Solitude
19 Meu Eu no Campo de Batalha
Notas iniciais
Todo dia de manhã eu me visto com uma armadura para impedir que meus pedaços se quebrem ainda mais. O besante em meu escudo indica que essa não é uma proteção normal e sim uma de guerra, pois cada dia é uma batalha cujo final ninguém sabe…
As guerras lutadas sozinhas são sempre as mais difíceis, não existe linha de frente, infantaria ou alguém pra te dar cobertura quando o inimigo ataca com toda a força — e ele sempre ataca -, só existe você e suas parcas armas que parecem nunca atingir o opositor.
Tento me manter firme no campo de batalha e mesmo que não avance nenhum passo sequer, a resistência me dá forças para o dia seguinte. Recuar não é uma opção.
Quem me vê vestida de sorrisos e autoconfiança nem imagina o duelo que se desenrola incessantemente dentro de mim, pois são incapazes de compreender como uma pessoa pode estar tão destroçada por dentro e mesmo assim parecer bem por fora.
Todo esse resguardo em torno de mim é uma faca de dois gumes, pois assim como me protege das pessoas e do mundo, ele também afasta, e nesse momento, já não sei se consigo seguir sozinha.
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