Solares
9 Capítulo 9
Notas iniciais
BELLA.....
Final do capítulo anterior.
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Sexta feira. Madrugada 11 de outubro.
02:05min da manhã.
O escuro era devastador naquele quarto, sem as vendas agora e com as correntes presas em minhas mãos era impossível de eu me mexer, sentia-me úmida e a dor era cortante em meu sexo. Sentia-me pegajosa entre as pernas e cada movimento que eu fazia, algo de dentro de mim saia e escorria. Era sangue, até em minha boca havia gosto de sangue e a dor em meu braço era tamanha por ter levado um tiro nele. Acho que eu sangraria até a morte, eu já estava muito fraca e com o meu estomago vazio há horas, do outro lado eu escutava os gritos que eram os da minha mãe, agora sim eu sabia que eram dela, o meu coração ardia pela possível maldade que aquela bondosa mulher para com todos era acometida. Seus gritos enchiam os meus ouvidos e as lágrimas rolavam dos meus olhos, eu estava nua sobre àquela mal cheirosa tapera, porque chamá-la de cama estava fora dos padrões. Pro meu sofrimento a luz foi acesa e enxerguei-me toda suja, o lençol estava todo manchado de vermelho e os homens jogaram a minha mãe de encontro ao chão também nua. Suas mãos estavam acorrentadas iguais as minhas e suas vistas estavam feridas, seu rosto estava banhado de sangue. Eu me apavorei e me preocupei tanto com ela.
Eles me tiraram da cama a força porque eu esperneava bastante e levei um soco na barriga, gritei de dor e minha mãe fez o mesmo por mim e por ela. Arrastaram-me pelos cabelos e alguns ficaram nas mãos daquele assassino. Fui jogada em uma banheira contendo água fria e os malfeitores diziam várias palavras em língua estrangeira. Com o meu corpo limpo, acho que não satisfeitos eles resolveram mais uma vez abusarem de mim mesmo estando dolorida e implorando pra não fazerem aquilo comigo. Mas dessa vez foi na frente da minha mãe que estava impossibilitada de ver, ela só ouvia a minha agonia, os meus gritos, esses eram muitos para o meu total desespero......
—PARE, NÃO, POR FAVOR, NÃO, MAMÃEEE. Acordei no meio da noite gritando outra vez e o mesmo cheiro adocicado estava em todo o quarto. A luz estava apagada, com medo e trêmula eu fui acendê-la, tropecei em alguém e gritei mais ainda desesperada com o baita susto que eu tomei.
—Calada ou vai acordar todos! Reconheci ser a voz de Edward e me acalmei um pouco, fui engatinhando na direção do móvel que estava o abajur e me levantei sentindo os meus olhos estarem tomados pelas lágrimas. Acendi a luz assustada e como o meu coração preste a explodir em meu peito.
—Me desculpe. Falei entrando no banheiro e me debrucei sobre a pia, lavei o meu rosto e o meu pescoço que estavam bem febris. Resolvi tomar um banho frio para me acalmar e a fome se fez presente. Bebi uma quantidade de água generosa e sai do banheiro enrolada na toalha, se ele estava ali seria para ter sexo comigo. Não era outra coisa.
—Por que gritava?
—Tive um pesadelo. Falei abrindo a toalha e a deixei cair no chão, fui engatinhando pela cama e cooperaria como ele mesmo exigia de mim. Estando ao lado dele eu desfiz o laço de seu roupão, mas as minhas mãos foram impedidas de continuar.
—Não estou a fim, agora vá dormir e pare de gritar feito louca! Fique acordada se isso evita essa crise de histerismo! Disse ele fechando o roupão e saindo do quarto. Ele bateu a porta.
Embaraçada com o comportamento dele eu desci da cama e peguei a toalha no chão, fui até o banheiro pegar a minha calcinha e o meu blusão para vesti-los novamente.
Voltei para o quarto e me deitei na cama deixando o abajur aceso. Eu estava com medo de dormir e tornar a vivenciar, e sentir a dor em meu corpo que era bem real naquele tormento do pesadelo. Eu sentia tudo como se fosse de verdade e em tempo real. Fez-me lembrar da minha estadia naquela casa da floresta, bem, alguns detalhes que acontecia no pesadelo aconteceram comigo também. Eu soava bastante por estar muito calor naquela noite e me sentei na cama, eu não iria dormir por opção própria.
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7h da manhã.
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Por eu ter optado a não dormir pelo restante da madrugada, eu estava com olheiras, constatei ao me olhar no espelho após ter tirado a roupa para ir tomar banho. A raiz do meu cabelo estava com um dedo e o loiro estava sem brilho por causa do sabonete, até a minha sobrancelha estava escurecendo por eu não estar clareando. Vez ou outra eu as pintava, mas não era sempre. Elas demoravam mais a ficar escura igual na cor natural dos meus cabelos. Eu olhava a beleza e claridade que tinha os meus olhos tão azuis, estavam no tom de piscina hoje. Olhei para os meus joelhos e já estavam bem cicatrizados, até o tiro de raspão já estava bem melhor e tomara Deus que aquelas marcas sumissem logo, eu não queria ficar marcada para o resto da minha vida.
Entrei no Box e tomei o meu banho, estava cedo ainda para eu subir. Aproveitei para escovar os meus dentes ali no Box mesmo e não lavei a minha cabeça. Após o banho enxuguei-me tranquila e vesti o uniforme, passei desodorante e um pouquinho como perfume. Até que o material para a higiene pessoal havia bastante ali, pelo menos isso.
Na hora de sempre o relógio despertou e eu fui apertar o botão para ele parar de berrar. Há essa hora os meus amigos já cansavam de estarem na sala de aula. Minhas notas estavam boas e na maioria das classes eu já tinha passado de ano. Eu estava com geografia e inglês faltando vinte pontos, eram as únicas. Deixei as minhas lágrimas rolarem por vários minutos e fui para o banheiro olhar através da janela, não era possível ver muita coisa, apenas a brisa que batia em meu nariz e plantas, muitas plantas.
Faltando oito minutos para oito horas eu subi, Fausto estava no alto da escada e passei por ele, eu já sabia o que fazer. Fui para a cozinha e fui ordenada por Rosa a servir Edward e a mãe dele com o café da manhã no quarto dela.
Arrumei a bandeja como ela ia ordenando e subi a escada com um cuidado redobrado, o segurança me seguiu para caso eu fizesse algo de errado no café da manhã dos patrões. Com a ponta dos pés eu bati de forma suave na porta e fui autorizada a entrar por ele. Observei que a mãe dele estava sentada na cama e sua costa apoiada na cabeceira, deixei a bandeja sobre a cama e Edward foi ditando como proceder. Esme estava abalada e o óculo se fazia presente em seu rosto, deve ter sido por isso que Edward quis ficar ali com ela.
Coloquei a quantidade que ele falou de adoçante na xícara contendo café com leite pra ela e mexi com a colherinha. Reparei que ele não estava arrumado para ir trabalhar olhando rapidamente de soslaio e peguei a bolachinha contendo queijo bree e peito de peru defumado. Sob o olhar dele e com o consentimento dele eu coloquei a xícara com cuidado na mão dela e na outra eu coloquei o pão. Minhas lágrimas teimosas desceram e me reprovei por aquilo, levei uma advertência dele com um olhar nada amigável e me recompus na mesma hora. Eu não fiz som algum para não constranger a mulher e Edward mesmo se serviu. O segurança acompanhava tudo da porta e me retirei do quarto a pedido de Edward, mas ele me informou que era para eu subir para pegar a bandeja assim que Rosa ordenasse.
Desci a escada e fui para a cozinha, o meu café já estava sobre a mesa e comi sentindo a fome me engolindo. Assim que terminei voltei a subir para pegar a bandeja, caminhei pelo corredor do andar de cima observando o mar tão lindo e nenhuma pessoa caminhava ou se banhava por ali, a área era particular. Bati na porta e dessa vez quem autorizou a entrar foi à mãe de Edward, ele estava ao lado dela deitado e assistia televisão, ele não se importou com a minha presença e mal me olhou. Recolhi os utensílios colocando-os de volta na bandeja e desci novamente.
Rosa ordenou-me que lavasse as roupas que os patrões usaram ontem e algumas toalhas, havia capas de almofadas, sendo que algumas eu teria que lavar na mão por ter enfeites. Eu não poderia colocá-las na máquina, com certeza iria danificá-las caso eu fizesse e eu levaria um baita esporro.
Fui para a área de serviço e comecei a colocar as peças de roupa na máquina, lavei as capas das almofadas com cuidado e tinha cada uma mais linda que a outra. Umas com brilho e a maioria era na cor vinho e azul escuro. O brilho do dourado estava em todas elas. Alguns desenhos eram de elefante e paisagens lindas estavam estampadas nas capas, ao olhar as etiquetas eram todas da Índia.
Coloquei amaciante no balde e as deixei um pouquinho ali. No término do tempo que eu achei o correto para elas pegarem cheiro eu despejei a água e fui estendê-las no varal sem torcê-las, elas secariam lisas sem haver a necessidade de passá-las e perderem o brilho do tecido com o passar do ferro.
Varri o quintal, observei que alguns seguranças conversavam e sorriam, minha presença era insignificante para eles, mas eu sabia que estava sendo vigiada, igualmente a mansão por eles.
Fui para o outro lado da casa e um rapaz limpava a piscina, continuei varrendo o quintal sem ter qualquer tipo de entrosamento com ele e ele fez o mesmo. Ele tratava a água da piscina com dosagens de cloro e limpava a água com uma espécie de peneira com um cabo enorme. Havia muitas folhas na água. Reparando melhor, ele era branquinho, estatura alta pouca coisa que a minha, cabelos aloirados e a pele rosada de sol. Seus olhos eram castanhos claros e o rapaz me era bem simpático, eu não reparei que havia parado de trabalhar para reparar o rapaz e tomei um susto com a voz de Edward vindo da varanda do andar de cima.
—Acho melhor continuar trabalhando, ou já esqueceu?
—Não, não esqueci.
Com as palavras de Edward o rapaz olhou na nossa direção, eu estava em baixo da varanda onde Edward estava e não havia reparado antes.
—Então continue o seu serviço!
Continuei varrendo e ele saiu da varanda, catei todos os montinhos de folhas e na parte da piscina quando o fiz, eu ganhei um olhar curioso do rapaz.
Voltei para a área de serviço e tirei as roupas da máquina, estavam todas quase secas pela máquina ser bem potente e fui estendê-las perto da piscina. O rapaz tinha tirado todas as grades dos pequenos ralinhos para limpá-los, pois ao sair da piscina a água que escorria do corpo caia ali. Havia folhas e pequenas partículas das árvores ali dentro, continuei estendendo a roupa após a minha observação e voltei para dentro de casa. Rosa ordenou que eu limpasse a cozinha e deixasse o que quer que eu tenha que fazer no quintal para depois. Peguei os materiais de limpeza e comecei a limpar longe do fogão, Mary preparava o almoço e eu não queria atrapalhá-la.
Limpei os armários primeiro e tirei os cotões que estavam escondidos, também tirei pequeninas teias de aranha dos cantos. Morar perto da vegetação tinha essa pequena desvantagem por causa dos insetos constatei mais uma vez.
Passei pano úmido nas bancadas e dei a geral no restante da cozinha, inclusive troquei a toalhinha da pequena mesa onde nós empregados comíamos.
Varri e passei pano no chão, Rosa estava longe de nossas vistas, então Mary ficou sem andar para lá e para cá quando passei a cera no chão. Sorte que secou rápido e troquei os paninhos de crochê que enfeitava alguns pontos da cozinha. Fui para a área lavá-los na mão junto com a toalha da mesa e Rosa me liberou para ir estendê-los, o rapaz já havia ido embora, ele não estava mais ali.
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O almoço foi servido por mim e por Mary, Edward e a mãe dele fez a refeição na sala dessa vez, hoje ele não havia ido trabalhar, talvez para ficar com ela. Talvez não, mas eu tinha certeza que era por causa disso.
Servi o suco para eles e fiquei parada no meu lugar de costume os observando, visivelmente a mulher estava pior e a cachorrinha latia bastante por vê-los comendo. Ela era tão minúscula e pulava na tentativa de ganhar alguma coisa, ela era bem insistente e Edward deu um pedaço de frango a ela. Foi em segundos que ela comeu, sorri de leve por isso e pelas gracinhas que ela fazia. Tornei a me aproximar da mesa para servir um pouco mais o prato dele e coloquei mais salada de brócolis. O cheirinho da mãe dele era tão bom também e era bem suave, seu cabelo estavam presos e suas unhas eram bonitas, mas não estavam pintadas. Olhando bem, ela estava bem jogada para uma mulher da classe dela.
Na hora que eles acabaram Edward a levou para caminhar na praia, dois seguranças o acompanharam, eu filmava tudo lá de cima no segundo andar. Eu estava no quarto da mãe de Edward, eu tiraria apenas o lençol para lavar e manteria a colcha a pedido de Rosa. Observei mais uma vez da janela e eles passeavam, ela andava devagar segurando no braço do filho que a conduzia com uma paciência incrível.
Desliguei-me deles e fiz a minha tarefa, aproveitei pra passar pano no banheiro e desci pra lavar o lençol. Após estendê-lo por ter sido lavado por mim na mão, eu almocei sozinha na cozinha. Ao longe o segurança comia uma banana e um rádio estava preso a sua cintura, devia ser para ter sempre contato com os demais seguranças.
Tratei de comer logo e em dez minutos cravados eu bebi a minha água. Fui lavar o meu prato e Rosa ordenou que eu desse uma faxina na minha prisão lá em baixo, sem deixar de lavar o banheiro também. Dentro do balde que ela colocou ao meu lado, por eu estar em pé em frente a pia lavando o meu prato e o meu copo, nele havia desinfetante, sacos de lixo, cloro, escovinha e cera para passar no chão. Na bolsa que estava em sua mão continha uma caixinha com essas pedras cheirosas para vaso, um lençol limpo e caixinhas de absorvente interno para mim.
—Limpe tudo, mesmo sendo um porão o patrão deseja que esteja tudo limpo! Lembrei dos absorventes a ele por você ser mulher e foram providenciados. Mas no lugar dele, eu a deixaria a base de panos por fazer parte da sujeira que levou essa família ao fracasso! Hum! Fez ela se retirando da cozinha.
Terminei de lavar os utensílios e fui para o porão. Lavei o banheiro e troquei o saco de lixo. Guardei os absorventes no pequeno armário que continha ali e o restante de sacos de lixo. Coloquei a pedra pendurada pelo suporte no vaso e fui faxinar o quarto, mas antes troquei o lençol da cama e não havia muita coisa para fazer ali. Varri, passei o pano molhado e finalizei com a cera a limpeza do quarto.
Lavei o lençol no Box e o pendurei o varal improvisado por mim dessa vez no canto do banheiro. Abri o basculante e o ventinho corria a solto por ali. Por estar muito abafado ali em baixo o lençol secaria rápido.
Eu já estava suando por causa da quentura e subi levando o saco de lixo mais o restante do material de limpeza, o quarto havia ficado bem perfumado. Guardei as coisas na área de serviço e fui no quintal colocar o saco de lixo no lugar indicado.
Já passava das 16:35min da tarde quando recolhi as roupas no varal para serem passadas. Meu restante de tarde foi passando-as e havia muitas toalhas para passar. Dobrei as capas de almofadas com cuidado e deixei tudo no cabide, menos as toalhas. Chamei Rosa e ela mesma guardou tudinho, eu a detestava por ser metida a patroa.
Quando Rosa estava longe de nossas vistas e o segurança estava parado na porta da cozinha falando no celular com alguém, Mary apontou para o canto do armário e vi um biscoito recheado escondido. Olhei para o segurança e coloquei o biscoito a jato na boca e virei fingindo que estava ajeitando o armário, mastiguei me deliciando com o sabor do chocolate e quanta saudade eu sentia das coisas gostosas.
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Às 19h a janta foi servida na sala. A visão da ilha já estava sendo oculta pelas barreiras estarem arriadas e eu os servi de acordo que ele me pedia. O pai de Edward mais uma vez não veio para casa e isso só piorava a situação da mulher dele. Não era certo o que ele estava fazendo com ela, acho que ele devia enfrentar a situação de frente e junto dela que tanto precisava dele. Seu jeito um pouco desleixado denunciava a depressão que era visível, na maior parte das vezes deixava as pessoas desgostosas da vida e sem vontade para a vaidade. Ela era uma mulher bonita, bem feita de corpo e mesmo estando cega era visível o seu jeito fino de ser, ela me lembrava à mãe de jake na forma de agir e de minha mãe que não ficava atrás. Tínhamos dinheiro por causa dos roubos, drogas e mais sabe lá o que. Isso me entristecia e me deixava mal perante eles.
Fiquei observando-a e ganhei um olhar de Edward, sem ter o que falar, eu olhei para a minha mão um pouco vermelha por causa de certos produtos de limpeza. Com um pouco de esforço a mãe dele comeu o pudim sozinha, quando terminou levou a colher bem lentamente até a mesa e devagar a colocou dentro do pratinho. Em nenhum momento ela falou, ficou quieta e quem indicou a quantidade de comida foi o filho o tempo todo.
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Eles terminaram de comer e subiram, fiz a limpeza na mesa como de costume e fui ajudar Mary a lavar a louça. Ela lavava e eu secava, eu mesma guardei tudo depois.
Fui liberada para descer para o porão e a primeira coisa que eu fiz foi tomar um banho. Lavei a minha cabeça por não ter muita opção, não depois de ficar debaixo daquele sol escaldante varrendo o quintal. Eu suei tanto que não teve jeito de não lavar os meus cabelos curtos. Esfreguei-me por completo e deixei a água cair da minha cabeça aos pés levando toda a espuma para o ralo. Fiquei um bom tempo ali avaliando a minha vida, lembrando do trabalho árduo que era ter que limpar aquela mansão toda e aquela essência de vida que eu levava estava sendo apagada aos poucos. Em minha casa eu tinha de tudo do bom e do melhor, minhas roupas compradas e muitas ganhadas de jake, ele vivia me presenteando com coisas e eu ainda lembrava da minha festa de dezoito anos dada por ele. Não tive como prender as lágrimas ao me lembrar disso tudo e desliguei a torneira para sair do Box, caso eu ficasse ali debaixo da água me recordando seria bem pior.
Sequei-me devagar e penteei os meus cabelos, meu corpo doía por inteiro e saí do banheiro dando de cara com o meu prato de comida sobre a cama. Eu não quis nem colocar a roupa primeiro, peguei o meu prato de comida e como sempre, comi tudinho com a mão. Segundos depois o segurança veio pegar o meu prato e levou o copo que eu não consegui beber tudo pela falta de tempo, ficou pela metade. Mal ele sabia que eu bebia a água do banheiro.
Fechei a porta que dava para a escada e fui escovar os meus dentes. Vesti a calcinha e o blusão para eu ir me deitar e foi o que eu fiz. Fiquei com medo de ter pesadelos. Ao me deitar, eu cobri apenas o meio da minha coxa para cima e da cintura para baixo. Ficou como uma tira a manta.
À noite de hoje estava quente demais e me fez suar bastante, pelo menos podia ter um ventilador ali para mim, mas acho que isso era querer demais em meu caso. Não aguentando aquela manta grossa sobre mim eu a tirei e me sentei na cama pra me abanar com o outro travesseiro que ali estava de sobra. A quentura estava me matando, diferente do clima fresco que estava na parte de cima. Acho que por hoje ter feito muito calor à quentura ficou toda concentrada no porão da casa e me levantei para ir jogar uma água em meu rosto e em minha nuca. Prendi o pouco de cabelo que me restou e fiquei na frente do basculante para receber um pouco de ar fresco, alguns sapos cantavam ali. Eram barulhentos até e pioraria para eu conseguir dormir, mas me lembrei que dormir não seria uma boa opção por causa dos pesadelos.
Mesmo estando calor, o cansaço em meu corpo era tamanho e acabei dormindo de qualquer jeito na cama.
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Sábado. Madrugada 12 de outubro.
01:55min da manhã.
A dor era lacerante, os homens sorriam ao me olhar e um veio até a mim falando carregado no sotaque, ele falava em inglês, mas era perceptível que não era americano.
— Veja o que acontece quando se rouba alguém! Pensaram que fossemos tolerar mais um de seus roubos? Mas não somos cortez com quem nos rouba! A carga valia muito, muito dinheiro! Ladrões bastardos! Isso é o que dá fazer negócio com certos tipos de gente! Mas já demos o nosso recado e como demos gracinha! Disse ele apertando o meu rosto. –Se lembrarão de nunca mais roubar alguém quando se trata de negócios sujos! Não adianta gritar pelo papaizinho, ele não vai te ouvir boneca e tem mais uma pessoa querendo brincar com você. Eu deixo.
Eu olhava para ele apavorada e com medo de ser abusada de forma severa mais uma vez, a dor era imensa e eu sangrava aos pouquinhos, se eu sobrevivesse, eu sei que seria impossível ter filhos.
Minha mãe chorava no canto e levou um chute por um dos assassinos, o choro incomodava-o e a minha vontade era de matá-lo com as minhas próprias mãos. Chorei até não aguentar. Aquele homem nojento me olhava de cima a baixo e senti mais nojo ainda. Quando o outro se aproximou, ele me puxou pelo cabelo e me tacou na banheira fria, eles faziam isso para me lavar e abusavam de mim depois disso.
Como doía a forma que aquele homem fazia e gritei tanto, eu tentava não apavorar a minha mãe com os meus gritos, mas eu não conseguia por parecer que estava me cortando.
Eu chamava pelo o meu pai a todo o momento, talvez ele viesse me ajudar, mas nada...... Os homens sorriam da minha cara e vi quando um deles espancou a minha mãe por diversão e quase a mataram afogada no tonel de água. Eu chorava por ela, e chamava a todo o momento pelo o meu pai. Sendo estapeada por causa dos meus gritos, o mal feitor resolveu apertar a minha garganta até eu quase perder o fôlego........
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Acordei no meio da noite tossindo muito, parecia que eu estava sendo sufocada e o cheiro doce estava impregnado no porão. Chorei por não aguentar a pressão e só ai a ficha realmente caiu, eu chamava no pesadelo por Carlisle. Esse era o pai de Edward, eu ouvi os outro falando com ele dias atrás. O que era vivenciado no pesadelo não era a minha história e......
—Era a de Brenda.... Falei para mim mesma e o cheiro se tornou ainda mais presente no quarto, chegava a incomodar o meu nariz.
Fiquei apavorada com isso, eu acreditava em fantasmas, eu tinha medo de histórias e filme de terror, mas ali sozinha e tendo pesadelos, ainda sentindo o cheiro do quarto dela naquele porão, não tinha nada haver. Eu enlouqueceria se aquilo continuasse acontecendo comigo e fiquei encolhida na cama. A tremedeira dominava o meu corpo e o cheiro sumiu com o sussurrar do meu choro.
Tentei me manter acordada, mas o torpor do sono era maior em meu corpo e juntando com o cansaço do trabalho, eu acabei dormindo encolhida no canto da cama por causa do medo.
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07:30min da manhã.
Despertei com aquele bicho berrando e me levantei para pará-lo. Tomei um banho e vesti o uniforme correndo, penteei os meus cabelos e subi.
Cheguei na cozinha e Edward estava em pé na frente da geladeira escolhendo o que comer, ele iria sair porque estava arrumado. Ele escolheu uma maça e saiu pela porta da cozinha sem olhar para mim.
Fui instruída pra tomar o meu café, pois a patroa ainda dormia e Edward não quis tomar café como sempre fazia hoje. Comi o meu pão com manteiga e bebi o café com leite no copo. Sem a presença de Rosa na cozinha olhei para Mary e abri um pequeno sorriso tímido, mas ela ficou séria e olhou na direção da parede, havia uma câmera pequenina ali focando toda a cozinha. Recompus-me na mesma hora para não a prejudicar, a câmera antes não estava ali. Será que desconfiaram da nossa quase amizade? Fiquei quieta na minha e Rosa entrou na cozinha, sua ordem foi arrumar a outra sala de star por mim não conhecida ainda, eu não tinha autorizações para andar à toa para lá e para cá, mas resumindo, era linda. A casa era monstruosa e com tantos cômodos, uns nem usados pelo visto.
Sobre a mesinha havia fotos, estátuas de africanos, abajures espalhados pelo cômodo e pensei, meu Deus, é muito detalhe para tirar do lugar e limpar com pano úmido e lustra móvel. Eu teria que ter um cuidado redobrado ali para não quebrar nada e comecei a limpar de cima para baixo, primeiro de um lado e depois do outro, sem querer eu deixei uma jarrinha pequenina cair e quebrou em vários pedacinhos, pois o meu cotovelo sem querer esbarrou.
—Droga! Falei para mim mesma e o segurança foi chamar a Rosa, ela parecia ser a governanta da casa.
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2min depois.
—O que você quebrou GAROTA? Ohhh meu Deus! Falou ela olhando para os cacos que eu catava. –O que eu lhe expliquei? Que era para prestar atenção e não quebrar NADA! Seu Edward irá ficar sabendo quando ele chegar! Que garotinha descuidada, desse jeito vai quebrar a casa toda!
—Foi sem querer, eu esbarrei sem querer. Falei apavorada.
—Sem querer, sem querer! Se for sempre sem querer você quebrará tudo!
—Não quebrarei não! Eu disse que foi sem querer!
—O prejuízo já foi dado! Termine e preste mais atenção! Ficará sem o almoço hoje! Coma vento se quiser!
—Mais....
—Mais nada! Esqueceu que quando o seu Edward não está, você fica por minha conta?
—Não, eu não me esqueci.
—Que bom! Agora se mexa! Disse ela estalando o dedo.
Ela se foi e o segurança ficou rondando a área do lado de fora, engoli o choro e continuei limpando os cacos e os deixei na pá de lixo. Voltei a subir a escada e terminei de limpar a estante. Aspirei os cotões dos abajures e do quadro. Aspirei os sofás e em todos os cantos. Tirei o tapete a pedido de Rosa ao vir me espiar e ela trouxe outro, ordenou que eu lavasse o que foi tirado. Varri a sala com a vassoura envolvida com o pano de chão para não levantar poeira e depois passei pano molhado, por último foi com cera após trocar a água do balde e coloquei o outro tapete limpo ali.
Passei pano úmido e depois foi com lustra móveis nas mesas, limpei tudinho e borrifei o bom ar que Rosa havia trazido para eu colocar.
Por ser bem trabalhoso limpar ali, já passava do meio dia quando terminei e fui lavar o tapete do lado de fora, no momento em que eu lavava o tapete com sabão em pó, Edward vinha de mãos dadas com a tal Tânia, eles haviam acabado de chegar. Eles passaram por mim e entraram na casa, eu continuei esfregando o tapete com a vassoura e a água estava saindo limpa. Ninguém devia ficar naquela sala, era tudo grandioso demais e eles mal andavam por ali constatei novamente.
Terminei de lavar o tapete e ao suspendê-lo, eu mal consegui segurar por estar pesado demais. Fiz um esforço tremendo e vendo a minha derrota, um dos seguranças veio me ajudar erguê-lo no murinho ali perto.
—Obrigado. Falei sorrindo sem jeito.
—Estava bem pesado para você conseguir erguer sozinha. Disse ele de forma simples.
—É. Afirmei ajeitando o meu avental e reparei que o segurança externo, esse para ser mais exata não era dos piores. Os outros sim.
—É melhor voltar, se meterá em encrencas. Você já está bem encrencada moça.
—Sem ter culpa.
—Isabella! Venha cá! Chamou-me Edward da porta da cozinha e me assustei com a voz dele.
O segurança voltou para o posto dele e eu fui andando na direção de Edward matutando, aliás, eu já sabia qual seria a reclamação da vez.
—Estou aqui.
—Soube que quebrou um jarro! Pelo o que a Rosa me informou você não teve cuidado!
—Eu esbarrei sem querer com o braço e...
—Aquele vaso que para você não vale nada, mas tem valor sentimental para nós! Tenha mais cuidado, não quero ter prejuízos dentro da minha casa com uma criada descuidada!
—Não vai mais acontecer, já fui punida e ficarei sem o almoço por ordem de Rosa.
—Que seja! Agora volte a seus afazeres.
—Ok.
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O almoço foi servido e o meu estômago já roncava. Eles quiseram comer tarde hoje e já passava das 14h quando ajudei Mary a servi-los.
A mulher loira vestia um vestido azul turquesa florido em branco que valorizava os seus seios. A sandália de salto era branca e o óculo de sol estava em sua cabeça por ela estar dentro de casa. Eles conversavam entre si e Esme voava em pensamentos, vez ou outra ela respondia a mulher um pouco atrasada demais e pedia desculpas por isso.
A minha presença não era notada por eles, apenas quando eu era solicitada a servi-los. Servi suco e depois a sobremesa, a mulher preferiu comer frutas a doce que foi servido por Mary. Devia ser para manter a forma.
Edward auxiliava a mãe e Tânia estava sentada ao lado dele, todos do mesmo lado. Vez ou outra ela acariciava os cabelos dele, parecia gostar bastante dele pela sua forma de olhá-lo. Mal ela sabia o que ele fazia comigo e da forma que ele se movia, parecia que estava gostando por nunca parar e a forma era intensa demais ao me tocar. Apenas nas primeiras vezes que ele foi bruto comigo, bem bruto mesmo e das outras vezes ele vem agindo como um animal no cio.
Parei de voar em pensamentos quando eles saíram da mesa e fui ordenada a limpar tudo. Eles saíram de nossas vistas e comecei a recolher os pratos, o cheirinho da comida estava ótimo e meu estomago implorava para ser saciado a todo o momento. Lavei a louça dessa vez e Mary as secou, por maldade de Rosa fui obrigada a me sentar à mesa para ficar olhando ela e Mary a comer. Mary estava desconfortável com aquilo e fingi nem ligar, eu ignorei ficando perdida em pensamentos com a minha cabeça apoiada na mão e o meu cotovelo apoiado sobre a mesa.
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Na parte da tarde eu tapeei com o pano alguns dos móveis espalhados pela casa, com a ajuda da escada limpei alguns lustres e a fome me perturbava sem parar. O pano saiu sujo de alguns deles e continuei limpando até não deixar nenhum sem ser limpo. No andar de cima quando eu me preparava para descer após limpar todos os lustres dali a tuquinha começou a latir pra mim e abanava o rabinho.
—Quietinha tuquinha. Eu falava baixinho e aí mesmo que ela latia ainda mais, mas parou de latir quando eu resolvi descer e não dar bola a mando de Edward assim que cheguei nessa casa.
Lavei os panos que utilizei para limpar e quando abri o armário, na parte que só eu mexia havia um sanduíche ali para mim enrolado num plástico. Tinha de tudo dentro dele e comi agachada vigiando caso Rosa ou o segurança voltando de sua ronda entrasse ali. Acho que não comi, eu triturei tudo em segundos e agradeci a bondade daquela mulher estranha para comigo. Para eles eu era uma infratora, mas nas vistas dela eu devia ser mais uma vítima, fiquei feliz que ela enxergasse dessa forma e se arriscava ao me dar o que comer. Não me senti saciada de tudo, mas melhorou e bastante o meu quadro, assim que me levantei segundos depois o segurança veio me olhar. Cheguei a respirar profundamente com medo, se ele me pegasse eu não sabia qual seria a reação de Edward para comigo e da outra empregada má. Mas Edward tratava as outras duas muito bem, era como se fossem da família.
Sai da área de serviço e fui estender os panos no varal, aproveitei para dar uma conferida no tapete e sem querer fiquei olhando para o portão principal da residência. Vontade de ir embora era que não me faltava e me distraí ao observar um passarinho fazendo ninho no alto da árvore. Sua luta com o fiasco em seu bico era árdua para construir o ninho, ela ou ele já devia estar acabando. Eu sabia que algumas espécies de passarinhos eram os machos quem construía os ninhos e aquele já estava pronto.
—Venha preparar a bandeja do café para os patrões. Chamou-me Mary, eu estava perdida demais em pensamentos. –Isabella. Insistiu ela.
—Já estou indo. Falei me virando na direção dela e mal percebi que uma carreira de lágrimas havia rolado dos meus olhos. –Me distraí.
—Ande logo! Falou ela de forma tosca e entendi ser por causa do segurança que havia acabado de chegar na porta.
—Ok.
Passei por eles e fui ajeitar as duas bandejas com tudo que ela pediu pra eu colocar. Havia salada de fruta, iogurte natural com mel, torradas, entre outras coisas a mais. Rosa levou a bandeja para auxiliar a patroa no quarto dela e eu infelizmente levei a outra bandeja para o quarto de Edward.
Bati na porta e fui autorizada a entrar, ambos estavam vestidos e assistiam televisão deitados na cama. Deixei a bandeja sobre a cama e me retirei imediatamente, eu voltaria para pegá-la quando ele ordenasse.
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20h da noite.
A janta foi servida para Edward, Tânia, Esme e para Carlisle que estava completamente bêbado, fazia minutos que ele chegou com o motorista para a surpresa de todos. Ele tentava disfarçar, mas via-se o seu estado. Ele segurava na mão da mulher, que parecia ter percebido o estado do marido. Quando se bebe muito, nós ficamos com o cheiro da bebida impregnado no hálito. Ele devia estar ali para fazer companhia para a esposa, já Edward mal olhava para o pai, era óbvio que aquilo não o agradava e Tânia comia quieta.
O clima estava ruim, eu os servia ao mesmo tempo em que os reparava, uma torta de frango com palmito foi fatiada por mim e tremi um pouco para fazer isso. Pelo clima estar tenso acabou me afetando também.
Carlisle pediu uma dose de whisky e eu o serviria, sendo que Edward me vetou na mesma hora levantando a mão e eu imediatamente me recuei sem saber o que fazer, afinal o Carlisle era o pai e devia ter mais poder ali. Eu entendia a posição do filho. Minha mão tremia com a garrafa de whisky na mão, eu estava sem saber o que fazer de verdade e fiquei confusa demais.
—Mary, um café bem forte, por favor. Pediu Edward de forma educada para a mulher e ela se retirou.
—Prefiro o que eu pedi.
—Não tem cabimento! É dessa forma que iremos viver? Perguntou Edward alterado e Esme só sabia chorar. Tânia tentava controlá-lo através de carícias no cabelo, mas isso não funcionava nem um pouco.
—Fica calmo meu bem. Falou Tânia um pouco sem jeito por se meter na briga.
—Como ficar calmo! Você não vê o que está acontecendo?
—Não se meta, eu sou o seu pai! Disse o homem pela primeira vez bem alterado, era a primeira vez que ele falava daquele jeito desde que eu o conheci.
—Seja o meu pai então e homem para cuidar da minha mãe! Gritou Edward se levantando.
—Parem os dois! Pediu Esme abalada e Tânia foi consolá-la.
—Pela senhora mãe eu faço tudo. Falou Edward mais calmo com ela e desistiu de se retirar da mesa.
—Vá guardar essa garrafa agora! Falou Edward alterado para mim e fui fazer correndo o que ele me ordenou rapidamente.
Eles continuaram a comer e dessa vez Edward esqueceu de me enxotar pelo clima estar quente. Mary trouxe o café e o colocou na mesa, se rendendo Carlisle pegou a xícara de café e a bebeu, uma rápida olhada Edward deu nele por ter feito a sua vontade e ficaram todos calados.
Meu coração estava comprimido no peito por saber que através do roubo dos meus pais com sua gangue é que ocasionou tanta desgraça naquela família.
Eles terminaram de comer e Carlisle pediu um pouco mais de café antes de subir para o quarto com a ajuda de um segurança, que da mesma forma fez o motorista quando o trouxe para casa. Edward deve ter pedido a ele para ir buscar o pai onde ele estava, seu estado era degradante de verdade eu reparava olhando disfarçadamente. Ele estava sendo auxiliado a caminhar por um segurança.
Esme subiu com a ajuda de Tânia e após o jantar Edward foi para o bar próximo do corredor pegar uma dose de whisky, ao passar levando as coisas de volta para a cozinha eu o vi. Ele bebeu bastante, reparei por ter que fazer quatro viagens para terminar de levar as coisas para a cozinha. Na quinta vez eu o vi subindo com a garrafa e o copo na mão, ele estava mesmo arrasado e sem ele parar para pensar acabou fazendo o mesmo que o pai.
Passei pano na mesa e fui secar a louça que Mary havia lavado, após secar e guardar tudo eu fui autorizada a descer para o porão ou para a minha prisão, bem, dá para entender.
Minhas pernas doíam muito e fui tomar banho, me esfreguei bastante da cabeça aos pés e me enxaguei, a água fria estava me dando uma sensação de frescor muito grande e sai para me secar. Pendurei a calcinha lavada e passei uma água no uniforme que eu havia usado. O pendurei da mesma forma que fiz com a calcinha após retirar o lençol seco que eu havia lavado, o dobrei e guardei na gaveta do móvel do quarto ali improvisado.
Vesti uma calcinha e coloquei o blusão, rezei para não me castigarem tirando a minha janta e Mary veio trazer o prato de comida para mim. Agradeci por ter um pedaço daquela torta de frango com palmito que parecia estar muito gostosa, comi rezando por estar divina e bebi o copo de água que veio junto. Quem veio buscar o meu prato foi Rosa dessa vez.
—Amanhã sairemos, esteja arrumada às 7h da manhã!
—Sairemos? Perguntei surpresa.
—Não se anime, irá trabalhar do mesmo jeito que aqui! Disse ela de forma grosseira.
—Ok.
Programei o relógio da forma que ela me ensinou e fui escovar os meus dentes. Voltei para o quarto e me joguei na cama por estar muito cansada, não demorou nada eu acabei apagando.
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Madrugada de Domingo, 13 de outubro.
02:50min da manhã.
Acordei assustada no meio da noite com alguém subindo na cama, pelo perfume e o cheiro de bebida eu identifiquei quem era. Tentei me afastar por Tânia estar no quarto dele dormindo, era obvio que ela estava no quarto dele e tentei fugir em meio à escuridão, mas ele era forte demais mesmo estando chapado. Seu agarre em uma de minhas pernas foram como travas de aço e não tive como fugir, eu cairia de cara no chão se tentasse.
—Não é certo, a sua namorada está em seu quarto! Falei com o meu coração a mil e o toque dele mesmo sendo errado me acendia de uma tal maneira gritante.
—Acho melhor você ficar na sua! Não me importa onde ela esteja, o que importa é que eu estou aqui!
—Nunca fui à segunda mulher! Mesmo estando a seu domínio eu não quero isso para mim! Está bêbado!
—Você não é a segunda, o que se passa em sua cabeça? Perguntou ele arrancando o meu blusão fora e fez o mesmo com a minha calcinha, envergonhada eu já me sentia excitada e muito úmida mesmo sendo submetida aos seus maus-tratos. O meu corpo aceitava aquilo. Eu me sentia perdida e no meio de uma encruzilhada de sentimentos, sensações, dor, perda, entre outras coisas ruins a mais. –E se eu estivesse bêbado eu não chegaria aqui! Cairia na escada mesmo! Disse ele de forma dura e com um empurrão selvagem dele eu caí de barriga pra cima na cama.
No escuro e deitada de forma a recebê-lo, eu sentia a cama se mover com os movimentos que ele estava fazendo, devia ser por estar tirando o roupão, pois ele sempre vinha dessa forma. Seu corpo se chocou ao meu e os bicos dos meus seios já estavam duros há muito tempo. Sua boca veio acariciar de forma intensa um deles e sem me dar conta coloquei as minhas mãos entre os fios de cabelo dele. Senti ele me invadir com precisão causando um contraste em meu sexo e seus movimentos eram devastador, isso no bom sentido. Eu estava apavorada, mas as sensações estavam boas demais para a minha total vergonha. Tentei refrear a agonia em meu corpo que era refletida em minha louca vontade de gritar e gemer por seus movimentos causar-me muitas aflições. Eu sentia que ele estava todo em mim e não era pouca coisa não. Por fim eu resolvi tirar as minhas mãos dos cabelos pra lá de macios dele após perceber onde elas estavam e no escuro ele não veria nada mesmo, então tapei a minha boca com uma delas. Eu sentia o meu sexo comichar e fui obrigada por ele a me deitar de bruços. Ganhei muitos tapas, puxões de cabelo e mordidas em minha pele, ele não era normal. Suas investidas agora eram duras e profundas junto com seus lábios que devasta a pele do meu pescoço e mordi o travesseiro para não deixar um sussurro se quer sair dos meus lábios. Acabei gozando o mais cedo que imaginei e meu corpo tremia tanto com a intensidade do orgasmo que mais uma vez me senti envergonhada e revoltada por sentir tais sensações sendo ele a provocá-las. Não demorou muito ele também gozou me entupindo com os seus fluídos, eu estava um bagaço de mulher.
Acabei dormindo sob ele, a exaustão era terrível em meu corpo e gozar daquela forma foi demais para mim, diria que fatal.
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6h da manhã.
O relógio despertou e abri os meus olhos tomando um baita susto por ele estar dormindo ao meu lado completamente nu sob a manta grossa. Pude constatar ao levantar o tecido para olhar o seu estado e eu também estava nua.
—Edward, Edward. Eu o chamava baixinho sacudindo-o de leve. –Acorde Edward!
—Hum? O que é? Perguntou ele abrindo os olhos e ao reconhecer onde estava se sentou rápido na cama. –Por que não voltei para o meu quarto? Que droga! Reclamou ele se levantando.
—Você deve ter acabado pegando no sono igual a mim.
—É obvio demais, você não acha? Perguntou ele de forma grosseira e o ignorei indo para o banheiro tomar banho fechando a porta na cara dele. Na hora nem raciocinei que estava fazendo isso, fluiu ao natural. –Não me ignore! Sabe que eu detesto isso! Falou ele um pouquinho mais alto.
—Preciso me arrumar, só isso. Eu sentia que estava deixando algo passar, mas em meio a esses acontecimentos estavam nulos os meus raciocínios. Deixei pra lá.
—Acho bom mesmo sua garota mimada! Arruaceira e filhinha de marginais! Esbravejou ele próximo da porta.
Liguei o vá se f#*/* pra ele e continuei tomando o meu banho. Lavei o meio das minhas pernas por estar critica a minha situação ali, escovei os meus dentes e fui para o quarto me secar, Edward já não estava mais ali no porão e dei graças a Deus.
Meus uniformes estavam amarrotados por estarem lavados e pedi a Fausto estando envergonhada que pedisse Mary para me emprestar o ferro, ele deve ter visto o patrão saindo do meu quarto, a noite costumava ser outro segurança a ficar rondando o corredor ali.
Não demorou muito ele me trouxe o ferro e passei os meus uniformes rapidinho, me vesti e calcei a sapatilha correndo, faltavam dez minutos para ás 7h da manhã. Eu estava um caco e com as minhas partes intimam latejando muito por causa da madrugada que tive com Edward, ou com o meu mal feitor, ou o meu patrão. Era três em um.
Peguei o ferro e subi rápido, Rosa e Mary já cansavam de estarem de pé e colocavam várias coisas dentro de bolsas térmicas. Comecei a ajudá-las também e não entendi nada. Iríamos para um mega piquenique?
Tomamos o nosso café da manhã e os seguranças vieram pegar as bolsas. Todos eles desceram as escadas como se fossem para a praia, mas eles sumiram de vista ao saírem pela porta da cozinha. Sem eu esperar fui vendada e colocada dentro de um carro, andamos por pouco tempo e ao retirar a minha venda, estávamos ainda naquela região por reconhecer a vegetação que era vista da sala de Edward. Um iate luxuoso estava parado em uma espécie de marina particular e era ali que iríamos trabalhar hoje. Eu achei até legal.
Mary e eu colocamos as bolsas para dentro sob a vigília dos seguranças. Esme subiu com a ajuda do marido, Edward entrou segurando na mão de Tânia que não parecia estar muito satisfeita com algo e deixei pra lá por ter em mente o porquê.
O lugar era espetacular e no terceiro andar do iate havia uma piscina. A cozinha era a coisa mais linda e começamos a guardar os mantimentos que trouxemos para serem servidos depois de preparado. Saímos dali e fui servir suco a pedido de Rosa, o ventinho em meu rosto era sensacional e servi um por um. Edward preferiu ficar no whisky de manhã já cedo, Tânia o reprovava com o olhar e de soslaio eu observava tudo por ter que ficar ali perto deles caso precisassem de mim.
Esme estava sentada tomando o sol da manhã junto com o marido, já Edward e Tânia sumiram de nossas vistas, mas ao descer para o segundo andar do iate eu escutei que eles brigavam dentro de um dos quartos. Falavam alto e algo com “por ter bebido tanto ontem, você não encostou nem se quer em mim!” Falou Tânia chateada e sai de perto da porta ao notar que um dos seguranças se aproximava.
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1h e ½ depois.
Preparamos alguns aperitivos e fui servi-los, Tânia estava com traços de choro no rosto e Edward estava um pouco afastado dela, eu via a confusão em sua expressão e continuei servindo com quem não quer nada.
Carlisle já se afogava na bebida e auxiliava a mulher a comer os canapés que preparamos um pouco sem jeito por causa da má coordenação e dos reflexos, a bebida em demasia tirava todos de nosso corpo. Eles tentavam segurar a barra quando decidiram passear de iate hoje, mas o clima ainda não era dos melhores, eu sentia isso.
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Tânia resolveu tomar banho de piscina e ficou tomando sol, ela olhava na direção de Edward a todo o momento sem disfarçar e eu a acompanhava matutando o que devia estar se passando na cabeça de um e de outro. Carlisle já estava com os olhos pequenos de tanto que bebeu whisky e vodca com suco de fruta, um dos seguranças o ajudou a se retirar e Esme perguntou pelo marido ao dar falta dele, disfarçando Edward falou que o pai foi descansar um pouco.
No corpo da mulher havia marcas. Ela estava cheia de protetor no corpo e o óculo não saia nunca de suas vistas. Pobre mulher e nesse momento sozinha ao léu sob aquele escaldante sol, eu sentia que ela sofria calada para não incomodar os outros e a quase nora nem ligava pra ela, estava absorta demais em seus próprios problemas com o quase ou o namorado.
Rosa foi quem se aproximou e conversou com ela, nisso eu podia afirmar, a megera gostava mesmo da patroa e a ajudava demais com palavras gentis no momento certo. Eu acho.
Edward se aproximou de Tânia e a beijou após pedir desculpas que por mim foram ouvidas. Ela custou a mover o rosto na direção dele, mas o fez e aceitou o beijo dele. Pra mim que conhecia um beijo de apaixonados e até de pedido de desculpas, aquele estava mecânico demais pro meu gosto. Para minha surpresa se tornou intenso e ele se sentou ao lado dela a abraçando. Eles começaram a conversar e fui pega no flagra pelo olhar dele na minha direção, disfarcei sem jeito olhando para o lado e reparando bem a paisagem ao longe por estarmos bem afastados da costa, reconheci estar passeando em frente à praia de Solares e sorri sem acreditar.
—Solares. Sussurrei sorrindo e um fiasco de lágrimas rolou, sequei-me sem chamar muita atenção olhando para aquela linda vista tão conhecida por mim.
Eu não estava em outro estado ou estava? Eu estava na minha terrinha naquele momento, eu estava em Solares. Em algum lugar de Miami ou muito próximo eu estava vivendo, era impossível saber, pois já fazia muito tempo em que estávamos navegando no mar.
Eu já estava há horas ali no iate mesmo ele indo devagar para a apreciação dos próprios donos e reparando a minha alegria, Edward olhou para mim e se levantou passando por mim, mas o seu sussurrar foi audível e era para mim somente.
—Não precisa se animar, não irá a lugar algum mesmo!
Ele se foi e ganhei uma olhada curiosa de Tânia, fingi não entender e vi a praia ir sumindo à medida que íamos se afastando.
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13h da tarde.
Acabamos de preparar a comida e fomos servi-la na mesa, todos já estavam sentados nos aguardando e Mary os serviu dessa vez. Eles comeram apreciando a comida. Fizemos o mesmo após eu limpar a mesa quando eles acabaram e subiram.
Eles continuaram se divertindo e nós ali os servindo. Admirávamos a vista quando dava também.
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4h depois.
Estávamos ancorando no ponto de partida, finalmente de volta. Quando os outros se foram primeiro no carro de Edward, foi a nossa vez também de partir. Eu estava mais uma vez vendada, acho que era para não ver o caminho para uma possível fuga futura.
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Chegamos na casa e Tânia desceu segurando as bolsas dela, ela iria embora e Edward foi levá-la com mais dois seguranças o seguindo em outro carro.
Eu e as empregadas retiramos as coisas das bolsas e guardamos tudo por estarem limpas. Alguns mantimentos estavam dentro de vasilhas tupperware e foram diretos para geladeira. Fui ordenada por Rosa a lavar as bolsas térmicas na mão e as estendi no varal, eram grandes e de qualidade. Também coloquei as garrafas de bebidas de volta no bar e fui colocar na máquina as roupas que os patrões usaram, a maioria toalhas. Lavei na mão os panos de prato que foram usados e os estendi. Fiquei na cozinha aguardando o restante da roupa bater e quando a máquina terminou o trabalho dela eu fui estender tudo no varal. Eu estava morta com todo aquele sacolejo do navegar do iate e acordei cedo mal dormindo na noite, eu bateria na cama e desmaiaria quando fosse permitido.
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19:35min da noite.
Eu estava na cozinha ajudando Mary a preparar um bolo, ela batia a massa na batedeira e eu untava a forma redonda quando Edward chegou dando boa noite para ela e passou direto sem se dirigir a mim. Eu já estava me acostumando com isso e nem liguei. Depois que o bolo foi preparado e já frio, eu preparei uma bandeja de chá e fui levar no quarto da patroa. Era estranho eu chamá-la dessa forma, eu sempre tive do bom e do melhor, já hoje pela fatalidade do destino eu me encontrava sendo torturada e trabalhando bem dizer a força. Não que o trabalho fosse ruim, era honesto, mas ao comparar o que eu fui ontem e que estava sendo acometida a fazer hoje, eu me sentia como se tivesse caído do pedestal. Eu tinha de tudo um pouco, minhas roupas que muitas delas nem foram usadas, acho que só Deus sabe se um dia eu escaparia dali com vida. Como estaria o meu apartamento? Fechado ou violado pela ação dos homens fora da lei? Eles pegaram os meus pais, acredito que não deve ter sido bonito o fim deles. Eu pensava em tudo isso ao colocar a bandeja na cama da patroa estando ela sentada e o marido desmaiado pelo excesso de bebida. Quem a auxiliaria?
Rosa estava para o banho, Mary na cozinha e Edward provavelmente tomando banho também.
Um pouco temerosa eu enchi a xícara de café com leite.
—Se, senhora. Quantas gotas de adoçante a senhora costuma a adoçar o café com leite?
—Pode por cinco. Disse ela simplesmente e jurei que seria tratada mal. Sua voz estava chorosa.
—Ok. Coloquei a xícara na mão dela e sozinha ela a levou até a boca. –Cuidado para não se queimar. A adverti por estar quente.
—Obrigado, estou me acostumando um pouco mais.
—Vou partir o bolo em quadradinhos para facilitá-la.
—Faça como quiser, estará bom para mim.
—Tudo bem. Parti os pedacinhos e estava bem fofo e macio por ser de milho. –Se importa? Perguntei temerosa e tremendo um pouco a minha mão, Edward queria que eu ficasse a quilômetros dela.
—De quê?
—Posso fazer como os outros até a senhora se habituar.
—Ok, não posso exigir muito. Não vejo nada mesmo. Disse ela deixando as lágrimas descerem.
—Eu a entendo senhora, ficaria furiosa em seu lugar, mas não levaram a sua vida.
—Mas a da minha filha sim.
—Eu a entendo, mas fique forte para o seu filho e para o seu marido.
—Eu tento. Após ela falar eu levei a primeira garfada na boca dela e foi aceita de bom grado.
Depois disso fiquei calada e a auxiliava a minha moda, ela foi bebendo o café com leite aos poucos e coloquei o lenço na mão dela, ela mesma se limpou. Observei se a cama estava limpa e ela me pediu que a levasse até o banheiro para escovar os dentes. Na hora de fazer uma rápida higiene, eu a deixei à vontade e fiquei aguardando do lado de fora. Ao ouvir o seu chamado eu a levei até a bica e tateando até a torneira, ela a abriu.
Tornamos a voltar para o quarto e ajudei a se deitar melhor, pelo o que eu entendi ela só tiraria o óculo após eu me retirar por ter ficado com eles enquanto eu a cobria com o lençol, sorte a dela é que o ar esfriava o quarto por ser potente mesmo a porta estando aberta. Estava bem abafada a noite hoje.
—Boa noite senhora. Falei me afastando.
—Pra você também e obrigada.
—De nada.
Fui caminhando na direção da porta e ao sair Edward estava me olhando raivoso. A impressão que me deu é que ele estava me espiando, na verdade ele estava.
—O que eu disse para ficar longe dela?
—Des, d, desculpe edw. Desculpe senhor. Falei nervosa e senti as coisas na bandeja chacoalharem com a minha tremedeira. –Ela não tinha quem que a ajudasse, não a desrespeitei ou a maltratei. Pergunte para ela.
—Fica longe!
—Me lembrarei senhor. Agora me solte, eu juro que não quero o mal dela, do contrário eu teria lhe matado com uma pancada na cabeça hoje cedo quando dormiu lá comigo. Acordei primeiro está lembrado?
—Fui um tolo por dormir no covil da raposa! Agora suma da minha vista!
—É um vingativo! Da próxima vez mesmo que eu morra depois, eu lhe mato a pauladas! Ele começou a rir.
—Tente. Falou ele bem próximo do meu rosto me desafiando e me afastei, seu cheiro me açoitou com tudo e era demasiadamente bom. –Agora desça e vá se recolher, já falou demais no meu ouvido! Não pense que eu adoro me aproveitar de você, meia boca é sem graça demais.
—Então porque mesmo bêbado você não conseguiu dar conta com a sua namorada e veio atrás de mim?
—Está me chamando de brocha?
—Estou lhe mostrando que mente! Gosta de se meter no covil da raposa por que é igual a ela ou pior até!
—Quer que eu te mostre o brocha agora? Perguntou ele segurando no meu braço. –É abusada demais, me aguarde garotinha intrometida! Só não lhe castigo agora porque preciso dar um pouco de atenção para minha mãe. Agora suma da minha vista! Disse ele me largando de forma bruta e se afastou de mim.
Cheguei a sorrir da situação por achá-la cômica mesmo no meio de tanta tragédia. O segurança estava ao longe e deve ter escutado tudinho, mas discretos fingiu que não ouviu.
Voltei para a cozinha e informei a Rosa que o patrão deu ordem para eu descer. Fiz com muito gosto e fechei a porta do porão sem trancá-la com a chave, afinal ali não tinha e fui direto para o banheiro tomar um banho. Asseie-me com o presto-barba sob a água do chuveiro e sem querer me cortei de leve na virilha, no escorrer do mínimo filete de sangue me lembrei da minha regra. Eu estava perdida em relação ao número da data, mas sabia que hoje era domingo.
Lembrei dela que era algo pra lá de importante e era isso que eu estava deixando passar, Edward transava ou me estuprava sem camisinha, apenas nas primeiras vezes que ele a colocou. Eu corria um sério risco de engravidar dele e me senti pra lá de perdida, fiquei muda por um bom tempo sob a água do chuveiro e só pensava nisso. O que eu faria com um bebê sem um tostão ou liberdade de ir e vir?
Edward nunca que iria assumir um bebê meu, ele iria maltratá-lo como faz comigo. Chegaria a dizer que não é dele e vá saber o que mais. Chorei por estar me sentindo perdida, mas tendo a esperança da minha regra vir e alertá-lo desse possível problema. Não, eu não poderia falar, ele me mataria na mesma hora para liquidar esse possível problema e não detonar com sua imagem ou até mesmo com a sua vida de homem comprometido.
Fiquei muito tempo sem expressão em frente ao espelho, Mary trouxe a janta para mim e vi que era a mesma que comemos no iate, bem, menos mal. Pior seria não comer nada e escondida, ela tirou uma lasca do bolo embrulhada de dentro do bolso sob o avental.
—Poxa! Valeu Mary. Você é tão legal comigo, mal me conhece. Falei baixinho e mantivemos o dialogo assim.
—Sei que é mais uma vítima, sei reconhecer isso através do seu olhar. Esconda, esconda. Falou ela se afastando quando percebemos que o segurança se aproximava e o joguei rápido sob o travesseiro.
Ela saiu de porta a fora e o segurança ficou me olhando, mas agi de forma natural e comecei a comer com a mão. Ele olhou em volta e tornou a subir. -É ruim que você vá me tomar esse delicioso bolo! Falei baixinho e sorri.
Comi a comida toda e bebi o copo de água quando acabei. O segurança que já era outro veio pegar o prato e o copo tornando a subir sem se demorar muito ali comigo. Comi o bolo escondido todinho e estava bem fofinho mesmo, desmanchava na boca.
Fui escovar os meus dentes e deitei na cama me sentindo um bagaço de gente. Eu detestava ficar naqueles dias, mas agora eu começaria a rezar para eu ficar. Tudo menos uma gravidez indesejada, esse bebê não seria meu e sim dele, eu não o desejei e talvez pela possível existência dele eu estaria condenada à morte. Aliás eu já estava, Edward e o segurança deixaram bem claro que quando fosse a hora, ele limparia a sujeira.
Já conformada com a minha sorte, eu peguei no sono minutos depois que resolvi fechar os meus olhos.
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Madrugada de segunda feira, 14 de outubro.
02:16min da manhã.
Meu corpo doía, deveríamos estar a três dias naquele tormento apanhando e sendo estupradas pelos assassinos. Meu braço estava doendo por ter sido queimado por pontas de cigarros, as pernas da minha querida mãe sangravam pelas chicotadas, de seu rosto machucado rolava lágrimas com resíduo de sangue e fomos jogadas novamente no quarto depois de uma longa sessão de tortura. Eu já me sentia muito fraca, minha pele de branca já estava pálida de tanto que eu sangrava. Os sujeitos tinham o prazer de nos ver sangrando, por sorte ficamos presas somente na corrente e nos abraçamos sem termo força para a tal ato, era muito esforço para pouca energia no corpo. Eu já sentia cólicas terríveis e piorava por estarmos nuas e no frio.
—Eu, eu te amo mãe.
—Filha, o que fizemos para merecer tanto castigo? Perguntava a minha mãe chorando.
—Eu, eu não sei. O que foi que fizemos? Perguntei em meio às alucinações, eu me sentia flutuando, era como se a minha alma já estivesse desprendendo do meu corpo, era uma sensação de morte terrível em mim.
—Eu só sei que se eu não resistir e a senhora conseguir, se lembre que eu te amo e sempre irei te amar. Até o papai. Edward, Edward, Edward........
Acordei com lágrimas nos olhos e repetindo o nome de Edward por uma só vez. A luz do quarto estava acesa e as lágrimas rolavam pelo o meu rosto e me virei de lado.
—O que está acontecendo comigo meu Deus? Por que comigo? Eu perguntava meio as lágrimas e aquele mesmo cheiro adocicado se fez presente. Os pêlos do meu corpo se arrepiaram na mesma hora e me apavorei tampando todo o meu corpo com a manta mesmo sentindo um pouquinho de calor. –Eu não quero sonhar, eu não quero saber..... Eu repetia baixinho atormentada por tudo que aqueles pesadelos me faziam sentir. Era real demais e me levantei cambaleando por ter quase caído da cama com o desespero. –Eu estou louca meu Deus? Eu me perguntava. Aquele tormento não era meu e parei para avaliar em frente ao espelho. –Será que a irmã morta de Edward estava me mostrando o que elas passaram? Mas porque eu? Qual o sentido nisso tudo? Eu não pedi e nem queria isso, eu só queria ficar em paz e longe dali!
Eu não queria sonhar e acabar acordando daquela forma deprimida, muitas vezes gritando por sentir dor no pesadelo. Eu estava enlouquecendo de verdade. Isso não existia ou existia?
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15 min depois.
Deitei-me na cama após passar vários minutos em pé no banheiro em frente ao espelho. Eu consegui enfiar na minha cabeça que para aquilo tudo estar acontecendo durante os pesadelos havia um propósito, acho que Deus era misericordioso demais para não olhar por mim nesse tormento todo. Eu não tinha religião, mas tinha em mente que para tudo havia um motivo. O jeito seria me acalmar, talvez o segurança ou até mesmo o Edward pensariam que eu estava ficando desequilibrada. Mas como controlar os sonhos? Não tinha como.
Fiquei deitada pensando em um monte de coisa e acabei adormecendo mais uma vez.
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03:30min da manhã.
Nossos olhos foram vendados e fomos jogadas dentro de um lugar, sentia-me em meio a panos e alguns objetos, mas ao se mover soube ser uma espécie de transporte. Pelo menos era espaçoso o suficiente para caber eu e a minha mãe junta sem ter o empecilho dos bancos entre nós.
Demoramos muito pra chegar em nosso destino e quando chegamos fomos jogadas de encontro ao chão frio, o lugar cheirava a xixi e vinha de algum lugar. Fomos brutamente chutadas e de minha boca saia sangue, acho que eu já devia estar toda acabada por dentro, tudo doía e eu chorava muito. Minha mãe não fazia barulho algum e me apavorei por pensar que ela estivesse morta. Eu implorava para que eles parassem de nos bater e nada, era em vão a minha suplica. Eu chorava muito e por fim o assassino se cansou e parou de nos bater, só escutei quando o carro se afastou e fiquei pensando se era o fim de toda aquela tortura.
Eu chorava e sentia-me como se um sono profundo quisesse me levar. Eu estava me sentindo muito tonta, talvez a perda de sangue fosse o que estivesse provocando aquilo, eu já sentia os meus lábios secos e trêmulos pela tamanha fraqueza por sangrar e apanhar durante muito tempo. Por ser estuprada e ficar a dias sem comer ou se quer beber uma gota de água. Acho que ali era o meu fim e cai na escuridão.
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Não sei quanto tempo fiquei desacordada, mas ao longe eu escutava a voz de alguém chorando desesperado....... Não, eram dois tipos de choro diferente e ao abrir rapidamente os olhos eu vi os lindos olhos do meu irmão. Sem ter percebido ele segurava na minha mão e as nossas temperaturas eram bem diferentes. Tentei apertar a mão dele como um sinal de conforto, mas nem isso eu conseguia mais, só sei que novamente eu voltei para a escuridão, mas antes eu pude escutar nitidamente ele afirmando que quem fez aquilo conosco iria pagar caro. Todos que contribuíram para aquilo iriam sentir o amargo doce da vingança e depois disso nada mais por mim foi ouvido.
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Cheiro de éter inundou as minhas narinas, agora eu não conseguia ver nada e era apenas a escuridão que me tomava.
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Eu escutava diferentes choros, eu sentia a agonia dos outros em meio àquela escuridão e desejei encontrar a luz, essa que não vinha. Até que um tempo depois um clarão se estendeu a minha frente, mas os choros em meu ouvido que eu não sabia de onde vinha me impediam de ir à direção daquela luz branca com um toque azulado tão intenso e bonito. Era como se existisse vida lá do outro lado, mas a dor que me envolvia não me deixava prosseguir. Alguém chorava, aliás, muitas pessoas choravam, eu só escutava os sussurros e os lamentos, eu tentei prosseguir e cheguei a caminhar na direção da luz, mas parei no meio do caminho indecisa.
Eu queria me livrar daquilo tudo em meus ouvidos e prosseguir, mas os choros não me deixaram ir, eles não me incentivavam, eles só me faziam recuar cada vez mais e eu sentia que precisavam de mim mesmo não tendo como ajudá-los.
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07:30min da manhã.
Acordei me sentindo muito cansada, era como se a minha energia tivesse sido roubada de mim e me levantei sentindo a minha testa e a minha nuca molhada pelo suor.
Um pouco lenta, eu me levantei e tive certeza que eu precisaria tomar um banho frio para ter pique para o dia todo. Ajeitei-me e subi me recordando do meu último sonho. Eu tinha certeza que era a irmã de Edward, estava obvio demais e eu não sabia o porquê de ela querer me mostrar tudo que passou. Eu nem sabia se aquilo era verdade, mas estava claro demais para mim. Eu não entendia porque no sonho eu vivia o tormento como se eu fosse ela, nitidamente eu pude ver os rostos deles no sonho, menos o dela. O dela eu nunca vi além de fotos espalhadas pela casa e no quarto intocado dela por eles até hoje.
Cheguei na cozinha e absorta em pensamentos eu ajudei a preparar o café da manhã dos patrões, lágrimas rolaram pelo o meu rosto e os outros fingiram não ver, eu estava frágil pelos pesadelos que eu vinha tendo. E se foi realmente o que aconteceu como eu estava vendo com elas, Deus! Eu o que estava passando não chegava aos pés. Elas sofreram muito, agora parando para pensar, as marcas nas pernas de Esme eram das chicotadas e de ponta de cigarro. Eu estava assustada demais com o que estava acontecendo e fui levar a bandeja para a sala estando absorta demais pra tudo que acontecia a minha volta. Chocada era a palavra certa.
Olhei para o Edward e as palavras que ele proferiu no sonho se faziam presentes a todo o momento, agora sim eu entendia o porquê de toda aquela amargura, ódio e desejo de vingança. Aquela mulher debilitada e com vestígios da depressão a minha frente sofreu tanto que sem querer os meus olhos se encheram de lágrimas e as segurei com muito custo. Pela primeira vez eu senti raiva dos meus pais, por tudo que eles causaram a aquela família e a mim que vinha sofrendo há dias. O pior de tudo era que eu corria um sério risco de estar grávida ou até mesmo com uma doença, eu não conhecia e não sabia o tipo de vida que Edward levava. Se ele se precavia ou se ele se deixava levar como fez dias depois de me sequestrar. Aquelas camisinhas no cesto de lixo não querem dizer nada, eu não sabia se vez ou outra ele e Tânia se descuidavam, eu não sabia o tipo de vida que ela levava. Eu estava tão perdida que sem querer eu solucei no meio deles e o olhar de Carlisle veio até a mim, abaixei a minha cabeça ocultando o meu real estado e Rosa ordenou que eu me retirasse e fosse varrer todo o andar de cima. Obediente, subi com o balde cheio de água, o pano, a vassoura e a pá de lixo.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Comecei pelos quartos de hospedes, depois o de Esme e fui para o quarto de Edward. Varri e passei pano em todo o chão, desde o banheiro até a porta do quarto. Tuquinha estava dormindo no cantinho e nem ligou, acho que ela já estava acostumada com a minha presença. O último que eu entrei foi no quarto da irmã de Edward, aproveitei para abrir a janela e as cortinas para deixar um ar entrar.
Varri todo o quarto e curiosa entrei no closet dela, havia milhares de roupas, todas bem patricinhas e do tipo que eu usava, sendo que umas até melhores que a minha. Milhares de brincos, pulseiras e cordões de valor havia em sua caixa mediana de joias. Sapatos e botas eram aos montes, fora às sandálias e fiquei admirando uma foto dela e de Edward juntos na piscina da casa, pareciam ser bem amigos. Eu admirava esse tipo de amizade entre irmãos e observei os vidrinhos de perfume sobre a penteadeira que ali havia. Curiosa, e a fim de descobrir se eu estava mesmo maluca, eu abri o primeiro pote e descobri que o seu gosto era do tipo floral. Abri o segundo pote e não era o cheiro que invadia o porão. Abri mais dois e nada, mas ao abrir o último, eu reconheci ser o mesmo cheiro, as lágrimas desceram e fechei o vidro quando escutei alguém se aproximar e fingi varrer, mas pro meu azar foi Edward quem entrou no quarto e veio me espiar no closet.
—O que faz aqui? Perguntou ele vindo na minha direção e corri para o outro lado assustada.
—Estou limpando, eu só estou limpando.
—Por que não acredito em você? Por acaso estava mexendo nas coisas da minha irmã?
—Foram dela Edward, ela não está mais aqui. Ela não está mais no meio de nós.
—Por culpa dos seus malditos pais! Disse ele segurando no meu braço e me chacoalhou com força. -Foi por causa deles que a minha irmã não está aqui mais no meio de nós! Disse ele me jogando no chão com força. –Pelo roubo, foi por causa daquele maldito roubo que tudo aconteceu! Swans malditos! Disse ele me levantando pelos cabelos e minha súplica era audível porque eu gritava. Foi quando aquele mesmo cheiro nos atingiu e chegou a desnortear Edward, sem entender ele me largou e tuquinha entrou latindo muito no quarto abanando o rabinho para o nada. Levantei-me devagar e sai do closet assustada, Carlisle veio olhar o que acontecia e passei por Rosa, pelo segurança e desci as escadas correndo, acabei tropeçando no primeiro degrau e cai de lado, tudo ao meu redor se apagou pelo meu tamanho pavor.
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13min depois.
Acordei do desmaio e percebi que eu estava sozinha no porão. Ao lado havia um comprimido e um copo de água, mas por sentir medo daquilo eu joguei o comprido no vaso e dei descarga, nem o copo de água eu bebi por sentir medo. Apesar da queda eu não sentia dor alguma, apenas um incomodo na perna direita e mesmo assim de leve. Acho que o stress me levava a ter desmaios e me preparei para ser útil mais uma vez lá em cima. Abri a porta e subi indo direto para a cozinha, ganhei um olhar de Mary e através dele eu entendi que ela lamentava pelo ocorrido. Rosa entrou na cozinha.
—Tive que descer o material de limpeza e tudo que você deixou lá em cima garota! Falou Rosa. –Seja mais cuidadosa e não bisbilhote as coisas dos outros! Não te pertence!
—Eu estava limpando somente.
—Oh! É mesmo? Eu não creio! Agora me faça o favor e vá varrer o que ficou pendente! Faça o seu trabalho e bisbilhote de menos. De nada para ser mais exata! Estamos entendidas?
—Tudo bem.
—Pode ir e não me arranje mais problema, por sua culpa Edward e o pai brigou feio. O pai não concorda com o que o filho faz, mas o patrãozinho tem razão, é filha de marginais. Filho de peixinho, peixinho é! Já ouviu falar nisso?
—Não sou fora da lei e até poucos dias eu não sabia de nada acredite você ou não! Pouco me importa e vá fazer queixas para o seu patrão quando ele chegar! Agora cale a sua boca porque você é tão quanto empregada como eu aqui!
—Vá fazer o seu serviço garota intrometida e abusada! Ladrona safada!
O estalo foi audível e não me arrependi, ao longe eu via Mary sorrindo e o segurança me arrastou para a área de serviço.
—Não me crie mais problemas, vá fazer o seu serviço antes que as coisas piorem para você. Quer ser eliminada?
—Não suporto quando me ofendem sem ser verdade!
—Faça o seu serviço.
—Tudo bem.
Tornei a pegar o material de limpeza e fui para o segundo andar, deixei o quarto de Brenda pra lá por ter bem dizer limpado todo ele e terminei de limpar o corredor escutando o choro de Esme. Eu não tinha autorização para ir até ela e fiquei com medo de levar mais uma vez a bronca de Rosa e acabar ficando sem o almoço. Se eu já não havia ficado né?
Varri a escada e passei pano úmido nela, varri todo o andar de baixo e passei pano em todo ele também. O restante já estava limpo e eu só fui revisar o banheiro social que estava intocado, apenas dei descarga e coloquei bom ar no ambiente.
Lavei algumas roupas, pois os patrões não deixavam juntar e fui estendê-las ganhando alguns olhares dos seguranças. Senti-me mal e tornei a entrar para ajudar a Mary a preparar o almoço.
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13h da tarde.
O almoço foi servido para a patroa e Rosa voltou com o prato intocado.
—Ela não quis comer? A comida está ruim? Perguntou Mary, a comida dela era ótima.
—Ela afirmou estar sem apetite. Não quis comer de jeito nenhum.
—Ela sente falta da filha, ambas viviam juntas, dormiam juntas às vezes e passeavam bastante. Eram bem amigas sem deixar faltar o irmão.
—Eles eram unidos, agora estão com estão. Disse Rosa pensativa.
—Eu lamento muito. Disse Mary limpando o fogão.
—Eu também. Afirmou Rosa.
Almoçamos e continuamos os nossos afazeres depois que não eram tantos. Varri o quintal e todo o dia a quantidade de folhas era considerável.
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17:05min da tarde.
Eu me encontrava passando as roupas que estendi no varal. Coloquei todas elas no cabide e chamei Rosa para ir guardá-las. Ajudei Mary a preparar a janta e hoje a comida seria couve flor gratinada, codorna assada com farofa e arroz de forno, o cheirinho bom dominava a cozinha.
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20h da noite.
Estávamos esperando Edward chegar pra servir o jantar, Carlisle já estava em casa e se encontrava um pouco chapado por causa do whisky que ingeriu depois que chegou.
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21h da noite.
Edward chegou em casa e deu boa noite a todos, menos para mim e o segui com o olhar subindo a escada levando uma garrafa de bebida junto de si após pegá-la no bar. Ele chegou bem tarde hoje.
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22h da noite.
Um dos seguranças auxiliou Esme a descer as escadas e Carlisle desceu logo a seguir segurando no corrimão. Edward foi o último a descer e seus cabelos estavam molhados, devia ter acabado de tomar banho e tornou a colocar a garrafa de bebida pelo meio no lugar.
Ambos se sentaram à mesa e foram servidos, Edward e o pai não se falavam e Esme comia perdida em pensamentos. Apesar de tudo que passei até hoje nas mãos de Edward, ao olhá-lo daquela forma me dava um pouco de dó por saber que a culpa era dos meus pais. Mas não havia o que fazer, eu era invisível ali, eu era a doença da casa.
Edward pediu para Mary servi-lo ao invés de eu e permaneci quieta em meu lugar. Eu olhava para ele perdida em pensamentos e fui servir Carlisle colocando um pouco mais de arroz de forno em seu prato. Ele bebeu meio copo de whisky como se fosse água e Rosa ficou olhando para ele sem se pronunciar, afinal não era da conta dela a vida que levava os patrões. Era lamentável ver uma família tão bonita indo à direção do fundo do poço.
A sobremesa foi servida e eles comeram perdidos em pensamento da mesma forma que fizeram ao comerem a comida. Eu sentia que Edward era a base que segurava toda a obra, pois o pai estava acabado. Ele alimentava essa raiva e até justa, mas não para comigo, se ele vivesse um pouco melhor e tivesse uma mulher de verdade que lhe desse suporte, eu tinha certeza que muita coisa ali melhoraria. Aquela mulher chamada Tânia não parecia ser a ideal, seu jeito fútil de ser não demonstrava ter pulso forte para auxiliar a sogra e livrá-la daquela depressão, Esme precisava de apoio. Sendo que o marido por ser fraco demais não dava. Edward com essa cegueira em mim acabava atropelando a sua vida e até mesmo na recuperação desse grande trauma que eles estavam passando. Ele era à base daquela construção, eu entendia os seus sentimentos. Eu seria capaz de trocar a minha vida pela a da irmã dele se isso amenizasse o erro dos meus pais, mas era impossível.
CONTINUA...........
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