Solares
58 Capítulo 58
BELLA......
Final do capítulo anterior.
Eu já estava bem queimada e os meus amigos já estavam de volta, conversávamos muito agora e eu bebia uma água de coco geladinha. Pedimos sanduíche e os mesmo quando ficaram pronto, vieram no capricho. Pedimos depois um tira gosto à base de frutos do mar. O peixe estava bem temperadinho e me acabei, todos aprovaram e bebi um pouco da coca cola do William. Sentindo-me satisfeita, eu decidi ir para água e o chamei, Edward era um cap encerrado na minha vida. As drogas minaram qualquer esperança, mas pra falar a verdade não há nenhuma depois de tudo. Os tapas ainda ardiam em minha pele, e me fazer comer com as mãos para me humilhar ainda me deixava triste. O pior de tudo foi ter passado horas e horas sem comer por castigo, mas eu pedia a Deus para não me deixar ficar me lembrando disso. Repeti tantas vezes que o passado estava enterrado, mas essas lembranças ainda existiam em mim. Segurei a mão de William e caminhamos pela areia, chegamos na água e molhei os meus pulsos. Fiz o mesmo em minha nuca e o William repetiu os meus atos, pois o nosso corpo já estava há muito tempo exposto ao sol. A água estava morninha e mergulhamos, emergimos juntos e eu o abracei sorrindo. Eu me sentia segura nos braços dele, o mesmo eu sentia pelo jake por saber que eles só queriam o meu bem.
—Ainda bem que a água não está fria.
—Costuma estar um gelo quando o sol está escaldante. Disse ele movendo as nossas mãos.
—Pois é. Falei sorrindo e mergulhei mais uma vez.
Eu não sabia nadar direito, pois o jake não teve a oportunidade de me ensinar de tudo. Estar no mar era como me sentir livre, e ficamos pra lá e pra cá. Teve um momento que eu olhei na direção do calçadão e fiquei olhando para as pessoas, Ângela deu um tchauzinho estando bem alegre e eu sorri. William me abraçou por trás e entrelaçamos os nossos dedos, ficamos assim deixando as ondas se chocar em nós e estava sendo muito bom.
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5min depois.
Me virei de frente pra ele e William me abraçou.
—A sinto indecisa.
—Não estou indecisa, apenas estou nos preservando de sofrer mais tarde.
—Eu a quero Isabella e não tenho medo de me envolver com você, o máximo que seriamos depois é bons amigos. Está mais que claro que eu não posso cobrá-la em relação os seus sentimentos, e eu a quero enquanto você me quiser. Sou homem o suficiente para lhe fazer feliz e cuidar da sua filha, não lhe desejo o mal. Quero que se sinta segura, amparada e apoiada quando você precisar de mim.
—Não é assim que as coisas acontecem e eu não quero fazer você sofrer por minha causa. Obrigada pelas palavras e saiba que eu me sinto assim quando eu te abraço.
—Você ainda ama o pai da sua filha?
—Estamos divorciados, isso já diz e muito.
—Sabe que está enganada.
—Pra falar a verdade eu me sinto livre e não quero passar outra vez o que eu passei.
—Você ainda o ama? Perguntou ele sério e me olhando nos olhos.
—Não posso dizer que eu não sinto nada William, não posso mentir pra você, mas ao mesmo tempo eu gosto muito e muito de você. Por isso eu digo que eu não quero fazer você sofrer e não me perdoaria caso acontecesse. Preciso trabalhar e fazer coisas novas, só assim eu irei me desprendendo. Ele não é o cara certo pra mim e eu já aceitei isso, tanto que estou dando um passo de cada vez.
—Faz bem. Será do seu jeito e pode sempre contar comigo.
—Tudo bem. Falei sorrindo levemente e ele me deu um beijinho de esquimó.
Afastei-me o olhando risonha, mas ele envolveu a minha cintura e sorrimos quando ele me suspendeu e jogou-me na água. Sorrindo eu me afastei rápido e ficamos brincando na água sem parar, era inocente e nos divertimos muito.
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15min depois.
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Nos encontrávamos sentados na beira do mar e ondas nos atingia vez ou outra. William estava me contando a respeito de suas aventuras e sorriamos bastante. Eu falei um pouco mais a respeito de mim e do meu “medo” em estar sozinha no mundo, mas fomos interrompidos pela Ângela.
—Amiga, o seu celular não para de apitar. Eu não quis vir aqui para interromper o clima antes. Disse ela sorrindo. –Mas achei que devia saber.
—De qualquer forma já estamos indo. Falei me levantando e um jato de leite saiu do meu seio esquerdo.
—Com certeza. Falou William envolvendo a minha cintura.
Retornamos e me sentei em minha canga, peguei o meu celular e era uma mensagem. Eu apertei o botão e a mesma abriu, era uma foto minha e do William aqui mesmo na praia enquanto brincávamos na água. Reparei que eu sorria enquanto William me pegava no colo para depois me jogar na água, mas a foto o mostrava comigo no colo apenas. Eu olhei em volta e não vendo nada de anormal aparentemente, eu li a mensagem que estava junto dela estando um pouco surpresa.
“Pelo visto a noite terminou bem. Será que ele é mesmo a pessoa apropriada para acompanhar o crescimento da menina? Tem certeza de que é isso que você quer? Foi ele que você escolheu? Eu tenho as minhas dúvidas em relação às duas primeiras questões...”.
Terminei de ler estando um pouco incomodada e passei a mão em minha nuca olhando novamente em volta, eu sabia que Edward era super protetor se tratando dos seus, mas por dizer me amar, ele veria sempre defeito onde não tem em quem se aproximasse de mim. Eu não iria responder a mensagem, até porque eu não devia dar satisfações da minha vida particular e guardei o meu celular.
Ângela me olhou sorrindo e eu disfarcei ao olhar para o outro lado estando com um leve sorriso nos lábios, o melhor seria mesmo partir. Mesmo me deixando livre, dando-me o divórcio, ele me chantagearia em relação as minhas escolhas de companhia. Eu não me deixaria abater e me aproximei de William, sem ele entender nada eu o beijei. Foi um beijo arrasador, ele beijava bem e soube me acompanhar com um ótimo desempenho.
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1min e ½ depois.
Afastei-me dele e sorri, ele me olhou por uns minutos e tornou a me beijar.
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2min depois.
—Opa, opa, ainda estamos aqui. Falou Ângela com a mão no coração e sorriu. –Esse beijo de cinema me fez querer beijar também. Disse ela se aproximando do namorado e o beijou também sorrindo. Ela era palhaça às vezes.
—Boba. Eu falei sorrindo e ganhei um beijo dele em minha testa.
—Beijar quem gostamos é ótimo.
—É, você tem razão.
—Parece que beijar estar na moda. Falou jake sorrindo.
—É sim. Eu falei olhando para o lado, mas nada para se suspeitar.
Relaxei e interagi melhor com os meus amigos, nisso as horas foram se passando.
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Às 17:35min.
Já estava ficando tarde e nesse momento nós estávamos no trailer do Duque. Os meninos pagaram a conta e nos despedimos do dono do trailer. No momento nós nos encontrávamos vestidos com as nossas roupas e fomos para um restaurante ali perto, ao chegarmos no mesmo, eu pedi licença e fui no banheiro. Estando sozinha ali, eu teria que ligar para o Edward e digitei o número dele. Chamou quatro vezes e na quinta vez atenderam.
—Alô. Falou a Mary e eu me irritei por estar óbvio que ele me ignorava.
—Mary porque o seu patrão não quer falar comigo?
—Ele só pediu para eu ver o que você quer bella. Desculpe amiga, mas fico no meio de uma encruzilhada.
—Eu preciso falar com ele, passe para ele o celular Mary.
—Eu vou tentar, só um momento.
—Ok.
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4min depois.
Eu estava fula por ele ter me deixado esperando e a linha caiu, estava claro que ele fez de propósito e desisti. Fui me aliviar e não fiquei pensando a respeito do que acabou de acontecer, lembrando de algo importante, eu teria que providenciar. Saí da cabine para lavar as minhas mãos e vi Ângela ali lavando o rosto.
—Você demorou hein.
—Pois é amiga, desculpe pela demora.
—Está tudo bem?
—Tudo ótimo, mas eu não poderei me demorar aqui, às 20:30min o Edward irá levar a Marie.
—Pode deixar e agora vamos.
—Vamos sim.
Saímos do banheiro e caminhamos pelo restaurante, chegamos em nossa mesa e nos sentamos.
—Pessoal, nós não podemos demorar muito, a neném da bella vai ser entregue às 20:30min.
—Dá pra curtimos uma comidinha gostosa rapidinho.
—Tudo bem.
Fizemos os nossos pedidos e a comida estava maravilhosa, o galeto desmanchava na boca e a saladinha estava divina. Pedi uma água com gás e fiquei recebendo os carinhos do William durante o nosso jantar. Recusamos a sobremesa por estarmos mais que satisfeitos e a conta foi paga às 18:40min. Estando todos na porta do restaurante, eu e Ângela achamos melhor voltarmos de táxi, pois o jake iria trabalhar amanhã e a praia deixa qualquer um cansado.
—Eu posso levar vocês. Falou jake sendo prestativo.
—Jake, obrigado por você nos levar pra cima e pra baixo. Falei o abraçando. –Mas o agradeço e sei que vocês irão trabalhar amanhã. Já está tarde e apenas nos deixe em um ponto de táxi.
—Tudo bem.
Fomos para o carro e não demorou nada, nós saímos dali. Passamos perto de uma farmácia e pedi o jake para parar onde desse, pedi o pessoal para me aguardarem que eu logo voltaria. Peguei a minha carteira na bolsa e saí do carro, fui andando apressada pela calçada e entrei na farmácia. Pedi no balcão à pílula que evitaria uma possível gravidez e peguei outras coisas que julguei necessárias, não me demorando eu paguei tudo. Voltei para o carro e saímos, mas logo chegamos em nosso destino e nos despedimos de forma calorosa.
—Até a próxima jake. Falou Ângela o abraçado.
—Até querida. Disse ele sorrindo.
—Sentirei saudades. Disse a namorada do jake para ela e a Ângela sorriu.
—Eu também, mas nos falaremos até lá.
—Tudo bem.
—Foi um prazer conhecê-lo. Falou William o olhando.
—O prazer foi meu mano. Isabella é mais que uma amiga para mim, ela é a minha irmã. Só a faça feliz.
—Depende dela somente.
—Tem razão. Torço por vocês.
—Obrigado. Falou William apertando a mão dele.
Eu cumprimentei a namorada do jake com um abraço e sorrimos uma para a outra, após nos cumprimentarmos entramos no táxi. Eu estava me sentindo cansada e não via a hora de chegarmos.
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Às 21h.
Paramos em frente o meu portão e olhei em volta, nem sinal do Edward ou de seus seguranças ali esperando por mim. Eu fiz questão de pagar o táxi, mas o William não me deixou e disse que não era pra eu me preocupar. Abri o portão e entramos, após trancá-lo caminhamos rumo à porta. Eu a abri e olhei para eles após entrarem.
—Tem de tudo no banheiro, é só se banharem e sintam-se em casa.
—Preciso de um banho urgente mesmo, estou pra lá de salgada. Falou Ângela indo mexer na mala dela.
—Eu posso dar um jeito e vocês dormem no quarto da Marie estando confortáveis é claro.
—Não precisa amiga e não se incomode, podemos fazer uma cama improvisada ali no canto. Ficará fora do foco do corredor e estaremos confortáveis de qualquer forma.
—Tudo bem. Eu concordei sorrindo, a minha amiga era demais.
—Ele está atrasado pelo visto, Marie chegará adormecida já.
—Sim, ele está demorando. Vocês querem comer algo?
—Eu não quero. Falou o namorado da Ângela.
—Nem eu. Falou ela. –Eu só desejo banho, cama e dormir. Nós teremos que partir amanhã.
—Isso é.
—Quando você vai?
—Em breve, eu tenho medo de abandonar essa casa e entrar alguém aqui.
—Relaxa bella, venda ou alugue a sua casa.
—Vou falar com o meu amigo Pedro e resolveremos isso. Ele é corretor.
—Tudo bem, mas não demore a ir e fica lá em casa quando for. Depois você ajeita a sua vida, mas não precisa ter pressa.
—Prometo que não. Você está a fim de comer algo William ou até beber?
—Não, obrigado. Eu gostaria que a Isabella ficasse lá em meu apartamento. A Marie terá uma babá, ela começará a trabalhar como a minha assistente e estudará.
—Não quero dar trabalho a ninguém.
—Não dará, será até bom pra você.
—Ok. Falaremos a respeito disso depois.
—Tudo bem.
Ângela foi tomar banho e eu fui até o meu closet pegar tudo que eu precisaria para fazer uma cama improvisada no chão da sala. A mesma ficou confortável e peguei dois travesseiros. Liguei o ventilador e minutos depois o namorado da Ângela entrou para tomar banho. Pensei mais uma vez em minha filha e decidi mandar uma mensagem, Edward não me atenderia mesmo. Na mensagem eu escrevi.
“Edward cadê você? Marcamos de você devolvê-la hoje e nada até agora”
Mandei a mensagem e aguardei enquanto eu ajeitava a minha cama. Ângela apareceu na porta do meu quarto de pijama comportado e...
—Boa noite amiga, amanhã nós teremos que acordar cedo.
—Eu ficarei aqui com a Isabella até quarta feira. Disse William me olhando e eu sorri.
—É muito bem vindo.
—Obrigado.
—Tudo bem amigo, você é quem sabe. Agora eu irei beber um pouco de água e irei dormir. Passamos ótimos momentos juntos.
—Sim e me diverti. Que horas devo preparar o café?
—Pode ser por volta das 8h, teremos que estar às 12h no aeroporto.
—Ok.
Nos abraçamos e ela saiu do quarto, continuei arrumando as coisas e William pegava o pijama dele quando o Thiago parou na porta do meu quarto.
—Bem crianças, boa noite. Disse ele sorrindo sacana.
—Pra você também. Falei indo cumprimentá-lo.
—Ah bella! Falou Ângela entrando em meu quarto. –Está aqui o nosso presente. Disse ela me dando uma caixa. –Ficamos tão empolgados que nos esquecemos do seu presente, mas aqui está e espero que goste.
—Meu maior presente é a amizade de vocês e obrigado.
Sorrindo eu abri a caixa e vi ser uma saia jeans linda e da moda. Havia uma blusinha rosa de gola e a mesma era linda contendo renda.
—E aí, gostou?
—Eu adorei. Falei olhando as peças. –Elas são lindas Ângela e obrigado.
—Que bom que gostou, eu e o meu amor compramos correndo e sei o seu gosto.
—Acertou em cheio.
Nos abraçamos e eles foram dormir, olhei para o William sorrindo e ele veio até a mim.
—Gostei do presente e tenho certeza que você ficará uma gata com elas. Após falar, ele selou os nossos lábios e sorriu.
—Ângela tem bom gosto.
—Sei que sim. Vou tomar o meu banho.
—Ta, se precisar de algo é só me falar.
—Eu trouxe tudo.
—Tudo bem.
Ele me beijou cheio de carrinho e foi se banhar. Eu percebi que não havia chegado nenhuma mensagem e já passava das 21:40min, Edward só podia estar de graça e não dei bola. Eu sei que ele queria chamar a atenção e fiquei chateada pelo os meus amigos, eles iriam embora amanhã e pelo visto não veriam a menina. Lembrando da pílula, eu a peguei em minha bolsa e saí do quarto, olhei na direção da sala e estava tudo escuro. Acendi a luz da cozinha e peguei a garrafa de água na geladeira, destaquei um comprimido e o tomei sem fazer rodeios. Eu estava sem menstruar desde que a neném nasceu e sabia ser normal por amamentá-la, mas pisei na bola e eu não iria arriscar. Eu percebi que eu era fértil, pois engravidei na primeira vez que Edward me pegou estando sem camisinha.
Sentindo-me mais tranquila, eu fui para o meu closet e escondi a outra e única pílula em minha bolsa, eu teria que tomá-la amanhã. Escolhi um pijama na cor vermelha e peguei o meu celular, eu estava louca querendo saber da minha filha e nada do Edward dar um parecer. Caiu na caixa postal e liguei para o celular da Mary, chamou duas vezes e no terceiro toque ela atendeu.
—Alô.
—Mary, sou eu bella. Eu te acordei?
—Não amiga, estou vendo televisão.
—Você está no apartamento do Edward ou na mansão?
—Estou no apartamento do patrãozinho.
—A Marie está aí ainda, não está amiga?
—Sim.
—Eu combinei com ele de trazê-la Mary hoje a partir das 20:30min.
—Estou sabendo, mas ele parece não está com planos de sair. O patrãozinho já deu a mamadeira da neném e ela está dormindo no quarto dele.
—Sei que ele quer me castigar, mas tudo bem.
—Os pais de Alice estiveram aqui hoje.
—Edward não saiu de casa?
—Não, mas ele falou por várias vezes no rádio com um dos seguranças dele, isso eu observei. Por quê?
—Não é por nada. Falei tendo certeza que era esse quem me vigiava. –Então os pais de Alice estiveram aí?
—Sim e por causa da menina, pareciam com saudade e brincaram muito com ela. Bernadete estava bem contente e beberam whisky durante a conversa.
—Sei, então ta. O que ele está fazendo agora?
—Tomando banho de piscina, mas já me recolhi por causa da hora e ele sabe se virar. Tem tudo que ele gosta pronto.
—Tudo bem. Sabe se ele trará a menina amanhã?
—Eu não sei te dizer, ele não falou nada e pediu para eu lavar e passar as roupinhas da neném. Apenas isso.
—Tudo bem. E ela como está?
—Quietinha e sorri bastante quando brincamos com ela. Parecem duas bilhas os olhinhos dela de tão verde.
—É sim Mary, estou com saudades da minha filha. Então é isso e boa noite, não irei ligar porque Edward está me ignorando sem ter necessidade. Boa noite.
—Boa noite bella.
Encerrei a ligação e coloquei o meu celular sobre o criado mudo, soltei o meu cabelo e fechei os meus olhos por um instante.
Tornei a abri-los e aguardei o William terminar de se banhar.
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5min depois.
Ele entrou no quarto estando bem cheiroso e me olhou.
—Já terminei.
—Ok, eu irei agora tirar o sal da minha pele. A cama é confortável e sinta-se à vontade.
—Posso dormir no chão se for demais para você, eu não ligo.
—Pare com isso, apenas deite-se, irei ligar o ar.
—Tudo bem. A menina não será entregue?
—Não hoje.
—Conseguiu falar com o seu ex-marido?
—Não, mas falei com uma das empregadas dele.
—ah! Entendi.
—Volto logo. Falei indo até ele e selei os nossos lábios.
Saí do quarto e entrei no banheiro, o mesmo estava organizadinho por eles não serem bagunceiros. Despi-me rápido e fui para o box, liguei o chuveiro e comecei a me lavar. Primeiro eu lavei a minha cabeça, estando agora o creme de massagem agindo em meu cabelo eu ensaboei todo o meu corpo. Esfreguei-me bem e lavei todas as partes, não restou nem uma que não fosse lavada. Enxaguei-me por inteira e saí para me secar. Hidratei o meu corpo com a loção de morango e passei creme do mesmo aroma em meu cabelo, o penteei bem depois e o sequei com o secador. O mesmo estava pendurado em um suporte para me facilitar.
Os meus fios ficaram bem brilhantes e estava bem comprido, por último eu passei desodorante sem cheiro e me vesti. Arrumei o banheiro e saí após apagar a luz, acendi a luz da cozinha e abri a porta para estender o meu biquíni e colocar a minha roupa na máquina. Entrei e fui até o meu quarto, William ao me ver ficou me olhando.
—Está linda com esse pijama.
—Gostou?
—Sim. Disse ele estando deitado já.
—Posso colocar a sua roupa usada na máquina se quiser. Cadê ela?
—Coloquei penduradas ali, mas não quero dar trabalho.
—Não é nenhum, irei pegá-las.
—Tudo bem e obrigado.
—De nada.
Peguei as roupas dele e as coloquei na máquina, adicionei sabão e amaciante. Apertei o botão e ela começou a encher, eu só as estenderia amanhã mesmo e entrei. Tranquei a porta e apaguei a luz, escovei os meus dentes e fui para o quarto. Fechei a porta do mesmo e caminhei até a minha cama, deitei-me ao lado dele e ele me abraçou cheio de carinho. O ar já gelava e ele veio me beijar, nisso eu o beijei estando um pouco receosa. Ele começou a beijar o meu pescoço de forma intensa e lambeu o meu ouvido fazendo-me sentir sensações em meu corpo, abri os meus olhos e o puxei para os meus lábios novamente. O nosso beijo estava bem ousado, pois o grau de intimidade havia aumentado e passei a mão em seu braço malhado. Eu o olhei nos olhos após nos afastarmos pouca coisa e sorrimos um para o outro, ele me deu um selinho e aprofundou o nosso beijo novamente. Sendo mais ousado, ele ficou sobre mim e pude sentir perfeitamente o quanto ele me queria. Eu estava sem sutiã e ele beijou o vão dos meus seios sobre a blusa do pijama. Suspirei por causa disso e me lembrei do outro na hora, mas o pai da minha filha não me merecia e parei o que estávamos fazendo como se eu tivesse levado um balde de água fria. Estando me sentindo mal lá no fundo eu o olhei.
—Acho melhor dormimos William, desculpe. Ainda não me sinto pronta para dar esse passo.... é isso. Falei um pouco triste.
—Tudo bem. Disse ele me olhando e selou os nossos lábios de forma carinhosa. –Saiba que eu vou respeitar o seu tempo.
—Estou me sentindo bem cansada. Menti em parte. –Acordar de madrugada para amamentar não é fácil.
—Sei disso. Disse ele me abraçando.
Sorrimos e selamos os nossos lábios, ele me abraçou ainda mais me provocando risos e estiquei a minha mão para apagar a luz. O quarto ficou no breu total e o sono foi nos levando aos poucos. Estávamos exaustos.
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Segunda feira, 13 de Setembro.
Às 8h da manhã
Acordei com o celular do William apitando e me espreguicei, ele dormia profundamente e seu peito malhado chamava mesmo a atenção. Dei um selinho na boca dele e ele se moveu, vi um sorriso brotar em seus lábios e ele abriu os olhos.
—Bom dia, pode voltar a dormir se quiser meu bem.
—Tudo bem.
Levantei da cama estando com preguiça, entrei no closet e peguei um vestidinho simples. Abri a porta do quarto devagar e entrei no banheiro, tomei um banho rápido e me vesti. Penteei o meu cabelo, pois eu não havia o molhado e dei um jeito em meu rosto, fiquei bem e saí do banheiro. Eu estava com as minhas partes um pouco sensíveis e fui para a cozinha preparar o café da manhã.
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Às 08:40min.
Já estava tudo pronto e coloquei a geléia de morango sobre a bancada para passar nas panquecas, a mesa estava bem posta e aprovei. Ângela entrou na cozinha e me abraçou, sorrimos uma para a outra e ela me beijou no rosto de forma carinhosa.
—Bom dia.
—Bom dia. Falei sorrindo.
—Dormiu bem?
—Mais que bem, mas me sinto um pouco cansada.
—Refaça a sua vida como você merece bella. Até agora eu não acredito que aquele cara te deixou livre, acho que estou vivendo um sonho o qual eu acredito que você finalmente irá ser feliz.
—Estou praticando o seu conselho por saber ser o melhor para mim, mas não pense que é fácil deixar de amar alguém da noite para o dia.
—Isso mesmo. Eu sei que não é fácil bella, mas olhe para trás.
—O Thiago já acordou? Perguntei para mudar de assunto, eu estava ferida de amor e nada que ela me falasse iria me curar de imediato.
—Sim e está no banheiro se preparando. Te conheço mais que bem bella e sei que você muda de conversa para fugir do assunto, mas saiba que eu só quero o seu bem.
—Tudo bem Ângela, mas saiba que tivemos momentos bons juntos................. Fiz tudo que vocês gostam.
—A omelete está com uma cara ótima mesmo. Não convivi com vocês pra saber bella, mas doía-me vê-la marcada e sendo maltratada, eu sentia a sua dor amiga e não era justo. William é um rapaz maravilhoso e sim, ele sim é capaz de fazê-la feliz. Terá estabilidade ficando ao lado dele e será fácil para você amá-lo com o passar dos dias.
—Eu preciso me acostumar a ir para cama com outro primeiro. Eu o beijo, sinto coisas boas em meu corpo, mas falta algo ainda.
—Posso entendê-la, mas se dê uma oportunidade.
—Ângela, nós dormimos o tempo todo essa noite, mas sou capaz de sentir o carinho dele ao me abraçar e ao lidar comigo.
—Eu pensei que rolaria, estavam tão empolgados na praia.
—Ainda não como eu te expliquei.
—Ok. Disse ela me olhando
O Thiago apareceu na cozinha, eles começaram a comer e eu fui com uma xícara de café com leite até o meu quarto.
—Acorde meu bem.
—Hum?
—Vamos tomar café, está pronto.
—Ok. Disse ele se sentando e bebeu um pouco do café com leite que eu o oferecia. –Está docinho.
—Ta bom pra você?
—Sim. Após afirmar ele selou os nossos lábios e sorri pensando na minha conversa com a Ângela.
—Se vista e venha.
—E se eu não te deixar ir? Falou ele me agarrando, mas tendo cuidado por causa da xícara.
—E porque não? Perguntei entrando na brincadeira.
—Por querê-la aqui do meu lado.
—Sei. Falei sorrindo. -Se vista e venha correndo.
—Ta bom.
Levantei da cama estando risonha e abri a porta do quarto, saí do mesmo e fui para a cozinha. Fiz mais um pouco de fritada e preparei mais panquecas, quando o William se juntou a nós, comemos conversando bastante.
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20min depois.
Estando tudo lavado e guardado, Ângela foi se maquiar. Era à hora de eles partirem e estando já pronta, eu e o William fomos até o ponto de ônibus com eles.
—Vejo vocês em breve. Falou Ângela nos abraçando.
—Pode deixar. Falei triste por causa da partida deles. –Tchau Thiago e façam uma boa viagem.
—Obrigado disse ele me abraçando e apertou a mão do William. –Até mano e cuidem um do outro.
—Pode deixar.
Ficamos aguardando um táxi e o mesmo quando vinha, nós fizemos sinal. O sol estava quente demais e eles entraram no táxi, sorrimos ao acenarmos e eles se foram. Senti-me triste pela partida deles e sequei a lágrima que rolou, vendo a minha reação o William me abraçou.
—O que faremos agora? Perguntou ele sorrindo.
—Podemos ir ao mercado?
—Vamos sim. E a sua filha?
—Foi bom você falar, irei ligar para o pai dela.
—Ok.
Peguei o meu celular no bolso e liguei para o Edward, mas caiu na caixa postal outra vez. Liguei para a Mary e a mesma me atendeu após o quarto toque.
—Alô.
—Mary, bom dia.
—Bom dia amiga.
—A Marie está aí ainda?
—Sim, ela está comigo.
—Cadê o Edward?
—Ele saiu cedo para ir trabalhar.
—Ele não disse nada que viria trazer a minha filha?
—Pra mim ele não falou nada a esse respeito. Já tentou ligar para ele hoje?
—Sim, mas chama, chama e cai na caixa postal. Você tem o telefone da empresa dele?
—Tenho sim e posso me meter em encrenca.
—Dou uma desculpa e digo que achei na Internet, eles são públicos Mary.
—Isso é, só um momento.
—Ta bom.
Mary me passou o número e eu fui digitando em meu celular, eu a agradeci e desliguei. Liguei para a empresa do Edward e a secretária foi quem atendeu tendo uma voz até muito bonita, isso eu pude reparar. Eu me passei por uma cliente vip querendo falar com o Edward e aguardei na linha escutando uma musiquinha. Sendo gentil e a fim de me deixar à vontade, o William foi caminhando na frente e quando Edward atendeu.
—Alô.
—Edward por que você está me ignorando para começar? Perguntei mantendo a calma, seria melhor assim.
—Bom dia para você também.
—Não liguei para jogar conversa fora ou atrapalhá-lo no serviço. Quando irá trazer a minha filha?
—Estou passando uns dias com ela decidi. Estou recuperando o tempo perdido somente enquanto você aproveita.
—Sabe que eu a amamento e preciso aliviar os meus seios, sei que está fazendo de propósito.
—São coisas da sua cabeça Isabella.
—Sabe que não é e pare de fingir! Traga a minha filha hoje!
—Se quiser vá amamentá-la em meu apartamento, mas levá-la não.
—E porque não?
—Sei que está pra cima e pra baixo com o seu namorado e quero passar uns dias com a minha filha. Na verdade é ele ou a menina.
—Como? Perguntei indignada e não acreditando no que eu estava ouvindo.
—Minha filha não precisa de outro pai Isabella, eu abri mão de você, mas não dela. Não irá levar a minha filha para viver longe de mim! É isso que está na cara, pois o seu namoradinho não é daqui!
—Pare de bobeira e entraremos em um acordo a respeito disso.
—Não tem acordo, ou você fica com ele e esquece ela, ou vice e versa. Prefere entrar na justiça e o seu nome sair nas capas de jornais? Será muito fácil para quem tinha aversão aos seus pais querer lhe conhecer pessoalmente Isabella. Aliás, o seu sobrenome é bem comprometedor e atrativo para os ratos.
—Está me ameaçando e me amedrontando? É isso?
—Não, mas entenda como bem quiser. Preciso desligar, há uma pilha de papéis para eu analisar e clientes para ligar.
Encerrei a ligação sem nos despedir e voltei a andar. Pra falar a verdade ele tinha razão em relação ao meu sobrenome. Eu vivia em Diamantina, era a poucas horas de Solares e isso me fez sentir muito medo. Medo de alguém me encontrar e querer me fazer ainda mais mal. Eu chorei imaginando algo pior acontecer comigo e sequei as minhas lágrimas estando bem amedrontada. Percebi que o Edward não me facilitaria e não me devolveria à menina por causa da minha companhia, ele parecia disposto a ir à justiça caso eu insistisse. Essa causa já estava perdida e tudo que ele queria era me fazer voltar para ele custe o que custar. Pensando bem, aquela sensação do champanhe era suspeita, mas desencanei por estar preocupada demais. Eu não iria me arriscar ficando aqui, eu morreria de saudades da minha filha, mas se fosse para a segurança dela, eu me afastaria pra valer. Meu peito estava doendo tanto por decidir esse absurdo, mas Edward tinha razão nesse quesito. Eu não duvido nada que os pais de Alice o envenenaram ontem, eu tinha certeza por a Marie ser uma criança linda e ter o sobrenome deles. O que eu temi e que a minha amiga falou, estava acontecendo. Marie mamava mamadeira agora e não precisava mais de mim, o dinheiro deles falava mais alto e eu iria sempre perder. Meus amigos tinham dinheiro o suficiente para me ajudar, mas eu jamais os envolveria. Eu sei que ele fez isso por sentir ciúmes de mim e por causa da Marie, Edward devia estar com medo de outro lhe roubar o lugar de pai. Pura besteira.
Sequei os meus olhos e apressei os meus passos, virei à esquerda e vi o William parado em frente o meu portão. Apressei os meus passos e me aproximei dele, eu o abracei e ficamos assim.
—Algum problema princesa?
—Eu preciso resolver a minha vida de uma vez.
—Tudo bem. Disse ele me olhando e eu abri o portão.
Entramos e ele o trancou para mim, caminhei até o telefone e liguei para o Pedro. Chamou duas vezes e a secretária dele atendeu. Identifiquei-me e ela pediu para eu aguardar na linha.
—Alô.
—Pedro, tudo bem?
—Olá Isabella, está tudo bem comigo sim. Tudo bem com você?
—Sim, está tudo ótimo e como eu sei que você faz milagres, eu quero vender ou alugar essa casa. Aliás, eu quero vendê-la da mesma forma de antes.
—Mobiliada?
—Sim.
—Pelo tempo valorizou mais, e essa casa vale uns 600mil agora. Está bem conservado e o local é muito bom. Por que desistiu?
—Estou indo embora de Diamantina e da Flórida.
—Sério?
—Sério, eu estou falando sério. Falei secando a lágrima que rolou.
—Tudo bem, eu tenho as fotos dessa casa e há muitos clientes agendados para fazer uma visita a meu escritório. Várias áreas de Miami estão valorizadas, aí é uma delas. Há muita gente e pouco imóvel disponível.
—Consiga isso e me dê uma resposta, tire a sua comissão e me ajude.
—Tudo bem, sabe que pode contar comigo sempre.
—Até em breve Pedro e obrigado mais uma vez.
—De nada.
Encerrei a ligação e o William se sentou ao meu lado, de forma carinhosa ele segurou a minha mão.
—Teve problemas com o pai da sua filha não foi?
—É eu não posso negar.
—O que ele te falou para deixá-la assim tão arrasada de uma hora para outra?
—Tenho motivos para querer ir embora William e não posso brigar na justiça pela guarda da minha filha.
—Ele não quer entregá-la?
—Ele não quer devolvê-la a mim. Olhando bem as minhas possibilidades, ele sabe jogar muito bem. Eu não irei competir com ele até porque eu já abandonei a minha filha uma vez. Não me orgulho disso. Falei despedaçada.
—Você o quê?
—Eu a abandonei porque ele fez justamente isso que ele está fazendo agora, mas de uma forma diferente.
—Vai abrir mão da sua filha tão facilmente assim?
—Eu sairei perdendo. Falei chorando. –Ela sempre foi mais deles do que minha, eu engravidei por descuido e me casei só por causa disso, mas não deu certo pela forma dele me tratar William. Edward é possessivo, ciumento e não me tendo, ele irá querer sempre me atingir. Não vou mais lutar com ele porque eu sempre perco.
—A Marie é encantadora bella, não faça isso por minha causa. Sei que deve ser por isso.
—Shhhhh, não diga bobagens, se não fosse com você, seria com outro. Por aí vai.
—Você é uma mulher bonita, chama a atenção e muitos só se dão conta quando perdem.
—Edward não facilitou a minha vida desde que me conheceu, mas com o passar dos dias ele até mudou um pouco. Nos divorciamos e ficou tudo bem, mas a sua companhia parece o estar incomodando.
—Quero ter uma conversa de homem para homem com ele. Vou deixar bem claro que você não está sozinha.
—Isso é que nunca William. Não irei envolvê-lo por eu já estar decidida.
—Em New York conheço muitas pessoas da lei, mas a jurisdição será sempre daqui de Miami.
—Isso é, mas deixe pra lá. Eu no meu eu já sabia que isso poderia acontecer, existem coisas que acontecem em nossa vida que nós não podemos mudar William.
—Não me conformo que esse cara faça isso com você.
—Ele já fez, mas só a trouxe de voltar por ela não ter aceitado o outro leite que a pediatra receitou. Ela dependia de mim e não teve jeito, ou saída a não ser vir até a mim. O inferno que eu vivi, nunca terá fim estando eu atada a ele de alguma forma. Então mais para a segurança da minha filha, eu prefiro me retirar. Sair de cena. Nunca pensei nas consequências antes.
—Não irei aconselhá-la a abandonar aquele Anjo Isabella, Deus não me perdoaria. Disse ele sério.
—Eu sei o seu caráter, sei que não me pediria isso, mas não tenho outra saída.
—Do que você tem medo? Perguntou ele sério me olhando nos olhos. –Esse cara lhe batia? Diz-me a verdade Isabella. Pediu ele segurando em meu rosto.
—Isso não faz sentido. Falei preocupada com a mudança repentina de humor dele, os homens não são fáceis se tratando de outro..
—Vejo medo em seu olhar, não é só isso.
—Não me julgue, eu já me decidi e não voltarei atrás! Se for demais para você, eu vou para outro lugar.
—Pare com a bobeira, eu só estou preocupado.
—Tudo bem, eu não posso brigar com você por causa dele. Talvez seja isso que ele quer e já sei o que fazer.
—Acho melhor eu deixá-la, sentirei culpa por você.
—William querido, não faça isso por você não o conhecer. Tenho os meus motivos para ir embora de Miami.
—Tudo bem Isabella, eu não quero me meter.
—Juro do fundo do meu coração que quem mais sente sou eu.
—Um dia irá se arrepender e sabe disso. Não verá a sua filha crescer e perderá cada momento importante da vida dela.
Eu evitei pensar muito e fui até o quarto da minha filha, peguei as malas e coloquei tudo dela ali. O closet ficou vazio e as fraldas estavam todas nas caixas. Até as roupas de cama foram embaladas e o berço foi desmontado muito a contra gosto por William. Tirei o varão que suportava a cortina e o coloquei junto do berço. Liguei para o meu banco e pedi uma transferência, eu tiraria setenta mil da minha conta e queria para hoje. Estando tudo certo, eu fui me arrumar e tomei a outra pílula quando eu já estava mais que pronta. William me acompanharia estando bem arrumado e saímos, tranquei o portão e fomos para o ponto de ônibus. Lá nós pegamos um táxi e dei o endereço do banco que ficava ali em Diamantina mesmo.
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19min depois.
Chegamos em nosso destino e pedi o motorista para me aguardar, ele seria bem pago e entrei no banco que estava extremamente vazio. Falei com o gerente que se mostrou muito simpático e fomos até a sala dele, estando tudo ok para a retirada do dinheiro, eu precisei aguardar.
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10min depois.
—Senhorita Swan, aqui está todo o dinheiro, podemos contar.
—Eu confio e me chame apenas de Isabella.
—Tudo bem. Disse ele de forma simpática. –Agora se tratando do dinheiro, mas é claro, pois o colocamos três vezes na máquina para não termos problemas.
—Obrigado. Falei pondo a grana em minha bolsa e me retirei do banco imediatamente.
Entramos no táxi e voltei para casa, ao pararmos em meu portão o William o pagou sem me deixar reclamar. Sai do táxi e entramos, tranquei o portão e abri a porta da sala. Peguei o meu laptop e pesquisei alguns fretes naquela área, ao encontrar um, eu telefonei para o pessoal. Falei que eu queria fazer uma pequena mudança e que um furgão seria o necessário, estando tudo certo, eles viriam às 18h. Liguei para a Mary e pedi o endereço de lá, numa boa ela me deu e desliguei.
—Tem certeza do que você está fazendo meu bem? Perguntou ele me olhando nos olhos e pude perceber que ele ficou mal por causa da situação.
—Nunca tive tanta certeza na minha vida. Estou magoada William e cansada até de viver para se ter uma ideia.
—Não diga isso. Disse ele acariciando o meu rosto. -E esse dinheiro todo?
—Vou devolver ao dono. Agora eu irei fazer o nosso almoço.
—Irei conhecer a sua comida. Bem, a panqueca e a omelete eu já aprovei.
Sorrimos um para o outro e ele me deu um beijo na testa, levantei-me do sofá e fomos para a cozinha. Ele me ajudou no preparo do almoço e o mesmo ficou pronto uma hora depois. Eu precisava ir ao mercado, mas os meus dias estavam contados ali.
Nós finalmente almoçamos estando na sala e conversei um pouco mais com ele, evitei falar toda a verdade, mas só aí é que ele pode me compreender um pouco mais. Tomamos sorvete na hora da sobremesa e ficamos mais à vontade estando deitamos no sofá. William me beijou e eu retribuí, eu me sentia tão triste e acabei chorando nos braços dele.
—Apenas desabafe coração, eu gostaria de ajudá-la, mas você me veta.
Continuei triste durante a tarde toda e ao se aproximar das 17h, eu fui tomar banho. Lavei-me por inteira e saí para me maquiar, fiz algo delicado e deixaria o meu cabelo secar ao natural. Fui para o closet e me arrumei sob o olhar do William, escolhi uma saia jeans desfiada e calcei uma sandália preta de salto, peguei uma blusa da mesma cor de alcinha e a mesma revelava o quanto eu estava bronzeada, pois os meus olhos estavam bem acesos pelo o meu rosto estar corado. Nem o protetor evitou dourá-lo pelo sol estar escaldante. Peguei todas as joias que a Alice comprou e olhei para o William.
—Voltarei um pouco tarde, mas farei o que é certo.
—Deixa-me ir com você.
—É melhor não.
—Tudo bem.
Ficamos na sala esperando os minutos passar e às 18h em ponto os dois rapazes chegaram. Eu não queria que o William fosse, mas eu estava com muito dinheiro na bolsa e com dois homens desconhecidos não era bom facilitar. Eu estava um pouco amedrontada e nunca pensei a respeito disso antes, por me sentir protetora demais eu preferia me afastar.
William se arrumou rápido enquanto as coisas eram retiradas e só em joias ali devia ter no mínimo 800mil dólares. Talvez um pouco mais, era cada uma linda e valiosa. Achei que seria melhor ele me aguardar lá em baixo e eu subiria para falar com o Edward sozinha, seria melhor fazer dessa forma. Estando tudo certo, nós partimos.
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Às 20:59min.
Chegamos no prédio onde Edward morava e pedi para o porteiro interfonar lá para cima. Pedi a autorização para subir e foi Edward mesmo quem a concedeu. Eu disse para o porteiro que eu era a mãe da filha do proprietário e o elevador de serviço foi liberado. As coisas foram postas ali e o elevador subiu tranquilamente, mas eu sabia que teria que haver uma segunda volta por causa do berço e do armário.
Chegamos na porta dele e a campainha foi tocada por mim, quem me atendeu foi a Mary e a neném estava deitada no carrinho dela. Evitei olhá-la para não me sentir ainda mais mal, eu já estava decidida.
—Boa noite Mary.
—Boa noite. Disse ela olhando para todas aquelas bolsas.
—Cadê o seu patrão?
—Está no quarto dele, a visita seria apenas para a menina, isso dizendo ele. De quem são essas malas?
—São todas as coisas da minha filha, inclusive as latas de leite e o preparo para o mingau dela estão aí. Há muito alimento e diga para o seu patrão que nem tão cedo a Marie precisará de algo.
—O que isso quer dizer bella? Perguntou ela já demonstrando preocupação.
—Ele está no quarto?
—Sim.
—Fique na sala que os rapazes terão que voltar. Falei olhando para ela e depois olhei para os rapazes. -Vocês podem descer e pegar o restante das coisas, depois eu acerto com vocês.
—Tudo bem senhora.
Eles se foram e Mary deixou a porta entre aberta. Ousada eu subi a escada sem mesmo ir olhar a minha filha, eu já estava desmoronando e seria bem pior. Eu sentia tanta raiva dele por me chantagear, que não me importei de abrir a porta do quarto dele com um empurrão desnecessário. Edward estava deitado na cama e me olhou.
—O que faz aqui?
—O seu cinismo e as suas tramoias me enojam, mas quero deixar claro que você ganhou. Falei o olhando séria e ele desligou a televisão. –Você prometeu me deixar em paz, nós nos separamos e isso significa cada um para o seu lado.
—A que se refere?
—A isso. Falei abrindo a minha bolsa. –É todo seu!
Peguei o primeiro monte de dinheiro e taquei no chão, peguei os outros e Edward me olhava sem entender nada, na verdade ele estava passado em ver tanto dinheiro indo para o chão.
—O que está fazendo? Perguntou ele se levantando e me olhando como se eu estivesse louca.
—Aqui tem setenta mil dólares Edward e refiro-me às duas pensões da Marie que você pagou, eu não quero nada e não irei mais precisar.
—Esse dinheiro é dela!
—Por isso mesmo eu o trouxe, já que ela é sua agora. Fique com todo esse dinheiro e faça bom proveito. Ah! Eu já ia me esquecendo, aqui estão todas as joias. Falei pegando cada uma delas, inclusive a que ele me deu de presente e as joguei sobre a cama dele.
—São suas e eu não quero nada de volta Isabella.
—Olha Edward. Falei pondo a mão em meus olhos para não chorar e o olhei. — Eu trouxe tudo da Marie que estava lá em casa.............. Agora que ela não precisa mais de mim, foi fácil me chantagear novamente jogando baixo! O berço e o armário dela vieram, é só pedir alguém para montá-lo. Já as roupas que eu ganhei eu doarei tudo, não quero nada que me faça lembrar de você. Nada que me faça lembrar das chantagens e ter que viver de forma infeliz só porque você quer.
—Então está abrindo mão da sua filha por causa de uma aventura QUE VOCÊ NEM SABE SE VAI DAR CERTO? Por causa de umas horinhas de transa porque você dormiu com ele naquele hotel!
—Isso não te interessa! O que eu tinha pra falar, eu falei. Apenas cuide dela e tenha a decência de não falar mal de mim, está curtindo a paternidade porque eu permiti! Vivi sendo honesta naquela mansão o tempo todo Edward! Eu cuidei da sua mãe e agora você quer tirar a minha filha. Você joga baixo demais e não tem pena dos meus sentimentos, tudo tem que beneficiar você de alguma forma!
—Eu disse que te amo.
—Não quero saber, isso está longe de ser amor e quem ama não faz o que você fez! Não faz o que você está fazendo, pondo seguranças para me vigiar PELO VISTO O TEMPO TODO! Eu olho agora, eu só tenho apenas tristeza. Tudo que eu ganhei agora foi sentir medo por um sobrenome que eu carrego, E ISSO FOI VOCÊ QUEM PROVOCOU PARA ME AMEDRONTAR! Mas já estamos conversados, só cuide bem dela, isso será o meu conforto e tenho a certeza que eu nunca irei esquecer a minha menina. Agora se tratando de nós, aliás, não tem mais essa de nós porque somos divorciados. Eu não lhe devo mais nada, trate de viver a sua vida e arranje alguém! Não combinamos!
—Sabe quem eu quero.
—Não sou adepta a viciados, lidar com drogas nunca foi a minha área! Eu jamais me relacionaria com você por causa disso e apesar dos meus pais, eu sou uma mulher decente.
—Então é isso? Perguntou ele se aproximando de mim.
—Isso é tudo que você merece. Falei dando um tapa bem forte na cara dele e ele não reagiu. –Aprenda com os seus erros, será mais feliz assim. Amar alguém não é jogar sujo ou persuadi-la a seu favor, é comunhão de sentimentos! Passar bem Edward e curta o que você sempre quis tirar de mim. Eu nunca irei me esquecer da minha filha. Acho que agora estamos empatados porque os meus pais causaram sem querer a morte da sua irmã a tirando de vocês e agora você de palhaçada, me mandou escolher a respeito da minha filha. Você conseguiu e agradeça os seus tios também por isso. Sei que eles não gostam de mim e sim me atura! É recíproco.
—Isabella....
—Chega Edward, acabou.
Virei as minhas costas e saí do quarto dele o deixando parado, desci a escada e passei pela Mary chorando.
—Bella. Falou ela quando eu saí de porta a fora, apertei o botão do elevador e o mesmo subiu.
Fechei os meus olhos sentindo uma tristeza imensa dentro de mim e o elevador chegou, nisso eu entrei fazendo-me de forte e sequei a lágrima que escorreu. Eu tinha em mente que se eu não fizesse isso, Edward nunca me deixaria em paz. Tive que me sacrificar em deixá-la e por sentir muito medo também. Eu não queria ninguém com curiosidade para vir me conhecer, eu não suportaria ser amarrada e torturada novamente, com certeza seria o meu fim e eu preferia a morte a alguém me estuprar novamente. Era isso que iria acontecer, sempre acontecia e temi. Quando eu cheguei na portaria, eu paguei os rapazes e os liberei. William me deu a mão e fomos caminhando pela calçada, meus lábios tremiam tanto que por fim eu me escorei no muro e deixei as lágrimas virem.
—Preciso sair daqui, eu não sei até quando eu aguentarei William.
—Vamos, irei conseguir um táxi.
—Tudo bem.
A pior dor do mundo era a que eu estava sentindo e conseguimos um táxi. Eu não conseguia parar de chorar em silêncio e fechei os meus olhos por causa do torpor.
.
Horas depois.
Chegamos em Diamantina e o táxi foi pago, saímos do veículo e o William abriu o portão para mim. Após entrarmos em casa, eu fui direto para o banheiro tirar a maquiagem e me despi, entrei no Box e tomei um banho quente relaxante. Eu sentia tanto medo de me descobrirem e chorei por causa disso, mas a dor pior era ter abandonado a minha filha outra vez. Eu não me perdoava por causa disso e me apoiei na parede, pois o meu coração doía tanto e a dor comprimia o meu peito.
—Minha filha, ai meu Deus.
Quando eu terminei o banho, eu saí do banheiro e fui para o meu closet vestir um pijama. A seguir eu fui para a área de trás e estendi toda a roupa na corda, tornei a entrar e William veio até a mim me abraçar.
—Princesa.
—Tem como viajarmos amanhã?
—Tenho que comprar as passagens pela Internet então. Tem certeza bella e a sua filhinha?
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.....................................(No mesmo instante)
Madrugada de terça feira, 14 de Setembro.
1h da manhã.
—Absoluta.
Peguei o meu laptop e o emprestei, fiz a nossa janta que na verdade era um lanche reforçado e nada mais me deixaria feliz como eu estava ontem. Uma dor forte se apossou do meu ser e permaneci na minha tendo lágrimas em meus olhos. Dei os meus dados para o William comprar as nossas passagens e voltei na cozinha para preparar o suco, nisso eu escuto o meu celular tocando. Fui ver quem era e peguei a minha bolsa, vi se Edward e o deixei tocar. Não foi apenas uma vez que tocou e sim várias vezes, mas eu fui firme e não atendi.
Quando terminei de preparar o mega lanche, William apareceu de pijama estando com o cabelo molhado. Cada um pegou o seu prato e fomos nos sentar na sala, eu mal conseguia comer e fechei os meus olhos.
Eu sabia que eu precisava me alimentar e belisquei, foi a única coisa que eu consegui fazer e olhei para o William.
—Querido, eu irei escovar meus dentes e irei me deitar, sinto-me muito indisposta no momento. Fique a vontade e troque de canal se quiser.
—Eu irei também e o nosso voo amanhã é às 13h.
—Ok. Falei deixando uma lágrima rolar e me levantei do sofá.
Fomos para a cozinha e eu lavei a louça que sujamos, William a secou para mim e escovamos os nossos dentes. O meu celular tocou novamente e o deixei tocar, nisso a minha campainha tocou e eu quase tive um troço.
—Isabella, quem pode ser a essa hora? Perguntou William surpreso. — São dez para as duas da manhã
—Eu já sei quem é, mas não irei atendê-lo.
—É ele não é?
—Sim, Edward é louco William. Vamos dormir, não tenho mais o que fazer aqui e só desejo chegar logo em New York.
—Sabe que eu quero muito ficar com você e não é para passarmos uma temporada apenas, quero você ao meu lado para ser a minha namorada, depois noiva e minha futura esposa. Sendo que eu não posso e nem irei induzi-la a abandonar tudo e a sua filha. Seria covardia demais e não faça isso bella, eu tenho certeza que um dia você pode vir a se arrepender.
—Eu já me arrependi nesse momento William, mas eu sei que ela será bem cuidada e tratada. Marie é querida demais e é a bonequinha deles, na verdade ela é a minha bonequinha também. Após eu falar eu escutei a campainha tocar insistentemente e o William me olhou quando o meu celular fez o mesmo.
—Acho que cedo ou mais tarde terão que se falar, estou com pena da menina bella. Ao menos se você levá-la, será bem melhor.
—Edward me chantageou e ele me mandou escolher entre ela e você, mas ao deixá-la com o pai não foi uma escolha e sim uma decisão minha por haver outros motivos.
—Isso só mostra..... ele interrompeu a fala pelo o meu celular apitar indicando uma mensagem. –Isso só mostra que o cara está louco de ciúmes.
—Eu não irei negar porque é isso mesmo. Falei indo pegar o meu celular e li a mensagem.
“Isabella, precisamos conversar e eu não irei embora até você vir falar comigo. Por favor, eu estou com a neném aqui e venha falar comigo. Não faça isso conosco, eu, eu...”
Terminei de ler a mensagem e não consegui me segurar, a minha filha estava à uma hora dessas na rua e bem ou mal era perigoso. Edward sabia como me desarmar, mas eu estava decidida. A campainha foi tocada por diversas vezes e arrumei a cama como se nada estivesse acontecendo, eu sabia que William estava incomodado com aquela situação e coloquei a mão em minha cabeça sentindo-me envergonhada.
—Isabella, eu irei resolver essa situação, do jeito que está não dá. São altas horas e para se resolver não é assim! Ele deve respeitá-la. Falou ele saindo do quarto e eu fui mais que de pressa atrás.
—Não William vocês podem acabar brigando. Falei nervosa, eu conhecia o Edward. –Deixe tocando.
—Esse cara ta com cara que não irá desistir. Esse tipo de homem só dá valor quando perde e noto que ele já passou dos limites com você!
—A nossa história é bem diferente, ela não começou com amor William, isso é tudo que eu posso falar. Falei o impedindo de abrir a porta da sala e ele me respeitou depois de muita insistência minha. –Juro que resolverei isso. Eu disse escutando a campainha sendo apertada direto e abri a porta. –Espere-me no quarto, por favor, William. Sei que você indo falar com ele, ele sendo bem encrenqueiro irá querer tirar satisfações. Eu resolvo isso da minha forma, não quero que briguem.
—Saberei esperá-la.
—Tudo bem.
Ele se afastou de mim e entrou no quarto, respirei fundo e abri a porta sem fazer barulho ou acender as luzes. Caminhei devagar pelo quintal e olhei no olho mágico, Edward estava mesmo ali e eu não teria outra saída a não ser falar com ele.
Estando a chave em minha mão, mas sem abrir o portão ainda, eu......
—O que pensa que está fazendo Edward à uma hora dessas?
—Preciso falar com você.
—Fala daí que eu escuto daqui.
—Não sou bicho, não irei mordê-la e sim conversar com você.
—O que a Marie faz aqui com você há essa hora Edward? Você perde a noção a maioria das vezes! Leve-a de volta!
—Você não se importa com ela já que a abandonou mais uma vez.
—Vai embora! Vai embora Edward!
—Abra o portão, iremos apenas conversar, eu juro Isabella.
—Edward nós já falamos tudo, por isso eu digo que você complica as coisas.
—Abra e vamos nos falar.
—Edward você nunca mais irá ouvir falar de mim, apenas cuide muito bem da Marie.
—Não diga bobagens e abra o portão.
—Não temos mais nada pra falar.
—Não irei embora!
—Sabe que deve ir, está tarde e você está sendo irresponsável por estar com a menina aqui!
—Pare com isso e vamos conversar.
—Tudo bem Edward. Ai meu Deus! Falei chateada.
—Eu, eu.....
Abri o portão e o vi ali parado com os olhos um pouco vermelhos, pensando ser outra coisa, eu o estapeei sem pensar duas vezes por amá-lo e estar desapontada.
—O que Andou fazendo? Perguntei passada vendo-o tão desolado e sem revidar, eu estava descontrolada. –O que foi que você fez para está assim com os olhos dessa forma? Perguntei entre os dentes e puxando o cabelo dele, na verdade eu não me reconheci, ele apenas ficou parado e caiu de joelhos estando na minha frente.
—Bella meu amor, não nos abandone. Disse ele secando as lágrimas que rolou.
—Eu só quero saber o que você andou fazendo! Me diz agora! Pedi segurando o queixo dele e o soltei achando estar exagerando. Eu me sentia desapontada demais.
—Eu estava e estou me lamentando, eu não posso te perder bella, eu juro que eu não quero outra a não ser você. Eu sei que começamos muito mal e que muito aconteceu, mas me perdoa meu amor. Perdoa-me por roubar-lhe a felicidade e a alegria de viver. Perdoe-me por todos os insultos, agressões e por fazê-la chorar tantas e tantas vezes. Por favor. Disse ele estando de joelhos e parecia muito mal.................. – Eu a amo tanto e pra deixá-la ir não será tão fácil assim. É ruim demais vê-la com outro e imaginar eu fazendo o mesmo, mas isso eu no lugar dele. É insuportável pensar em você dormindo com ele bella e não faça isso comigo. Eu preferi falar dos meus sentimentos a ocultá-los, mas me esqueci de respeitar o seu. Sei que não é a mesma coisa e não é o mesmo que eu sinto.
—Edward. Falei baixo por estar passada em vê-lo ajoelhado perante mim depois de tudo.
—Apenas escute e me perdoe, por favor. Eu, eu, eu sei que você não quer o meu dinheiro. Eu percebi que você não é uma mulher má e interesseira, sei conhecer isso em alguém. Sei que eu errei por ter sacado isso, mas continuei sendo teimoso e não assumindo os meus reais sentimentos. Sei que cometi milhares de faltas imperdoáveis Isabella, mas, mas..... Eu tive receio de você debochar de mim, mas isso você já sabe. Fique comigo....
—Volte para o seu apartamento e cuide da nossa filha. Falei me fazendo de forte e as palavras saíram sufocadas, estava ruim demais para mim também. –Saiba que eu estou superando ainda Edward, mas fica tranquilo que eu não irei ficar remoendo as coisas ruins desde já e a partir de hoje. Sei que você será um bom pai e a proteja das coisas ruins.
—Bella, não me deixe. Não me deixe meu amor. Disse ele abraçando a minha cintura. – Eu já me acostumei com você, é você que eu desejo todas as noites e é com você que eu quero passar os meus dias. Não sente nada por mim não é? Eu sei que é isso, eu mereço o seu desprezo, mas não imagina o quanto é doloroso vê-la beijando outro homem. Não adianta me pedir para arranjar outra, não é assim que o amor acontece. Não é fácil para mim e eu não amo outra a não ser você.
—Edward, levante-se e pare com isso.
—Eu amo você bella. Diz-me como esquecê-la?
—Eu aconselho a conhecer outra pessoa, apenas isso. Falei secando as minhas lágrimas.
—Então você não a quer?
—Desculpe, mas........................Não. Falei não o olhando e coloquei a mão sobre os meus lábios trêmulos, estava sendo tão dolorido para eu falar isso.
—É mentira! Disse ele se levantando e me fez olhá-lo. –Diga que não a quer olhando nos meus olhos.
—Já tem a minha resposta, apenas cuida dela. Estou indo embora de Miami para sempre Edward e encerramos esse capítulo aqui e agora. Finja que eu não existo ou que nunca me viu, será melhor assim. Tem que ser assim e......... tudo acabará aqui.
—Não, não diga isso. Disse ele secando as lágrimas. –Será impossível pensar dessa forma e olhar para a minha filha todos os dias, eu me lembrarei sempre de você.
—É a mais pura verdade, estou seguindo por outro caminho agora. Me sentirei mais feliz longe de tudo que nos faça infeliz Edward.
—Está abandonando a sua filha por causa dele? De alguém que você mal conhece?
—Estou a deixando com o pai, é diferente...................Bem, nós já falamos tudo e leve ela de volta. Está tarde para ambos estarem na rua e se cuida Edward. Verá que será o melhor para você também e que esta noite nós viremos essa página ruim.
—Não uso drogas bella, é o reflexo da dor que você está vendo em meus olhos. Tudo por amá-la e não ser correspondido. Tudo por amá-la e não ter esperança que algum dia você será minha. Não imagina o quanto é ruim essa sensação de amor não correspondido, mas apesar de tudo eu a entendo, não uso vendas em meus olhos. Não seria diferente.
Ele balançou a cabeça que não e secou o rosto, mal se aguentando ele foi para o carro e me preocupei por estar somente ele ali. Estando eu vestida com pijama, eu não liguei e fui até o carro dele que se encontrava em frente o meu portão.
—Edward, abra a porta. Pedi batendo na mesma e o vidro foi arriado.
—É melhor você não o deixar esperando. Disse ele com um pouco de dificuldade, parecia que ele estava sufocado com a situação.
—Cadê a Marie Edward?
—Ela está dormindo no bebê conforto, mas isso não importa mais. Espero, espero que seja feliz ao lado........... dele. Disse ele mal conseguindo falar e secando as lágrimas.
Edward saiu feito louco com o carro e eu fiquei o olhando estando parada ali no meio fio da calçada. Eu estava preocupada e fiquei estatelada ali me lembrando das súplicas dele, Edward não estava bem para poder dirigir por duas horas e meia. Ele fazia cada loucura e coloquei a mão em meu coração, eu estava apreensiva com a ida deles e chorei ali sozinha sentindo o vento frio se chocar em minha pele.
—Bella, venha, vamos entrar. É perigoso ficar sozinha no meio da rua à uma hora dessas.
—Ed, Ed. Falei mal conseguindo pronunciar. –Estou me sentindo mal, acho que estou preocupada demais, é, é isso. Falei andando devagar e ele me abraçou.
—O que está havendo bella?
—Já está feito. Falei o olhando e desabei ainda mais em lágrimas. –Desculpe, desculpe. Falei soluçando e ele trancou o portão após passarmos.
—Eu disse que você iria sentir ao abandonar a sua filha.
—William, eu estou despedaçada, eu só preciso ir embora o mais rápido daqui.
—Já está tudo certo.
—Ok.
Fui andando com dificuldade, pois a dor física era imensa e agora os meus seios também protestavam. Era dor atrás de dor e me sentei no sofá sentindo uma dor na alma terrível. A minha consciência estava pesando e a Marie era mesmo tudo para mim.
—Não sei o que fazer para amenizar a sua dor Isabella. Pra falar a verdade eu não posso por ela ser a sua filha, um pedacinho seu. Chora por causa dele também que eu sei. Não é isso? Somos pessoas esclarecidas e podemos falar um com o outro de forma sincera e aberta.
—Eu preciso recomeçar. Eu preciso disso como o ar para eu respirar. Estou apreensiva por ele estar na pista há essa hora e com a menina. Falei o olhando.
—Viu como está preocupada com ele. Observou ele me olhando e senti uma pontada de ciúme.
—Eu apesar de tudo não desejo o mal dele William. Apesar de tudo ele é o pai da minha filha e é um ser humano com defeitos igual a qualquer um.....
—Não seria você se desejasse o mal dele, tem o coração nobre demais.
—Eu só quero que você me entenda, por isso eu precisarei de um tempo. Quero muito a sua companhia, mas a princípio como bons amigos. Eu não posso o enganar e me enganar, recomeçar é retomar a minha vida de antes. Eu quero voltar a ser uma pessoa normal, coisa que não estava sendo por longos meses.
—Eu sempre deixei claro que apesar de tudo somos amigos, mas não vou enganá-la ao dizer que eu só quero ser o seu amigo. A proposta ainda está de pé, preciso mesmo de alguém para me ajudar. Pode ficar em meu apartamento como sendo uma amiga minha. Sinto-me sozinho lá e serei a sua companhia também.
—A principio eu irei morar com a minha amiga, mas estaremos juntos todos os dias. Falei segurando a mão dele. –Fico feliz que tenho a sua amizade e desculpe constrangê-lo dessa forma com tantos episódios do meu ex-marido.
—Ok. Disse ele me abraçando.
—Vamos dormir, estou exausta.
—Ok.
A porta da sala foi trancada pelo William e entrei no banheiro, lavei o meu rosto e me olhei no espelho. Várias cenas me vieram à mente, mas nenhuma delas era relacionada à tristeza e sim de nós dois juntos. Fechei os meus olhos e escovei meus dentes novamente, meus pensamentos só giravam em torno dele e da minha filha. Abracei-me lembrando dos dois na estrada há essa hora e eu estava seriamente preocupada.
.
4min depois.
Acordei para a vida e saí do banheiro, a casa estava toda no escuro e exceto o meu quarto. A luz do abajur iluminava suavemente e William estava deitado. Deitei-me ao lado dele e ele me abraçou sem haver maldade, seu abraço me confortava e o olhei.
—Boa noite. Eu o saudei de forma carinhosa.
—Pra você também.
Fechei os meus olhos estando com o meu coração esmagado de preocupação e tentei me acalmar, mas com o passar dos minutos eu percebi que dormir seria difícil essa noite.
.
1h depois.
William já dormia e se encontrava de bruços, ele parecia exausto. Eu me mexia pra lá e pra cá, mas o sono não vinha por eu estar com um aperto em meu peito. Chorei em silêncio durante muito tempo e nada do meu sono vir, não tendo solução, eu me levantei e fui para o closet fazer a minha mala.
.
7h da manhã.
Eu cansava de estar na cozinha e preparava o café da manhã. As minhas olheiras estavam gritando e quando eu terminei de preparar o nosso desjejum, eu fui escovar os meus dentes. Olhei-me no espelho vendo o meu rosto devastado e evitei pensar em tudo que me atormentava, do contrário isso me faria dar para trás. Optei tomar o meu banho logo de uma vez e me demorei sob a água quente, eu estava precisando relaxar os meus músculos e deixei a água relaxar bem a pálpebra dos meus olhos.
.
Um tempo depois.
Passei a minha mão nos meus olhos e parei com ela em minha boca, eu ainda sentia os beijos de Edward em mim e abri os meus olhos após me afastar da água. Também estava custoso para eu acreditar que através da minha boca eu fui capaz de mentir e dizer que não queria mais a minha filha. Quanta mentira meu Deus eu pensava, mas foi preciso.
—Vou aprender a não amá-lo. Falei em voz baixa.
Saí pra me secar e me enrolei na toalha, saí do banheiro e abri a porta do meu quarto de leve, William ainda dormia e fui direto para o closet. Havia roupas minhas ali ainda e vesti uma calça jeans de cós baixo, escolhi uma blusa bem bonita e calcei uma sandália de oncinha. Eu estava bonita e voltei para o banheiro, hidratei os meus braços com o creme e coloquei desodorante. Fiz uma maquiagem leve disfarçando o meu estado e estava de bom tamanho, arrumei a bagunça que eu fiz ali e fui para o meu quarto acordar o William.
—Querido, acorde. Falei de forma doce.
—Ai que preguiça. Disse ele sorrindo e abriu os olhos. –Bom dia.
—Bom dia. Falei dando um beijo na bochecha dele e sorri, ele era tão bacana e merecia ser tratado muito bem.
—Bom dia princesa.
—Eu já preparei o café da manhã, já são 09:20min, logo teremos que partir.
—Tem certeza que é isso que você quer?
—Sim. Falei o olhando séria, pois eu fiquei com medo do que Edward me falou a respeito do meu sobrenome. –Podemos sair às 10h? Daqui a Solares é 1h e 40min.
—Vou tomar um banho correndo então.
—Ok.
William se levantou e foi direto para o banheiro, já eu arrumei a cama e desliguei o ar. Deixei tudo organizado e peguei a roupa de William que eu havia lavado, eu a dobrei e deixei em cima da cama para ele ver. Fui para a cozinha e me lembrei da minha filha ao ver uma mamadeira dela que havia ficado ali, eu a peguei e fiquei me recordando dela. Várias lágrimas rolaram e fui até o quarto que foi dela, estava vazio e fechei os meus olhos. Eu a guardaria comigo.
.
5min depois.
Fui para a cozinha me recuperando do recente choro e Willian entrou estando arrumado, ele foi rápido e me abraçou ao me ver ali aos cacos. Ele preferiu o silêncio e eu também.
.
Momentos depois.
Nós tomamos o nosso café da manhã conversando e nos preparamos para sair após terminarmos de comer. Eu me sentia sufocada por causa do passo que eu estava dando e fui pegar a minha bolsa, olhei a tela do meu celular e não havia mensagens, tão pouco ligações perdidas. Não tendo mais o que fazer naquela casa, nós pegamos as nossas malas e saímos. Fomos até o ponto de ônibus e me lembrei do Pedro, pedi a ele para entrar em contato através de mensagens por eu estar ausente e ele disse um “ok” ao me responder via torpedo. Lembrei da Mary também e mandei uma mensagem para ela, a mesma dizia.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!“Mary querida, obrigado por tudo até hoje. Obrigado por ter confiado em mim, obrigado por ceder o seu tempo e por cuidar de mim quando eu mais precisei. Estou pedindo agora que você cuide bem da minha filha, estou deixando Diamantina nesse exato momento. Não pretendo voltar a morar nessa área praiana da Flórida. Deixo a Marie sob os seus cuidados também e trate-a como uma filha. Me prometa que cuidará bem dela, pois eu sei que sim. Eu a amo mais que tudo. Até um dia Mary e seja feliz, pois iremos nos falar algum dia às escondidas. Adeus.”
Ao longe vinha um táxi e fizemos sinal, o mesmo quando parou, entrei sentindo os meus olhos já marejando. William guardou as nossas malas junto do taxista e ambos entraram no carro depois, fechei os meus olhos e o carro começou a andar.
—É, eu estou deixando Diamantina. Falei olhando para o nada. –Quando eu me estabilizar ou vender logo a minha casa, eu irei levar o que ficou para trás.
—Será da forma que você quiser e achar melhor. Disse ele segurando a minha mão.
—Ok. Falei lembrando do rostinho da minha filha.
Não tendo mais forças para falar algo, eu fiquei quieta durante o trajeto.
.
12:00 em ponto.
Chegamos no aeroporto e nos apressamos, nós precisávamos fazer o check in imediatamente e andamos apressados no meio das pessoas. Chegamos no saguão e fomos bem atendidos, tudo procedeu de forma calma e ficamos aguardando no salão de embarque.
Os minutos se passavam e eu estava me sentindo sufocada, senti algo estranho acontecer em meu corpo e pedi licença ao William, pois eu precisava ir urgente ao banheiro. Entrei em uma cabine apressada e notei que eu estava começando a ficar naqueles dias, por sorte eu andava sempre preparada e acho que o meu sistema nervoso ultimamente ajudou a provocar esse efeito natural das mulheres. Após me precaver e notando em meu relógio que se aproximava da hora de embarcarmos, eu saí da cabine fechando a minha bolsa e lavei as minhas mãos.
Deixei o banheiro após secá-las e me sentei ao lado do William, sem falar nada nós ficamos e olhávamos as pessoas andando pra lá e pra cá. Por um lado eu estava aliviada em ter menstruado novamente, nem tão cedo eu poderia dar esse mole de engravidar.
.
13min depois.
—A hora é agora. Vamos?
—Sim.
—É isso que você quer? Tem certeza meu bem?
—Sim, eu não irei titubear. Não quero que se sinta culpado pela minha decisão de partir William, é o que eu quero e estou agindo com a razão.
—Ok. Disse ele acariciando a minha mão e fomos caminhando rumo à fila que nos levaria até o avião.
Imagens da minha filha me vinham à cabeça e me lembrei da forma que Edward me implorou para eu ficar com ele. Eu estava bem decidida por causa do receio e chegou a minha vez de passar pela moça, olhei para trás rapidamente varrendo o local e passei por ela após ouvi-la me desejar uma boa viagem. De forma carinhosa e sem haver apelo, William envolveu o meu braço e caminhamos, era visível a dor em meu rosto e fomos nos sentar na primeira classe do avião. Colocamos o cinto de segurança e aos poucos o avião foi enchendo.
.
Um tempo depois a aeronave começou a andar e fiz o sinal da cruz, aos poucos ela foi ganhando velocidade e quando eu vi, nós já voávamos. Tiramos o cinto de segurança e a aeromoça nos serviu um drink. Aceitei por aceitar e recusei o sanduíche, acho que nada desceria pela a minha vontade imensa de chorar e o nó em minha garganta era imenso. Tentei beber o drink e bebi um bom gole, sequei a lágrima que rolou e fechei os meus olhos. William me deixou na minha e bebi o drink de uma só vez, por estar me sentindo um pouco mal, eu encostei-me na poltrona pra lá de confortável e fechei os meus olhos.
.
1h e ½ depois.
Eu estava sonolenta quando o avião começou a tremer, era uma turbulência forte e coloquei o cinto imediatamente. Eu estava apavorada e fechei os meus olhos com toda força, acho que isso era um castigo de Deus por estar deixando a minha filha. Pelo medo eu deixei as minhas lágrimas rolar e William segurou na minha mão.
—Eu tenho pavor disso William, é como se o avião fosse cair.
—Confesso que eu também não gosto e logo irá estabilizar.
—Tomara. Falei apavorada.
.
Pelo tempo já estávamos quase chegando e confesso que esse vôo não foi tão tranqüilo, houve três turbulências e a primeira foi bem pavorosa. Eu estava com um pouco de cólica e esperava aterrizar logo. Eu me sentia inquieta e tudo que eu precisava era de um banho e de um travesseiro para chorar.
.
Finalmente chegou a hora de pousarmos e todos já estavam de cinto, agradeci a Deus depois da viagem turbulenta em estar em solo firme novamente. O avião foi andando devagar pela pista ao se aproximar do aeroporto e freou, era chegado o momento de desembarcarmos. Descemos do avião com tranquilidade e pegamos nossas malas, caminhamos para fora do aeroporto e conseguimos um táxi rápido. Liguei para a Ângela e aguardei, chamou duas vezes e no terceiro toque ela me atendeu.
—Alô.
—Amiga, sou eu.
—Oi bella, que surpresa!
—Você está em casa?
—Acabei de chegar. Por quê?
—Acabei de pegar um táxi, estou em New York.
—Mentira! Disse ela demonstrando empolgação. –Finalmente eu irei ver a minha sobrinha.
—Eu, eu...........Depois conversamos a respeito disso. Falei com um nó em minha garganta.
—Tudo bem. Disse ela sacando algo estranho e ficou em silêncio.......
—Estou chegando em poucos minutos.
—Tudo bem.
Encerrei a ligação e entreguei o celular do William.
—Obrigado.
—De nada princesa. Quando acha que estará pronta para trabalhar?
—Tenho que comprar algumas roupas sociais. É assim que eu tenho que estar não é?
—Sim, afinal você será a minha assistente.
—Amanhã que é quarta feira eu comprarei algumas peças e posso começar na quinta.
—Faz assim, eu te espero na segunda feira e a principio você começa como free lance, se gostar e se identificar, eu assino a sua carteira. Eu prometo lhe pagar aos finais de semana quatrocentos e cinqüenta dólares.
—Pra quem está começando está ótimo, pois dará uma grana ótima. Mil e oitocentos ao mês está razoavelmente ótimo para mim. Pra falar a verdade eu prefiro trabalhar na quinta feira mesmo, eu não quero ter tempo para pensar nela. Conhece alguma clínica por aqui?
—Tudo bem e conheço sim.
—Eu preciso tomar medidas para secar o meu leite.
—Ok. Ângela deve se cuidar em alguma delas, ela saberá lhe indicar. Eu sinto muito. Disse ele pensativo e olhou para o lado de fora.
—Tem razão e obrigado.
—Passarei para te pegar todos os dias por volta das 06:30min.
—Beleza.
—Esteja na portaria nesse horário.
—Tudo bem e eu estarei.
—Espero que goste do trabalho.
—Irei sim e obrigado. Falei o abraçando. –Quero que você consiga um apartamento para mim e não muito caro, quero retomar a minha vida e não quero tirar a privacidade da Ângela por longos dias.
—Eu irei ver o mais rápido, tenho propriedades. Pode morar lá em casa como amigos se você decidir.
—Não quero nada luxuoso e valeu pela hospitalidade. Eu preciso ser independente e quero ter um cantinho.
—Deixa comigo. Disse ele me olhando.
Um tempo depois nós chegamos no prédio da Ângela e tirei as minhas malas, cumprimentei o William e ele beijou a minha testa.
—Até.
—Eu ligarei mais tarde princesa.
—Obrigado por tudo.
—De nada, agora descanse.
—Irei.
O porteiro pediu a autorização à Ângela para eu subir e o mesmo me ajudou com as malas, entrei no elevador e apertei o número do andar dela. As portas se fecharam e aguardei, ao chegar no andar dela a mesma já me aguardava na porta do apartamento. Caminhei até ela devagar e ela olhou na direção dos meus braços o vendo vazio, sua feição mudou e ela veio até a mim.
—Olá Ângela
—Oi amiga. Disse ela me abraçando. –Vou te ajudar com as malas.
—Obrigado.
Entramos no apartamento e me mantive bem forte, eu fazia força pra não chorar e a olhei.
—Está com uma cara péssima. Disse ela me olhando. –Já brigou com ele não é?
—Muito pelo o contrário. Falei secando a teimosa lágrima que rolou.
—Cadê a minha sobrinha então bella?
—Está com ele. A partir de hoje eu a proíbo de dizer o nome dele Ângela.
—Por mim tudo bem. Ele lhe tomou a menina?
—Quase isso a princípio, mas eu decidi viver sem ela e ela ficará com o pai. Eu os deixei.
—Você abandonou a menininha?
—Olha eu não estou com forças para conversarmos, eu tive uma viagem péssima e ainda por cima acabei de ficar menstruada. Estou roubada mesmo.
—Roubada você estaria se tivesse engravidado daquele homem novamente, isso sim seria uma furada.
—Olha Ângela, depois falaremos a esse respeito.
—Tudo bem. O quarto que você costuma ficar é seu e guarde as suas roupas no closet. Está em casa, sabe disso.
—Obrigado. Agora eu irei me banhar.
—Enquanto isso eu irei preparar a janta.
—Tudo bem. Falei a abraçando. –Acho que eu poderei viver agora, mas eu não esperava que fosse longe da minha filha.
—Nem eu queria isso bella.
.
Às 19h.
Eu me encontrava deitada na cama e o ar estava bem no fraquinho, eu estava querendo dormir, mas eu não conseguia por me sentir atormentada. Eu estava sem apetite também e fechei os meus olhos, mas tornei a abri-los quando....
—Isabella.
—Oi, pode entrar.
—Tudo bem. Disse a minha amiga abrindo a porta e segurava uma bandeja contendo um prato de sopa.
—Não sei se eu conseguirei comer Ângela, estou sem fome.
—Faz um esforço amiga, está bem saborosa e precisa se alimentar. Após falar, ela colocou a bandeja sobre as minhas pernas.
—Obrigado.
—Pode ficar aqui comigo, sabe disso.
—É eu sei, mas eu pretendo morar sozinha quando eu me estabilizar. Eu não sei o que seria de mim sem os meus amigos nesse momento.
—Sabe que aqui comigo não tem isso, você é minha irmã. Desculpe-me por tê-la deixado daquela forma em Diamantina. Senti-me mal durante todo esse tempo e não via a hora de nos encontrarmos novamente.
—Claro que sim. Eu não tenho ninguém mais e isso é o que mais me deixa triste.
—Não sei se você vai conseguir ficar longe dela, pois eu não conseguiria. Marie é encantadora bella.
—Estou percebendo que deixá-la foi a pior coisa que eu fiz Ângela, mas ao mesmo tempo foi o melhor para ela.
—Como pode falar isso se os seus seios estão explodindo e se a Marie está pequenina? Você esqueceu que bebês nessa idade dependem da mãe, sentem falta dela e deixá-la a fará infeliz para o resto da sua vida. Você sabe disso, mas estou aqui para apoiá-la. Sei que mãe igual a você que ama a sua filha, nunca se acostumará com ausência dela.
—Não quero que me julgue, fiz isso por ela e vim pra cá por mim. Eu jamais me esquecerei dela, de seus olhinhos brilhantes e sua maneira inocente de sorrir. A minha filha será para sempre tudo para mim.
—Como anda os seus sentimentos em relação a ele?
—Eu o amo ainda mais...............Estou perdida Ângela.
—Como pode falar isso? Disse ela negando com a cabeça. –Está fascinada por causa do sexo espetacular, mas isso não é tudo.
—Eu tenho os meus motivos. Edward apesar de tosco, ele de certa forma tem os momentos de bondade dele. Foi ele quem me deu aquele ar condicionado em meu quarto. Ele deixou a casa em que morávamos em meu nome, mas eu sei que ele não era obrigado a essas coisas depois de tudo.
—E o William bella? Como ele fica no meio disso tudo?
—Eu pedi a ele que fossemos amigos no momento. Eu não posso enganá-lo e me enganar Ângela, ele é muito legal comigo e não é justo o amar só pela metade. Eu preciso estar bem e, com certeza e vontade de ficar com ele.
—Pela metade não, você não o ama. Está claro isso com as suas palavras.
—Mas sinto um carinho imenso, tanto que eu não o destratei em nenhum momento.
—Claro que não, ele é querido demais. Quem sabe um dia você possa inverter isso em seu coração.
—É, quem sabe............Eu não posso viver amando o Edward o tempo inteiro, mas sei que o que eu sinto é maior do que a minha vontade. Eu o amo, é isso.
—Esse cara te pegou de jeito, é visível perceber quando você fala dele porque os seus olhos brilham.
—E como me pegou de jeito, eu estou surpresa por causa disso. Falei secando as minhas lágrimas. –Você não imagina o quanto eu lamento por estar tão apaixonada, mas o meu amor próprio estar falando mais alto ao me afastar. É o melhor para eu superar, mas prometi a ele que seria um capítulo virado em nossa vida. Não iremos remoer coisas ruins porque nos faz mal. Ele está mal por vê à mãe como ficou. Não posso julgá-lo, mas sinto uma dor imensa por causa dos meus pais. Fui eu quem ficou sozinha e isso é muito ruim apesar de tudo. Precisamos superar e eu irei estando longe deles. Não me refiro a minha filha, mas olhá-la eu me lembraria dele também.
—Então, ele finalmente te deu o divórcio. Falou ela pensativa olhando para o nada e depois me olhou.
—Sim, ele me deu.
—E depois disso como estão se tratando?
—Ficamos muitas semanas sem nos falar e nos vimos depois de tanto tempo no meu aniversário. Eu fui levar a Marie no apartamento dele e depois eu fui para a boate.
—Lembro-me do anel lindo que ele te deu. Cadê ele?
—Eu o devolvi, pois achei melhor que fosse dessa forma.
—Você havia bebido naquele dia, isso eu me lembro bem. Estava tonta quando chegou na boate e eu percebi. Disse ela sorrindo levemente.
—Eu vacilei feio nesse dia. Falei pesarosa ao me lembrar de tudo.
—Até em que parte ele está envolvido nisso?
—Nisso o quê?
—Você chegou bem chapada, estava tonta e ainda usava um anel caríssimo que o dito cujo te deu. Está na cara que não foi só isso. Disse ela me olhando, pois a Ângela me conhecia bem mesmo.
—Pra falar a verdade Ângela, muitas coisas aconteceram amiga nesse dia.
—O que, por exemplo?
—Edward me ama de verdade.
—Ele te ama? Perguntou ela gargalhando ironicamente e me olhou séria depois ao notar o meu olhar.
—É ISSO QUE VOCÊ ESCUTOU. Falei um pouco séria e chateada, vê-la debochando dos sentimentos dele me deixou assim e me critiquei.
—Hei, hei, calma. Estou digerindo isso porque para mim é mentira depois de tudo.
—Edward me confessou que me ama. Uma noite antes de ele ficar longos e longos dias sem me ver, ele foi lá em casa e nós tivemos uma conversa séria. Uma conversa de verdade e de homem para mulher.
—E?
—E, que ele abriu o coração dele e disse que me amava.
—Que amor é esse que bate na mulher, a coloca sob o sapato e que a escorraça quando bem quer? Eu estou chocada com tudo que ele lhe aprontou, por isso eu tenho aversão a ele bella!
—Edward me pediu perdão Ângela.
—Ele o quê?
—Ele me pediu perdão e implorou que eu não o deixasse ontem. Ele confessou sentir ciúmes de mim da outra vez e deixou claro que ele sabe que não é digno de ser perdoado. Ele disse que me impedia de ver vocês porque colocavam na minha cabeça para eu poder largá-lo. Ele confessou que me amava em silêncio e que se sentia sufocado já por esconder isso de mim. Esse foi o motivo de toda implicância em relação a nossa amizade.
—Você o perdoou não foi?
—Eu disse que eu estava muito machucada e que estava digerindo ainda para poder perdoá-lo tão facilmente. Nesse mesmo dia nós fizemos amor e ele deixou claro que era amor que estávamos fazendo........E eu ....................
—E o que bella?
—Eu fiquei com ele no meu aniversário também.
—Eu sabia que tinha algo errado. Na verdade eu desconfiava que você me escondia algo.
—Nós bebemos um champanhe importado após ele me dar o presente e quando eu dei por mim, nós já estávamos nus sobre a cama dele. Tive que tomar a pílula do dia seguinte para evitar uma possível gravidez e por isso nós paramos no domingo para eu ir à farmácia. Eu fiquei muitos dias sem menstruar Ângela e só hoje é que ela veio de certa forma para o meu total alívio. Confesso que pisamos na bola por várias vezes e foi muita sorte minha não engravidar novamente. Eu não sei o que acontece comigo quando estamos juntos. Eu perco a noção do tempo, todos os muros de proteção caem e eu me perco no meio dos braços dele. Isso é amor verdadeiro. É amor verdadeiro que eu sinto por esse homem Ângela e isso me deixa muito pra baixo.
—Estou passada, mas isso não ameniza o que eu acho dele! Ele a maltratou demais bella e foi a melhor coisa ter se precavido com a pílula. Quero que me conte tudo desde do início para eu poder entender melhor.
—Tudo bem, eu irei contar desde da minha última estadia lá na mansão da colina em que você ficou lá em casa com a minha filha.
—Ok.
Contei como tudo aconteceu e desde a minha volta de New York. Ocultei o segredo deles e falei tudo que se referia a mim, só sei que a minha amiga ficou pensativa e não gostou de saber que Edward me chantageou para voltar a morar em nossa casa.
—Isso é bem típico dele bella. Esse lance da arma com as suas digitais me deixou passada, agora entendo tudo e o porquê de você voltar com ele. Sinto muito e fez isso por nós.
—Agora você sabe de tudo.
—É difícil acreditar e recusar um cheque milionário, isso só mostra quem você é de verdade. Eu lamento pela Marie e o que você me contou que aconteceu no apartamento dele, ele tentou armar para você. Está tão na cara.
—Quem mais lamenta sou eu. E como assim ele tentou armar para mim?
—Você é uma mulher bonita, chama a atenção masculina e isso deve ter mexido com ele de alguma forma. Tenho que reconhecer que ele deixou o orgulho de lado e se declarou para a filha dos assaltantes, mas isso não muda nada em relação a mim para com ele. Se tratando de armar, está claro que ele colocou algo em sua bebida que a deixasse zonza e com sono. Deve ser algum tipo de calmante que a deixou daquela forma, pois não está acostumada a administrá-los e dopa mesmo dependendo da quantidade. Teve sorte de não ter apagado, pois não iríamos aproveitar e comemorar o seu aniversário. Ta na cara que ele tentou, mas de uma forma branda para dobrá-la e ficar com ele.
—Não estou pedindo que o aceite, eu só contei como tudo aconteceu. Agora o champanhe, eu notei que o meu borbulhava muito mais que o dele. Falei me lembrando da cena. Ele joga baixo demais e caí feito pato! Sinto-me uma idiota!
—Você é a minha irmã, só quero o melhor para você. Ele tem dinheiro, poder na sociedade por ser milionário e bem quisto pelos demais. Você sempre sairá perdendo e não adianta você querer competir com ele. Olhando desta forma agora, vejo que ele está obcecado. Eu desconfiei quando você me contou o que estava passando quando veio me ver com o jake, mas as barbaridades apagaram as minhas suspeitas. Não é normal alguém que detesta a outra fazer sexo sem camisinha, beijar na boca e fazer sexo oral. Quando odiamos alguém de verdade, nós sentimos asco e esse homem não sente isso pelo visto.
—Sei disso e eu já estou aqui. Falei remexendo a colher no prato de sopa.
—Espero que isso tudo um dia possa passar amiga.
—Eu mais que ninguém também espero que isso aconteça.
—Agora coma porque está quentinha a sopa.
—Ela está com uma cara ótima e cheirosa.
—Vou deixar a chave extra do meu apartamento com você e falarei com os porteiros a seu respeito. É só você dizer que é a nova moradora da casa da Ângela Serratos.
—Pode deixar. Inclusive eu amanhã irei ao shopping comprar roupas sociais. Preciso estar apresentável para ir trabalhar na quinta feira na firma do pai do William.
—Não sabe andar aqui. Como fará?
—Pegarei um táxi e farei o mesmo para volta. Deixa-me o seu endereço escrito em um papel.
—Eu deixarei. O shopping é a poucos minutos daqui.
—Que bom.
—Amanhã eu tenho que acordar cedo para ir ao curso, e só volto de tarde. Infelizmente eu não posso faltar.
—Tudo bem amiga e não se preocupe. Na verdade eu irei rachar com você as despesas do apartamento. William irá me pagar bem.
—Nada disso.
—Não me venha com essa amiga, será dessa forma como eu estou propondo. Eu em breve estarei morando em outro local, eu preciso caminhar com as minhas próprias pernas. Eu preciso criar anticorpos para encarar a vida, essa é uma verdade. Tudo que eu quero e preciso, é esquecer ele.
—Sei que eu não posso obrigá-la, mas fique aqui comigo o tempo que quiser.
—Obrigado.
Comecei a comer e o gostinho estava muito bom, Ângela apenas me olhava e ficava na dela.
.
10min depois.
—Ângela.
—Pode falar amiga.
—Você conhece alguma ginecologista boa?
—Claro que sim. A doutora Débora é excelente e é a minha ginecologista.
—Beleza, quero poder tomar algo para secar o meu leite. Estou sentindo dores já e preciso ir logo, sei que isso pode me trazer problemas.
—Isso sim é um problema que terá que enfrentar.
—Preciso me consultar com ela o mais rápido possível.
—Ligarei amanhã e marcaremos uma consulta.
—Ótimo. Falei sentindo as lágrimas me cegando e Ângela segurou na minha mão.
—Que bom que o William te deu um emprego, poderá refazer a sua vida. Podemos sair nos finais de semana e será legal você vai ver.
—Irá sim na medida do possível Ângela, pois sinto muito a falta da minha filha.
—Eu já disse que um grande amor se cura com um outro ainda melhor.
—Sei disso.
—Apenas pense melhor e não se deprima ainda mais por causa dele. Lembre-se de tudo que você passou e veja o quanto esse homem te fez mal para aceitá-lo assim tão facilmente em você e na sua vida. Veja as desgraças que aconteceram, as ofensas e a forma que esse homem abusou de você!
—Sei disso e me recordo de tudo isso Ângela a cada segundo, mas eu e ele conversamos a respeito já. Ele me pediu perdão.
—Há perdão para tudo que ele te fez passar?
—Me pergunto isso sempre, mas nós conversamos e eu falei que não iria ficar me lembrando das coisas ruins. É uma página virada toda essa tragédia Ângela, ou lembrá-la será ainda pior para nós dois. Eu e ele falamos a respeito disso, temos que viver e não vegetar com as recordações ruins do passado. Eu concordo com ele.
—Nessa parte você tem razão, mas não fique com ele. Não seja fácil e modelável bella, seja firme e uma mulher de valor caso ele venha atrás de você algum dia. Ele já deve ter percebido o quanto é fácil para dobá-la. Só o fato de ter ido pra cama com ele por livre vontade, isso deixa claro que de alguma forma você o aceita.
—Não iremos mais falar a respeito disso, por favor. Eu estava fora de mim por causa da bebida, mas no fundo eu sei que o queria.
—Tudo bem, apenas lembre-se das minhas palavras. Irei me retirar pra relaxar um pouco em minha cama, a noite está fria e preciso acordar bem cedo amanhã.
—Está sim. Bom descanso Ângela e obrigado mais uma vez pela sopa.
—Tente comer e resolveremos a sua preocupação com a ginecologista. Eu lamento muito que você precise fazer isso e deixarei o endereço daqui sobre a mesa. Qualquer coisa é só me ligar e deixarei o celular no modo silencioso.
—O mais breve possível e tudo bem.
—Eu serei sim.
—Ok.
Ângela se retirou do quarto e eu comecei a comer tendo um pouco de dificuldade, tanto que eu acabei me engasgando e tive que colocar o prato sobre a bandeja e chorei. Chorei ao lembrar da minha filha e.............me levantei, fui até o banheiro e lavei o meu rosto, estava sendo uma barra. Eu estava tão desolada e resolvi escovar meus dentes, nada desceria mesmo e sequei a minha boca quando terminei. Saí do banheiro e peguei a bandeja sobre a cama, saí do quarto e fui direto para a cozinha. Guardei o meu prato na geladeira e bebi um pouco de água, os meus seios protestavam e após beber a água eu fui aliviá-los na pia do banheiro. Eu estava com tanto leite e desperdiçá-lo era horrível, deixava-me ainda pior.
.
12min depois.
Saí do banheiro e me deitei, apaguei a luz do abajur e fechei os meus olhos. Eu precisava dormir o mais rápido possível, mas o sono estava longe de vir.
.
.................................................................................
Madrugada de quarta feira, 15 de Setembro.
Às 03:35min.
Eu ainda me encontrava acordada e senti o meu seio esquerdo vazando, o mesmo era o que mais me causava dor e chorei baixinho. O sono não viria eu sei e me conformei com essa mais pura verdade. Levantei da cama e fui até o banheiro me assear, eu precisava faze isso e lavei mais uma vez o meu rosto. Eu me sentia infeliz demais e voltei para o quarto, sem ter nada pra fazer eu fui olhar a rua da janela. O ar frio batia constantemente em meu rosto e a rua estava com a movimentação reduzida a 2%. O silêncio era imenso e me debrucei na janela, apoiei a minha testa em meu braço e fechei os meus olhos.
Lembranças da minha filha me vinham à mente a todo o momento e eu não sabia o que seria de mim sem ela, mas eu tinha em mente que Edward cuidaria perfeitamente dela. Eu senti um medo tremendo em continuar vivendo em Diamantina, pois o local não era longe de Solares e as palavras de Edward me deixaram de certa forma temerosa. Eu sabia que era tempo de recomeçar e me perdi ali em pé olhando para fora. Eu estava com muito frio, mas não me importei com a friagem por ter abandonado mais uma vez a minha filha. Se essa fosse uma forma de me punir, eu aceitaria por merecer. A saudade era demais e me machucava por ela ser apenas uma bebê indefesa. Sei que devia passar milhares de coisas na cabeça dele a meu respeito e sequei a lágrima que brotou em meus olhos, eram tantas idas e vindas que eu tinha medo de perder a minha real identidade. De uma coisa eu tinha certeza, eu estava sentindo tanto a falta dele....
.
Às 05:50 da manhã.
Escutei a porta do meu quarto abrir e continuei sentada na cama, nisso eu sequei as minhas lágrimas, pois dessa vez a dor era ainda pior.
—Não conseguiu dormir? Perguntou Ângela vindo até a mim estando visivelmente preocupada.
—Não preguei o olho em nenhum momento. Estou com cólica e me sentindo culpada demais.
—Eu sei que não há palavras para eu dizer que irão lhe conforta.
—Não, não há mesmo. Falei a abraçando. –Eu estou com tanta saudade dela Ângela. Sinto falta de pegá-la, de abraçá-la, de ver o sorriso dela. Sinto falta de amamentá-la e lhe sentir em meus braços.
—Sei que dele também bella. Por mais que eu não vá com a cara dele, sei que sente falta daquele cara.
—Sinto mais pela a minha filha, agora ele que refaça a sua vida em paz.
—Sei........ Eu sinto muito por não poder ficar em casa com você, mas já deixei o endereço sobre a mesa.
—Obrigado e não falte o curso.
—Tenho teste hoje.
—Boa sorte.
Ficamos abraçadas e Ângela me olhou.
—É injusto tudo que tem passado.
—Sei disso, mas não irei me lembrar.
—Tudo bem, eu prometo tentar esquecer também, mas é difícil olhando para algumas marcas que ficaram em seu corpo. O mesmo é tão bonito para ocupá-las bella.
—Irei começar a trabalhar amanhã, isso irá me deixar entretida por algumas horas. Quanto às marcas, elas são bem raras. Mal dá para ver.
—Está animada para trabalhar?
—Sim. Eu preciso por não ser uma mulher afortunada Ângela. Acha que esse dinheiro em minha conta irá durar para sempre? Claro que não e logo eu pretendo ir morar só amiga.
—Tem o meu apoio, mas não vejo necessidade de pressa bella. Quer ficar isolada e sozinha?
—Não, mas é o certo a se fazer. Agora vá estudar e tente se concentrar, eu não quero desviar a sua atenção.
—Somos amigas, é normal se preocupar.
—Sei que sim. Eu prometo me deitar e tentar dormir um pouco.
—Tudo bem. Prepare o que quiser comer aqui. Não fique acanhada, sabe disso.
—Sei sim.
—Ok.
Ângela se levantou e eu me deitei, a luz do abajur foi apagada e eu fechei os meus olhos. Muito tempo depois quando o dia já estava claro é que consegui sentir a sonolência vir. Eu acabei dormindo um tempinho depois.
.
12:16min.
Acabei acordando aos prantos, eu havia sonhado com a minha filha chorando e era como se ela estivesse sentindo a minha falta. Levantei da cama decidida e fui para o banheiro, eu não podia ficar ali dentro daquele apartamento sozinha. Era duro ficar longe dela, dele e eu enlouqueceria se não saísse.
Terminei de me arrumar após ter tomado um banho relaxante e me maquiei de leve, eu precisava camuflar o meu rosto devastado pela dor e fiquei apresentável. O vestido longo facilitava o meu estado no momento e soltei o meu cabelo. Perfumei-me de leve e saí do banheiro, peguei a minha bolsa e saí do quarto. Caminhei pelo corredor pensativa e entrei na sala, peguei o endereço e a chave extra do apartamento sobre a mesa. Fui para a cozinha e bebi um pouco de suco somente, pois nada mais desceria sem ser líquido. Após lavar o copo eu o coloquei para secar e saí da cozinha. Andei apressada pelo corredor e cheguei na porta, eu a abri e saí. Tranquei a mesma e caminhei pelo corredor, eu sentia o meu peito um pouco comprimido por causa da solidão e parecia que algo o comprimia. Apertei o botão do elevador e o esperei, quando o mesmo chegou entrei. Ele estava descendo e havia uma moça nele, acho que ela iria para a garagem, pois o botão com a letra G havia sido pressionado. Ela era jovem, bem vestida e de certa forma eu a invejava por não ter uma vida tão complicada igual a minha. Sei que a inveja era no bom sentido e desencanei, logo cheguei no térreo e saí do elevador. Cumprimentei o porteiro e me identifiquei como eu havia combinado com a Ângela, dizendo estar tudo certo eu olhei para o lado de fora. Perguntei a ele como eu fazia pra chegar no shopping e fui informada como eu fazia pra ir e voltar, caso eu fosse de ônibus. Eu o agradeci e saí, fui caminhando distraída pela calçada rumo ao ponto de ônibus e eu logo cheguei no mesmo. Havia algumas pessoas ali e aguardei o ônibus passar. O meu celular tocou e eu o peguei na bolsa, olhei o visor e atendi.
—Olá William.
—Olá princesa. Quero saber como você está.
—Devastada, mas fazer o quê.
—Está em casa?
—Na rua, irei ao shopping comprar algumas coisinhas para mim. Quero ficar bem para o trabalho amanhã e de certa forma eu estou empolgada. Isso me ajudará e como.
—Que bom, mas não se preocupe que tudo irá dar certo. Você parece ser uma mulher inteligente.
—Isso eu sou sim. Falei sorrindo levemente. -Liga-me mais tarde, o ônibus está vindo.
—Farei isso. Quer ir jantar fora hoje comigo? É um convite inocente e irá se distrair um pouco, mato a faculdade hoje por você.
—Hoje não, tenho que estar acordada cedo amanhã. Falei fazendo sinal para o ônibus. –Pouco dormi essa noite e quero estar bem amanhã em sua empresa.
—Tudo bem, mas se mudar de ideia, me liga.
—Ta, agora tenho que desligar. Falei entrando no ônibus.
Despedi-me dele e coloquei o meu celular na bolsa, tirei o dinheiro e paguei a minha passagem sentindo-me indisposta. Pedi ao motorista para me deixar no shopping e me sentei próximo dele, o mesmo me informou que logo chegaríamos por ser perto.
.
O ônibus parou no ponto e o motorista disse a rua a qual eu deveria entrar, eu daria no shopping e o agradeci. Desci do ônibus e segui, fui olhando tudo a minha volta e me empolgaria se eu estivesse mais animada. As ruas estavam bem movimentadas e eram tantas pessoas, que New York fervia. Ao longe eu já avistava o shopping, mas a loja contendo roupas sociais me chamou a atenção. O preço não era dos piores e me interessei, com esse pensamento eu entrei na loja.
—Boa tarde. Saudou-me a vendedora.
—Boa tarde.
—Eu poderia ajudá-la?
—Na verdade eu me interessei naquele terninho feminino de saia e blazer. Sei que há outros e eu gostaria de vê-los, os de calça cumprida social também me interessa.
Após eu falar ela me perguntou o meu tamanho e eu a informei. Ela pegou a peça que eu gostei e trouxe muita outras, eu adorei a maioria e só naquela loja eu deixei mil dólares. Havia muitas peças de roupa e compraria sapatos no shopping para combinar. A vendedora me agradeceu e me retirei da loja, continuei andando pela calçada e esperaria o sinal fechar para atravessar. Quando o mesmo fechou, eu atravessei e cruzei a portaria do shopping. Andei apressada pelo mesmo entre as pessoas e entrei no shopping, ele era imenso e fui olhando as vitrines. Comecei a sentir um pouco de cólica e a ignorei, tive que ir ao banheiro minutos depois me aliviar. Após lavar as minhas mãos eu saí do recinto, continuei olhando as vitrines e me perdi olhando tudo a minha volta sentindo no fundo uma imensa vontade de chorar. Sentindo saudades da neném, eu olhei a lojinha de criança e vi cada coisinha linda, o vestidinho amarelo com lilás ficaria lindo nela, eu pensei correndo a minha mão no tecido do mesmo. Havia cada mamadeira linda e sequei a lágrima teimosa que rolou sob o olhar da vendedora e ela olhou na direção da minha barriga que no momento estava reta. Retirei-me da loja e continuei andando pelo local, muitas pessoas circulavam segurando as suas bolsa e eu fazia o mesmo.
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9min depois.
Entrei em uma sapataria e comprei dois pares de sapato fechado, eu não precisava de muito por haver pares novos em minha mala. As horas já estavam avançadas e já passava das 14:40, nem sinal de fome por estar desolada e continuei andando.
Duas horas depois eu me cansei e fui me sentar na praça de alimentação, eu não iria comer e fiquei olhando as pessoas se alimentarem. Peguei o meu celular na bolsa por estar apitando e era uma nova mensagem de.......Alice. A mesma dizia.
CONTINUA.....
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