Somente Eu e Você

18 Conversas entre amigos


Notas iniciais
Olá pessoal! Demorei mas estou aqui! Espero que gostem do capítulo. Esse mostra um pouco mais da amizade entre os personagens. Sem mais, boa leitura!

El Cid estava mal, sabia que havia afetado a ninfa, seu semblante não o enganava.

Ele subiu as escadas e foi para seu quarto, tinha recebido o direito de descansar, antes de se encontrar com o patriarca e a deusa.

Ao entrar, tirou a armadura e jogou-se na cama. Iria descansar, tentar esquecer um pouco a missão que foi concluída e a cena do jardim.

Essa última não era fácil, a todo momento o sorriso de Luna lhe voltava a mente.

—Como pode ser tão linda? – ele se pergunta enquanto permanece deitado, fitando o teto.

Mas, junto também havia a alegria de Asmita, isso incomodava o espanhol.

El Cid ficou intrigado com a aproximação deles, justo com o indiano, que não costumava sair de sua casa.

Logo abanou a cabeça, tinha que afastar tais pensamentos ou então não conseguiria dormir.

****************

Luna se aproximava de seus aposentos, quando uma serva aproximou-se e disse:

—Senhorita, que bom encontra-la. – a ninfa olhou curiosa para a mulher.

—A senhorita Sasha deseja vê-la.

—E onde ela está? – pergunta Luna

—Está nos aposentos dela, senhorita. – Luna agradeceu o recado e logo a serva voltou a seus afazeres.

Ela seguiu até o corredor que dava acesso ao quarto da deusa, ao chegar à porta, deu leves batidas.

Logo ouviu Sasha dando permissão para entrar.

Ao abrir a porta, deu de cara com a amiga deitada, corpo na cama e cabeça pendurada para fora.

—Deseja me ver, senhorita? – pergunta a ninfa estranhando o modo como a outra estava.

Sasha olha para Luna, logo a ninfa percebe que deveria ter algo errado com ela.

—Preciso muito de você... – responde a italiana que estende a mão para Luna.

Essa por sua vez se aproxima e segura sua mão, Sasha pede que ela sente-se e assim que ela o faz, a jovem deusa deita a cabeça em seu colo.

—Aconteceu algo? – Luna pergunta aflita.

—Sim...algo que nunca deveria ter acontecido.

—E o que foi?

Sasha fica em silêncio por alguns segundos, não era fácil falar sobre aquilo, mesmo que fosse com sua amiga.

Ela se levanta e senta de frente para a ninfa, que já começava a imaginar o pior.

Após respirar fundo, ela decide falar.

—Ontem o Kárdia esteve aqui, ele estava estranho e tinha uma atitude diferente comigo... – Luna ouvia tudo atenciosamente — ...ele estava passando mal por causa do problema no coração e acabou desmaiando.

—Nossa! Mas, se ele estava mal, por que não chamou alguém em sua casa? – pergunta a ninfa sem entender a atitude dele.

—Eu não sei...só sei que a atitude dele foi ousada e me deixou confusa.

—Mas, como ficou a situação? Alguém veio ajudar?

—Sim, eu chamei o Degel. Ele sempre cuida do Kárdia nessas horas. Logo veio e conseguiu ajuda-lo.

—Bom, menos mal...só não entendo esse seu jeito.

—É que antes de desmaiar ele fez algo que não deveria.

—Então me conta Sasha, já estou ficando nervosa. – diz Luna impaciente.

—Ele me beijou...

Sasha se cala e Luna fica surpresa com a revelação, jamais poderia imaginar que o cavaleiro de escorpião gostasse dela dessa forma.

—Nem sei o que dizer... estou surpresa. – diz a ninfa enquanto observava o rosto triste da amiga.

—Eu nem sei o que pensar ou pior nem sei o que fazer. – Sasha se agarra nas mãos da amiga em sinal de nervosismo.

Luna via ali na sua frente, uma garota angustiada. Jamais havia visto a deusa daquele jeito.

—Você não gostou do beijo?

A pergunta foi direta, fez Sasha parar e pensar um pouco.

—Diga a verdade, não precisa esconder nada de mim, somos amigas. – diz Luna para tentar ajuda-la.

—Eu gostei...muito. – após responder a amiga, Sasha se joga em seu colo novamente.

Luna sorri e começa a acariciar seus cabelos, Sasha estava nervosa por causa de um beijo, isso chegava a ser engraçado.

—Se gostou, não vejo problema algum nisso.

—Você não entende, ele é meu amigo e além disso sou a deusa. – a jovem disse essa última parte com um certo amargo na voz.

—E isso te impede de amar e ser amada?

Sasha mais uma vez se calou, sabia que muitos deuses tinham seus amores, mas ela não foi criada para isso.

Nunca havia ouvido Sage falar sobre a possibilidade de haver um amor em sua vida, aliás ele era um bom homem, mas seu papel foi para orientá-la da melhor maneira, mas como deusa.

Aprendeu a ler e escrever, mas nunca aprendeu sobre o que acontece entre um rapaz e uma moça.

Ou o que fazer quando o coração bate acelerado por alguém, ainda mais após um beijo.

—Eu não sei se posso... minha vida já é tão complicada.

—Sasha ouça bem o que vou te dizer – Sasha se levanta e encara a amiga – Você tem o direito de ser feliz, se todos os outros deuses podem ter seus amores, você também pode ter o seu.

—Mas, não é só isso. Kárdia sempre foi meu amigo e agora estou confusa sobre isso.

—Minha amiga, se você gostou do beijo é sinal que sente o mesmo que ele. Vocês se falaram, depois disso?

—Ainda não. Ele me mandou um bilhete, pedindo para que eu o receba aqui novamente. Mas, não sei se é uma boa idéia.

—Claro que é, assim vocês já se resolvem de uma vez. – diz Luna tentando animar Sasha.

—Você está certa, acho que irei recebe-lo. – diz a jovem dando um sorriso sem jeito.

—Quem sabe você não tem mais sorte que eu.

—Por que diz isso? – questiona Sasha agora curiosa.

—El Cid voltou e não mudou nada... nem sequer foi gentil comigo na casa dele.

—Já disse que ele é assim, um homem fechado. Mas, não quer dizer que não goste de você.

As duas permaneceram um bom tempo conversando, nem perceberam que as horas corriam.

************************

Kárdia estava impaciente, andava de um lado para o outro na entrada da casa de escorpião.

Ainda não havia recebido uma resposta de Sasha, isso o estava consumindo por dentro.

Ele parou e encostou na parede, respirou fundo e tentou se acalmar.

—Será que a menina entregou mesmo o recado? – ele se perguntou, irritado só de imaginar essa possibilidade.

—Falando sozinho?

Kárdia logo reconheceu a voz, era Degel que aparecia sorrateiramente.

—Apenas pensando alto, já você como sempre andando igual a um gato. – responde o grego com um sorriso irônico.

—Senti seu cosmo, estava um tanto inquieto, acertei? – o aquariano pergunta enquanto se encostava na parede.

—Sim, eu estou inquieto.

—Tudo isso por causa de uma certa atitude ousada e irresponsável. – disse Degel com um tom sério.

—Sabia que ia começar o sermão... – diz o grego com cara de tédio.

—Não estou lhe dando sermão, apenas quero que pense no que fez.

—Você não entende, não é? Mesmo eu explicando mil vezes. – Kárdia se afasta da parede e se põe frente a frente com o amigo.

Degel apenas olhava para o homem a sua frente, Kárdia havia lhe contado tudo que havia ocorrido.

O aquariano achou um absurdo, tamanha ousadia poderia acarretar problemas para o amigo.

—Eu não entendo como um homem que está mal, invade os aposentos da deusa e a beija.

—Eu precisava fazer aquilo, já lhe disse. – Kárdia já estava ficando mais ainda impaciente.

—Você mais do que ninguém, sabe que não deve sair ou se esforçar quando está naquele estado. – Degel por sua vez mantinha sua calma.

Um silêncio se fez depois dessa última resposta de Degel.

Kárdia deu as costas para o amigo e começou a olhar para o céu, sabia que o que ele dizia era verdade. Mas, a vontade foi maior que a sua responsabilidade.

—Kárdia... quero apenas que entenda que quase tive um ataque quando Athena me chamou – nessa hora o escorpião se vira novamente para o amigo – Ela estava aflita e eu pensei logo no pior.

—Eu sei que te preocupei, como sempre você me salvou. Eu devo muito a você. – Kárdia se aproxima e toca no ombro de Degel.

Esse sorri para o grego e faz o mesmo gesto, a amizade deles era algo muito admirável.

Todos no santuário sabiam da ajuda que o santo de aquário dava ao grego e da lealdade que o santo de escorpião tinha por ele.

—Eu preciso te contar uma coisa. – Kárdia se preparava para dizer sobre o bilhete.

—E o que é?

—Mandei um bilhete para Sasha, pedindo para conversar.

—Isso é bom.

—Nossa, achei que ia vir com mais um sermão. – diz o escorpião voltando com seu deboche.

—Dessa vez não... você precisa se desculpar com ela, fez o certo. Só não entendo o por que do bilhete.

—É que pedi que seja em seu quarto...

—Kárdia! Mas, será que não toma jeito! – exclama Degel sem acreditar no que ouvia.

—Calma! Para de ser nervoso, daqui a pouco é você que tem um ataque. – Kárdia tenta acalmar o amigo.

—Você faz uma proposta dessas a Athena e quer que fique como?

—Eu não fiz proposta nenhuma a Athena, mas sim a Sasha.

Degel nada disse, achava que o amigo tinha criado juízo, mas pelo visto estava enganado.

—Quero apenas que confie em mim, eu não farei nada além de conversar. – o grego diz enquanto olha bem nos olhos do aquariano.

—Eu só não quero que se complique.

—Preciso que seja lá, para não levantar suspeitas e ninguém atrapalhar, só por isso.

Degel permaneceu calado, apesar do jeito meio frio do amigo, Kárdia entendeu seu silêncio.

Agora era esperar a resposta que tanto queria.

********************

As horas passaram rápido, logo anoiteceu e Sísifo caminhava para a casa de capricórnio, iria junto com El Cid para a reunião.

Ao chegar, avistou o amigo que o aguardava na entrada da casa.

—Que honra, meu amigo a minha espera. – ele brinca ao ver El Cid.

—Eu me arrumei rápido e decidi lhe esperar.

—Bom, então vamos.

Os dois seguiam calados, a cada casa que passavam cumprimentavam o cavaleiro e pediam sua permissão.

Assim que passaram pela última casa, Sísifo viu que não haveria problemas em perguntar sobre uma certa ninfa.

—Como foi o reencontro? – ele pergunta para o espanhol.

El Cid olhou para ele com uma cara de interrogação.

—Sabe muito bem que estou falando da Luna.

—Ela ia passando pela casa sem pedir permissão, achei que tivesse te visto em Sagitário.

—Não viu porque eu não quis.

—Como assim? – questiona confuso o espanhol.

—Queria que o reencontro de vocês fosse uma surpresa para ela.

—Eu posso saber por que fez essa bobagem? Eu poderia ter atacado aquela menina. – responde em um tom ríspido.

—Não diga besteira, eu sei que jamais a atacaria.

El Cid não disse nada, ele estava certo, mas não havia gostado da atitude dele.

—Anda me conta, como foi?

—Apenas lhe chamei a atenção, para que não passe pela casa sem pedir permissão. Expliquei que já estamos de volta.

Sísifo ficou olhando para o espanhol, havia algo a mais ali e ele tinha quase certeza do que era.

—Nem perguntou como ela está? Como passou esse tempo em que esteve fora? – o sagitariano cutucava a onça, queria saber mais.

—Aonde quer chegar com isso? Até onde pude ver ela passou muito bem... – logo o espanhol lembrou da companhia dela naquela manhã.

—Está se referindo ao Asmita?

—Eu não sei o que pode ter unido aqueles dois. – e o ciúmes de El Cid fica visível.

—Então era o que eu imaginava...

—Do que está falando?

—Você está com ciúmes dela.

—Sísifo, você está delirando. – El Cid acelera o passo para chegar logo ao salão.

Sísifo o segura pelo braço e o faz parar, o espanhol o encara e aguarda que ele fale logo o que tanto quer.

—Diga logo o que quer, Sísifo.

—Sou seu amigo e tenho que te alertar... você está apaixonado por essa moça e isso você não pode mais esconder.

—Do que adianta estar apaixonado, se ela não está mais sozinha. – responde El Cid com amargura na voz.

—Você não sabe se ela e Asmita tem um relacionamento.

—O que eu vi foi bem claro, agora como ele a conquistou não sei. Ele nem sequer fala com algum de nós, mas com ela era como se fossem íntimos.

—A diferença é que ele deve trata-la bem... coisa que você não faz.

Essa resposta de Sísifo cai em cheio em El Cid, e era a mais pura verdade.

—Meu amigo, você mesmo a afastou. Ela estava cheia de amor para lhe dar e você repeliu isso tudo. – o santo de sagitário olhava com firmeza para o amigo.

O espanhol permanecia calado e com o olhar baixo, relembrou o dia em que a desprezou.

—Eu sei...

—Mas, ouça muito bem o que eu vou lhe dizer – El Cid encarou o amigo e ele continuou – se realmente gosta dela, ainda a tempo de conquista-la.

—Não sei...

—Bem, acho melhor continuar essa conversa depois. – El Cid concordou com o amigo e eles seguiram para o salão do grande mestre.

**********************

Após a conversa com Sasha, Luna voltou a seus aposentos. Tomou um banho e comeu um pouco.

Deitou em sua cama e logo pegou no sono, estava um pouco cansada e após o banho o corpo relaxou mais.

A ninfa estava apenas com um vestido branco bem leve, o tecido era quase transparente e mostrava bem as curvas de seu corpo.

Estava deitada de lado com as duas mãos apoiando a cabeça.

Ali ao seu lado estava Oneiros, observando a bela ninfa dormir.

Ele estava de pé, analisando cada parte do corpo da jovem.

Devagar, ele sentou-se próximo dela na cama e tranquilamente colocou sua mão em seu quadril.

Acariciou aquela parte do corpo dela, logo subindo a mão e indo até a cintura.

Luna se mexeu na cama, virando o corpo e ficando assim com a barriga para cima.

Oneiros sorriu, sua mão percorreu a barriga dela até chegar aos seios.

Ele não se conteve e acabou dando um leve aperto no seio direito dela.

Luna então acordou e ao abrir os olhos e ver aquele homem ali, ela deu um pulo na cama.

Tentou gritar, mas ele tapou sua boca, então ela decidiu tentar se levantar.

Foi em vão, seu corpo estava paralisado, era como se tivesse alguém a segurando.

Oneiros sorriu maliciosamente, com calma abaixou as alças do vestido e se deliciou com a visão dos seios da ninfa.

Luna estava assustada, sentia que estava tremendo, mas mesmo assim seu corpo não respondia a seus comandos.

Assim que o deus tirou a mão de sua boca, ele aproximou seu rosto para beijá-la.

Luna fechou os olhos, nessa hora ela ouve batidas na porta.

Não demora muito e sente alguém tocá-la e chamar seu nome.

Ao abrir os olhos ela vê Ágata, a serva tinha uma vela na mão e uma expressão preocupada.

—Está bem, senhorita?

Luna se senta na cama e começa a observar o quarto, assustada ela olha para a serva em busca de uma resposta.

—Senhorita, aconteceu algo? – pergunta Ágata preocupada com a cara da ninfa.

—Não... quer dizer... foi só um pesadelo. – Luna responde a jovem, a cabeça latejava e o coração estava acelerado.

—Vim até aqui para ver se queria algo, a senhorita comeu ainda era cedo.

—Eu quero um chá, por favor.

—Qual, senhorita?

—Qualquer um... – a ninfa tentava parecer calma, não queria preocupar Ágata a toa.

—Tudo bem, farei o chá e também vou trazer algumas frutas, caso queira depois. – após dizer isso, a serva se retira.

Luna se levantou e foi até a janela, abriu e permitiu que a brisa entrasse em seu quarto.

—Quem era aquele homem? – se perguntou enquanto observava o céu estrelado.

Mal sabia que longe dali, Oneiros se divertia com seu pesadelo.

Notas finais
E ai o que acharam? Desculpem qualquer erro. Aguardo ansiosa os comentários. Beijos e até mais!