Somente Eu e Você
23 Madrugada boa
Notas iniciais

A chuva estava forte, era madrugada quando El Cid acordou com pingos gelados em seu rosto.
Abriu lentamente os olhos e viu que a janela estava aberta.
Com cuidado, para não despertar Luna, ele se levantou um pouco e fechou a janela.
A cama ficava ao lado e por isso a chuva acabou tirando, o cavaleiro de seu descanso.
Ao olhar para o lado, viu que sua amada, continuava a dormir.
Por alguns minutos ele permaneceu ali parado, observando a jovem.
Luna estava com os braços juntos, em frente ao peito e as duas mãos apoiando a cabeça.
O lençol branco, cobria somente da cintura para baixo.
O rosto estava sereno e a pouca claridade, iluminava sua beleza delicada.
A vontade que sentia, era de cobri-la de beijos e carinhos.
El Cid sentia-se diferente, algo dentro dele lhe aquecia o coração de uma forma especial.
Com cuidado, ele passou a costa da mão no rosto dela.
Luna sentiu e se remexeu um pouco na cama, com receio de atrapalhar, ele parou.
Logo lembrou-se da garrafa de vinho que estava na mesa, como estava sem sono, decidiu ir beber um pouco mais.
Assim que saiu da cama, ouviu uma voz lhe chamar.
—Cid?
Ao olhar para a cama, viu Luna com cara de sono e virada para ele.
—Desculpe, por te acordar. – ele diz, enquanto vai até ela.
—Não precisa se desculpar... só estranhei você ter saído da cama. – responde a ninfa, arrumando os cabelos bagunçados.
—Acordei com a chuva e perdi o sono, estava indo beber um pouco mais de vinho.
—Pode pegar água, por favor?
—Claro, eu já volto. – em seguida, o espanhol vai até a cozinha e pega uma caneca com água para a ninfa.
Ao voltar para o quarto, não a encontrou na cama.
—Luna?
A ninfa, chega por trás dele e o abraça forte.
Com as mãos, ela alisa o peitoral do cavaleiro, que com a mão esquerda livre segura uma das mãos dela.
Luna começa a distribuir beijos pelo ombro dele, subindo e indo até a nuca.
—Se continuar assim – El Cid se vira e agarra Luna pela cintura – eu terei que jogá-la naquela cama e te amar novamente.
—Isso é o que mais desejo, meu amor. – Luna tinha um brilho nos olhos e um sorriso tentador nos lábios.
—Mas, ainda está dolorida, certo? – pergunta o espanhol, entregando em seguida a caneca com água para ela.
Luna bebe a água e depois vai até a mesa e coloca a caneca lá.
Ao voltar, começa a seduzir o espanhol, com seu jeito de menina.
—Respondendo sua pergunta... sim, eu estou dolorida- agora de frente para ele, ela desliza a mão pelo peito e abdômen do espanhol.
El Cid apenas observa o olhar faminto dela, seguindo o caminho que a própria mão fazia.
Aquilo despertou novamente o desejo nele, logo começou a fazer o mesmo.
Acariciou os seios, depois deslizou a mão na barriga dela.
Os olhares se encontraram, nada era dito, somente se ouvia a chuva lá fora e a respiração dos dois.
El Cid a puxou e colou seus corpos, sem desgrudar o olhar do dela, ele acariciou os cabelos da jovem.
—Não quero te machucar mais...
—O prazer que eu senti, foi maior que a dor – Luna dizia aquilo com um sorriso sincero.
Isso cativou o coração do espanhol, coração tido como frio e duro, por muitos.
Sem mais palavras, eles se beijaram.
Voltaram para a cama e continuaram as carícias.
Luna estava ofegante e louca de vontade de se entregar novamente a ele.
Enquanto se beijavam, ele desceu a mão até a intimidade dela.
Estava úmida e com isso ele começou a acariciar o local.
Luna sentia uma ardência, mas nada que não pudesse suportar.
Logo, ele a penetrou com o dedo médio, de uma forma rápida e forte.
Luna gemeu, mas não de prazer. Sentiu um incômodo grande com aquele toque.
Ele parou e olhou para sua expressão de dor.
—Eu acho melhor não insistir, você ainda está machucada. – ele diz isso com tranquilidade.
Luna sentiu vergonha, não queria decepcioná-lo.
—Desculpa...achei que não estava tão mal assim – ela disse enquanto se sentava na cama.
El Cid ficou com pena da carinha de decepção que ela fez.
Aproximou-se dela e beijou seu rosto com carinho.
—Não precisa se desculpar, minha ninfa – ele a puxou para seu colo e ali ela se aninhou.
—Te provoquei e agora não posso satisfazê-lo... – ela dizia enquanto se mantinha aquecida nos braços do espanhol.
—Não se preocupe, não sou nenhum moleque – ele virou o rosto dela para olhar em seus olhos – Eu posso aguentar mais um pouco, até você melhorar.
Luna sorri e se aninha novamente em seus braços.
Ficaram assim, até que ela acabou adormecendo novamente.
Depois disso, o espanhol a ajeitou ao seu lado e em seguida também adormeceu.
***************
Um novo dia começava no santuário, a agitação rotineira começava cedo.
As cinco e meia da manhã, a maioria dos cavaleiros já estava de pé.
Não só eles, mas os aprendizes também, os treinos começam as sete horas.
Por isso acordar tão cedo, atrasos não são tolerados.
As servas iam para as casas dos cavaleiros, preparar o desjejum.
Enquanto tudo isso acontecia, Kárdia ainda dormia.
Toda regra tem sua exceção e o escorpiano era essa exceção.
Degel conhecia bem o amigo, por isso se arrumou e foi até a casa de escorpião.
Ao chegar lá, deu de cara com a serva que arrumava a casa.
—Bom dia – ele disse para a senhora simpática.
—Bom dia, senhor Degel – ela responde, enquanto termina de arrumar a mesa do desjejum.
—Kárdia já se levantou? – ele sabia que a resposta era não, mas perguntou por perguntar.
—Não, senhor.
O aquariano balança a cabeça negativamente, se dirigiu até o quarto do amigo.
Deu algumas batidas na porta e o chamou pelo nome.
—Entra! – diz o escorpiano.
Degel gira a maçaneta e abre a porta, logo vê o outro deitado na cama.
—Como sempre, atrasado. – ele diz enquanto se aproxima da cama.
—Como sempre, você vem comer meu desjejum... – Kárdia levanta a cabeça e olha para o amigo – Não tem comida na sua casa, não?
Degel ignora a brincadeira dele, logo puxa o lençol e descobre o escorpiano.
—Vá logo tomar banho, te espero na cozinha. – em seguida ele sai e deixa Kárdia para trás.
Esse por sua vez, enterra a cara no travesseiro e resmunga.
Detestava ser acordado, mas como era seu grande amigo, ele nunca o tratava mal.
Logo levantou e foi banhar-se. Precisava se apressar.
Assim que terminou, vestiu a armadura e foi para a cozinha.
Lá estava Degel, o aguardando para ir para a arena.
—Vou reclamar com o patriarca – sentou-se a mesa e começou a se servir – todo dia vem comer aqui e isso não está certo.
—Não diga bobagens, sabe que só venho para não deixa-lo se atrasar.- dito isso, o aquariano pegou uma maçã.
—Estou brincando meu querido amigo, pode comer a vontade – com um sorriso de moleque travesso, Kárdia tentava deixar o amigo mais a vontade.
Degel deu um sorriso de lado e continuou a comer a maçã.
Após alguns minutos, eles já estavam alimentados e prontos para descer até a arena.
Enquanto seguiam seu caminho, conversavam sobre Ester.
—Você não está mais envolvido com ela, não é ? – pergunta Degel.
—Ainda transamos – Kárdia responde tranquilamente.
—Como pode, se declarar a Athena e continuar com a Ester? – O aquariano não estava acreditando no que ouvia.
—Em primeiro lugar – ele para e se vira para o amigo – Eu me declarei a Sasha e não Athena.
—Você está errado do mesmo jeito, Kárdia. – Degel agora mostrava sua indignação.
—Em segundo lugar, eu apenas transo com Ester e ela sabe que não passa disso.
—Tem certeza?
—Claro... quer dizer... eu acho que sabe. – nessa hora o escorpiano para e fica pensativo.
—Cuidado, Kárdia – Degel agora o olhava mais sério do que nunca – Essa moça pode estar apaixonada e isso se tornar um problema.
Kárdia não disse nada, no final das contas o amigo tinha razão.
Ester poderia se tornar uma pedra em seu caminho, Sasha era a mulher que ele amava.
Se ela soubesse desse caso, com certeza não o aceitaria.
—Você tem razão... depois vou terminar essa estória. – sem dizer mais nada, os dois seguiram.
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Na casa de capricórnio, El Cid já estava pronto e Luna tomava banho.
A água morna relaxava mais ainda seu corpo, sentia-se tão leve que parecia flutuar.
Escorregou mais o corpo para dentro da tina e fechou os olhos.
Tirando o incomodo na intimidade, tudo estava perfeito.
Dormiu nos braços de seu amado e isso a fazia muito feliz.
El Cid entrou no quarto onde a ninfa estava, caminhou até ela e tocou sua cabeça.
Luna abriu os olhos e viu que era ele.
—Preciso ir para a arena, termine seu banho e depois vá para seus afazeres.
—Sim, logo termino e vou ficar com Sasha. – Luna se levanta e pede um beijo para ele.
O espanhol a beija e se controla para não tocar o corpo da jovem.
—É melhor eu ir – ele interrompe o beijo – Desse jeito não vou conseguir me controlar.
A ninfa ri e ele se despede. Em seguida, ela volta para dentro da tina.
Assim que terminasse, deveria subir e ver o que Sasha precisava.
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Afrodite conversava com Gaia em sua sala, as duas acertavam detalhes importantes do dia.
A deusa queria adiantar tudo que pudesse, pretendia ter sua conversa com Hypnos naquele dia.
—Está tudo certo – Gaia anotava tudo em uma lista – reunirei algumas meninas e passarei as ordens.
—Ótimo – Afrodite arrumava alguns papéis em sua mesa- Espero que dê tudo certo.
—A senhorita visitará Hypnos hoje?
—Sim... pretendo resolver isso logo. – a deusa terminou a organização e encostou-se à poltrona.
Há alguns dias mantinha a expressão séria, sua conversa com Athena a deixou mais tensa.
Por mais que no final tivesse dado tudo certo, ela sabia que esconder um segredo como aquele era penoso.
—Sabe Gaia, eu sinto um aperto no peito... – a deusa levanta e começa a caminhar pela sala.
A ninfa a acompanha com o olhar, percebia a agitação que se passava por dentro dela.
—Eu sinto uma tristeza muito grande, sempre que me lembro do que aconteceu com Eva. – Afrodite deu mais uma volta e logo parou perto de Gaia.
—Eu também... nem acredito que tudo isso aconteceu.
—Mas, isso já passou... o que tenho que fazer agora é salvar Luna de um ser desprezível. – Afrodite deu uma sacudida nos cabelos longos e tentou melhorar a expressão.
—Desejo boa sorte – Gaia diz ao se levantar.
—Obrigada Gaia, vou precisar.
Após essa conversa, Gaia se retirou e voltou a seus afazeres.
Afrodite permaneceu em sua sala, respirava fundo e pensava em como seria esse encontro.
Ir até o castelo de Hades não era uma boa idéia, mas sabia que Hypnos não lhe faria mal.
Se algo de ruim lhe acontecesse, Zeus entraria na estória e isso era algo que o deus do sono não queria.
Estava decidida e não iria voltar atrás.
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Luna agora estava vestida e com os cabelos arrumados.
Assim que saiu do quarto, viu a serva que arrumava a casa.
Ela limpava a cozinha e assim que viu a jovem, ficou séria.
—Bom dia – diz Luna, se aproximando.
—Bom dia, senhorita.
Luna ia saindo, quando a mulher lhe chamou.
—A senhorita,não quer comer nada? – a serva a olhou com uma cara desconfiada.
Luna observou a mulher, deveria ter uns 30 ou 40 anos.
Cabelos castanhos curtos, pele clara e um corpo um pouco acima do peso.
Havia algumas servas que ela não conhecia, e ela era uma dessas.
—Não, obrigada. Preciso ir ao encontra da Sasha... quer dizer, Athena. – Luna se via diante de um olhar estranho.
Percebeu que sua presença ali, havia deixado a serva desconfortável.
Talvez não fosse comum, os cavaleiros terem mulheres em suas casas.
—É que o senhor El Cid, pediu para lhe servir o desjejum.
—Obrigada mesmo, mas preciso ir. – em seguida a ninfa se despediu e saiu da casa de capricórnio.
Assim que chegou do lado de fora, sentiu um alivio.
Aquela situação foi constrangedora, mas havia algo que estava incomodando ainda mais.
Era a fome, o estômago da ninfa roncava e ela sentia que precisava comer logo ou passaria mal.
Acelerou o passo para chegar logo até a Sasha.
Estava ansiosa para contar as novidades e nada melhor do que dividir isso com uma amiga.
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