Someone Like You

8 Hipnotizar - Parte II


Notas iniciais
Enjoy...

Capitulo VIII: Hipnotizar — Parte II

Silêncio.

Muitas vezes encarado como um reflexo do medo unido a covardia, com o poder de se personificar em vários significados, variando de certezas inexoráveis a tentativas convictas de negação. Consegue ser tão paradoxal quanto nossos sentimentos ao mesmo tempo em que consegue assumir a forma concreta de nossa razão.

Podemos conseguir todos esses efeitos apenas com a ausência de palavras, contudo naquele momento para a latina de olhos negros o silêncio era apenas uma forma de proteção. Para ela esse era o único modo de impedir seus pensamentos de colapsarem ou seu coração de sair de seu peito devido à velocidade de seus batimentos cardíacos descontrolados.

Santana tinha que se fechar em sua armadura interior se quisesse ficar livre da pressão de seus sentimentos e do efeito que aquele par de olhos conseguia surtir em sua razão. Afinal, existem mais de 7 bilhões de pessoas no planeta é a única que lhe importava parecia ter encontrado um meio de se materializar em todos os ângulos de sua vida. Ela já havia tido o suficiente de Brittany para o resto da vida, quando ela iria parar de aparecer?

Sua atenção estava completamente focada na toalha da mesa e nos possíveis mosaicos que ela conseguiria fazer com o guardanapo o que parecia exatamente tão ridículo quanto você deve estar imaginando. Ela havia sido reduzida a uma criança que faz birra durante o jantar para não comer verduras.

Mas estava tudo bem. Contanto que aquela coisa estupida a distraísse o mínimo que fosse do quão perto estava de Brittany Pierce naquele momento. Se sentia exatamente como uma espécie de viciado que acabou de entrar na reabilitação, na qual mesmo querendo a cura para aquela dependência ainda consegue sentir o gosto de seu vício e as sensações que ele proporciona a flor da pele. Era tudo intenso demais, apesar do tempo que não a via, para se conseguir esquecer.

A enorme resistência onde ela procurou proteção se reduziria a pó com a menor troca de olhares entre as duas e Santana sabia bem disso por isso fugia de contato visual como o diabo da cruz mesmo sendo difícil não se deixar levar e apenas fechar os olhos e se concentrar naquele perfume tão familiar. Não existia uma fragrância que definisse aquela essência, talvez o que mais se aproximaria de um conceito seria o aroma dos anjos.

Inferno, até mesmo seus pensamentos e aspirações estavam contaminados. E o resultado era exageradamente piegas. Sentimentos idiotas.

– Na verdade minha maior surpresa não foi Noah ter conseguido entrar na faculdade e sim quando Santana Lopez não se tornou tipo uma estrela do indie alternativo... Quem olhasse pra você antes jamais imaginaria que fosse acabar sendo neurocirurgiã. É meio louco, não?

A voz incisiva de Kurt ergueu uma ponte de retorno de seus devaneios, e assim que pode retomar a percepção do exterior notou que as atenções de todos estavam voltadas para ela, incluindo um par de olhos que a todo custo tentou evitar durante toda a noite.

Pigarreou desconfortável ajeitando a postura na cadeira visivelmente deslocada, era raro ver Santana tão sem palavras como naquele momento, ela preferiria continuar invisível naquela conversa durante toda a noite se mantendo em sua bolha particular:

– Meu pai é um cirurgião então acho muito mais obvio eu ter seguido o mesmo ao invés de tentar o estrelato. – disse dando de ombros pedindo internamente a todos os Deuses possíveis para que alguém desviasse o assunto novamente para algum hit novo, ou simplesmente o desse como encerrado. Mas sua sorte sempre era uma piada de mal gosto e sua resposta vaga só pareceu colocá-la ainda mais na conversa.

– É que bem... você foi meio cruel o ensino médio inteiro sabe. Por isso foi tão difícil digerir que você adora trabalhar com crianças e salvar suas vidas.

Santana não sabia se agradecia ou não a ajuda de Rachel pela resposta que foi poupada de dar.

Todos ali poderiam apenas ler nas entrelinhas que não havia nada de especial no processo de como tudo aconteceu além de uma porção enorme de coração partido onde ela acabou aprendendo da pior maneira a não punir aos outros pelo fardo que você é obrigado a carregar.

– Às vezes só fazemos as coisas por proteção e não por maldade da mesma forma que não precisamos nós tornar incríveis se sempre fomos.

Seu estômago revirou em sensações desconhecidas enquanto sua atenção se resumia a tentar processar as palavras que tinham acabado de sair dos lábios rosados de Brittany bem ao seu lado.

Talvez seu coração fora de controle explicasse a quantidade de sangue que estava sendo bombeado para seu rosto naquele instante, enquanto ela se via corar profundamente ao sentir o efeito daquelas palavras sobre si. Foi quase como se ela tivesse sido transferida para um mundo paralelo muito além dos seus problemas de onde poderia desfrutar do efeito extasiante que aquelas poucas palavras surtiram em todo o seu metabolismo e do olhar alucinante que compartilhavam ainda em silencio.

– Obrigada. – Sua resposta foi baixa, mas parecia que todos na mesa a esperavam com expectativa. Talvez todos pensassem que ela fosse surtar e pegar as facas de prata e tacá-las na sua ex-namorada antes de pular do segundo andar.

Ok, ela estava uma bagunça, mas não estava psicótica ainda.

As baixelas de porcelana reluziam ao brilho dos talheres e de alguma forma boba e poética não conseguiam reprimir o sorriso nada discreto que a mulher de olhos vezes ostentou pelo resto da noite.

As duas não tiveram mais interações que passasse de intensos olhares ou leves sorrisos involuntários durante todo o restante do jantar. Afinal, mesmo que relutante em admitir ela não estava preparada nem muito menos disposta a iniciar um diálogo, pois Santana ainda se sentia instável demais com o equilíbrio entre o que sua razão e os seus sentimentos diziam. Infelizmente eles eram lados opostos de uma mesma moeda.

Eu preciso de respostas... – pensou observando Dave cochichar algo para Brittany.

Foram nove anos sem contanto, notícias ou qualquer aproximação, e de uma hora pra outra ela vê um furacão do passado invadindo sua vida sem aviso prévio. Era no mínimo assustador ver num piscar de olhos toda a racionalidade que você levou anos para construir simplesmente desmoronar instantaneamente ao rever a dona daquele sorriso perfeito, ou sentir outra vez aquelas sensações que você jurou estar sepultada ressuscitarem das cinzas do seu coração apenas por rever aqueles olhos azuis.

Ela se perguntava internamente se conseguiria evitar ir à loucura ou ser tomada pela vontade imediata de fugir ao tentar aceitar que teria de conviver com o fato de ter Brittany a apenas um corredor de distância de seu apartamento. Mas nesse no instante seguinte sua atenção foi roubada por Quinn que levantava com um sorriso largo se abrindo em seus lábios. Era a grande hora.

– Bem acho que todos, exceto minha Rachel, estão cientes de que estamos reunidos aqui não somente para comemorar o completo sucesso que será essa nova produção. – Passou-se um momento antes de ela repescar o olhar de sua namorada entrelaçando seus dedos. – Hoje eu quero fazer um pedido muito especial para a mulher responsável por guardar meu coração e pelo qual não posso desejar menos do que passar toda a vida provando como mereço o seu amor.

Os olhos de Rachel já brilhavam em lágrimas conforme as palavras de Quinn a alcançava. Se tirassem uma foto de ambas exatamente naquele momento seria possível ver o amor refletindo em seus olhares.

–Talvez palavras não possam descrever como estou me sentindo nesse momento e possivelmente estou à beira de um ataque de pânico, mas não nunca me sentir tão corajosa em toda a minha vida e por isso te peço Rachel Barbra Berry, sua mão para ser a minha vida para todo o sempre...

A caixa de veludo com um anel de diamantes cintilava agora em contraste com o rosto banhado em lagrimas da cantora que só conseguia sorrir em resposta ao choque do pedido. E chegou a demorar alguns breves minutos para que Rachel parasse de chorar e finalmente estendesse a mão esquerda tremula para que o anel de noivado deslizasse por seu dedo fazendo novamente a cantora arfar e fazer força para controlar seus sentimentos.

– É claro que sim! Eu digo sim a todas as nossas lembranças, todos os nossos momentos e todo o nosso amor. Deus, mal posso acreditar que você estava falando sério aquela noite quando perguntou quem seriam meus padrinhos de casamento...

Era extremamente previsível para todos que mesmo entre soluços Rachel Berry jamais perderia a oportunidade de fazer um monologo em uma situação como aquela, mas Santana pensou que iria engasgar com o vinho da taça que tomava ao escutar suas palavras finais. Até aquele momento ela ainda não tinha processado o fato de que não seria a única madrinha a comparecer naquele jantar de noivado ou sequer se ocupado em pensar nas possibilidades acercar das identidades dos outros convidados.

Pelo contrário, ficou tão absorta em seu próprio mundo que sequer refletiu sobre o fato de Quinn não ter lhe dito quem seria o outro padrinho que a acompanharia. Mas agora não era preciso ser nenhum gênio para perceber que a resposta estava literalmente bem ao seu lado.

Foi como em um tapa forte de consciência que ela finalmente juntou todas as peças soltas daquele confuso quebra-cabeças que era seu presente para só então conseguir entender tudo que se passava ao seu redor.

E não foi sequer necessário mandar seu cérebro executar os comandos necessários para que suas pernas se mexessem o mais rápido possível em direção ao toalete mais próximo. Foi praticamente um extinto que a fez sair da mesa em silêncio com uma velocidade recorde desviando a atenção de todos para sua si. Assim que fechou a porta pode sentir seu peito arfar enquanto seus braços se agarravam a pia em busca de apoio enquanto ela apenas fintava sua própria imagem no espelho sentido todo seu metabolismo trabalhar a mil por hora.

Seus pensamentos pareciam correr tão rápido quanto à água da torneira agora aberta, e ela simplesmente só queria poder se teletransportar para o conforto da sua cama para tentar esquecer completamente toda aquela porcaria de mundo onde era obrigada a viver. Um toque leve em seus ombros fez com que seus olhos se erguessem outra vez para o espelho onde o reflexo da expressão preocupada de sua amiga era projetado.

– Você está bem, S? Se quiser eu posso te deixar em casa. – A médica ignorou a preocupação de Quinn que aparentemente a tinha seguido até o toalete. Sentiu progressivamente seu sangue esquentar com a combinação perigosa das frustrações que carregava sobre seus ombros, resultado de toda aquela sobrecarga de emoções e surpresas.

– Quando você esperava me contar sobre todo esse jogo estúpido, Fabray? No dia do seu casamento minutos antes de subir ao altar, que Brittany também era sua madrinha e que você sabia o tempo todo sobre a enorme palhaçada em que eu estava me metendo, mas não teve a decência de me falar nada?

As palavras duras eram acompanhadas de seu tom de voz baixo, suas mãos cerradas em seu punho eram pressionadas sobre a lateral de seu próprio corpo com uma força desnecessária denotando sua frustração interna.

– Por favor S, me deixa explicar... Você sabe que eu não faria nada que não fosse para o seu bem!

– Não me importa suas intenções ou objetivos, você não tinha o direito de ignorar tudo que eu já sofri como se você mesma não tivesse presenciado, jogando toda essa merda na minha cara! Ela vai ser a madrinha da porra do seu casamento e também é minha vizinha agora e eu suturei a cabeça da filha dela ontem à tarde. Ela arruinou minha vida e você dá todas as indicações pra que ela não apenas volte, mas me infernize em todos os âmbitos da minha vida, certo?

Santana girou seu corpo em 180 graus para poder ficar de frente para sua antiga colega de quarto da faculdade, que mantinha o rosto impassível e a expressão neutra, enquanto ela parecia estar se controlando para não agir sob o efeito de suas emoções e simplesmente explodir.

– Não fique agindo como se soubesse de toda a verdade. Santana, você não tem o direito de julgar ninguém sem saber as duas versões da história.

O olhar compartilhado por ambas eram diferentes no significado dirigido por cada uma delas, enquanto uma se sentia possessa por sentimentos e emoções fora de controle a outra remetia a mais complexa paz de espirito.

A tensão no ar era palpável à medida que os segundos passavam e as duas permaneciam firmes em seus apoios psicológicos enquanto uma dura batalha de percepções era travada face a face.

A primeira a desviar a atenção saindo daquela zona de guerra foi Quinn, que não parecia ter se abalado com a pequena discussão, mas a médica mesmo ainda em estado de torpor emocional foi mais rápida e saiu porta afora sem pensar duas veze.

Não queria mais ter de lutar, ela não queria mais sentir dor, ela queria apenas seguir em frente, mas parecia impossível pensar no futuro tendo de conviver com o passado a apenas um metro de distância lhe encarando com os únicos olhos que conseguiam enxergar até mesmo as veredas mais escuras de sua alma. Os únicos olhos que conseguiriam fazer com que ela entrasse em um estado permanente de amnésia, apenas com aquele leve efeito hipnotizante.

Notas finais
Entao gente me desculpem por nao ter postado ontem, mas eu realmente nao tive como pois estava completamente isolada do mundo apenas com a internet do celular:(( Mas aqui esta mais um capitulo, eu espero que tenha atendido as expectativas de voces... O proximo sera o capitulo que muita gente esta esperando onde finalmente havera revelaçoes sobre o passado de Brittany& Valerie...