Solares

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Spcc flor, obrigado pela recomendação!!!! isso me motiva a continuar. bjooooo

BELLA.

Final do capítulo anterior.

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Domingo. 6 de outubro.

11:15min da manhã.

Acordei da mesma forma que eu havia dormido e me virei para ficar de barriga pra cima, acabei tomando um susto com Edward ali me olhando e raiva contida, era o que dizia o seu olhar. Olhei para os meus pulsos disfarçando e tornei a olhar para ele me cobrindo melhor. Senti medo dele naquele momento, eu não tinha argumento, não com ele olhando daquela forma para mim. Encolhi-me na cama porque se fosse possível eu viraria gelatina com o tanto que eu me encolhi, a arma estava na mão dele e eu não me encontrava corajosa como da última vez.

—Tentou fugir? Perguntou ele com a voz carregada por causa da raiva.

—Nã. Não.

—Não gagueje e fale direito! Exigiu ele alto.

—Não tentei fugir, eu, eu juro. Menti. –Não tentei fugir não Edward. Falei chorando.

—Então porque tentou encobrir o seu ato com a cama? O chão está todo trincado! Diga-me a verdade ou eu a arrancarei da minha maneira! Diz!

—Não tenho o que dizer, eu sem querer suspendi a cama, mas como eu estou fraca de fome, eu a deixei cair e estragou o chão.

—Se pensa que vou acreditar nessa sua mentira, está muito enganada! Não tenho mais tempo, terei que matá-la. Disse ele destravando a arma e apontou na minha direção.

—Não me mate, por favor, Edward, não me mate, eu não fiz nada de mal para a sua família. Eu não tenho culpa, eu, eu sou inocente. Ele atirou e uma viga da cama foi destruída por causa do tiro, com isso eu gritei em desespero na hora chegando a me encolher na cama. –POR FAVOR, NÃO ME MATE. Eu pedia desesperada e mais uma viga da cama foi destruída, essa bem próxima de mim, diria que raspando.

—Quando tentar fugir da próxima vez, não terei pena de te matar. Está me ouvindo? Perguntou ele dando um tiro que raspou em meu braço. O sangue escorreu na mesma hora e só foi um arranhão profundo, mas o suficiente para me deixar muito nervosa, eu beirava o histerismo.

—Eu juro que não, eu juro, eu juro não tentarei. Falei soluçando e com o desespero em dobro caso ele decidisse me ferir mais uma vez.

Ele saiu do quarto e momentos depois eu dormi sentindo o arder em meu braço esquerdo, eu estava exausta.

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Um bom tempo depois.

Abri os meus olhos devagar e constatei o meu braço sujo de sangue ainda, alguns filetes de sangue já estavam secos e a ferida não estava grave, constatei dando graças a Deus. Decidi ir tomar um banho para me limpar melhor e senti tudo rodar ao me levantar por falta de alimento. Devagar eu fui andando até o banheiro e tirei a blusa, liguei o chuveiro e sem pensar muito eu fiquei sob a água tomando cuidado pra não molhar o meu cabelo. Passei sabonete com cuidado e me enxaguei. Sequei-me devagar e fui escovar os meus dentes, ao terminar fui para a cama mais uma vez e fiquei vagueando em meus pensamentos até escutar ele abrindo a porta com a chave. Não pensei e corri para o banheiro fechando a porta no exato momento que a porta do quarto foi aberta.

Fiquei em silêncio, mas para minha surpresa a porta foi fechada novamente e esperei mais um pouco para ter certeza que ele havia saído.

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5min depois.

Ele devia ter deixado alguma comida para mim e saí, para o meu azar um dos brutamontes estava ali e meus olhos ficaram apavorados com o que eu estava vendo.

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—O que faz aqui? Perguntei andando para trás.

—Iremos dar uma voltinha juntos pelo o meu patrão estar ocupado, mas na verdade eu sou o mais indicado a fazer isso. Não preciso dar satisfações! Acho melhor cooperar comigo.

—Pra que essa injeção na sua mão? Não vou tomá-la! Falei ameaçando a entrar no banheiro com o meu corpo já tremulo pelo medo.

—Um presente do meu patrão para você. Disse ele sorrindo e veio na minha direção.

—NÃO IREI TOMAR ISSO! Falei entrando no banheiro, mas com o empurrão que ele deu na porta foi o suficiente para me derrubar no chão. –NÃO, POR FAVOR, EU NÃO QUERO TOMAR, NÃO QUERO TOMAR!

—Calma! Ou coopera ou será bem pior. Disse ele colocando a seringa sobre a pia enquanto que eu recuava para trás me arrastando no chão. Eu não era louca de dar as costas para ele. Vindo na minha direção ele me pegou pelo braço nem se abalando com a minha nudez, a blusa não cobria muito. –Agora fique quieta! Com brutalidade ele me impediu de se mover e pegou a seringa, tentei me mover e não consegui por causa da brutalidade empregada no seu aperto. –Quer apanhar até ficar desacordada? Você prefere ser dessa forma? Perguntou ele me enforcando e eu neguei com a cabeça com muita dificuldade. –Então coopere! Cuspiu ele e eu fiquei quieta como um sinal de rendição. –Essa é a sua escolha. A partir de agora, será diferente. Estará sob vigia e terá que cooperar e muito, do contrário, como castigo será mesmo a morte. Não pense que será tão diferente. Talvez se sinta com sorte, mas nem com tanta assim. Falou ele sério.

Uma lágrima rolou no exato momento que ele aplicou a injeção contendo um liquido transparente, eu olhava assombrada para ele apertando aquilo para dentro de mim. Fiquei em estado de choque quando a agulha foi retirada do meu braço e senti tudo ir ficando dormente em meu corpo conforme ele ia me carregando para o quarto. Eu andava com as minhas pernas para lá de bambas, as vezes uma atropelava a outra conforme ele me segurava e fui jogada como um saco de batata sobre a cama. Não demorou muito minhas vistas foram escurecendo e a escuridão me atingiu, eu não vi mais nada depois disso.

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Muitas Horas Depois. (20:36min da noite)

Abri as minhas vistas aos pouquinhos e constatei estar sobre uma cama por apalpar com um pouco de dificuldade, eu me sentia dormente e quase sem tato ainda. O que me deram foi forte o suficiente para me dopar dessa maneira e estranhei estar em outro ambiente ao abrir por completo as minhas vistas.

Observei assustada cada detalhe e nesse havia mais cor, tentei mover as minhas pernas e nada de eu conseguir, estava sendo inútil. Constatei que eu estava sem as correntes e tentei me levantar, mas eu estava anestesiada demais para conseguir. Abri meus olhos mais ainda quando um homem magro e muito alto entrou no quarto olhando para mim, fiquei assustada demais por estar totalmente vulnerável e olhei para baixo com vergonha da minha blusa curta, foi aí que vi estar vestindo um short jeans com a mesma blusa de antes. Eu não sabia de quem era, mas me senti um pouquinho de nada aliviada.

—É. Bem na hora! Disse ele puxando o pequeno banquinho e se sentou na minha frente, reparei que uma arma estava sob a sua blusa social branca. –Fez uma boa viagem? Perguntou ele.

—Não vi nada. Respondi baixo e com bastante medo.

—É, eu sei disso. Disse ele sorrindo irônico. –Esse quarto é bem melhor que o outro, não acha?

—Pa. Parece que sim.

—Trabalhará aqui, ou é isso, ou podemos encerrar o nosso assunto aqui mesmo. O que você prefere? Perguntou ele me mostrando uma injeção, uma agulha e um vidro branco contendo um líquido verde escuro, isso tudo dentro de um estojo transparente. Era como se fosse um kit.

Fiquei matutando o significado de “encerrar o nosso assunto por aqui mesmo” e deduzi que essa seria uma linguagem sutil para o significado da minha morte. Aquela injeção devia ser algum tipo de veneno e me apavorei de verdade. Eu poderia delatar o patrão dele e prejudicá-lo, então eu tinha certeza que era isso. Edward era malvado comigo, mas eu não me imaginava sendo abusada por um daqueles e morta em seguida, eu só tinha dezoito anos. Sem dúvida eu preferiria trabalhar, talvez Deus estivesse do meu lado quando Edward impôs isso.

—Eu aceito. Falei depressa. –Mas o que eu terei que fazer?

—Arrumar a casa e o que mandarem você fazer! O que mais acha que fará aqui? Meu patrão decidiu assim e só ele é quem decidirá quando for a hora certa de limpar a sujeira. Eu sigo as ordens e lhe advirto, o local está cheio de seguranças, é impossível escapar. Pro seu bem faça a sua parte e não o desobedeça. Fique longe da mãe dele se não quiser ser punida severamente, terá sempre um segurança te vigiando e as duas empregadas já foram avisadas de mais uma integrante. Elas têm olhos e não enxergam, ouvido e não escutam. São agradecidas ao patrão, então não conte com muita ajuda quando forem apresentadas pelo próprio. Saberá o que deve fazer através delas. Calada e sem muito assunto é como deve proceder daqui a diante, isso não é uma colônia de férias e não precisaremos economizar balas, se é que me entende. Tenho a sua cura dos males aqui. Disse ele sacudindo o kit da morte.

—Eu concordo, eu já concordei.

—Ótimo! Que bom que conversamos. Irei chamar o meu patrão e informá-lo que já acordou.

—Ok. Falei baixo por estar apavorada.

O homem saiu pela porta e subiu as escadas, deixei uma lágrima escapar e lembrei da minha fome, eu não havia comido nada e pelo fino basculante vi ser noite. Tive a certeza que foram horas em que fiquei desacordada, hora o suficiente para me tirarem daquela casa na floresta e me levarem Deus sabe para onde. O calor no lugar era perceptível e o cheirinho de maresia também, esse vinha pelo basculante, seria impossível tentar fugir por ali e eu não seria boba de tentar. Escutei alguém descendo as escadas e olhei na direção da porta, não tive forças nem para secar a lágrima que rolou.

—Então já acordou. Disse ele entrando no quarto. –Já ficou ciente do que foi destinada a fazer?

—O seu capanga já me explicou. Ou é isso ou é a morte?

—Exato, mas deixei claro que quando for à hora, eu limparei essa bagunça. Não posso correr riscos com uma louca solta por aí, no caso essa, é você.

—To sabendo disso.

—Então aceitou?

—Eu aceitei, já estou ciente do meu castigo.

—Faça o seu serviço e não tente se aproximar da minha mãe ou da cachorrinha, mesmo que ela cisme com você. Fique longe! Estamos claro?

—Uhum.

—Perfeito! Agora curta a noite, quando amanhecer os seus movimentos estará de volta. É assim mesmo.

—Estou com fome.

—Não se preocupe, o café sairá às 8h. Meus seguranças não são pagos para servirem de babá, muito menos eu. Está sem firmeza e deixará tudo cair no chão ou sobre a cama! Ah! Já ia me esquecendo, haverá visitas, alguns eventos que não acontecerão agora, então se comporte como foi designada. Como uma empregada! Permanecerá dentro de casa e só irá até o quintal quando for ordenada. Não havendo trabalho esse porão é o local indicado a ficar, serei informado caso isso não aconteça. Seu pagamento será viver ou se estiver insatisfeita, nós poderemos resolver isso definitivamente agora.

—Já ficou claro, estou por dentro de tudo. Falei vencida.

—Então não tenho mais o que falar ou fazer aqui. Tenha uma boa noite se conseguir.

Observei ele sair do quarto e fiquei olhando tudo em volta. O cheirinho de maresia era bem familiar e aconchegante para mim, lembrava o meu apartamento em Solares. O mar sempre me acalmava e me relaxava, era como se eu estivesse em casa.

O quarto permaneceu claro, pois a luz do abajur clareava tudo. Meu estômago roncava muito e junto com a sede chamava a minha atenção, minha boca estava muito seca. Tentei resistir a esse tormento durante a noite inteira, meu corpo estava estranho.

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Segunda feira. 7 de outubro.

Às 05:20 da manhã.

Aos pouquinhos a lentidão e a falta de tato foram passando, o amanhecer já se fazia presente e notifiquei que os meus movimentos estavam totalmente de volta. Levantei-me sentindo tudo girar pela fome e cautelosamente fui até o banheirinho do quarto. Ali havia toalha, presto barba, sabonetes e lingeries. Dei graças a Deus por haver produtos de higiene pessoal e um pente para eu pentear o meu cabelo. Eu não sabia que horas devia ser e tirei a minha roupa após encostar a porta do banheiro, sentia-me aliviada por estar sem aquelas malditas correntes pela primeira vez e ao olhar o meu pulso, ambos estavam marcados. Abri a torneira e a água estava gelada, mas nem tanto assim, isso foi o de menos e me lavei deixando algumas lágrimas rolarem. Asseei-me com o presto barba e tive que lavar os meus cabelos com o sabonete, pelo menos era bem cheiroso. O machucado em meu braço estava cicatrizando aos pouquinhos e os arranhões pelo o meu corpo alguns já estavam sarados. Após enxaguar o meu cabelo peguei o pente para desembaraçá-los, uma tocha de cabelos caiu por eu ter ficado muito tempo sem penteá-los. Por fim desliguei a torneira e fui me secar, olhei pelo basculante e só vi mata, plantas e coqueiros naquela direção, mas eu sabia que o mar estava próximo por causa do ar que cheirava a maresia. Sequei-me por completo e passeia a toalha em meu cabelo para secá-los. Passei desodorante e vesti uma calcinha de algodão branca, havia dois sutiãs ali para o meu uso. Um branquinho e o outro era preto, nada demais ao meu vê. Escovei os meus dentes e bebi bastante água da bica para saciar o meu estômago, voltei para o quarto enrolada na toalha e ao me deitar na cama, arranquei a toalha fora e fiquei apenas de lingerie sob aquela manta grossa.

Eu havia perdido peso em apenas dias, também, comendo mal da forma que eu estava não era novidade. Eu estava muito exausta e acabei dormindo depois de passar tanta hora acordada.

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07:30min da manhã.

Fui acordada pelo mesmo segurança alto.

—Está na hora de levantar, são 07:30 da manhã. Esse é o seu horário de levantar diário e aqui está o seu uniforme.

—Terei que usá-lo?

—Sim e essas são as sapatilhas que terá de usar.

—Ok. Falei olhando para os dois pares de sapatilhas vermelhas, nada mal ao meu vê.

—Se vista e suba imediatamente.

—Pode deixar.

Vesti a roupa correndo e calcei a sapatilha que eram o meu número. Olhei-me no pequeno espelho e constatei que eu não estava tão mal. O machucado em meu braço estava mais ou menos, eu iria sobreviver com alguns aranhões em estado de cicatrização, eu acho. Subi as escadas temendo bastante e dei de cara com o segurança no alto da mesma me causando receio. Ele me aguardava, ou melhor, me vigiava.

—Por aqui. Falou ele me amostrando o caminho, estávamos em um longo corredor.

Tudo era chique demais e muito lindo, demos na cozinha e minha surpresa foi tamanha pela suntuosidade do local. Sem dúvidas essa casa devia valer milhões constatei estando apavorada.

Não havia ninguém ali e até estranhei, eu soube que era duas empregadas e a terceira seria eu, deviam estar na sala servindo os patrões delas, ele nunca seria o meu, mas isso eu guardaria em segredo.

—Tomará o seu café aqui e seu almoço será aqui também. Você vai ter dez minutos para comer todos os dias depois de servir os patrões, claro.

—Tudo bem.

—O patrão nos aguarda na sala, estão todos lá.

—Ok. Falei baixinho, mas ele ouviu, meu nervoso era demais.

Andei devagar demais por estar me sentindo debilitada e ele seguiu atrás de mim, fui andando na direção indicada por ele e demos numa linda sala. A vista era incrível lá fora, tive a certeza que estávamos em uma área particular e deles. Era muito chique ter uma visão da natureza daquelas na sala de jantar e o vidro era fininho, mal dava para perceber de tão limpo e claro. Não haviam paredes por completo e sim vidros com intervalos de finas paredes. Tudo puxado no tom de madeiras escuras. Um requinte só e cheirava muito bem o local.

Duas empregadas com o mesmo uniforme que o meu estavam ali em pé auxiliando os patrões delas. Uma moça jovem estava sentada usando óculos escuros ao lado de um homem elegante que a auxiliava de forma carinhosa. Edward estava sentado de frente para eles e nos viu assim que entramos pela porta. Ele me mirava sem expressão alguma e assustado, o homem que devia ser o pai dele olhou para mim perdido em pensamentos. Eu diria que ele não sabia a meu respeito e olhou para o filho surpreso.

—Quem é essa filho? Perguntou o homem elegante.

—Nossa mais nova empregada

—Qual o seu nome jovem? Perguntou ele de forma até simpática.

—Eu me ch......

—Essa é Isabella Swan, mas conhecida como bella. Se eu fosse o senhor, eu não seria tão Cortez com ela assim pai.

—Por que filho? Perguntou o homem colocando a xícara de café sobre a mesa.

—Essa é Uma Swan, ou já esqueceu o que esse nome significa em nossas vidas? Perguntou Edward olhando de forma raivosa para mim e o pai dele olhou para mim preocupado. –Essa é filha dos pilantras que nos roubou por várias vezes, ela é filha daqueles ladrões, cujo o roubo que efetuaram pela última vez, foi o suficiente para arruinar a nossa família. É como erva daninha os Swans. Ela é filha dos verdadeiros culpados da desgraça de nossa família!

—O que está dizendo filho? Perguntou a moça agoniada e tateou o marido desesperada. Apavorada era a palavra certa. –O que ela faz aqui filho? Perguntou a mulher tendo ataques de histeria. –Cadê a Brenda filho, ela está segura?

—Calma mãe, ela não vai lhe oferecer nenhum perigo. Disse o filho carinhoso e me olhou com raiva. –Ela sabe dos limites dela, ou então é a morte! Disse ele sem mais sem menos. Só vi quando as empregadas me olharam como se eu fosse uma doença daquelas piores, ambas não era muito velha. Uma delas era mais jovem que a outra.

—Você... Matar.... alguém? Perguntou a mulher descrente e o pai o reprovou com o olhar.

—É engraçado como a vida nos torna diferente. Disse Edward sem emoção alguma me olhando e tornou a olhá-los..

—Mas filho, o que acha que est.......

—Não se meta nisso pai! Ou irei embora dessa casa! Farei justiça aqui ou em outro lugar!

—Não diga isso filho, você pretende abandonar Brenda, eu e o seu pai?

—Não mãe, mas desejo que não se metam nisso, só peço isso!

—Não podemos ficar com ela aqui! Os outros virão atrás dela. Disse a mulher chorando.

—Não, claro que não. Não sobrou um vivo para contar a história!

—Você matou essas pessoas?

—Não precisei sujar as minhas mãos, eram um monte querendo fazer isso por mim! Ela não irá perturbá-la, não precisa ter medo. É só uma garota mimada e cheia de caprichos movido ao luxo da sujeirada!

—Qual a idade dela filho?

—18 Anos.

—Meu Deus! Ela é novinha.

—Novinha sim, mas gostava da vida que levava e que os pais ofereciam. Era uma cambada de ladrões, foi por eles que vocês sofreram!

—Ela é uma assassina e uma vigarista senhora! São da mesma laia. Falou uma das empregadas, a de aparência mais velha.

—Tem razão Rosa, ela não vale nada! Afirmou Edward me olhando e me encolhi mais ainda com as palavras dele.

—Tem certeza do que está fazendo filho? Perguntou o pai.

—Não tenho dúvidas, agora vamos comer ou perderemos o nosso apetite. Respire mamãe, ela não vai oferecer perigo algum a senhora.

—É verdade filho?

—Sim.

—E a Brenda?

—Também não. Disse ele pesaroso.

—Fico mais tranquila então.

Comecei a chorar em silêncio e sequei as minhas lágrimas em silêncio também, uma das empregadas ficou me olhando e abaixou a cabeça, eu não sabia o que se passava na cabeça dela. Eu estava horrível visualmente, talvez à única beleza que restou foram os meus olhos, mas esses estavam tão fundos, que pensei, o conjunto não estava bom.

—Rosa, dê as instruções a ela de como arrumar tudo, ela está por sua conta na parte da limpeza a partir de hoje.

—Pode deixar Sr Edward.

—A comida é com você Mary.

—Tudo bem senhor. Disse a outra mulher me olhando e olhou paro o patrão.

—Filho....

—Já estamos conversados pai! Disse ele interrompendo e olhando para o pai, era visível o sofrimento no rosto do outro homem. –O que acontecer daqui para a frente morre aqui! Estão entendidas?

—Sim senhor. Falaram as duas empregadas o olhando, uma delas olhou para mim e baixei minha cabeça.

—Ótimo! Mary sirva o café a ela e Rosa mostre o serviço a ela. Tem dez minutos para comer.

—Eu já est.....

—Poupe-me! Disse ele me interrompendo. -Agora pode ir. Ele fez sinal com a cabeça pra Mary e ela nos acompanhou.

Voltamos para a cozinha e fui me sentar à mesa a pedido da mulher. Fui servida de café com leite e pão, comi desesperada, mas devagar por causa do meu estômago, estava vazio há horas.

—Mary, eu poderia comer mais um, estou faminta há horas.

—Não, está bom. Disse um dos seguranças.

—Tudo bem.

Terminei de comer o meu pão e bebi o restante do café com leite quando Rosa entrou na cozinha com uma bandeja na mão, eu tinha certeza que eu teria problemas com ela.

—Já terminou de comer garota? Perguntou ela.

—Sim.

—Então se prepare, a sala precisa ser limpa. A maresia é ingrata às vezes. Sabe como se faz? Perguntou de forma arrogante.

—Mais ou menos.

—Aqui o mais ou menos não funciona. Terá de aprender e fazer bem feito, o patrão é exigente nessa parte!

—Eu vou aprender.

—Acho bom mesmo! Agora se levante, está na hora de trabalhar.

Levantei-me da cadeira devagar e olhei pra Mary que disfarçou olhando para o outro lado, eu me sentia mal perante aquelas pessoas. O cheirinho do ambiente era ótimo e segui Rosa até a área de serviço da casa. Pegamos tudo que eu precisaria para fazer a faxina e fomos caminhando até uma outra sala, que era muito bonita.

A tv era enorme ao meu ver e tudo bem posicionado. Rosa pediu para eu tirar as coisas do lugar e varrer com a vassoura apropriada para não arranhar o chão. Eu estava com um balde cheio de água para passar o pano depois em seguida a cera. Um aspirador de mãos para os sofás e lustra móveis para finalizar a limpeza.

—Já sabe o que fazer e não me quebre nada garota atrevida!

—Eu não irei, pode deixar.

—Não estava acostumada a limpar a casa?

—Eu tinha de tudo.

—É o que parece, mas saiba que aqui não terá moleza! Não depois que os seus malditos pais causaram a essa família tão contente e que agora se encontram desolados!

—Não sou culpada, eu não tenho culpa de nada.

—É o que você afirma, mas ladrões gostam do bom e do melhor, nunca querem a má vida. Sempre roubam e você é fruto de dois ladrões! Traficantes asquerosos.

—Diga o que quiser sua megera, não sabe nada da minha vida!

—Algum problema? Perguntou Edward entrando na sala.

—Há sim senhor. Essa garota abusada estava me desafiando.

—Já se esqueceu do que conversamos? Perguntou ele apertando o meu braço.

—Não desafiei coisa nenhuma, foi ela quem começou.

—Poupe-me de reclamações e se comporte. Disse ele me largando de qualquer jeito e por estar fraca eu fui ao chão.

—Agora faça o que eu te ensinei! Disse a megera se retirando da sala junto com Edward. Fiquei sozinha ali no chão e isso me magoou ainda mais.

Chorei enquanto limpava, era bem melhor ter livre arbítrio que ficar naquele quarto insuportável presa. Além de tudo eu estava em um lugar privado, pelo que olhei em volta ao reparar a paisagem, aquela devia ser a única casa, mas não devíamos estar longe da civilização, lembrando bem, Miami portava muitas dessas praias habitadas por pouquíssimas famílias. Era como uma ilha ou praia partícula. Mas eu não devia estar em Miami, eu não sabia dizer. Só sei que eu sentia saudades de Solares e de todos os meus amigos, principalmente dos meus pais. Reparei que o segurança veio conferir se eu estava trabalhando e ao constatar que eu fazia o que me foi ordenado, ele voltou.

Eram milhares de coisas para limpar, eu devia estar anêmica ou com a minha pressão baixa por me mover rápido demais e sentir tonteira. Mesmo tendo tomado o café da manhã, eu ainda sentia fome por ter ficado horas sem comer e quando o fiz, foi pouco por eu estar faminta.

Edward me apresentou para todos como sendo filha do traficante culpado das desgraças da família dele e eu passei a maior vergonha. A pior da minha vida. Senti-me tão insignificante por culpa dos meus pais. Os inocentes muitas vezes pagavam por culpa dos outros, essa era uma grande verdade e eu estava vivendo na pele isso. Quando chegou a vez de passar o pano, Edward entrou na sala todo arrumado e pude reparar que mesmo andando todo os dias de preto, ele era muito bonito, mas tão mal comigo.

—Está olhando o quê?

—Nada, eu não estou.

—Melhor assim! Quando eu voltar mais tarde, espero não haver reclamações!

—A outra empregada foi quem implicou...

—Estou indo e se comporte!

—Eu irei.

Ele saiu da sala segurando a chave que deduzi ser do automóvel e continuei limpando. Era tanta coisa para fazer, Deus, eu estava tão ferrada que deixei as lágrimas rolarem, eu estava tão emotiva e com razão de sobra para isso. Coloquei as coisas de volta em seus devidos lugares e nisso as horas foram se passando, já passava das 11h do dia. Comecei a passar lustra móveis e finalizei passando pano úmido na mesa de centro. Eu tinha acabado a limpeza ali.

—Eu já terminei nesse cômodo. Falei com o segurança quando ele apareceu, ele aparecia a cada dez e às vezes cinco minutos pra ver o que eu estava fazendo.

—Vou avisar a Rosa que você já acabou.

—Tudo bem.

Ele saiu da sala e quando voltou com a megera, Rosa avaliou o local.

—Até que ficou limpo! Disse arrogante. –Agora lave o banheiro social da casa! É no fim do corredor. Não darei instruções, já sabe como se limpa uma casa! O processo é o mesmo, eu irei pegar o sabão, o desinfetante que é muito cheiroso por sinal e o cloro. Não me passe cloro na madeira, apenas o espanador e o lustra moveis! Disse ela toda empinada, parecia que era dona da casa.

—Ok. Darei o meu jeito.

Caminhei até o fim do corredor levando tudo comigo e quando abri a porta do banheiro, quase caí para trás, eu teria muito que fazer ali também.

Comecei a tirar os enfeites dos lugares e coloquei sobre a superfície perto da banheira, tirei as toalhas que estavam em baixo e varri primeiramente o chão. Passei pano nas frestas das janelas do outro lado do banheiro e Rosa colocou o que ela prometeu no chão perto da porta. Na portinha mais ao fundo que dava a um pequeno cômodo, o qual ficava o bidê e o vaso, foi o primeiro que eu limpei. Inclusive as paredes. No cômodo maior eu limpei o Box com cloro e sabão, enxaguei a seguir e sequei as bancadinha com o pano molhado de desinfetante. Ao abrir o pote, reparei o desinfetante ser muito cheiroso e tinha cheiro de flores.

Passei limpa vidro nos vidros do Box e tive trabalho por serem altos, a vassoura me ajudou na tarefa. Ali já estava limpo e fui lavar a banheira, após completar a tarefa eu voltei os enfeites para os seus lugares e passei lustra moveis. Logo após coloquei as toalhas e as outras coisas no espaço da banheira. Por último foi o chão que eu esfreguei com cloro e pouco sabão pra me facilitar, eu estava tão faminta que escondida bebi água da bica.

Sequei o chão e passei desinfetante, não é por nada, mas o local ficou um brinco e muito perfumado. Dei Graças a Deus quando eu terminei e eu mal me aguentava, eu estava dolorida demais. Chamei o segurança e Rosa apareceu para avaliar o local, pela cara dela estava tudo nos conformes.

—Que bom que entende rápido, não gosto de repetir o que eu explico! Já passa da 14h e todos já almoçaram. Você almoçará quando terminar de passar algumas roupas. Aliás, muitas. Disse ela sorrindo. –Não me vá queimar a roupa dos outros. Ga. Ro. Ta. Disse ela me olhando de cima a baixo. –Quando terminar almoçará e arrumará o quarto do senhor Edward a pedido dele.

—Onde estão?

—Na área de serviço, em uma hora termina se for rápida. Ajuste a temperatura do ferro, tem bastante blusa masculina para passar.

—Darei o meu jeito.

—Terá mesmo!

Fomos até a área e guardei algumas coisas, depois eu as pegaria para terminar o serviço. O lugar era pequeno, portava duas lavadoras e secadoras ao mesmo tempo. Havia um tanque e tudo que uma área de serviço de luxo precisa ter.

Rosa mostrou onde estava à tábua de passar roupa e o ferro, havia muitas roupas a serem passadas e algumas de cor preta que reconheci ser de Edward. Eles saíram da área e fui abrir a tábua, meu estômago berrava de fome e o ignorei. Peguei o ferro e o liguei na tomada, sem jeito de como passar aquelas blusas sociais, eu deixei a temperatura do ferro mínima. Fui passando com cuidado e borrifando um líquido cheiroso sobre o tecido. Até que eu estava dando conta e não havia queimado uma, quando o tecido demorava a ficar passado, eu aumentava pouca coisa a temperatura. Funcionava. Fiquei quase duas horas passando o mundaréu de roupa e colocando nos cabides após passadas. Pendurei os cabides no varal próprio e depois Rosa ou até Mary não sei, guardaria no local certo. Arrumei a área de volta e fui para a cozinha morta de cansada, Rosa estava sentada tomando café e o segurança lendo um jornal, Mary lavava alguns utensílios na pia.

—Já acabei de passar as roupas. Falei um pouco acanhada.

—Vou ir verificar, enquanto isso almoce. Você tem dez minutos para comer.

—Eu sei.

Sentei-me à mesa esgotada e olhei para a outra empregada fazendo o meu prato. Pelo que reparei, ela colocou bastante comida e agradeci internamente, nem que eu engolisse inteiro, eu colocaria aquela comida toda para dentro. O cheiro estava ótimo e quando ela colocou o prato na minha frente, ele estava sem talher. Eu teria que passar essa vergonha na frente deles, eu pouco importei, comi sentindo o aroma muito agradável e delicioso ao paladar. Em oito minutos eu comi aquilo tudo e ao olhar para eles, todos me olhavam. Disfarcei me levantando e fui lavar as minhas mãos, com um minuto sobrando eu bebi o copo de água que ali colocaram para mim. Parecia que elas já estavam por dentro de como me tratar, antes água do que nada e agradeci tanto por ter comido.

—O quarto do patrão a aguarda, não demore na limpeza porque os patrões costumam chegar às 18h. A roupa está passadinha, do contrário você teria que repassá-las novamente.

A ignorei e fui pegar o material de limpeza, inclusive o aspirador de pó de mão. A escada para o segundo andar ficava no corredor e quem me mostrou o quarto do patrão foi o segurança. Ele era muito bonito, grande e organizado, tudo em seus devidos lugares. O quarto dele era uma suíte na verdade, pois, o vidro transparente do banheiro me deixava ver tudo dentro. Banheiro impecável em tons de madeira clara e com uma grande hidro. Devia ser bem relaxante.

Edward tinha razão quando afirmou ser exigente na parte da limpeza, ele também era muito limpo, pude observar quando ele abusou de mim, mesmo o meu corpo gostando daquilo e eu detestando. Que bom que ele não fazia mais isso, eu acho. Ele era imprevisível demais.

Olhando melhor, o quarto dele me daria trabalho, eu teria que passar pano úmido naquelas cerâmicas do banheiro e aspirar o quarto. Dei início a limpeza, comecei no banheiro e demorei bastante para terminar, na minha casa eu lavava os pratos e as panelas somente, mas limpeza mesmo eu nunca fiz. Aqui eu tive que aprender na marra, meu corpo estava fraco demais para apanhar ou sofrer agressões piores. Passei limpa vidro nos espelhos e vidros do banheiro. Fui varrer o quarto, passei aspirador nos cantos da parede todinha e pano úmido no restante. Fiz o mesmo na televisão que estava em frente a cama na parede e na mesinha a baixo dela. Passei aspirador debaixo da cama para tirar as teias e onde precisasse, já cansava de estar escuro quando senti que alguém se aproximava, era Edward quem havia chegado.

—Droga! Falei baixinho.

Ele passou direto para o closet e o ignorei, passei limpa vidro nos vidros restantes do quarto e ele passou para o banheiro, ele iria tomar banho naquela transparência e na minha frente sem se importar. Ele era muito cara de pau e evitei olhar naquela direção, eu estava constrangida demais e passei o pano úmido no chão, depois foi à vez da cera e ficou brilhando. Olhando de soslaio na direção do Box transparente ele tomava banho de costas e uma mancha que julguei ser de nascença, de uns quatro centímetros havia em suas costas. Pude reparar bem pela primeira vez.

Eu teria que pegar alguns pertences da limpeza no banheiro e preferi aguardar do lado de fora do quarto, ele estava tomando banho sem se sentir constrangido com a minha presença. Ele fazia de tudo para me perturbar ou me amedrontar.

Quando escutei a porta de vidro ser aberta, eu entrei no quarto e passei por ele para pegar o material da limpeza que deixei no canto do banheiro, ao voltar ele me barrou estando ainda enrolado na toalha.

—Não gostei de ter chegado cansado e encontrá-la aqui arrumando o meu quarto! Seja rápida!

—Eu não tive culpa, eu, eu já acabei. Pode ficar à vontade. Falei sentindo ele segurar o meu braço.

—Que essa seja a última vez!

—Eu vou me lembrar disso Edward.

—Pra você é senhor, sou o seu patrão, se lembra?

—Tudo bem.

—Agora de o fora!

—Ta, ta bom. Falei segurando o balde contendo a garrafinha de desinfetante, o pano, o limpa vidro e algumas flanelas. A vassoura estava encostada na parede próxima da porta.

Ele me soltou e fui a passos largos pegar a vassoura, desapareci do quarto e das vistas dele. Com o coração batendo rápido eu passei pelo corredor e escutei a mãe de Edward se queixando com alguém, devia ser com o pai de Edward. Não fiquei para ouvir escondido, Edward poderia me pegar e me maltratar de verdade por causa disso. Pela primeira vez no dia eu escutei a cachorrinha latindo dentro do quarto junto deles. Desci as escadas e fui para a cozinha.

—Já terminei a limpeza Rosa.

—Guarde o material e lave todos os panos que você utilizou, depois pode ir para o seu quarto, Mary levará a sua comida. Na janta será a única vez que não precisará comer em dez minutos, apenas no café e no almoço. Foi a ordem que o patrão deu agora quando ele chegou.

—Estou indo então.

Fui para a área lavar os panos e os deixei branquinhos, minhas unhas estavam um bagaço já. Pendurei todos eles e coloquei a vassoura no lugar dela pendurada. Lavei o balde e coloquei ele no canto da parede, depois de tudo organizado eu passei pela cozinha e fui para o quarto no porão exausta. Acho que exausta era muito pouco para o cansaço que eu estava sentindo, meus braços davam choques pelos exercícios que eu fiz para limpar a casa durante o dia inteiro. Eu nunca trabalhei tanto dessa forma antes. Acho que eu morreria ali.

Sobre a cama havia dois blusões enormes e limpos, ambos branquinhos e fui para o banheiro tomar banho. Lavei a minha cabeça por senti-la suada e o restante do meu corpo, sendo que tomei cuidado com o meu braço em fase de cicatrização. Enxaguei-me e me sequei, vesti outra calcinha e lavei a que eu usei no chuveiro. A pendurei no varalzinho improvisado por mim perto do basculante e vesti o mesmo sutiã, estava limpo. Fui para o quarto pegar um dos blusões e o vesti, cai na cama me sentindo um bagaço. O sono estava quase vindo quando Mary entrou no quarto com uma bandeja contendo um prato de comida e um copo de água somente.

—Obrigado Mary

—Tudo bem, apenas coma porque o patrão resolveu mudar de ideia e em dez minutos eu tenho que vir pegar o prato de volta.

—Comerei em segundos, estou tonta de fome mesmo........ Não sou culpada de nada Mary, eu sou mais uma vítima no meio disso tudo. Falei desolada perante o olhar dela

.–Não a conheço, não posso afirmar nada e....

—Mary, você não tem autorização para conversar com a criada. Disse o segurança chamando a atenção dela e eu me encolhi com medo de haver punição.

—Já estou subindo Fausto.

—Então vá, a janta será servida e precisam de você lá.

—É, eu sei.

Eles se foram e eu comi a comida saboreando, pelo menos ali eu iria me alimentar melhor. Eu poderia ficar sem as alimentações se me comportasse mal, eu faria por menos. Dez minutos depois quem pegou o meu prato foi o segurança e eu me encolhi na cama, eu sentia medo caso ele resolvesse abusar de mim também. Eu morreria. A porta foi encostada e me levantei para escovar os meus dentes rápido. Voltei para o quarto e me joguei na cama sob a manta grossa, estava amena a temperatura, bem diferente de mais cedo que estava bem quente. Lembrava tanto Solares.

Fiquei enrolando por alguns minutinhos e acabei pegando no sono rápido pelo excesso de cansaço.

.

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................................................

Madrugada de Terça Feira, 8 de outubro.

01:30min da manhã.

Acordei com a cama se movendo e tomei um susto quando abri os meus olhos, era Edward ali. Reconheci pelo cheiro porque o quarto estava no escuro, alguém devia ter apagado a luz do abajur depois que eu dormi mais cedo.

—O que faz aqui seu, seu......... Desisti de ofendê-lo por causa do medo.

—Eu estava sentindo falta de me divertir um pouco, está de banho tomado e cheirosinha até. Disse ele cheirando o meu pescoço, ele devia ter bebido, estava cheirando a whisk.

—O que pretende vindo há essa hora aqui em baixo? Perguntei baixinho por estar sonolenta. -Você bebeu!

—Sexo, o que mais seria?

—Estou cansada senhor, eu estou naqueles dias. Menti.

—Não acredito, está mentindo. Disse ele levando a mão em minha parte íntima sobre a calcinha e fechei os meus olhos.

—É eu menti, não acho certo isso que faz comigo.

—Não há o porquê, você me pertence agora. Fará o que eu quiser!

—Não pertenço ao senhor e.......

—Cale-se! Já reparou que fala e reclama demais? Observou ele furioso.

—Ok. Falei sentindo a minha calcinha sendo tirada. –Não pode fazer isso sem camisinha, não, não, não é certo.

—Sei que está limpa, não sou louco de comer uma puta sem estar prevenido! Quando se apaga alguém, podemos tirar muitos proveitos.

—Não sou puta!

—Prefere insistir com teimosias?

—Nessa parte sim, não sou puta senhor, sou digna!

—Não me importa, agora calada e faça o que eu mandar!

—Ok, ok. Falei ficando quieta e vencida.

Mesmo tendo bebido, o cheiro dele era sem igual. Meu blusão foi tirado por mim, mesmo eu não estando de acordo com aquilo. Edward tirou o meu sutiã numa rapidez incrível mesmo o quarto estando no escuro e ele não estando cem por cento são das ideias.

—Tire o meu roupão, terá que começar a me recepcionar melhor! Disse ele puxando o meu cabelo e inclinei a minha cabeça para trás por causa disso.

—Ta, ta. Falei afirmando com a cabeça e ele soltou os meus cabelos.

—Se mexa! Ordenou indo se deitar na cama.

Puxei o laço do roupão e o abri, ao apalpar o corpo dele no escuro, percebi que ele estava com uma boxer e não teria como saber a cor. Trêmula eu abaixei a boxer e a tirei tendo a cooperação dele, eu não sabia o que fazer e com um puxão rápido dele eu desabei na cama. Edward não demorou nada a ficar sobre o meu corpo, ele me torturava puxando os fios do meu cabelo, mas não tão forte assim. Tirando a atenção dos meus cabelos, sua mão direita veio parar sobre o meu seio esquerdo e o apertou com um pouco de força. Senti suas mordidas em meu pescoço, diria que não era algo que fosse me marcar, ele agia como um animal no cio, essa era a verdade. Intenso demais eu diria, o pior de tudo era que o meu corpo respondia a essa pouca vergonha. Com vigor os meus seios foram sugados na mesma hora que ele me invadiu de uma só vez, eu já estava trêmula, mas nesse momento não era de medo. Seus movimentos de encontro o meu corpo era vigoroso demais, algo nunca vivido antes e vez ou outra me roubava suspiros que eram errados e impróprio. Meu sexo o mastigava constantemente, eu sentia as ondas de calores me invadindo a cada vai e vem dele.

—Faça! Ordenou ele virando de barriga pra cima.

Sem muita opção eu fiquei sobre ele e naquela posição ele foi bem mais profundo, senti o cutucar de seu sexo no meu limite e ganhei um tapa em meu traseiro como estimulo para eu continuar. Para ele eu era uma puta, uma desnaturada e sem coração. Sob a sua arrogância mesmo eu não querendo aquilo, eu faria o que ele estava me pedindo por minha vida já estar acabada mesmo. Fiquei sobre ele e me movi da forma que ele fazia comigo, vigoroso e intenso. Ele era grande e causava certo incomodo em mim, mas eu fui relaxando na medida que os segundos passavam e apoiei as minhas mãos uma de cada lado do corpo dele. Rebolei sendo guiada por ele, me movi como uma louca sentindo o meu orgasmo chegar no meio dessa, dessa loucura imprópria para mim.

Meus seios foram apertados e Edward tornou a ficar sobre mim, seus movimentos loucos não existiam, seria complicado para eu explicar da forma que ele fazia e gozei travando os meus lábios para não gritar, apenas o sussurro mínimo de meus lábios espremidos por mim eram audíveis pela potência do que eu estava sentindo. Meu ex nunca me proporcionou aquilo, isso não significava que com ele não era bom porque era. Mas esse estranho, ele me levava à loucura sem se esforçar, era como se o meu corpo respondesse ao dele, se fosse em outra época, eu diria que perfeito para o dele, mas não era e não devia ser. Não devia ser por tudo que ele estava fazendo eu passar. As privações eram severas e me fazia sofrer demais.

Eu divagava sentindo o orgasmo dominar o meu corpo, era como se eu estivesse inebriada de uma bebida forte, mas ele não parou de se mover sobre mim. Eu me sentia ensopada entre as pernas e ele nunca que cansava mesmo eu tendo percebido que ele também havia gozado. Até eu gozei mais uma vez o apertando na cintura, era a primeira vez que eu o tocava durante o ato. Ele não me reprovou e gozou mais uma vez, dessa vez ele saiu de cima de mim rolando para o lado. Minha respiração estava acelerada demais e o meu corpo só cheirava a ele, levantei da cama e acendi o abajur para eu enxergar, ao olhar na direção da cama ele não me olhava, mas pude observar a bagunça que fizemos na mesma. Envergonhada dessa situação eu entrei no banheiro e fechei a porta, abri o chuveiro e deixei a água cair sobre mim, eu sentia a diferença que era tamanha da água fria pelo meu corpo estar febril. O contraste era tamanho.

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Após me secar, abri a porta do banheiro e ele não estava mais ali, dei graças a Deus por isso. Peguei a minha calcinha que estava embolada no meio da manta e a vesti, fiz o mesmo com o sutiã e peguei o blusão pra lá de amarrotado no chão.

Olhei a cama na busca de fluidos sexuais, mas estava limpa por milagre e fui até o abajur para desligá-lo. Voltei para a cama e desabei, pude sentir o cheiro dele através do lençol e dormi logo a seguir.

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07:30min da manhã.

Acordei com algo apitando e vi ser um relógio, alguém devia ter posto ali para mim. Olhei a hora e eu teria apenas trinta minutos para me arrumar. Escovei bem os meus dentes, eu penteei o meu cabelo e vesti o uniforme, eu estava um pouco dolorida por causa do ato durante a madrugada. Por último calcei a sapatilha.

Dei uma arrumada de leve no quarto e subi a escada, tuquinha passou correndo por mim, mas voltou para me cheira, sob o olhar do segurança no corredor, eu segui para a cozinha. Cumprimente Mary com um bom dia e ganhei o olhar reprovador do meu vigia. Eu havia me esquecido, nada de papo. Acho que o meu dialogo seria apenas com a megera da Rosa, mesmo assim a respeito de trabalho e das ordens. Com Mary funcionaria assim também na segunda questão.

—Leve essa bandeja para a sala e não tente aprontar, os seguranças tem olhos de falcão. Disse Rosa me entregando uma bandeja.

Nela continha frutas, biscoitos e outras coisas deliciosas. Tudo isso eu tinha na minha casa, constatei triste e fui caminhando até a sala, todos já estavam ali. Evitei olhar para Edward e tremi um pouco por ter que servir estranhos, só aí a minha ficha caiu ao ficar observando sem querer os atos de Carlisle com a mulher, ela estava cega. Fui interrompida da minha lerdeza com um pigarro de Rosa e continuei servindo, coloquei mamão para a mãe de Edward e a mesma começou a chorar por se sentir embaraçada sem a visão. Vi Edward fechar as mãos em punho como sinal de raiva e percebi que a cegueira era resultado das agressões, pois no rosto da mulher havia marcas e nos braços também. A linda paisagem por mim foi esquecida perante o resultado das atrocidades que aquela senhora sofreu.

—Dá pra servir e observar menos? Perguntou Edward bem furioso comigo.

—Não estou senh.....

—Continuei e não diga uma só palavraaaaa! Falou ele descontrolado e o pai dele olhou para mim.

—Faça o trabalho senhorita. Disse o homem de forma até educada e olhou para o filho. –Está embaraçosa essa situação filho. A perda da sua irmã e agora essa menina como escrava aqui em casa não.....

—O que disse Carlisle? Perguntou a mulher sem visão o cortando. –O que quis dizer com “ a perda da sua irmã ” ? O que aconteceu com a nossa menina? Perguntou a mulher chorando audivelmente e balançando a cabeça que não, ela negava como tremia o corpo com o desespero. –Eu sabia que estavam mentindo para mim! Eles destroçaram a nossa filha sob os meus olhos, eu sabia que ela não resistiria antes de tudo escurecer para mim. E vocês esconderam, mentiram para mim! Afirmaram que ela estava se recuperando devagar no hospital. Minha filhinha, minha filhinha do coração Brendaaaa. Tão novinha a minha filha. Dizia a mulher desesperada e começou a se debater jogando as coisas que estavam sobre a mesa no chão causando uma barulheira. -Por que meu Deus? Perguntava ela aos prantos.

—Não fica assim amor. Dizia o homem de forma carinhosa deixando as lágrimas escorrerem.

Edward se levantou para controlar e acalmar a mãe, mas antes.....

—DÊ O FORA! Vá para outro lugar! Disse ele olhando para mim. –Rosa, diga o que ela tem que fazer, mas a tire das nossas vistas!

—Sim senhor.

Deixando as minhas lágrimas rolarem, Rosa e o segurança me levaram para a cozinha, ambos seguravam em cada braço meu como os policias faziam com os criminosos. Eu não era, eu não.

—Sua presença é dispensável! Se eu fosse o meu patrão, eu a liquidaria jogando nesse mar para os tubarões! Agora tome o seu café no tempo que você muito bem já sabe! Menina insolente! Tem muito que fazer! Disse rosa me olhando raivosa.

Tomei o meu café tremendo, eu mal conseguia segurar a xícara direito e Mary me olhava de soslaio vez ou outra. Cheguei a me engasgar e me recuperei com dificuldade após tossir bastante, em minha mente eu afirmava que eu não tive culpa de nada, a minha vontade era de fugir, mas não tinha como por não saber onde eu estava e com a casa rodeada de seguranças. Seria o mesmo que fugir e ser metralhada sem pena tornando-me uma peneira ambulante. Dali eu ouvia o choro incontido da mulher e foi sumindo. Eles devem ter a levado para o quarto.

Terminei de comer e bebi o meu café com leite, Rosa me instruiu a respeito do meu serviço do dia de hoje e concordei com tudo que ela ordenou. Coloquei algumas roupas para lavar e passei alguns lençóis enquanto a roupa estava sendo limpa na máquina. No total devia ser dez que havia ali e todos branquinhos, estavam perfumados por causa do amaciante e fáceis de passar pela maciez do tecido.

Assim que a máquina terminou de lavar, eu fui colocar a roupa no varal, a vista do mar e da piscina na lateral da casa era incrível.

Avistei dois seguranças fazendo a ronda e tratei de colocar as roupas logo no varal. Como a brisa me fazia bem e tratei de pegar a vassoura para varrer todo o quintal a mando de Rosa. O sol estava forte demais e aquecia a minha pele, como eu senti falta disso e continuei varrendo.

Foi cansativo varrer aquilo tudo e foi tentador olhar para os portões enormes de madeira mais ao fundo. Limpei o chafariz em forma de golfinho ao sul do quintal e tirei as folhas caídas na água. A garagem estava fechada e terminei a minha tarefa no quintal, eu já suava por estar sob aquele sol quente.

Voltei para dentro de casa, mas antes limpei a sapatilha para não sujar o chão. Limpei o corredor na parte de cima e pude ouvi o choro da mulher por todo o momento em que fiquei limpando ali. Eu senti tanta pena dela que minhas lágrimas rolaram, as sequei quando Edward passou todo arrumado por mim e segurava a chave do carro, ele saiu tarde para o trabalho. Já o pai ficou consolando a mãe dele. Estava um clima horrível.

Arrumei alguns quartos de hospedes e cada um mais lindo que o outro, só sei que os Cullens deviam ter muito dinheiro e não era pouco mesmo. Uma casa enorme daquelas e num lugar paradisíaco igual aquele custava milhões com toda certeza, coloca zeros nisso. Para não incomodar eu bebi água no banheiro e continuei limpando o quarto distraída, aquele por estar intocado foi moleza. Fui para o quarto seguinte e minhas lágrimas desabaram ao abrir a porta, eu sentia o ar de tristeza que ali emanava e arrepiou todos os pêlos do corpo. O quarto era o da menina que faleceu, só podia ser o dela.

Minhas lágrimas eram incontidas ao olhar a linda mocinha de olhos azuis no quadro, eu não conseguia parar de chorar e me ajoelhei no chão próxima da cama e me debrucei sobre a mesma sem conseguir me controlar, meus soluços eram inevitáveis. Eu não tinha culpa e ali me senti culpada, muito culpada por algo que eu não fiz, era um peso terrível que eu carregaria para o resto da minha vida nas costas. Ela era tão infantil e ao mesmo tempo adolescente pelo jeito da decoração do quarto e sua pureza foi roubada tão covardemente. Pensei na dor dela e no seu desespero, talvez igual o meu quando eu fui sequestrada ou pior. Eu por um lado entendia a revolta e o sentimento de vingança em Edward, eu o entendia, mas que fosse descarregado nas pessoas certas. Eu era uma vítima, eu era vítima dos maus tratos que na cabeça dele devia ter razão e ser o certo.

Um vento forte soprou as cortinas chegando a chacoalhar o véu trabalhado em volta da cama dela, o quarto não tinha cheiro, algo que eu pudesse identificar como sendo o dela, assim como cheirava tão bem o de Edward e me levantei. Lembrei-me que eu devia limpar o local e o fiz com um pouco de lentidão. Estava difícil arrumar o quarto que foi dela e custei, parecia que a energia estava parada ali e não fluía o trabalho. A exaustão me açoitou durante o tempo em que fiquei ali e finalmente acabei. Curiosa eu me aproximei do piano, corri os meus dedos sobre as teclas e fez um barulho suave muito gostoso. Ângela sabia tocar e me ensinou um pouco, eu diria que era aventureira nessa parte. Corri meus dedos nas primeiras notas da canção que estava ali aberta e parei do nada, eu não tinha permissão de mexer nas coisas dos outros ou o segurança poderia ver. Quando peguei as coisas da limpeza e que me preparei para sair do quarto, o vento que balançou as cortinas trouxe um cheirinho tão bom e adocicado, algo que mexeu com os meus sentimentos e trouxeram-me novamente as lágrimas. Sai do quarto imediatamente e fechei a porta secando as minhas lágrimas como pude, desci e fui para a cozinha, lá o relógio já marcava 15:00h da tarde.

—Já terminei de limpar os quartos.

—Vou colocar a sua comida. Falou Mary pegando um prato no armário.

Fui lavar as minhas mãos e me sentei à mesa para aguardar a minha refeição. Comi com as mãos rápido sentindo o meu corpo fadigado e bebi a água do copo.

—As roupas devem estar secas, vá ver.

—Tudo bem Rosa.

—Passe-as e deixe que eu mesma as guardo.

—Ok.

Lavei o meu prato na pia e sequei as minhas mãos, fui para o quintal e com a quentura do dia todas já estavam secas. As recolhi e fui para a área de serviço passá-las. Deixei todas no cabide e fui varrer a casa na parte de baixo.

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Às 17h horas.

Terminei de arrumar a parte de cima da casa, faltou o quarto da patroa claro e fui ordenada a lavar todos os panos de prato que estavam sujos, minhas mãos já doíam de tanto esfregar os panos no tanque, mas ficaram limpinhos como exigiu Rosa. Os coloquei na máquina para centrifugarem apenas e fui para o quintal estendê-los, o sol estava ameno já. Voltei para dentro e Rosa pediu que eu colocasse água nos vasos de plantas, mas com moderação. Fiz o que ela me pediu exausta.

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Voltei para a cozinha remando. A tarefa seguinte foi ajudar a cortar os legumes para o preparo da janta e fui vigiada pelo segurança a todo o momento com a faca na mão, eu não era assassina para tentar algo contra aquelas mulheres, talvez com uma pessoa sim, eu acho. Cortei verduras e legumes, piquei a carne muito macia em pedacinhos e Mary as temperou ao modo dela. O cheiro estava muito bom na cozinha e Rosa preparava a sobremesa, eu nada dizia, eu era uma muda no meio daquelas duas mulheres falantes. Ambas se tratavam muito bem, apenas eu que era a doença do lugar e isso me levava a uma profunda tristeza.

Fui com Rosa arrumar a mesa do jantar quando o relógio marcava 18:16min da noite, do outro lado do vidro era possível ver a lua iluminando o mar e toda a mata em volta. A visão era mesmo deslumbrante, até a piscininha da frente estava toda iluminada por luzes minúsculas e vez ou outra o vento chacoalhava as árvores.

Voltamos para a cozinha no momento que Edward entrou em casa e abaixei a minha cabeça ao passar por ele por sentir vergonha do que fazíamos. Ele subiu provavelmente para o quarto dele com o celular e a chave do carro na mão, parei de fitá-lo e segui para a cozinha quando Rosa me instigou a andar, sem querer eu havia parado quando Edward não estava mais perto de mim.

—Não é para o seu bico.

—Não, pelo amor de Deus, eu não quero nada com ele! Eu tenho pavor.

—E é para ter mesmo, Edward jamais olharia para uma criatura feito você. Nem se fosse a última mulher do mundo, já se olhou no espelho garota?

—Você já? Perguntei por sentir a raiva borbulhar e ela sorriu.

—Já sim, vejo uma mulher honesta, o que você não é claro!

—Algum problema? Perguntou Edward parado no meio da escada e meu coração acelerou pelo susto e medo.

—Não senhor. Não se preocupe porque está tudo sob controle, estou deixando claro algumas coisas para a criada.

—Ótimo! Disse ele subindo novamente.

Continuamos andando e fomos para a cozinha.

—Servirá o jantar primeiro e depois estará liberada para ir para a sua prisão.

A ignorei e sentei-me à mesa até a hora dos patrões descerem, exausta me debrucei sobre a mesa e fechei os meus olhos. Acabei cochilando.

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. 40min depois.

—Começaremos a servir o jantar. Falou Mary me despertando. –Pegue aquela bandeja e vá servir.

—Ta bom. Disse me ajeitando e fui lavar a minhas mãos primeiro.

Peguei a bandeja e fui andando com cuidado sob o olhar do vigia, cheguei na sala e comecei a servir sem olhar direito para eles. Coloquei a comida sentindo as minhas mãos tremer e ambos sentados escutaram o tilintar dos talheres vez ou outra no prato por causa da tremedeira.

—Faça direito ou entornará tudo sobre os patrões! Reprovou Rosa ao me observar.

Tentei me controlar, mas estava difícil para eu me acalmar. Fui relaxando conforme ia servindo e parei ao lado da mesa como fazia Rosa e Mary. Elas ficavam aguardando as solicitações deles quando era preciso.

A mãe de Edward tentava comer com a ajuda do marido, a situação do homem era das piores pelo pesar no rosto e estava claro que ele também chorava, seus olhos diziam isso também. Ao vê-la tão embaraçada para se alimentar me deu pena, sei que esse sentimento era dos piores, mas era o que eu sentia daquela pobre alma. Minhas lágrimas rolaram sem a minha permissão e as sequei com o avental do uniforme.

—Recomponha-se! Exigiu Rosa e fiz o que ela pediu, ela não sabia o que era dor profunda ou sofrimento, por isso ela ordenou com tanta facilidade. Não era ela em nosso lugar, não era ela que carregaria essa cruz para o resto da vida. Eu não sabia se iria me livrar dessa pressão e maus tratos.

Edward não me olhava em momento algum e mal tocava no prato, ele não olhava para a direção da mãe e do pai, era como se ela tivesse que reaprender como comer. Sem a visão e sem treinamento adequado seria impossível, taí, ela deveria ser orientada, eu sabia que existia isso para as pessoas na mesma situação que ela. Mas eu não poderia opinar, se bobeasse ela poderia se sentir ofendida com a minha opinião, ainda mais num estágio tão sensível. Do nada ela parou de comer e chorou pela filha.

—Minha filhinha. Dizia ela com as lágrimas rolando sob o óculo. –A festa de quinze anos dela há quatro meses atrás foi linda. Dizia ela soluçando. Malditos, malditos! Gritava ela enquanto que as lágrimas rolavam e me sentir encolher. –Filho, filho. Dizia ela.

—Eu estou aqui mãe.

—Não me abandone também filho. Não, não. Não. Implorava ela.

—Não irei mãe, ficarei aqui com a senhora. –Pode ir para o seu quarto. Disse Edward me olhando de forma a demonstrar raiva e sai muito rápido da sala. Andei pelo corredor soluçando e desci as escadas que me levaria ao porão quase às cegas por causa das lágrimas, por pouco não tropecei e caí. Joguei-me na cama e ali fiquei até as minhas forças se esvaírem.

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Meia hora depois.

Levantei para eu tomar um banho e lavei aquele uniforme primeiro, a quentura ali em baixo estava terrível por hoje ter sido um dia pra lá de quente. Logo esfriaria com o passar da noite na beira do mar, a temperatura sempre caia um pouco. Estendi o meu uniforme no varalzinho improvisado e entrei no Box ligando o chuveiro logo a seguir. Lavei todo o meu corpo me demorando um pouco sob o chuveiro frio, me enxuguei e aguardaria a minha janta chegar na cama, acabei dormindo pela exaustão no meu corpo.

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—Hei acorde, Isabella. Isabella a sua janta, eu a trouxe. Abri os meus olhos e Mary me olhava.

—Oi. Falei me sentando devagar e senti o meu corpo dar espasmos de dor por ter trabalhado além da conta hoje. –Aí. Falei passando a mão em meu braço que deu um choque por causa da limpeza pesada e Mary ficou me olhando.

—Coma a sua comida, ela está ali. Disse ela olhando para o móvel e fiz o mesmo. –Coloquei bastante para você, tente comer tudo e não demore.

—Ta bom e obrigado. Eu não sou a culpada Mary, eu juro pra você. Falei pesarosa.

—Se acalme Isabella. Disse ela baixinho. -Trouxe isso para você, mas coma escondido. Disse ela me amostrando duas bananas escondidas no bolso do vestido sob o avental do uniforme e colocou sob a manta da minha cama. –Podem me despedir por causa disso, tome cuidado.

—Obrigado. Falei sorrindo e ela se foi ao ouvir passos na escada.

Disfarcei indo até o móvel e peguei a minha comida, comi com a mão aquilo tudo e bebi a água dando graças a Deus por estar pra lá de saciada, logo o meu prato foi recolhido pelo segurança. Consegui comer tudo em oito minutos e esperei ele sair para pegar as duas bananas e me trancar no banheiro para comê-las. Estavam tão docinhas e bem saborosas, enrolei as cascas no papel higiênico e as joguei no cesto de lixo, me fez lembrar o dia que a camisinha usada com jake foi enrolada e jogada no cesto de lixo em meu quarto. –O que será que jake estaria fazendo? Eu me perguntava.

Aproveitando que eu já estava no banheiro, fui me aliviar e escovei os meus dentes. Prendi o meu cabelo em um pequeno coque por estarem curtos e fui me deitar com a barriga bem cheia. Peguei no sono minutos depois.

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Quarta feira. Madrugada, 9 de outubro.

2h da manhã.

A cegueira me dominava e o frio do lugar era intenso gelando as minhas costas que estavam de encontro ao chão. Vozes e risadas eram ouvidas, mas num idioma diferente, eu não sabia nada do que eles estavam falando, só sei que os meus braços estavam amarrados e a cegueira era provocada por causa de uma venda. Eu sentia dores e aquela voz desesperada implorando pela a minha vida era por mim estranha, eu não a conhecia. Senti-me ser lançada sobre algo macio e um pouco mal cheiroso, devia ser sujo e muito mal cuidado, eu só ouvia os gritos da mulher e milhares de tapas, socos e chicotadas foram distribuídas em meu frágil corpo. Eu tentava gritar por socorro, eu tentava pedir pra parar, mas eu não conseguia, aquilo doía tanto e eu me perguntava. Por que eu estou passando por isso e apanhando tanto?

Senti a minha calça ser rasgada e a mulher desesperada gritando” não, não faça isso com ela, faça comigo, mas não com a minha filha” ela implorava, mas o homem continuou rasgando as minhas roupas e a dor que eu senti quando ele me possuiu foi a pior de todas, eu gritei...........

—Não, não, não! Eu acordei gritando e reparei que aquilo havia sido um pesadelo.

O quarto estava todo no escuro e não era possível enxergar nada, apalpei a minha testa e constatei muito suor, o mesmo cheiro que eu senti no quarto da irmã de Edward estava infestado no porão da casa. Aquele cheiro doce estava infestado naquele lugar e me assustei de verdade. Levantei medrosa e cheguei a cair por atropelar-me em meus próprios pés, com sorte consegui acender o abajur e vi que o quarto estava na mais absoluta paz. Tudo normal e nem o cheiro doce se fazia presente mais, parece que ele simplesmente sumiu. Deitei-me na cama e fiquei com medo de dormir e sentir aquela agonia que eu senti em meu corpo, eu não sabia o porquê daquilo tudo, eu só sentia medo de voltar a dormir outra vez. O que eu vivi naquele pesadelo foi muito real, todas as dores, os gritos da mulher implorando pela a minha vida, isso tudo foi tão estranho para mim.

Na minha imaginação devia ser algo projetado pelos meus pensamentos que estavam embaralhados com tantas atrocidades e lamentações. Levantei para molhar o meu rosto e o meu pescoço, me sequei e retornei para a cama sentindo a exaustão me dominar. Mesmo lutando contra, o sono me pegou novamente, mas dessa vez sem haver pesadelos para me amedrontar.

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07:30min da manhã.

Acordei com o relógio apitando de maneira mais estridente ainda que o meu antigo e ao me mover senti as dores em meu corpo. Tomei um banho frio rápido e me vesti rapidinho após ter escovado os meus dentes. Penteei o meu cabelo e calcei a sapatilha por último, sendo que eu não estava a fim de subir. Passei desodorante e um pouquinho dele em meu pescoço como perfume, o pesadelo ainda rodeava a minha mente e procurei esquecê-lo ao subir as escadas que daria no corredor. Fausto estava de vigília no alto dela e olhou para mim ao passar por ele.

—Se dirija para a cozinha. Falou ele sem emoção alguma na voz.

—Ok.

Fui caminhando até lá e parei na porta.

—Está atrasada! Falou Rosa olhando para o relógio e ele marcava 08:05min da manhã. –Compensará os cinco minutos atrasados! Não se esqueça que às 8h, você já deve estar cansada de estar aqui.

—Desculpe.

—Pois muito bem, vá servir o café da manhã. As bandejas já estão todas prontas. Agora se mexa, vá, vá logo!

—Tudo bem.

Peguei a primeira contendo o café, o leite, chá quente, adoçante e mais o açúcar. Servi os três e voltei para a cozinha pra pegar as bandejas contendo biscoito, pães frescos e outras guloseimas a mais. A outra bandeja continha frutas e coloquei sobre a mesa para eles se servirem. Fiquei parada ao lado da mesa e não me atrevi a ficar olhando para eles.

—Quero um pouco mais de café. Pediu Edward.

—Ok. Aproximei-me da mesa e o servi com o que ele me pediu.

—Coloque mais um pouco de leite também. Ordenou ele de forma bruta e o pai olhou para ele e para mim. Fingi não ver e nem ligar. –Com certeza vou precisar de açúcar, mas deixe que eu mesmo coloco. Você pode acabar melando de propósito.

—Não irei senhor.

—Chega de falatório, agora se afaste, irei perder o apetite!

Fiquei ao lado da mesa esperando eles acabarem de tomar o café da manhã, logo a mãe dele pediu o marido para ir para o quarto. Edward já estava arrumado, eu o observei durante o café de soslaio.

Quando todos se retiraram da mesa eu recolhi tudo e fui ordenada a passar um pano úmido na mesa. Coloquei um jarro de flores artificiais branca, era cada rosa enorme e parecia natural de tão perfeita. Voltei para a cozinha e lavei toda a louça que eles sujaram, depois fui para a lavanderia lavar a roupa que eles haviam usado no dia anterior.

As estendi e fui varrer a casa, tanto no andar de cima como no debaixo, tirei algumas cortinas para lavar e coloquei outra no lugar como Rosa ordenou. Bati todas elas na máquina e as estendi bem abertas para secarem por igual, a maresia era ingrata nessa parte e peguei a vassourinha de parede para tirar alguns insetos que entravam na casa por causa da mata ali perto.

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Quando a senhora da casa desceu com a ajuda de Rosa, deduzi que O marido havia ido trabalhar com o filho.

—Limpe o quarto da senhora Esme, já deve saber qual é.

—Sei sim.

—Vá pegar o material de limpeza e deixe tudo bem limpinho.

—Farei isso.

—Fique de olho Fausto. Falou ela olhando para o segurança.

—Ok. Falou ele.

Fui até a área de serviço e peguei tudo que eu precisaria para a limpeza, inclusive o balde e a vassourinha de parede por causa dos insetos.

Subi a escada e fui para o quarto dos pais de Edward, ao abrir a porta me encantei pelo lugar, até o roupão que a mãe dele havia usado estava sobre a cama. O lugar era fantástico.

Comecei a arrumar o quarto, o primeiro passo foi varrer, depois passar a vassourinha de parede nas próprias, aspirar tudo e passar pano úmido em todos os lugares para tirar o efeito da maresia. Limpei a área do lado de fora e passei lustra moveis nas madeiras. Passei pano junto da vassoura ao varrer para não levantar muita poeira ali e já estava bom, constatei parando de varrer. Passei pano de chão no quarto e depois a cera, por último eu fui limpar o banheiro.

Seria trabalhoso limpá-lo, mas daria conta da mesma forma que dei nos outros. Lavei o chão e ilustrei todas as madeiras, por último passei limpa vidro em todos os vidros e espelhos. Coloquei bom ar que estava dentro do armário deles, sem contar que às vezes eu me sentia ser vigiada, eu sabia que era o segurança que vira e mexe vinha me olhar. Os vidros brilhavam de tão limpos e sai do quarto após limpá-lo todinho. Desci as escadas e a patroa escutava televisão na sala usando um vestido negro, seus cabelos brilhantes estavam presos em um rabo de cavalo mal feito e era perceptível que antes do ocorrido ela não ficava jogada dessa forma.

Rosa estava limpando algumas pratas e fui até ela.

—Já acabei lá em cima.

—Já almoçamos. Está bem tarde, você demorou para acabar.

—O quarto é enorme e.....

—Tudo bem garota, pode ir comer porque a sua presença é dispensável! Depois vá ver o que secou no varal e passe-as.

—Ok.

Engoli as lágrimas e fui para a cozinha. Mary já preparava o meu prato e um apetitoso strogonoff de frango com champignon foi posto em meu prato, depois ela colocou bastante arroz e batata palha temperada com salsas em meu prato. Minha boca chegou a encher de água ao olhar ela trazendo aquilo na minha direção e o copo de água era enorme, o material dele era de plástico escuro. Ao olhar rapidamente havia suco de laranja ali para mim e fiquei quieta. A agradeci com o olhar e comi rápido, o arroz estava tão soltinho e macio que não foi preciso me demorar mastigando, quando deu nove minutos comendo eu bebi o suco de uma só vez e fui lavar o meu prato sentindo o meu estômago cheio.

Fui até o quintal olhar as roupas e a maioria já estavam secas, somente as cortinas que estavam quase, mas não demorariam a secar por causa do sol de rachar.

Fui para a área de serviço e abri a tábua de passar, peguei o ferro de passar roupa e o liguei, fui passando uma por uma e fiz um pouco de hora por me sentir cansada. Meus braços doíam tanto e terminei de passar os blusões masculinos, os deixei pendurados no cabide e fui olhar as cortinas. Dois tipos diferentes já estavam secas por ser fininha e a outra estava quase. Tirei os bandôs das duas cortinas e fui passá-las, me deu muito trabalho para passar e depois de um tempo passadas eu as dobrei, elas não amarrotariam dessa forma. Passei os bandôs e os dobrei, voltei na corda um tempo depois e retirei a última para passar que faltava a secar por completo. Terminei quando o sol se recolhia no horizonte dando espaço para a noite chegar, o rosado no céu era lindo a leste e amanhã prometia ser de muito sol.

Fui para a cozinha ajudar no preparo da janta e a rosa foi guardar as roupas que eu passei. Mary estava preparando lagosta para o jantar, risoto de frutos do mar e dois tipos de salada verde.

—Teremos visita. Disse ela baixinho quando o segurança se afastou.

—Quem?

—Uma amiga da família. Eu diria que é peguete do senhor Edward, eles são amigos de infância.

—É namorada dele? Perguntei me sentindo mal pelo o que ele fazia comigo.

—Quase isso, mas não é oficial, diria que um passa tempo.

—Hum! Falei pensativa e tratei de ajudá-la lavando todas as folhas e brotos que seriam utilizados para a salada. –São amigos com benefícios?

—Amigos com benefícios, o que é isso? Perguntou ela sorrindo levemente.

—É quando um casal de amigos se beija e tem certas intimidades mais profundas.

—Você fala de transarem, mesmo sendo amigos?

—É isso aí. Falei me recordando de jake.

—É isso que eles são. Com benefícios. Disse ela sorrindo levemente mais uma vez.

—Hum!

Reparei que Rosa entrou na cozinha e paramos de conversar. O que ele fazia comigo não era certo, já que ele quase namorava a moça. Fiquei curiosa para saber como ela era, devia ser bonita já que Edward parecia ser um homem exigente e um pouco marrentinho.

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Terminamos de preparar a janta já passava 18:20min da noite. Com a permissão do segurança fui até o banheiro da minha prisão me aliviar e penteei os meus cabelos, me ajeitei um pouco melhor e subi novamente. Não demorou muito Edward chegou acompanhado e segurava na mão da moça que estava com um vestido preto e sapato de salto da mesma cor. Ela era bonita.

—Boa noite senhorita Tânia. Falou Mary de forma simpática.

—Boa noite Mary. Disse ela segurando na mão de Edward e eu virei a cara fingindo arrumar algumas coisas na bancada. –Arrumou uma nova criada meu bem? Perguntou ela olhando para o Edward e depois para mim, me senti mal demais, isso me incomodava e muito.

—É eu arrumei, agora vamos subir, logo desceremos para jantar. Meu pai já deve estar chegando também.

—Por mim tudo bem. Disse ela caminhando com ele e encontraram com Rosa no meio do caminho. –Olá Rosa.

—Oi querida.

Elas se cumprimentaram e Rosa apareceu na cozinha. Preparei algumas bebidas para serem servidas durante o jantar com a ajuda de Mary e aguardamos o pai de Edward Chegar. Ele estava demorando a vir, já passava das 19:20min da noite e nada. Edward desceu com Tânia e ela ajeitava o vestido de forma descontraída sorrindo, ele falava ao telefone com alguém.

—Aonde o senhor está, estamos te esperando pra jantar.

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—O senhor não vem? Está bêbado já?

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—Isso não é justo com a minha mãe! Fique aí no hotel mesmo, estará pedindo pra morrer se vir para casa dessa forma! Não é aconselhável vir a essa hora! Sabe disso! Estou decepcionado com isso! Mas não há o que fazer! Disse Edward brabo. –Até amanhã. Levarei roupas limpas para o senhor, sairei mais cedo!

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Edward desligou o celular bem revoltado e puxou Tânia para a sala. Fiquei pensando na pobre Esme que estava sozinha e dormiria da mesma forma. Fiquei imaginando se Edward teria paciência para ajudá-la a se alimentar e tivemos o consentimento dele para servir a comida após ele ir buscar a mãe dele no quarto e descer devagar com ela.

—Que bom que veio Tânia, como está vendo não estou na melhor fase, mas seja bem vinda.

—Obrigado Esme, eu sinto muito pelo que aconteceu com vocês.

—É eu também pela a minha filha. Disse ela deixando a lágrima escorrer e ela mesma as secou levantando o óculo pouca coisa. As marcas eram gritantes em seu rosto, estava um pouco oleosa, devia ser pomada. –Cadê Carlisle filho, ele ainda não chegou?

—Ele Não vem hoje mãe, ele foi resolver um assunto e ficará hospedado em um hotel lá pelo centro mesmo.

—Estranho, ele sempre vem pra casa.

—Vamos comer.

—Posso acabar entornando filho.

—Eu posso ajudá-la. Ofereci-me, mas a olhada mortal que eu ganhei de Edward foi tão severa, que recuei envergonhada da moça que estava ali me olhando e dos demais.

—Eu faço com o maior prazer. Disse Tânia indo se sentar ao lado dela.

Eu e Mary os servimos e reparei que Tânia ajudava a mãe do possível namorado com paciência, a auxiliava com o copo de suco, mas não era sempre por Esme começar a pegar o jeito em se virar. Edward tirou a carne da lagosta em um pratinho separado e entregou para Tânia, aos pouquinhos Esme ia comendo e eles também. Vez ou outra ela me reparava e eu disfarçava olhando para o lado, talvez imaginando numa possível concorrência, mulheres tinham disso.

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Eles terminaram de comer.

—Desculpe por ser um estorvo querida. Disse Esme a Tânia.

—Imagina, agora pare com isso.

—Não vá embora hoje, é um pouco ruim andar por aqui há essa hora.

—Edward foi me buscar em casa, estou sem carro.

—Que bom! Disse ela sorrindo de leve.

Servimos a sobremesa e os drinks não alcoólicos à base de frutas e cidra sem álcool, eles conversaram bastante, mas senti a mulher triste, com certeza ela deve ter percebido que o marido estava a evitando por ter que segurar a barra que estava tão pesada para aquela família.

—Se não se incomodam, eu vou subir para dormir por eu estar com um pouco de enxaqueca. Nada para se preocupar filho. Rosa me ajude a subir, sim?

—É pra já senhora.

—Obrigado.

Elas se retiraram.

—Pode tirar a mesa. Disse ele olhando para mim.

—Ok. Falei não o encarando.

Tirei todos os pratos, os copos e as jarras contendo os dois tipos de drink. Os dois foram ver televisão sentados juntinhos e a mulher estava sendo abraçada por ele. Passei o pano úmido devagar na mesa e tornei a colocar o jarro de flores sobre ela. Sem eu esperar, eles começaram a se beijar e o beijo que ele dava nela era abrasador, tirava o fôlego de qualquer um que visse e ele cochichou algo no ouvido dela que a fez sorrir.

Edward apertou o botão do controle e a televisão foi desligada, ele foi até a parede e apertou o interruptor, uma barreira resistente feita de aço foi descendo pelo lado de fora e ocultou a vista para o mar, era a proteção para o vidro e para a casa deles. Edward e ela passaram por mim e sumiram das minhas vistas, devem ter subido para se satisfazerem, estava claro e a moça tinha um corpo muito bonito, além de ser bonita. Suspirei pesarosa e terminei de fazer a minha tarefa, apaguei a luz e fui auxiliar Mary na cozinha. Sequei todas as louças e as guardei, finalmente eu pude ir descansar.

Tirei a sapatilha e fui direto para o banheiro, tomei o meu banho e lavei os dois lingeries que eu usei. As pendurei e me sequei por completo, peguei a calcinha no armário e vesti o blusão branco, só colocaria sutiã amanhã. Deitei-me e logo Mary trouxe a minha janta, havia bastante comida e a fruta da vez foi maçã.

—Obrigado. Falei baixinho guardando a fruta sob o travesseiro.

—De nada, agora coma rápido.

—Ta bom. Falei sorrindo e ela subiu.

Comi aqueles camarões enormes, o garfo ainda era os meus dedos e em sete minutos eu triturei aquilo tudo. Bebi a água e quem levou o meu prato foi o Fausto. Assim que ele saiu, eu peguei a maça e fui para o banheiro, comi escondida e o sabugo do meio eu joguei no vaso, após me aliviar eu dei descarga. Escovei os meus dentes e fui para o quarto dormir, não apaguei a luz dessa vez.

A noite foi tranquila e sem sonhos ou pesadelos. .

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Quinta feira. 10 de outubro.

Acordei no mesmo horário com o relógio insuportável berrando. Apertei o botão e fui me arrumar rápido, escovei os meus dentes e me penteei. Subi a escada rápido e fui para a cozinha, faltava cinco para às 8h da manhã. Imediatamente tive que ir servir o café, apenas Edward e Tânia estavam ali um do lado do outro. Os servi e fui até a cozinha pegar as torradas que ele me pediu. Voltei para a sala e os servi delas, eles não demoraram a comer e a mulher se despediu de nós empregadas com um simples tchau. Eles se foram e Edward levava uma bolsa, devia ser as roupas para o pai.

Recolhi as coisas da mesa e fui lavá-las. Passei pano úmido na mesa e a pedido de Rosa, dessa vez eu a lustrei com um produto especial. Ele deixava a madeira tinindo e a manutenção devia ser feita com o pano mais seco que úmido, da forma que eu fazia.

Não havia o que fazer e fui lavar as roupas que os patrões usaram ontem. Rosa pediu que a roupa de cama de Edward fosse trocada e que desse uma observação no banheiro dele. Isso era varrer, passar pano com desinfetante e com a escovinha adequada, lavar a banheira.

Subi para o quarto dele e retirei a roupa de cama, coloquei a que a Rosa trouxe para eu colocar, era até bonita no tom de marrom e creme. As fronhas das almofadas foram substituídas por outro tecido marrom com detalhe em creme, igualmente a colcha. Dobrei as usadas e pareciam limpas ao meu ver. Fui para o banheiro, vesti as luvas e limpei a banheira com a escovinha, estava limpa, mas ordem é ordem. Varri o banheiro, mas ao olhar no cesto de lixo, havia algumas camisinhas ali. Não encarei muito aquilo e fechei a boca do saco o substituindo ele no cesto por outro vazio e limpo. Passei pano em tudo e ficou arrumadinho, fiz o mesmo no quarto e desci com tudo, inclusive as roupas de cama.

Coloquei as roupas na máquina e estendi as outras roupas, enquanto as outras estavam sendo lavadas varri o quintal. Lembrar dos meus pais me trouxe as lágrimas e tirei as folhas que caíram dentro do chafariz. Limpei as janelas do lado de fora e estando limpo e organizado, eu fui até a área pegar a roupa já limpa na máquina e as estendi.

Passei o fim da manhã ajudando Mary preparar o almoço enquanto Rosa auxiliava a patroa no andar de cima. Aspirei à sala quando o almoço pronto e comemos, a patroa estava sem fome e comeria quando desse vontade. Meus dez minutos foram obedecidos e fui limpar o escritório, eram milhares de livros de cima a baixo e ali, eu tive a supervisão continua do segurança, na cabeça deles eu poderia ler o que eu não devia. Foram várias vezes em que subi e desci a escada para pôr as coisas no lugar após limpar e passar lustra moveis. Limpei as arestas do ar condicionado e as pás do ventilador, eu as lavei após ser retirada com cuidado pelo segurança. Já limpas ele as colocou de volta e comecei a limpar a enorme mesa. Passei pano úmido nos dois abajures de canto de parede e varri o chão, por último passei pano e finalizei com a cera própria para madeira.

Sem brincadeira, eu levei a tarde inteira limpando o escritório e fui passar as roupas que haviam secado. Já passava das 17:53min da tarde quando abri a tábua de passar roupa para passá-las.

Borrifei o produto perfumado nelas para passá-las e terminei me sentindo exausta. Rosa levou as roupas para guardá-las e eu tive a ordem de ajudar a finalizar o preparo da janta. Ajudei Mary no preparo da salada por ficar sabendo que os patrões gostavam de comer salada todos os dias. Eles variavam no tipo e eram bem suculentas pelos molhos serem caseiros e saborosos. Sentei-me à mesa na cozinha e Edward chegou, ele cumprimentou a Mary e se foi. Tânia não veio novamente com ele, observei e continuei descansando.

Na hora da janta, Esme já desceu chorando com o auxílio de Rosa e apalpando a cadeira, ela se sentou. Servi a comida calada.

—Filho, o seu pai está chateado comigo, ele não me quer mais?

—Não mãe, eu acho que ele precisa de um tempo, ele estar arrasado.

—Quem está sou EU, EU É QUEM ESTOU! E CEGA AINDA POR CIMA E ELE É QUEM CORRE? Disse ela chorando alterada. Seu corpo chacoalhava na cadeira por causa do choro.

—Não precisa ficar assim mãe, sabe que não é bom ficar nervosa dessa forma.

—Impossível filho! Ele está me evitando, estou toda marcada, dilacerada por dentro e por fora. Aqueles malditos me roubaram a minha filha, a minha visão e agora o meu marido me evita pelos defeitos em meu corpo! Eu não quero comer! Rosa, me leve de volta, por favor, Rosa, eu quero subir para o meu quarto.

—Por favor, mãe, coma a comida. Disse Edward se sentando ao lado dela e a abraçando de forma carinhosa.

—Não filho, eu estou sem apetite. Eu não vou suportar ficar sem o seu pai e sem você filho caso decida me abandonar por ser um estorvo na vida de vocês.

—Já disse que eu não vou a lugar algum! Jamais. Disse ele pegando na mão dela e a beijou de forma terna.

—É verdade filho?

—Eu juro, eu prometo de todas as formas possíveis. Quem teve culpa da tragédia já pagaram e bem caro. Todos eles sem sobrar um. Disse Edward cheio de ódio e senti uma pontada em meu coração. Fiquei quieta sofrendo sozinha por dois deles serem os meus pais.

—Filho, eu nunca o vi tão estranho, eu sei que estamos feridos e dilacerados, mas não gosto de te ouvir falando assim dessa forma, você não era assim filho. Disse ela deixando as lágrimas rolarem.

—Infelizmente a ocasião faz o ladrão mãe, não há como voltar atrás! Esqueça de mim e cuide-se, sabe que está frágil.

—A tuquinha está em meu quarto, ela me faz companhia. Brenda gostava tanto dela filho. Disse ela perdida em pensamentos.

—Eu sei mãe, agora coma, por favor.

Pacientemente Edward a auxiliou e eu fui instruída por ele a me retirar, fui para a minha prisão tomar um banho e deixei a água gelada cair sobre o meu corpo. Eram informações demais para o meu dilacerado coração e sai para me enxugar após lavar a minha calcinha. Vesti a que estava seca no varalzinho e decidi lavar a blusa já usada por diversas vezes, eu colocaria outra.

Fui para o quarto e fiquei deitada na cama esperando a minha janta vir, essa que não veio hoje. Eu sabia que era coisa dele por todo sofrimento que a mãe estava sentindo, conformada escovei os meus dentes e fui dormir deixando o abajur aceso. Não me cobri por inteira, apenas uma faixa da manta tampava os meus quadris por estar calor e caso alguém entrasse não veria o que não devia.

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Sexta feira. Madrugada 11 de outubro.

02:05min da manhã.

O escuro era devastador naquele quarto, sem as vendas agora e com as correntes presas em minhas mãos era impossível de eu me mexer, sentia-me úmida e a dor era cortante em meu sexo. Sentia-me pegajosa entre as pernas e cada movimento que eu fazia, algo de dentro de mim saia e escorria. Era sangue, até em minha boca havia gosto de sangue e a dor em meu braço era tamanha por ter levado um tiro nele. Acho que eu sangraria até a morte, eu já estava muito fraca e com o meu estomago vazio há horas, do outro lado eu escutava os gritos que eram os da minha mãe, agora sim eu sabia que eram dela, o meu coração ardia pela possível maldade que aquela bondosa mulher para com todos era acometida. Seus gritos enchiam os meus ouvidos e as lágrimas rolavam dos meus olhos, eu estava nua sobre àquela mal cheirosa tapera, porque chamá-la de cama estava fora dos padrões. Pro meu sofrimento a luz foi acesa e enxerguei-me toda suja, o lençol estava todo manchado de vermelho e os homens jogaram a minha mãe de encontro ao chão também nua. Suas mãos estavam acorrentadas iguais as minhas e suas vistas estavam feridas, seu rosto estava banhado de sangue. Eu me apavorei e me preocupei tanto com ela.

Eles me tiraram da cama a força porque eu esperneava bastante e levei um soco na barriga, gritei de dor e minha mãe fez o mesmo por mim e por ela. Arrastaram-me pelos cabelos e alguns ficaram nas mãos daquele assassino. Fui jogada em uma banheira contendo água fria e os malfeitores diziam várias palavras em língua estrangeira. Com o meu corpo limpo, acho que não satisfeitos eles resolveram mais uma vez abusarem de mim mesmo estando dolorida e implorando pra não fazerem aquilo comigo. Mas dessa vez foi na frente da minha mãe que estava impossibilitada de ver, ela só ouvia a minha agonia, os meus gritos, esses eram muitos para o meu total desespero......

—PARE, NÃO, POR FAVOR, NÃO, MAMÃEEE. Acordei no meio da noite gritando outra vez e o mesmo cheiro adocicado estava em todo o quarto. A luz estava apagada, com medo e trêmula eu fui acendê-la, tropecei em alguém e gritei mais ainda desesperada com o baita susto que eu tomei.

—Calada ou vai acordar todos! Reconheci ser a voz de Edward e me acalmei um pouco, fui engatinhando na direção do móvel que estava o abajur e me levantei sentindo os meus olhos estarem tomados pelas lágrimas. Acendi a luz assustada e como o meu coração preste a explodir em meu peito.

—Me desculpe. Falei entrando no banheiro e me debrucei sobre a pia, lavei o meu rosto e o meu pescoço que estavam bem febris. Resolvi tomar um banho frio para me acalmar e a fome se fez presente. Bebi uma quantidade de água generosa e sai do banheiro enrolada na toalha, se ele estava ali seria para ter sexo comigo. Não era outra coisa.

—Por que gritava?

—Tive um pesadelo. Falei abrindo a toalha e a deixei cair no chão, fui engatinhando pela cama e cooperaria como ele mesmo exigia de mim. Estando ao lado dele eu desfiz o laço de seu roupão, mas as minhas mãos foram impedidas de continuar.

—Não estou a fim, agora vá dormir e pare de gritar feito louca! Fique acordada se isso evita essa crise de histerismo! Disse ele fechando o roupão e saindo do quarto. Ele bateu a porta.

Embaraçada com o comportamento dele eu desci da cama e peguei a toalha no chão, fui até o banheiro pegar a minha calcinha e o meu blusão para vesti-los novamente.

Voltei para o quarto e me deitei na cama deixando o abajur aceso. Eu estava com medo de dormir e tornar a vivenciar, e sentir a dor em meu corpo que era bem real naquele tormento do pesadelo. Eu sentia tudo como se fosse de verdade e em tempo real. Fez-me lembrar da minha estadia naquela casa da floresta, bem, alguns detalhes que acontecia no pesadelo aconteceram comigo também. Eu soava bastante por estar muito calor naquela noite e me sentei na cama, eu não iria dormir por opção própria.

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7h da manhã.

CONTINUA................