-O que??

Ciel não acreditava nisso. Yuki, sua Sombra, uma das Sombras mais nobres e ricas do mundo das Sombras, perderia tudo, se não se casasse em dois dias. Porque a estimativa de vida de seu pai era de apenas dois dias. Em dois dias, Lady Yuki perderia a pessoa mais importante da vida dela. Mais importante depois de Ciel.

-E agora?

-Agora, cabe a ela decidir se prefere viver uma Sombra de rua no mundo dos humanos, ou se casar com outra Sombra.

-Eu queria tanto ser uma Sombra agora... – Ciel sussurrou, sem saber que Miku o ouvira. Para emendar, perguntou:

-O que ela fará agora?

-O que você acha que ela fará?

-Se casar?

-Acha mesmo que ela escolheria continuar sendo nobre com um estranho do que viver com você?

-Não...

-Achei mesmo.

-E agora? – Perguntou Ciel novamente, sem saber o que fazer.

-Porque pergunta de novo?

-E porque ela não me contou?

-Por que ela te contaria?

-Não sei...

-Porque ela sabe que você não deixaria assim.

-Tem razão. E não vou deixar. – Ciel se levantou, convencido.

-Vai fazer o que então? Convencê-la?

-Tem razão... – O garoto se sentou novamente, triste. – Mas... Ela pode me ver ainda! Não é o fim do mundo! Ela pode muito bem se casar, mas vim para cá passar Natal, férias comigo! Não é Adeus.

-Está errado, Ciel.

-Por quê??

-Sombras não podem passear do mundo dos Humanos para o mundo das Sombras. Na verdade, só podem vir aqui uma vez a cada 30 anos se não tiverem um humano.

-Mas como ela vai e volta do meu mundo para o seu?

-Ela é sua Sombra. Quando não for, não poderá ir e voltar sempre que quiser.

-Isso é crueldade.

-Diga isso a quem criou a divisória dos mundos.

-O que faço?

-Não cabe a você decidir, mas sim ela.

-Na verdade, cabe sim – Outra voz irrompeu a sala.

Usagui aparecia pela janela, sorridente.

-Olá, Usagui. – Miku disse.

-Por que não está com Makino?

-Vim visitar – Respondeu Usagui para a questão de Ciel.

-E o que quis dizer com isso? – Ciel estava cada vez mais confuso.

-Quis dizer que se você quiser, pode fazê-la se casar com outra Sombra. Ou apenas se separar de você.

-Quer dizer que eu posso me separar dela de livre e espontânea vontade?

-Sim. – Miku respondeu.

-Como?

-Com palavras mágicas. – Usagui sorriu.

-Isso é uma piada? – Ciel não acreditou.

-Simsim salabim! Abra-te sésamo! Acha que são palavras como essas? – Usagui estava rindo.

-E que palavras são?

-Mostre-me sua aliança – Usagui sussurrou para todos ouvirem. No mesmo instante, a Marca de Ciel brilhou, e uma corrente brilhante surgiu no pulso do garoto, prendendo-o no pescoço de Lady Yuki. A garota estava dormindo e não percebera a mudança. Mas Ciel quase despencou da poltrona.

-Nossa! Como você fez isso?!?

-Apenas dizendo as palavras certas.

-E como eu escondo isso?

-Diga o que você quer, apenas mentalizando seu desejo.

Ciel respirou fundo, e quando fora dizer, Usagui o interrompeu:

-Esconda este laço e que só volte a surgir quando alguém chamar. – Do mesmo jeito que surgiu, a marca desapareceu.

-E como faço para separar-me de Yuki?

-Do mesmo jeito. Mas tem que estar a mostra a corrente para funcionar. – Respondeu Usagui.

-Que simples.

-É o que parece. Bem, vou-me embora, estou com fome e ainda tem um resto do bolo delicioso que a tia de Makino trouxe ontem. Tchau pra você. Boa noite, Miku. – Usagui se despediu, voando pela janela. Ciel o observou ir, então fez uma ultima pergunta a Miku:

-Porque você não voa que nem ele?

-Não sei. Gosto de me sentir normal.

-Se sentir humana?

-Se para ser normal no mundo dos humanos deve se sentir um humano, então sim, quero me sentir humana.

-Ah... – Ciel então fora dormir, não sabendo dizer o que o deixara mais confuso, a informação toda sobre Lady Yuki; ou a ultima resposta de Miku.