Notas iniciais

tadin do Ciel... ;

Ciel estava na rua, com Lady Yuki agarrada em seu braço. Andavam pela calçada, o garoto com as mãos no bolso, olhando e assoviando distraidamente, Lady Yuki sorridente, feliz por estar junto de Ciel, como sempre. De súbito, ela parou, segurando o rapaz junto.

-O que aconteceu, Yuki? – Ciel ficou preocupado com a face de choque que Lady Yuki tinha.

-Faz de conta que eu não existo! – A garota subitamente desapareceu, Ciel reparando que de repente sua sombra havia ficado com a forma dela.

Ciel já sabia que a garota podia fazer isso. Já havia se transformado em gato, transformar-se em uma sombra não era mais surpreendente, além de ser óbvio, já que no mundo delas todos eram chamados de sombras.

Continuou andando, preocupado, mas não questionando muito. Chegando na dobra da esquina, o garoto parou em frente a um homem. O homem deveria ter uns 50 anos, usava um paletó amarelado, com um chapéu clássico dos antigos, pequeno e arredondado. Seu rosto era fino, usava um bigode bem arrumado, grisalho como seu cabelo. Ciel se lembrou rapidamente dos detetives de filmes antigos.

O senhor não disse nada, apenas ficou parado em frente ao garoto, atrapalhando sua caminhada.

-Saia daí – sussurrou Lady Yuki.

-Você acha que eu não lhe escuto, garota? – Ciel escutou uma voz.

Aquela voz não saíra da boca do homem, pois seus lábios não se moveram. Mas, assim como Lady Yuki se transformou em sua sombra, a sombra do homem se transformou em pessoa.

A pessoa era um homem. Vestia-se basicamente igual ao senhor de paletó amarelo, porém, o seu era azul escuro, seus cabelos eram escuros, não havia em sua cabeça nenhum chapéu e seus lábios estavam abertos em um pequeno sorriso, divididos ao segurar um charuto queimado. Lady Yuki dera um suspiro, eu voltou a sua forma humana.

Ciel não gostara do olhar que aquele segundo homem olhou a garota, mas não sabia o que dizer. Lady Yuki dera um pequeno sorriso, e disse um “Olá, senhor Jones. Olá, McCrosen”. Ciel percebera que o segundo nome não fora entoado com a pequena felicidade dita com o tal de Jones. “McCrosen... Nunca fui com a cara de quem começa com “MC” na frente” – pensou o garoto.

-Lady Yuki, acho que devamos conversar. – O homem do paletó azul disse.

-Sim... Talvez seja melhor, conversarmos... – Lady Yuki não parecia na disposição certa para conversar, apesar de suas palavras.

-Está ocupada no momento?

-Não, podemos conversar agora mesmo.

-Ótimo. Jones. Ciel. – McCrosen se despediu apenas com uma pequena balançada de cabeça, e saiu com Lady Yuki. Ciel, incapacitado de dizer alguma coisa, apenas chamou seu nome, após os dois terem dado dez passos a frente. Lady Yuki se virou, sorriu, e apenas disse “não se preocupo, Ciel, volto ao final da tarde!”. Jones continuou parado a sua frente, e o garoto ficou de cabeça baixa, ainda atordoado com o que vira. Sentia um sentimento estranho, como um buraco imaginário em seu coração. Ao notar sua mão no peito, senhor Jones disse:

-Não se preocupe meu rapaz, a separação é um pouquinho difícil no inicio, mas depois você acaba se acostumando.

-Separação? – Ciel disse, temendo de que a palavra fosse o destino dos dois, determinado no momento errado.

-Ela voltará ao final da tarde, como disse. Lady Yuki não volta com as palavras jamais, não tenha medo.

-Eu... Eu preciso ir ao mercado. – Ciel saíra correndo, sem mal terminar a frase.

-Não tenha pressa, garoto, tudo vai se resolver! – Gritou o homem calmo.

Suas compras acabaram sendo esquecidas, tomado pelo pavor que ele sentia ao voltar para casa. Ciel passou o resto da tarde preocupado, com medo que o homem tivesse feito algo com sua Sombra. Sua imaginação era contida, para não ter que sofrer mais ainda com a falta que Lady Yuki lhe dava.

O dia se passou, e nada da garota aparecer. 18:30, 19:45, 20:00... Ciel contava as horas, não sabendo o que fazer. Se ao menos tivessem um celular ou qualquer coisa que pudesse descobrir onde sua Sombra estava... chegou 20:30min. e alguém bate na porta. O garoto, mais no susto do que na sua ansiosidade em si, saltou da poltrona e fora ver quem estava lá.

-Ciel! – Lady Yuki abraçou-o.

-Onde você estava? – O garoto não sabia se ficava aliviado ou nervoso para saber onde a garota tinha passado o dia.

-Eu estava com o McCrosen. – Disse ela, entrando na casa e sentando ao sofá, se esticando e sorrindo ao ver Ciel seguindo-a ao sofá.

-Ele te fez alguma coisa? – Perguntou, preocupado.

-Nãão! Ele me levou até em casa para ver o papai.

-Ele está bem?

-Claro que esta. Matei a saudade dele hoje. E você, o que fez enquanto estava fora? – Perguntou Lady Yuki, curiosa.

-Eu... eu... fiquei estudando – Ciel baixou a cabeça, tentando mentir.

-Aah... – A garota não quis continuar o assunto, preferindo deixar somente na mentira. Se levantou e foi até a cozinha, se servindo de suco e servindo Ciel em outro copo.

Ficaram em silêncio por um tempo, Ciel pensando no que dizer, no que perguntar. Queria a todo custo saber o que diabos aquele tal de McCrosen queria com a sua Sombra. Até que Lady Yuki bocejou e disse que iria se deitar. O garoto, não querendo incomodá-la, ficou quieto, desejando apenas uma boa noite.

Passou-se uma meia hora, quando Ciel escuta um barulho de chaves na sua porta.

-Ah, olá Miku. – Disse ele ao ver as madeixas lilás.

-Olá Ciel. – Respondeu ela.

Miku largava suas coisas na poltrona, seguiu até a cozinha, e enquanto tomava sua água, observava o comportamento de Ciel. Até que falou:

-Algum problema?

-Ah... Não... – O garoto foi pego de surpresa, mas preferiu não falar nada.

-É por causa da Lady Yuki?

-Como sabe? – Não teve como esconder seu susto novamente.

-Lady Yuki sempre deixa uma ruga a mais na testa de todos que a conhecem. – A garota apontou para o meio das sobrancelhas de Ciel, na testa.

-É pelo sumiço de hoje?

-Sim... Não entendo quem é esse tal de McCrosen e nem o que ele quer com Yuki... – Ciel cedeu ás questões de Miku, contando suas duvidas.

-Muitas coisas envolvem este homem. – A pequena resposta de Miku deixou o garoto mais confuso do que já estava.

-Tipo...?

-McCrosen é uma das Sombras que trabalham para o pai de Lady Yuki.

-E o que ele queria fazer com ela?

-Levá-la para seu pai.

-Mas por que? Ela não poderia ir sozinha?

-Nós não temos telepatia para saber quando alguém está nos chamando, Ciel.

-Sim, eu entendo. Mas o que o pai dela queria com ela pra levar o dia inteiro?

-Um pai não pode passar o dia com sua filha vez que outra?

-Sim, pode... – Ciel ficou pensativo por um instante – Mas porque então ela estava tão quieta quando chegou? Não deveria estar falando sobre tudo que eles fizeram a tarde? Tem certeza que não tem mais alguma coisa envolvida?

-Você demora um pouco na lógica, não é?

-Me responda, Miku. – Pediu o garoto, tentando parecer calmo.

-Lady Yuki anda com muitos problemas ultimamente.

-Que tipos de problema?

-Casamento, lar... coisas do tipo.

-Mas Usagui não está com Makino?

-Você acha que Lady Yuki não tem outros pretendentes?

-Entendo... Mas e o pai dela, ainda não aceitou que estou junto dela?

-O que o pai dela entende ou não as vezes não influencia o que é certo ou errado fazer.

-E é errado ela ser minha Sombra?

-Não é este o problema que está em jogo.

-Miku, por favor, eu detesto esses teus jogos de adivinhação. Me conte de uma vez o que está acontecendo.

-Sabe, certos segredos do mundo das Sombras não se deve ser revelado para humanos.

-E por um acaso o que está acontecendo envolve algum segredo de vocês?

-Você não é tão lerdo quando quer, não é, Ciel?

-Me diga, o que está acontecendo, Miku! – O garoto não agüentava mais aquela ansiedade.