Some awkward First Times

5 From her point of view - Parte 2


Notas iniciais
Era para eu ter atualizado ontem, mas com algumas complicações de saúde mais o anúncio da possível "arma" que a Queen Bee vai usar... Já viram, né? Deixei para hoje mesmo. Espero que aproveitem! ♥

Nós precisamos conversar”

Essa foi a mensagem que eu havia mandado para Alya no início da noite. Ela respondeu quase que prontamente:

“Aconteceu algo? Prefere que seja pessoalmente?”

“Pessoalmente, sim. Pode ser amanhã? Eu te dou os detalhes na hora.”

“Sem problema. Amanhã às 11h na frente da sua casa, pode ser?”

“Pode! Vamos para o parque daí.”

“Fechado!”

Depois de tudo combinado, troquei as roupas de cama, larguei o celular por lá e comecei a procurar algo para fazer. Fuçando em meu armário, achei algumas roupas velhas que precisavam de reparos.

Sem nem pensar duas vezes, peguei-as, separando linhas e agulhas para poder trabalhar.

Eu estava em um misto de deleite e frustração por tudo o que havia acontecido. A absorção de tudo era bem lenta e minha mente estava cansada.

Um pouco de trabalho manual faria bem.

— Você está bem mesmo, Marinette? — Tikki perguntou, preocupada.

— Eu... — Comecei, ajeitando o dedal. — Estou bem fisicamente. É só que... eu queria ter ficado menos nervosa. Eu queria que tudo tivesse dado certo.

— Mas deu tudo certo!

— Tikki, ele não entrou!

— Eu acho que essas coisas acontecem, Marinette. Vocês dois não tem experiência. Não é? — Ela queria me consolar. Fiz um muxoxo.

Eu entendia aquilo perfeitamente. E estava certa de que não fora um erro de nenhuma das duas partes. Só que era inevitável eu me sentir frustrada até certa altura.

Comecei a costurar e deixei que a conversa morresse. Não seria nada proveitoso nem para mim, muito menos para Tikki ficar remoendo aquilo.

Foi quando eu me lembrei da vergonha que havia feito ela passar. Arregalei os olhos.

— Tikki! — Chamei-a. Ela prontamente veio até mim, pousando em meu ombro. — Me desculpe pelo favor que eu pedi. Na hora eu... não iria aguentar o Adrien se afastar de mim. Por isso recorri à você.

— Hmm-hmm. — Ela negou com um aceno. — Tudo bem, Marinette. Se eu disser que foi a primeira vez que passei por algo assim seria mentira.

— Eu vou fazer um bolo de chocolate para você amanhã. O que acha? — Percebi os olhinhos azuis brilharem de empolgação com o vislumbre da ideia.

— Eu vou adorar! E eu quero ajudar! — Sorri para sua empolgação.

— Vai ajudar sim, pode ter certeza. — Fiz um carinho na sua cabeça com o indicador e, logo, voltei para a minha costura.

Não vi as horas passarem conforme eu arrumava minhas roupas. Eram coisas simples, mas bastavam para me distrair. Pude ouvir bem ao longe uma melodia tocar, mas não dei atenção.

Também podia jurar que Tikki estava dizendo algo, mas eu não estava dando importância. Até ela se dirigir diretamente a mim:

— Marinette! Telefone pra você!

— Quem é, Tikki? — Perguntei e só então me toquei que ela havia atendido ao telefone. Isso significava que...

— O Adrien! — No mesmo instante eu enfiei a agulha no dedo e, pela dor, me joguei pra trás na cadeira, puxando a roupa do apoio e levando ao chão todos os materiais que estava usando para fazer o reparo. O barulho foi estrondoso. — Marinette, cuidado! Machucou o dedo? — Tikki alertou, preocupada.

Murmurei um “estou bem” para ela conforme largava tudo onde estava e corria para buscar o telefone em cima da cama. Se Adrien havia me ligado, algum motivo deveria ter.

Independentemente de qual fosse, eu só queria ouvir a sua voz.

Nem havia percebido quanta falta eu estava dele até então.

— Adrien! — Ele sorriu quando eu apareci no vídeo, os olhos verdes naquele brilho que eu amava. — Desculpa, eu estava arrumando uma peça de roupa velha minha.

Você se machucou? A Tikki comentou. — Seu semblante expressava preocupação, bem como sua voz. Neguei com um aceno.

— Não! Só uma agulhada. Já estou acostumada.

Marinette! — Seu tom era indignado. Sorri. — Tenha mais zelo, por favor. — Sua voz soou com pesar, fazendo o riso se alargar ainda mais em meu rosto.

— Eu terei, Minou.

­— A propósito... Como você está se sentido? — Pisquei, não entendendo a pergunta de primeira. Ele complementou: — Sobre... tudo... — Percebi o rubor que tomou conta de seu rosto e só então a compreensão veio a mim. Corei no mesmo instante. — Quero dizer, você sabe, né? Doeu um pouco, não?

— Eu estou bem. Obrigada por perguntar. — Respondi sem graça. Era fato que eu fiquei levemente dolorida logo depois, mas a sensação se esvaiu conforme a tarde foi passando. Agora eu não sentia nada.

Mesmo?

— Uhum. Mesmo.

Eu fico mais tranquilo assim. — Eu ri pelo seu semblante. Ele era muito preocupado. — Mari... Eu vou ter a semana cheia de novo. Provavelmente só vamos nos encontrar no colégio. Eu... sinto muito por isso.

— Ah... tudo bem, Adrien. Eu também tenho algumas coisas... — Ponderei. Havia marcado de encontrar com a Alya amanhã e, independentemente da minha conversa com ela, eu queria... vasculhar algumas coisas sobre tudo o que eu havia passado. Aprender mais. Essa semana talvez fosse o tempo necessário para isso. — A gente aproveita os intervalos, pode ser?

Bom... sim. — Ele parecia chateado. Isso me entristecia. — Mas eu prometo que assim que eu conseguir, eu dou um jeito de ir aí! — Sorri, satisfeita por ver o brilho de volta em seu olhar. — Eu vou deitar agora, certo Bugboo? E, por favor, cuidado com as agulhas.

— Quem você acha que é a Designer de moda aqui? — Questionei, falsamente ofendida. — Coisas do ofício, Chaton. Acostume-se com meus dedos furados. — Ele riu da forma como eu me orgulhava desse feito. — Agora tenha uma boa noite, sim? E não se preocupe.

Pode deixar, Mari. — Percebi a intensidade de seu olhar através da tela e, então, suas palavras vieram, tão fortes quanto: — Eu te amo.

— Eu também te amo, mon petit minou. — Sorri o mais largo que eu consegui, derretendo-me com a expressão que ele fez para mim ao ouvir as palavras. — Tchauzinho.

Tchau...

A ligação encerrou-se e eu suspirei, ficando sentada na cama. Tikki voltou ao meu ombro, esperando que eu pronunciasse algo. Ainda demorei uns instantes antes de finalmente me manifestar:

— Essa semana será de pesquisas. Eu... quero aprender mais.

— Acho uma boa iniciativa.

— Será que eu... consigo surpreendê-lo? — Questionei. Tikki sorriu levemente maldosa.

— Acho que você consegue fazer o gato comer a língua dele. — Gargalhei com a visão da situação.

— É... Vou colocar isso como objetivo então.

— — —

— Tudo bem. — Alya começou, ajeitando-se melhor no banco do parque. — Pode começar a falar.

Engoli em seco. Para um domingo o parque estava bem vazio. Ainda assim, não podia dizer que ia ser fácil abordar o assunto.

Ontem à noite parecia tão simples.

— Bom... — Não a encarava diretamente. Deixei que meus dedos remexessem sobre minha calça, uma forma de tentar acalmar meus ânimos. — Ontem o Adrien passou a tarde em casa.

— Hm, sim. Ele parecia realmente empenhado em fazer isso, já que a semana dele foi estressante. Ou isso ou ele iria pra casa do Nino jogar videogame. — Percebi que Alya cruzou os braços, começando a mexer a perna, impaciente. — Qual a novidade nisso, Mari?

— Então... Ele parecia bem cansado no começo e tudo o mais, só que... — Engoli a saliva, disposta a colocar as cartas na mesa de uma vez: — Nós nos empolgamos e... rolou... — Murmurei.

— Pera... para. Freio! — A pior decisão que eu havia tomado foi encarar Alya. Os olhos castanhos pareciam querer saltar para fora do rosto, além das lentes dos óculos. — Quer dizer que...?

— Nós transamos.

Eu achava que era a única que conseguia produzir sons agudos irreconhecíveis. Mas Alya provou-me o contrário naquele momento.

— Não acredito amiga! Me conta tudo, T–U–D–O–!

— Tá, tá, calma! Eu vou te contar, mas fale baixo, por favor! — Fiz um gesto para que ela se acalmasse. Alya respirou fundo, tentando retomar a compostura.

— Ok, vamos direto ao ponto que eu mais quero saber. — Ela ajeitou os óculos que caíram um pouco do rosto e prosseguiu: — Ele caiu de boca em você?!

— Pera– OI?! — Senti meu rosto esquentar e os cabelos saírem do lugar.

Por favor, me diga que ela não quis dizer—

— Eu perguntei se ele te chupou, Mari.

Ela quis.

— ... Sim. — Encolhi-me toda, o rosto novamente naquela cor de tomate. Com o Adrien ontem parecia irrelevante, mas corar assim na frente da Alya era insuportável.

— Ai, eu não acredito! Tá e qual foi a sensação de ter o Sr. Modelo Teen no meio das suas pernas? Vai amiga, me conta!

— ALYA! — Protestei. Eu deveria ter me preparado melhor mentalmente. Fitei no fundo das íris castanhas, percebendo que ela estava mais empolgada por mim do que por outra coisa. Respirei fundo e: — Foi a melhor sensação do mundo. Minhas pernas ficaram bambas de tão bom que foi.

— YAY! Ponto pro Sr. Agreste!

— Ma–mas... — Percebi a expressão de Alya mudar conforme ela virava para me encarar. — Não foi pra... isso que eu te chamei. Na verdade, eu precisava te perguntar algo.

— Sou toda ouvidos, minha querida.

— Na– — Engasguei. Pigarreei para que a saliva voltasse. — Na hora que ele foi me penetrar... não entrou. Isso é... normal?

Como assim não entrou Marinette?!

Shh!! Mais baixo! — Sacodi as mãos para que ela diminuísse o tom de voz. Ela praticamente havia berrado.

— Tá, desculpa. Mas como não entrou, Marinette?! — Ela estava genuinamente indignada. — Qual o tamanho dele?

— O QUÊ?! — Foi a minha vez de produzir um som agudo e irreconhecível. — Como eu vou saber isso, Alya? Acha que eu estava com um paquímetro pra medir a circunferência do pau dele?! — Pisquei, percebendo que Alya piscara também. Senti meus cabelos saírem do lugar e o rosto corar da base do pescoço até a testa. — O que eu acabei de falar?!

— Você tá pegando o jeito da coisa, amiga! — Alya riu, divertindo-se. Grunhi, encolhendo-me de novo. Isso era influência dela! — Usa a mão como referência. Você fechou ela ao redor dele, não? É só tentar imitar como foi.

— E no quê isso é relevante, posso saber?

— Muita coisa. Anda, vai!

— Hmm... — Ponderei, tentando fechar a mão mais ou menos como havia fechado em volta da ereção do Adrien. — Assim? Não. — Torci a expressão e abri mais um pouco os dedos. Eu lembro perfeitamente que não conseguia de fato fechar a mão em volta dele, então... — Desse jeito. É, desse jeito.

— Grossinho. Tá explicado porque não entrou fácil.

— A–L–Y–A–! — Agora eu deveria estar parecendo um morango maduro. Meu rosto queimava de vergonha. — Não é pra você ficar falando do pau do meu namorado!

— Ah, qual é! Eu falo sobre o do Nino pra você, se quiser. Agora eu posso. — Ela não tinha nem um pingo de ressentimento na voz. — E, para a sua informação, eles tem mais ou menos a mesma grossura. Por isso mesmo que eu perguntei.

— E o que saber isso te ajuda e me ajuda?!

— Bom... — Ela colocou a mão no queixo. — Você acha que faltou algo na preliminar de vocês?

— ... Não. Para ser sincera... — Respirei fundo. — Eu nunca me senti tão excitada na vida.

— Você ficou nervosa?

— Muito. — Baixei os ombros. — Digo– Até antes da penetração estava tudo maravilhoso, mas... quando eu pensei que ele ia... — Gesticulei para ela. Alya riu, mas não me obrigou a vociferar o que era aquilo; aliás, ela pareceu entender perfeitamente. — Eu não sei. Eu fiquei insegura.

— Ele foi devagar?

— Uhum.

— Ok, então não deve ter doído tanto. Quero dizer... — Ela torceu a expressão. — Deve ter doído, mas poderia ter sido pior. Você sangrou?

— Huh? — Pisquei. — Não. Só... ardeu um pouco depois. Mas não sangrei.

— Tá... espero que você saiba que isso ainda pode acontecer, ok? Não é nada absurdo. A quantidade varia, porque cada uma tem uma irrigação diferente naquela região. E dependendo da quantidade de vasos que rompem... Mas isso para logo.

— Ok, eu não tinha pensado nisso ainda.

— Mari. — Alya pegou minhas mãos. — Não fica chateada. Isso acontece. O Nino não entrou fácil em mim também, mesmo eu estando relaxada. A gente foi com calma e conseguiu.

— Talvez se minha mãe não– — Senti Alya agarrar meus ombros com força e arregalei os olhos, assustada.

— SUA MÃE PEGOU VOCÊS?!

— NÃO! — O suspiro de Alya foi o alívio mais genuíno que eu vi. — Ela só veio até próximo da porta avisar que o Adrien tinha aula de chinês. E isso foi um balde de água fria.

— Oh, wow. E você está frustrada por isso?

— Estaria mentido se dissesse que não. — Remexi os ombros para relaxar. — Quando ele foi embora... eu ainda queria mais, sabe? Queria ficar mais com ele, tocar mais ele. Só que agora ele vai ter outra semana cheia e só Deus sabe quando vamos nos ver.

— Calma amiga. — A mão de Alya fez um carinho gostoso no meu rosto. — Tudo vai dar certo. Tenha calma, sim? — Sorri para ela, sendo retribuída. — Agora, já que é domingo de manhã, o que acha de tomarmos um café e eu te contar algumas coisas que eu e o Nino fizemos...?

— A-Alya–! — Corei, mas ponderei por um momento. Aquilo poderia ser útil de alguma maneira. — Ok! Eu... quero ter algumas ideias.

— Ah, pode apostar que eu vou te dar algumas ideias. — Rimos e nos levantamos, encaixando os braços enquanto caminhávamos para um café ali perto, cochichando coisas que outras pessoas não deveriam ouvir.

— — —

— Marinette?! — Assustei-me com a voz da kwami tão próxima de mim, derrubando um dos fones do ouvido e até mesmo o celular no meio das cobertas. — Você está vendo pornô?!

— Tikki! — Chiei, encolhendo-me. Cacei o aparelho na cama e apertei pausa no vídeo, sentindo a garganta seca, o rosto quente. — É... eu estava. Referências, sabe?

— E... te ajudou em algo? Porque a sua cara...

— Não. — Suspirei. — Na verdade, afora a conversa com a Alya, nada tem me ajudado essa semana. — Murmurei.

Era quarta-feira e, como eu havia imaginado, eu mal conseguia ver o Adrien no colégio. Os photoshoots dele estavam extremamente exigentes e ele parecia mais cansado do que na semana passada.

Eu conversei muito com a Alya no domingo e ela me dera uma boa inspiração. Mas eu pensava que só aquilo não bastava. Eu queria mais; eu queria fazer algo que fosse bom para ele quando nós tentássemos de novo.

Isso é, se nós tentássemos.

Contudo as coisas que eu procurava ou olhava só me serviam para desanimar do que motivar.

— Bom, pelo menos a pesquisa normal te deu algum resultado?

— Além de descobrir o que o termo “garganta-profunda” significa, não. ­— Torci a face, desgostosa.

— E o que significa? — Tikki piscou, realmente interessada. Encarei-a com olhos arregalados, a boca abrindo e fechando, mas nenhum som saindo por ela. — Marinette você está da minha cor de novo.

— É–É melhor você não saber. — Tropecei as palavras, começando a apagar o histórico do celular e arrancar os fones. — De toda forma, já está tarde. Eu deveria estar na cama porque amanhã tem muita matéria pra estudar.

— Eu diria que é um bom plano. — A kwami riu baixinho. — Eu vou aproveitar mais dos doces que você me deixou lá embaixo, está bem?

— Uhum... Pode apagar a luz pra mim, Tikki? Eu vou deitar agora.

— Claro! Boa noite, Marinette!

— Noite, Tikki.

Eu mal tive tempo de me ajeitar e a luz já havia se apagado. Tratei logo de entrar debaixo das cobertas, sendo embalada em um sono tentador pelos pequenos sons que Tikki produzia ao comer os doces que havia deixado.

...

— Hey, Marinette. — A voz dele era macia, rouca, tentadora. Eu sentia seus lábios quentes sobre a minha pele, a língua passeando por ela.

­— A–Adrien?! — Seus dedos pousaram sobre meus lábios pedindo silêncio, sutilmente. Seus olhos eram de um verde brilhante, doce, amável; seu sorriso, contudo, era o mais puro pecado.

— Só sinta, Bugboo. Só sinta. — Era um pedido conforme seus lábios beijavam meu rosto, descendo por ele ao meu pescoço, chupando com carinho, vontade.

Eu estava hipnotizada. Suas mãos acariciavam os lados do meu corpo, sua boca descendo aos meus seios sem cerimônias. Beijavam com louvor, chupavam com ardor. Eu via as leves marcas que seus lábios deixavam sobre a minha pele.

Seus dedos apertavam minha coxa, subindo por ela em uma carícia sensual. Sem demoras, eles encontraram a minha intimidade, tocando com sutileza. O carinho logo tomou intensidade, fazendo gemidos saírem sem pudor pelos meus lábios.

— Ah, minha Mari, como você está molhada. — Sua voz murmurava, o rosto em meu umbigo. — Você me quer, não quer? Lá embaixo, no meio das suas pernas.

— Adrien! — Corei com o comentário, mas era inegável a sua afirmação. Percebi o sorriso de Cheshire passar por seu rosto conforme ele beijava meu ventre, rumando ao meio das minhas pernas.

Eu assistia atentamente o seu caminho; observava a forma como suas mãos afastavam minhas pernas e como seus lábios encostavam na minha intimidade, sua língua encontrando minha pele para fazer um arrepio correr toda a minha espinha.

Abri-me mais, agarrando as cobertas. Era tão boa a sensação dele me acariciando ali. Remexia os quadris, tentando aproximar-me mais de seu rosto.

Se ele continuasse, eu iria...

— Ah, Mari, Mari... — Sua voz pingava paixão, pingava tesão. Ele começou a subir beijos pelo meu corpo, até os lábios encontrarem os meus. — Eu vou entrar em você agora, está bem? — Anui, anestesiada, ansiosa.

Os verdes de seus olhos eram tão tentadores, sua boca tão convidativa. Seu corpo contra o meu era quente; era a sensação do aconchego. Eu sentia ele se posicionando, suas mãos acariciando meu rosto...

E então...

Abri os olhos lentamente, piscando várias vezes e remexendo-me por entre as cobertas, enrolando-as ainda mais em meu corpo. Grunhi contra o travesseiro, encolhendo-me.

Tentei buscar pelo celular para ver o horário: duas da manhã. Outro som incompreensível saiu dos meus lábios.

— Um... sonho...

Um sonho muito bom e muito real para ser ignorado. Eu praticamente podia sentir o cheiro da pele do Adrien junto à minha, o calor da sua pele, a sensação.

Olhei ao redor, tentando verificar onde Tikki estava. Nem um sinal dela.

— Tikki? Tikki! — Murmurei, certificando-me de que a kwami não estava escondida em alguma das minhas almofadas. Com certa dificuldade devido as cobertas enroladas, sentei-me na cama, olhando para baixo do quarto.

Pude percebê-la no meu balcão, dormindo no prato onde antes havia doces. Agora só restavam migalhas — e um ser ancestral em coma hiperglicêmico.

Suspirei, começando a ponderar. O meio das minhas pernas estava quente. Ousava dizer que ele até ardia em ansiedade para ser tocado. Minha calcinha estava uma lástima — para dizer o mínimo.

Fazia um bom tempo que eu não me tocava. Alya insistia em dizer, e ela ressalvou isso no domingo, que essa atitude era muito bom para a relação em si.

Mas entre tantas obrigações como Ladybug, estudante, representante, etc., eu não arranjava vontade para pensar nisso.

Até aquele momento.

— Talvez eu devesse deitar e dormir. Amanhã eu...

Marinette.

A voz de Adrien veio aos meus ouvidos. O sonho era palpável demais.

— Talvez só...

Marinette.

Respirei fundo, jogando-me contra o travesseiro. Um... toque aqui e outro ali não faria mal a ninguém, não era mesmo?

Não quando tudo era tão real. Quando o hálito quente dele batia contra a minha bochecha, quando suas mãos acariciavam meus seios, o calor do seu corpo passava ao meu.

Subi os dedos de uma das mãos por dentro da minha blusa, acariciando meus mamilos com as pontas dos dedos. Devagar.

Você é tão bonita, my Lady.

Deixei que a outra mão corresse pela minha barriga, entrando pelo shorts folgado do pijama, passando por cima da minha calcinha. O contato da ponta dos dedos sobre o algodão era bom.

Tão molhada...

Esfreguei os dedos sobre a minha vulva devagar, sentindo a peça de roupa se colar a ela, deixando tudo úmido, quente. Devagar, comecei a puxar a peça para o lado, acariciando meus pequenos lábios, passando os dedos por entre eles.

Você quer que eu te chupe, Mari?

— Adrien! — Murmurei seu nome, mordendo o lábio e, sem enrolações, comecei a esfregar meu clitóris. Movimentos leves, circulares.

Eram lentos e, no início, era só um leve arrepio que corria por toda a minha intimidade. O calor foi aumentando conforme os movimentos tomavam ritmo, velocidade, expandindo a sensação de prazer para o meu ventre, minhas pernas.

Imaginava — não, lembrava de Adrien no meio das minhas pernas. A forma como sua língua, macia, esfregava-se contra mim. A forma como seus cabelos tocavam meu ventre, uma sensação suave e aveludada se espalhando pela minha virilha.

Os sons que sua boca produzia ao me chupar inundavam meus ouvidos. O cheiro do seu perfume de madeira e menta dominava meu olfato. O toque da minha mão era irreal — lembrava dos dedos dele em minha perna; separei-as mais em uma alusão a um de seus movimentos.

Você quer que eu entre em você, Bugboo?

— Quero. — Outro murmúrio, os movimentos mais precisos, mais rápidos. Meu ventre queimava, minhas pernas formigavam em antecipação.

Nesse caso...

— Ah, Adrien! — Gemi seu nome, muito, muito próxima de um orgasmo. Intensifiquei mais um pouco os movimentos, sentindo as pernas dobrarem-se.

Ah, Marinette!

Lembrar de seu gemido foi tudo o que eu precisei para, enfim, gozar, o prazer se expandindo por todo o meu ventre, pela minha virilha, minhas pernas. Gemi agudo, mordendo o lábio para mantê-lo baixo.

Agarrei as cobertas com os dedos dos pés, apertando-as. Fui acalmando-me lentamente, sentindo o mundo voltar para o lugar, como se eu tivesse descido das nuvens. O corpo estava mole e um sono pesado começou a me procurar.

Fui tirando a mão de dentro do meu short, observando a forma como os dedos colavam-se devido à minha lubrificação. Torci a face. Precisava me limpar urgentemente.

— Se... eu for com essa mesma empolgação quando estiver com o Adrien...? — Ponderei. Talvez fosse isso que estivesse faltando.

Um pouco mais de coragem. Mais liberdade.

Ele não se importaria, não é mesmo?

Antes de perder-me muito fundo em pensamentos, tratei de levantar da cama — com cuidado para não sujar nada com a minha mão... interditada.

Limpei-me no banheiro sem fazer muitos alardes, deixando a calcinha suja por lá mesmo e vestindo outra. De manhã trataria dela.

De manhã eu trataria de muitas coisas. Inclusive de me certificar de que Tikki estava mesmo em coma hiperglicêmico — senão eu teria de dar algumas explicações bem ingratas a ela.

Só tinha certeza de uma coisa: na próxima vez que eu estivesse com o Adrien, faria rolar algo.

Espero que ele tenha o mesmo clima que eu no momento.

— — —

De todas as coisas que eu imaginei que poderiam acontecer até o fim de semana, nenhuma delas incluía o Adrien passando a tarde na minha casa.

Tampouco incluíam nós transando na minha espreguiçadeira.

Espreguiçadeira essa que, no presente momento, tinha uma mancha de sangue que eu não gostaria de estar encarando.

— Vai Alya, atende, pelo amor de Deus... — Murmurei, sentindo Tikki planar de um lado para outro atrás de mim, observando a situação.

— Eu nunca imaginei que um simples ritual de acasalamento entre humanos poderia resultar... nisso. — A kwami comentou. Grunhi, um som não muito bonito.

Confesso que quando ele — finalmente — havia conseguido entrar em mim, uma boa parte da dor que me incomodava havia se dissipado. Só havia permanecido aquela sensação de... preenchimento — com todo o perdão e redundância que a palavra carrega.

Alya já havia me alertado que poderia sangrar. Era normal. E, confesso, foi bem menos do que eu imaginei que seria. Mas certamente eu não esperava que o sangue fosse absorvido pelo estofado da espreguiçadeira.

Aí morava todo o problema.

Principalmente com a mancha seca!

Alô, Mari? — Alya finalmente atendeu.

— Onde você estava?! Eu preciso da sua ajuda urgente!

Eu estou com o Nino pelo P.C., por quê? É tão urgente assim? — Sua voz demonstrava seu leve incômodo. Eu certamente me arrependeria mais tarde por estar interrompendo um momento dela com o Nino, mas no instante presente, não sabia mais a quem recorrer.

— Eu e o Adrien transamos hoje de tarde– — Mantive meu tom baixo para que mamãe não escutasse. — E, conforme você me avisou, sangrou.

Oh, ok. E qual a emergência nisso? — Ela soava irônica. Grunhi de novo, respondendo:

— Calma! Eu ia chegar lá. A gente transou na minha espreguiçadeira e–

VOCÊS O QUÊ?!

— Alya pelo amor de Deus, calma!

Tá, tá. Continua!

— Então... a espreguiçadeira manchou. E eu não sei o que fazer– me ajuda, por favor! — Choraminguei, desesperada.

Oh... WOW, ok. Em cinco minutos eu vou estar aí, gata. Nem pisca! — A ligação se encerrou antes que eu pudesse sonhar em retrucar algo.

Baixei o celular, respirando fundo. Senti Tikki sentar em meus cabelos, acariciando-os de maneira consoladora. Levei minha mão até ela, acariciando sua cabeça com a ponta dos dedos, retribuindo o carinho.

— Tudo vai dar certo, Marinette. Espere só.

— Eu sei Tikki... Tudo sempre dá certo de uma forma ou de outra, não é?

— É claro. Porque você é a Senhora Sorte. — A kwami sorriu baixinho, colocando as pequenas mãos na frente da boca para abafar mais ainda o som.

— “Senhora Sorte”... Quase... — Fitei a mancha na espreguiçadeira, fazendo um muxoxo.

Talvez não sorte para tudo, afinal.

Marinette, a Alya está aqui na porta! — Ouvi minha mãe gritando e me surpreendi. Ela não estava brincando quando disse que chegaria em cinco minutos.

— Relaxa, Sra. Cheng! Ela já sabe sobre o que é. Posso subir?

— Claro querida, sinta-se em casa!

Mal tive tempo de murmurar para Tikki se esconder quando o alçapão — que era a porta do meu quarto — se abriu em um estrondo e a cabeça ruiva de Alya surgiu por ali, os olhos arregalados e a respiração descompassada.

— Amiga do céu. — Foi sua constatação ao entrar, fechando o alçapão com mais cuidado dessa vez. — Como você é doida. Eu deixaria pra foder na espreguiçadeira quando ele tivesse entrado pelo menos uma vez.

— Alya, não peça muitos detalhes. Simplesmente aconteceu. — Murmurei, ficando vermelha. Ela jogou a mochila no chão à minha frente, sentando-se ali de pernas cruzadas.

— Eu imagino. Mas foi bom pelo menos? Finalizaram dessa vez?

— Não... O Adrien ficou preocupado demais quando viu o sangue. E eu quase tive um troço quando vi a mancha no estofado... — Produzi novamente um som inumano, encolhendo-me no ombro de Alya. Ela deu leves tapinhas nas minhas costas.

— Ai, ai. Assim fica difícil, nerdossaura. — Belisquei seu ombro, fazendo-a rir. — O quê? Você parece demais uma nerdossaura com esses seus grunhidos estranhos.

— Você veio me ajudar ou zombar da minha cara?

— Te ajudar, claro! — Ela olhou para a mancha no estofado e torceu a expressão. — Ou tentar. Não garanto que vai ficar como novo, mas boa parte eu sei que sai... Me arranja um pano ou uma toalha. E um pote com água também.

Prontamente fui aprontar o que ela havia me pedido. Quando voltei, Alya já tinha em mãos detergente e escova de dentes. Ergui as sobrancelhas, estranhando.

— Pra que isso?

— Você é designer de modas e não sabe?

— Eu nunca tirei mancha de sangue de tecido, Alya! — Levantei os braços em uma posição defensiva.

— Você nunca sujou a calcinha de menstruação não?

— Não. — A indignação na face dela era a parte mais divertida de tudo aquilo.

— De toda forma: isso vai servir pra limpar essa mancha. Vamos, mexa-se com isso.

Devagar ela colocou detergente no pote, misturando-o bem. Pegou o pano, umedeceu-o na solução e começou a passar no estofado com a mancha. Com a escova de dentes, esfregou-a em círculos suaves, cautelosa.

Observava com extrema atenção. Não ofereci ajuda por medo de acabar piorando a situação — apesar de ter habilidades para lidar com tecido em geral. Alya repetiu o processo algumas vezes, o que demandou uns trinta minutos no total.

Quando se sentiu satisfeita, pediu para que eu pegasse um pano limpo. Sem demoras eu o trouxe, oferecendo-me para enxugar. Quando olhei o local da mancha, não passava de um ponto escuro, facilmente confundido com uma mancha de água.

— Quando secar vai ficar como novo. — Ela fez um sinal de positivo com a mão.

— Obrigada! — Joguei-me contra ela, fazendo nós duas cairmos no chão. — Eu te amo muito.

— Eu sei. Eu sou praticamente sua amante, pode confessar. — Nós rimos, deliciadas com a situação.

Alya, sua mãe precisa ir embora! Ela pediu para que eu te avisasse. — Era a voz da minha mãe perto da porta do quarto.

— Você veio com a sua mãe? — Era a minha indagação.

— Acha que eu cheguei tão rápido como? De carona no yo-yo da Ladybug? — Ri da sua ironia. Ela cutucou meu nariz. — Eu disse que tinha esquecido um livro aqui. Me empresa algum seu e segunda eu te devolvo.

— Ah, pode deixar. — Levantei-me do chão e, sem enrolar, peguei um livro qualquer e entreguei a ela. — Serve esse, certo?

— Perfeito

Alya, vamos logo! Suas irmãs precisam dormir! — Era a voz da Sra. Césaire, levemente alterada.

— Tô indo mãe! — Ela levantou-se do chão, terminando de guardar todas as coisas e descendo. Fui no seu encalço.

— Por que demoraram tanto? — Era a pergunta da Sra. Césaire, as mãos na cintura e uma expressão de não muitos amigos.

— Ah, mãe! Conversa de melhor amiga. Você sabe, não sabe? — Ela sorriu para Alya, passando a mão pelos cabelos.

— Certo, certo. Mas poderiam deixar isso pra depois, não é? — Alya deu um sorriso amarelo, mas sua mãe pareceu entender. — Obrigada pela hospitalidade, Sabine. E desculpe incomodá-la esse horário.

— Imagine! Voltem quando quiser.

Despedimo-nos logo devido ao horário apertado. Relaxei os ombros assim que a porta foi fechada e, devagar, voltei ao meu quarto. Tikki não tardou em aparecer de onde estava escondida.

— Ela fez um bom trabalho. — Foi sua constatação.

— Realmente... Se não fosse por ela, eu acho que estaria em belos apuros. Deus sabe o que eu diria para a minha mãe. — Analisei bem o local da mancha; ficou imperceptível. Sorri, feliz. — A Alya realmente tem uma mão muito boa pra essas coisas.

— Concordo. Uma mancha daquelas não sai com tanta facilidade. — Pisquei. Aquela voz não era de Tikki. Isso significava... — Apesar que, até onde eu me lembre, sua menstruação já passou, não foi Marinette?

— MÃE?! — Virei-me abruptamente para encará-la, mas no processo eu tropecei nos meus próprios pés, caindo para trás. Como se não bastasse isso, eu caí errado em cima da espreguiçadeira e, pelo impulso, acabei tombando para o outro lado dela, batendo com as costas no chão. — Au.

— Marinette! Machucou, filha? — Minha mãe, sem demoras, ajudou-me a levantar, guiando-me para sentar na espreguiçadeira. Passou a mão pelo lugar onde eu havia batido e eu chiei de leve. — Que desespero, parece que viu um fantasma.

— Mãe! Claro, a senhora entrou e eu nem vi.

— Percebi, falando sozinha desse jeito. — Corei, emburrada. Ela passou a mão pelo meu rosto, carinhosa. — Vamos, não fique assim. Você sabe que eu, mais do que ninguém, conheço você, não é?

— Sim... Isso é verdade. — Sorri, apreciando o carinho, levando minha mão para pegar a sua e entrelaçar nossos dedos. Adorava a companhia da minha mãe e a forma como ela conseguia ser atenciosa na maior parte do tempo.

— Que bom que você sabe. — Seu sorriso era reconfortante. — Agora... não acha legal você contar para sua mãe o que anda acontecendo entre você e seu namorado? Huh?

Eu não sei precisar quantas expressões faciais passaram por meu rosto, tampouco se eu balbuciei alguma coisa. Mas eu sei que meus olhos queriam pular para fora do meu rosto e todo o sangue do meu corpo resolveu morar nas minhas bochechas.

— M.Ã.E! — Foi tudo o que saiu pela minha boca, antes de eu afundar o rosto nas mãos e produzir o tal do som de nerdossaura que a Alya sempre reclamava. Ao meu lado, mamãe só ria, como se ela não visse motivos para tanto alarde. — Co–como? — Vociferei depois de um tempo.

— Hmm... — Ela ponderou, como se procurasse a melhor forma de me contar. — Digamos que vocês dois não são tão silenciosos quanto acham que são. — Minha pele foi de vermelha para pálida em questão de segundos.

— Quer dizer que da primeira vez você...?!

— Calma, filha. — Mamãe era só sorrisos, acariciando meus cabelos. — Digamos que eu tenha ouvido um gemido ou outro bem de leve. E o som de algumas coisas caindo. Dois mais dois são quatro, não? — Senti os dedos dela em meu queixo e logo ela fechou minha boca, a qual nem percebi que havia caído de tão pasma que eu estava. — E hoje de tarde suas roupas estavam bem inapropriadas para quem não tinha feito nada. Tem a mancha, também. Mas essa deixemos passar, não é?

— Ma–mas... — Eu não entendia. Se ela sabia, por que não havia me encarado antes? Por que só naquele momento? Será que– — O papai sabe?!

— Não, não. — Ela reforçou sua resposta com um aceno de cabeça. — E não vai saber contanto que você queira contar. Eu estava esperando isso na verdade, Marinette.

— E–eu... — Encolhi os ombros, mordendo os lábios. — Eu fiquei com vergonha, mãe! Não é... um assunto... simples... — Minha voz foi sumindo conforme formava a frase.

— Eu sei, meu amor. Mas se a mamãe teve você, alguma coisa eu devo saber, não acha? — Suas mãos buscaram as minhas, seus olhos os meus e o carinho neles era tão palpável que eu soltei a respiração prendida. — Mesmo porque não foi a única vez que eu fiz. — Ela mostrou a língua, arteira.

Mãe! — Corei novamente. Ela se ajeitou ao meu lado.

— Agora... quer compartilhar com a sua mamãe o que te incomoda?

Respirei bem fundo. Não havia mais razões para esconder dela, uma vez que ela já sabia que sim nós havíamos transado e, sim fora mais de uma vez. Talvez soltar as minhas inseguranças ajudasse de certo modo.

Se não recebesse informação nova, pelo menos era mais alguém para compartilhar das frustrações, não?

— Meio que... — Comecei, incerta. Busquei uma das almofadas atrás de mim e a agarrei, encolhendo-me contra ela. — Começou sem querer? Era só mais um beijo, mas o Adrien acabou... — Pigarreei. — Encostando de uma forma mais íntima em mim e isso despertou a nossa curiosidade.

— Mas rápido assim?!

— NÃO! Não desse jeito. — Enfiei a almofada nos cabelos. Mamãe riu da cena. — Ele encostou no meio peito de leve. Ele foi pego pelo momento; eu... percebi isso porque na mesma hora em que eu percebi, ele se afastou.

— Hmm... isso é bem cara dele mesmo. Depois?

— Bom... Depois meio que... aconteceu? Eu conversei com a Alya e, certamente, ele deve ter conversado com o Nino. Digamos que... não foi bem em seguida disso, mas foi desenrolando a partir daí e... — Suspirei.

— A Alya te ajudou? A conversa entre vocês deve ter sido interessante. Vocês compartilharam detalhes?

— Mãe! — Ela parecia se divertir mais com a situação do que ficar surpresa. Não sei se me tranquilizava ou se ficava mais apreensiva com isso. — Eu... não vou te contar detalhes. Eu mal consigo te contar por autos!

— Marinette, eu não sou um monstro que vai te engolir por conta disso. Ou um akuma, quem sabe.

— Nem de brincadeira, mamãe. — Ela acariciou meus cabelos. Bufei, emburrada. Voltei com a face ao travesseiro e ponderei por uns instantes antes de retomar: — Eu... posso te fazer uma pergunta?

— Quantas você quiser, meu amor. — Seu olhar era sereno. E só então eu entendi que o intuito dela era me tranquilizar com aquilo. Ela queria abortar o assunto com naturalidade, sem pressão.

— Bom... hmmm... é... é sempre complicado assim ser penetrada? Ou tem gente que consegue isso... fácil? — Não a encarava. Pela movimentação na espreguiçadeira, senti que ela se ajeitava.

— Eu acho que isso é um impasse para toda mulher. Eu particularmente não lembro da minha primeira vez, porque isso faz um bom tempo. Mas com alguns parceiros eu tive certa dificuldade, com outros nem tanto. — Pisquei. Mamãe falava numa tranquilidade que me assustava. — Tudo depende de vontade, de sintonia e, acima de tudo, intimidade. É normal ter dificuldade quando os dois estão nervosos. Principalmente se os dois forem virgens, não? — Anui, absorvendo suas palavras.

— Acha que é... ruim então? Dois virgens fazerem, digo...

— Não, longe disso. Eu acho que o novo é excelente, principalmente quando se descobre junto de quem se gosta. E isso vale para várias coisas, não só para o sexo. Isso é só uma das partes boas. — Mamãe me sorriu como forma de me tranquilizar. — O importante é não atropelar nada. É sentir, é deixar-se levar. A preocupação de “será que vou agradar?” ou “será que estou fazendo certo?” pode acabar quebrando o momento.

— Mas se soltar demais não pode assustar? Digo, se a pessoa não está acostumada...

— Nesses momentos não pode sentir-se amarrado ou com vergonha. Se foi uma decisão mútua, não precisa disso; os dois querem, certo? Se muitas dúvidas surgirem o ideal é parar e repensar. Talvez não seja o momento adequado. Tudo é questão de clima e intimidade, Mari querida.

— Hmm... — Murmurei, encolhendo-me mais contra a almofada. As palavras de mamãe eram acolhedoras e certamente serviram para acalmar minhas inseguranças.

Uma boa parte disso nós já havíamos vencido. Era... inegável que nós estávamos aproveitando boa parte do que fazíamos, mas somente aquela questão — a dita da penetração — que ficava de impasse entre nós. Será que... era ir com muita sede ao pote? Por isso não estava dando certo?

— ... Marinette? — Pisquei, percebendo que havia ignorado minha mãe conforme mergulhava em pensamentos. Ao ver meu olhar espantado, ela perguntou de novo, preocupação em sua voz: — Vocês tem usado camisinha, não tem?

— Sim! Claro que sim. Todas as vezes. — Ela respirou aliviada.

— Menos mal. Eu acho que os detalhes minuciosos você prefere compartilhar com a Alya, não é mesmo? — Mordi o lábio, envergonhada. Ela riu. — Não tem problema. Mas saiba que se você precisar, mamãe sempre vai te ouvir, sim? — Ela apertou meu nariz de leve. — E lembre-se, filha: sexo é intimidade, carinho e confiança. Enquanto vocês nutrirem isso um pelo outro, o resto se resolve com o tempo, certo? — Anui, sorrindo para ela.

— Obrigada, mãe! — Abracei-a pelo pescoço, sendo recebida com um carinho gostoso nas costas. — Você não vai contar mesmo pro papai, não é?

— Eu?! Nunca! — Ela parecia indignada. — E ouvir ele chorando no meu ouvindo que a princesinha dele perdeu a virgindade? Ah, por favor, não é? — Gargalhei com a indignação que passou por seu rosto. — No mais que ele descubra sozinho. Ou que você faça as honras de contar a ele.

— Eu não! Com que cara?! — Corei só de imaginar. Mamãe foi compreensiva. Não que papai não seria, mas eu acredito realmente que ele iria chorar se imaginasse isso.

Ou pior: ele provavelmente iria falar com o Adrien sobre Deus sabe o quê. Provavelmente sobre os futuros netos dele.

Os quais eu não iria ter tão cedo.

— Agora vá tomar um banho e relaxar, querida. Logo você vai ter de dormir, mesmo. — Mamãe me fez um cafuné antes de levantar-se da espreguiçadeira e descer pelo alçapão.

Após seus passos se afastarem da porta, Tikki apareceu de seu esconderijo, os pequenos braços cruzados na frente do corpo. Pisquei, encarando-a com certo receio.

— O que eu disse? — Seu olhar era inquisidor.

— Que eu deveria conversar com a minha mãe...? — Engoli a saliva. Ela continuou me encarando, esperando que eu desenrolasse. — E... de fato, eu deveria ter falado com ela antes. Mas eu estava com vergonha, Tikki! O que eu podia fazer?!

— Sabe, Marinette, às vezes você precisa engolir um pouco da vergonha. — Ela suspirou. — De toda forma, você parece mais aliviada agora. Sente-se melhor?

— Bastante. E... mais confiante também.

— Isso é excelente de ouvir.

— Tikki? — Ela piscou.

— Huh?

— Obrigada por sempre me apoiar, mesmo quando minhas decisões não são as melhores. — Ela riu e planou até mim, acariciando o rosto contra a minha bochecha.

— Como sua kwami, é meu dever te orientar no que for possível, Marinette. Claro, intervir somente em casos muito extremos. Mas em coisas como essa, é mais do que um prazer te aconelhar da melhor forma; ainda que você não escute. — Mordi o lábio, mas ela fez um carinho suave no meu rosto. — Aquele banho agora seria bom, não acha? Para relaxarmos de tudo.

— Com certeza. Vem comigo?

— Sempre!

Notas finais
Coma hiperosmolar hiperglicêmico é uma situação, normalmente gerada por diabetes, onde o nível de glicose no sangue se eleva a tal ponto em que o indivíduo entra em coma devido aos altos níveis da substância dentro do organismo. É um quadro clínico emergencial que requer cuidados extremos, mas no caso da Tikki... Ela só desmaiou depois de comer doce demais lol Nada grave. Temos aqui a segunda parte e, como eu disse, ela é bem menor que a primeira. Eu resolvi dividir dessa forma para que os fatos coincidissem de certa maneira, não me atendo TANTO ao número de palavras (afinal, o plano original era tudo junto, não é mesmo?). Não chega nem aos pés do que foi a visão do Adrien, mas eu optei por trabalhar outros pontos aqui. O que acharam? Foi decepcionante? Esperavam mais? Deixem-me a visão de vocês, por favor! Adorei todos que comentaram no capítulo passado e vou responder a todos com muito carinho. Obrigada ♥