Some awkward First Times
1 From his point of view - Parte 1
Notas iniciais
Eu não sabia dizer como exatamente nós havíamos chegado até aquela situação.
Tudo o que eu me lembro era do gosto extasiante dos seus lábios nos meus, a forma como eles escorregavam uns pelos outros; como eu os mordiscava de leve, sentindo os suspiros — cada vez mais altos — escaparem por seus lábios.
E, como se por instinto, meus dedos começaram a desenhar o contorno de sua cintura. Foram subindo, explorando, apreciando cada toque. Até que, por fim, eles acabaram em um de seus seios.
O toque era macio, ainda que estivesse por cima das peças de roupa. Podia senti-lo se moldar à minha mão perfeitamente; a vontade de apertá-lo era enorme.
Porém, ao ouvi-la exasperar em espanto, parei. O beijo foi partido e os olhos encaravam-se; suas íris azuis pareciam tentar buscar nas minhas a explicação para aquilo.
Eu não tinha nenhuma.
Foram os segundos mais longos de toda a minha vida; aquele momento em que nos encarávamos. Eu era incapaz de mover um músculo, até que sua voz, relutante, pronunciou:
— A-Adrien, sua mão...
Separei-me dela abruptamente, escondendo ambos os braços atrás do corpo, desviando o rosto do dela. Sentia as bochechas arderem em vergonha, incapaz de encará-la.
Espiei por um momento, só para perceber que ela estava tão — ou até mais — sem graça do que eu. De relance, podia ver todas as sardas de seu rosto saltarem devido a cor vermelha que o dominava.
O silêncio incômodo permaneceu entre nós. Engoli a saliva, sentindo-a rasgar minha garganta conforme passava. Respirar era um ato difícil: o ar parecia ter concreto ou talvez chumbo de tão pesado que estava.
— Marinette, eu—
— Adrien! Seu segurança está te esperando. — Era a voz de Sabine, provavelmente vinda da sala. Esse havia sido o momento em que nos encaramos novamente, a dúvida ainda presente nos olhares.
— Eu... Vou precisar ir agora. — Murmurei, fitando um canto qualquer.
— Uhum... Tudo bem. — Fora a resposta dela, praticamente esvaindo-se no ar do quarto. A cama rangeu quando ela se levantou, seguindo na frente.
Suspirei e, num movimento quase doloroso, levantei-me, indo buscar minhas coisas na mesa. Coloquei a bolsa sobre o ombro, saindo do quarto.
Tanto Sabine quanto Marinette aguardavam-me ao pé da escada. A senhora Cheng tinha um sorriso enorme atravessando os lábios.
Marinette, contudo...
— Desculpe causar incômodo. — Disse à Sabine. Ela sacudiu a cabeça, negando.
— Não vai incomodar, Adrien. Venha sempre que quiser.
— Pode deixar. — Voltei meu olhar para Marinette. Ela encarava-me, apesar da insegurança. Senti meu rosto esquentar e, por instinto, levei a mão ao pescoço, esfregando-o. — Mari... Então... — Engoli em seco. — Até segunda?
— Uhum. Até segunda! — Ela sorriu, ainda relutante.
Lentamente, como se estivesse pisando em um terreno instável, aproximei-me dela, deixando um beijo em seus cabelos. Senti que seus braços me acolheram em um abraço apertado, fazendo um peso sair de cima de meu coração.
Ainda que eu quisesse permanecer daquela forma por mais tempo, obriguei-me a separar. Um último aceno para ambas encerrou minha despedida, enquanto eu descia para a confeitaria e, por fim, chegava ao carro que me aguardava na porta.
— — —
— Ok, você pode me explicar o que diabos foi aquilo? — Foi a primeira coisa que Plagg disse após eu me atirar na cama, o rosto encontrando o travesseiro com força.
— Não sei. — Falei, a voz abafada pelo tecido macio. Soltei todo o peso do corpo como se toneladas estivessem sobre meus ombros.
— Bom, eu entendo que você goste dela e tudo o mais, mas não acha que você está muito precoce desejando-a assim? — Questionou, o que me fez grunhir, desgostoso.
— Eu... Não sei. Eu estava aproveitando o beijo e sentindo a textura da cintura dela e... — Murmurei, apertando a fronha entre os dedos.
— Oh. Eu jurava que você era um poço de inocência perambulando pelas ruas, mas eu acho que estava enganado. — Levantei a vista só para perceber Plagg voar até onde eu costumava deixar pedaços de queijo para ele. Quando voltou, já estava mordiscando um. — Quero dizer, eu mal vi você se masturbar uma vez. Como poderia esperar que você fosse apertar o peito dela dessa forma?
— Plagg! — Corei até a ponta das orelhas, levantando-me, revoltado. — Eu não apertei o peito da Mari. Eu só... Coloquei a mão... — Murmurei, mordendo o lábio.
— E vai me dizer que não quis apertar? Vamos, Adrien, eu vi seu rosto. Você estava louco para dar aquela apertada na teta dela.
— Plagg! — Rangi os dentes, tacando a almofada para tentar acertá-lo. Em vão; ele desviara. — Eu não... Eu—
— Adrien. — A voz dele era quase uma ordem. Apertei com força os olhos, praticamente enfiando o dente no lábio inferior.
— Ok, eu admito! Eu queria realmente apertar o seio dela. — Joguei-me na cama novamente, virando de costas para o kwami. — Eles eram macios e... Encaixavam na minha mão... E...
— Ai, ai. Adolescentes. — Ele sentou-se em meu ombro, o cheiro horrível do queijo em meu nariz. Levantei a vista, desgostoso; Plagg não se importava com meu olhar. — Você queria, mas por um acaso sabe alguma coisa sobre sexo?
— O... Básico... — Murmurei.
— Tenho medo do que esse seu “básico” possa ser. — Ele retrucou.
— E você quer que eu faça o quê? — Levantei-me abruptamente, fazendo o kwami voar para frente. Choramingou por ter derrubado o queijo. — Quero dizer, não é como se eu tivesse alguém para conversar sobre isso.
— Certamente. A não ser, claro, que você conversasse com aquela sua secretária. Ou o seu segurança. — Torci a expressão. Plagg deu de ombros. — Você poderia ver pornôs também. Sabe, muitos começam com isso.
— Eu já vi um ou dois, ok? — O olhar do kwami sobre mim foi assustadoramente constrangedor. Engoli em seco antes de continuar: — Ma-mas não acho que a Mari se encaixe em alguma daquelas situações...
— Você poderia falar com o Nino, quem sabe? — Plagg sugeriu. Pisquei, surpreso. — Ele é seu melhor amigo, não? Talvez possa te dar uma dica ou outra.
— Sim, mas... Eu não... Eu não estava pensando em fazer isso ainda e... — Senti o kwami dar uma cabeçada na minha testa, encarando-me profundamente.
— Não estava pensando? Adrien, por favor, isso vai acontecer cedo ou tarde. Uma conversa com alguém pode te ajudar nisso. Ou você prefere ver uma Marinette muito infeliz com você?
— Não! Claro que não.
— Então estamos acordados. — Ele sentou-se em meus cabelos. — Agora, hora de aproveitar meu queijo.
Suspirei. Talvez Plagg realmente tivesse razão. Uma conversa com Nino não seria mal, tampouco.
Afinal eram só hipóteses...
Não é?
— — —
— Você quer falar sobre o quê? — Encolhi os ombros, desgostoso. Estava a um passo de desistir da ideia, mas o cutucão de Plagg dentro da minha blusa fez com que eu continuasse:
— Sexo... — Murmurei, desviando o olhar. Era vergonhoso demais a forma como Nino me encarava.
— Nossa cara que aleatório! — Ele riu, sentando-se ao meu lado, o braço passando pelo encosto da minha cadeira. — Mas por que quer falar sobre isso?
— Curiosidade...? — Nino erguera ambas as sobrancelhas. — É... Bem...
— Ok, cara. Relaxa. — Ele deu um tapinha no meu ombro, tentando me tranquilizar. — Bom, não é como se eu tivesse experiência também. Ao menos, não muita, já que eu só fiz com a Alya...
— Pera, você o quê?
— Eu fiz com a Alya. Ué? Estranho? A gente já está juntos faz um tempão! — Pisquei, não sabendo como reagir. Nino riu da minha faceta. — Sei lá, cara. É algo normal, sabe?
— É... É normal... — Murmurei. Não sabia dizer até qual ponto aquilo era normal para mim.
— Apesar... — O moreno coçou o queixo. — Partindo de você e da Marinette, que até pouco tempo nem falar com você conseguia, deve ser algo totalmente anormal. — Dei um pequeno soco no ombro dele. — Wow, calma cara! Tô só analisando a situação.
— Eu sei. Mas... Urgh, é tão complicado. Eu não estava pensando nisso até...
— Como assim não tava, cara? Sério que vocês só ficavam nos beijos?
— Nossa! Não me faça me sentir um extraterrestre.
— Extraterrestre você não é, mas segundo as meninas, você é algum tipo de “deus”. — Revirei os olhos. Não gostava quando citavam a minha aparência dessa forma. — Só tô reproduzindo o que falam!
— É... Eu entendo.
— Ah, cara, antes de qualquer coisa. — Nino aproximou-se do meu ouvido, murmurando: — Você tem camisinha com você, não tem?
— Err... Não?
— Caralho! Como não?
— Não... Tendo? — Dei de ombros. Nino bateu com a mão na testa, descrente. — E-eu não posso sair para comprar isso. E nem posso pedir à Nathalie que faça isso por mim...
— Ok, eu esqueci desse detalhe. Mas, cara, você não pode nem sonhar em transar com a Mari sem isso. Você sabe, não é?
— Eu sei. — Pontuei. Não era como se eu pensasse em transar com ela naquele exato momento.
— Eu vou quebrar seu galho. — Percebi que ele havia tirado a carteira do bolso e, em uma agilidade monstruosa, havia tirado de lá uma camisinha. — Fica com essa pelo menos. Meu pai sempre me dá novas.
— Nino! — Ele colocou o preservativo na minha mão e a fechou para que ninguém visse. — Eu...
— Cara, é precaução, sabe? Porque acredite: é frustrante você começar no impulso e ter de parar porque tá sem proteção. — Suspirei, anuindo. Não era mal manter uma guardada.
— Ei meninos, sobre o que estão falando? — Era a voz da Alya bem atrás de nós. Tanto eu quanto Nino saltamos para pelo menos dois metros de distância um do outro.
— Nada, Alya! Coisa de garoto. — Nino desconversou. Alya encarava-o com olhares desconfiados. Aproveitei para, sorrateiramente, deixar a camisinha no bolso de trás da calça, antes que ela percebesse algo.
— Coisas de meninos, é...? — A voz da morena pingava suspeita, como se tivesse certeza do que conversávamos. Nino esfregou a nuca, sorrindo amarelo, usando de suas melhores desculpas para manter a desconversa.
Olhei de relance para a porta da biblioteca, só para não continuar encarando os dois naquela tensão desnecessária. Qual não fora a minha surpresa ao encontrar Marinette parada bem ali, a bolsa nas mãos, esperando pela amiga.
Quando percebeu meu olhar sobre si, sorriu — aquele sorriso luminoso que sempre atravessava todo o seu rosto. Eu poderia nascer várias e várias vezes e nunca deixaria de me derreter com ele. Acenei de leve, só para perceber que ela vinha na minha direção.
— Então. — Ela começou interrompendo os dois que ainda discutiam ao meu lado. Seus dedos vieram aos meus cabelos, fazendo um cafuné sutil, aquele que sempre me fazia ronronar. — Vocês vão poder ir lá em casa agora?
— Na sua casa? — Nino questionou, surpreso.
— Sim! Meu pai fez alguns croissants frescos. A gente tinha combinado de passar a tarde lá.
— Ai... — Nino fitou Alya por um instante. A morena pareceu não entender em um primeiro momento, mas a realização não tardou a alcançá-la. — Então, Mari...
— Eu tinha prometido à mãe do Nino que iria almoçar com eles hoje! — O som da mão na testa de Alya foi tão alto que praticamente ecoou pela biblioteca. — Amiga me perdoa! Não foi de propósito. — Ela pegou Marinette pelos ombros, o olhar entristecido.
— Não, tudo bem. Eu trago alguns para vocês amanhã! — O sorriso de Mari era compreensivo. Ela apertou levemente os dedos em meus fios, o que me fez suspirar. — E você, Adrien, pode vir?
— Com certeza. — Tombei a cabeça para trás, só para poder encará-la melhor, sorrindo.
— Que bom! O papai ia ficar chateado se ninguém fosse. — Sua face se iluminou ainda mais, fazendo-me suspirar.
Após tudo acertado, pegamos todos os nossos materiais e saímos da biblioteca. Continuamos caminhando juntos até a porta do colégio e, de lá, Alya e Nino tomaram sua direção, enquanto nós seguimos para a confeitaria dos Dupain-Cheng — que ficava basicamente na esquina da escola.
O pequeno sino tilintou quando Marinette empurrou a porta de entrada. Quem estava ali no balcão era Sabine, terminando de atender um cliente.
— Oi, filha! Seus amigos não vieram? — Ela perguntou, surpresa ao ver somente eu ao lado de Mari.
— A Alya e o Nino tinham um outro compromisso... Mas eu vou levar croissants pra eles amanhã! — Ela olhou em volta, como se procurasse algo. — E o papai? Onde foi?
— Ah, ele foi comprar ingredientes para uma encomenda. Mas os croissants estão na mesa da cozinha! Pode pegá-los lá.
— Obrigada, mãe. — Ela deu um beijo no rosto da senhora Cheng e, sem demoras, pegou-me pelo pulso, me guiando para sua casa aos fundos da confeitaria.
O máximo que tive tempo foi de acenar gentilmente para a senhora Cheng antes de perde-la de vista. Subimos para o apartamento deles e, sem demoras, Marinette pediu:
— Adrien, pode levar minhas bolsas lá pra cima enquanto eu pego a bandeja?
— Sem problemas. — Percebi que ela retirara uma das bolsas, aquela que sempre estava pendurada em seu ombro, com mais cuidado.
— Essa leve com carinho, sim? — Foi seu adendo com aquele sorriso sempre doce. Concordei com um aceno e subi para o seu quarto.
Sem demoras, ao chegar, coloquei todos os nossos pertences em cima de seu balcão, puxando logo uma de suas cadeiras para sentar-me. Comecei a observar o ambiente, lembrando-me quando, tempos atrás, suas paredes eram preenchidas com fotos minhas — todas recortes de várias revistas para as quais posei.
Hoje as fotos eram com nossos colegas — em especial Alya e Nino, uma vez que eles eram os mais próximos. E, obviamente, fotos nossas. O porta-retratos, que outrora também tinha uma foto minha, agora estava com nossa foto do último Natal.
— Sobre o que você está sonhando, gatinho? — Seu sussurro ao pé do meu ouvido causou um susto. Por um instante não pulei para fora da cadeira. Ela riu. — Te assustei, foi? — Seus dedos correram por meus fios naquela carícia que eu tanto amava.
— Eu mal consigo ouvir seus passos, Mari. Tem certeza de que eu sou o gato? — Brinquei, trazendo seus braços para mais próximos de mim. Marinette abraçou-me, beijando o topo da minha cabeça.
— Eu tenho. Afinal, é você quem ronrona quando recebe carinho. — Brincou, murmurando em meio aos meus fios de cabelo.
— Mas é claro! Sempre é bom ganhar carinho de você, my Lady. — Sussurrei, puxando-a para que caísse em meu colo. Abracei sua cintura, doce, fazendo seu corpo recostar-se ao meu. — E não é como se você também não miasse para os meus carinhos, purrincess.
— O quê? Eu não mio para os seus carinhos! — Reclamou, tentando desvencilhar-se de mim quando beijei seu rosto, sorrindo.
— Oh? E que som é esse? — Continuei beijando sua bochecha, adorando a forma como seu sorriso só aumentava. Comecei a tamborilar os dedos em sua cintura, para aumentar o tom da sua gargalhada.
— Esse é o som de uma joaninha muito feliz. — Ela encostara o nariz no meu, sorrateiramente pegando meu lábio superior, prendendo-o com o seu, o chupando lentamente.
— Pois eu quero ouvir mais disso... — Sem ficar para trás, capturei seu lábio também, imitando-a.
O que era somente uma leve provocação tornou-se um beijo. Era languido, calmo; os lábios, por vezes, mal se encostavam. Em outras, prendiam-se tão forte que até alguns ofegos escapavam por eles. Senti os braços dela passarem ao redor do meu pescoço, enquanto tomei a liberdade de pressionar um pouco mais os dedos em sua cintura.
O cheiro dos croissants inundava o ar. Eu mal podia distinguir se o cheiro era da bandeja que estava ao nosso lado ou se ele estava impregnado na pele dela; Marinette frequentemente cheirava aos mais diversos confeitos. Até o cheiro do seu shampoo era doce, extasiante. Eu ficava inebriado a cada nova fragrância que conseguia identificar em sua pele.
Nosso beijo foi tomando mais ritmo, mais ardor, conforme minha língua deslizou para dentro da sua boca. Ela tinha gosto de chocolate. Estava crente de que havia mordiscado alguma coisa antes de subir para o quarto. Sorri, adorando o sabor.
Ela escorregou o corpo para mais perto do meu, praticamente prensando seu peito contra mim. Minhas mãos foram escorregando por suas costas, carinhosas. Subiram e desceram, intensificando a carícia conforme nos perdíamos na boca um do outro.
— Hmm... — Ela murmurou, rompendo o contato de nossos lábios. Buscou um pouco de ar, piscando, aquelas íris azuis meio desnorteadas; amava vê-las daquela forma. — Eu acho que... Tem algo se mexendo na sua blusa.
Pisquei, erguendo as sobrancelhas. Foi quando a realização veio à minha mente e eu a afastei de mim.
Um vulto preto saiu quase desesperado de lá de dentro, batendo na tela do computador dela. Franzi o cenho, desgostoso.
— Meu Deus! Vocês queriam me matar, não é mesmo? Confessem de uma vez! — Plagg retrucara, sacudindo-se todo.
— Eu acho que não era essa a nossa intenção. — Marinette sorriu, cutucando o kwami. Ele virou o rosto, cruzando as pequenas patas, fazendo desfeita.
— Será que não era mesmo? Olhe para vocês! Ah, adolescentes e seus hormônios. — Ele revirou os olhos verdes. Percebi que Marinette corou diante da afirmação.
— Plagg, menos! Nós não estávamos fazendo nada. — Reclamei. Ele olhava-me com deboche.
— Oh, tudo bem. Vocês quem sabem. — Deu de ombros. — Todos esses amassos me fizeram ficar com fome. — Ele rodopiou, encostando o nariz com o de Mari. — Ei, você não teria queijo, teria?
— Hmm... — Ela colocou o dedo no queixo, uma expressão quase debochada de quem pensava sobre o assunto. — Talvez... Não sei... Será que você merece? Sua língua é tão afiada... — E, pela primeira vez em muito tempo, eu via Plagg quase desesperado. — Calma, Plagg, é brincadeira. Eu trouxe croissant de quatro queijos pra você.
— Oh, jura? Dê-me, vamos! — Ele erguera as patinhas, exigente.
Observei Mari esticar-se para pegar um dos salgados para o pequeno kwami. E, nesse momento, eu ouvi um “click”, como se uma bolsa se abrisse. Olhei de relance e pude ver grandes olhos azuis — tão azuis quanto os de Marinette — surgirem de dentro da pequena bolsinha que ela pedira para eu ter cuidado.
Tikki olhava curiosa, desejosa, para o croissant de Plagg. Era como se esperasse que tivesse algum para ela também.
Antes que eu pudesse mensurar em perguntar algo à Mari, ela mesma chamou a pequena kwami para próximo de si. A joaninha vermelha voou até que estivesse perto de nós.
— Tem de chocolate pra você, Tikki. — A morena disse, sorrindo largo. Eu percebi a faceta de Tikki transformar-se, radiante.
— Oba! Achei que eu ia ficar sem.
— Nunca que eu deixaria você sem. — Ela beijou o topo da enorme cabeça da kwami, oferecendo um dos salgados para ela também.
Em instantes o quarto que antes era praticamente silencioso encheu-se com o som dos bichinhos mordiscando seus lanches. Marinette sorriu, satisfeita.
— Acho que... Devemos comer também, não é? — Virou-se para mim e, deixando um beijo no canto da minha boca, levantou-se de meu colo. Foi com pesar que senti seu calor se afastar de mim.
Ficamos algumas horas entre assuntos diversos e mordidas em croissants. Eu nunca iria me cansar da comida que os Dupain-Cheng faziam. Eram tão mais saborosas do que a minha dieta sem graça.
Não sei precisar a que dado momento nós voltamos a nos beijar. Isso acontecia com frequência. Era algo que nunca nos cansaríamos de fazer, certamente.
Os lábios dela estavam com um gosto misto de massa folhada e morango — um dos últimos croissants que comera. Eu me deleitava com eles. Mordiscava-os, puxava-os, só para pressioná-los com mais força em seguida. Mari soltava alguns ofegos bem sutis entre cada carícia, os dedos perdendo-se nos meus fios de cabelo.
Foi dessa vez, contudo, que meus dedos — traíras de minha pessoa — foram subindo por sua cintura, trazendo consigo a barra da sua blusa. Ela rompeu o contato de forma abrupta. Sua pele, em meus dígitos, arrepiou-se de forma desnecessária.
— A-Adrien... — Pude ouvir claramente quando Marinette engoliu em seco. Senti meu coração chegar à garganta, começando a suar frio de nervosismo.
— Mari... Eu... — Afastei as mãos de seu corpo, tentando formular alguma explicação, qualquer uma. Mas não havia.
Era... Instintivo. Parecia que o momento pedia.
Eu... Não poderia ser tão descontrolado assim.
— Sa-sabe... — Ela começou, o rosto vermelho, as sardas saltadas. — Nós não... Falamos sobre isso ainda, mas... Hmm...
— É... Então...
— Eu sugiro — Plagg aparecera, sabe Deus de onde, para planar entre nós, trocando olhares entre um e outro. — Que vocês deixem para fazer isso em outra hora. Você ainda tem aula de piano e logo aquele seu motorista grandão vai estar aqui.
— Plagg! — Exasperei, sentindo o calor subir das bochechas para as minhas orelhas. — Você não precisa—
— Colocar dessa forma? Oh, vamos, por favor. Está mais do que claro que vocês querem transar. Mas agora não é momento para isso. — Ele falava isso com muita tranquilidade; tranquilidade essa que não estava em meus olhos e, pela forma como Marinette se encolheu, nem nos dela.
— Plagg... — Rangi os dentes e tentei pegá-lo em minhas mãos, mas o kwami escapara para um lugar que eu não fui capaz de ver.
Bufei ruidosamente, passando a mão sem cuidado pelos cabelos. Se eu precisasse de um amigo para alguma coisa, Plagg certamente não seria um deles.
Virei-me para Mari, hesitante. Ela ainda estava de cabeça baixa, o rosto estupidamente corado. Respirei bem fundo, encostando minha testa na sua.
— Desculpe por isso. O Plagg... Não tem muito senso com as coisas que fala.
— Hmm... — Foi a única coisa que ela vociferou.
Pude perceber, no entanto, que seus olhos buscavam os meus. Esperei até que ela escorregasse a testa sobre a minha, para poder encarar-me melhor. O ar faltou por um momento quando suas íris encontraram as minhas.
Eu sentia, dentro daqueles azuis, uma vontade que parecia se refletir em mim também; podia ver a curiosidade, o desejo e, também, a incerteza.
A forma como ela passou sutilmente a língua sobre os lábios, umedecendo-os. Como suas mãos apertaram firmemente o tecido da calça. Como sua respiração ficou ruidosa por um instante.
Ela queria. Ela queria tanto quanto eu.
Comecei a me aproximar lentamente, querendo beijá-la. Mas dessa vez eu queria mais do que só o beijo: eu queria o toque, o cheiro, o gosto...
— Adrien! O seu motorista chegou! — A senhora Cheng anunciou quando meus lábios estavam a milímetros da boca dela. O suspiro de desgosto era um uníssono entre nós.
— Desculpe... — Murmurei.
— Não há o que fazer. — Seus ombros abaixaram, desistentes.
Foi com certa revolta que recolhi minhas coisas — e, também, convenci Plagg a sair de onde se escondera — para poder seguir a minha aula de piano.
O olhar que troquei com Marinette, antes de sair de sua casa, foi cúmplice de um desejo reprimido.
E que não sabíamos se seria extravasado de alguma forma.
— — —
Nunca havia me sentindo tão frustrado com uma aula de piano na vida. E ela era uma das poucas que eu gostava de fazer.
Podia ouvir os ruídos do meu kwami mordiscando um pedaço de queijo, pois era o único som que invadia o quarto; não sabia exatamente onde ele estava. Eu só via a fronha do meu travesseiro e suspirava em revolta.
— Hoje você chegou bem perto. — Plagg pronunciou, sentando-se em meus cabelos. — Mas não daria tempo mesmo que vocês tivessem começado algo. Foi como eu havia dito.
— Quer o quê? Um pedaço de queijo a mais por isso? — Pela forma como ele moveu-se em minha cabeça, suspeitava que a resposta era positiva. — Plagg, eu... Não sei mais o que fazer. Eu me sinto inseguro.
— Normal...? — Virei-me, obrigando o kwami a começar a planar. Encarei-o como um pedido para que prosseguisse com o que dizia: — Quero dizer, olhe pra você. Olhe pra ela. Vocês são duas crianças. É natural que se sintam inseguros e desnorteados pra muitas coisas, não só sexo.
— Não somos tão crianças assim...
— Perto dos antigos “Chat Noir”, você é. Acredite em mim. — Fechei os olhos, relaxando o corpo. — E eu acho que a situação dos outros era diferente também. Toda a questão social, eu digo. Era mais fácil. Você sequer tinha amigos antes, como acha que vai ser chegar na menina que você gosta e—
— Ok, Plagg, menos. Não quero ouvir você falando de maneira esdrúxula.
— O importante é que você entenda meu ponto.
— Sim, eu entendi. — Senti o celular vibrar sob o travesseiro. Cacei-o, colocando à altura da minha vista. — Nino? — Ergui as sobrancelhas, estranhando.
Era um áudio. Não sabia exatamente se eu ouvia ou não; estava cansado e frustrado. Dependendo do assunto, tudo isso só tenderia a piorar.
Troquei olhares com Plagg, mas o kwami estava realmente mais interessado em seu queijo do que na minha dúvida. Por fim, apertei play. Era melhor do que deixá-lo no vácuo.
— Ei, cara, como foi lá com a Mari? Deu certo o que você queria? — As sobrancelhas ergueram-se mais, desentendidas.
— Como assim o que eu queria, Nino? A gente foi lá comer croissant! Que, por sinal, estavam maravilhosos. Vocês perderam. — Respondi. O novo áudio não tardou a chegar:
— Não, cara. Tô falando se você conseguiu transar com a Mari ou não. Você veio falar comigo hoje por que tava pensando em fazer, tô errado? — Senti meu rosto começar a arder e, sentando-me na cama com certa pressa, continuei respondendo-o:
— Na— Você entendeu errado, Nino. Quero dizer, eu quero fazer, mas eu não ia fazer hoje e... Espera, você armou tudo isso com a Alya de propósito? — Foi o meu questionamento.
Seria possível? Eu sabia que os dois estavam envolvidos em muitos dos encontros e desencontros entre eu e Marinette — afinal, eles sabiam da paixonite dela por mim há tempos. Mas chegar a esse ponto era...
Desagradável de certa forma.
Eu não queria que acontecesse dessa maneira, pelo menos.
— Não, não! Longe de mim isso. Era sério a história de ela almoçar aqui. A Alya tinha prometido pra minha mãe fazia umas duas semanas. Já tava enchendo o saco escutar cobrança. — Houve um corte no áudio; seguiu-se outro: — Eu só achei que, já que tava oportuno, ia rolar, sabe? Tipo a gente aqui. Aí fiquei curioso em saber como foi e tal.
— Oh... Eu entendo. Agradeço a compreensão, eu acho... Pera, você e a Alya fizeram o quê?
A mensagem seguinte não foi em áudio. Ergui ambas as sobrancelhas quando somente veio escrito um “deixa pra lá, depois te dou detalhes”. Revirei os olhos, sorrindo. Era por esses e outros motivos que eu considerava Nino como meu melhor amigo.
Estava começando a imergir em pensamentos quando batidas na porta me despertaram. Era Nathalie pedindo para que eu me deitasse. Suspirei e, indo buscar algumas roupas, fui tomar um banho para dormir.
Durante todo esse percurso entre o banheiro e a cama eu fiquei pensando se eu realmente iria conseguir fazer aquilo. E quando.
Os pensamentos rodaram tanto que eu adormeci sem me dar conta da conclusão.
— — —
A semana seguinte foi um verdadeiro inferno.
Nathalie resolveu marcar photoshoots a semana inteira. Nos mais diversos horários, com os mais diversos modelos de roupas. Isso sem contar as tantas aulas extras que eu fazia.
Estava simplesmente esgotado.
— Não quero nunca mais me mexer. — Choraminguei, sentindo os dedos finos e delicados acariciarem meu cabelo. Era tão bom, tão reconfortante. Ronronava em aprovação.
— Eu não vou reclamar. Só se minhas pernas começarem a doer. — Marinette comentou, rindo baixinho. Suspirei, sentindo cada músculo do corpo doer.
Era sábado e, depois de implorar, eu havia conseguido convencer a Nathalie a me deixar ficar um tempo na casa da Mari. E uma das primeiras coisas que eu fiz questão de fazer foi chorar por sua atenção, porque eu estava cansado de só a ver nas aulas.
A conclusão foi essa: eu atirado em sua cama, a cabeça em seu colo, seus dedos brincando sutilmente com as mechas do meu cabelo naquela carícia tão boa que eu chegava a ter vontade de dormir. E, por diversas vezes, eu realmente havia dormido assim.
Entre nós, mas eu amaria dormir assim todos os dias.
— Vai realmente tirar um cochilo, minou? — Ela sussurrou ao pé do meu ouvido. Ronronei mais forte, suspirando quando ela pressionou os dedos em meus cabelos.
— Não sei... Se você deixar... — Virei-me em seu colo, para poder encarar seu rosto. Seu sorriso era sutil, mas cruzava seu semblante. Ela estava tão perto que era possível eu contar suas sardas.
— Sério que eu preciso deixar? Você mesmo acabou de dizer que nunca mais quer se mexer. — Ela esfregou o nariz no meu, carinhosa e lentamente.
— Talvez eu... Abra uma exceção... — Murmurei, sorrateiramente escorregando para poder prender seu lábio superior entre os meus, chupando-o bem devagar, para sentir o gosto, a textura macia.
Mari suspirou mais pesado, afastando o rosto do meu, só para ter o prazer de fazer nossas bocas deslizarem para longe uma da outra. Porém, tão logo nosso beijo partiu, ela retornou com os lábios aos meus, fazendo exatamente a mesma coisa que eu havia feito nela um instante atrás.
Sorri, fazendo seu jogo. Soltei meus lábios do seu e repeti o processo. Ficamos minutos daquela forma: provocando, mordiscando, atiçando. Até que nos rendemos e cedemos passagem para brincarmos com as línguas.
Ela soltou um ofego com o novo contato, apertando levemente as unhas em meus cabelos. Levei as mãos ao seu rosto, acariciando-o, sentindo a textura de sua pele sob meus dedos.
Por um instante abrimos os olhos. E, ah, aqueles azuis. Aquelas íris azuis tão belas. Elas estavam tão...
Convidativas.
Rompi nosso contato, só para poder virar-me novamente, sentar-me em sua cama. Sutilmente, peguei seu rosto em minhas mãos. Marinette me olhava intensamente, esperançosa.
Aproximei novamente nossos rostos e iniciei um novo beijo. Ainda era calmo, os lábios deslizando, escorregando uns pelos outros, pequenos estalos surgindo vez ou outra. Deixei que minhas mãos corressem por seu semblante, seu pescoço, descendo por seus ombros, desenhando a volta de sua cintura para ali descansarem.
Suas mãos, por sua vez, correram pelos meus braços, acariciando meu peito, subindo pelos ombros para terminarem em meu pescoço, abraçando-o gentilmente.
Com um aperto mais firme em sua cintura, puxei-a para que sentasse em meu colo. Marinette ajeitou as pernas para que elas cruzassem ao redor de meu corpo. Colamos os peitos, as bocas — vez ou outra — se desencontrando, mas logo achando seu caminho de volta.
Quebramos definitivamente o contato dos lábios para buscar ar, como se ele fosse um privilégio que não tivéssemos. As respirações eram ruidosas, as íris encaravam-se com desdém, os rostos corados das bochechas às orelhas.
E agora eu definitivamente não tinha como esconder o que estava acontecendo no meio das minhas pernas. Pela expressão de Mari, ela provavelmente já tinha sentido.
— Então... — Eu comecei, a garganta seca, raspando conforme a saliva passava por ela.
— Falar menos... E agir mais? — Ela piscou. Era definitivamente uma pergunta em um tom inocente. Ponderei por um instante e anui.
Lento, voltei a encostar minha boca na dela em outro beijo, mais afoito do que aquele que a pouco trocávamos. Fui empurrando-a até que conseguisse deitá-la sobre o colchão, um pequeno balanço devido a pressão que colocamos sobre as molas.
Parei novamente, apoiando-me nos braços, encarando-a. Podia observar seu peito subir e descer, vagarosamente, o vermelho começando em seu pescoço e preenchendo seu rosto todo. Eu sentia que não estava tão diferente.
Fiquei alguns instantes observando-a até, finalmente, voltar a me encostar em seu corpo, a beijando. Pude sentir seus dedos virem secos aos meus fios, acariciando-os, bagunçando-os. Deixei que minhas mãos buscassem a barra da sua blusa, entrando por ela sorrateiramente, sentindo a pele.
Pude perceber a forma como ela se arrepiou sob meu toque. Era leve, eu mal pressionava os dígitos em sua barriga, mas era o suficiente para fazê-la ficar desconcertada. Continuei trilhando o caminho pelos lados de seu corpo, até encontrar a barra de seu sutiã; o seu ofego foi mais fundo, morrendo em minha boca.
— Mari... — Murmurei, os lábios roçando nos seus. Outro ofego saiu deles quando seus ouvidos captaram o meu tom de voz.
Fui descendo o beijo por seu rosto, seu pescoço, até a pele exposta pela gola da sua roupa. Simultaneamente, com o os braços, fui trazendo sua blusa para cima, deixando à mostra sua barriga; não me enrolei e desci com os lábios até lá, para beijar aquela parte intocada.
Pude sentir seus dedos puxarem minha camisa para cima conforme eu descia. Sem demoras, deixei que ela a retirasse por completo. A peça foi parar no andar de baixo, atirada pela própria Marinette.
— Hmm... — Ela piscou, encarando meu tórax, o olhar voraz. — O tempo como Chat Noir fez bem pra você pelo jeito.
— Cahém. — Pigarrei, mordendo o lábio, sem graça. — Digo o mesmo para você, my Lady.
Ela riu. Não me deixei distrair pelo seu belo sorriso e voltei ao que faria inicialmente: encostar os lábios em sua barriga. Permiti que eles roçassem com uma leveza que era quase imperceptível o seu toque. A pele sob mim arrepiou-se intensamente, pelo contato e respiração tão próxima.
Fui trilhando por seus músculos, deixando leves chupadas, sem marcá-la. Apesar de, internamente, eu querer fazer isso; mas não era o momento. Subi até encontrar-me novamente com sua blusa. Afastei-me de seu corpo, segurando a peça de roupa.
Pausei, olhando Marinette nos olhos. Pela sua respiração, eu sabia que ela estava nervosa. Envergonhada. Eu também me sentia dessa forma, mas eu não sabia mensurar o quanto isso intervia nela, por isso busquei por aprovação.
Ela anuiu lentamente e, sem demoras, puxei a peça de roupa para cima, retirando-a, dando o mesmo destino que a minha: o chão do quarto no andar de baixo.
Deixei meus olhos crescerem quando percebi a sua lingerie rendada. Branca. Não chegava a ser transparente, mas acomodava muito bem seus seios, salientando a curvatura deles. Mordi o lábio, suspirando em deleite.
— Branco? — Perguntei, fitando-a com um olhar felino.
— E-eu não preciso usar só vermelho! — Murmurou, desviando o olhar do meu. Sorri, aproximando o rosto do seu, roçando o nariz por sua bochecha.
— Você fica linda de branco. Eu diria até... Ousada. — Sussurrei, arrancando um ofego de seus lábios.
Chupei seu rosto e fui descendo, beijando, sugando cada pedaço de pele que aparecia no caminho da minha boca. Pescoço, ombros; fui empurrando a alça de seu sutiã com o dedo, fazendo-a deslizar até parar em seu braço, sem retirá-la. Permaneci um tempo ali, na curva entre seu ombro e seu pescoço, sentindo-a contorcer-se pelos arrepios que causava.
Repeti o mesmo movimento do outro lado, seus ofegos cada vez mais frequentes, deixando um sorriso bailando pelos meus lábios. Levei os dedos à sua cintura, subindo-os pelas laterais de seu corpo, deixando-os escorregarem às suas costas, para achar o feche que prendia sua lingerie. Sem demoras, seus dígitos grudaram-se às minhas costas, ansiando pelo que viria.
O click que o feche fizera ao soltar-se encheu o quarto e eu pude senti-la tremer levemente sob meus dedos. Voltei com a boca à curva de seu pescoço, beijando-a ali conforme retirava sua peça de roupa, fazendo-a sumir dos lençóis.
Mas o que me surpreendeu realmente foram os dedos de Marinette, fortes, em meus cabelos, pressionando meu rosto onde estava. Nossos peitos se colaram e foi a minha vez de ofegar, o contato de seus seios com o meu tórax livre fazendo um arrepio correr minha espinha.
— Né... Adrien... — Ela estava relutante. — Me dê uns segundos. Sério.
— O que... Aconteceu?
— Eu estou com muita vergonha agora. — E só nesse instante eu pude reparar o quão vermelhos estavam os seus ombros, o que me fez perceber algumas sardas bem sutis ali. Sorri, adorando a nova informação.
Pude sentir seus músculos — antes contraídos — relaxarem pouco a pouco, o aperto em minhas mechas suavizando. Contudo, eu ainda não podia mexer-me.
— Hey, Bugboo, fique tranquila. — Sussurrei ao pé do seu ouvido. — Eu não vou falar nada, se esse é o seu medo. Confie em mim.
Ela pareceu compreender, pois suas mãos saíram de meus cabelos. Lentamente, fui me afastando, apoiando-me nos braços para poder observar seu corpo, agora totalmente exposto — ao menos, a parte superior.
Tive de morder o lábio com mais força quando coloquei meus olhos sobre ela. Seus seios não eram grandes, porém ajustavam-se perfeitamente a sua silhueta. Eram redondos, levemente assimétricos, em especial os mamilos. O tom rosa deles chamava bastante atenção.
Percebi que ela estava com os olhos fechados, evitando encarar meu olhar. Engoli em seco; queria tocá-la, mas não faria isso sem uma aprovação — mesmo que visual.
— Mari. — Ela pareceu assustar-se. — Eu... Vou te tocar. Está bem? — Ela foi abrindo os olhos lentamente, como se a curiosidade a chamasse para isso.
Em uma cópia do seu ritmo, eu aproximei minhas mãos, resvalando os dedos por seus seios, mal conseguindo sentir sua textura de tão leve que era o toque. Ela olhava intensamente o que eu fazia e, por não perceber desaprovação em suas íris, deixei que minha mão tomasse conta de toda a volta, enchendo-a com seu peito. Ela suspirou bem fundo, como se o contato fosse agradável.
Lentamente, conforme acariciava um deles, fui aproximando o lábio do outro, roçando-o ali, beijando sutilmente. Os suspiros eram mais frequentes, seu corpo remexendo-se. Fui subindo os lábios, até estar a centímetros de um de seus mamilos e, ainda sem perder o ritmo, deixei que minha língua encostasse nele, circulando-o, marcando com saliva.
Aquela foi a primeira vez que ela gemeu.
Senti meu corpo todo se arrepiar só com aquilo.
Experimentei sugá-lo de leve e o gemido dessa vez fora mais acentuado. Optei, por fim, em manter uma variante dos dois, ora lambendo-o, ora chupando-o. Os gemidos dela intercalavam com ofegos, suas mãos indo aos meus cabelos, agarrar-se a eles. Acariciava seu outro seio, apertando-o, deixando que um gemido escapasse dos meus lábios pela realização do desejo.
E eu nunca havia imaginado, até aquele momento, que uma calça jeans poderia incomodar tanto. Ela estava conseguindo apertar tudo o que eu tinha.
— A-drien... — Meu nome saiu languido dos lábios de Marinette, o que me fez conter um ofego. Abandonei seu seio para poder encará-la nos olhos. — Vem cá...
Hipnotizado por seu olhar, tudo o que pude perceber foi o toque de seus dedos em meu rosto, trazendo-me para mais um beijo — demorado, sensual. Então veio o susto quando senti suas mãos agarrarem com força a minha calça, buscando velozmente o feche do meu cinto.
Eu sentia que a Ladybug estava começando a aparecer na Marinette no momento em que ela soltou e, com um único puxão, arrancou o cinto das calças, atirando-o até que caísse para o andar de baixo, um som agudo enchendo o ar quando o metal bateu no chão.
— Já chega de você usando isso aqui... — Ela murmurou em meus lábios, desabotoando e descendo o zíper da minha calça. Gemi, amando a forma como ela beijou meu rosto. — Eu também quero me divertir, sr. Agreste.
— É mesmo, purrincess? — Ironizei levemente, adorando a forma como ela foi me empurrando sutilmente para sentar-me na cama, ajudando a retirar as calças que tanto me incomodavam.
Ela foi descendo os lábios por meu pescoço, uma das mãos passando por meu ombro, marcando levemente com a unha. Senti que ela roçou o peito sobre o meu, fazendo força para que eu caísse na cama.
Passei os braços por sua cintura e deixei-me ser guiado por ela, gemendo bem baixo conforme seus lábios exploravam meu pescoço, meu tórax, a língua definindo os músculos. Aproveitei e, lentamente, fui descendo os shorts de moletom dela, até dar a ele o mesmo destino do meu jeans: em algum lugar fora daqueles lençóis.
Gemi mais acentuado quando ela, sorrateiramente, capturou um dos meus mamilos em seus lábios. Ela sugou-o, passando a língua por ele em seguida, provocando da mesma forma que eu fizera consigo antes.
— Mari... — Mordi o lábio, sentindo ela traçar o caminho de volta a eles com beijos, deitando seu corpo por cima do meu. Deixei minhas mãos correrem até sua cintura, alcançando sua bunda, fazendo a volta com meus dígitos. — Mari...
— Oh, mon minou. — Ela gemeu em um tom tão sensual que me fez tremer. Separou mais as pernas, encaixando a cintura com a minha, apoiando os braços em meu peito para poder me observar.
E, ah, como suas íris estavam bonitas, refletindo aquele sorriso que dançava por sua boca, atravessando o rosto.
— Mari... — Uma das minhas mãos foi deslizando pelos lados do seu corpo até chegar ao seu rosto, acariciando-o. Deixei que os dígitos chegassem até os elásticos que prendiam seu cabelo, soltando-o. — Marinette... — Gemi uma vez mais, levantando-me, fazendo seu corpo acompanhar meu movimento, conforme ia beijar seu rosto com ternura, acariciar seus cabelos.
— Isso é um fetiche seu? Me ver de cabelo solto... — Ela murmurou, sedutora. Anui, tragando a fragrância de seus fios, perdendo-me nela.
— Sempre. Eu amo o seu cabelo, o cheiro dele. — Fui, lentamente, invertendo nossas posições, até fazê-la deitar-se embaixo de mim uma vez mais. — Você inteira é extasiante.
— Olha quem fala, Chaton. — Ela estava fazendo de propósito. Eu sentia. Eu via. Seu olhar, seu sorriso, a forma como suas unhas estavam desenhando minhas costas.
— Você vai ser a minha morte, my Lady. — Murmurei, tirando uma gargalhada dela. Voltei com os lábios aos seus seios, beijando-os, fazendo uma trilha para a sua barriga.
Continuei trilhando, beijando com carinho seu umbigo e descendo até a barra da sua calcinha; era de renda branca, assim como o sutiã. Perguntei-me se ela havia combinado propositalmente.
Fosse isso ou não, eu estava delirando de qualquer jeito.
Desviei dali, descendo para suas pernas, aproveitando para beijá-las e acariciá-las. Os suspiros de Marinette estavam ficando mais pesados, seu corpo remexendo-se sutilmente. Desci com a boca até quase o seu joelho, retornando para as suas coxas, gentilmente separando-as.
Fitei com um olhar felino sua peça íntima. Pela cor clara do tecido, era possível ver claramente a mancha deixada por sua excitação. Levei um dos dígitos até ali, acariciando-a, sem colocar pressão. A pele sob meus lábios arrepiou-se violentamente, um gemido — contido — deixando os lábios da dona.
— Descobri algo que você quer...? — Comentei, atiçando-a. Marinette não me respondeu; somente resmungou.
Levei a boca novamente à sua barriga, subindo os beijos por ela, enquanto, delicado, continuava a acariciar sua intimidade, ainda por cima da peça de roupa. Percebia, pelo tom de sua voz e pela forma como seu corpo reagia, que ela estava começando a perder o controle. Sorri sobre a sua pele, satisfeito.
Chegando ao seu pescoço, comecei a beijá-lo e mordiscá-lo, enquanto empurrava sua peça intima para o lado, para poder tocá-la diretamente. O gemido que escapou de sua boca foi agudo, suas unhas fincando-se ao meu ombro, quando meus dedos acariciaram sua vulva por inteira.
— Nossa, Mari... Você está toda molhada. — Murmurei, mordiscando sua orelha. Ela arrepiou-se uma vez mais, o vermelho voltando ao seu rosto.
— A-Adrien... — Seu tom era de protesto. Continuei beijando seu rosto, aguardando que continuasse: — Se-Seu Chat... Está aparecendo.
— E isso te incomoda, purrincess? — Provoquei-a uma vez mais. Marinette negou com um aceno. — Bom...
Voltei a massagear sua intimidade, sem colocar pressão nos dedos. Ouvia seus gemidos ficarem descompassados em meu ouvido, conforme alternava entre dois ou três dedos, esfregando-a por fora e por dentro dos pequenos lábios.
Ela remexera as pernas pelos estímulos que eu fazia. Separei-me de seu corpo por um momento, para poder finalmente deslizar sua última peça de roupa para fora do corpo, deixando-a se perder no quarto.
— Finalmente toda exposta pra mim... — Sorri felino. O rubor no rosto dela era constante, mas suas íris não pareciam intimidadas, ainda que suas pernas estivessem fechadas.
Apoiei as mãos em seus joelhos e, carinhosamente, afastei-os, para que pudesse me encaixar ali. Percebi que Mari ajeitava-se apoiadas nos cotovelos, curiosa sobre o que eu faria. Beijei seu ventre, mordiscando-o, resvalando os dentes, só para ouvi-la ofegar.
— Ansiosa pelo que eu farei? — Brinquei, percebendo que ela anuiu, mordendo o lábio.
Continuei descendo por seu ventre, sentindo que ela afastara mais as pernas para me acomodar ali. Ela estava realmente desejosa por aquilo. E eu, ansioso.
Parei com a boca a centímetros de sua intimidade. Acariciei-a com os dedos novamente, separando os grandes lábios, só para percebê-la ainda mais molhada do que antes, o tom meio rosa, meio vermelho chamando minha atenção.
“Ok, Adrien. Respire fundo e vá com calma agora...” engoli em seco, umedecendo os lábios. Eu acho que aquele era um dos momentos chaves de tudo aquilo. Eu precisava ir devagar.
Experimentei tocar suavemente com os lábios nela, como num pequeno beijo. Marinette engoliu um gemido, dobrando os joelhos. Ainda de forma lenta, deixei que minha língua corresse por toda a extensão da sua vulva, provando do gosto dela.
Assustei-me quando, num impulso muito forte, ela fechou as pernas em mim. Afastei meu rosto, usando das mãos para separar suas pernas.
— Tudo bem, Mari? — Ela anuiu, os olhos meio desnorteados, a respiração mais descompassada.
— Si-sim... É só que... — Ela parecia tentar digerir a sensação. Suspirei em alívio.
— Eu vou fazer de novo, está bem? — Ela concordou, parecendo realmente constrangida por sua reação. — Não precisa se preocupar com nada. E, se quiser que eu pare, fale.
Acenou positivamente, consciente da situação. Voltei a posicionar-me, afastando suas pernas e, sem demoras dessa vez, voltei com a boca à sua intimidade, fazendo o mesmo movimento de antes.
Seu gemido foi acentuado. Continuei com a carícia, lento, testando as sensações que isso causavam nela. Fui vasculhando, às vezes lambendo os pequenos lábios, às vezes subindo mais para a parte superior, caçando seu clitóris.
E, ah, o gemido que ela deu quando eu o encontrei fez meu corpo doer de excitação.
— A-Adrien! — Ela praticamente chorou quando eu a suguei bem de leve, levando os dedos aos meus cabelos, forçando meu rosto para mais perto de si.
Percebi que Marinette atirou a cabeça para trás, desistindo de me observar, somente rendendo-se às carícias que eu fazia. A dado momento, entre grunhidos, gemidos e choramingos, ela tentando desesperadamente fazer com que eu chegasse mais perto da sua intimidade — mais do que eu já estava — percebi que ela estava começando a sair da cama.
— Calma lá, purrincess. Não adianta fugir das minhas patas não. — Brinquei, afastando-me dela, puxando-a mais para o meio da cama pela cintura.
Sua respiração era sôfrega, seus olhos, desnorteados, tentavam trazê-la de volta a realidade — que ela parecia ter perdido fazia algum tempo. Sorri de canto, estupidamente satisfeito. Talvez não tivesse ido tão mal assim, afinal.
Inclinei meu corpo sobre o dela, beijando a curva de seu pescoço. Mari voltou com os dedos aos meus cabelos, bagunçando-os, passando as unhas por eles. Deixei que uma de minhas mãos voltasse à sua intimidade, acariciando-a e, lentamente, tentando penetrar um dedo em sua entrada.
Choramingou baixinho enquanto eu buscava passagem. Ela estava absurdamente molhada, o que facilitava uma boa parte do serviço. Pude sentir suas paredes se fecharem ao redor do meu dígito, resultado da sua excitação.
Comecei a imaginar como seria essa sensação quando fosse eu dentro dela de fato, não meu dedo.
Lentamente, deixei que meu dígito escorregasse para fora dela, voltando a acariciar sua intimidade, ainda beijando e mordiscando seu pescoço. Foi quando eu senti suas mãos firmes em meus ombros e, com um movimento mais forte, nós invertemos de posição.
Marinette sentou-se sobre a minha barriga, olhando-me com um sorriso maroto, suas íris banhadas com a empolgação de uma ideia que provavelmente cruzara sua mente. Engoli em seco, nervoso.
Aquela era a típica expressão que ela tinha quando estava de Ladybug.
Eu estava perdido.
— Dois podem jogar esse jogo, Sr. Agreste. — Ela começou a deitar-se sobre mim, mordendo meu queixo, descendo os lábios por meu pescoço, meu peito.
E eu não sabia por em palavras o que eu estava sentindo; era um misto de medo, ansiedade e curiosidade. Tudo isso culminou em um gemido estupidamente alto quando senti os dedos dela abraçarem minha ereção, ainda por cima da boxer.
— Esquecemos do seu amiguinho aqui. Ele está clamando por atenção. — Brincou, conforme descia os lábios, lambendo minha pelve, descendo minha boxer. Mandou-a para o mesmo lugar que eu havia mandado a sua calcinha.
Imaginava que o quarto abaixo de nós estava uma bagunça de peças. Nem conseguia imaginar onde exatamente cada uma delas estava.
— Agora é você quem está todo exposto pra mim. E não tem como se esconder. — Ela cantarolou, vitoriosa. Minhas bochechas estavam ardendo a essa altura.
Sem delongas, ela voltou a abraçar minha ereção com os dedos, fazendo um leve movimento, para cima e para baixo, experimentando a textura da minha pele, a minha reação.
Gemi, apertando os olhos, tentando compassar a respiração. Eu não sei quando comecei a sonhar com aquilo, mas vê-lo realizar-se era quase incontrolável.
E, naquele momento, eu precisava de muito autocontrole.
— Você é circuncidado! Que bonitinho. — Ela comentou conforme ajeitava-se melhor no meio das minhas pernas.
— Mari! — Protestei, sentindo as orelhas arderem agora. Ela riu.
— Vingança. — Piscou, travessa. Encostou os dedos na cabeça da minha ereção, fazendo um movimento circular, arrancando um gemido acentuado dos meus lábios. — Que sensível.
— Ma-Marinette! — Grunhi, jogando a cabeça para trás quando sua outra mão acomodou perfeitamente minhas bolas entre os dedos, massageando-as. — Vo-você...
— Huh? — Seu olhar travesso não harmonizava com suas atitudes, principalmente quando uma delas era lamber minha ereção de ponta a ponta, vagarosamente. — Eu...? Por um acaso não quer que...?
— Na-não é isso! — Ela continuava massageando minhas bolas em suas mãos, beijando sutilmente minha ereção, pressionando de leve a cabeça com um dos dígitos. — É que... Você...
Finquei os dentes nos lábios quando senti que ela colocou minha cabeça na boca, sugando leve, para sentir o gosto, provavelmente. Um arrepio forte correu por todo o meu corpo quando sua língua roçou ali, travessa.
— Mari—! Você vai me matar. — Choraminguei, sentindo-a afastar a boca do meu corpo, um suspiro doloroso deixando meus lábios pela falta dela ali.
— Vou nada. Você não me matou com isso! — Senti que ela afastou mais as minhas pernas com as mãos, ajeitando-se melhor na posição que estava. Ia aproximar a boca da minha excitação novamente, quando o cabelo entrou na frente, impedindo-a de enxergar o que faria. — Cahém. — Fora seu pigarro.
— Tá... Entendi. — Murmurei, amortecido pela visão e pela sensação que a pouco tivera. Levei meus dígitos aos seus cabelos, pegando-os todos em minha mão e segurando-os em um rabo, para que não a atrapalhassem mais.
Sem demoras, Marinette voltou com a boca à cabeça da minha ereção, sugando com um pouco mais de intensidade agora, fazendo minha pelve queimar de excitação. Aproveitou a deixa e fez com que escorregasse toda a extensão para dentro de sua boca, começando a me chupar realmente, com leves movimentos de vai e vem que se intensificavam gradativamente.
Senti suas unhas arranhando o interior de uma das minhas coxas, a outra segurando a base da minha excitação para sustentá-la em sua boca. E ainda que ela, por vezes, sugasse muito forte ou relasse os dentes, era um toque tão bom, tão preciso que eu realmente achava que iria morrer.
A sensação chegava a ser irreal. A determinado ponto, puxei seus cabelos, forçando-a se afastar de mim, sua boca abandonando minha ereção com um estalo que fez meu corpo todo se arrepiar.
— Você não gostou de verdade? — Foi a sua pergunta, enquanto endireitava-se na cama, meus dedos saindo de seus cabelos, para chegarem aos meus enquanto eu os colocava para trás.
— Não... Foi... Urgh, eu não tenho autocontrole. — Confessei, apesar da vergonha. Se ela continuasse daquele jeito eu iria gozar sem dúvidas e isso não seria bom.
— Uff! Sério? — Ela sorriu. — Mon minou é tão descontrolado assim? — Provocou, beijando minha bochecha, rumando aos meus lábios.
— Eu disse que você seria a minha morte, Bugboo. — Recepcionei seus lábios com um beijo carinhoso, levando as mãos aos seus ombros, enquanto desenhava seu corpo no processo. Ela fechou os olhos, adorando a carícia.
Lentamente, fui empurrando-a para que se deitasse na cama, a cabeça encostada gentilmente no travesseiro. Abandonei seus lábios para beijar seu rosto, descendo pelo pescoço e ombros. Meus dígitos, sem demoras, buscaram sua intimidade, para acariciá-la ali uma vez mais.
Seu gemido foi delicioso ao sentir meu toque novamente. Mais ainda foi a minha empolgação ao perceber que ela estava ensopada. Fui mordiscando sua clavícula, descendo até alcançar um de seus seios e beijá-lo, sem deixar de tocá-la mais abaixo.
— A-Adrien, você...? — Senti que a pergunta morrera em seu gemido conforme experimentei penetrar um dedo nela. Continuava apertado, apesar da excitação. — A-Adrien, a cami– — Outra vez, a frase morta, dessa vez em um ofego.
— Eu tenho. Está na.. — Pisquei e, segundos depois, enfiei a testa em seu peito, bufando frustrado. Ela pareceu assustar-se. — Está na minha bolsa lá embaixo!
Agora eu entendia perfeitamente o que Nino queria dizer com frustração aquela vez.
Estava para começar a me mexer e ir buscar o preservativo na bolsa, quando a voz de Marinette cortou o ar, fazendo com que eu me surpreendesse:
— Está aonde? Na carteira? — Demorei um instante para processar a pergunta, enquanto ela me encarava, parecendo impaciente. Anui quando finalmente consegui processar. — Tikki!
Gelei à menção do nome da kwami. Um flash vermelho saiu de um canto e parou praticamente ao nosso lado, os olhos azuis já grandes tornando-se ainda maiores quando percebera a situação.
— Ai, Marinette! Eu não precisava ver isso! — Ela virou-se, provavelmente envergonhada. Eu sequer tive tempo de sentir algo; o calor do momento era tanto que eu estava neutralizado.
— Desculpe, mas pode pegar a carteira do Adrien na bolsa dele? Por favor! — Senti os dedos de Mari em meus cabelos, aproximando-me mais de seu peito, quase em um abraço.
A kwami soltou um murmúrio de afirmação e eu só consegui ouvir as coisas serem reviradas no andar de baixo, antes de sentir algo duro acertar minhas costas e o flash vermelho desaparecer em um canto do cômodo.
— Eu acho que... Assim serve, não? — Mari questionou, ao pegar minha carteira e vasculhar lá dentro pelo que precisávamos. Não tardou a achar e, com o preservativo em mãos, me encarou. — Err... Você sabe...?
— Dou um jeito. — Ela parecia bastante insegura.
— A-Adrien, você nem pense em—
— Claro que não! — Tomei o pacote de suas mãos, enquanto a observava atirar minha carteira para junto das roupas. O som dela batendo contra o piso fora levemente irritante. — Pode confiar em mim, Mari. Eu não vou deixar passar nada, se é que me entende. — Percebi seu rosto corar fortemente, ela desviando o olhar de mim.
Com cuidado, abri o pacote do preservativo. Apesar de ser o primeiro que tocava, eu sabia o que tinha de fazer. Eu não era burro. Devagar, coloquei-o, certificando-me que estava tudo certo. Em momento algum senti os olhos de Marinette sobre mim.
Quando voltei meu rosto para ela, percebi que Mari ainda estava olhando para outro ponto, o vermelho cruzando seu rosto de orelha a orelha; seus azuis brilhavam um misto de sentimentos.
— Está insegura, Bugboo? — Aproximei o rosto do dela, beijando sua bochecha. Ela anuiu bem lentamente, respirando fundo. — Não precisa ficar.
Ela me fitou fundo, buscando em meus olhos a sensação de segurança que eu transmitia pela voz. Sorri quando percebi o brilho que suas íris ganhavam pela empolgação, a curiosidade, deixando o medo e a insegurança de lado.
Beijei-a ternamente, enquanto levava meus dedos à sua intimidade uma vez mais, acariciando-a, fazendo sua dona gemer em minha boca, abraçando meu pescoço. Certifiquei-me de que ela estava bem molhada e, devagar, fui me desvencilhando de seus braços.
Fiquei de joelhos à sua frente, separando mais suas pernas. Percebi que Mari — por instinto — levara ambas as mãos aos lençóis; eu respirei bem fundo, separando seus grandes lábios com uma mão e, lentamente, guiando minha excitação para dentro da sua entrada.
“Calma, Adrien. Muita calma nessa hora. ”, lembrei-me e, calmo, comecei a me empurrar para dentro dela. E um aperto enorme começou a me envolver conforme eu pedia passagem.
Era estupidamente mais forte do que aquele que envolvera meu dedo minutos atrás.
Continuei me forçando, devagar, mas parecia não querer vencer.
A pressão foi tanta que escapou.
O suspiro de Mari foi cortante e ela parecia respirar descompassado. Fitei-a, percebendo que ela agarrou os lençóis com força, só pela cor dos nós de seus dedos.
— Tudo bem, Mari? — Perguntei. Ela anuiu, mas eu não sentia segurança nessa afirmação. — Eu vou tentar de novo, tá?
— Si-sim. — Ela vociferou. Não me aguentei e voltei a beijá-la; eu a amava demais.
Com o toque, posicionei-me novamente em sua entrada e, quando senti seus braços ao redor do meu pescoço, voltei a tentar penetrá-la, lento, vagaroso. Porém a pressão que ela fazia em mim agora era maior do que a anterior.
Eu poderia jurar que ela estava se fechando no sentido literal.
E, uma segunda vez, escapou, tirando um ofego sôfrego de ambos os lábios.
— Saco. — Murmurei. Marinette fincou os dedos nas minhas costas e isso estava me deixando preocupado.
— Tenta de novo, Minou. — Sua voz era suave. Eu sentia que ela queria, mas algo estava fazendo com que hesitasse.
— Tem certeza? — Ela anuiu uma vez mais. — Ok... Dobre as pernas então. — Afastei-me de seu corpo, percebendo que ela atendera ao pedido.
Pela terceira vez, posicionei-me em sua entrada. Ela observava, curiosa, as íris brilhando naquele misto de sensações que eu não sabia descrever. Comecei a me empurrar para dentro dela.
E, pela terceira vez, havia escapado. Porém dessa vez não fora pelo aperto no canal dela, mas sim pelo susto que levamos com a voz de Sabine tão próxima à porta do quarto:
— Adrien, seu motorista chegou! Você tem aula de chinês hoje.
Nem percebi quando havia me deitado sobre o corpo de Marinette, tampouco quando suas unhas haviam se fincado tão fortemente à pele das minhas costas.
Mas a única coisa que passava pela minha cabeça naquele momento era um “não” enorme, ecoando por todas as paredes que ali haviam.
— Não! Droga. — Deixei a cabeça cair sobre o travesseiro junto a dela. — Que caralho. — Senti um tapa doído no ombro e resmunguei.
— Cuidado com o palavreado! — Mari repreendeu-me. Senti que ela aliviara os dígitos na minha pele. Fitei-a de esgueira, só para percebe-la tão frustrada quanto eu.
— Perdão... — Murmurei, decepcionado.
— Não tem o que fazer. — Foi sua resposta, conforme ela se desvencilhava de mim e, devagar, saía da cama.
Permiti-me enterrar a face em seu travesseiro, gemendo desgostoso. Ela deveria estar muito frustrada com a situação, afinal, essa seria uma segunda vez que nossos planos eram interrompidos — e em um momento muito delicado, diga-se de passagem.
Virei levemente o rosto, observando-a se vestir no andar de baixo. Marinette parou um instante enquanto prendia o sutiã novamente, encarando-me com aquele seu par de olhos azuis.
Ah, como eles estavam desejosos.
Sem mais resistir, me levantei, descendo até onde ela estava. Abracei-a gentilmente por trás, trazendo seu corpo para encostar-se ao meu, roçar pele com pele — ou o que ainda estava exposto. Deixei meu nariz morrer em seus cabelos, tragando a fragrância suave que eles tinham; gemi por entre seus fios.
— Adrien, seu motorista está aí. — Ela advertiu-me. Apertei ainda mais seu corpo em meus braços, como se quisesse afastar de mim a ideia de que teria de soltá-la uma hora. — Adrien! — Seu tom foi mais insistente dessa vez e Marinette virou o corpo para me encarar.
No instante em que nossos olhos se cruzaram, foi impossível mantermos os lábios distantes. O beijo que trocamos fora um misto de afobação, carinho e necessidade. Apertamos mais os corpos, esquecendo-nos de que pouco tempo antes eles estavam em constante contato.
— Adrien, pelo amor de Deus, vá jogar fora essa camisinha. — Mari rompeu o beijo para me advertir outra vez. Grunhi, desgostoso.
— Calma, eu sei. Não é como se eu fosse me acalmar tão cedo. — Foi a minha resposta, enquanto retirava o preservativo, dava um nó e o tacava em um lixo ali próximo.
— Não faça desse jeito! Seja mais cuidadoso.
— Mari, se ainda tivesse alguma coisa lá, eu seria. Mas não tem e você sabe disso. — Ela fez um muxoxo para a minha afirmação, voltando a buscar suas peças de roupa. Olhei em volta, procurando pela minha boxer. — Você viu minha cueca, por um acaso?
— Hmm... Aquela voando ali? — Ergui as sobrancelhas, perguntando-me que tipo de piada era aquela. Mas a indignação foi maior quando eu percebi que ela realmente estava voando.
E eu sabia bem o porquê.
— Primeiro foi querer me sufocar no meio de vocês, agora isso? — A voz dele era inconfundível. Puxei a peça de roupa com tudo, vendo um vulto preto rodar no ar, os olhos verdes desnorteados quando parou. — Sério, Adrien, você abusa demais da minha paciência!
— Muito engraçado, Plagg. — Ironizei enquanto vestia a boxer. Podia ouvir a risada abafada de Mari logo atrás de mim.
— Eu estou falando muito sério! Sua cueca tem um cheiro horrível! — O kwami fizera uma expressão de desgosto.
— Ela é mais limpa e cheira mil vezes melhor que seu queijo! — Protestei, terminando de subir e prender o jeans que havia encontrado. Tão logo terminara, Mari já havia achado meu cinto.
— Meu queijo é melhor que sua cueca. Ou suas meias. É, certamente, suas meias são piores. — Comecei a ignorá-lo enquanto colocava minha blusa. Parei um momento para observar Marinette somente com a blusa e a calcinha, buscando pelo shorts perdido.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Por que eu tinha de ter aulas de chinês mesmo?
Estávamos praticamente prontos, com exceção dos cabelos que precisariam de um bom trato — e, óbvio, de uns e outros amassos nas roupas. Mas por hora era o suficiente para não nos enxerem de perguntas.
Deixei que Plagg entrasse na minha bolsa, depois que a pendurei nos ombros. Marinette já havia aberto a porta, esperando para que eu fosse na frente.
Descemos calmamente as escadas e, assim que chegamos à sua cozinha, Sabine nos recebera com um sorriso caloroso.
— Desculpe causar tanto incomodo a vocês sempre. — Comentei. Ela negou em um aceno, compreensiva.
— E eu sempre direi que você não é um incômodo, Adrien. — Ela me ofereceu um abraço. Aceitei-o de bom grado. — Espero que aproveite sua aula hoje. Mas peça para sua secretária liberar sua agenda inteira alguma hora. Vai ficar sem poder comer o bolo que eu estava fazendo.
Agora isso era outro grande desperdício.
— Pode deixar, senhora Cheng. Eu prometo conversar com ela sobre isso.
Estava prestes a sair, quando a porta se abriu e Tom apareceu — naquele seu bom humor corriqueiro.
— Já está indo? Mas eu mal cheguei! — Ele questionou, surpreso. Anui, pesaroso. — Poxa! Que chato. Ia trazer uns salgados para vocês da confeitaria... Tudo bem, outra hora eu peço para a Marinette levá-los pra você. — Ele olhou para a filha, sorrindo amoroso. — Ué, está com o cabelo solto, que milagre!
— Ah! — Era um uníssono nosso. Havíamos esquecido daquele pequeno detalhe. Ela desconversou: — Eu ia arrumá-lo, pai, mas o Adrien tem de sair e eu acabei deixando como estava.
— Hmm, mas você fica bem assim. Deveria deixá-lo mais vezes solto! Acho que o Adrien concorda, não é mesmo?
— Pai! — Tom sorriu, satisfeito.
Terminei de despedir-me dos Dupain-Cheng e, quando eu já estava para ir à escada, senti os dedos de Mari na minha blusa. Trocamos olhares e, em suas íris, eu percebi que ela pedia por algo.
Brevemente observei seus pais um pouco atrás, voltando a fitá-la. E, sem nem muito pensar, voltei um pouco, colocando minhas mãos em seu rosto e depositando um beijo carinhoso em seus lábios.
A parte mais dolorosa foi senti-los escorregarem para longe dos meus, a sensação e a textura impregnada na minha boca.
Com um aceno, nos despedimos definitivamente. Desci rapidamente as escadas, saindo pela lateral da loja. Entrei no carro com um bater forte da porta, deixando a mochila jogada no banco.
— Eu tenho um favor a te pedir. — Comecei para Gorilla, aproximando-me de seu banco, o olhar incisivo. — E isso tem que ficar só entre nós. Tudo bem?
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