Someone Like You
7 Hipnotizar - Parte I
Notas iniciais
Capitulo VII: Hipnotizar — Parte I
"Ser forte não é uma opção, é uma necessidade. ’’
O trecho localizado na sétima avenida em direção aos 43 teatros mais famosos do mundo que conformavam o Circuito Broadway se encontrava com o dobro do movimento habitual. Aquele era aquele tipo de festa ao estilo Hollywoodiano onde praticamente te fotografam em um tapete vermelho e perguntam de qual estilista europeu é seu vestido. Droga, ela odiava tudo aquilo.
Ok, fazia sentindo tanto alvoroço por ser a estreia da peça da queridinha da crítica e última revelação do Tony, Rachel Berry, mas ainda sim parecia tudo muito grandioso para Santana, o que a deixava enjoada de alguma forma. Talvez, ela simplesmente não fosse do tipo que se acostuma a grandes aglomerados de pessoas gritando e tendo seguranças ao redor em todas as direções. Mas se fosse para estar ali por Quinn que ao menos estivesse deslumbrante. E sem sombra de dúvidas ela estava mais quente que as areias praianas de Miami.
Santana vestia um Bárbara Bela verde esmeralda com um par de brincos de brilhantes e saltos negros de 15 cm que alongavam suas pernas de uma forma quase pecaminosa. Egocentrismos a parte, ela totalmente transaria consigo mesma aquela noite.
O fluxo de pessoas era continuo pelas enormes portas de mogno, mas assim que a dona do corpo moreno surgiu entre os demais foi quase como se um foco de luz caísse e a iluminasse na mais turva escuridão.
Os olhares de admiração e até mesmo de pura cobiça que eram lançados naquele momento para ela deixava em evidencia que na menor das hipóteses ela se encontrava deslumbrante. E mesmo tendo perdido aquela necessidade de se sentir desejada por todos, fazia bem ao ego saber que ainda conseguia despertar aquele efeito nas pessoas apenas com uma roupa mais ousada.
Seus olhos negros correram sua atenção para a loira de cabelos curtos que caminhava em sua direção, esbanjando charme com aquele mesmo sorriso acolhedor, que tinha o efeito protetor e reconfortante na latina.
— Uou, como você está linda, S! Por que não larga a medicina e vem trabalhar no meu próximo filme?
A morena apenas riu com um leve revirar de olhos ao escutar a sentença de sua melhor amiga, afinal mesmo que ser famoso fosse o objetivo da grande maioria dos sonhadores que participavam do clube do coral, na sua época, ela provavelmente foi uma das exceções que nunca enxergou aquilo como seu futuro.
Era notório que ela adorava cantar e que a música teve um grande papel durante toda aquela fase de descobertas que ela vivenciou no colégio, mas nada daquilo integrava sua real vocação. Seu lugar não era nos palcos e sim na cirurgia. E ela não trocaria aquilo por fortuna ou fama que fosse no mundo.
Continuaram a conversar banalidades enquanto Quinn guiava-as em direção aos camarotes do teatro de onde poderiam apreciar o espetáculo de um ponto de visão privilegiado. O palco estava em completa escuridão assim como as cortinas douradas ainda permaneciam fechadas.
A morena escutou uma voz familiar chamar seu nome, mas quase não reconheceu seu portador assim que desviou sua atenção para onde o homem de olhos claros que lembrava vagamente a antiga aparecia de seu colega de colegial.
— Não acredito que estou te revendo, Dra. Lopez! Quinn mencionou que você tinha se tornado uma cirurgiã com corpo de modelo, mas não achei que ela falasse tão sério.
Kurt Hummel jamais era discreto ao falar com alguém, muito menos ao abraçar. E ali mesmo, derrubando algumas pessoas no caminho, ele a pegou nos braços quase a rodou no ar. Quando o porcelana havia ficado tão forte?
Ela não havia exagerado ao notar que ele tinha mudado muito fisicamente, pois além de vestir um terno negro discreto sobre seu corpo que era perceptível estar mais atlético um cavanhaque bem aparado emoldurava o seu rosto que antes mais parecia com porcelana de tão limpo. O mais novo não estava desacompanhado, David Karofsky estava a alguns passos atrás apenas observando a interação de ambos com um sorriso discreto. A médica deu um aceno leve antes de cumprimentar com um abraço tímido aquele que já tinha até servido de fachada para ela e seus sentimentos.
Era como se seu destino não cansasse de arrumar situações constrangedoras para testá-la, e com isso a morena apenas se voltou com certa timidez para o lado de sua melhor amiga antes dos três iniciarem uma conversa.
Ela tentava prestar atenção no assunto que eles mantiveram com uma intimidade quase invejável, já que a única pessoa de seu passado com a qual tinha mantido real contado era Quinn. Nem mesmo Rachel Berry que literalmente vivia na mesma cidade que ela durante todo o ano.
E apesar de não considerá-los entendiantes, acabou vagando com seus pensamentos para bem longe dali.
A culpa de tamanha distração tinha nome, sobrenome e agora era sua mais nova vizinha.
Ela queria conversar sobre isso com Quinn, pois ela sempre tinha os melhores conselhos que poderia escutar de alguém, unidas as melhores palavras de conforto. E desabafar talvez fizesse aquela bagunça em sua mente se arrumar de algum jeito, mas agora não era a situação apropriada para falar de seus sentimentos.
— Você ao menos podia fingir que está nesse mundo, Lopez? – Ela iria se defender dizendo que tinha ouvido tudo com a maior atenção possível, mas além de ser uma mentira deslavada que era facilmente perceptível ao fintar sua expressão distante também não foi necessário.
A melodia com fundo de suspense ecoou pelas paredes acústicas transmitindo todo o drama da cena de imediato ao público é todos no teatro entraram em silêncio ao a jovem atriz surgir após a abertura da cortina, nas primeiras linhas de um solo.
A impressa na primeira fila aplaudia de pé o primeiro ato e pareciam fazer anotações eufóricos. Ouvia-se no circuito Broadway que aquela era a produção mais aguardada do ano e não podia-se esperar outa coisa de Rachel Berry estrelando a remontagem de West Side Story,
As atuações eram impecáveis, mas para Santana o que mais ficou marcado havia sido a agilidade dos dançarinos e a forma como aqueles passos parecia ganhar vida com movimentos leves e mesmo assim precisos que davam a enorme impressão de falta de gravidade entre os saltos nas cenas de confronto entre as duas gangues.
Mas não somente a atenção da cirurgiã como também de todo o restante do público foi completamente capturado pelos movimentos suaves e ritmados que mesmo estando na mesma sincronia que os demais pareciam ser únicos em todo o palco. E não era à toa que toda a coreografia era marcada pelos passos que Stefany – anunciada por Annie (personagem de Rachel) à frente do grupo, pois seu corpo se movia de uma forma quase que hipnotizante que se sobressaltava facilmente sobre os demais.
O coração da médica nem ao menos precisou esperá-la visualizar o rosto da dançarina por entre as luzes turvas do palco, pois seu corpo havia gravado seus movimentos e impresso em sua alma aquela essência. Sua mão se moveu inconscientemente e agarrou a de sua amiga como se pedisse silenciosamente por apoio naquele instante. Ela não imaginava que teria de encontrar Brittany até ali e, Quinn teria de lidar com o fato de que estava se segurando para não ir embora imediatamente.
Seu primeiro pensamento racional só foi possível de ser processado com o fim do segundo ato, assim que as cortinas se fecharam por breves minutos para a troca de cenário.
Um dos primeiros instintos que ela quis obedecer foi o de sair dali na velocidade da luz e mudar imediatamente de apartamento, já cogitando a possibilidade de também sair da cidade ou do Estado. Quem sabe Chicago trouxesse melhores ares para sua vida. Contudo, assim que a melodia grave caiu sobre seus ouvidos e a figura de pele branca entrou outra vez em cena todos os seus pensamentos foram arrebatados. Não, ela não podia se sentir assim outra vez. Não havia mais segundas chances à dar para Brittany Pierce.
(...)
— Como prova de meu amor, com esse anel eu te caso.
A pequena sorriu para suas pernas onde seu noivo se apoiava de joelhos.
— Com todo o coração eu aceito.
Aquela era a última cena do ato final, E enquanto o casamento impossível dos protagonistas acontecia toda a plateia se debulhava em lágrimas pela intensidade na qual toda a peça se desenrolou.
Tony e Maria eram almas gêmeas, e mesmo contra todas as forças eles se encontravam e faziam o significado de amar valer à pena. Era o típico paradoxo Romeu e Julieta, onde todo o sentimento era posto à prova do destino, porém a singularidade do roteiro, unido ao enorme poder dos atores de transbordar emoção, tinham conseguido fazer o público contemplar e usufruir de todo aquele dilema digno de William Shakespeare.
Realmente todos se encontravam sem fôlego com toda aquela super produção e com a médica latina não era diferente. O fato de que ela foi capaz de enxergar um pouco da sua própria história em toda a encenação não a surpreendia. O que realmente havia mexido com ela foi ter tido a oportunidade de se hipnotizar outra vez com os movimentos viciantes de uma dançarina em especial.
(...)
As luzes voltaram à intensidade do início enquanto o palco diminuía seu brilho conforme o som das palmas. Quinn tinha um sorriso quase que não cabendo de tão grande em seus lábios finos e era notório em seu olhar o quão orgulhosa estava do desempenho extasiante de sua amada.
— Bem acho melhor irmos logo, pois se não apressarmos Rachel, ela acabará se distraído com tanta atenção e acabará por esquecer nosso jantar.
A morena apenas seguiu a outra novamente juntamente com Kurt e David, porém desta vez em silencio, talvez as palavras tivessem se perdido entre o segundo e o terceiro ato, ou simplesmente ainda digerissem tantas emoções transmitidas do palco.
A latina estava em um choque interno, onde sua razão a todo custo queria bombardear seus sentimentos trazendo novamente aquela solidão em seu peito que tanto tinha demorado a sumir, mas essa sensação curiosamente desaparecia por inteiro toda vez que os flashes dos movimentos de Brittany, no palco, rodavam em sua cabeça como um velho filme.
Seguiram algumas escadas depois de percorrerem dois corredores diagonais é após passarem pelos seguranças com uma credencial entregue por Quinn adentraram por uma porta de onde um dos camarins lotados abrigava quase todo o elenco e a agitação e euforia podia ser ouvida mesmo com a porta fechada. Algumas taças de champanhe tintilavam em sonoros brindes de alegria enquanto outras garrafas eram abertas em sequência.
— Pessoal, eu realmente quero agradecer ao espetáculo maravilhoso que todos ajudaram a tornar especial e único, pois se não fosse com essa energia que conseguimos juntos jamais conseguiríamos deixar a plateia daquela maneira. Tenho orgulho em trabalhar com todos vocês!
Palmas misturadas a gritos de aprovação comemoravam o breve monologo feito pela protagonista que ainda se encontrava com o figurino de Maria. Quinn acenou de leve para a cantora que retribuiu com um daqueles típicos sorrisos de 100wats que só aumentava de intensidade à medida que se aproximava de sua futura esposa.
— Você estava fabulosa como sempre meu amor! Já podemos abrir espaço na prateleira para mais um Tony.
As duas trocaram um abraço longo recheado de carinho, daqueles que fazem o ar se tornar mais quente, e que servem para mostrar os efeitos do amor na atmosfera.
Santana foi a última a dar os parabéns para a pequena diva que já possuía algumas lágrimas nos olhos com tantos elogios ao espetáculo é em especial a sua atuação. E enquanto Kurt retomava o diálogo de como o final havia sido inexorável a atenção de Santana oscilou ao escutar o som inconfundível da risada de Brittany.
Ela já não usava mais a roupa da peça, apenas um vestido curto e uma taça cheia de champanhe brincando em seus lábios carnudos. E assim que a morena pode correr com o olhar com uma precisão quase cirúrgica, o corpo da loira sob o pano agarrado as curvas perfeitas da dançarina, seu corpo enrijeceu com a lembrança de já o ter percorrido tantas vezes.
Ok.
Ela também já havia prometido que não teria mais tais pensamentos. Era ser masoquista demais para uma pessoa só.
— Então já que Rachel e Brittany já trocaram o figurino, acho que já podemos ir comemorar esse show dado por essas duas, certo?
A voz de Kurt soou distante para ela que se mantinha naquela troca de olhares que parecia já ter se alastrado por toda uma década. E foi preciso alguns minutos para que a latina fosse novamente a responsável por seus pensamentos e conseguisse controlá-los com algum vestígio de amor próprio que ainda possuía, pois aguentar tudo aquilo já poderia ser considerado mais masoquista ainda.
Ela não conseguia imaginar o que mais poderia acontecer naquela noite que fosse capaz de lhe afundar em uma bagunça maior do que a que já se encontrava, até finalmente compreender as palavras anteriores de Kurt, e como se tivesse levado um tapa da realidade percebeu que as emoções da noite estavam apenas no começo.
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