Sombras do Passado
30 Capítulo 30 - Foi você quem a machucou
Notas iniciais

***
Cristina sentiu ternura naquele beijo. Estaria mentindo para si mesma se negasse que havia imaginado como seria beijar de novo a Hernán desde que voltou a vê-lo. Mas toda aquela situação era todo um imbróglio indecifrável que se passava dentro de seu coração. Hernán ia sentindo o gosto doce de Cristina lentamente com o coração acelerado e a alma em paz como se sente quando se sacia um anseio desesperado de toda uma vida.
Ela, por um momento, se deixou levar, e sentiu como ele foi aprofundando aquele beijo, sentiu seus lábios, sua respiração de olhos fechados. Aquela emoção que lhe provocou recordarem o passado e à filha que perderam era um ingrediente mais daquele beijo. Ele levou as mãos até suas costas e a envolveu em seus braços tocando também a alma dela com o movimento de carinho e amor naquele beijo. De repente, o coração de Cristina disparou e ela sentiu que não devia e, subitamente, afastou-se. Seu coração ainda estava ligado à Federico e lhe dizia que ela devia ser fiel à ele.
_ Não, Hernán, não! – negou-se assustada.
_ Perdão. Perdão, Cristina é só que... há muito tempo que eu estou desesperado por voltar a te beijar, eu não pude evitar e... mentiria se dissesse que me arrependo. – confessou ele satisfeito por haver sentido outra vez o calor de Cristina em seus braços, o gosto de seu beijo. Era tão suave quanto ele recordava e imaginava.
_ Não é o caso de desculpas ou arrependimentos, é só que... – finalmente levantou os olhos e encarou-o – eu não posso, Hernán!
_ Eu entendo... – ele disse não tão sincero.
_ Entenda de verdade, Hernán. – Pediu Cristina. – Eu estou machucada, muito dolorida pela forma como meu casamento com Federico acabou. Não estou e nem sei se algum dia estarei pronta para outra relação, para qualquer coisa que seja.
_ Você ainda o ama? – indagou ele um pouco ferido.
Cristina deu um sorriso amargo. Levantou-se e deu alguns passos até uma roseira.
_ Eu queria entender como eu faço para conduzir tão mal a minha vida.
_ Do que você está falando? – ele disse levantando-se e aproximando-se dela.
_ Estive casada com Federico muitos anos vivendo como amigos, ainda que ele insistisse que queria algo mais comigo, que me amava. Ele foi muito insistente, Hernán enquanto eu também fui insistente em me negar. Eu não podia, sabe por quê? – virou-se encarando-o, sem medo.
_ Não. – limitou-se a responder Hernán engolindo seco.
_ Porque eu não conseguia tirar você da minha cabeça. Não você pura e simplesmente, nosso amor, “o” amor. Eu não conseguia confiar porque já tinha amado uma vez e tinha saído com minha alma e meu coração dilacerados. Ainda mais que eu sentia que você tinha morrido por minha causa. E agora... olha que irônica é a vida. Agora eu não consigo pensar em amor outra vez porque ele... ele me mostrou uma outra classe de amor e logo, partiu meu coração.
_ Então... – ele não se deu por satisfeito pela falta de resposta à pergunta que ele havia lhe feito.
_ Eu não sei se ainda o amo, Hernán. Estou tão confusa! – disse com um suspiro – Tenho apenas uma certeza: a de que não quero amá-lo. Não quero amar de novo, meu coração não está pronto, ele não aguentaria, o amor só me deixou destroçada.
_ Cristina, eu não quero te machucar. Não quero ser um problema para você, mas não posso deixar de te dizer e te demonstrar que eu estou aqui, te amo e te quero de volta. – declarou-se Hernán, apaixonado.
Cristina arregalou os olhos com aquelas palavras. Não podia acreditar que ele havia dito algo tão parecido com o que Federico lhe disse na véspera. Como se ela já não se sentisse confusa o suficiente.
_ O que você disse? – ela indagou incrédula.
_ O que você ouviu! Estou aqui, Cristina! Te amo e te quero de volta. – ele repetiu sem nenhum medo, cheio de emoção nos olhos e nas palavras.
Fez um movimento para levar a mão ao seu rosto, mas Cristina se afastou e, carinhosamente, segurou a mão dele. Olhando para a mão dele na dela, disse, de coração aberto:
_ Eu também tenho que ser inteiramente sincera com você, Hernán. Estou com meus sentimentos totalmente confusos e desarranjados. Muito dolorida para sequer pensar em amor. Não sei o que quero. Mas sei que não posso amar de novo agora. E acho que... – baixou os olhos – acho que jamais vou poder amar de novo. O que Federico deixou em mim ainda está em mim e... não há espaço para nada mais em meu coração, eu não devia ter correspondido a seu beijo.
_ Cristina... – ele pretendia insistir, não conseguia contentar-se com apenas um beijo dela. Um beijo tão desejado e que demorou tanto para acontecer.
_ É melhor você ir embora, Hernán. – Cristina pediu soltando sua mão – Eu preciso ficar sozinha.
_ Está bem! Eu vou, mas levo ao menos uma coisa sua. – aproximou-se dela sedutor. – Seu gosto em minha boca e... mais uma maravilhosa lembrança. Eu amo você, Cristina. Te amo! – voltou a declarar-se fazendo o coração dela disparar ao ouvi-lo tão decidido.
Antes de sair ele lhe deu um beijo de leve no rosto. Cristina sentou-se naquele banquinho sentindo o peso de estar dividida. É que os dois eram tão diferentes e, ao mesmo tempo, ambos tinham algo que a encantava. Com Federico ela tinha uma chispa que com o simples toque na pele se incandescia e fazia com que a paixão tomasse conta dela, transbordasse pelos poros, ao ponto de ela perder completamente o controle sobre seus sentidos e ser levada a agir movida pelo instinto.
Era só recordar o que aconteceu na véspera, na cachoeira. Ela estava muito ferida, magoada com ele, não queria vê-lo, estava com ódio por recordar sua traição, mas, quando ele chegou perto, ela não pôde resistir e o beijou tão vorazmente como se a única coisa que importasse fosse saciar o desejo de seu corpo que gritava por ele. Desde que ele foi embora, ela sentia tanta falta dele. Do seu cheiro, do seu calor na sua cama, da volúpia da paixão que entrava em erupção quando os dois se tocavam, mas tinha sua dignidade! Não perdoaria àquela traição por mais que lhe doesse, e inclusive lhe doesse fisicamente, estar sem Federico.
E agora, ele não era a única representação do amor que estava em sua vida. Havia Hernán, havia a juventude, haviam as lembranças, toda a história dos dois e aquele beijo. Foi tão diferente dos beijos que se dava com Federico. Tão leve, cheio de ternura e, sim, seu coração se sentiu aquecido com as palavras e a declaração de Hernán, seu carinho, mas ele não estava vazio. Federico ainda o ocupava e isso era inegável.
_ O que eu preciso, o que eu preciso, definitivamente, é esquecê-lo! Vou te arrancar do meu coração, Federico. A qualquer preço! – jurou Cristina com uma grande dor na voz.
***
Hernán saiu da casa grande com um sorriso de triunfo nos lábios, apesar do modo como a conversa havia terminado. Tinha conseguido um beijo dela, um beijo! Era mais do que ele havia sonhado para aquela visita e desde que voltou a ver a Cristina. Passava pelo portão da entrada da fazenda Plantanal com o carro simples que utilizava, quando deu de cara com Federico montado em um cavalo. Federico sentiu um grande ódio ao vê-lo sair da fazenda de Cristina e se colocou na frente do carro, impedindo-o de seguir. Hernán desceu do carro e, ainda sorrindo, encarou o fazendeiro. Federico olhou-o com um olhar de fúria. Se tivesse uma arma, com certeza, a utilizaria.
_ O que você está fazendo aqui? Você não tinha que estar na igreja? – indagou Federico cinicamente.
_ Com certeza eu não vim até aqui para te ver. – garantiu Hernán com a mesma agressividade. – Até porque, pelo que sei, você não vive mais aqui.
Federico desceu do cavalo e se aproximou de Hernán de forma belicosa.
_ Afaste-se de Cristina, é o melhor para todos! – ameaçou.
_ Eu não vou fazer isso, Federico! Eu não a faço mal, minha presença nunca lhe fez mal, pelo contrário. Eu vim visitá-la porque ela me autorizou a fazer isso e voltarei a fazê-lo outras vezes a não ser que, ela mesma me peça para não vir. Ela está com o coração ferido, machucada e, se eu posso ajudá-la a superar essa dor, eu vou fazê-lo.
Federico se aproximou ainda mais dele, como que desafiando-o. Hernán não recuou. Estava praticamente formada uma batalha campal entre eles.
_ Seu padreco idiota! – atacou.
_ Isso não me ofende, Federico Rivero! Você não tem nenhum direito de me dizer se eu posso ou não visitar a Cristina. – defendeu-se Hernán com a segurança que aquele beijo em Cristina lhe dava.
_ Tenho, é claro que tenho! Ela é minha mulher, minha! – gritou Federico descontrolado.
_ Não foi o que ela me disse... – tripudiou Hernán.
_ O que ela te disse, seu imbecil? – indagou Federico furioso.
_ Ela me disse que é uma mulher livre. Que seu casamento acabou e que ela não quer mais voltar a te ver. Então... quem é que está sobrando aqui?
_ É tudo culpa sua, seu idiota! Tudo estava tão bem entre nós! Depois que você apareceu... depois que você voltou as coisas só desandaram. Eu não vou desistir de Cristina e não vou permitir que você a fique rondando dessa maneira porque ela NÃO é uma mulher livre! Eu sou o marido dela e continuarei sendo até o fim de nossas vidas! – garantiu Federico transtornado.
_ Veja como você é patético, Federico! Eu não sou a ameaça, foi você que a magoou, não minha presença. Ela encerrou seu casamento porque eu voltei ou pelo que você fez? Cristina é uma mulher sensível, maravilhosa e que não merecia que você a machucasse! – Hernán tocou na ferida.
Federico ficou algum tempo em silêncio, se afastou. Ainda lhe doía haver magoado à Cristina. Logo, voltou-se novamente para o professor e atacou:
_ Você não tem nada a ver com isso! – Disse Federico sem saber como se defender de uma acusação tão verdadeira.
_ Não tenho, é verdade, mas... No que se refere a Cristina, eu tenho e quero ter. Você sozinho a perdeu, Federico Rivero e agora, nada e ninguém vão me impedir de reconquistá-la. Cristina é a mulher da minha vida e nós não nos separamos por nossa própria vontade.
Federico perdeu a paciência e agarrou Hernán pelo colarinho, empurrando-o com violência e uma grande velocidade, encurralando-o no carro. Ele olhava-o, sem medo, segurando suas mãos, enquanto o fazendeiro gritava:
_ Você vai sumir agora mesmo daqui e de nossas vidas! Cristina não vai voltar para você porque ela é minha esposa e é a mim que ela ama.
_ A única maneira de você impedir que eu lute por Cristina é me matando, Federico! Você ousaria fazê-lo? – disse Hernán decidido, empurrando-o – Porque eu não vou desistir dela, não perca seu tempo!
Ele ainda encarou Federico que parou desequilibrado com o empurrão que recebeu dele, com o olhar afogueado antes de entrar no carro e dar partida, saindo dali cantando pneu. Federico observou o carro se afastando pela estrada e, enfurecido, socou o chão tentando extravasar aquela fúria que sentia.
_ Esse padreco infeliz tem que se afastar de Cristina! Eu não vou permitir que ele a tire de mim, não vou permitir!
Por pouco, uma lágrima de dor não rola pelo rosto de Federico que parecia vencido.
***
Naquela tarde a escola estava só à cargo de Carlos e de Amanda. Logo outros professores começariam a trabalhar ali como Cristina dispôs e eles deixariam de ministrar apenas aulas de reforço para implantar um projeto educacional maior. Porém, ainda que a escola passasse a funcionar como um centro de ensino comum, jamais abandonariam aquela essência de uma instituição que foi criada e idealizada para ajudar a conduzir as crianças ao seu melhor e que elas soubessem que, ainda que tivessem nascido em uma fazenda de uma pequena cidade, o futuro deles poderia ser escrito da maneira que eles quisessem. Era isso que tanto apaixonava Carlos, Cristina e até a própria Amanda que ainda estava escolhendo que profissão pretendia exercer, mas estava inexoravelmente imiscuída naquele projeto.
Depois das aulas, todas as crianças foram para casa e, Carlos e Amanda, ficaram sozinhos organizando alguns livros e, claro, aproveitando o tempo para estar juntos. Em uma sala que funcionava como biblioteca os dois se divertiam correndo de um lado para outro como crianças brincando. Até que ele a agarrou e, junto a uma prateleira, a puxou para si e deu-lhe um apaixonado beijo interrompido por sorrisos dos dois que exalavam felicidade.
_ Vem aqui, minha espanholinha! – dizia Carlos segurando-a pela cintura e beijando-a seguidamente.
_ Sua espanholinha não quer. – esquivava-se Amanda.
_ Você não é boa em fugir! – ele continuava dando asas à brincadeira.
_ É porque eu não tenho motivos para fugir de você. – respondeu Amanda apaixonada, dando agora, ela, beijos seguidamente em Carlos.
_ Já falou com seus pais sobre a faculdade? – indagou ele.
_ Meu amor, falar com meus pais é uma tarefa bastante complicada. Consigo falar tranquilamente com meu pai, mas... não se conversa com minha mãe. – Ela disse em tom de brincadeira, mas o assunto era sério.
_ Eu sei! Você ainda não me deixou falar com seu pai sobre nós dois... – recordou o professor.
_ É que... meu pai não deve ser problema, mas quando falarmos com ele, minha mãe vai saber e... isso não vai ser bom, Carlos. Eu sei que ela vai fazer tudo para nos separar.
_ Isso eu não vou permitir. Eu te roubo para mim! – ele disse puxando-a novamente pela cintura e dando-lhe um beijo no rosto e logo percorrendo o rosto dela carinhoso.
_ É por isso que primeiro eu quero acertar com meu pai sobre a faculdade. Vou estudar medicina veterinária na faculdade que você faz sua pós-graduação. De alguma maneira, estaremos mais próximos, não? – Amanda compartilhou os planos com o namorado.
_ Nunca o suficiente! Quero você todos os dias, todas as noites, todas as manhãs... – ele dizia em seu ouvido enchendo-a de beijos.
_ Uma coisa de cada vez, meu amor! – disse Amanda mais racional. – Quando eu já estiver estudando, falamos com meu pai sobre nosso namoro e... bom, depois que eu completar 18 anos, não precisarei mais ter tanto medo da minha mãe.
_ Eu vou te proteger, meu amor. Estarei sempre com você, sempre! – jurou Carlos.
Os dois voltaram a se beijar alheios ao mundo em volta deles, sendo levados pelo amor e a paixão juvenis. Os beijos foram ficando mais cálidos no compasso em que os corpos deles sentiam os estímulos daquele contato. Amanda estava de costas para a porta agarrada ao pescoço de Carlos que a abraçava sem se dar conta de nada mais quando foram interrompidos por um grito:
_ Então é isso o que você vem fazer todos os dias nessa maldita escola?
_ Mãe? – surpreendeu-se Amanda ao ver a nefasta presença de Carlota naquele lugar.
_ Eu sabia, eu tinha que saber! Se tinha o dedo de Cristina só podia ser coisa de promiscuidade e sem vergonhice. – gritava descontrolada.
_ Senhora, Amanda e eu temos uma relação séria... – Carlos tentou justificar-se
_ Você não ouse dizer nada! – gritou Carlota. – Se você “tinha” algo com minha filha acabou de acabar! Minha filha não vai se envolver com um reles professor, fique longe dela! – disse já puxando Amanda pelo braço.
_ Me solte, me solte! – gritava Amanda.
_ Senhora, nós nos amamos! – gritava Carlos.
_ Para seu bem, não volte a se aproximar de Amanda, ou você vai se arrepender amargamente, professorzinho idiota. – disse Carlota se detendo por alguns segundos, para logo seguir arrastando Amanda em direção ao carro, cheia de fúria.
***
Carlota entrou em casa puxando Amanda pelo braço. A jovem chorava enquanto a amarga mulher parecia descontrolada. Cristina desceu correndo ao ouvir a movimentação no piso inferior da sede. De cima ela observou como Carlota jogou Amanda contra o sofá e gritou-lhe:
_ A partir de agora você não vai sair da minha vigilância, Amanda! Você não sai mais de casa até que encontremos outro lugar para viver porque aqui, definitivamente, não é lugar para você!
_ O que está acontecendo aqui, você ficou louca, Carlota? Como trata Amanda assim? – disse Cristina correndo e amparando a sobrinha que lhe abraçou.
_ O que está acontecendo, o que está acontecendo... – disse Carlota com um sorriso de sarcasmo. – Eu fico impressionada com seu cinismo Cristina! – gritou
_ Do que você está falando? – Cristina indagou mais preocupada por Amanda do que pelos insultos que sofria.
_ Você não só sabe muito bem o que está acontecendo como acobertou, ajudou! Claro! Você quer que ela repita sua história não é? Quer que a vida de Amanda seja tão desgraçada como a sua! – Carlota continuava enfurecida.
_ Minha vida não vai ser desgraçada! – Amanda se manifestou entre soluços. – Eu vou ser feliz com Carlos, nós nos amamos.
_ Entenda de uma maldita vez: você e esse professorzinho não vão ficar juntos, Amanda! Já para seu quarto que eu ainda vou decidir o que fazer com você. – disse Carlota
_ Eu não quero! – gritou Amanda.
_ Obedeça, ou eu... – disse Carlota levantando a mão para Amanda, segura por Cristina.
_ Não ouse tocar nela! – disse Cristina encarando firmemente à irmã. – Vá para seu quarto Amanda, sua mãe e eu vamos ter uma conversa.
Amanda atendeu à contragosto, sofrendo muito pela incerteza que representava a descoberta de seu namoro por Carlota. Cristina se afastou, encarou Carlota e disse em um tom ameaçador:
_ Agora nós!
_ O que você quer? Que Amanda também fique grávida e precise esconder do mundo a vergonha de ter um filho de um professor? – indagou Carlota sarcástica.
_ Carlota você é mãe. Como pode falar assim? – Cristina disse descrente. – Ter um filho jamais é uma vergonha. Pode ser que às vezes não seja o momento certo para se ter um filho, mas ninguém se envergonha de alguém a quem deu a vida e, muito menos, porque seu pai é um professor.
_ O que você quer dizer? Que Amanda já está tendo relações com esse idiota e está grávida? – Carlota se enfureceu ainda mais.
_ Amanda não está fazendo nada de que se envergonhar. Eu não conheço a vida íntima dela, ainda que, provavelmente, conheço muito mais do que você, mas não é isso que está em discussão aqui. – disse Cristina racionalizando.
_ O que, na sua opinião, está em discussão, Cristina? – indagou Carlota com cinismo.
_ Você disse que vai impedir que Amanda volte a ver Carlos a todo custo. Como você pretende fazer isso? Mantendo-a trancada em seu quarto ou na casa que você escolha para viver com ela?
_ Se for necessário... – Carlota deu de ombros para a preocupação da irmã.
_ Pois tenha claro que eu moverei os céus e a terra para impedir isso, Carlota! Porque eu não sou mais uma adolescente a quem você pode manipular e sua filha não é sua propriedade!
_ Isso, Cristina, minha filha! Assim que poupe-me do seu discurso de mulher forte, decidida que não me interessa. Eu decido o futuro de Amanda e você não tem o direito de interferir.
Neste momento Federico entrou na sede e pôde claramente ver o clima entre as duas. Cristina já estava muito nervosa e, ao ver o fazendeiro, sentiu ainda mais irritação:
_ O que você quer aqui, Federico? – indagou impaciente vendo-o se aproximar.
_ Eu tinha algo que falar com você e... Cristina!
Interrompeu-se e correu para ampará-la ao ver que ela desfalecia. Federico e Carlota ficaram sem ação ao perceber que Cristina havia sofrido um desmaio.
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