Somente Eu e Você
27 Um amigo presente
Notas iniciais
Enquanto Asmita meditava em seu quarto, sentiu uma energia forte vir do quarto da Luna, por isso de imediato se dirigiu para lá. Ao chegar, viu que ela não acordava facilmente, estava presa em seu sonho. Asmita a virou de barriga para cima, tocou de leve sua testa e se concentrou.
Não conseguia entrar em sua mente, era difícil ver qual era o sonho. Mas, decidiu acordá-la logo, então ele a chamou. Sentiu a ninfa suspirar e se mexer novamente, ela estava agitada e pedia ajuda.
Ao tocá-la novamente, o virginiano a sentiu fria e isso o preocupou. Então, ele tocou sua testa e com os lábios próximo ao seu ouvido, começou a chama-la.
Aos poucos seu cosmo, começou a envolver o corpo frágil da ninfa. Luna ficou um pouco mais calma e começou a sussurrar algumas palavras.
O cavaleiro começou a prestar atenção ao que ela dizia, queria saber o que se passava. Logo ela se mexeu novamente e a palavra “mãe” saiu de seus lábios, em uma forma de espanto.
Pouco tempo depois, a ninfa gritou e seu corpo deu um impulso para o lado, ficando assim, de costas para o cavaleiro.
Asmita não se abalou, se aproximou novamente dela e com toda sua concentração, envolveu a ninfa com seu cosmo. Ela chorava muito e tremia, com carinho ele começou a chama-la: “ Acorde Luna, volte para o mundo real”.
Em seu sonho, Luna viu uma luz dourada aparecer por entre a escuridão da floresta e ouviu a voz que lhe chamava.
Em questão de segundos, ela começou a despertar, ainda assustada e perdida. Assim que viu o amigo, a ninfa começou a chorar e se jogou em seus braços. As lágrimas banhavam o rosto de Luna, Asmita acariciava os cabelos dela, queria que se acalmasse e por isso não a abandonaria ali. Sentia a face molhada dela em seu ombro, o santo não estava com sua armadura, usava uma roupa comum.
—Luna, acalme-se – Asmita a abraçava e continuava a caricia em sua cabeça – Já passou, eu estou aqui agora.
A jovem engoliu o choro, se afastou um pouco e encarou a face do amigo, ele por sua vez, cuidadosamente tirou os cabelos dela do rosto.
Com os dedos, começou a enxugar suas lágrimas, Luna fechou os olhos e respirou fundo. Aquele toque a acalmava, a presença do virginiano lhe trazia paz.
—Asmita... o que foi que aconteceu? – a ninfa não entendia o que havia se passado, para ela aquele pesadelo parecia real.
—Você estava tendo um pesadelo, senti sua inquietação e vim ajuda-la. – o santo tomava cuidado com o que falava, não podia deixa-la mais assustada do que estava.
—Estava tendo um pesadelo – Luna ajeitava os cabelos enquanto falava – mas, parecia tão real... não gosto nem de lembrar.
—Eu entendo, mas não se preocupe, está segura agora. – o virginiano pegou a mão dela e segurou firme.
Passou confiança para a ninfa, ela sorriu e se inclinou na direção dele. Com carinho lhe beijou a face, um beijo de agradecimento.
A mão dele automaticamente foi até sua nuca, Luna se afastou um pouco, mas ainda mantinha seu rosto próximo ao dele.
—Obrigada, meu amigo – ele sorriu e acariciou a bochecha da jovem.
—Não precisa me agradecer, amigos de verdade ajudam uns aos outros. E foi isso que vim fazer aqui.
Luna sentou-se na cama e um breve silêncio se fez, ela ainda estava com medo. Por isso, não queria ficar sozinha naquele quarto, mas também não podia pedir ao loiro que ficasse ali com ela.
—Está com medo de ficar sozinha, não é? – Asmita percebe que a ninfa não estava a fim de ficar sozinha.
—Nossa, parece até que você leu minha mente – Luna dá uma risadinha e confirma o medo para ele.
O cavaleiro não pretendia deixa-la ali, não podia abandonar sua casa, então teve uma idéia.
—Vamos para minha casa, lá você poderá dormir tranquilamente. – Luna não esperava aquele convite, ficou surpresa.
Ficou por alguns segundos calada, não achou uma má ideia. Só de pensar em ficar ali sozinha, o medo lhe tomava conta, porém, ir para a casa do virginiano poderia causar ciúmes em El Cid.
—Não gostou da proposta? – o virginiano chamou sua atenção, que havia sido perdida em seus pensamentos.
—Gostei, claro... mas, penso que não é certo – o cavaleiro prestava atenção em cada palavra dela – El Cid pode ficar enciumado se souber que dormi em sua casa.
Asmita havia se esquecido desse detalhe, realmente, se o espanhol soubesse iria ficar com ciúmes. E o que o virginiano menos precisava, era uma desavença com ele.
Por outro lado, não queria deixa-la sozinha e por ser tarde, não queria incomodar a deusa ou o patriarca.
—Eu entendo, mas não posso deixar que fique aqui sozinha e com medo – ele se levantou e ajeito a blusa branca que usava – Se o problema é o El Cid, ele não precisa saber que dormiu lá.
Luna observava o amigo, ele estava certo quanto ao seu medo. Mas, esconder algo de seu amado, não era sua intenção, tinha medo de ser descoberta e ele se zangar.
—Se ele descobrir não vai gostar... não quero criar confusão para você.
Com calma e paciência, ele se aproximou dela e lhe estendeu a mão. Ela entregou a sua e ele a puxou para fora da cama, logo ela estava de pé, bem a sua frente.
—Ele não saberá... e mesmo que descubra, eu conversarei com ele e explicarei o motivo. Não precisa se preocupar, vai dar tudo certo. – Luna concorda com ele e isso satisfaz o dourado de virgem.
—Vou colocar um vestido, esse que estou usando é inadequado para sair. – em seguida, ela se dirige até seu baú e pega a primeira peça que vê.
—É tão feio assim, esse que está usando? – brinca Asmita, fazendo a ninfa sorrir um pouco.
—Não, é que ele é transparente. Não fica bem, eu ficar em sua casa assim, Sasha me ensinou que vocês aqui tem preconceito com nudez ou algo do gênero.
Asmita riu, era engraçado porém verdadeiro o que ela disse. Depois, se deu conta de como gostaria de enxergar, além de ver como eram as pessoas e o mundo a sua volta, poderia ver Luna e toda sua beleza.
Depois do beijo que deu nela, ficou a imaginar como seria seu corpo e como seria passar uma noite com ela em seus braços.
Mas, claro que aquilo não seria possível. Pelo menos, não enquanto ela estivesse com o espanhol.
Balançou a cabeça, na tentativa de afastar os pensamentos. A amizade dela, lhe era muito importante e não queria arriscar tudo, por causa de um desejo que poderia ser controlado.
—Assim que estiver pronta me avise, tele transportarei nós dois até virgem. – Luna pediu um minuto para ajeitar os cabelos.
A luz no quarto estava fraca, mas conseguiu dar uma ajeitada básica, penteando as mechas com uma escova que havia na penteadeira.
A ninfa olhava seu reflexo e não gostava do que via, estava com os olhos vermelhos e inchados. Na hora veio em sua mente a cena do bebê morto, sentiu um aperto no peito.
Agora o que mais desejava era sair dali, ir com Asmita e tentar esquecer o que havia acontecido. Assim, logo voltou para perto do amigo e lhe disse:
—Estou pronta, podemos ir. – Asmita segurou as mãos da jovem e pediu que ela fechasse os olhos.
Luna obedeceu, assim que fechou os olhos, sentiu uma energia muito forte os envolver e seu corpo se deslocar de lugar.
Assim que passou, o virginiano pediu que ela abrisse os olhos. Quando fez isso, a ninfa sentiu uma leve tontura, devido a técnica usada por ele.
—Seja bem vinda ao meu humilde quarto – Asmita se afastou e foi direto a uma mesa que havia no canto – Sinta-se a vontade.
Luna agradeceu e começou a observar o lugar, ficou impressionada com a organização. Isso sem falar nas cortinas brancas com detalhes dourados, as almofadas vermelhas em cima da cama.
Tudo muito bonito e alegre, ficou pensando se ele havia escolhido tudo aquilo, os detalhes. De repente, sentiu alguém atrás dela e não demorou muito para ouvir a voz dele.
—Está com vergonha? – Luna se vira para ele – Pode se sentar, a cama está limpa e bem arrumada.
—Ah, imagina. Eu não pensei o contrário, é que estou observando a decoração do seu quarto. – ela ficou sem jeito, não queria passar uma má impressão.
—Você gostou? – Asmita pergunta enquanto se sentava na cama.
—Sim, é tudo muito bonito e alegre – logo a ninfa se senta de frente ao amigo.
Não tinha como negar que estava um pouco sem jeito. Isso não era comum para ela, já que costumava ser extrovertida e não se acanhar tão facilmente.
—Fico feliz que tenha gostado. Eu não posso ver, mas pedi para uma serva que trabalhou aqui, que me ajudasse a fazer algo bonito e simples.
—Na verdade... eu fiquei tentando imaginar como você fez isso.
—Todos que sabem sobre minha condição, fazem muitas perguntas. Mas, a questão é que com ajuda, nada fica impossível. – Asmita sorriu, sentia que aquele era o rumo certo para descontrair o ambiente.
Aos poucos a conversa foi fluindo, Luna ia esquecendo o pesadelo e Asmita ia fazendo com que ela se animasse. A conversa ia desde a decoração do quarto, até as amizades dele no santuário.
—Eu vejo que fica muito tempo só, que não interage muito com os outros cavaleiros. – Luna agora estava deitada com o braço apoiado em uma das almofadas.
—Não costumo socializar, fico mais aqui com minhas meditações – ele se ajeita e deita da mesma forma que a ninfa – Só falo quando me procuram ou quando faço a ronda com mais alguém.
Enquanto ele falava, Luna ficou a observar o amigo. Ele estava muito bonito, usava uma blusa branca de manga comprida. A calça era preta e caía muito bem nele, o deixava com um ar menos formal.
De repente lhe veio a mente, uma pergunta: “ será que ele nunca se envolveu com uma mulher?”
Que ele já tivesse ido para cama com alguma, era bem provável. Mas, se relacionar a ponto de um compromisso, isso era o que pipocava na mente dela.
A vontade era de perguntar sobre o assunto, sua curiosidade era uma de suas características e não podia negar.
—Luna? – Asmita estranha o silêncio vindo da convidada, logo percebeu que não estava prestando atenção.
—Me desculpe, eu acabei me distraindo com meus pensamentos. – Luna dá um sorriso sem graça, não queria que ele percebesse sua falta de atenção.
—Não tem problema... mas, posso saber quais pensamentos a intrigaram? – com seu jeito simples, o virginiano questionou a ninfa.
—Na verdade, eu estava pensando se você...bem...não sei se devo fazer a pergunta – Luna estava sem jeito, não sabia qual seria a reação dele, tem certos assuntos que são um tanto delicados para as pessoas – é uma questão pessoal.
Asmita a encarava com uma expressão curiosa, não entendia aonde ela queria chegar. Mas, sua curiosidade foi ativada e isso fez com que ele quisesse saber logo o que se passava na mente da jovem.
Então, ele se sentou novamente e ajeitou os longos cabelos loiros, em seguida disse:
—Pode perguntar, não precisa ficar sem jeito.
—Bem, eu gostaria de saber se você já se apaixonou. Se já viveu um romance com alguém. – as palavras foram ditas com muito cuidado, de uma forma sutil.
Asmita sorriu e demonstrou de primeira que não havia se importado com a pergunta.
—Então... era isso que lhe tirou a atenção a nossa conversa? – Luna afirmou e ele se aproximou dela, de forma que ela precisou se sentar também para ficar igual a ele – Sim, eu já me apaixonei, mas não vivi um romance longo. Digamos, que nosso destino não era junto.
Luna não percebeu nada na voz do cavaleiro, suas palavras foram diretas e sem demonstração de sentimentos.
Pensou em perguntar o porquê, mas desistiu. Se quisesse, ele mesmo lhe diria isso.
—Entendo... sinto muito. – forma as únicas palavras que conseguiu dizer.
—Não se preocupe, tem coisas que precisam ser superadas. Essa com certeza faz parte delas. – o virginiano agora soltou um suspiro longo, não queria recordar a tal moça em questão.
O santo de virgem tinha seus segredos e esse era um deles. Respondeu apenas o essencial a jovem, nada mais sairia de sua boca, não pretendia ficar desenterrando o passado.
Ainda mais quando isso, tocava em feridas já cicatrizadas.
—Mas, posso saber o por que dessa repentina curiosidade?
—Porque eu o acho um homem atraente, bonito e muito educado. Qualquer mulher seria feliz ao seu lado, estava o observando enquanto conversávamos e não pude deixar de reparar sua beleza. – a ninfa foi direta e sincera, como sempre costumava ser, isso agradou ao virginiano.
Um pequeno silêncio se fez no local, os dois estavam de frente um para o outro. Luna com seu jeito tranquilo e Asmita com sua forma leve de ser.
—Fico feliz em ouvir suas palavras, não sabia que pensava tudo isso de mim. – em seguida ele tocou a perna da ninfa e acariciou desde o joelho até um pouco acima da coxa.
Luna sentiu um arrepio com o toque, a mão dele deslizava em sua pele, junto com o tecido macio de seu vestido.
—Eu só disse a verdade... – ela agora estava tensa, não entendia o porque do cavaleiro lhe dar essas sensações tão boas.
—Luna, eu quero lhe pedir desculpas pela minha atitude – em seguida ele retira a mão da coxa dela e assume uma postura reta – Não sabia sobre seu relacionamento com El Cid, mas mesmo assim, deveria ter me contido mais.
Luna o olhou com ternura, ele era um dos homens mais gentis que já havia conhecido, sempre a travava bem e fazia de tudo para alegrá-la.
Tarefa que ele cumpria com muita desenvoltura, para muitos, o cavaleiro era um homem retraído. Mas, ela sabia quem ele era de verdade, isso a fazia se sentir privilegiada.
—Não se preocupe, eu sei que teve a melhor das intenções. E por não saber nada sobre mim e o Cid, você não tem por que se desculpar. – a ninfa se inclinou e tocou de leve a mão dele que estava apoiada no joelho, com isso queria passar firmeza em sua palavras.
Ele sorriu, o silêncio pairou no ar. Os dois ficaram calados e cada um com seus pensamentos.
Então, Asmita decidiu encerrar a conversa e deixar a jovem dormir. Ali, ela estaria mais segura, qualquer sinal de algo errado, ele iria imediatamente ajuda-la.
—Bem, acho melhor você deitar e descansar. Precisa dormir, já está tarde e amanhã você tem seus compromissos com Athena. – com calma, ele se levanta da cama e caminha até uma mesa, que havia no canto do quarto.
—Você tem razão, mas, aonde irei dormir?
—Aí mesmo, eu não dormirei. Preciso meditar e enquanto faço isso, você dorme. – Asmita pegou uma jarra simples que havia na mesa, ali tinha água, que ele levaria consigo para a meditação.
Quando se recolhia para essa prática, costumava levar sempre uma jarra com água. Assim evitava ter que ficar saindo do lugar.
—Bem, já que é assim. Eu só tenho que agradecer, confesso que não gostaria de ficar sozinha naquele quarto. E ter você por perto, me dá mais confiança. – Luna foi se ajeitando na cama, deitou e se cobriu com o lençol, achou muito confortável. Viu que conseguiria dormir logo, pois realmente estava com sono.
—Tenha bons sonhos. – em seguida ele abriu a porta e se retirou. Ouviu a ninfa agradecer e desejar uma boa meditação.
Do lado de fora, ele assumiu uma face preocupada. Não havia gostado nem um pouco do que ocorreu.
Ele sabia que isso tinha algo relacionado ao segredo, que o que aconteceu não foi um simples pesadelo.
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