contato entre suas bocas não passou de uma rápida frisão que foi mais que suficiente para acender a chama responsável por aumentar colossalmente à necessidade por mais contato. Ela pode notar que a dançarina arfou com tamanha intensidade movendo instintivamente suas mãos por entre sua nuca, passando levemente por entre seus cabelos fazendo a pressão entre seus lábios triplicar. Era como se todo o universo estivesse explodindo dentro de seu estômago com tamanha magnitude que a estava deixando desnorteada, seu coração parecia dobrar de frequência à medida que o som das batidas quase melódicas do coração da dançarina colada frente ao seu corpo chegava aos seus ouvidos.
Uma felicidade indescritível tomou conta de todo o seu interior quando sentiu a língua doce de Brittany tomando conta de sua boca. Suas mãos criaram asas flutuando por cima do casaco verde que cobria todo o tronco definido da dançarina enquanto um sorriso cúmplice foi libertado nos lábios de ambas sem que o beijo fosse quebrado.
Ela ficaria a próxima década inteira se possível desfrutando de tantas sensações que conseguiam provar por si mesmas que ela ainda podia se sentir verdadeiramente feliz. E a única coisa que a impediu de permanecer saboreando aquele gosto viciante pertencente à dona dos olhos mais profundos da face da terra foi quando sentiu seu peito queimar pela falta de oxigênio. E mesmo com relutância se afastou lentamente se permitindo compartilhar o mesmo ar respirado pela mulher que se encontrava com a testa colada sobre a sua.
Brittany portava um brilho tão intenso em seu rosto que por um momento pareceu que o dia havia amanhecido em plena a meia noite.
A médica não deixou que seu fôlego fosse recuperado completamente, pois a abstinência do gosto daqueles lábios superava em infinitos níveis a necessidade de respirar. Com isso antes mesmo que seu coração tivesse a chance de normalizar seus batimentos ela mergulhou outra vez naqueles lábios rosados, dessa vez agarrando a nuca da dançarina com uma intensidade tão grande que apenas aquele movimento fez seu corpo se inclinar sobre a superfície da arquibancada trazendo Brittany consigo.
Os corpos das duas se encaixaram perfeitamente, como se eles sempre tivessem sido parte de um todo que eventualmente foi separado, a química entre as duas era indiscutível, assim como o amor que podia ser sentido ao mais simples olhar. As mãos ágeis de Santana passeavam livremente por entre a cintura delgada da loira sobre si, explorando cada pedaço palpável com um desejo tão grande que excederia qualquer escala numérica que conhecemos sem o menor esforço. A dançarina por sua vez apenas se preocupava exclusivamente em explorar a pele exposta do pescoço da médica, arrancando sucessivos gemidos de tonalidade rouca da Latina que cada vez mais se apertava contra o seu corpo fazendo sua excitação ir para as alturas. A pele das duas queimava a cada contato, o ar que as rodeava pareceu crepitar com a intensidade daquele momento tórrido, as íris castanhas e a de tom azulado pareciam ter sido modificadas para uma mesma cor escura acinzentada. Como se as sensações com ais quais estava lidando naquele momento fossem grandes demais para serem contidas chegando a transbordar através de seus olhos.
As caricias foram aumentado de intensidade a cada movimento feito, a cada toque o universo parecia ser desintegrado em suas peles, alimentando ainda mais aquele desejo pulsante que parecia que iria as consumir a qualquer momento. Os gemidos foram ficando mais intensos assim como a temperatura, que nesse instante se assemelhava a de larva vulcânica, o atrito entre seus músculos que se moviam de forma sincronizada fazia aquela noite de inverno se asemelhar com a mais selvagem e escaldante manha de verão Brasileiro.
Ambas sabiam que aquele conjunto de ações e reações somente levaria a um lugar, mas sinceramente nenhuma delas estava dando a menor importância para as consequências, pois estavam submersas demais naquela imensidão de sensações para sequer cogitarem parar.
Santana estava prestes a dar o primeiro passo naquele caminho de luxuria sem volta, porém ela foi impedida de continuar ao sentir que a movimentação da loira sobre si havia sido estagnada.
‘’ Alguém apagou as luzes! Acho que tem mais alguém aqui San. ’’
A neurocirurgiã que ate então a fintava com um olhar questionador mudou de semblante rapidamente ao notar que todo o campo e arquibancadas se encontravam na mais completa penumbra. As luzes frotais que as ilumivam minutos atrás agora jaziam desligadas, ela precisou semicerrar os olhos na tentativa de se acostumar somente a ter como luminária os finos raios de luar que escapavam por entre as nuvens daquele céu nublado.
‘’ Acho melhor sairmos daqui antes que alguém nós expulse ou chame a policia por invadirmos a escola. ’’
A dançarina concordou seguindo o corpo de Santana por entre os degraus de concreto que levavam ate o portão, as duas sombras ágeis o cruzaram com rapidez e antes mesmo que percebecem já se encontravam a uma distancia considerável do complexo esportivo do McKinley High.
As ruas se encontravam praticamente desertas devido à hora bastante avançada da noite, sendo assim nada alem do som dos passos das duas mulheres contra o asfalto podia ser escutado ao longo de todo o trajeto de volta. Nenhuma das duas tinha qualquer palavra adequada para ser dita naquele momento, afinal não se ffazem livros de auto ajuda ou manuais com tutoriais explicativos do que deve ser dito após quase-transar-com-sua-ex-namorada-na-arquibancada-da-sua-antiga-escola. Com isso elas permaneceram envolvidas por aquele silencio, que desta vez não mais era carregado de tensão e sentimentos reprimidos, agora, o ar que as envolvia tinha os mais diversos significados positivos os quais interagiam em perfeita harmonia entre as duas. Mantiveram-se relativamente afastadas durante todo aquele curto caminho que as tinha levado ao hotel em que Santana estava hospedada. A médica deu um leve aceno de agradecimento á Brittany por te-la acompanhado ate ali, ela queria dizer alguma coisa, mas toda a sua dicção e raciocínio necessários para que ela pudesse ter uma conversa com Brittany naquele momento estavam fora de funcionamento. E não era como se naquele momento ela fosse capaz de conseguir dizer meia silaba olhando para aqueles olhos sem se lembrar dos fatos ocorridos na ultima hora passada.
‘’ Tenha uma boa noite, B’’ Santana disse um pouco tímida as unicas palavras que conseguiu reunir, que conseguiam fazer algum sentido.
A dançarina sorriu.
Mas não qualquer sorriso, talvez fosse exagero pensar assim, mas Santana sabia que poderia contar nos dedos às vezes em que tinha visto a loira sorrir daquela forma. Não era como se fosse algo intencional, um sorriso que se guarda para ocasiões importantes ou algo do gênero. Porém era algo que fazia o rosto da loira se iluminar com um aspecto tão singular de felicidade que tornava impossível não retribuir com o sorriso mais largo que seus lábios conseguirem alcançar.
Brittany não responde de imediato ás palavras ditas pela médica, pois estava tentando reunir a coragem necessária para selar aquela despedida noturna com o sabor daqueles lábios adocicados de Santana sobre os seus.
Ela precisava lhe dar um ultimo beijo em uma tentativa de reafirmar que mesmo após o amanhecer suas palavras e promessas ditas durante aquela noite não sofreriam nenhuma alteração. E que desta vez ela estava disposta a enfrentar todos os riscos e obstáculos necessários que fossem impostos pelo destino para que o final das duas fosse o mais aproximado possível ao de um conto de fadas.
Ela pediu permissão com um ultimo olhar que rapidamente foi capitado pela médica ao qual não exitou em puxar o corpo de Brittany para si como tanto tinha feito durante aquele momento extasiante em cima das arquibancadas.
Foi apenas um beijo inocente. Nada mais profundo que um simples degustar de lábios, porém foram mais que suficientes para fazer Santana Lopez ter a certeza de que teria a melhor noite de sono em longos meses.
Elas tiveram sua ultima troca de olhares daquela noite, antes da dançarina dobrar a esquina fazendo o caminho em direção à residência dos Pierce, a médica respirou fundo sentindo seu coração pular de alegria em sua caixa torácica.
O par de íris negras fintaram por mais alguns minutos o fim da rua em que a dançarina havia desaparecido á poucos minutos fazendo companhia ao sorriso bobo que cintilou nos lábios carnudos da cirurgiã.
Sim, no fim das contas voltar ao lugar que ate então ela considerava como o cenário do final da sua felicidade acabou sendo convertido como um marco do novo começo para aquela linda historia de amor, que ainda precisava de vários capítulos para chegar á um final definitivo. Nossa vida é feita de pausas é a coisa que ela mais precisava naquele momento era de um novo começo, ela só não esperava acha-lo no ponto inicial de todo aquele jogo do destino.
(...)
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