Solares
7 Capítulo 7
BELLA......
Final do capítulo anterior.
—Não pode mais dizer o que acabou de afirmar para mim, ele não é o único que pode dar prazer a uma vadia.
—Ele não me dava prazer por eu ser uma vadia e sim uma mulher digna. Eu tenho certeza que você também não é nada digno, então não jogue pedra no telhado dos outros se o seu também é feito de vidro! Falei socando-o por sentir a fúria em minhas veias e não pensei nas consequências, eu precisava machucá-lo e foi o que eu fiz enquanto eu pude, mas ele se afastou facilmente sorrindo por eu estar amarrada e ele não.
—Não tenho medo da sua rebeldia, sei que vai querer me atingir!
—Pense o que quiser! Virei para o lado chorando e meu sexo estava estupidamente úmido, eu me condenei por aquilo, eu não me permitia sentir prazer com o homem que destruiu a minha felicidade e a minha vida, não, eu jamais me permitiria sentir aquilo novamente e chorei mais ainda. Eu sentia que havia traído jake em meu coração com uma pessoa desprezível, o prazer com ele sim era por mim desejado, ele sim me amava.
—Pare de me chatear com esse choro!
—Choro por vários motivos. Pelos os meus pais, por faltar o colégio, por causa de jake, dos meus amigos e de não estar livre das suas crueldades! Por favor, me deixe ir.
—Já ouvi baboseiras demais e não permito que me encha com elas novamente! Disse ele disparando a arma e aquilo me assustou de verdade fazendo-me arregalar os meus olhos, olhei para o meu corpo desesperada a procura do ferimento e ele sorria olhando para o canto da parede, foi ali que ele disparou e tornou a olhar para mim. –Calada! O próximo pode ser em você! Seus dias estão contados mesmo. Pra quê estudar?
Olhei para ele bestificada enquanto ele saia do quarto e fechou a porta. Fiquei calada e sem lágrimas rolando, ele era completamente maluco e disposto realmente a me torturar pelo o que eu reparei.
Eu estava no meio do nada, não sabia que lugar era aquele e que direção ir. Pior de tudo era ele torturar os inocentes, era uma pena que os meus pais não se enquadravam nessa minha observação. Era uma pena, mas mesmo assim eu os amava e pagava arduamente pelos erros deles. Acho que rezar não adiantaria estando presa por grossas correntes.
Mesmo estonteante na beleza, seu caráter deixava a desejar e jurei para mim mesma que eu tentaria fugir. Mas como?
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—Como eu irei fugir? Perguntei para mim mesma estando envolta da solidão.
Ele poderia me achar novamente, eu não sabia o que os meus pais estavam passando, talvez eles estivessem pior que eu por fazerem inimigos a altura desse louco que me mantia presa aqui. Eu não sabia o que aconteceria, dizendo ele os meus dias estavam contados. Eu estava sofrendo muito e para ele fazer isso comigo, foi porque devem ter feito o mesmo ou pior com a irmã dele. Eu lamentava tanto, ela devia ser uma vítima inocente igual a mim. Será por quê? Eu matutava.
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Agora sem a venda em meus olhos, eu olhei para a janelinha no alto da parede e já era noite. Fiquei sentida por pensar em meus pais e desejar o colo da minha mãe, sentir dor era ruim demais e a minha alma chorava por causa desse estranho.
Meu corpo estava violado e cansado das violências sofridas. Por que a morte não chegava logo? Perguntei-me mentalmente chorosa.
Eu queria tomar um banho e lavar toda a vergonha de mim, mas o banheiro era só de enfeite ali para mim. Só o vaso sanitário seria usado e lembrei do meu banheiro. Lembrei das minhas coisas e eu não sabia o que aconteceria se caso um milagre acontecesse de eu conseguir escapar daqui. Eu estava sem os meus documentos, eu estava sem nada pra dizer a verdade. Ninguém viria me salvar e essa era uma grande realidade, tanta mata envolta desse lugar e isso me assombrava por esse estranho ter me informado das cobras, eu tinha pavor delas. -Deus cadê o senhor que não me salva desse sofrimento? Perguntei cansada das lágrimas.
A luz do quarto foi apagada e devia se a hora de dormir, mas eu não havia jantado ainda e nem iria pelo o que estava obvio diante de mim. Eu estava sem sono e parecia que nem tão cedo ele viria, ultimamente eu tenho preferido dormir, mas tinha medo de acordar do outro lado, talvez fosse melhor assim do que sofrer tanto.
Do outro lado da porta ficou silencioso também e ele devia ter ido dormir com o estômago cheio. Tentei puxar os meus braços e as correntes me maltratavam, por fim me acalmei.
Estranhei por ouvir passos e a luz acendeu, pude observar o fiasco da claridade por debaixo da porta. Um falatório do outro lado da porta se iniciou, tentei prestar atenção e entendi uma palavra “Cullen” no meio das outras tantas que foram proferidas. Algo com “está feito” deu para eu entender bem, mesmo que estando um pouco complicado de escutar.
Parecendo que propositalmente agora, reconheci a voz de um dos brutamontes falando bem próximo da porta, tipo “se livre da garota e viva a sua vida daqui para a frente ”, fiquei apavorada com essas palavras e as vozes sumiram, parecia que se distanciaram ou até mesmo saíram do cômodo. Meu corpo agora tremia por demais e acho que era o meu fim. Eu desejava tanto o meu fim.
—Por que sempre que ele falava algo e agora esse homem, eu sentia tanto medo? Eu me perguntava assustada. Talvez Deus não me quisesse do lado dele ainda, não era a hora, eu tinha certeza.
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40min depois.
Pensei de o estranho vir até o meu quarto para acabar logo comigo, mas nem as vozes eu ouvi mais e a luz se apagou do outro lado da porta. O frio estava me torturando por eu estar descoberta e seminua, eu sentia tanta saudade do meu quarto, do barulhinho do ar, sentia tanta falta da minha liberdade e de minhas aventuras com os meus amigos. Eu me recordei do meu aniversário e jake foi tão legal comigo. Dei graças a Deus de eu ter me entregado a ele, do contrário eu estaria ferrada com os abusos desse estranho. Eu tive sorte nessa parte.
Eu gostaria tanto de saber como todos estavam ou o que os meus amigos estavam pensando a respeito do meu sumiço. Que desculpa os meus pais deram na escola, se é que deu tempo de eles fazerem isso. Foi tudo tão rápido, eu lamentava tanto.
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15min depois.
Por ter bebido muita água eu estava louca para fazer xixi outra vez e minha bexiga estava estourando. Olhei na direção da janelinha, mas a escuridão nublava os meus olhos, eu não enxergava nada a minha volta e com o passar dos minutos a minha vontade de fazer xixi foi aumentando, a minha vontade era tanta que pensei em chamá-lo pela palavra que eu entendi horas antes no meio das outras, a tal de “cullen”. Talvez fosse minutos ou horas, eu não sabia por estar por fora do horário e de minha sanidade mental. Cullen devia ser o nome dele, ou sei lá, eu só sei que eu faria xixi na cama se ele não viesse me atender. Ele iria me punir por atormentá-lo naquela hora da noite, mas eu precisava me aliviar e urgente. Comecei a chamá-lo e muitíssimo alto, eu não sabia onde ele estava descansando, a casa era enorme e não tinha cara de cativeiro, não mesmo.
—Culleeen, Cullen, Cullen. Eu preciso fazer xixi. Culleeen. Eu chamava e nada.... 2min depois. –Cullen, Cullen, Cullen. Chamei duas oitavas a mais e nada.......... 3min depois, comecei a gritar de propósito. —CULLEN, CULLEN, CADÊ VOCÊ? QUANDO NÃO PRECISA VIR, VOCÊ VEM! ESTRANHO CADÊ VOCÊ?...... 5min depois. –CULLEEENNN, CULLEEENNN. Eu já estava desesperada.
A porta foi aberta gerando um estrondo ao se chocar na parede.
—Está maluca? Perguntou ele gritando ao acender a luz e entrou no quarto furioso vindo colocar a arma em minha cabeça. –Eu estava tentando dormir! Infernos! Disse ele socando o colchão ao meu lado para me assustar. –Diz. Logo. O. que .você. quer? Dependendo do que seja, eu. Não. Vou. atender! Disse ele bem próximo de mim entre os dentes e reparei que ele vestia somente uma calça cumprida preta, os cabelos estavam desalinhados por ter acordado talvez assustado e vindo até a mim de imediato. Ou ele estava me ignorando de propósito deitado aonde quer que seja.
—Eu preciso me aliviar, estou apertada. Falei olhando para ele assustada e com os meus olhos um pouco esbugalhados, a raiva dele parecia estar triplicada.
—Precisa berra malditamente dessa forma?
—Não tem nenhum outro meio de chamá-lo.
—Como sabe o meu sobrenome? Até parece que não sabia e se faz de boba! Falou ele destravando a arma e minhas lágrimas rolaram por causa disso. –Se foram nos roubar, claro que sabiam a quem! Bandidos não são bobos! Não é? Que pergunta idiota a minha!
—Eu sem querer descobri quando um dos seus capangas falou ainda pouco, só isso e é a mais pura verdade.
—Deu para ficar escutando a conversa dos outros agora? Perguntou ele pressionando o cano da arma na minha cabeça.
—Fo.... fo... foi sem querer. Disse gaguejando e fechando os meus olhos.
—Não quero que repita o meu sobrenome! Está escutando? Responde!
—Ta, ta bom. Desculpe.
—Ótimo! Fará xixi só amanhã e saiba que os seus pais já não estão mais entre nós, dois malditos a menos!
—Não, não, não. Eu comecei a gritar e a me debater, eu não podia ficar sem eles e essa notícia foi como uma bomba para mim. Acho que eu enlouqueceria de vez e não me importei daquele revólver em minha cabeça. O Cullen se afastou para ficar me olhando calado. –Mãe, mãe, não! Seu maldito, eu te odeio, eu te odeio tanto! Era você quem deveria morrer e não a sua irmã! Seu desgraçado, seu desgraçado. Eu te odeio Cullen maldito! Falei a última frase baixinho e aos poucos tudo foi escurecendo, eu apaguei pelo tamanho pavor e desespero.
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Aos poucos eu fui despertando do torpor e notando que o quarto estava todo no escuro novamente. Minhas mãos estavam com a corrente bem folgadas para minha surpresa e me levantei não enxergando nada. A minha fome que estava duplicada me matava e minha bexiga estava protestando por estar cheia demais.
Sentei-me na cama e fui tateando com cuidado os lados e puxei uma das correntes que correu com facilidade, elas estavam enormes e isso era sinal que eu chegaria até o banheiro. Continuei tateando e desci da cama com cuidado, preferi ir engatinhando e fui na direção que eu ainda me lembrava, bati com a minha cabeça na parede sem querer ao me levantar e abri a porta, tateei a parede e ao alcançar o interruptor à luz não acendeu.
—Droga! Ele deve ter tirado a luz. Falei para mim mesma.
Voltei a engatinhar e bati minha testa em algo e tateei o que era, era o bidê e virei na direção contrária tateando a parede em busca do papel higiênico e achei um tempo depois. Comecei a chorar por lembrar dos meus pais e achei o vaso sanitário. Desesperada eu me sentei e me aliviei dando graças a Deus, cheguei a fechar os meus olhos.
Asseei-me com cuidado e dei descarga, voltei a engatinhar e fui na direção da pia, mas ali não havia água e eu queria lavar as minhas mãos. Ele deve ter fechado o registro daquele banheiro de propósito já que a minha penitencia era tomar banho naquele rio estupidamente gelado. Na certa ele pensou de eu trapacear ao despertar e usar o Box, ele tinha razão porque eu usaria mesmo. Sendo que do jeito que ele é, era capaz de me levar mesmo assim para tomar banho gelado mesmo tendo tomado quente. Aquela água era congelada. Eu estava ferrada.
Cansada daquele sofrimento eu me sentei encostando as minhas costas na parede e me deitei ali, comecei a sentir cólicas pela friagem e talvez pelos abusos estúpidos dele. Encolhi-me e deixei o torpor me dominar, eu estava com fome e o sono não vinha de jeito nenhum.
Fiquei deitada ali no chão e o frio da corrente me incomodava bastante, fiquei perdida em pensamentos até cair na inconsciência.
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Quarta feira. 2 de outubro.
06:05 da manhã.
Despertei e olhei para a direção da porta do banheiro, o quarto que estava meio escuro com um feixe de claridade vindo da janela no alto da parede. Devia estar amanhecendo.
Caminhei sem tanta dificuldade agora por estar um pouco iluminado, me deitei na cama arrancando o lençol dela e me cobri.
—Por que não pensei nisso antes? Perguntei para mim mesma agradecendo internamente.
Meu estômago roncava. Fiquei preocupada caso a minha estadia nessa casa fosse longa, em dez dias ou mais um pouco, não sei, eu ficaria naqueles dias. Fiquei aliviada por estar obvio que eu ficaria impossibilitada para os abusos dele durante cinco dias. –Mas como eu irei me assear?
Eu não tinha absorventes ali comigo e ele certamente não, mas aí eu me lembrei, ele poderia dar cabo de mim hoje mesmo. Recordei-me das palavras do capanga dele e chorei desesperada, eu nunca mais veria o pessoal porque os meus pais eles já haviam dado cabo e ao lembrar disso, eu soluçava durante o choro contínuo. Eu precisava escapar, eu precisava escapar. Eu pensava a todo o momento em que eu chorava.
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07:35min da manhã.
A porta do quarto foi aberta e me escondi por completo sob o lençol na mesma hora, era obvio que isso não adiantaria nada e foi mesmo, ele simplesmente puxou o lençol de cima de mim e me encolhi olhando para ele.
—Hora do banho.
—Tu. Tudo bem. Falei me sentando e levei a mão até a minha barriga ao sentir a fome me torturando. Tentei disfarçar.
Ele me vendou e percebi que ele soltou a corrente do gancho da parede, fui tateando o invisível e esbarrei em algumas coisas, mas dessa vez bem menos que a primeira vez em que saí do quarto. Chegamos do lado de fora e por ter me esquecido de degrau, eu caí mais uma vez e lamentei por sentir o meu joelho machucado. Sem reclamar eu me levantei e fui andando devagar, parecia que hoje ele queria me maltratar mais um pouco ao me fazer andar rápido e as cegas novamente.
Ao tropeçar numa raiz de arvore sobressalente eu fui ao chão, mas me levantei novamente e fui caminhando devagar quase parando. Sentindo a minha moleza ele puxou a corrente.
—Anda logo! Estou sem paciência para a sua moleza!
—Estou tentando, mas.....
—Mais nada! Ande logo!
—Ok.
Andei um pouco mais rápido sentindo as folhas baterem em mim e ao me lembrar das cobras me apavorei, elas poderiam ficar na entoca e sem enxergá-las era um pesadelo. A coceira provocada por causa das folhas estava me incomodando e tomar banho naquele rio congelado me mataria, mas o que eu poderia fazer? Nada!
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Percebi que a cachoeira estava próxima pelo barulho e paramos ao chegar lá. Comecei a tremer de antecipação por causa da água.
—Pode tirar a venda e vá tomar o seu merecido banho.
—OK.
Tirei a venda e a blusa esfarrapada, ele me entregou o sabonete e fui caminhando sentindo a friagem da água através do ventinho ali.
Ao pisar na água eu recuei, estava pior que ontem.
—Entre logo! Agora! Ordenou-me.
—Está fria demais. Falei olhando pra ele que mais uma vez estava vestido de preto. Seus olhos claros se destacavam, ele estava me olhando intensamente.
—Não quero saber, agora vá!
Corajosa eu dei um mergulho e sentir aquele choque em meu corpo me levou a loucura. Esfreguei o meu corpo rápido por causa do frio e não passaria o sabonete hoje em meu cabelo. Esfreguei cada parte do meu corpo sob o olhar dele e fui um pouco mais adiante para tampar com a água até os meus seios, eu não estava gostando de ser observada daquela forma. A friagem estava me maltratando e olhei para ele.
—Estou com o meu corpo coçando.
—Isso não é problema meu!
—Ficarei naqueles dias qualquer dia desses.
—Não se preocupe, antes eu te mato.
Calei-me após ele dizer isso e mergulhei na água, fiquei um tempinho imersa e emergi novamente. Eu teria que dar um jeito de fugir, mas como? Minha mente maquinava agora pra valer.
Uma ideia louca se passou na minha cabeça, talvez fingir que estava me afogando, mas ele era rápido demais. Eu tentaria porquê de qualquer jeito ele me mataria mesmo. Fui me escorando nas pedras e achei uma de tamanho suficiente que cabia em toda a palma da minha mão. Fui para um ponto estratégico e fingi que ali estava fundo e fiquei imersa por minutos, ele teria que entrar no rio congelado e não demorou muito escutei o mergulho dele na água, de olhos abertos eu vi a aproximação dele e bem próximo de mim eu dei uma pedrada no rosto dele e ele se afastou bem desorientado por ser surpreendido. Eu me distanciei dele com dificuldade por causa da água e subi pelas pedras com muita dificuldade mesmo, peguei outra e taquei em cima dele quando ele estava se preparando para subir e vir atrás de mim. Puxei a corrente por ele ter largado ao mergulha e corri de mata a fora, eu não sabia para onde ir e ouvi os passos dele logo atrás de mim, ele também corria, mas eu estava na vantagem.
Corri bastante e cheguei a cair algumas vezes, ao ouvir os passos dele próximo de mim eu me escondi em uma gruta pequena encoberta pelas folhas. Pro meu azar ele passou em frente a ela e só deu para eu enxergar o tecido preto da blusa dele, tive raiva que alguns morcegos moravam ali e voaram assustados chamando a atenção dele que já devia estar um pouco afastado dali.
Pro meu azar escutei seus passos bem próximo e ele me descobriria, tentei fugir correndo e segurando aquelas correntes pesadas, mas na hora do desespero ela caiu de minhas mãos e ele a pegou dando um tranco de uma só vez. Fui ao chão e ele veio igual bicho para cima de mim com o nariz sangrando, largando a arma no chão...
—Pra onde pensou que iria? Perguntou ele sobre o meu corpo nu. Fiquei cheia de folhas e terra em minhas costas, meus braços não ficaram atrás.
—Fugir de você seu desgraçado! Falei me debatendo em vão, eu não conseguiria fugir dele.
—Nua dessa forma? Até parece!
—Daria o meu jeito! Cuspi entre os dentes e ele sorriu de mim.
Ele puxou o meu cabelo e sem eu prestar atenção, ele já tinha aberto a calça e me penetrou sem pensar muito. Tentei afastá-lo, mas as sensações em meu corpo me dominaram totalmente. Eu tentava sair debaixo dele e ao friccionar o meu corpo sem querer no dele tentando fugir, piorou ainda mais as minhas sensações. Se fosse em outro caso eu diria que melhorou, mas ele era a razão do meu sofrimento. Não mesmo!
—Me solte! Seu porco!
—Sei que está gostando. Disse ele se movendo de forma vigorosa em mim e me olhava a todo instante.
—Nunca!
Prendendo os meus braços ao lado da minha cabeça, ele se movia sem parar um só segundo. Pensei em meus pais e a tristeza me dominou em meio ao prazer que eu estava sentindo justamente com ele. Travei os meus lábios ao sentir que eu estava gozando de forma violenta sob ele e não demorou muito para ele também gozar, só senti quando aquilo escorreu em mim. Fechei os meus olhos sentindo o prazer percorrer todo o meu corpo loucamente e ele não parou como eu pensei que aconteceria. Quem nos visse ali, diria que ele fazia porque estava gostando e seus dedos correram pelo o meu seio esquerdo apertando o bico. Ele se movia e fiquei sentindo as sensações em meu corpo cada vez que ele ia e vinha. Pensei no que eu estava passando para não dar o gostinho da vitória para ele, mas ele era tão bom no que fazia que nem isso adiantou, acabei gozando junto com ele e prendi com muito sacrifício o gemido que por pouco não escapou. Eu estava me detestando por ser fraca. Ele se afastou satisfeito e sorriu ao olhar para mim toda suja, minhas lágrimas vieram em abundância por ele ter feito isso.
—Tenho que confessar, você é a melhor safada que eu já comi. Deve ter sido por isso que ainda não te matei, mas quando chegar em casa, comece a rezar.
—Não vejo a hora disso acontecer. Falei me levantando e ele pegou a arma vindo até mim.
—Ande e cale a boca!
Fiz o que ele pediu. Eu estava toda suja de barro e folhas, agradeci quando demos na cachoeira outra vez. Jogando-me na água de propósito eu tive que me lavar outra vez, mas sem gracinhas da minha parte agora.
Vesti novamente a minha blusa após me secar e voltamos para o meu tormento sem eu estar vendada.
—Você não devia ter me violado sem camisinha, foi nojento e impróprio. Sinto-me suja agora.
—Parece que foi o contrário. Disse convencido.
—Tenho certeza que não! Foi contra a minha vontade e você pode estar doente ou com algo ruim no corpo. Você já é uma pessoa ruim para falar a verdade e eu sou uma pessoa limpa. Você não é digno de me possuir dessa forma. Não, você não é!
—Diga o que quiser e agora cale a boca! Disse ele atirando e o barulho assustou alguns passarinhos, inclusive a mim. –Cale-se e ande mais rápido! Sua moleza me incomoda! Disse entre os dentes.
—Fique sem jantar e sem o café da manhã para saber como é bom.
Continuamos caminhando e demos na casa outra vez. Fui vendada antes de eu entrar na casa e fui novamente para o quarto. Joguei-me na cama e dessa vez ele não reduziu a corrente, apenas fechou a porta após eu entrar e fiquei sozinha no quarto chorando. Cobri-me com o lençol.
Eu não o conhecia e ele poderia ter algo, alguma doença e me senti mal por causa disso e pela tentativa de fuga ter dado errado. Eu estava me detestando neste momento.
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30min depois.
A porta foi aberta e continuei da mesma forma, eu estava sentindo muita dor de cabeça e mal conseguia me mexer agora porque parecia que a minha cabeça iria explodir.
Ele colocou algo no chão perto da porta e ao olhar era o meu café da manhã. Ali tinha pão e um copo provavelmente com café, não deu para ver porque era de plástico e ambos estavam dentro de um prato. Eu incrivelmente havia perdido o meu apetite e deixei pra lá, virei para o outro lado e ignorei o que ele colocou pra mim. Acabei dormindo com as lágrimas descendo pelo o meu rosto.
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2h depois.
Despertei já chorando por não ter conseguido fugir e passei a mão em meu cabelo curto, eu estava detestando o meu cabelo daquela forma e me levantei para ir ao banheiro. Pelo menos eu não estava impedida de andar daquela vez e fui até o outro cômodo sentindo dor em meu corpo.
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Voltei para o quarto na hora que a porta foi aberta e o ignorei ao passar por ele. Ele reparou que eu não havia comido e olhou para mim.
—Não quis comer de pirraça? Ainda estou sendo simpático! Falou debochado.
—Não, foi pra ver se eu morro mais rápido e me livro logo de você!
—Nem tão cedo, apesar de que já passou da sua hora e será quando eu quiser. Estou mais relaxado agora que me livrei de dois intrusos e posso brincar com você até eu me cansar. Disse ele me avaliando lentamente e parecia que tinha nojo. -Seus amiguinhos não me importam mais, agora eu tenho algo muito melhor em minhas mãos.
—Não tem o direito sobre mim, você é desprezível!
—Sou o que você quiser.
—Encontrarei um meio de fugir.
—Quero ver. Disse ele sorrindo. –Por pouco você não quebra o meu nariz menina estúpida!
—Que pena! Falei sorrindo pelo rosto dele estar machucado pela pedrada. –Foi uma pena você não ter desmaiado na água e morrido afogado, eu estaria longe e livre.
—Quem ri por último rir melhor vadia!
—Não me confunda com as suas, talvez a sua irmã ou as suas primas. Você tem cara que não vale nada e ela devia ser a mesma coisa! Por isso passou o que passou!
Ele veio feito bicho e me bateu rudemente por duas vezes.
—Foi por causa de vocês que ela se foi. Disse ele raivoso apertando o meu pescoço me enforcando, eu me debatia por causa da falta de ar desesperada e sem ter como reclamar. Era horrível e eu tentava negar que não, eu não tinha culpa. –Ela só tinha quinze anos e era virgem quando a defloraram sem dó e piedade. Por que eu teria pena de você? Nos olhos dele eu via dor e raiva, ele sofria. -A espancaram sem ter culpa de nada até bem dizer a morte. Ficou desfigurada pelas maldades que sofreu por culpa dos seus, dos seus! Ambas foram encontradas quase mortas através de um telefonema anônimo e minha mãe se encontra internada cheia de marcas da crueldade. Ela não sabe ainda que perdeu a filha e ainda está......... Ele não completou a frase, ele berrava ao proferi-las e apertou mais o meu pescoço me levando a escuridão por causa disso.
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13min depois.
Despertei desorientada e com a pele do meu pescoço pra lá de dolorida, minha garganta ardia e me lembrei que ele me enforcou quase me levando a morte. Tive pena da família dele, pelo visto elas não tiveram culpa e esse era o motivo dessa dor visível nos olhos dele e a raiva para comigo. Mas será que ele não percebeu que eu era mais uma vítima também?
Meus olhos nublaram pela má sorte da jovem irmã dele, nem aproveitou a vida e roubaram a mesma dela covardemente. Chorei por tantas coisas ali sozinha e o meu estado era deplorável. Eu culpava os meus pais ao mesmo tempo em que sentia saudades deles. Eu só queria saber o real motivo de todos esses acontecimentos, o porquê das maldades para com elas.
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Era noite agora e eu não havia comido nada por opção minha, a escuridão cegava os meus olhos e passei bem dizer a noite inteira em claro.
Quando começou a clarear é que o sono chegou.
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Quinta feira. 3 de outubro.
13h da tarde.
Acordei me sentindo fraca e a minha boca estava seca, me encolhi na cama e fiquei olhando para a janela já que eu estava virada na direção dela. Permaneci dessa forma lembrando das coisas deliciosas que a minha mãe preparava e até eu mesma sem ser cozinheira de mão cheia. Eu dava o meu jeito, mas me recordava de como jake e os meus pais elogiavam o sabor da minha comida.
Lembrar em comida me deixou mais faminta do que já estava e escutei barulhos do lado de fora da porta, escutei um cachorrinho latindo, devia ser pequenino porque o latido era bem fininho. Pensei de estar ficando maluca e ouvindo coisas agora, mas escutei uma voz feminina conversando com o Cullen.
Olhei para as correntes e estavam dando a liberdade de eu ir e voltar do banheiro. Curiosa, eu me levantei da cama e tudo rodou por causa da fraqueza, tive que me escorar na parede para eu não ir ao chão. Encostei o meu ouvido na porta e ouvi a conversa.
—Acabei trazendo a tuquinha, não posso ficar com ela mais. Sinto muito e sei que é difícil de ficar com ela por ter sido da sua irmã. Sei que a cachorrinha o fará se recordar dela, mas preciso mesmo viajar.
—Obrigado Alice, a tuquinha me faz lembrar bastante dela, mas uma hora ou outra eu teria que trazê-la de volta para casa. O melhor de tudo é que quem nos roubou no porto já pagou. Na verdade, foram vários roubos e ficávamos devendo os donos sem termos culpa. Como os produtos davam grana, aconteceu algumas vezes só por ser bem bolado o plano, mas fomos espertos dessa última vez. Na primeira e na segunda perdoaram por uma boa quantia de dinheiro, mas na terceira aqueles russos malditos não perdoaram e acabaram se vingando por pensarem que estávamos roubando-os de propósito já que a carga era bem valiosa. A carga estava toda certinha da forma que nos entregaram, mas os bandos de ladrões foram espertos. Sendo que descobrimos quem facilitava os furtos e foi através dele que descobrimos quem era, era os Swans.
—Poxa primo, eu sinto muito por tudo que você e o meu tio estão passando. Sei que a minha tia terá alta em breve e sinto por ela ainda não saber que perdeu a filha.
—Não quisemos contar pelo seu estado delicado, ela está frágil e só pergunta pela filha quando não a sedam por ficar muito agitada pelo seu estado. Eu estou arrasado Alice.
—Eu sei Edward. Prometo fazer uma visita assim que eu voltar.
—Adoro você Alice e obrigado por tudo.
—Não há de que. Cuide bem dela, Brenda a adorava.
—Eu sei, pode deixar. Tuquinha é um doce de cachorra.
—Tem ido trabalhar?
—Não, ainda não fui.
—E o meu tio?
—Está arrasado e nem tem vindo aqui, prefere ficar longe de mim e só vai visitar a minha mãe. Ele se culpa um pouco por tudo que aconteceu.
—Eu o entendo, não há necessidade dessa vida torta. Não se sente só aqui?
—Não. Eu estou fazendo justiça com as minhas próprias mãos.
—Como assim Edward?
—Deixa pra lá Alice, eu não quero falar sobre isso.
—Olha lá hein Edward! Não vá se meter em mais problemas.
—Não se preocupe, estou para me livrar logo do último que restou. Tudo foi bem planejado antes e sinto-me satisfeito agora.
—Não sei o que dizer, mas tome cuidado. Preciso mesmo ir.
—Obrigado pela visita.
—Tudo bem.
As vozes sumiram e eu só escutava os latidos finos.
—Então ele se chama Edward? Perguntei para mim mesma. –Então ele deve se chamar Edward Cullen. Concluí.
A cachorrinha latia bastante e escutei quando ele começou a brincar com ela de forma carinhosa. Fui até o banheiro me aliviar e olhei para ver se a água estava aberta, para a minha sorte estava e fui olhar o chuveiro que pra minha surpresa estava funcionando.
Fiquei com medo de tomar banho e ele me castigar, tive dó pelo os meus pais terem sido os únicos culpados. Eles eram as vítimas ali e eu também por mais que Edward não acredite.
Resolvi tomar banho na água pura porque o sabonete estava com ele e não ali. Fiquei em pé no Box pela falta da toalha e a porta do quarto foi aberta, escutei os passos dele e me encolhi contra a parede de medo por ter tomado banho sem a ordem dele.
—Então já acordou....
—Desculpe por ter tomado banho. Falei apressada e me afastei da porta do Box. –Eu sinto muito pela sua irmã também.
—Não preciso da sua pena e nada que venha de você Swan!
—Não estou sentindo pena Edward, eu não gostaria que tive......
—Não importa as suas palavras! Nenhuma delas irá trazer a minha irmã de volta ou melhorar os danos causados em minha mãe! Como soube o meu nome? Perguntou ele raivoso se aproximando do Box e cobri como pude a minha nudez. –Como?
—Escutei a moça falando o seu nome. Desculpe.
—Anda escutando atrás da porta? Fui um tolo por facilitá-la com as correntes!
—Eu ouvi sem querer. Falei fugindo do olhar de raiva dele. -Eu sinto muito de qualquer forma pela sua família, você acreditando ou não e estimo a melhora da sua mãe. Falei pra mudar de assunto e bati as minhas costas na parede por ir andando pra trás sem olhar. Eu sentia medo dele afinal.
—Já falou demais, não acha?
—Preciso, eu preciso da toalha, você não deixou nenhuma aqui. Falei atrapalhada. — Não quis me castigar no rio hoje?
—Fique calada! Eu não gosto de falar com você!
—Sente raiva de mim, dos meus pais já falecidos por sua culpa, mas não sou assassina igual aqueles russos e você! Por favor, me deixe ir embora Edward.
—Já falei que não e agora não dirija mais a palavra a mim porque eu não vou escutar. Não fale o meu nome porque ele não merece ser pronunciado por você!
Ele saiu do banheiro enfezado e bateu a porta. Ele deve ter ido buscar a toalha, eu acho, pelo menos ele não me maltratou me batendo e permaneci no Box pra me secar um pouco.
Eu estava encharcada e seria impossível me secar rápido, acabou que ele me deixou sem a toalha e tornei a colocar a blusa esfarrapada. Eu estava faminta demais e ao olhar para as correntes em meu pulso só me deixava pior. Tomar banho de rio não devia ser mais uma boa forma de me punir por eu ter quase quebrado o nariz dele com a pedra e se não fosse os morcegos eu teria escapado com toda certeza. Há essa hora eu estaria longe e talvez perdida no meio da mata, mas eu estaria livre mesmo essa não sendo uma boa opção por existir perigos. Claro que Edward era perigoso, ele me maltratou tanto, facilitou aos inimigos do meu pai em sua captura e me violou de forma tão imprópria nada sadia. Eu estava acabada e sem esperanças, mas eu tentaria ser forte. Eu queria tanto estar em minha casa e com os meus pais. Eu lamentava tanto que acabei chorando no momento que eu retornei para o quarto. Joguei-me na cama e permaneci deitada de bruços, por fim meus soluços tomaram conta do quarto e escutei a porta abrir, nem isso me impediu de continuar chorando e escutei quando ele colocou algo no chão, eu não olhava na direção da porta.
Quando eu escutei a porta sendo fechada novamente, eu olhei constatando que ele colocou um prato de comida ali para mim. Eu tentei resistir e não comer, mas o meu estômago já estava dando voltas, eu não resistiria mais se não me alimentasse por já estar fraca demais.
Não pensei duas vezes e me levantei para ir pegar o prato, comi com as mãos e deduzi ser ele quem cozinhava, estava tão bom que comi rápido. Minha alma, o meu estômago e eu agradecemos pela comida.
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Levantei para ir lavar as minhas mãos e deixei o prato vazio no mesmo lugar que ele havia deixado. Fiquei em pé um pouco e fiquei pressionando o gancho na parede ao puxar a corrente com força. Se aquilo soltasse, seria o primeiro passo para eu tentar fugir, mas Edward foi esperto por não deixar nada que me facilitasse no banheiro ou no quarto. Ele foi esperto.
Por um bom tempo eu fiquei puxando a corrente pra cima e pra baixo para ceder os pinos, sendo que tomei cuidado pra não fazer barulho e despertar a curiosidade dele.
Fiz tanta força, mas tanta que cheguei a ficar com as minhas mãos doloridas pelo pino não estar cooperando muito. Estava bem pregado para a minha infelicidade, mas mesmo assim eu continuei tentando até escutar barulho na porta e eu praticamente me joguei na cama para não ser pega. Ele abriu a porta e me olhou, eu estava um pouco ofegante por ter quase sido pega no flagra e me ajeitei melhor na cama sob o olhar dele.
—Não quis rejeitar a comida? Eu apenas neguei com a minha cabeça.—O gato comeu a sua língua?
—Não deixei de comer porque eu estava com muita fome. Estou sentindo dor de cabeça e em todo o meu corpo.
—Não quero saber!
—Edward, eu juro que não sabia o que os meus pais faziam. Eu não tenho culpa de nada de mal que aconteceu com a sua família. Eu sinto muito pelos danos e.....
—Mas deve sentir falta da vidinha que o papai te dava não sente?
—Sinto falta da minha liberdade e de muitas coisas, sou vitima igual foi a sua mãe e a sua irmã, por favor, não me castigue mais.
—Não dou a mínima pelo o que você fala ou pede! Não deram quando a minha irmã e mãe imploraram!
—Então me mate logo! Ordenei gritando e as lágrimas rolando. –Se me maltratar trouxesse a sua irmã de volta, ela já estaria aqui, mas não! Não irá trazer porque ela nunca mais irá voltar para o meio de vocês e eu sinto muito.
—Nem os seus pais irão voltar, dê graças a Deus por isso!
—Não posso fazer isso. Falei baixo e me sentei na cama.
—Pois devia!
A cachorrinha apareceu na porta e era uma gracinha.
Ao olhar para mim ela se aproximou vindo ficar ao meu lado, mas quando eu fiz menção de pegá-la, ele pegou a cachorrinha no colo de propósito. Minha expressão chegou a mudar pelo ato dele.
—Não quero que você toque nela.
—Então se lembre disso antes de violar o meu corpo. Sou mais pura e boa de coração que você! Deve estar metido em coisas sujas, já que ladrão atrai ladrão. Já eu não sabia de nada! De nada!
—Fale o que vier na mente, desembuche e desabafe, eu sou do tipo que não me abalo por fêmeas do seu tipo!
—Então diga qual é o meu tipo, quero saber o que pensa de mim. Mas saiba, não me importarei muito por saber o meu valor, agora você não vale mais que uma moeda de dez!
—Oh! É mesmo? Então porque na hora que eu te pego de jeito como um homem de verdade e não como o bobão do seu ex-namoradinho playboyzinho, eu sinto que você gosta? Não devo ser tão ruim da forma que você afirma! Disse ele colocando a cachorrinha no chão e veio ficar sobre mim. Eu não podia fugir por estar impossibilitada pela força dele.
—Não gosto de você! Eu odeio o que faz comigo e com o meu namorado era diferente porque eu também queria, já com você é contra a minha vontade!
—Não me importo! Costumo ter aquilo que eu quero e isso já basta! Disse ele levantando a minha blusa e tocou em meus seios, me movi inquieta e ele colocou a mão em meu sexo. Seu dedo correu por ali, por fim eu parei de me mover e fiquei olhando para ele, ele fazia o mesmo. Cada vez que os dedos dele se moviam em mim eu sentia que as sensações aumentavam cada vez mais. Eu não queria sentir coisas boas com o homem que levou a ruína da minha família, fiquei calada no meio daquele conflito de pensamentos e sensações, mas fui surpreendida e tirada de minhas divagações quando ele invadiu o meu corpo, isso me roubou um gemido alto e fechei os meus olhos.
—Não feche os olhos! Ordenou.
Tornei a abri-los atordoada e deduzi que eu era o pior ser humano do mundo. Eu não seria perdoada por sentir prazer com aquele homem e se fosse para o ego dele me ver na decadência e na pior, ele conseguiu.
Meu corpo respondia intensamente ao dele, meu sexo flamejava com as investidas e senti a minha lubrificação triplicar para a minha vergonha. Estava bom demais, delicioso demais e era como eletricidade faiscando em todo o meu corpo, todo ele piscava naquele momento. O cheiro caro dele era maravilhoso, sua forma de me invadir e, tudo isso contribuía para minha ruína. Acabei explodindo de forma louca e travando os meus lábios para não gemer, eu estava suada e o meu corpo pegava fogo nesse momento. Eu tremia por causa do prazer.
Ao se sentir saciado ele parou de se mover, mas ele tornou a me olhar com raiva e saiu de cima de mim sem se importar de estar com o seu sexo avantajado a mostra. Havia resíduo de semem na cabeça do sexo dele e ele devia ser do tipo que não sentia muita vergonha, descarado para ser mais exata. Já eu estava sentindo vergonha por ter que olhá-lo estando dessa forma.
Abaixei a blusa que mal tampavam as minhas partes estando envergonhada e joguei o lençol sobre o meu corpo no momento que ele saiu do quarto levando a cachorrinha junto.
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3min depois.
Corri para o banheiro e tomei banho gelado, esfreguei o meu corpo como se eu tivesse o sabonete em minha mão. Lavei-me por um bom tempo, eu precisava tirar a vergonha do meu corpo e da minha alma se fosse possível.
Abaixei-me ali no Box e deixei a água correr sobre o meu corpo, as correntes me incomodava e minha vontade era de gritar, me escabelar e fiquei ali horas e horas deixando a fria água me lavar da cabeça aos pés.
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Chorei até não aguentar mais. Olhei para as minhas mãos e os meus pés que já estavam enrugados por causa da água, mas a minha vontade era de continuar ali.
Permaneci sentada sob a água e comecei a tremer de frio, eu não estava me sentindo muito bem talvez pela má alimentação que não era exata e sim na hora que ele queria. Bebi um pouco de água sem ter opção melhor e decidi que o melhor seria sair daquela água pra me enxugar só Deus sabe como. Não havia toalha e decidi que seria melhor eu me enxugar com aquela blusa, ela precisava ser lavada e foi o que eu fiz mesmo tendo que ficar nua depois. Eu era vaidosa, limpa e aquela blusa já tinha passado da hora de lavar.
Abri a torneira da pia e esfreguei o tecido esfarrapado com água pura até senti que já estava limpo. Torci bastante e pendurei na pia, agora quando secaria eu não saberia por não bater sol ali.
Voltei para o quarto e deitei me cobrindo, tremi um pouco sob o fino lençol e acabei dormindo momentos depois pensando nos meus estudos.
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4h depois.
Já cansava de ser noite quando eu acordei. Metade do meu corpo estava descoberta e eu me encontrava de barriga pra cima com ambas de minhas mãos em cada lado do meu corpo, por sorte a luz estava acesa e não no breu. Eu precisava me aliviar, mas senti-me fraca demais ao levantar e tudo rodou me levando a inconsciência.
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Eu não sei dizer quanto tempo eu levei para acordar, só sei que eu despertei deitada na cama e uma bandeja de comida estava ao lado dela. Comi necessitada e havia uma boa quantidade ali no prato dessa vez, estava morna. Pode ser que um resquício de piedade se passou no coração dele ou mesmo para se livrar de eventuais problemas gerados pela a minha falta de alimentação. Acho que ele queria que eu estivesse forte para continuar com as maldades, é poderia ser isso mesmo.
Terminei de comer e me levantei para ir lavar as minhas mãos. Fui andando devagar e lamentei ao olhar para o meu corpo com várias partes escoriadas pelos tombos, eu estava horrível. Entrei no banheiro e fui me aliviar, toquei a blusa constatando que ainda estava molhada, acho que fiz besteira em lavá-la, mas já era passada a hora de tirar o suor do tecido e até mesmo a sujeira da mata por causa de minhas quedas.
Lavei as minhas mãos e quando decidi voltar para o quarto que passei pela porta do banheiro, ele acabava de abrir a porta do quarto e voltei sentindo-me acanhada por estar nua.
—O que deseja dessa vez? Perguntei escondida atrás da porta do banheiro.
—Ora bolas, eu estou na minha casa. Nunca se passou pela a sua cabeça que eu posso ir onde eu quiser?
—Disso eu sei.
—Pare de frescuras, não é bem o seu tipo.
—Não sabe nada de mim para afirmar isso! O. o que você quer?
—Vim pegar o prato, não estou com paciência de lidar com doentes. Prefiro dar cabo deles de uma vez!
—Não quero saber, só me deixe em paz! Deixe-me ir embora Edward!
—Estou saindo. Não gosto da sua voz como já deixei claro!
—Eu quero ir para a minha casa.
—Aé e como acha que irá sobreviver se não trabalha? Seus pais já eram! Ou vai viver da herança das drogas?
—Posso me virar!
—Não pode não! Tomara que quem se encarregou de dar cabo deles, possam ter tirado tudo de vocês!
Sai de trás da porta ao ouvir isso e deixei as lágrimas rolarem, uma raiva se apossou de mim e sai do banheiro indo à direção dele, ele estava sem a arma por ter garantia de eu ser frágil e estar acorrentada. Com quem não quer nada eu me aproximei e dei um forte tapa no rosto dele, a minha vontade era de matá-lo com as minhas próprias mãos. Impedindo-me de continuar e segurando em meus pulsos, eu dei um chute nele mesmo assim.
—Isso é para você aprender! Sou capaz de te matar por todo mal que fez a minha família. Falei sentindo-me bem raivosa.
—E vocês, hum? Você acha pouco o que fizeram com a minha?
—Não foram os meus pais quem judiou delas! Por que não se vingou nos verdadeiros culpados?
—Os verdadeiros culpados foram os ladrões do bando chefiado pelo os seus pais. Quem olhasse não diria a dupla de safados que eram!
—O mesmo eu penso de você! Eu te odeio.
—Agora calada. Disse ele tirando a arma que estava escondida em suas costas. –Está pronta para morrer? Perguntou ele destravando a mesma e me empurrou fazendo com que eu caísse de barriga pra cima na cama. Vindo ficar sobre mim, ele colocou o cano na minha boca, meu pavor era imenso e tremi de medo. –Vai continuar enchendo o meu saco? Perguntou ele começando a apertar o gatilho. Eu apenas neguei com a cabeça assustada, meus olhos faltavam pular. –Vai continuar me agredindo? Não tem o direito de tocar em mim, suas mãos estão sujas de sangue Swan. Vai continuar me desacatando? Perguntou ele pressionando aquilo na minha boca mais ainda e eu neguei veemente que não. –Ótimo! Estamos conversados.
—Já conseguiu a morte dos meus pais, faça o mesmo comigo ou me deixe ir. Não posso ser a sua prisioneira para o resto da minha vida. Já disse que você não tem direitos sobre mim
—Tenho sim. Posso fazer o que eu quiser com você e até me distrai possuindo-a da forma que eu bem entender.
—Me machucar, por exemplo?
—Não vem com essa. Sei que por mais que você tente, eu sinto as contrações da sua.... Disse ele levando a mão até o meu sexo e passou os dedos bem devagar nela. –Sei que gosta pela forma que fica molhada.
—É nojo que eu sinto! Ele sorriu.
—É mesmo? Não acredito!
—Arranje outra mulher, vá se divertir com elas e me deixe em paz!
—Pra que se eu já tenho uma aqui em casa?
—Não sou sua, nunca serei.
—Farei o que eu quiser! Agora fica quieta por pouco não te matei.
—Às vezes não parece que irá realmente me matar. Já teria feito se fosse verdade!
—QUER APOSTAR? Perguntou ele alto e colocou a arma para pressionar a minha barriga.
—Não, não. Eu. Eu não quero.
—Está com medo de morrer?
—É, eu estou.
—Ótimo! Se lembre disso antes de aprontar de novo.
—Se lembre Edward, você não vai poder ficar ao meu lado para sempre.
—Tenho quem faça! Da mesma forma que a minha irmã perdeu a juventude, você terá o mesmo castigo.
—Não irei não. Ele sorriu.
—Veremos!
A cachorrinha entrou no quarto e ficou latindo. Era linda demais e minha atenção pra ele morreu, era só aquela coisinha pequenina e encantadora que estava no foco do meu olhar.
—Tuquinha. Falei sorrindo, aí que a danadinha latiu abanando o rabinho para mim. –Você é linda.
—Não quero que dirija a palavra a ela.
—Não consigo ser egoísta.
—Vai dormir! Estou cheio de você! Disse ele saindo de cima de mim e tampei o meu corpo com o lençol na mesma hora.
—Se vai me deixar aprisionada, pelo menos coloque um sabonete e coisas para a minha higiene. Uma toalha decente e outra roupa para eu usar. Não gosto de ficar nua na sua frente. Não gosto de ficar dessa forma para você! Com você é só desgosto, eu tenho um imenso nojo.
—Tenha uma má noite! Disse ele me ignorando e pegando a cachorrinha que ainda latia. Ele saiu do quarto levando o prato junto com a arma e bateu a porta.
Comecei a matutar justamente quando o quarto ficou no breu, ele havia apagado a luz. Eu precisava fugir e ele só me ameaçava, me maltratava, mas matar mesmo eu sentia que não. Talvez eu pudesse me surpreender qualquer hora dessas, caso ele se enjoasse de minhas reclamações e por pedir para ir embora, acho que ele acabaria atirando em mim de verdade. Constatei que ir embora seria o mesmo que denunciá-lo, mas me lembro das palavras dele quando me disse que conhecia muitos policiais. Ele devia ser influente, dinheiro não devia lhe faltar pela grandiosidade dessa casa. Eu estava ferrada mesmo, mas eu esperaria o momento certo.
Não consegui dormir durante a noite mais uma vez e todo esse tempo em que fiquei acordada, eu me recordei das palavras dele.
Dormi quando o dia amanheceu.
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Sexta feira. 4 de outubro.
14:45min da tarde.
Acordei com ele puxando o lençol e me sentei na cama com uma rapidez incrível por causa da minha nudez.
—O que é agora? Eu estava dormindo! Falei um pouco desorientada.
—Acho que já dormiu demais!
—O que tem demais? Não faço nada aqui mesmo e o que há de mal em dormir?
—Já passou da hora de acordar, quero me divertir mais um pouco. Disse ele sorrindo. Ele era um homem muito bonito, eu reparava-o minuciosamente, mas tão mal comigo.
—Não! Por favor, eu não estou a fim! Falei desesperada pelo possível abuso.
—Não me importa o seu desespero, agora vá tomar logo o seu banho!
—Não estou suja!
—Não quero saber, agora levante e me obedeça!
—Não é o meu pai para me mandar!
—Graças a Deus que não! Quer que eu a leve a força? Perguntou ele se aproximando e eu desci da cama às pressas passando por ele bem acanhada enrolada no lençol.
Entrei no banheiro e encontrei o que eu precisava, toalha de banho limpa, escova e pasta de dente, mas ao tocar na blusa que eu havia lavado, ela ainda estava úmida por ali não bater sol. Escovei os meus dentes e fui para o Box notando o sabonete que eu tomava banho na cachoeira ali. A água fria incomodava, mas ignorei esse aspecto e me lavei da cabeça aos pés com o sabonete, era uma situação deplorável a qual ele me submetia.
Agora eu me sentia pouca coisa limpa, mas ao me lembrar que ele se aproveitaria de mim me deixou ainda pior. Observei a raiz escura do meu cabelo bem crescida e me detestei, eu adorava os meus cabelos loiro e muito bem retocados. Eu estava parecendo um espantalho cheio de escoriações pelo corpo e o cabelo curto com a raiz crescida. A verdade era que eu estava péssima, mas ao sair do banheiro levando o lençol em minha mão eu não o encontrei, a porta estava fechada. Dei graças e fui me sentar na cama enrolada na toalha
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10min depois.
Escutei Edward abrindo a porta e me virei na cama rápido ficando de barriga pra cima, eu o encarava. Com rapidez eu abri a toalha ficando completamente nua na frente dele e observei que ele segurava um prato de comida na mão.
—Pra que está abrindo a toalha? Perguntou ele me olhando sério.
—Você deixou claro que queria abusar mais um pouco de mim.
—Perdi a vontade! Agora coma e fique quieta!
—Tudo bem, não precisa ser grosseiro. Falei pegando o prato da mão dele e reparei que a cachorrinha entrou no quarto sem ser percebida por ele. Ela passou para debaixo da cama.
—Não preciso que você diga como eu devo agir!
—É você quem faz a comida? Perguntei tentando amenizar a ignorância dele e até mesmo evitar punições.
—O que tem ela? Se estiver ruim eu levarei o prato de volta e ficará sem comer por ser reclamona demais!
—Não, não é isso. Ela está boa de verdade.
—Que seja, agora me deixe em paz!
—É você quem vem aqui me torturar. Vou te deixar em paz no dia que você me deixar livre.
—Vá sonhando. Disse ele saindo do quarto e fechou a porta.
Dando a falta do dono, tuquinha saiu do outro lado da cama e foi na direção da porta, mas eu a chamei de forma carinhosa.
—Vem cá bolinha de pêlo. Ela era linda e pequenina.
Sentei-me na beirada da cama e ela abanava o rabinho para mim sem latir. Terminei de comer e fui lavar as minhas mãos tendo a companhia dela, sem resistir eu a peguei no colo. Seu cheirinho era bom demais, bem perfumada, mas contendo a essência canina.
Parecia um veludinho de tão macia e fui me sentar na cama com ela em meu colo. Ela queria lamber o meu rosto, ela se movia sem parar, diria que era espoleta.
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1h ½ depois.
Ficamos um bom tempo brincando, foi como terapia ter a companhia dela e parece que ele deu falta da cachorrinha. Ele começou a chamá-la.
—Tuquinhaaaa. Chamava ele sem parar e eu fiquei quieta com ela em meu colo.
Passaram-se minutos e ele ainda chamava ela pela casa, teve vezes que eu não ouvia, ele devia se afastar, então era impossível de eu ouvi-lo. A cachorrinha ficou quietinha no meu colo e eu me permitir sorrir por fazê-lo de bobo, ele era perverso comigo mesmo.
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35min depois.
—Tuquinha. Chamou ele novamente e a cachorrinha decidiu latir, na mesma hora a porta foi aberta e ele passou por ela feito touro. –Você me ouviu chamando-a por todo esse tempo e não me falou que ela estava aqui! Por quê?
—Eu estava brincando com ela.
—Mas que droga! Não quero você perto dela!
—Não é o que ela pensa, ficou quietinha em meu colo por todo esse tempo.
—Calada! Agora. Me. Dê. A cachorra! Disse ele vindo pegá-la de meu colo.
—Jamais faria algum mal a cadelinha. Não sou da sua laia. Você é malvado Edward!
—Está a fim de ser castigada? Então não encha o meu saco!
—Eu quero ir embora, preciso sair desse inferno Edward, por favor!
—Implore o quanto quiser! Agora para de pronunciar o meu nome, não fica bem saindo da sua boca!
O ignorei e abaixei a cabeça, eu estava farta daquilo tudo e ele bateu a porta ao sair levando a cadelinha. Palavras duras sempre me feriam e deitei-me na cama. Eu não sabia até quando isso duraria, não mesmo.
Restava-me apenas chorar e não ter ninguém para me consolar. Eu sentia muitas saudades.
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A noite chegou mais rápido do que eu imaginei, escutei tuquinha latindo e era bem agitadinha a cadelinha. Deu-me sede e resolvi ir até o banheiro engatinhando por sentir medo de me ferir ainda mais, era a única solução que eu tinha. Bebi água da pia sem ter como enxergar direito, de noite ele cortava a luz do quarto e do banheiro. Parecia que os dois cômodos foram preparados para o meu tormento.
Bebi bastante água e fui me aliviar. Tomei um banho gelado e evitei molhar a cabeça, me enxuguei e fiz um coque com o que me restou de cabelo. Eles estavam em meu ombro, curto demais para ser sincera e para o meu gosto.
Eu não sabia se haveria o jantar, então esperaria mais um pouco. Eu estava por fora do horário e boiava literalmente em relação ao relógio. Voltei para o quarto engatinhando após pendurar a toalha no local adequado, ela teria que secar mesmo não tendo muita ventilação ali. Ao tatear a cama me levantei e fui me abrigar sob o lençol. Passou-se muito tempo e a janta não devia vir, meu estômago já roncava loucamente.
Fui dormir com fome.
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Sábado. 5 de outubro.
10:30 da manhã.
Despertei aos poucos, passei a minha mão sobre o meu estômago e me sentei na cama abraçando as minhas pernas em seguida. Despertei de minhas divagações ouvindo uma voz diferente e era de um homem, levantei da cama e fui encostar o meu ouvido na porta me descuidando das correntes, uma dela se chocou levemente na porta.
—Pai, eu vou preparar um café para nós dois. Vamos para a cozinha?
—Ok filho. Falou o homem que portava uma voz bonita, porém através dela demonstrava muita tristeza.
Era notável o sofrimento, mas não era para menos o que os dois estavam passando. Pode ser que ele devia ter outros irmãos já que eu não sabia nada dele e com certeza, todos da família deviam estar sofrendo com os transtornos junto deles. Edward era um homem muito bonito e a irmã falecida não devia ficar atrás, por isso sofreu abusos como afirmou Edward. Era deplorável a situação que eu estava levando não sendo mais virgem, imagina ela que era e nem teve chance de ter o seu momento com alguém especial como dizia a minha mãe. Lembrar deles me traziam as lágrimas e fui para o banheiro arrasada escovar os meus dentes. Após escová-los, eu bebi uma quantidade generosa de água para encobrir a falta de alimento.
Era visível o sofrimento ao me olhar no espelho. Meus olhos azuis não portavam aquela alegria de antes, estavam caídos e fundos, minhas unhas estavam com o esmalte descascando e duas delas estavam rachadas por causa das quedas na mata.
Voltei para o quarto e me sentei na cama, resolvi olhar para a janela no alto da parede e queria ser um passarinho pra voar para bem longe dali das garras desse homem e fugir. Só Deus sabe quantos minutos ou horas eu fiquei sentada na cama.
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2h depois.
Voltei a escutar as vozes e fui imediatamente para a porta.
—Então é isso filho, eu estou indo visitá-la agora, terá alta hoje. Não vem comigo? Está distante demais filho.
—Agora não pai. Darei um jeito de ir vê-la depois.
—Você está estranho filho. O que há de mais errado além de tudo até hoje?
—Nada com o que o senhor deva se preocupar, já temos problemas demais para resolver e esse só cabe a mim.
—Tudo bem filho. Fico feliz que ela já está indo para casa e soube que você tem ido pouco lá, não está indo trabalhar. O que há com você filho?
—Como eu já disse, não há com o que se preocupar. São coisas minhas! Vê-la só piora a minha situação, mas darei um jeito. Teremos muito tempo quando ela chegar em casa.
—Ela não quer vir pra cá como você sugeriu, ela prefere ficar na outra casa, a nossa casa Edward. Pobre Esme, nem sabe da morte de nossa filha e já passa de um mês e meio que está no hospital se recuperando. Disse o homem às lágrimas e as minhas também desceram. –Não sei como informá-la filho, eu não sei de verdade. Sinto falta de Brenda e de sua alegria, eu sinto falta da minha filha, filho.
—Eu sei disso pai, eu também sinto falta. Falou Edward firme.
—O que faremos com a Esme naquele estado? O que filho?
—Juro que resolveremos. Afirmou Edward. –Vou ficar presente, faça o mesmo.
—Preciso ser forte filho e sinto que ainda não estou.
—Seremos pela minha mãe.
As vozes sumiram novamente e voltei a me sentar na cama. Olhei para as correntes muito bem presas em meu pulso e me deitei desconsolada.
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10min depois.
Fui até o banheiro enganar o meu estômago enchendo-o de água novamente, eu estava faminta demais e tremia de fome já. Sem opções melhores eu fui me sentar no Box e deixei a água gelada cair sobre mim, eu já estava nauseada de ficar no quarto sobre aquela cama. Perdi a noção do tempo ficando praticamente jogada no banheiro, sentia-me no meu limite e permaneci de olhos fechados por longos minutos. Deixei de prestar atenção em tudo a minha volta, mas despertei ao ouvir a porta do quarto sendo aberta e não liguei, permaneci da mesma forma, eu parecia um zumbi sentado no chão do Box de qualquer jeito.
Escutei os passos dele se aproximando e coloquei as minhas duas mãos tapando o meu rosto, eu não queria vê-lo e decidi me virar para a parede. Eu estava com vergonha de mim mesma, eu estava horrível demais. Sem pensar muito, ele veio até o Box e desligou o chuveiro, mas algumas gotículas de água fria continuaram caindo em cima de mim.
—Está desperdiçando água à toa! Falou ele sem ter um pingo de dó, acho que a visita do pai dele piorou as coisas e o ignorei, sentia-me fraca e exausta das maldades. –Não precisa fingir que não está ouvindo!
—Eu estou ouvindo! Falei me virando para ele e o encarei.
—Ótimo! Não gosto de ser ignorado.
Levantei-me devagar e passei por ele. Sequei-me como se ele não estivesse ali comigo e vesti a blusa que estava úmida em algumas partes. O calor do meu corpo a secaria e fui para o quarto, minha vontade era de socá-lo e me vingar das maldades sofridas, mas na luta corporal eu sairia perdendo. Não há dúvidas que eu sairia perdendo.
Meu andar era devagar e vi o prato de comida sobre a cama, internamente eu dei graças a Deus e fingi ignorar ao me sentar na cama. Edward estava na porta do banheiro me olhando e em nenhum momento eu olhei nos olhos dele, permaneci sentada e fingindo olhar a minhas unhas. Eu o detestava tanto que chegava a doer e interrompi aquele silêncio opressor.
—Sua presença é dispensável, me deixe em paz. Ou quer me assistir comendo com as mãos? Isso deve lhe agradar. Não é? Não suporto mais olhar para você, sinta-se feliz por eu já estar sofrendo. Mas saiba que não há o que pôr ou tirar, você se tornou igual ao agressor ou agressores de sua irmã e sua mãe. Está se vingando em uma inocente!
—Não acredito nisso e suas palavras não me ofendem, já te falei isso!
—Pois saiba que se quiser me matar, eu não ligo! Agora pouco me importa mesmo. Vai, ande logo e aperte o gatilho! Manche mais ainda as suas mãos de sangue!
—Não tenho as minhas mãos manchadas de sangue. Cedo ou mais tarde seus pais dançariam mesmo e ficaria órfã de qualquer jeito. Sabe disso. A vida que vocês levavam traz consequências, por isso o papaizinho e a mamãezinha tinham medo da filhinha do coração andar por ai desprotegida, mas eu fui mais esperto. Poderia ser eu ou poderiam ser outros que pá, pá, pá e pronto. Já eu preferi me divertir como fizeram, acredite que isso ainda é pouco, aliás, nada em relação ao que fizeram com elas!
—Está esperando o que então? O desafiei sem ter medo, a situação estava precária para o meu lado mesmo.
—Isso quem decide sou eu!
—Não tem coragem, é fraco demais para fazer com as próprias mãos!
—Fale, esperneie e pense no que quiser à vontade, mas coma de uma vez!
Após falar ele saiu do quarto e bateu a porta audivelmente, sua raiva era tamanha para comigo e comecei a comer desesperada. Meu estômago doía por estar vazio e atropelei a dor mastigando um pouco rápido. Estava bom e em grande quantidade para minha sorte, eu teria estômago para comer aquilo tudo por ter ficado muitas horas sem comer. Quando terminei de comer lambi os meus dedos, minha fome havia sido saciada e fui escovar os meus dentes sentindo-me bem aliviada. Isso por agora, enquanto eu não escapasse das garras dele não haveria descanso ou alívio.
Lavei as minhas mãos e voltei para o quarto, coloquei o prato próximo da porta e me deitei na cama. Acabei cochilando um pouco tranquila pela barriga estar cheia.
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2h depois.
Acordei e estava tudo em silêncio, parecia que não havia ninguém em casa e fiquei andando pelo quarto pra lá e pra cá, eu precisava me exercitar um pouco. Cheguei a colocar o ouvido na porta, mas nada, ele devia ter ido sair.
Olhei para a corrente na parede e fui até o banheiro, mas não havia objeto duro e resistente o suficiente para arrebentar aquelas correntes malditas. Voltei para o quarto e fiquei puxando-as, dava arrancos e pintava o sete tentando danificá-las, mas estava sendo em vão. Ele não devia estar em casa mesmo e levantei a cama, comecei a chocar os pés dela de encontro a corrente causando um barulho imenso, a cachorrinha começou a latir do outro lado e nada dele vir ver o que eu estava fazendo. Cheguei a danificar o chão e desisti, se eu continuasse estragaria e quebraria causando danos maiores. Para evitar punições eu coloquei a cama em posição diferente e me deitei exausta, eu estava esgotada por usar muita força sem ter muita sobrando. Olhei para os meus pulsos que estavam vermelhos por eu ter feito muita força e os escondi sob o lençol caso ele viesse até o quarto quando chegasse, eu poderia estar dormindo e então ele não veria. Ele descobriria por ser esperto demais.
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Muitas horas depois.
21h da noite.
Já era noite, quando ouvi barulhos e a cachorrinha começou a latir pra valer, ele havia chegado em casa. Eu estava no escuro há horas e lembrei de meus braços, os escondi e lembrei do meu estômago também que já cansava de estar vazio. Se eu estivesse em minha casa estaria fazendo uma macarronada ou um lanche simples que eu tanto gostava, o misto quente. Eu daria tudo para estar estudando, passeando pela praia de Solares ou mesmo comendo os deliciosos hambúrgueres que o Duque preparava no trailer dele. Eu sentia saudade de tudo, até da escova de pentear cabelos porque os meus estavam uma gaforina todo embolado.
Não ouvi mais barulho, ele deve ter ido para um cômodo mais afastado. Sentei-me na cama e me cobri com o lençol, estava um pouquinho frio hoje e juntando com a fome não me facilitava em nada.
Fique com esperança de jantar por muito tempo, mas a perdi com o passar do tempo e do silêncio que permaneceu. Ele deve ter ido dormir e sem dó ou piedade me deixou mais uma vez faminta, constatei tristemente.
O sono não queria vir por eu estar com o meu estômago roncando e acabei passando a metade da noite em claro, o meu consolo foi ir engatinhando até o banheiro beber água para enganá-lo de alguma forma. Eu estava me sentindo trêmula e voltei para o quarto, me joguei na cama ficando de bruços e solucei junto com o choro que se tornou incessante. Acabei pegando no sono momentos depois.
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Domingo. 6 de outubro.
11:15min da manhã.
Acordei da mesma forma que eu havia dormido e me virei para ficar de barriga pra cima, acabei tomando um susto com Edward ali me olhando e raiva contida, era o que dizia o seu olhar. Olhei para os meus pulsos disfarçando e tornei a olhar para ele me cobrindo melhor. Senti medo dele naquele momento, eu não tinha argumento, não com ele olhando daquela forma para mim. Encolhi-me na cama porque se fosse possível eu viraria gelatina com o tanto que eu me encolhi, a arma estava na mão dele e eu não me encontrava corajosa como da última vez.
—Tentou fugir? Perguntou ele com a voz carregada por causa da raiva.
—Nã. Não.
—Não gagueje e fale direito! Exigiu ele alto.
—Não tentei fugir, eu, eu juro. Menti. –Não tentei fugir não Edward. Falei chorando.
—Então porque tentou encobrir o seu ato com a cama? O chão está todo trincado! Diga-me a verdade ou eu a arrancarei da minha maneira! Diz!
—Não tenho o que dizer, eu sem querer suspendi a cama, mas como eu estou fraca de fome, eu a deixei cair e estragou o chão.
—Se pensa que vou acreditar nessa sua mentira, está muito enganada! Não tenho mais tempo, terei que matá-la. Disse ele destravando a arma e apontou na minha direção.
—Não me mate, por favor, Edward, não me mate, eu não fiz nada de mal para a sua família. Eu não tenho culpa, eu, eu sou inocente. Ele atirou e uma viga da cama foi destruída por causa do tiro, com isso eu gritei em desespero na hora chegando a me encolher na cama. –POR FAVOR, NÃO ME MATE. Eu pedia desesperada e mais uma viga da cama foi destruída, essa bem próxima de mim, diria que raspando.
—Quando tentar fugir da próxima vez, não terei pena de te matar. Está me ouvindo? Perguntou ele dando um tiro que raspou em meu braço. O sangue escorreu na mesma hora e só foi um arranhão profundo, mas o suficiente para me deixar muito nervosa, eu beirava o histerismo.
—Eu juro que não, eu juro, eu juro não tentarei. Falei soluçando e com o desespero em dobro caso ele decidisse me ferir mais uma vez.
Ele saiu do quarto e momentos depois eu dormi sentindo o arder em meu braço esquerdo, eu estava exausta.
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Um bom tempo depois.
Abri os meus olhos devagar e constatei o meu braço sujo de sangue ainda, alguns filetes de sangue já estavam secos e a ferida não estava grave, constatei dando graças a Deus. Decidi ir tomar um banho para me limpar melhor e senti tudo rodar ao me levantar por falta de alimento. Devagar eu fui andando até o banheiro e tirei a blusa, liguei o chuveiro e sem pensar muito eu fiquei sob a água tomando cuidado pra não molhar o meu cabelo. Passei sabonete com cuidado e me enxaguei. Sequei-me devagar e fui escovar os meus dentes, ao terminar fui para a cama mais uma vez e fiquei vagueando em meus pensamentos até escutar ele abrindo a porta com a chave. Não pensei e corri para o banheiro fechando a porta no exato momento que a porta do quarto foi aberta.
Fiquei em silêncio, mas para minha surpresa a porta foi fechada novamente e esperei mais um pouco para ter certeza que ele havia saído.
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5min depois.
Ele devia ter deixado alguma comida para mim e saí, para o meu azar um dos brutamontes estava ali e meus olhos ficaram apavorados com o que eu estava vendo.
CONTINUA.......
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