Notas iniciais
Olá pessoal! Quero primeiramente agradecer a todos que acompanham e comentam a fic. Agora, segue mais um capítulo para vocês. Boa leitura!

O suor escorria pela testa, os cabelos estavam bagunçados pelo desespero com que se moveu na cama.

Luna respirava rápido, era como se realmente tivesse corrido de alguém. Olhou para os lados e não viu nada, além da lua que aparecia através da janela.

Levantou da cama e caminhou até a janela, ficou a observar o céu, enquanto o sonho ainda passava em sua mente.

Uma vontade enorme de chorar tomou seu peito, assim ela permitiu que as lágrimas viessem novamente a molhar seu rosto.

A sensação de estar abraçando sua mãe foi muito forte, como queria que aquele momento não tivesse acabado.

Eva morreu quando Luna tinha 2 anos, ela só sabia como a mãe era por causa de Gaia, que sempre fez questão de descrever como era a melhor amiga.

A ninfa aos poucos ia se acalmando, mas o pesadelo conseguiu mexer muito com ela.

—Quem era aquele homem? – ela se perguntou baixinho.

A cena de Eva caindo no buraco e o frio que lhe correu o corpo ao ver a sombra se aproximando, fizeram com que a ninfa perdesse o sono.

Ela voltou para a cama, mas permaneceu com os pensamentos a mil por um bom tempo.

*****************

No dia seguinte, Sasha levantou-se e foi direto para sua rotina. Ultimamente, suas preocupações a estavam deixando bem mais cansada que o normal.

Havia os novos cavaleiros a se formarem, as missões em que os mais experientes iam e não menos importante, sua vida pessoal.

A jovem estava um pouco angustiada, sua aparência naquela manhã, não era das melhores.

Dormiu pouco e quando conseguiu, acabou sonhando com Alone e Tenma, na época do orfanato.

Por mais que fosse um sonho bom, era algo que sempre a fazia pensar, como que suas vidas foram tomar rumos tão diferentes.

Sasha caminhava até a sala do Grande Mestre, toda manhã ia até lá, para conversarem sobre os problemas e as novidades no santuário.

Assim que chegou, bateu na porta e esperou ser convidada a entrar.

—Pode entrar. – diz Sage, de dentro da sala.

Ela entra e fecha a porta, vai até a mesa onde se encontra o antigo cavaleiro de câncer.

Ele se levanta e reverencia a deusa, Sage sempre muito formal e respeitador.

Ela apenas sorri e se senta, logo começaram a falar sobre os problemas que estavam ocorrendo.

Um deles era o fato de Sísifo e El Cid ainda não terem retornado, já fazia um bom tempo que haviam partido.

—Fico preocupada, sei que são cavaleiros experientes, mas mesmo assim não gosto dessa demora. – diz Sasha enquanto massageava a cabeça, em uma busca de amenizar a dor que a incomodava.

Sage já havia percebido que a jovem estava com uma aparência cansada, mas não quis perguntar nada antes, para não ser indelicado.

—Está se sentindo bem, minha deusa? – ele pergunta a encarando com um olhar preocupado.

Ela respira fundo, encara por alguns segundos o olhar firme do homem a sua frente.

Não contaria o motivo de estar se sentindo mal, por mais que confiasse nele, não queria falar sobre coisas tão pessoais.

—Apenas estou com dor de cabeça – em seguida se levanta e vai até a janela – Não gosto de ter tantas questões para resolver...mas faz parte da minha vida, não é mesmo? – ela diz com um tom cansado na voz.

Ele nada diz, apenas permanece em silêncio, sabia que aquilo tudo era demais para uma moça tão nova.

Mas, como ela mesma disse, fazia parte de seu destino.

********************

Luna havia levantado um pouco mais tarde, por isso acabou fazendo o desjejum sozinha. Assim que comeu, tratou de se arrumar e ir para o jardim.

A última coisa que queria era ficar sem fazer nada em seu quarto, depois da noite que teve, queria era estar entre as flores, e apreciar a beleza de mais um dia ensolarado.

Ela estava sentada em um banco próximo de uma roseira, estava com os olhos fechados, aproveitando o calor dos raios do sol em sua pele.

Aquela sensação era muito boa, ela amava a noite, mas o dia também tinha suas maravilhas.

Continuava com os olhos fechados, o sol e o sono acabaram fazendo com que seu corpo pedisse um repouso.

Aos poucos ela foi jogando o corpo para trás, mas antes mesmo que conseguisse deitar, ela encostou em algo um pouco gelado.

A ninfa abriu os olhos assustada e ao se virar deu de cara com uma armadura dourada, aos poucos subiu o olhar e viu cabelos loiros e um sorriso simpático.

Era Asmita, que estava atrás dela, com seu jeito silencioso, ela acabou nem percebendo sua presença.

—Bom dia, Luna. – diz o loiro com um belo sorriso estampado em sua face.

—Bom dia, Asmita. – a jovem responde se levantando em seguida.

Ele toma sua mão e a beija, o toque dos lábios dele em sua pele, lhe causa uma sensação diferente.

Ao erguer a cabeça, o cavaleiro a encara por alguns segundos. Era como se estivesse olhando diretamente em seus olhos.

—Está bem? – ele pergunta enquanto observa o rosto cansado da ninfa.

—Sim...por que a pergunta?

—Está com uma aparência um pouco abatida.

—Sério? – Logo ela começa a ajeitar os cabelos e a passar a mão pelo rosto – Estou tão feia assim? – ela questiona preocupada.

Asmita riu, não conseguiu disfarçar a graça que tinha aquela preocupação dela com a aparência.

Ela por sua vez não entendeu nada, ficou apenas olhando para ele, em busca de uma resposta.

—Por que ri? Estou tão mal assim?

Asmita para de rir, devagar ele se aproxima dela e toca delicadamente seu rosto.

—Você jamais será feia, sua beleza é algo que permanecerá intacta por toda a vida.

Luna encarava aquele rosto e se perguntava como um homem poderia possuir tamanha beleza.

Todos no santuário diziam que Albafica era o mais belo, mas em sua opinião somente dois homens o superavam, eles eram El Cid e Asmita.

O dourado de capricórnio com sua beleza rude e o virginiano com sua beleza exótica.

Após ouvir o elogio, ela sorriu e ficou um pouco sem graça.

Logo o cavaleiro mudou de assunto.

—Gostaria de dar uma volta e conversar? – ele pergunta, na esperança que ela aceitasse.

—Claro!

Assim, ele ofereceu o braço para ela, logo saíram a caminhar pelo jardim.

*******************

—Nem acredito que estamos de volta! – diz Sísifo com alegria nas palavras e cansaço estampado no rosto.

El Cid ao seu lado, mantinha a mesma face de sempre, porém estava feliz igual ao amigo.

Ambos não viam a hora de voltar para o santuário, mas especificamente para suas casas.

Enquanto caminhavam, iam cumprimentando os soldados e alguns cavaleiros que passavam por ali.

Muitos satisfeitos em vê-los, pois sempre que algum dourado se ausentava, era motivo de preocupação para todos.

Ainda mais nesses tempos mais sombrios, com os últimos acontecimentos.

A cada passo que dá, El Cid se lembrava da moradora ilustre do santuário.

Sua vontade de vê-la era grande, queria poder chegar em casa tomar um bom banho, um vinho e desfrutar de sua companhia.

Lembrou de seu perfume e de seu sorriso, tais lembranças, fizeram com que sua atenção fosse desviada de seu amigo.

—Você está me ouvindo? – pergunta Sísifo, tirando o espanhol de seus pensamentos.

—Desculpe, estava distraído.

—Percebi...mas então, espero que essas informações tenham alguma utilidade para o patriarca.

—Com certeza ele saberá o que fazer com elas. – em seguida o espanhol voltou para seu silêncio.

Silêncio que só foi quebrado, com o som do riso de uma pessoa.

Logo ele começa a procurar pela dona do riso, ao olhar para seu lado esquerdo, ele vê o jardim e duas pessoas nele.

Ali em meio as flores, estava Luna e Asmita, conversando e rindo.

Naquele momento El Cid paralisou, ficou ali observando os dois, tão próximos e tão alegres.

Eles nem notaram sua presença, tamanha era a conversa.

Sísifo que estava parado observando a cena, acabou percebendo o que estava acontecendo com seu amigo.

—El Cid!

O espanhol desviou o olhar e se virou para o amigo.

—Vamos, Atena e o Grande Mestre nos aguardam.

Ele olhou mais uma vez para os dois, sentiu uma pontada no peito, não sabia explicar o porquê daquela sensação ruim.

Uma sensação de perda, porém decidiu afastar aquilo de si, voltou ao seu rumo e seguiu com Sísifo.

Quanto mais longe dali, melhor seria.

*********************

Sasha estava com muita dor de cabeça, a conversa com Sage já havia terminado e agora ela estava em seu quarto.

Permanecia deitada, tentava relaxar, algo que estava bem difícil.

A deusa alisava algumas mechas de seus longos cabelos, com os olhos fechados, repetia em sua mente momentos de sua infância.

Em sua mente voltou no tempo, quando era apenas uma menina, que gostava de brincar com seu irmão e seu amigo.

Das vezes que ficava deitada com Alone embaixo de uma enorme árvore, observando o céu e suas nuvens.

Naquele momento a saudade bateu forte, ela abriu os olhos e sentou-se na cama.

—Só queria que nada disso tivesse acabado... – ela diz enquanto observava seu reflexo no espelho da penteadeira.

Acabou observando sua aparência, já era uma mulher, não tinha mais os traços de uma menina.

Na verdade, de menina, somente as lembranças mesmo.

Ela levantou e caminhou até o espelho, observou seus olhos, cada detalhe de seu rosto, quando chegou na boca, imediatamente lembrou do beijo.

Fechou novamente os olhos e acariciou calmamente seus lábios.

Nessa hora, batidas na porta fizeram a jovem voltar a realidade.

Ao abrir, deu de cara com Ágata, que parecia ansiosa.

—Pode falar, Ágata. – diz a deusa convidando a serva para entrar.

—Tenho dois recados senhorita, um é do patriarca. – ela faz uma pausa e entra no quarto, assim que a porta se fecha ela continua – Ele pediu para avisar que El Cid e Sísifo retornaram de sua missão.

Sasha fica feliz com a novidade, já que estava preocupada com os dois.

—E qual é o outro?

Ágata tira do decote um papel, Sasha estranhou aquilo, mas nada disse.

—O senhor Kárdia pediu que entregasse a senhorita. – a serva estende o bilhete para a jovem, Sasha olha desconfiada para o papel, mas o pega mesmo assim.

—Algo mais? – a deusa pergunta, enquanto analisa o que estava em suas mãos.

—O patriarca pede que antes do jantar, a senhorita se reúna com ele e os cavaleiros no salão principal.

—Tudo bem, diga que eu vou.

—Só isso, senhorita.

—Obrigada, pode voltar a suas tarefas.

A serva se retira do quarto, assim que fica só, Sasha trata de ler o bilhete.

Ao abrir o papel, ela se depara com uma mensagem simples:

Quero conversar sobre o que aconteceu entre nós.

Por favor me receba novamente, prometo me comportar.”

Após ler aquilo, ela sentiu um frio na barriga. Não queria conversar, pelo menos não tão cedo.

Se antes já estava com a cabeça a mil, agora é que não conseguiria descansar.

Rapidamente guardou o bilhete em uma gaveta da penteadeira, e voltou para a cama, tinha que decidir se conversaria ou não.

***************************

Luna subia as doze casas, sua conversa com Asmita havia sido perfeita.

Era incrível como ele sabia de tantas coisas e tinha paciência para explicar.

Ao se lembrar da forma carinhosa como segurou algumas vezes sua mão, ela sentiu suas bochechas queimarem.

Logo se pegou sorrindo igual a uma criança, com esse jeito todo bobo, ela logo passou pela casa de sagitário.

Está que parecia estar vazia, só parecia, pois seu protetor estava em seus aposentos e mesmo tendo sentindo a presença dela, decidiu não se manifestar.

Queria que a jovem tivesse uma surpresa.

Após subir mais alguns degraus, logo chegou até a casa de capricórnio.

Despreocupada, ia passando para chegar logo ao final.

Mas, uma voz lhe fez parar no meio do caminho.

—Não pede mais permissão, senhorita.

Luan congela, não podia acreditar que estava ouvindo aquela voz.

Assim que se vira e encontra El Cid parado atrás dela, com aquele olhar penetrante.

Seus olhares se encontram, nenhum dos dois diz nada, apenas se olham.

O espanhol decide quebrar o silêncio e logo diz:

—Não vai me responder?

—Me desculpe pela ousadia, mas não sabia que o senhor havia retornado. – ela diz tentando disfarçar o nervosismo.

—Não precisa se desculpar, mas saiba que tanto eu como Sísifo já retornamos. Por tanto,cuidado ao passar. – ele diz da mesma forma seca de sempre.

Luna nada diz, antes estava com vontade de perguntar sobre a missão e ver se estava tudo bem com ele.

Mas, o jeito indiferente e até mesmo arrogante dele, a fizeram desistir da idéia.

—Posso passar, senhor? – ela pergunta, visivelmente afetada pela forma como ele a recebeu.

El Cid logo percebeu sua mudança, antes surpresa e agora chateada.

Sentiu pena, mas quando lembrou da cena vista mais cedo, logo a raiva o tomou de novo.

—Sim.

Foi a única coisa que conseguiu dizer, assim a ninfa deu as costas e retomou seu caminho.

E assim foi o reencontro, de um lado um homem com ciúmes e do outro uma mulher com o coração quebrado.

Notas finais
Bem pessoal, por enquanto é só. Em breve tem mais! Beijos!