Sombras do Passado
29 Capítulo 29 - Ninguém ocupa seu lugar
Notas iniciais

***
Cristina teve medo que o coração lhe saísse pela boca ao perceber Federico se aproximando, a força com que suas mãos seguravam o corpo dela naquela pedra, impossibilitando que ela saísse dali, seu hálito quente tocando sua pele, enchendo-a de desejo e o seu olhar. Os olhos de Federico! Como eram bonitos. Jamais ficava imune ao olhar impetrante dele sobre ela, se perdia naqueles olhos verdes e queria tanto não perder-se, resistir.
🎵Hoy te voy a ser sincero
Desde que te perdí
Una parte de mi
Se ha ido muriendo lento🎵
Ele terminou a aproximação lentamente e tomou a boca dela em um beijo exasperante, comprimindo inicialmente os lábios e os dentes dela sem que ela reagisse, segurando-a firme, forte. Ela sim, tentou reagir, empurrando-o com os braços, mas sentindo como ele a agarrou pela cintura e comprimiu o corpo dela contra a pedra e contra o dele. Depois de alguns segundos, ela desistiu de resistir e se deixou beijar, beijando-o também, sôfrega, apaixonada, guiada pelo instinto, sem controle de suas emoções. Odiava-se por perceber que, quando se tratava de Federico, a paixão sempre falava mais alto que ela e todo o resto do mundo desaparecia. Só ficava aquela sensação, aquela maravilhosa sensação de conduzir e se deixar conduzir pela paixão.
Cristina sentiu o gosto da boca de Federico na sua e, com desespero, apreendia os lábios dele e giravam a cabeça no ritmo veloz que o fazendeiro impôs ao ósculo. Ele deu uma leve pausa em beijá-la e, de baixo para cima, deu uma mordida cheia de paixão no queixo dela, antes de subir sua mão esquerda até sua cabeça e levá-la, novamente até perto da boca dele e seguir beijando-a, sentindo sua respiração, sua língua, percorrendo sua boca, deslizando suas mãos pelo corpo dela. Cristina estava totalmente lânguida, sentia-se desfalecer perdida nos braços dele, sem ar e, sobretudo, quando sentiu aquela fagulha do desejo sublevar em sua feminilidade, não sabia até onde poderia ir em um beijo que ela não desejou e fez tudo para não permitir, mas não conseguiu e nem pôde resistir.
🎵Hoy me ha confirmado
El tiempo
Que poco a poco
Mi egoismo fue matando
Todos nuestros sueños🎵
Lentamente Federico foi diminuindo o ritmo, mordiscando e brincando com seus lábios, e, ao abrir os olhos, desfrutando daquela visão da languidez de Cristina que já se encontrava com os braços sobre os ombros dele, totalmente conduzida pelo marido, se entregando. Quando ele parou de beijá-la, ela demorou alguns segundos para recuperar os sentidos e recobrar sua lucidez, além de respirar tão agitadamente. Ao ter o controle de sua lucidez, ela o olhou alterando rapidamente sua expressão, fazendo-se mostrar enfurecida.
_ Seu idiota, me solte! – gritou empurrando-o.
Federico não respondeu nada. Olhou-a e começou uma das suas gargalhadas tão características, deixando Cristina ainda mais irritada. Soltando-se dele, ela começou a nadar em direção à margem, mas ele a alcançou e a cercou, impedindo-a de sair do rio.
_ Seu idiota, imbecil! Não volte a se aproximar de mim, Federico! – bufou ela descomposta.
_ Ou senão o quê? – zombou ele triunfante sem parar de sorrir. – Você vai me dar outro beijo desses de tirar o fôlego?
_ Eu não te beijei! – ela tentava negar sem acreditar que o havia beijado tão vorazmente – Você me beijou e foi... foi praticamente à força. Eu não quero que aconteça de novo, não quero você perto de mim! – gritou jogando água nele.
_ Cristina, Cristina, deixe de bobagem. Foi... foi uma delícia e... se você quiser – foi nadando na direção dela chegando perto de seu ouvido, mas ela se esquivou. – podemos ir até o fim, com tudo o que temos direito.
_ Não chegue perto, Federico, eu não quero nada disso! – ela tentava se afastar dele ainda descrente de como havia se comportado.
_ Você deixou muito claro que não quer, eu pude sentir muito claro toda a sua resistência. – ele não parava de gargalhar o que fazia com que ela ficasse ainda mais furiosa. – Você estava quase me implorando que eu te fizesse minha, não negue, Cristina.
_ Seu imbecil! – dessa vez foi ela que se aproximou dele e começou a socá-lo.
_ Cristina, olhe para você! Você parece uma criança. Está se voltando contra mim porque não queria sentir o que sente, mas você sente. – ele disse segurando uma das mãos dela.
Ela se soltou dele bufante e nadou até a margem. Saiu da água e começou a se vestir. Ele saiu, atrás dela, só com a cueca samba canção que usava.
🎵Hoy te juro me arrepiento
Debí de amarte
Como tu me amabas
Y no escuchar mi ego🎵
Ela mal conseguia encontrar a maneira certa de vestir as roupas, tamanha a irritação que demonstrava. Federico se aproximou dela, compreensivo. Antes que ele dissesse algo, ela voltou a esbravejar:
_ Suma daqui, Federico! Eu não quero mais te ver na Plantanal. Você não tem o direito de espreitar minha vida. Porque era isso que você estava fazendo, não era? – indagou virando-se.
_ Eu não vou parar de me preocupar com você, Cristina. Sempre vou estar aqui para você e... para te deixar claro que te quero de volta. – disse com uma ponta de emoção.
_ Mas eu não! – ela gritou. – Você me perdeu, Federico Rivero. Eu não vou te perdoar porque todas as vezes em que eu olhar em sua cara, eu vou me lembrar que você me prometeu nunca me trair e o fez. E com aquela maldita!
_ Cristina entenda que... – ele tentou se aproximar, mas ela se afastou, já colocando a última peça de roupa que estava ali.
_ Entenda você, Federico, e de uma vez: nosso casamento acabou e eu vou me divorciar de você.
_ Divórcio? – ele se surpreendeu – Para quê?
_ Como para quê? Nós estamos separados e eu não quero permanecer com a minha vida atada à sua. A sua atitude indo procurar Raquel em nossa primeira crise só demonstra que tudo isso foi um grande erro. Vou procurar um advogado e encaminhar os trâmites para o divórcio e estou te dizendo isso para que você não seja pego de surpresa porque eu, Federico, eu não costumo agir na traição. – acusou-o diretamente.
_ Isso é só uma desculpa sua! É o padreco, não é? É ele? Ele está te rondando, já te procurou? – Federico se virou irritado.
_ Você não tem nada a ver com isso, Federico! – ela disse impiedosa. – Hernán ou qualquer outro assunto da minha vida não te dizem respeito.
_ Então ele é um assunto da sua vida? – ele disse deixando o furor aparecer nos seus olhos, fitando-a.
_ Aqui, o que não é mais parte da minha vida, é você, Federico, você! Portanto, mantenha-se longe da minha fazenda e de mim!
Dito isso, virou-se e deixou Federico ali, próximo da cachoeira, perplexo com suas palavras ao mesmo tempo em que ainda se deliciava com o sabor que aquele beijo deixou em sua boca.
_ Não, Cristina, não! Não acabou, você é minha e eu vou te recuperar! – decretou.
🎵Si te preguntan por mí
Respondeles que
Por idiota te perdí
Que seguí caminando
Que te solté la mano
Que me olvide de todo
Lo que siempre había soñado🎵
***
Cristina entrou em casa ainda bufando de ódio, lembrando-se de tudo o que aconteceu na cachoeira e deu de cara com Carlota.
_ Onde está minha filha? – indagou a amarga mulher.
_ Ela vem mais tarde. – Limitou-se Cristina a responder, impaciente.
_ Vocês pensam que eu não vejo as coisas, mas eu vejo, Cristina. Estou consciente de tudo o que está se passando e... vou resolver isso. – disse em um tom ameaçador.
_ Do que você está falando? – indagou Cristina tentando se acalmar preocupada com Amanda.
_ Eu já percebi que Amanda está diferente, tem algo nela... Ela me lembra muito você, com a mesma idade e sua estranheza tinha um significado bem definido.
_ Carlota, eu vou te dizer uma coisa que talvez você não saiba. – disse Cristina fitando-a com certo cinismo. – Apesar de que você não costume praticar muito, é possível sustentar uma conversa sem ataques e sarcasmos.
Carlota começou a sorrir daquela maneira dissimulada que fazia sempre que queria esquivar-se de algum ataque de Cristina.
_ Cristina, eu tenho pena de você! Sim, pena! Todas as vezes que eu vou à igreja, eu rezo para que Deus te dê algum apoio porque deve ser muito amargo estar em seu lugar. O difícil é que você também não tem muito crédito com Deus, pois imagino que ele não veja com bons olhos o joguinho que você faz com um homem que é seu sacerdote.
_ Então era essa sua intenção? Me atacar? – indagou Cristina vendo claramente as intenções da irmã. – Você sempre se move pelas sombras, não é? Por isso fala com tanto sarcasmo, ironia e age tão dissimuladamente. Eu não estranharia se descobrisse que você está por trás... – Cristina tinha um tom de suspicácia que incomodou Carlota.
_ De quê? De que mais você vai me acusar? Porque eu já sei que sou responsável pela sua sem vergonhice, pelo preço que a vida te cobrou por isso, por você e seu querido Hernán não terem ficado juntos...
_ Você sabe que é responsável por tudo isso, Carlota! – gritou Cristina. – Você influiu e alterou minha vida impiedosamente como se você tivesse esse direito. E o fez por maldade pura, porque não suportava ver a minha felicidade. E é por isso, Carlota, exatamente por isso, que eu tenho minhas dúvidas se você parou por aí!
_ Do que você está falando? O que você quer é mudar o rumo das coisas porque não quer me dizer o que acontece com Amanda.
_ Descubra! Descubra as duas coisas, Carlota. Descubra do que é que eu desconfio sobre você, já que você não tem quase nenhuma culpa... e aproveite o maravilhoso diálogo que você tem com sua filha e descubra também o que acontece com ela. Só que tenha uma coisa muito clara, Carlota! – disse apontando-lhe o dedo.
_ Olha só, levantando a mão, tão valente! – caçoou Carlota.
_ Tenha claro que ainda que você seja a mãe de Amanda e eu apenas sua tia, – começou Cristina ignorando o sarcasmo da irmã – eu não vou permitir que você faça com ela o que fez comigo, você não vai estragar a vida dela, Carlota!
_ Eu cuido de Amanda, e vou fazer com ela o que achar melhor para ela. Obviamente isso não será o mesmo que você pensa! – gritou Carlota alterada por aquele arroubo de Cristina defendendo sua filha.
_ Não vai, Carlota, não vai! Eu movo céus e terras e luto com unhas e dentes para proteger Amanda de você! Incrível, mas a pessoa de quem ela mais precisa ser protegida é da própria mãe. – atacou Cristina.
_ Fique longe de Amanda, Cristina! Eu exijo que você se mantenha longe dela com sua nefasta influência. – ameaçou Carlota.
_ Não perca seu tempo, Carlota, eu não vou fazê-lo! Jamais me afastarei de Amanda, pois a ligação que tenho com ela é forte demais e eu sei que ela precisa de mim, sobretudo, por sua causa. Você é sua mãe, não a dona dela e não vai poder mantê-la presa em uma casa vários meses para convencê-la a fazer o que você quer. – falou já subindo as escadas deixando Carlota aterrada.
Durante alguns segundos ela olhou para os móveis da sala como que procurando uma fuga. Que Cristina recorresse ao subterfúgio que o pai utilizou, por sugestão dela, para que ela lhe roubasse sua filha, deixou-lhe ainda mais desconfiada do que se passava com a filha. E ainda tinha aquele tom. Aquele tom tão ameaçador em que Cristina falava da intimidade que gozava com sua filha que não era nada parecida com a relação que ela tinha com a jovem. Baixinho disse para si:
_ Primeiro eu te mato antes que você me roube minha filha, Cristina! Te mato!
***
Manhã seguinte
Cristina desceu as escadas para receber a visita que lhe esperava na sala. Era Hernán. Como lhe prometeu, alguns dias antes, foi até lá visitá-la e não se preocupava em esconder suas intenções. Apesar de que ele ainda devia respeitar os votos de castidade com sua licença, aqueles meses, ele queria usar para saber exatamente o que queria, que caminho percorreria a partir dali. E isso incluía saber se realmente queria viver um amor com Cristina. Mas disso ele não tinha muitas dúvidas. O professor convidou Cristina para dar um passeio pelo jardim da casa grande e ela aceitou.
_ Você disse que eu podia vir, por isso, hoje que tive um tempo livre, eu vim. – contou Hernán enquanto caminhavam.
_ Como eu te disse aquele dia, você sempre vai ser bem vindo em minha casa, Hernán. Apesar de que... não sei se você sabe, mas, Carlota vive aqui. – contou ela.
_ Eu sabia. Amanda me contou. Eu converso muito com ela, às vezes ela costuma acompanhar Carlos na universidade. Você sabe, acabei me tornando seu professor em sua pós graduação. – contou ele.
_ Eu sei. Amanda me disse.
_ Eu gosto muito de Amanda, ela tem algo que... não sei, me lembra você. Aquece meu coração falar com ela. Bom, eu ainda não falei com Carlota depois... desde que nos reencontramos. Talvez seja o melhor. – disse ele cerrando o punho ao falar sobre aquilo.
_ Sim! Acredito que seja mesmo o melhor, Hernán. O tempo passou... As coisas são como são e acredito que nós dois temos que encarar nosso passado sem revolta. – ela disse sentando-se em um banquinho do jardim.
_ Mas isso não é fácil, Cristina. – ele disse com o olhar perdido no vazio, sentando-se ao lado dela. – Você é mais forte, sua vida seguiu adiante, percorremos caminhos muito distintos e eu superei. Acreditei ter superado, porém... desde que voltei a te ver – disse fitando-a resoluto – não há um único dia em que eu não pense em como as coisas poderiam ter sido se não fossem as interferências.
_ Não fale assim. – ela pediu.
_ É a verdade, Cristina, a verdade! – ele disse se aproximando perigosamente dela. – Eu tento perdoar esse passado, perdoar à sua irmã, a seu pai que já não está aqui, mas... não consigo evitar ser assaltado por essa revolta cada vez que penso em tantos sonhos que nós tínhamos e que foram destroçados tão injustamente. Não sei se posso perdoá-los, não sei se posso perdoar a esse passado.
_ Eu sei. – ela disse baixando os olhos. – Eu também me sinto assim. Houve um tempo que eu sentia mais, mas a vida foi passando, foi me levando. Entretanto... – levantou os olhos e se encontrou com os dele emocionados encarando-a – Eu não posso negar, Hernán, não dá para negar. Voltar a te ver desarranjou minha vida, minhas certezas e é claro que eu também penso em como teriam sido as coisas se não nos tivessem mentido.
🎵Hoy voy a curar mi alma
Voy a olvidarme
De todas las cosas lindas
Que tu a mi me dabas🎵
Ele não respondeu, limitou-se a olhá-la e a ver, naquele olhar todos aqueles anos que passaram por eles, tantos sonhos enterrados, tantas decisões tomadas sobre mentiras, tanta vida roubada, tanta injustiça. Cristina, alheia àqueles pensamentos que passavam por sua mente, mas não àquela emoção que estava no ar entre eles, seguiu:
_ Principalmente... acima de tudo eu penso que... – ela se interrompia surpreendida pela emoção – se eu tivesse te dito que estava grávida, se eu não tivesse me deixado manipular por Carlota, se você tivesse sabido talvez, talvez eu não tivesse perdido nossa filha. Talvez ela estivesse comigo! – Não pôde evitar sucumbir à emoção e cair no choro.
Hernán, comovido por suas lágrimas e por aquela dor, que também era dele, se aproximou de Cristina e a abraçou. Ela não resistiu ao abraço, era tão difícil se ver diante dele, diante do passado, diante daquela perda e não receber seu amparo porque compartilhava com ele a mesma sensação de injustiça. Os dois mereciam curar aquelas feridas e, se dependesse de Hernán, as curariam juntos, ainda que Cristina estivesse carregada de uma confusão muito grande, ainda envolvida com Federico que não havia terminado de sair de sua vida vendo-se pelo que aconteceu no dia anterior.
_ Não é sua culpa, Cristina, isso você tem que entender. Foram a amargura e a maldade de outras pessoas as responsáveis por isso, você não abandonou sua filha, não deixou de lutar por ela, a roubaram de você! – ele dizia emocionado abraçado à ela, sentindo a alteração de Cristina provocada por seus soluços.
_ Mas, de todo modo, ela não está aqui, Hernán. Não está comigo, eu não pude ser sua mãe, talvez jamais possa.
_ Não diga isso. Deus vai te devolvê-la, você merece tê-la de volta. Nós merecemos! – sacramentou Hernán.
🎵Hoy se me apagó la luna
Y comprendí que nadie
Ocupa su lugar
Que solo existe una🎵
Cristina se afastou do abraço de Hernán um tanto confusa e ele ficou olhando-a, seu rosto totalmente emoldurado pela dor, por aquelas lágrimas. Seu ímpeto era dar-lhe consolo e, ao mesmo tempo, vendo-a ali, tão próxima, tão vulnerável, tão ao alcance. Seu coração pedia-lhe que satisfizesse aquele anseio. Durante alguns instantes, se olharam, Cristina agitada, tomada pelas lágrimas e ele, também emocionado. Ele levou suas mãos ao rosto dela e ajeitou seus cabelos atrás da orelha, despertando-lhe ternura.
_ Durante esses anos todos, Cristina, mesmo acreditando que você estava morta... eu, eu nunca pude esquecer o desenho do seu rosto, a vivacidade dos seus olhos. Sua imagem foi uma presença constante em todos os meus dias e... – interrompeu-se fitando-a com mais emoção – de minhas noites.
Aproximou-se lentamente do rosto dela, sem tirar os olhos dos olhos úmidos da dona da Plantanal e consumou um beijo com o qual sonhava desde que voltou a vê-la. Cristina fechou os olhos ao receber os lábios de Hernán nos dela, seu coração disparou dizendo-lhe coisas incompreensíveis enquanto o professor ia aprofundando o beijo no ritmo da necessidade que sua alma e seu coração sentiram de Cristina por longos 18 anos.
🎵No se puede regresar el tiempo
Ni cambiar la historia de este cuento
Es difícil aceptar que te perdí
...
Que todo me entregaste
No supe valorarte
Que fui borrando todo
Lo que un día te prometí
Que yo te tuve y te perdí🎵
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