Some awkward First Times
4 From her point of view - Parte 1
Notas iniciais
— Hmm... Marinette?
Eu precisava me acalmar. Isso, me acalmar. Seria um bom começo, não é? Colocar os pensamentos em ordem, analisar a situação, absorver, entender...
— Marinette...?
Não, não, não dava, era impossível!
— Marinette! — Me atirei contra o colchão, começando a rolar para os lados, puxando a almofada de gato que usava como enfeite e a apertando forte entre os dedos. Eu precisava extravasar tudo aquilo de alguma forma. Um ponto de fuga; qualquer um. — Marinette, você está me ouvindo?
— Não! — Enfiei a cara no travesseiro e berrei, bem alto. Só então as coisas começaram a entrar no lugar.
— ... Está sentindo-se melhor agora? — Fui levantando lentamente a cabeça, percebendo Tikki sentada no colchão à minha frente. Seus enormes olhos azuis eram compreensivos.
— Tikki... — Resmunguei, fincando mais os dedos contra a pelúcia. O sorriso no rosto da kwami era acolhedor, mas não parecia acalmar meus sentimentos. — Eu—Ele—Nós—!
— Sim, eu sei. — Ela mexeu as antenas, piscando. — Como você está em relação a isso?
— Sinceramente? Eu não sei. — Murmurei, enfiando a cabeça contra o gato novamente. Soltei outro urro para espantar aquele sentimento confuso de dentro de mim.
Era um misto entre empolgação, vergonha, ansiedade, dúvida e não sei mais quantas sensações.
— Tikki. — A chamei novamente. — O Adrien... ele... ele colocou a mão no meu peito.
— Sim, ele colocou.
— E... os dedos dele eram tão delicados... e a sensação era tão... tão... — Comecei a me concentrar nos olhos azuis da kwami e, de repente, um calor foi subindo por meu pescoço.
— Marinette, você está da minha cor. — Tikki pontuou, piscando.
— Ah! — Virei-me para encarar o teto, apertando fortemente a pelúcia contra o corpo. — Não dá. Eu vou morrer!
— Não vai, Marinette. Se acalme. — A kwami entrou no meu campo de visão. Esforçava-se para tentar me manter no lugar. — Pela sua reação, não acho que tenha desgostado. Isso já é um começo, não?
— Sim, mas... — Fiz um bico, suavizando o aperto no gato. Tikki sentou-se na cabeça dele, seus olhos nunca saindo da minha figura. — Eu– Não esperava por isso. E... talvez ele também não. Eu não tive reação! Eu... Eu nunca pensei seriamente sobre...
— Sexo? — Só a menção fez meus cabelos saírem do lugar, o rosto arder. — Vamos, Marinette, não é algo de outro mundo. Cedo ou tarde vocês iriam esbarrar nisso, não é mesmo?
— Mas Tikki! Eu não sei nada sobre sexo! — Protestei.
— Você não teve aulas de educação sexual? — Ela fez uma expressão parecida com arquear as sobrancelhas. Ri em um misto de nervoso e apreciação por sua feição.
— Sim, eu tive. Mas na prática é... diferente. Não é?
— Um pouco, eu acho. Mas a base você tem. Como eu disse: já é um começo. Talvez você devesse pesquisar mais sobre isso!
— E pesquisar onde? — Endireitei-me na cama, percebendo que Tikki planara para ficar à altura do meu rosto.
— Sites de pornografia? — Sugeriu. Pisquei, arregalando os olhos.
— Ahn... hmm... — Engoli em seco. Ela piscou, encarando-me bem fundo, analisando minha expressão. — Então... É...
— Você já viu pornografia, Marinette?! — Sua voz era surpresa. Voltei com a face ao gato de pelúcia, incapaz de encará-la.
— Algumas vezes. Mas—! — Levantei o rosto só para pegar Tikki rindo de mim. — Não ria! Eu ia dizer que não me vejo fazendo aquelas coisas. Em... — Ponderei: — Momento algum da minha vida.
— Você diz isso porque é nova. Depois de um tempo e mais intimidade, as coisas mudam.
— E como você tem tanta certeza disso?
— Você esqueceu que eu estou junto de toda e cada Ladybug que passou por esse mundo? — Ela me sorriu. Pisquei, tentando entender o que ela queria dizer com isso. — Você não será a primeira e provavelmente não a última a querer ter um relacionamento carnal com um Chat Noir.
— Espera... Todas as “Ladybug” se envolveram com os “Chat Noir”? — Questionei, interessada.
— Nem todas. Mas cada Ladybug e Chat Noir tem um envolvimento único entre si. Afinal, eles são parte de um todo. — Tikki sacodiu a cabeça, como quem quisesse espantar os pensamentos. Voltou seu olhar para mim com desdém ao pronunciar: — Agora, foco, Marinette! Não é hora para isso. Temos de nos concentrar no seu dilema.
— Ahn... É, temos.
O quarto caiu em um silêncio constrangedor depois disso. Fui encolhendo-me mais atrás da minha pelúcia, começando a ficar injuriada.
E, pela primeira vez depois do ocorrido, eu havia começado a refletir sobre o que acontecera. Foi uma reação espontânea à carícia que tínhamos naquele momento. Eu não senti uma maldade no toque de Adrien em meu corpo.
Talvez por isso a situação era um pouco constrangedora para ambos. Eu pude perceber a insegurança no olhar dele; era praticamente um espelho do meu. E ele parecia extremamente desapontado consigo mesmo pelo que havia feito.
Só espero que ele não comece a se culpar por qualquer coisa relacionada a isso.
— Você já pensou em conversar com a sua mãe? — A voz de Tikki cortou meus pensamentos.
— Hã?
— Falar com a sua mãe, Marinette!
— Não! Nunca! Nem pensar! — Exasperei, indo mais para trás na cama, até encostar contra a parede. Tikki olhou-me torto, não entendendo.
— Por que não? É a sua mãe! Ela mais do que ninguém vai saber como te ajudar. — Afirmou, convicta.
— Ah, claro! E você quer que eu chegue nela como? — Comecei a gesticular, imitando debochadamente: — “Ah, mãe, oi! Sabe o que é? É que eu e meu namorado estávamos nos beijando e no calor do momento ele colocou a mão em cima do meu peito! Eu meio que acabei ficando excitada com isso e talvez, só talvez, eu queira transar com ele. Aliás, como é transar, a senhora pode me dizer?”.
— Exatamente! — Pisquei, encarando a kwami com olhos arregalados. Tikki parecia não entender o meu transtorno.
— Não, não! Definitivamente não! — Fiz um “x” com os braços. Ela suspirou, decepcionada.
— Tente a Alya, então. Ela talvez te entenda melhor.
— Enlouqueceu?! — Passei a mão pelos cabelos. — Ela vai me encher de perguntas! Ela vai querer saber cada mínimo detalhe do que aconteceu e—
— Ela é sua melhor amiga e você eventualmente vai contar para ela. Quantas vezes ela não te viu em situações mais constrangedoras e não disse nada? — Comecei a me acalmar, olhando para Tikki de maneira compreensiva. Suspirei; ela estava certa. — Então está decidido. Você conversa com a Alya sobre isso e ela vai te ajudar.
— Uhum... Por telefone? — Questionei.
— Pessoalmente. Acho melhor.
— É, sim. — Esfreguei o pescoço, ajeitando a cama que havia bagunçado no desespero. — Acho melhor tomar um banho e fazer minhas coisas, não é?
— Seu dever de matemática e física te aguarda! — O sorriso no rosto de Tikki era quase sádico. Sorri também, pegando-a nas mãos para que viesse ao banheiro comigo.
O que me restava agora era pensar em como eu iria perguntar para Alya sem fazer com que ela arranjasse um escândalo sobre o assunto.
— — —
Pela forma como os castanhos me encaravam, eu sabia que estava encurralada. Fiz um gesto para que ela se controlasse e, depois de respirar fundo algumas vezes, Alya sentou-se, passando a mão pelos cabelos ruivos.
— Marinette do céu. Você realmente está...? — Ela não parecia acreditar. Sentia meu rosto arder até as orelhas, evitando encará-la nos olhos. — Digo– É excelente! Mas logo você? — Ela começou a rir, abaixando-se para não chamar tanta atenção.
— Muito obrigada por sua compreensão. — Ironizei, inflando as bochechas. Após recuperar o fôlego, Alya cutucou meu rosto com o indicador, a expressão debochada.
— Quer dizer que a minha menininha envergonhada está com tesão e quer foder com o namorado? Que mágico. — O sorriso era quase sádico. Senti os cabelos saírem do lugar pela forma como ela pontou a situação.
— Alya, menos! Eu não gosto de...
— Não me venha com cerimônias, Marinette. Estamos falando de sexo aqui. — Ela aproximou o rosto perigosamente do meu, os castanhos quase mergulhando nos meus azuis. — E, minha querida, nada melhor do que uma transa regada a palavras chulas. Experiência própria.
— Não... Pera, para. O quê? — Pisquei. Acho que meu rosto não poderia esquentar mais, se não eu ficaria com febre. — Alya, você e o Nino...?!
— Nossa que desespero! — Ela deu um leve tapa na minha testa. — Sim, nós já fodemos. Não vou te dar detalhes pra não estragar a sua primeira vez, mas te garanto que vale o esforço. — Piscou-me, arteira. Enterrei o rosto nas mãos, grunhindo.
Pude ouvir Tikki rir dentro da minha bolsa bem baixinho. Grunhi uma segunda vez por esse motivo.
— Calma, amiga. Eu estou aqui para te ajudar. — Os dedos de Alya estavam em meus ombros, consoladores. — É só me dizer como.
— Tudo. — Murmurei. Os olhos dela se arregalaram.
— Você não prestou atenção nas aulas de educação sexual não?!
— Prestei! Mas é diferente. Eu... acho... — Não conseguia encará-la. Pude ouvir seu suspiro.
— Mais ou menos. Claro, as aulas não ensinam como você deve chupar um pau, por exemplo, mas certamente servem pra algo.
— A–L–Y–A–! — Agarrei os cabelos, incrédula com o que havia acabado de ouvir. Ela gargalhou.
— Nossa amiga, sua situação é crítica!
— E quando não é, Alya? — Ela só concordou.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, enquanto um grupo de estudantes passava por nós. Era muito próximo da hora do almoço e acabamos com a aula vaga, pois o professor precisou ausentar-se. A sala de estudos estava sendo usada e, por essa razão, estávamos dispensados para fazer o que achássemos melhor.
O pátio do colégio certamente não era o lugar ideal para conversar sobre isso, mas levar Alya para a biblioteca seria pior. Aqui havia barulho, o que poderia abafar a sua alta voz, ao menos.
— Mari, você já viu o Adrien sem alguma peça de roupa? — Foi o questionamento dela após o grupo se dispersar.
— ... Não? — Outro suspiro. — Quero dizer, ano passado ele não fez um shoot de verão. Eu acredito que esse ano ele faça. Ao menos é o que o pai dele tem em mente.
— E você vai esperar isso para poder vê-lo de sunga? Por favor, Marinette. Tente mentalizar isso agora. Você consegue, é uma garota esperta!
Parei um momento, seguindo o conselho de Alya. Era fato que eu já havia, por vezes, deixado as mãos escorregarem através dos ombros e do peito de Adrien. Era possível ter um vislumbre de como ele ficaria sem camisa. Mas não achava que seria o suficiente.
Foi quando outra imagem tomou conta dos meus pensamentos. Couro preto. A roupa de Chat Noir era a imagem que eu precisava como referência. Buscando na memória, eu conseguia identificar perfeitamente cada músculo do corpo dele desenhado.
A forma como os ombros eram largos, os bíceps torneados, o peitoral trabalhado, a bunda arredondada e...
E...
— Marinette você está da cor do meu cabelo. — Urrei, praticamente um gemido, enquanto me encolhia. A gargalhada de Alya foi tão chamativa que certamente o pátio todo deveria estar nos olhando agora. — Teve uma boa visão, foi?
— Cala a boca! Não foi pra isso que eu te pedi ajuda. — Resmunguei, fazendo a gargalhada dela só aumentar.
— Ai, Marinette, você me mata desse jeito. — Senti ela me abraçar. Devolvi o gesto, resmungando ainda mais em seus ombros. Ela deu leves tapinhas em minhas costas, consolando-me. — Acalme-se. Vai dar tudo certo. — O sinal soou, estridente, anunciando o horário de almoço. — Bom... Vamos procurar os meninos? Acho que eles estão na biblioteca.
— Alya... — Olhei-a, fazendo bico. Ela fez um cafuné gostoso em meus cabelos, compreensiva.
— Calma, Mari. Não é como se vocês fossem foder agora. Eu vou te explicar mais coisas. Mas deixemos você digerir a situação primeiro, que tal? — Concordei, suspirando. — Agora, mexa-se, se não vamos chegar muito tarde na sua casa!
Ri, sentido Alya pegar-me pelo pulso, me arrastando junto de si. Havíamos combinado de comer croissants e conversar durante a tarde de hoje — todos os quatro — na minha casa. Não sabia precisar quem estava mais animada: eu ou ela.
Era sempre bom passar um tempo nós quatro para conversarmos de maneira amena. Nos últimos tempos havia se tornado complicado, porque o namoro e outros afazeres acabavam entrando no caminho.
Não que não curtíssemos ficar juntos como amigos, mas tanto Alya quanto eu — supunha que Nino e Adrien também — gostávamos de curtir momentos a sós como casais.
Eu tinha até mais motivos, por ter “menos tempo” de namoro do que os outros dois. Não que fosse tanta diferença assim também.
Mal entramos na biblioteca e já nos deparamos com os meninos sentados lado a lado em uma mesa, conversando baixinho. Eu estava prestes a ir até eles quando Alya me impediu, colocando o braço na frente do meu peito. Iria questioná-la, mas ela pediu silêncio com os lábios.
Voltei meu olhar atentamente para os dois. Pela forma como estavam próximos, suspeitava que o assunto deveria ser delicado — ou no mínimo bem particular. Perguntava-me se Alya estava tentando ouvi-los, o que eu impediria se tivesse certeza, mas a ideia desapareceu no mesmo segundo em que eu pude observar Nino passar algo para a mão de Adrien.
Senti meu sangue desaparecer do rosto quando eu percebi que aquilo era um preservativo.
— Alya! — Choraminguei, agarrando o ombro dela. Ela chacoalhou-se, tentando se desprender de mim. — Alya, você viu o que eu vi?!
— Sim, eu vi. Parece que o seu garotão está tão inseguro quanto você, já que ele foi falar com o Nino.
— Não, não é isso! — Apertei mais o ombro dela. — Aquilo era, era–
— É, uma camisinha, Marinette! Algo que você deveria ter com você também. — Arregalei mais os olhos. — O quê?! Vai deixar tudo nas costas dele?! Você tá me falando isso sério?
— Não! Digo, eu não pensei ainda. Eu não tive tempo pra nada. Eu– Alya, eu não vou conseguir fazer nada, Alya! — Enfiei a cabeça em suas costas, desesperada.
— Tá, calma Marinette. Ele ter uma camisinha não significa que ele vai fazer isso agora nesse exato minuto! Significa que ele está precavido, p–r–e–c–a–v–i–d–o–! — Ela me sacodiu, tentando me fazer voltar para a realidade. — Ele se preocupa com você. E pelo seu desespero, você também se preocupa com ele. Ou em não passar vergonha.
— Os dois. — Resmunguei. Ela fez um gesto para que eu deixasse quieto. — Mas... E agora?
— Agora deixa comigo. Você fica aí. — Percebi Alya começar a se esgueirar para dentro da biblioteca e, sorrateiramente, aparecer atrás deles: — Ei meninos, sobre o que estão falando? — Seu tom era o mais inocente o possível, mas eu sabia o pingo de maldade que estava por detrás dele. Os dois separaram-se abruptamente, assustados com a presença dela ali.
— Nada, Alya! Coisas de garoto. — Nino desconversou, visivelmente nervoso. Percebi quando Alya estreitou a vista perigosamente para ele, mostrando que tinha ciência do assunto deles. Senti meu rosto corar por Nino.
— Coisas de meninos, é...? — Ele sorria amarelo, tentando inventar alguma desculpa que acobertasse o assunto dos dois. Fitei de relance Adrien, para percebê-lo tão sem graça quanto o amigo.
No mesmo instante, observei-o levar a mão ao bolso de trás do jeans para guardar a camisinha. Respirei bem fundo. A essa altura, o assunto meio que estava instalando entre nós, ainda que não tivéssemos conversado cara-a-cara sobre ele.
— Marinette. — A voz de Tikki soou baixinha. Fitei discretamente a bolsinha; ela mal aparecia de tão pouco que havia aberto. — Relaxe. O Adrien certamente vai conversar com você sobre isso. Mas ele está tão nervoso quanto você com toda a situação.
— Você acha...?
— Eu tenho certeza. — Ela sorriu. Anui, sorrindo de volta.
Não havia motivos para eu ficar preocupada. Talvez tudo isso fosse só pela ansiedade. A novidade sempre assusta um pouco.
Quando me dei conta, Adrien encarava-me. Sorri para ele, largo, adorando a maneira como as íris verdes pareciam encher-se de uma alegria sem tamanho ao me olhar. E a melhor parte de tudo era que eu compartilhava desse sentimento.
Caminhei até a mesa onde estavam, levando a mão diretamente aos fios louros de Adrien, acariciando-os. Pude senti-lo ronronar diante do meu toque e fiquei mais tranquila. Assistia à pequena discussão de Alya e Nino e, sem deixá-los se prolongarem mais, interrompi:
— Então, vocês vão poder ir lá em casa agora? — Percebi a forma como Nino se surpreendeu com a questão. Estranhei.
— Na sua casa? — Foi a pergunta.
— Sim! Meu pai fez alguns croissants frescos. A gente tinha combinado de passar a tarde lá. — Afirmei. Notei a maneira como Nino olhava para Alya, o desespero claro em seu semblante.
— Ai... então, Mari...
— Eu tinha prometido à mãe do Nino que iria almoçar com eles hoje! — Alya exasperou, levando a mão à testa em um tapa que ecoou por todo o ambiente. — Amiga, me perdoa! Não foi de propósito! — Ela agarrou-me pelos ombros, entristecida.
Senti uma certa insegurança surgir em meu peito. Inconscientemente eu estava contando com a presença de Alya lá — aliás, eu jurava que ela poderia me ajudar mais ainda hoje.
— Não, tudo bem. Eu trago alguns para vocês amanhã! — Foi a minha resposta, compreensiva. Mas Alya sabia que eu estava insegura só pela forma como me olhava. Apertei levemente os dedos nos cabelos de Adrien, virando-me para encará-lo — E você, Adrien, pode vir?
— Com certeza. — Ele tombou a cabeça para me encarar, um sorriso luminoso cruzando seu semblante. De alguma maneira isso havia acalmado meus ânimos.
— Que bom! O papai ia ficar chateado se ninguém fosse. — Devolvi o gesto, genuinamente contente.
Tudo nos conformes, pegamos os materiais e começamos a sair da biblioteca. No caminho até a entrada do colégio, Alya puxou-me, afastando-nos dos meninos. Passou uma mão por meu ombro, murmurando na minha orelha:
— Fica calma, Marinette. O Adrien está uma pilha de nervos assim como você. Certamente nada vai rolar hoje, fica tranquila.
— Mas Alya! E se, não sei, a gente for pego no clima e...? — Questionei. Eu tinha uma vergonha pontual. Ainda não conseguia mentalizá-lo sem roupa, tampouco ficar sem roupa perto dele.
Isso estava me matando.
— Se rolar, você só vai. Se joga amiga. — Senti um tapinha nas minhas costas. — Não é difícil. É puro instinto. E, ah! — Ela ergueu o indicador, fixando os castanhos nos meus olhos para pronunciar: — Conselho de última hora e estupidamente importante: não tenha medo de chupar um pau. Ele não morde. E você não deve mordê-lo. Entendeu?
— Alya! — Senti os fios saírem do lugar. Ela riu baixinho. — Você está me zoando?
— Sim e não. A dica foi séria, mas eu falei dessa forma pra te ver surtar mesmo. — Resmunguei qualquer coisa e, antes que pudesse realmente falar algo, chegamos no portão principal.
Nos despedimos, Alya e Nino pegando um caminho diferente do nosso. A última coisa que eu pude ver foi Alya gesticular que me ligaria mais ao fim do dia para conversamos.
Suspirei, voltando meu olhar para Adrien. Ele devolveu o gesto, sorrindo de maneira tão sincera, tão pura que eu não tinha como não me acalmar.
Tudo ficaria bem, independentemente do que acontecesse.
— — —
O beijo que trocávamos agora estava regado com gosto misto de morango, chocolate e massa folhada. Era maravilhoso a forma como ele mordiscava meus lábios, puxava e pressionava. Deixei-me ofegar entre os toques, fazendo os dedos perderem-se em suas mechas louras, amando a textura de seu cabelo contra a minha pele.
Contudo fui obrigada a romper o contato quando senti seus dígitos entrarem por minha blusa, subindo-a com eles no processo. A sensação que me ocorreu foi tão deliciosa que eu não conseguia absorver. Seus dedos eram delicados, quentes e acariciaram minha pele de uma forma tão agradável que eu senti que iria derreter.
— A-Adrien... — Chamei seu nome, engolindo a saliva. Meu rosto estava corado. No mesmo instante, ele afastou as mãos de meu corpo, como se tivesse feito algo de muito ruim.
— Mari... Eu... — Eu vi o desespero, a relutância passando por suas íris, como se ele estivesse com medo de me pressionar. Como se, apesar de querer, ele tivesse incerteza sobre o que fazer ou como fazer sem me desagradar.
Respirei fundo, sentindo o coração bater forte.
— Sa-sabe... — Comecei, levando às mãos a minha calça, buscando algum apoio. — Nós não... falamos sobre isso ainda, mas... Hmm...
— É... Então... — Ele demonstrava claramente o seu medo de me chatear. De alguma forma isso me tranquilizava; saber que eu não era a única perdida naquela história.
— Eu sugiro — Plagg apareceu de algum lugar para planar entre nós, trocando olhares. — Que vocês deixem para fazer isso em outra hora. Você ainda tem aula de piano e logo aquele seu motorista grandão vai estar aqui.
— Plagg! — Adrien exasperou, as orelhas ficando vermelhas. Pisquei, surpresa com a cena. — Você não precisa–
— Colocar dessa forma? — O tom do kwami era quase cínico. — Oh, vamos, por favor. Está mais do que claro que vocês querem transar. Mas agora não é momento para isso. — Senti meu rosto arder mais e, no instinto, baixei a cabeça. A situação era muito nítida; nós queríamos. Mas estávamos perdidos e incertos sobre o que fazer.
Estava tão presente que até os kwamis percebiam.
— Plagg... — Ouvi Adrien ranger os dentes e, quando fitei-o, ainda hesitante, o peguei bufando e bagunçando os cabelos, estupidamente revoltado pela forma como Plagg colocou a situação.
Baixei novamente o rosto, tamborilando os dedos pela perna, refletindo. Eu tinha ciência de que o meu maior problema era a vergonha; vergonha de mostrar meu corpo a ele, vergonha de ver o corpo dele, de encarar a situação. Não tinha quaisquer medos afora esses — talvez e, só talvez, imaginar como seria ser penetrada, mas...
— Desculpe por isso. — A voz de Adrien soou muito próxima a mim quando ele encostara a testa contra a minha. — O Plagg... não tem muito senso com as coisas que fala.
— Hmm... — Foi o que eu vociferei, ainda absorta em pensamentos.
Eu queria alguma coisa. Alguma confirmação de que não havia problema em simplesmente me atirar àquela vontade e sentir. Eu queria... um apoio? É, talvez.
Calmamente comecei a escorregar a testa pela dele até estar encarando seus olhos. Prendi a respiração quando finalmente fitei o verde tão brilhante de suas íris. E bem ali, à minha frente, eu podia perceber que tudo o que passava por mim, passava por ele também.
A vontade, a curiosidade do novo, do experimentar. E, ao mesmo tempo, a incerteza sobre o fazer.
Passei sutilmente a língua sobre os lábios, antecipando o que quer que aconteceria em seguida. A respiração pesou por um instante, mas logo voltou ao normal. Eu notei a forma como suas íris captaram meus movimentos, como se ele quisesse a confirmação de que eu queria tanto quanto ele.
E, ah, eu queria. Eu definitivamente queria.
Não fazia ideia de como seria, como faria, mas eu queria sentir: o toque, o cheiro, o gosto...
— Adrien, o seu motorista chegou! — Era a voz da minha mãe, soando como uma sirene quando seus lábios estavam a milímetros dos meus. O suspiro que abandonou minha boca refletiu-se na dele, a decepção iminente entre nós.
— Desculpe... — Foi seu murmúrio.
— Não há o que fazer. — Baixei os ombros em pesar.
Não esperei que ele recolhesse suas coisas. Desci na frente, sentindo uma frustração enorme no peito. Talvez eu tivesse ansiado demais pela conversa que tive; talvez eu estivesse apressando as coisas para mim mesma.
Mas de uma coisa eu estava certa — e ela só se reforçou no último olhar que trocamos naquele momento de despedida:
Nós éramos cúmplices de um desejo mútuo e não sabíamos quando ele seria extravasado.
Mas ele seria extravasado de alguma maneira.
— — —
— O Adrien nunca vai sentir tesão por mim! — Pontuei, um suspiro pesado escapando dos lábios.
— O que você quer dizer com isso? — Tikki apareceu do quarto para planar atrás da minha figura, encarando-me através do reflexo no espelho.
— Olhe pra mim, Tikki! — Exasperei enquanto me observava, sem blusa ou sutiã.
— Não estou entendendo você, Marinette.
— Meus seios são assimétricos. — Murmurei, passando a mão por um deles. Era visível que um era maior do que o outro. Os mamilos também. — Sem contar que eu não tenho muita coisa também.
— Ai Marinette, para com isso. — A kwami sentou-se em meu ombro, estreitando a vista para o meu reflexo. — Nem dá pra reparar! É uma coisa muito pequena. E eu acho que seus seios são ideais para o seu tamanho de corpo.
— Oh, claro. — Movi-me para vestir a blusa do pijama, forçando Tikki a voltar ao ar. Após vestir-me, comecei a desfazer os rabinhos, passando a mão pelos cabelos para arrumá-los. — Não que vá mudar o fato de que o Adrien vai broxar assim que me ver sem blusa.
— Não seja dramática! Se ele se importasse com isso, não teria começado a te namorar.
— E com o que você sustenta isso? Ele também nunca me viu sem roupa! — Protestei, rumando para o quarto, Tikki em meu encalço.
— Ele te viu como Ladybug inúmeras vezes. E você sabe que sua roupa deixa tanto pra imaginação quanto a dele. — Parei um momento, sentindo o rosto esquentar.
Ops.
— Você realmente acha que o Adrien vai se importar com isso? Pense de novo. — Senti a kwami sentar em meus cabelos, bagunçando-os enquanto se ajeitava. — Se ele fosse um garoto desse tipo, eu já teria percebido há muito tempo.
— Por quê? Você já viu algum Chat Noir agir assim?
— Pode apostar que sim. — Ela suspirou.
Nossa conversa foi interrompida pelo som do celular tocando. Sem demoras fui buscá-lo em minha bancada, atirando-me contra a cadeira para atender à chamada de vídeo.
— Fala garota dos meus sonhos, o que me conta de bom? — Ri do bom humor de Alya. — Rolou alguma coisa hoje?
— Nada fora do normal, Alya. — Suspirei em alívio. Percebi ela revirar os olhos, parecendo decepcionada.
— Menos mal de certo modo. Te falar que na casa do Nino rolou muita coisa que eu particularmente estou louca para te dar detalhes, mas acho que você vai entrar em combustão se ouvir. — Ela mal terminou a frase e eu já queria abrir um buraco no chão e me enterrar. — Viu só? Ai, Mari, você é uma figura.
— Desculpe então se eu acho constrangedor imaginar meus dois melhores amigos transando.
— Vai se acostumando, assim que você e o Sr. Modelo Teen foderem eu vou começar a te dar detalhes sórdidos do que eu faço.
— ALYA! — Ela riu. Sentia que ela estava se divertindo demais com toda a situação. — Cahém, você não iria me ajudar agora?
— Eu vou garota, calma. Primeiro quero saber se seus pensamentos sobre o Sr. Modelo foram proveitosos depois que ele foi embora.
— Depende do que você chama de proveitoso.
— Vai que você resolveu tocar uma hoje? Aliás, acho uma excelente experiência. Eu particularmente me divirto muito sozinha pensando no Nino e—
— Alya, Alya, freio! Eu não faço essas coisas. — A expressão dela começou a ganhar um ar espantado, então logo complementei: — Com frequência! Eu não faço com frequência.
— Por um momento eu realmente achei que você era uma puritana. — Revirei os olhos, desgostosa com o comentário. — Não que fosse um problema. Na verdade, só seria se você do nada tomasse a decisão que tomou. Aí teríamos muito trabalho psicológico pra fazer. Mas espera — Ela me encarou fundo através do vídeo. — Se não estava tocando, por que só se trocou agora?
— E como você sabe que eu acabei de me trocar? — Arqueei as sobrancelhas, desconfiada.
— As alças da sua blusa estão caindo. Você tem o costume de se vestir de qualquer jeito e elas ficam assim. Percebi quando você dormiu aqui da outra vez.
— Oh. Oops. — Comecei a me ajeitar, sentindo a vergonha voltar ao rosto. — Bom... Eu... eu estava me olhando, só isso.
— Ué, por quê?
— Alya, eu não sei. Eu acho que o Adrien não vai querer transar comigo depois que me ver nua.
— Marinette, pode parar por aí! Que história imbecil é essa? Olha pra você!
— Eu estava fazendo isso meio segundo atrás. — Juntei os lábios em uma pequena curva, emburrada.
— Desabafa. O que tá te incomodando?
— Meus seios são assimétricos. Eu percebi isso agora. — Não a encarava. Estava com vergonha demais para isso.
— Ah! E você acha que os meus são simétricos? Claro que não, Marinette!
— Você não tem um seio menor que o outro! E nem os mamilos, aposto.
— Cada um dos meus mamilos aponta pra um lado. E eles são bem escuros, o que não é exatamente um problema, mas tem gente que implica com isso. — Pisquei. — Olha, Mari, a chance do Adrien reparar nisso na cama é praticamente zero. Ele vai estar com a cabeça em outro lugar pra conseguir reparar... Se você me entende...
— A–L–Y–A–! Sem piadinhas com duplo sentido! — Levei a mão aos cabelos, apertando os fios entre os dígitos.
— Aha! Imaginou a outra cabeça do Adrien, não é sua menina levada? — Eu ia tacar o celular na parede e não ia demorar muito.
— Não interessa o que eu imaginei. — Protestei, irritada. — Você ia me ajudar! Ajudar!
— Tirar sua vergonha é um dos pontos dessa conversa, amiga. Ou você pensa que vai fazer as coisas como se ficar com vergonha de cada comentário que eu fizer?
— Hmm... bom...
— Ok, vamos parar de te atormentar então e começar a didática. — Percebi que ela havia se deitado, segurando o celular de lado na cama. — Preparada para ouvir muita, muita coisa por um bom tempo?
— Se não estiver, eu fico no meio do caminho. — Ela riu e eu a acompanhei.
Não sei dizer quanto tempo nós ficamos naquela conversa. Eu sei que prestava atenção em cada palavra de Alya, cada pequeno comentário, por mais vergonhoso que fosse. Ela ria a cada vez que meu rosto enrubescia, mas com o tempo eu fui me acostumando ao palavreado dela — e, deveria dizer, à ideia também.
— Uma última coisa, Marinette: — Ela estava bem séria. — Eu espero que você esteja preparada para tudo. Quero dizer... você vai colocar a boca em lugares que em sua sã consciência você não colocaria. Mas isso vai ser bom pra você e pra ele. E vice-versa. Então esteja mentalmente preparada para tudo. Não tenha nojo de nada.
— Nojo eu não tenho Alya... eu acho. É vergonha mesmo. — Baixei os ombros, desesperançosa.
— Amiga, foi como eu brinquei com você hoje: só se joga. De verdade. Se você parar pra pensar muito, vai acabar desistindo da ideia. — Percebi que Alya se virou por um momento. Ela mutou o microfone para responder alguém e logo retomou: — Eu vou dormir agora, Marinette. Mas não se encana com nada, está bem? Só deixa rolar. Te vejo amanhã na escola!
— Ok. Até amanhã, Alya. E obrigada! — Ela fez um gesto de “ok” com os dedos e desligou.
Atirei a cabeça para trás do encosto da cadeira, percebendo Tikki planando bem acima de mim. Ela me sorria serena.
— Você parece um pouco mais confiante agora.
— Nem tanto... — Murmurei. — Eu ainda tenho muitas dúvidas.
— Marinette, você não vai sanar nada até que algo aconteça. — Pisquei, observando a Kwami atentamente. — Adianta mesmo você se desgastar dessa forma por algo que nem aconteceu?
— Você... tem razão. — Suspirei, levantando-me e me espreguiçando. — Vamos dormir agora, Tikki?
— Com certeza! — Ela voara até meus cabelos, ajeitando-se entre eles.
Sem perder tempo, desliguei as luzes e rumei para a minha cama no andar de cima, desaparecendo no meio das cobertas.
Ainda que eu remoesse todas as minhas dúvidas por algumas horas, certamente o sono me traria mais coragem e certeza do que havia decidido fazer.
— — —
A semana que entrou não foi nada proveitosa nem para mim, muito menos para Adrien.
Ele passou todos os dias tendo photoshoot nos horários mais improváveis. Até algumas aulas extras foram realocadas para dar lugar aos horários das fotos.
As poucas vezes em que eu o vi foram durante intervalos, mas nada era o suficiente para o que nós queríamos.
Ainda que a conversa não tivesse surgido entre nós, só a falta dos toques era palpável. Principalmente para ele que era uma pessoa naturalmente tátil.
Supunha que era devido as tendências felinas.
— Não quero nunca mais me mexer. — Ele choramingou, remexendo-se em meu colo. Levei os dedos aos seus cabelos, acariciando-os bem lentamente. Adorava sentir a textura dos fios louros sob meus dígitos e, principalmente, o ronronado que emanava dele toda vez que eu fazia isso.
— Eu não vou reclamar. Só se minhas pernas começarem a doer. — Ri baixinho, apreciando a forma como seus músculos relaxavam ao meu toque. Ele suspirou, sentindo a pressão da semana recair sobre os músculos.
Era visível o seu cansaço. Eu não sabia qual milagre ele havia operado para conseguir deixar o sábado livre para conseguir vir até minha casa. Certamente o diálogo com Nathalie fora intenso para que isso acontecesse.
Eu não reclamava nem um pouco: adorava o tempo que Adrien passava aqui. Principalmente quando esse tempo se resumia a tê-lo atirado em meu colo, apreciando cada carícia que eu o oferecia.
Ele tinha costume de adormecer sob o meu toque. Eu não me importaria de vê-lo fazer isso todos os dias.
Aliás, era algo que ele parecia inclinado a fazer nesse exato momento.
— Quer tirar um cochilo, minou? — Sussurrei após aproximar o rosto do pé do seu ouvido. O ronronado em seu peito ficou mais audível, fazendo-me apertar mais os dedos em suas mechas.
— Não sei... se você deixar... — Ele virou-se, encarando-me com aqueles olhos verdes como folha. Eu tinha a sensação de estar em um jardim florido todas as vezes que o encarava dessa forma.
E, acreditem, para uma joaninha, essa era a melhor sensação do mundo.
— Sério que eu preciso deixar? Você mesmo acabou de dizer que nunca mais queria se mexer. — Esfreguei o nariz contra o seu bem de levinho, adorando a sensação que o toque proporcionava.
— Eu... posso abrir uma exceção. — Ele capturou meu lábio superior entre o seu, chupando-o lentamente, fazendo um arrepio seguir pela minha espinha.
O suspiro que deixou meus lábios foi audível e eu comecei a afastar meu rosto no mesmo ritmo do dele, somente para ter a sensação dos seus lábios escorregarem pelos meus. Porém tão logo nossas bocas perderam contato, eu retornei para fazer exatamente o que ele havia feito comigo: prender seu lábio nos meus, chupando-o.
Adrien entendia meu jogo. Repetiu a mesma coisa que eu fizera com ele e entramos em uma brincadeira gostosa onde chupões, mordiscadas e beijos úmidos eram partilhados sem restrições.
Tudo mudou quando sua língua passou por minha boca e entrou por ela, enroscando-se com a minha. Soltei um ofego, deliciada com a sensação, apertando as unhas em seu couro no processo. Seus dígitos vieram ao meu rosto, acariciando com prezo.
Abrimos os olhos por um instante; um breve instante onde os verdes tornaram-se tão brilhosos que pareciam as esmeraldas mais polidas.
Era um convite.
Ele virou-se, sentando na cama, pegando meu rosto em suas mãos. Arregalei os olhos, sentindo eles banharem-se com a expectativa, mergulhando em suas íris que pareciam refletir as minhas.
Quando eu voltei do meu estado de transe, estava acompanhando seu beijo. Era calmo, parecido com o anterior. Os lábios deslizavam, chupavam, mordiscavam, alguns estalos eventuais deixando as bocas devido a umidade da saliva deixada por elas.
Suas mãos começaram a desenhar meu corpo em uma carícia tênue. Iniciaram em meu rosto, descendo por meu pescoço, ombros, até acharem sua casa em minha cintura, seus dígitos contornando-a.
Não fiquei para trás, subindo os dedos por seus braços, desenhando seu peito, seus ombros, até descansá-los em seu pescoço, acariciando os cabelos de sua nuca.
Senti que Adrien pressionou mais forte a minha cintura, trazendo-me para o seu colo. Ajeitei as pernas, separando-as para poder trançar-me em volta de seu quadril, colando os peitos. Vez ou outra, no processo, nossas bocas se desencontravam, mas era um instante para que estivessem novamente coladas, achando seu conforto uma na outra.
Quando finalmente rompemos o beijo, buscando desesperadamente por ar, eu pude notar a forma como seu semblante estava rubro — uma cópia exata do meu, de orelha a orelha. Em suas íris eu via desdém, refletindo-se nas minhas.
E, definitivamente, o que estava me cutucando no meio das pernas não era a fivela do cinto dele.
— Então... — Senti sua voz sair rouca, como se a garganta estivesse seca. Pisquei, analisando a situação.
Era... agora ou nunca, não era?
— Falar menos e... agir mais? — Pisquei. A pergunta não era para sair naquele tom, mas eu sentia que Adrien estava tão perdido quanto eu. Ele ainda ponderou por um momento até anuir.
Era agora ou nunca definitivamente.
Calma Marinette, calma. Tudo vai dar certo, tudo vai dar certo...
Várias sirenes pareciam ecoar pela minha cabeça, mas a sensação dos lábios dele nos meus fez com que tudo se aquietasse. O beijo era mais afoito do que o anterior, mas não deixava de ser agradável. Era bom, muito, muito bom.
Senti que ele fez força para que eu me deitasse. Respondi ao seu ato prontamente, sentindo o balançar das molas pela pressão quando minhas costas encontraram o colchão. Percebi-o afundar aos lados da minha cabeça, notando Adrien apoiado nos braços, analisando-me.
Eu estava bem ciente da minha respiração descompassada, da vermelhidão do meu rosto e certamente da insegurança no meu olhar. O que me tranquilizava, contudo, era perceber o mesmo misto de sensações e reações refletidas nele.
Não estava sozinha.
Adrien abaixou-se, voltando a me beijar, após longos segundos me observando. Levei os dedos aos seus cabelos sem cerimônias, tirando as mexas do lugar, concentrando-me na textura delas sob meus dígitos. Porém foi impossível prever o toque de seus dedos ao lado do meu corpo, por baixo da blusa. Sentia todo o corpo arrepiar com a nova sensação.
Seus dígitos subiam por minha pele como um vulto. Eu mal percebia o toque, mas somente o calor que emanava deles era o suficiente para fazer um ofego mais fundo escapar pelos meus lábios; principalmente quando eles chegaram próximos ao meu sutiã.
— Mari... — Sua voz era rouca, baixa. Ofeguei novamente pela ciência de seu tom.
Nunca havia ouvido meu nome sair daquela forma por sua boca. E eu podia afirmar que era bom. Eu queria ouvir mais daquilo.
Seus beijos desenharam meu rosto, descendo por meu pescoço, explorando toda a parte que a blusa deixava exposta. Sentia seus dígitos trazerem minha roupa para cima, expondo minha barriga. Adrien não se enrolou para rumar os lábios para lá.
Deixei meus dedos prenderem-se na barra de sua blusa, aproveitando seu movimento para retirá-la. Não dei nem um instante para que ele — ou eu — processasse a informação, atirando-a para o andar de baixo.
E, wow, a visão que eu tive quando ele se inclinou por um breve instante acima de mim. Sentia um misto de vergonha e admiração conforme encarava seus músculos, mas surpreendentemente a cena não me pareceu tão chocante.
No fundo, eu tinha noção de como ele era. Definitivamente aquele couro preto não deixava nada para a imaginação.
— Hmm... O tempo como Chat Noir fez bem pra você pelo jeito.
— Cahém. — Ele pigarreou, sem graça. — Digo o mesmo para você, my Lady.
Ri, um misto de nervoso e alívio. Era interessante a forma como ele reagia tão idêntico a mim. Eram esses pequenos detalhes que estavam afastando a minha insegurança.
Meus pensamentos foram cortados quando seus lábios começaram a subir pela minha barriga, chupando minha pele com louvor. Não era o suficiente para deixar uma marca, mas o bastante para fazer meu corpo todo se arrepiar com a sensação.
Os lábios dele eram quentes, macios, úmidos. Senti-los contra os meus era uma sensação maravilhosa. Senti-los contra a minha pele era algo imensurável.
Percebi que ele segurou minha blusa conforme se afastava por um momento, encarando-me. A realização bateu à porta quando eu entendi que aquilo era um pedido mudo para retirá-la. De repente, o ardor em meu rosto ficou perceptível — eu sabia que ele não havia me deixado, só não estava dando importância até então.
Seus olhos verdes eram tentadores. Eles não tinham pressa, não eram inquisidores. Eu via ali a dúvida que também passava por mim. Contudo, ele parecia mais preocupado comigo do que com suas vontades.
Anui com medo de que minha voz falhasse caso eu tentasse vociferar alguma coisa. Sem demoras Adrien puxou minha peça para cima, atirando-a para fora da cama como eu havia feito com a sua poucos momentos antes.
Ah, a forma como os olhos dele brilharam quando recaíram sobre a minha renda branca. Engoli em seco, nervosa.
Calma Marinette. Sem surtos, sem neuras!
— Branco? — Adrien questionou em um olhar que era puramente Chat Noir. Inflei um pouco as bochechas, respondendo exatamente como se estivesse com a máscara:
— E-eu não preciso usar só vermelho! — Droga, a voz fraquejou. Desviei o olhar do dele, mas tão logo eu pude sentir seu nariz roçar por minha bochecha, carinhoso.
— Você fica linda de branco. Eu diria até... ousada. — Novamente aquele tom, aquela rouquidão conforme ele sussurrava. Aquilo me arrancou mais um ofego.
Marinette, recomponha-se!
Senti seus lábios fecharem-se ao redor da minha bochecha em um chupão úmido, produzindo um estalo quando ele afastou-se. Prosseguiu pela minha pele deixando vários beijos igualmente molhados, cobrindo cada pedaço por onde seus lábios passavam.
Conforme sua boca descia ao meu pescoço, pude perceber seus dedos afastarem a alça do meu sutiã, fazendo-a escorregar pelo meu braço, porém sem fazer menção de retirá-la. Ele acomodou seus lábios na curva que o meu pescoço fazia com o ombro, dando uma atenção pesada aquele ponto, arrancando-me ofegos, fazendo-me remexer por seu toque.
Antes que eu pudesse absorver totalmente a situação, ele havia mudado de lado, fazendo exatamente o mesmo processo: abaixando a alça, trabalhando veemente em meu pescoço. Pude sentir perfeitamente o sorriso que se desenhou em sua boca pelas reações que ele me arrancava.
Seus dedos, ágeis, voltaram à minha cintura, dessa vez subindo pelas laterais de meu corpo, escorregando para as minhas costas até acharem o feche do meu sutiã. Impulsivamente levei os dedos aos seus ombros, suas costas, fincando as unhas ali.
Em câmera lenta eu processei o som do click quando ele soltou a peça, um arrepio correndo por todo o meu corpo, fazendo-me tremer em seus braços. Adrien voltou com os lábios ao meu pescoço, beijando e, ao mesmo tempo, retirando minha lingerie, atirando-a para fora da cama.
Quando ele fez menção de afastar-se, as sirenes na minha cabeça voltaram com força total. O ardor no meu rosto ficou incontrolável e tudo o que eu conseguia processar era:
Ele não pode te ver assim!
Levei os dedos aos cabelos louros, fincando as unhas ali, pressionando o rosto dele onde estava na curva do meu pescoço. Com o movimento, senti seu peito chocar-se contra o meu, um ofego saindo da boca de Adrien pelo contato pele com pele, fazendo-o se arrepiar.
Mas mesmo aquela reação não foi suficiente para me acalmar.
As dúvidas de antes voltaram com força total e... eu não tinha coragem para deixá-lo me olhar. E se ele não gostasse do que iria ver? E se resolvesse parar?
— Né... Adrien... — Comecei, relutante. Eu precisava respirar (respirar Marinette, sabe? Inspira, expira) antes de continuar com tudo aquilo. — Me dê uns segundos. Sério.
— O que... aconteceu? — Sua voz saiu em um suspiro, mas era evidente a sua preocupação. O rosto começou a arder mais pela vergonha; agora já havia perdido totalmente o controle.
Droga.
— Eu estou com muita vergonha agora. — Admiti. Sentia o calor cobrir não só o meu rosto, mas descer também pelo meu pescoço e preencher meus ombros. Eu tinha certeza que ele iria reparar nisso. Foi quando lembrei que eu também tinha sardas ali.
Ah, ótimo. Mais essa agora.
Pude sentir um sorriso se desenhar nos lábios de Adrien. Será que ele havia reparado? Muito provavelmente; ele estava com o rosto grudado no meu pescoço — graças a você mesma, Marinette sua anta — seria impossível não reparar.
Ficamos alguns minutos daquele jeito enquanto eu aprendia a respirar novamente. A compreensão dele estava me ajudando muito, tanto que já havia conseguido suavizar o toque em seus cabelos. Mas ainda me recusava a deixá-lo olhar.
— Hey, Bugboo, fique tranquila. — Sua voz sussurrada ao meu ouvido fez um arrepio correr por meu corpo. Desde quando a voz dele era tão sexy e fazia tanto efeito em mim?! — Eu não vou falar nada, se esse é o seu medo. Confie em mim.
Confie em mim.
Aquela frase fez as engrenagens voltarem a funcionar na minha cabeça. O que adiantaria tudo aquilo se eu não confiasse nele? Eu tinha alguma dúvida de que ele iria me zombar?
Se eu podia confiar a minha vida para ele, por que não poderia confiar mostrar meu corpo?
Anda, Marinette! Você não tem mais nada a perder a essa altura!
Devagar fui soltando os dedos de seu cabelo, respirando bem fundo, fechando os olhos bem apertados; se eu olhasse para a expressão dele, provavelmente perderia a coragem. Pude sentir o colchão afundar-se novamente, o calor de seu corpo afastar-se do meu, indicando que Adrien havia se levantado.
Então o silêncio. Queria ver, queria entender o que ele deveria estar sentindo ao me observar — porque, sim, ele estava me observando. Eu sentia seu olhar. Mas o medo falava mais alto, impedindo que eu tomasse qualquer ação.
— Mari. — Sua voz veio como um trovão, assustando-me. Não sabia definir nada através daquilo. Em seguida veio a pergunta que me deixou desconcertada: — Eu... vou te tocar. Está bem?
Comecei a abrir os olhos lentamente, não acreditando no que havia acabado de ouvir. Pude perceber os dedos de Adrien aproximando-se de mim; puxei o ar com mais força quando percebi eles resvalarem sobre meu seio, tão leves que eu mal definia sua textura. Em seguida, sua mão encheu-se com ele todo, fazendo com que eu puxasse o ar ainda mais fundo pelo toque quente da sua palma.
Enquanto acariciava um, Adrien foi devagar aproximando o rosto do outro, começando a beijá-lo, contorná-lo com seus lábios. Remexi o corpo, suspirando. O toque era bom; era quente, carinhoso. Produzia uma sensação gostosa, inexplicável. Ele foi aproximando-se mais e mais do meu mamilo para, finalmente, encostar nele com a língua, circulando-o, preenchendo-o com saliva.
Eu gemi pela sensação. Não sabia que era capaz de sair tal som da minha boca.
Quando senti Adrien sugar meu mamilo, o gemido saiu mais acentuado. Naquele instante, eu já havia me rendido.
Ele alternava entre lambidas e chupões, sempre carinhoso, sempre atencioso. Suas mãos acariciavam meu seio com vontade e eu pude ouvir, entre uma série de sons que saiam da minha boca, um gemido escapar pelos lábios dele.
Aquele som produziu um estalo em mim. E se, até aquele momento, eu estava em dúvida sobre algo, essa dúvida desapareceu totalmente.
Eu quero ouvir mais desse som. Agora.
— A–drien... — A voz fraquejou, fazendo seu nome sair mais comprido que o desejável. Não me importei e, pela forma como Adrien me olhou, era perceptível que ele também não. — Vem cá... — Chamei-o.
Sem delongas levei minhas mãos ao seu rosto, guiando-o para um beijo longo e sensual. Ter seus lábios nos meus agora produzia uma sensação totalmente nova; eles pareciam mais macios, mais tentadores. Eu queria devorá-los.
E foi com essa ânsia que eu levei as mãos ao cinto da sua calça, buscando pela fivela e abrindo-a. Arranquei-o das casas em um único puxão, atirando-o com toda a minha vontade para longe dali. O som do metal batendo no chão do quarto lá embaixo deu um gás para o meu ego que eu não consegui explicar.
— Já chega de você usando isso aqui. — Murmurei em sua boca, abrindo o botão e descendo o zíper da sua calça, sentindo sua ereção roçar por meus dedos. O calor no meu rosto aumentou novamente, mas eu não estava me importando mais. Levei os lábios ao seu rosto, beijando-o com louvor. — Eu também quero me divertir, Sr. Agreste. — Provoquei para perceber sua reação.
— É mesmo, purrincess? — Ah, aquele apelido. Aquela faceta de Chat Noir. Eu ficava tão confortável na presença dela. Usei desse conforto para começar a empurrá-lo sutilmente até que estivesse sentado, tratando de me livrar daquelas calças jeans.
Elas estavam começando a me incomodar. Imagine só para ele?
Comecei a descer os lábios por seu pescoço, uma das mãos por seu ombro, arranhando-o suavemente para perceber sua pele se arrepiar ao meu toque. Toquei nossos peitos, usando da força do mesmo para empurrá-lo até que ele estivesse deitado.
Senti seus braços desenharem a minha cintura, permanecendo ali como uma forma de manter contato com a minha pele. Podia ouvir os gemidos, quase murmúrios que escapavam de seus lábios conforme eu experimentava seu pescoço, brincava com sua pele.
Continuei com minha exploração lentamente, passando por seu pomo-de-adão, sua clavícula, até alcançar seu tórax. Fui desenhando cada um de seus músculos com a boca, a língua, sentindo o gosto e a textura da sua pele, inebriando-me com seu cheiro: um misto entre madeira e menta.
Seus dedos, inquietos, começaram a descer os meus shorts, aproveitando-se da curvatura do meu corpo para retirá-lo e expulsá-lo dos lençóis. Não me deixei distrair e prossegui com as carícias, as palavras de Alya fazendo-se presentes mesmo naquela situação:
“O divertido é explorar. Experimente. Se você achar que vai ser bom, faça!”
Com isso em mente, voltei minha boca a um de seus mamilos. Prendi-o entre os meus lábios, percebendo a forma como o peito de Adrien se inflou pela maneira como puxou o ar. Suguei-o, sendo agraciada com o som de um gemido escapando por seus lábios. Estimulada pela recompensa, usei da língua para acariciá-lo, mais um gemido deixando sua boca, fazendo meu deleite.
— Mari... — Meu nome era o som do pecado escapando por sua boca. Tentada, comecei a fazer o caminho de volta até ela, deitando-me por cima dele no processo. Suas mãos foram até minha bunda sem qualquer cerimônia, os dígitos contornando minhas nádegas com vontade, voracidade. — Mari...
— Oh, mon minou. — Gemi em um tom rouco, imitando o seu, fazendo seu corpo estremecer pela forma como minha voz soou. Separei mais as pernas, encaixando-as no meio da sua cintura, só para sentir sua excitação roçar na minha calcinha.
Apoiei as mãos em seu peito, levantando-me para poder ter uma melhor visão de sua figura — e, também, para ajeitar minha cintura de tal maneira que eu podia sentir toda a extensão da sua ereção roçando contra mim. Sorri, satisfeita.
— Mari... — Adrien chamou-me outra vez, os verdes de seus olhos perdidos em minha figura como se estivessem hipnotizados. Sem demoras, suas mãos desenharam o meu corpo, fazendo o caminho até meu rosto carinhosamente; continuaram, então, até que estivessem nos elásticos de meus cabelos, soltando-os.
— Marinette... — Ah, como eu estava amando o tom de voz dele, a forma como meu nome pingava por seus lábios, como se eu fosse a última gota de saliva em sua boca. Ele levantou-se e eu segui seu movimento, seus lábios alcançando meu rosto, beijando-o ternamente, os dígitos acariciando, bagunçando meus cabelos.
— Isso é um fetiche seu? Me ver de cabelo solto... — Comentei em voz baixa, quase um murmúrio. Adrien anuiu, o nariz perdendo-se em meus fios, tragando-os com força.
— Sempre. Eu amo seu cabelo, o cheiro dele. — Comentou, sonhador. Percebi que ele queria inverter nossas posições e prontamente cedi, ficando mais uma vez por baixo dele. — Você inteira é extasiante.
— Olha quem fala, Chaton. — Deixei que minhas unhas desenhassem suas costas, sorrindo, os olhos semicerrados. Estava adorando cada nova expressão que via em seu rosto, cada novo brilho que surgia no verde de seus olhos.
— Você vai ser minha morte, my Lady. — Ele murmurou e eu não contive uma gargalhada, um misto entre o divertimento e a vergonha. No fundo, eu não conseguia acreditar que ele estava na mesma pilha de nervos que eu. Era surreal.
Fui trazida à realidade quando senti seus lábios no topo dos meus seios, beijando, começando uma trilha que seguia para a minha barriga. Ele beijou com carinho meu umbigo, continuando até a barra da minha calcinha. Respirei um pouco mais fundo, sentindo os músculos tencionarem-se.
Porém Adrien desviou a rota, descendo diretamente para as minhas pernas, continuando com seus beijos e carícias. Remexi-me sutilmente conforme ele explorava minha pele até quase o joelho e, em seguida, retornava devagar à minha coxa, separando mais minhas pernas.
Engoli em seco, sentindo seu olhar diretamente sobre a minha calcinha. Estava ciente do meu estado; todas as carícias até agora haviam sido certeiras em me excitar. Só o som da sua voz já estava me desconcertando.
O resto era bônus do pacote.
Senti o corpo todo arrepiar quando um dos dedos dele passou pelo meio da peça de roupa bem suave. Foi o suficiente para fazê-la se colar toda à minha intimidade — mais do que já estava. Conti o gemido que pensou em deixar meus lábios, mordendo-os.
— Descobri algo que você quer...? — Resmunguei qualquer coisa, tomando ciência novamente do calor do meu rosto. Adrien voltou a mexer os dedos sobre a minha intimidade, agora pressionando um pouco mais.
Sua boca havia retornado à minha barriga, os beijos trilhando-a, rumando ao meu pescoço. Mas o que estava arrancando gemidos de mim era a forma como seus dedos me acariciavam entre as pernas: gentis, sutis, precisos.
Quando tomei nota, seus lábios já estavam na curva entre o meu ombro e o meu pescoço, mordiscando-o. Senti, em câmera lenta, a forma como seus dedos empurraram minha calcinha para o lado. E então o calor de seus dígitos encontrou minha intimidade, agora sem tecido algum impedindo o contato.
Gemi, agudo, fincando as unhas em seus ombros. Ele fez todo o contorno da minha vulva com a ponta dos dedos, fazendo um arrepio estupidamente prazeroso correr minha espinha, um calor subir pela minha barriga.
— Nossa, Mari... — Ele começou, a voz um murmúrio ao pé do meu ouvido: — Você está toda molhada. — Mordiscou minha orelha, fazendo meu corpo arrepiar ainda mais, o vermelho se intensificar e se fixar em meu rosto.
— A-Adrien...! — Protestei, engolindo a saliva. Senti seus lábios em meu rosto, reparando que ele estava esperando minha posição para continuar: — Se-seu Chat... está aparecendo. — Comentei, envergonhada.
— E isso te incomoda, purrincess? — Era uma provocação, eu sabia. Eu conhecia. Contudo, resumi-me a negar em um aceno, certa de que minha voz não sairia mesmo que eu tentasse. — Bom...
No instante seguinte, Adrien voltou a massagear minha intimidade com os dedos. A textura da sua mão contra a minha vulva era incomparável. Seus dedos eram meio ásperos, um pouco calejados. Ele massageava-me ora com dois, ora com três dígitos, esfregando-os por todos os lados, ousando entrar lentamente pelos meus pequenos lábios.
Remexi-me, o calor intensificando na minha pelve, espalhando-se pelas minhas pernas. Senti Adrien afastar-se e, sem demoras, começar a descer minha calcinha, até finalmente jogá-la para perder-se no quarto. Fechei as pernas em uma reação involuntária ao seu olhar sobre mim.
— Finalmente toda exposta pra mim. — Ele sorria como o Chesire. A essa altura, eu já não me sentia mais intimidada por nada. Até ignorava o fato de estar (provavelmente) parecendo um tomate; ele não ligava mesmo.
Aliás, supunha que ele gostava de me ver dessa cor a cada nova provocação que saía por seus belos e deleitosos lábios.
Carinhosamente Adrien afastou meus joelhos, encaixando-se no meio das minhas pernas. Percebi que ele começou a baixar o rosto, beijando meu ventre com a mesma dedicação que tivera com todo o resto do meu corpo, mordiscando-o, resvalando os dentes. Ofeguei pelo contato e, curiosa, apoiei-me nos cotovelos para ter uma melhor visão.
Foi nesse momento que a minha ficha caiu. Ali, naquele momento, estava Adrien Agreste com a boca no meu ventre, a centímetros da minha intimidade e me encarando com olhos tão verdes, tão intensos que era impossível respirar.
E ele ia... ele ia...
Marinette, calma. Não surta, não surta, não surta—
— Ansiosa pelo que eu farei? — Engoli em seco, a saliva rasgando minha garganta em antecipação. Anui lentamente para a sua pergunta, incapaz de vociferar algo que não fosse algum ruído muito estranho, mordendo o lábio para evitar que algo assim saísse por ele.
Marinette, acalme-se. Ele não vai fazer...
Ele continuou descendo por meu ventre, a boca sempre carinhosa contra a minha pele, aproximando-se mais e mais da minha intimidade.
Ok, ele vai fazer isso mesmo.
Instintivamente afastei as pernas, percebendo que ele aproveitou bem o espaço ali. A boca estava seca, seca como se eu há muito não soubesse o que é água.
Ele parou quando seus lábios estavam a centímetros da minha intimidade. Eu podia sentir o seu hálito ali, fazendo um calor subir por todo o meu ventre, as minhas pernas e minhas costas.
Seus dedos, uma vez mais, tocaram-me, intensificando o calor, a excitação; eu nunca havia me sentindo tão molhada na vida. O olhar dele sobre a minha intimidade estava começando a me deixar sem graça.
Tem tanta coisa pra você olhar, vai ficar olhando logo pra isso, gato imbecil?!
Percebi que Adrien umedecera os lábios, respirando fundo. Engoli em seco, um ato que pareceu se refletir nele.
Marinette, respira fundo. A situação é irreal, mas você precisa ter calma e—
Lentamente seus lábios tocaram bem no meio da minha intimidade, um ato muito semelhante a um beijo. Engoli o gemido, dobrando os joelhos. Sua boca era quente, a textura macia. Ele permaneceu com ela ali por um momento, dando-me a oportunidade de absorver a sensação.
Viu só? Não é nenhum bicho de sete cabeças. Você vai...
Então eu senti a textura aveludada, úmida e quente da sua língua correr por toda a minha vulva.
Você vai enlouquecer com isso!
Num espasmo totalmente involuntário eu fechei ambas as pernas em seu rosto, um arrepio muito forte correndo pelas minhas costas, coxas e barriga.
— Tudo bem, Mari? — Adrien perguntou, assustado, após afastar seu rosto e separar minhas pernas novamente. Eu não sabia pensar, eu não sabia o que era chão.
Eu só sabia que eu queria sentir aquilo de novo.
— Si-sim... — Obriguei-me a falar, buscando voz onde não havia. — É só que... — A frase morreu em um suspiro; suspiro esse que se refletiu nele, mas no seu caso, parecia um alívio.
— Eu vou fazer de novo, está bem? — Oh, sim, sim, por favor! Era o que eu queria dizer, mas somente concordei baixinho, envergonhada por tê-lo prensado entre as minhas pernas; não que ele parecesse desgostoso. Somente assustado. — Não precisa se preocupar com nada. E, se quiser que eu pare, fale.
Ah, claro, como se eu fosse falar isso mesmo!
Adrien voltou a se posicionar após eu concordar com sua afirmativa. Afastou bem as minhas pernas e, sem demoras, voltou com a boca à minha intimidade, repetindo o movimento com a língua.
Gemi acentuado, adorando a sensação. Era claro que ele não sabia o que estava fazendo, mas sinceramente, não importava, porque qualquer coisa que ele fizesse naquele momento estava ótimo.
Somente o calor da sua boca, a textura e a umidade da sua língua em um lugar tão íntimo estava fazendo meu mundo diluir em arrepios, calores e gemidos incoerentes.
Sua língua andou por toda a minha vulva, passando pelos meus pequenos lábios, dentro e fora deles; eram lambidas longas e curtas. Percebi que ele começou a subi-la um pouco, provavelmente procurando meu clitóris.
E, Deus, minhas pernas ficaram bambas quando sua língua chegou ali, circulando a região.
— A-Adrien! — Chorei seu nome, um arrepio absurdo subindo pelo meu ventre quando ele me chupou sutilmente. Levei os dedos aos seus cabelos, fincando as unhas ali, forçando seu rosto para mais próximo da minha intimidade.
Atirei a cabeça para trás quando ele passou a, insistentemente, lamber o meu clitóris. Deus, aquilo era bom. Tudo era bom, bom, bom. Era úmido e quente. Sentia seus cabelos no meu ventre, a textura macia de seus fios intensificando o arrepio nas minhas costas.
Minha intimidade chegava a doer de tão excitada que eu estava. Eu queria mais do toque dele; da boca dele. Dele.
Eu queria aprender a respirar de novo, também, porque eu mal conseguia puxar o ar e outro gemido escapava pelos meus lábios. Se ele continuasse daquele jeito, eu, eu—
— Calma lá, purrincess. Não adianta fugir das minhas patas não. — Pisquei, tentando entender o que ele queria dizer com aquilo. Senti o calor de seu rosto afastar-se de mim e com um puxão eu comecei a ir mais para o meio da cama.
Eu estava caindo?
Aproveitei o momento de calma para puxar todo o ar que conseguia. E, de repente, as coisas ao redor apareceram diante de mim, como se não estivessem ali a meio segundo atrás. Pisquei e a primeira coisa que meus olhos focaram foram os verdes dos seus — seguido por um sorriso satisfeito.
Adrien começou a se inclinar por meu corpo, beijando a curva do meu pescoço. Levei os dedos aos seus cabelos novamente, arranhando seu couro com carinho, bagunçando seus fios para me tranquilizar. A respiração ainda estava descompassada e eu me sentia nas nuvens.
Sua mão retornou à minha intimidade, acariciando-a, espalhando todo o meu lubrificante por ela, me deixando ainda mais molhada do que já estava.
A surpresa veio quando um de seus dedos passou pelos meus pequenos lábios e tentou entrar. Choraminguei, uma sensação estranha — o dígito dele era mais grosso que o meu e, apesar da lubrificação, ele entrava devagar. Era... incômodo.
Foi então que um flash me ocorreu:
O que eu iria sentir quando fosse... ele e não o dedo?
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Os pensamentos foram cortados quando seu dígito saiu de dentro de mim, sua mão voltando a acariciar minha vulva, meus grandes lábios, sua boca beijando e mordiscando meu pescoço. Respirei fundo e, em um aperto firme em seus ombros, fiz com que invertêssemos nossas posições, deixando-o por baixo.
Confesso que, até aquele instante, eu não havia planejado nada ultrajante para ter feito aquele movimento. Porém, ao observar o brilho no olhar de Adrien, uma ideia prazerosa me ocorreu.
Ele engoliu em seco quando eu me sentei em sua barriga, o sorriso bailando nos lábios pela empolgação.
— Dois podem jogar esse jogo, Sr. Agreste. — Provoquei, alcançando seu queixo e o mordendo levemente, começando a descer os lábios por seu pescoço, seu peito.
Trabalhei firmemente com a boca sobre seus músculos, desenhando-os com carinho, graça, enquanto deixava meus dedos bailarem por sua pele para chegarem até a sua ereção ainda confinada na boxer. Abracei-a ainda por cima do tecido, definindo-a na peça de roupa, arrancando um gemido alto dos lábios de Adrien com isso.
— Esquecemos do seu amiguinho aqui. Ele está clamando por atenção. — Brinquei, descendo os lábios por sua pelve agora, levando sua boxer no processo. Atirei-a na mesma direção que ele havia mandado a minha calcinha minutos atrás, despreocupada.
Eu pensei, por tudo que Alya havia me dito, que encarar um pau — segundo palavras da mesma — seria a coisa mais absurda do mundo.
Mas ao trocar olhares entre Adrien e sua ereção, eu só pude sentir o sorriso se alargar ainda mais no meu rosto, incapaz de não provocá-lo:
— Agora é você quem está todo exposto pra mim. E não tem como se esconder. — Cantarolei, sentindo o gostinho da vitória. Percebi atentamente a forma como suas bochechas coraram pelo comentário, ele fechando as pernas em um ato fútil de se esconder de mim.
Tão fofo.
Tentada, levei minha mão para tocá-lo diretamente. Deixei que meus dedos abraçassem sua excitação com cuidado, fazendo um movimento sutil de cima para baixo. Adrien gemeu, apertando os olhos; ele parecia ansiar por aquilo e não era de agora.
Aproveitei o instante para sentir melhor a forma como ele se encaixava na minha mão, como a pele daquela região tocava a minha mão. E, nesse pequeno momento de observação, algo muito curioso me chamou a atenção e eu não pude deixar de comentar:
— Você é circuncidado! Que bonitinho. — Fui ajeitando-me próximo a sua pelve conforme as palavras bailavam para fora da minha boca. No mesmo instante, percebi Adrien se remexer, inquieto.
— Mari! — Ele protestou, o vermelho se estendendo até a ponta das orelhas agora. Ri, deliciada com o fato de tê-lo deixado sem graça com tão pouco.
— Vingança. — Pisquei, aquela piscadela que ele estava acostumado a ver, só para percebê-lo ficar ainda mais sem graça. Ainda com curiosidade, levei um dos dedos até a cabeça da sua excitação, fazendo um movimento circular, só para ouvi-lo gemer acentuado. — Que sensível.
— Ma-Marinette! — Ele grunhiu quando levei minha outra mão para ajeitar suas bolas em meus dedos, fazendo uma massagem sutil. Percebi que ele atirou a cabeça para trás, pronunciando meio ofegante: — Vo-você...
— Huh? — Provoquei e, sem esperar sua resposta, experimentei levar a língua para tocar sua excitação, fazendo um movimento da base até a cabeça. Ela tinha o mesmo gosto da sua pele. — Eu...? Por um acaso não quer que...?
— Na-não é isso! — Eu sabia que ele não iria conseguir falar se eu continuasse massageando suas bolas, beijando sua ereção e pressionando a cabeça dela com os dígitos. Mas sua reação era tão preciosa, tão instigante que eu não conseguia me conter. — É que... você...
Pisquei, mais preocupada em dar atenção às carícias que fazia do que a realmente tentar entender o que Adrien queria dizer. Devagar, levei a cabeça de sua excitação à boca, sugando-a de leve, sentindo um gosto meio salgado invadir minha boca, provavelmente do pré-gozo que escorria por ela. Instantes depois, encostei a língua, o gosto se diluindo conforme eu deixava saliva por ali.
— Mari—! Você vai me matar. — Ele choramingou. Eu estava deliciada. Afastei-me um pouco de seu corpo, começando a me ajeitar.
— Vou nada. Você não me matou com isso! — Retruquei, começando a afastar suas pernas para melhorar minha posição. Se eu realmente queria fazer aquilo, deveria fazer em uma posição que fosse no mínimo confortável.
Após achá-la, levei novamente a mão à sua ereção, massageando-a. Engoli em seco, preparando-me mentalmente para o que eu iria fazer.
Ok, Marinette. Lembre-se do que a Alya disse. Paus não mordem e você não deve mordê-los — essa segunda parte é a mais importante.
Comecei a aproximar a boca de sua excitação quando meus cabelos entraram na frente, impedindo que eu fizesse qualquer coisa. É por isso que eu os deixo presos, pensei.
— Cahém. — Pigarrei, alto. Adrien pareceu despertar de seu amortecimento e resolveu me ajudar.
— Tá... Entendi. — Murmurou e, sem demoras, passou os dedos por meus cabelos, segurando-os em sua mão como um rabo. E só a sensação de seus dígitos tão próximos da minha nuca era excitante e estimulante.
Comecei a imaginar o que ele poderia fazer com eles e comigo naquela posição.
Foco Marinette!
Voltei finalmente com a boca à cabeça de sua ereção, sugando-a com um pouco mais de intensidade agora. O gemido que escapou pelos lábios de Adrien foi satisfatório. Usando do embalo, abri mais os lábios e comecei a escorregá-lo para dentro da minha boca, iniciando alguns movimentos de vai e vem, intensificando-os gradativamente.
Havia pensado diversas coisas sobre como seria aquilo, mas nenhuma delas provou-se real. O gosto era muito similar ao de água — ou seja, praticamente nulo. Salvo por um leve teor salgado vez ou outra. O cheiro de sua pele inebriava totalmente as minhas narinas; era quase como se eu pudesse sentir o gosto da menta enquanto o chupava.
Levei uma das mãos ao interior de sua coxa, arranhando-a com carinho. A pele sob meus dedos se arrepiava, seu corpo se mexendo em alguns espasmos que eram preciosos. Segurava a base da sua excitação para mantê-la firme enquanto eu trabalhava com a boca.
Era bom. Ouvir os gemidos dele, sentir o gosto, o cheiro da sua pele. Era recompensador. Às vezes eu sugava com um pouco mais de força, outrora roçava os dentes — mas esse último, notei, ele não gostava muito.
A surpresa veio quando seus dedos puxaram com força os fios dos meus cabelos, fazendo sua ereção escapar da minha boca com um estalo úmido.
— Você não gostou de verdade? — Perguntei com certo ressentimento na voz, endireitando-me na cama. A sensação para mim fora boa e eu esperava que para ele também tivesse sido.
Observei atentamente seus dedos saírem de perto de mim e irem até os seus próprios fios louros, colocando os cabelos para trás, parecendo desnorteado.
— Não... foi... Urgh, eu não tenho autocontrole. — Adrien comentou e eu percebi a vergonha que passava por seu rosto. Arregalei os olhos quando, instantes após, a realização bateu à minha porta.
Ele iria gozar se eu continuasse?
— Uff! Sério? — Eu ri, mais por incredulidade do que por zombaria. — Mon minou é tão descontrolado assim? — Aproveitei para provocar, beijando sua bochecha e caminhando para sua boca.
— Eu disse que você seria a minha morte, Bugboo. — Seus lábios recepcionaram os meus com carinho, devoção, enquanto suas mãos iam aos meus ombros, descendo por eles, desenhando meu corpo. Fechei os olhos para aproveitar seu toque; tão gostoso.
Adrien foi guiando-me novamente para deitar sobre a cama, encostando minha cabeça no travesseiro. Sua boca deixou a minha para voltar a explorar minha pele — e, admito, estava começando a ficar mal-acostumada com o toque dele daquela forma.
Um arrepio delicioso correu por meu corpo quando seus dedos voltaram a tocar minha intimidade e eu gemi. Nunca havia me sentido tão excitada quanto estava naquele momento; era tudo novo, era tudo saboroso, tudo delicioso.
Sua boca desenhou minha clavícula e, sem demoras, rumou ao meu seio, beijando-o com a mesma devoção que ele usou em todo o meu corpo até agora. Seus dedos trabalhavam arduamente no meio das minhas pernas e eu não poderia estar mais extasiada com tudo aquilo.
— A-Adrien, você...? — Tentei perguntar, mas a frase padeceu no meu gemido quando seu dedo entrou novamente em meu corpo, a sensação incomoda de ter algo dentro de mim. — A-Adrien, a cami– — Uma segunda vez a frase cortada, dessa vez por um ofego conforme ele movimentava delicadamente o dígito em mim.
— Eu tenho. — Ele pareceu entender, apesar da minha dificuldade. — Está na... — Ele piscou e, de repente, enfiou a cabeça em meu peito, bufando frustrado. Assustei-me com seu gesto. — Está na minha bolsa lá embaixo!
Ah não. Sério?!
Percebi que Adrien ameaçou levantar-se e ir buscar o preservativo onde quer que estivesse em sua bolsa. Mas se ele se afastasse de mim só um pouco, o pouco que fosse, tudo aquilo em que nós estávamos até agora iria se desfazer.
Tinha que ter outra maneira.
Foi então que uma ideia me ocorreu.
— Está aonde? Na carteira? — Indaguei antes que ele se afastasse muito. Adrien ainda demorou um pouco para entender minha pergunta, provavelmente anestesiado por tudo o que havíamos passado até agora; compreensível. Anuiu depois de um tempo. — Tikki!
Percebi os músculos dele se enrijecerem conforme eu chamei pela kwami. O flash vermelhou não demorou a surgir, os olhos azuis mais arregalados do que já eram devido à situação.
— Ai, Marinette! — O protesto em sua voz fez meu coração apertar. — Eu não precisava ver isso! — Ela virou-se, envergonhada. Eu iria recompensá-la com tantos biscoitos depois que ela entraria em coma por excesso de açúcar.
— Desculpe, mas pode pegar a carteira do Adrien na bolsa dele? Por favor! — Aproveitei o momento para passar os dedos pelos cabelos de Adrien e deitar sua cabeça sobre meu peito, praticamente abraçando-o. Dessa forma, além de mantê-lo próximo e em contato com meu corpo, diminuía as chances de Tikki ver coisas que não deveria.
Ou gostaria.
O murmúrio dela passou praticamente despercebido de tão baixo que foi. Em um instante ela descera, revirara todas as coisas dentro da bolsa de Adrien e trouxera a carteira, largando-a sobre as costas dele e desaparecendo para um canto escondido.
— Eu acho que... assim serve, não? — Questionei, pegando sua carteira e procurando pelo preservativo. Não tardei a encontra-lo. — Err... Você sabe...? — Questionei enquanto o encarava.
Apesar de todas as aulas de educação sexual, eu nunca havia colocado uma camisinha com minhas próprias mãos. Sempre dava um jeitinho de pular essa parte.
Também não me imaginava transando tão logo.
— Dou um jeito. — Foi a sua resposta. Não foi o que eu gostaria de ter ouvido.
— A-Adrien, você nem pense em– — Vociferei, tentando lembra-lo de que nós não faríamos mais nada sem aquilo.
Por mais que eu já saiba quantos filhos queria ter e quais os nomes deles, ainda não estava preparada para isso no momento.
— Claro que não! — Respondeu-me, aliviando um pouco a minha insegurança. Ele tomou o pacote de minhas mãos e, nesse instante, aproveitei para atirar sua carteira para junto das nossas roupas lá embaixo. — Pode confiar em mim, Mari. Eu não vou deixar passar nada, se que me entende.
E, naquele momento, com aquele comentário, eu finalmente percebi a dimensão do que estava acontecendo ao meu redor.
Ele vai— Ele vai— O— Em—
Marinette, Marinette!
Corei até o último fio de cabelo que tinha na cabeça, desviando o olhar do seu. O coração começou a bater mais rápido, aquela sensação tão familiar de ansiedade e insegurança tomando conta do meu peito.
Eu ouvi o som do preservativo sendo aberto, mas não mais do que isso. Recusei-me a olhá-lo enquanto ele o vestia — eu ainda estava tentando digerir toda a ideia do que iria acontecer.
Marinette, calma. Respira fundo. Você aproveitou tudo até aqui, não tem porquê entrar em nervos agora.
Mas ele vai— ele vai—!
— Está insegura, Bugboo? — Voltei à realidade quando senti os lábios de Adrien em minha bochecha, beijando-a carinhosamente. Anui bem devagar, puxando o ar com força. — Não precisa ficar. — Ele afastou-se um pouco, fitando-me.
Procurei no fundo de seus olhos verdes a maciez que estava em seu tom de voz, a segurança que parecia se transmitir por ela. Eles brilhavam tanto que eu poderia mergulhar neles e me perder naquela imensidão na qual se mostravam.
E, por mais que eu ainda estivesse insegura, a curiosidade e a empolgação tomaram conta de mim, trazidas pela beleza e carinho em seu olhar. Seu sorriso foi tão acolhedor quanto.
Seus lábios encontraram os meus em um beijo terno, seus dedos voltando a acariciar minha intimidade, fazendo-me gemer — ah, como era prazeroso vociferar isso.
Abracei seu pescoço, acariciando sua nuca e seus cabelos. Senti os dedos de Adrien espalharem ainda mais a minha lubrificação por toda a extensão da minha vulva, brincar com meus pequenos lábios, antes de se desvencilhar de mim.
Ele ficou de joelhos à minha frente, separando mais minhas pernas. Engoli em seco, levando às mãos aos lençóis. Seus dedos voltaram à minha intimidade, separando meus grandes lábios e, por fim, a cabeça da sua excitação encontrou a minha entrada.
Ok, Marinette, acalme-se. Não é nada demais, a Alya também disse que não era nada demais. Não precisa ficar nervosa.
Senti Adrien respirar fundo e sincronizei minha respiração com a dele. No momento seguinte, ele começou a se empurrar para dentro de mim, calmo.
Mas a dor que eu senti naquele momento não tinha explicação, não tinha palavras. Era, literalmente, a sensação de ser separada em duas partes. Agarrei os lençóis com força, mordendo o lábio.
Ele continuou forçando a passagem devagar, bem devagar e a sensação só aumentava mais.
Foi então que escapou.
O suspiro saiu cortando a minha garganta e eu reparei que havia segurado o ar durante todo esse segundo, fazendo minha respiração ficar descompassada.
— Tudo bem, Mari? — O tom de Adrien demonstrava claramente preocupação. Anui, não querendo compartilhar daquilo com ele. Era coisa de primeira vez; iria passar. — Eu vou tentar de novo, tá?
— Si-sim. — Vociferei, agora com mais fôlego do que antes. Seus lábios voltaram aos meus, carinhosos como sempre.
Com os dedos, Adrien achou minha entrada novamente e posicionou-se; aproveitei a proximidade de seu corpo para abraçar seu pescoço e, nisso, ele começou a entrar outra vez, vagaroso.
Calma, Mari. Agora vai dar certo.
A dor voltou, cortante. Finquei os dedos em sua pele como havia feito antes, prendendo a respiração uma vez mais.
Respira, Marinette! Vai passar, é só relaxar.
Ele continuou se forçando, mas tal qual a primeira vez, escapou, arrancando um ofego sôfrego de nossos lábios.
Ok, talvez não fosse tão simples assim.
— Saco. — Ele murmurou.
— Tenta de novo, Minou. — Disse com a voz suave. Eu queria aquele momento, eu estava certa disso. Mas eu estava receosa e não conseguia tirar isso da minha cabeça de jeito nenhum.
— Tem certeza? — Sua voz era pura preocupação. Anui; era uma questão de honra agora fazer aquilo funcionar. Não cheguei tão longe para nada! — Ok... Dobre as pernas então. — Ele afastou-se de meu corpo e, prontamente, obedeci sua orientação.
Ele posicionou-se pela terceira vez em minha entrada, porém agora eu o observava, curiosa, ansiosa, temerosa — um monte de sensações misturadas. Adrien voltou a se empurrar...
Mas antes mesmo que pudesse pensar em entrar direito, ele escapou. Só que dessa vez foi pelo susto que havíamos tomado com a voz da minha mãe praticamente colada à porta:
— Adrien, seu motorista chegou! Você tem aula de chinês hoje.
Quando voltei à realidade, o corpo de Adrien estava deitado sobre o meu. Não sabia quando ele havia feito isso — aparentemente, nem ele. Tampouco sabia dizer como eu havia fincando as unhas em sua pele.
A única coisa que eu sabia era que...
Aquilo só poderia ser brincadeira!
— Não! Droga. — A cabeça de Adrien caiu ao lado da minha no travesseiro. — Que caralho. — A sua voz pingava frustração, mas mesmo assim não era motivo para o palavreado. Dei um tapa merecido em seu ombro e ele resmungou.
— Cuidado com o palavreado! — Protestei, aliviando os dígitos em sua pele.
Mas a frustração não resolveu tomar conta de mim naquele exato momento.
— Perdão... — Ele murmurou, decepcionado.
— Não tem o que fazer. — Respondi, mais grossa do que gostaria, desvencilhando-me dele e saindo da cama devagar. Pude ouvi-lo gemer no travesseiro, desgostoso.
Conforme descia as escadas para o andar de baixo, uma leve ardência começou a surgir no meio das minhas pernas. Supunha que eram pelas tentativas frustradas de ele entrar em mim.
Não acho que fizemos algo de errado; na verdade, estava tudo maravilhoso. Foi só esse... incômodo detalhe que havia esbarrado entre nós.
E, claro, a aula de chinês dele que chegou como um caminhão cheio de gelo.
Comecei a catar minhas roupas, vestindo-me como podia. Parei um momento para observá-lo em minha cama enquanto vestia o sutiã.
Percebi como, lentamente, o verde dos seus olhos foi ganhando mais brilho conforme me encarava. Desviei o olhar, voltando a procurar por minhas peças de roupa naquela bagunça que havíamos armado.
Foi quando o som de seus passos, rápidos, encheram o quarto conforme ele descia as escadas do segundo andar. Logo seus braços me envolviam por trás, fazendo-me encostar contra o seu corpo, roçar pele com pele. Seu nariz veio aos meus cabelos, tragando, gemendo entre os meus fios.
— Adrien, seu motorista está aí! — Adverti. Eu queria estar perto dele também, eu queria continuar, mas nós não podíamos. Contrariado, Adrien apertou ainda mais meu corpo contra o seu. — Adrien! — Insisti mais agora, virando-me para poder encará-lo.
Quando meus olhos encontraram os seus foi impossível manter minha boca separada da sua. Trocamos um beijo carregado de afobação, carinho e principalmente necessidade. Apertamos mais os corpos como se há pouco eles não estivessem em constante contato.
Foi nesse interim que eu percebi que, além de excitado, Adrien ainda estava vestindo a camisinha.
— Adrien, pelo amor de Deus, vá jogar fora essa camisinha. — Rompi o beijo para adverti-lo, incomodada com aquele toque sobre o meu ventre. Ele grunhiu, desgostoso.
— Calma, eu sei. Não é como se eu fosse me acalmar tão cedo. — Reclamou, incomodado, conforme retirava o preservativo, amarrava-o e o tacava no lixo próximo à minha bancada.
— Não faça desse jeito! Seja mais cuidadoso. — Adverti novamente. Se aquilo estivesse cheio teria feito um estrago dentro do meu cesto.
E eu não estava a fim de ficar com o quarto cheirando a fluídos masculinos.
Por mais que eles fossem do Adrien.
— Mari, se ainda tivesse alguma coisa lá, eu seria. Mas não tem e você sabe disso. — Ele protestou, a voz pingando frustração. Fiz um muxoxo, voltando a buscar as peças de roupa.
Naquele instante eu percebi o quanto aquilo havia abalado nós dois. Que eu não era a única incomodada por ter dado errado — ou melhor dizendo, por termos sido interrompidos naquele momento delicado.
Meus pensamentos foram cortados quando a cena totalmente inusitada surgiu à minha frente. Eu pensava que poderia ter visto de tudo como Ladybug e enfrentando os Akumas de Hawkmoth.
Mas certamente ver uma boxer voando era uma das poucas coisas bizarras que eu não havia presenciado.
Até então.
— Você viu minha cueca, por um acaso? — A voz de Adrien cortou meus pensamentos e eu tive de segurar fortemente o riso conforme o respondia:
— Hmm... aquela voando ali?
Dei uma leve espiada em Adrien, percebendo a forma como seu semblante mudou quando percebeu que não, eu não estava brincando, a cueca dele estava realmente voando. E ele parecia entender o porquê daquilo.
— Primeiro foi querer me sufocar no meio de vocês, agora isso? — Eu conhecia aquela voz. Antes que eu pudesse questionar, Adrien caminhou até a peça de roupa e, com um puxão, revelou um vulto preto que rodou no ar, os olhos desnorteados quando conseguiu se estabilizar. — Sério, Adrien, você abusa demais da minha paciência!
— Muito engraçado, Plagg. — A ironia adornava sua voz. Eu ri baixinho enquanto observava Adrien vestir a boxer, indignada com a cena.
— Eu estou falando muito sério! Sua cueca tem um cheiro horrível!
— Ela é mais limpa e cheira mil vezes melhor do que seu queijo!
— Meu queijo é melhor que sua cueca. Ou suas meias. É, certamente, suas meias são piores.
Observei de canto conforme Adrien e Plagg discutiam pontualmente sobre odores e peças de roupa. Entre uma reclamação e outra, eu entregava um pedaço das vestes dele, percebendo-o se vestir sem dificuldades enquanto batia boca com o kwami.
Achava a relação deles curiosa para dizer o mínimo.
Depois de alguns minutos, estávamos praticamente arrumados tirando o fato de precisarmos ainda dar um jeito nos cabelos — e alguns amassos que ficaram pelas roupas. Mas ao menos por aquele momento não seríamos muito questionados.
Esperei somente que Adrien pegasse sua bolsa para descermos para a cozinha onde mamãe nos recebeu com um sorriso caloroso.
— Desculpe causar tanto incomodo a vocês sempre. — Adrien comentou. Mamãe negou, compreensiva.
— E eu sempre direi que você não é um incômodo, Adrien. — Eles se abraçaram. — Espero que aproveite sua aula hoje. Mas peça para sua secretária liberar sua agenda inteira alguma hora. Vai ficar sem poder comer o bolo que eu estava fazendo.
— Pode deixar, senhora Cheng. Eu prometo conversar com ela sobre isso.
Observava a cena atentamente, feliz por mamãe sempre tratar Adrien tão bem. Era inegável que, desde o começo, ela sempre aprovara meu relacionamento com ele — mesmo antes de eu ter um relacionamento propriamente dito.
De repente, a porta da frente se abriu — quando Adrien pensou em sair — relevando papai naquele bom humor que eu amava:
— Já está indo? Mas eu mal cheguei! — Ele parecia genuinamente chateado. Adrien anuiu para sua pergunta. — Poxa! Que chato. Ia trazer uns salgados para vocês da confeitaria... tudo bem, outra hora eu peço para a Marinette levá-los para você. — E, até aquele momento, eu me perguntava se meus pais queriam fazer o Adrien engordar, porque a todo momento eles ofereciam comida.
Estava absorta nessa reflexão quando o olhar de meu pai e seu questionamento fizeram-me voltar à realidade em um susto:
— Ué, está com o cabelo solto, que milagre!
— Ah! — Eu senti um uníssono entre eu e Adrien. Havíamos esquecido daquele detalhe. Eu precisava de uma desculpa, qualquer uma e rápido: — Eu ia arrumá-lo, pai, mas o Adrien tem de sair e eu acabei deixando como estava. — Será que essa cola?
— Hmm. — Papai pareceu desconfiado. — Mas você fica bem assim. Deveria deixa-lo mais vezes solto! Acho que o Adrien concorda, não é mesmo? — A desconfiança saiu de sua voz, o que me aliviou por um lado, mas por outro o comentário havia sido desnecessário.
— Pai! — Choraminguei sem graça. Ele só riu, divertindo-se.
Adrien ainda ficou uns momentos despedindo-se novamente de meus pais. Percebi que ele estava indo para a escada quando alcancei sua blusa com os dedos. Ele virou-se, fitando-me.
Ainda... havia aquele sentimento chato. De um querer mais, de um ansiar por mais. Eu queria... alguma coisa. Alguma coisa para tirar aquela sensação estranha de mim.
Ele parecia entender que eu queria algo, mas também não sabia o que era. Percebi que ele trocou olhares com meus pais logo atrás e voltou a me fitar em seguida. Pensei em questionar o que passou por sua cabeça, mas a resposta veio breve.
Suas mãos foram ao meu rosto, carinhosas e seus lábios vieram aos meus, delicados como ele sempre eram. Foi um beijo rápido, cálido, mas a sensação das bocas escorregando para longe foi como uma tortura para dizer o mínimo.
Ele despediu-se com um aceno e desceu. Levei os dedos aos lábios, sentindo o gosto, a textura dele ainda ali.
Quando fechei a porta e voltei ao meu quarto, tudo o que eu conseguia lembrar era do cheiro, do gosto, do calor, da presença dele em mim, ali.
Tikki apareceu no meu campo de visão, piscando conforme me encarava.
— Você está com um olhar sonhador. — Pontuou.
— Eu... — Pisquei. Tudo estava vívido. Tão vívido que era palpável. Sem nem me tocar, estava com os dedos na boca novamente, acariciando meus lábios, buscando os resquícios do último beijo que trocamos.
— Quer ficar sozinha e refletir? — Tikki questionou, sorrindo. Anui. Eu estava com dificuldades para absorver o que ela estava falando, por menores que fossem suas frases.
Em um flash vermelho ela desapareceu da minha vista. Voltei lentamente à minha cama, atirando-me sobre ela e me permiti mergulhar no cheiro de Adrien impregnado nas minhas roupas de cama.
Passei o resto da tarde me deleitando naquilo e revivendo as muitas sensações que havia passado.
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