Solitude
18 A Praia
Notas iniciais
Dia desses tentei me livrar de tudo aquilo que me fazia mal, limpei minha mente como se limpa uma casa.
Fui a praia, banhei no mar e lavei minha alma, foi ótimo ter feito isso mas conforme o tempo passava, meu corpo foi ficando mais pesado, a postura cada vez mais hesitante e o sorriso insustentável, me confundindo com o cenário oceânico eu era como um navio impedido de sarpar.
Com minha âncora recheada de medos, frustrações, pensamentos errantes e más experiências, não havia para onde partir, não havia horizonte a explorar ou mares a conquistar. Minha âncora estava pesada demais e tudo o que me restava era me acostumar a olhar para a mesma paisagem, o que não tão ruim, ao poucos passei a apreciar a vista e a companhia das gaivotas, a calmaria outrora perturbadora se transformou em uma doce canção reconfortante, e quando a noite chegou eu me senti o próprio vento, livre do arrimo que me prendia a escuridão.
O mais interessante dessa experiência é que não houve grandes mudanças, o mais significante é que agora existe uma fagulha que me impede de afogar.
No fim, só o que precisava era de um encontro comigo mesma.
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