Sol Invictus - A Saint Seiya Fanfic

4 Ataquem Cavaleiros da Coroa do Sol pt 1


Ao ouvir a palavra “Abel” Saori parecia ouvir a harpa dourada de Abel tocar em algum lugar da sua mente. Um lapso de lembrança de eras atrás, muitos anos. No tempo em que os deuses reinavam soberanos, governando o Sekai com punhos de ferro muitas vezes. Parecia que o sonho de Saori havia se materializado, mas de outra forma. Em outro lugar. Mas com as mesmas pessoas.


— Abel… — Saori olha para o “irmão” sem surpresa, mas com uma certa tensão.


— Parece que não somos só irmãos por causa de Mitsumasa. Há uma longa história que une nossas almas. — Afirma Hideo.


Saori fica em silêncio, ouvindo o.


— Assim como você, Atena, eu também sou filho de Zeus e Métis. — Quando Hideo começou a falar, para Saori parecia que o próprio deus grego havia tomado o corpo do rapaz loiro. — Nascemos juntos e por muito tempo dividimos o mesmo espaço entre os deuses. Tudo o que eu queria era a harmonia, que a humanidade não fosse mais motivo de vergonha e desgosto para nós. Mas Zeus achou que meus planos de purificar a terra dos humanos corruptos era demonstrar um poder que me igualaria a ele, ou o superaria.


Aquela frase pesou no ouvido de Atena como mil toneladas.


— O trono do olimpo estava ameaçado, segundo todos. — Hideo prossegue olhando fixamente para os olhos de Saori. — Então criei um exército para me defender e buscar o que é meu por direito. Mas ainda assim fui derrotado e minha alma selada e banida em algum lugar no Egito. Muitos anos mais tarde, um grupo de arqueólogos encontrou o obelisco onde minha alma estava e com o selo de Atena enfraquecido pelo tempo pude reencarnar no corpo deste jovem, Hideo Kido, após me libertar.


Saori permaneceu sentada, as mãos repousadas sobre o colo, o vestido branco imaculado como uma máscara de serenidade. O rosto sereno, sem demonstrar muitas emoções, os olhos azuis fixos nos de Hideo, mantendo-se calmos.


— Por que está me revelando isso?


— Minha cara irmã, eu retornei nessa era, no corpo de Hideo Kido porque chegou a hora. Eu vim buscar o que é meu de direito.


— A hora de que?


— Chegou a hora de nos unirmos para tomarmos as rédeas deste mundo. Tanto como Saori e Hideo quanto Atena e Abel. Com nossos recursos materiais e divinos seremos imbatíveis.


— Hideo… o que exatamente você pretende?


— Você nem precisaria ter dito isso para eu ter certeza que teme as minhas palavras.


— Como?


— Já se esqueceu, Atena? Nosso senhor Abel tem o poder de ler a mente de todos. Inclusive a sua. — Lorelei comenta do jardim, ajoelhada perante os deuses, interrompendo a conversa gentilmente.


Saori se sentia como uma presa acuada. Ainda se lembrava das palavras carregadas de preocupação na carta de Tatsumi e depois vê la nos olhos de seu mordomo.


— Atena… eu não pretendo me conter quando se trata de ir em busca de meus objetivos. Junte-se a mim ou eu passarei por cima de quem for pelo que eu quero. E algo muito importante eu já tenho para isso; o sangue de Mitsumasa Kido.


— Hideo… — Saori depositou a xícara de volta no Pires após bebericar mais um pouco do chá. — Esta mansão e a Fundação Graad não estão à venda. Muito menos pretendo abrir mão da terra.


— E eu vim de muito longe para abrir mão de qualquer coisa para não desagradá-la. — Breve pausa. — Devo alertá-la, querida irmã, ou melhor dizendo, lembrá-la de que tenho o sangue de dois magnatas e um poder equivalente ao de Zeus.


— As coisas nunca terminam bem para aqueles que se colocam acima dos outros, Hideo.


Os cosmos dos dois colidiram-se, mesmo alí sentados. Saori pensou em Tatsumi e todos os que trabalham na Fundação Kido, pensou nas crianças do orfanato. A mente de Saori trabalhava numa saída melhor para aquela situação.


Do nada, quebrando o clima tenso, uma risada feminina invade o jardim. Era Shoko, Saintia de Cavalo Menor acompanhada usando roupas normais. Uma blusa azul marinho, casaco amarrado na cintura, bermuda jeans e tênis. Os cabelos avermelhados presos em um alto rabo de cavalo. Saori olhou tensa, Lorelei atenta. Quem era ela e como havia entrado?


— Shoko. — Exclamou Saori baixinho.


Shoko vinha correndo até o jardim estranhando a presença dos seguranças presentes e vinha correndo acenando para Saori.


— Oi Saori.


A garota se detém ao ver melhor a situação depois que a euforia passou. O sorriso desmanchando-se. Saori estava aparentemente conversando com um jovem loiro de olhos pretos e muito bem vestido, uma jovem de cabelos ruivos longos, também muito bem vestida, ajoelhada mas virando o rosto para Shoko, a vigiando.


— Desculpe… atrapalho algo? Eu só vim ver como está a Saori e a Mi… — Shoko coça a nuca.


— Saori Kido te conhece? Porque eu não. — Lorelei lentamente se levanta e fica de frente para a Saintia.


— Não se preocupe senhorita Lorelei, ela é uma das Saintias. Damas de companhia. — Saori tenta acalmar os ânimos.


— Eu também não te conheço. — Shoko rebate sem se intimidar. Cruzou os braços, o queixo erguido. — Quem é você?


Shoko começou a sentir o cosmo da amazona. Era suave, mas ao mesmo tempo intenso e protetor quando precisasse. O olhar da ruiva na direção da garota era como o de um cão de guarda, porém com orbes esverdeadas intensas que não desviavam de Shoko, avaliando cada detalhe: a postura, a respiração, o cosmo latente da Saintia.


— Eu sou Lorelei de Coma Berenice, amazona da Coroa do Sol de Abel. Nunca ouvi falar das Saintias, só das amazonas. — Lorelei anda alguns passos na direção de Shoko e depois para na metade do caminho. — Não importa, eu só quero que saiba que daqui pra frente terão que se curvar a Abel, se quiserem continuar a proteger Atena.


O silêncio que se seguiu foi curto, mas denso.


Shoko arregalou os olhos por um instante, processando as palavras. Depois, algo mudou em seu rosto, o sorriso sumiu de vez, substituído por uma expressão que Saori conhecia bem. Era a mesma expressão que Shoko usava antes de entrar em combate.


— O quê? — A voz dela saiu baixa, incrédula. — Quem você pensa que é?


Ela deu um passo à frente, os punhos fechando-se ao lado do corpo. O cosmo de Cavalo Menor começou a vibrar, pequeno mas teimoso, como uma chama que se recusa a apagar.


— Eu não sei quem é esse tal de Abel, nem essa tal de Coroa do Sol — disse Shoko, e sua voz ganhou força a cada palavra. — Mas eu sei quem é Saori. E eu sei que ninguém vai me dizer para me curvar a coisa alguma.


Lorelei inclinou a cabeça ligeiramente, analisando. Sem dúvidas Shoko tinha um cosmo interior, mas para a amazona não era o suficiente para intimidar.


— O que foi, você quer lutar, é? — A ruiva olhou e sorriu de canto.


— O que eu acho é que a senhorita Saori está em perigo, eu não confio nem um pouco em Abel e em você.


— Você pode se arrepender, menina. Aconselho que não dê nenhum passo a mais. — Lorelei deu um olhar mais intimidador, elevando um pouco de seu cosmo para demonstrar para a jovem.


Mii se aproxima ao ouvir a voz de Shoko, deparando-se com ela frente a frente com Lorelei.


— Shoko, por favor se afaste.


— Mii, o que está acontecendo aqui? — Shoko sentiu um alívio ao ver a colega.


— Não se preocupe senhorita Lorelei, eu vou tirar Shoko daqui…


Mii tenta afastar Shoko, a segurando no braço, mas a menina se solta.


— Não, eu não vou deixar a senhorita Saori.


(Shoko veste a armadura de cavalo menor e Lorelei, ainda debochando de Shoko veste a armadura de Coma Berenice. Saori olhava preocupada)


— Shoko… — Saori murmura aflita.


— Vejo que tem apreço por essa menina. Mas devo avisar que Lorelei é uma amazona completa. — Diz Hideo.


A armadura de Shoko atendeu ao seu chamado e cada uma de suas partes se encaixou em cada parte correspondente de seu corpo até o elmo com o símbolo do cavalo menor e as asinhas laterais em sua cabeça. A constelação surgindo atrás de si. Lorelei olhou curiosa, porém não surpresa.


— Então isso é uma Saintia? — Lorelei olhou a de cima a baixo com uma expressão de desprezo. — Eu não vou lutar contra uma garota brincando de cavaleiro.


— Não me importo com o que pensa de mim. — Shoko afronta Lorelei mesmo fingindo que não se afetou, mas por dentro aquilo alimentava seu cosmo.


Hideo e Abel pareciam fundidos dentro da mesma carne. Hideo cresceu em um ambiente que o proporcionou uma forma de pensar megalomaníaca, tal como o deus solar. Observou a cena, mal vendo a hora de levar sua irmã de lá.


— Atena, façamos um trato. Você vem comigo para o Egito e eu deixo sua Saintia viva.


— Você não se atreva…


— Eu? Eu não tenho o menor interesse se ela vive ou não. — Fez uma pausa com olhar cínico para a irmã e depois continua olhando sombrio. — Mas Lorelei de Coma Berenice não costuma ter piedade de seus adversários.


Aterrorizada, arregalando um pouco os olhos, mas mantendo o controle, Saori olha para o jardim, onde o brilho vindo da amazona de Abel chama a atenção.


A armadura de Coma Berenice havia surgido da urna na sua forma original como uma mulher com belos cabelos e suas partes atravessaram o ar e cobriram o corpo de Lorelei dos pés até a tiara em sua cabeça. Era uma armadura em grande parte da cor branca, mas com detalhes em um laranja avermelhado mais claro que o tom de seus cabelos ruivos. Por fim estava em toda sua glória, mas insatisfeita.


— Não pense que você me intimida de alguma forma, criança. — Avisa Lorelei andando para o lado sem tirar os olhos de Shoko. — Isto é só um aviso. Não estamos aqui pra brincadeira.


— Acho que você realmente não conhece nós, as Saintias. — Shoko olhava para Mii tensa, que observava de longe. — Nós derrotamos Éris, enfrentamos diversos perigos, assim como os cavaleiros de bronze.


Lorelei suspira e intensifica mais seu cosmo para demonstrar a Shoko com quem ela estava lidando.


— Uma amazona como eu, enfrentando alguém como você é como um Leão matando formigas. — Lorelei sorri de canto e ri com o nariz, em tom de deboche mas também com um ar de alguém mais velho e experiente aconselhando uma mais jovem. — Eu vou te dar tempo para você desistir, Shoko de… Cavalo menor, mas se insistir não diga que não te avisei.


— Eu não vou recuar nem um pouquinho… — Shoko queima seu cosmo, ergue seu punho, a constelação surgindo atrás dela, e em seguida dispara vários socos cósmicos e luminosos na direção da amazona. — METEORO DE CAVALO MENOR.



…


Proximidades do Santuário de Atena


— METEORO DE PÉGASO. — Seiya dispara centenas de meteoros na direção daqueles cavaleiros de armaduras avermelhadas, que pareciam incendiar-se como o Sol.


Galahad de Carina ainda estava lá, imóvel, observando. Mas não era ele quem avançaria primeiro.


— Cérbero. Antínoo. Taurus Poniatovii. — A voz de Galahad era calma, quase entediada. — Mostrem a eles o que significa enfrentar a Coroa do Sol.


Os três cavaleiros de prata se moveram para a frente, mas foi Taurus que recebeu em cheio os meteoros.


Ele não recuou.


Os punhos de Seiya colidiam contra a armadura avermelhada com uma velocidade que deveria ser impossível de acompanhar, mas Taurus apenas ergueu os braços cruzados à frente do peito, e cada impacto soava como metal batendo em pedra. Faíscas douradas e vermelhas explodiam a cada golpe, iluminando a praça como fogos de artifício.


— É isso? — A voz de Taurus era grave, abafada pelo elmo com chifres curvados. — Centenas de meteoros... e nenhum deles arranha minha armadura da Coroa do Sol.


— Não fique tão convencido disso. Já enfrentei um cavaleiro bem parecido com você. A mesma pose, a mesma tática. — Diz Seiya.


— Ouvimos falar dos cavaleiros de ouro. E também de como os derrotaram. Não tenho o mesmo ponto fraco dele. — Ele sorriu de canto e logo disparou o golpe. — INVESTIDA DO TOURO.


Taurus Poniatovii dispara uma carga de cosmo avançando direto como uma avalanche atinge Seiya de raspão e o lança de lado, mas prontamente o Pégaso se firma no chão, evitando um impacto maior. Pensou na irmã, que o esperava na casinha em que vivia com ela na Grécia. A paz precisava voltar.


— Ehhh.. você é durão mesmo. Mas eu ainda tô aqui. — O cosmo de Pégaso incendeia.


Shun erguia suas correntes com altivez, embora não goste de lutar. Diante do jovem estava Antínoo e Cérbero com suas correntes e bola de ferro com pontas afiadas.


— Shun de Andrômeda — disse Antínoo, o sorriso gentil nos lábios. — O cavaleiro mais gentil de Atena. Isso deve ser... inconveniente para você.


Shun não respondeu nada, apenas deixou seu cosmo fluir e suas correntes dançarem.


— DEFESA CIRCULAR. — A corrente circular se moveu, formando um círculo perfeito ao seu redor. A corrente triangular se ergueu, pronta para atacar.


— Eu não quero lutar — disse ele, baixinho. — Mas se for para proteger Atena e meus amigos, eu vou.


Antínoo lançou a agulha. Shun desviou com a corrente circular, mas a névoa dourada se espalhou, e algumas gotas tocaram seu braço. O peso familiar voltou, mas ele o afastou com um certo esforço de vontade.


— Não... vou... dormir.


Cérbero avançou, a bola de ferro girando. Shun ergueu a corrente triangular, que envolveu a corrente inimiga e a puxou para o lado. A bola passou de raspão por sua cabeça, mas ele não recuou.


— Boa — disse Cérbero, e havia algo como respeito em sua voz. — Talvez você não seja tão patético quanto parece.


— Não é nada sábio subestimar seu adversário, cavaleiro. — respondeu Shun, e a corrente circular brilhou.


E do outro lado da praça, Galahad de Carina observava, imóvel, braços cruzados como uma estátua de metal sob o sol doentio.



…



As colinas se erguiam secas sob o sol vermelho, tornando se palco de mais uma intensa batalha entre cavaleiros.


Hyoga ergueu as mãos, e uma parede de gelo se formou à sua frente, bloqueando o avanço do cavaleiro de Galo, subordinado de Kaito, que tentava flanqueá-lo. O cavaleiro de bronze esguio, com a crista metálica no elmo, saltou para trás no último instante, mas os cristais de gelo já haviam alcançado suas pernas.


— PÓ DE DIAMANTE


A névoa congelante avançou, e o Galo rangeu os dentes enquanto o gelo subia por sua armadura champanhe.


— Maldito! — Ele tentou se mover, mas as pernas não obedeciam.


Hyoga não perdeu tempo. Virou-se para enfrentar o cavaleiro Raposa, que tentava atacá-lo pelas costas. A corrente de gelo se moveu por instinto, formando uma barreira que Raposa não conseguia atravessar, mas ele era rápido, mais rápido que o normal. Desviou do gelo, saltou sobre a barreira e atacou com as garras curvas, rasgando o ombro de Hyoga.


— Você é rápido — admitiu o Cisne, recuando.


— E você é lento — respondeu Raposa, e sorriu.


O Ganso avançou com o escudo erguido, tentando esmagar Hyoga contra o chão. O Cisne desviou no último instante, e o escudo atingiu a pedra, rachando-a. Mas o Ganso não parou — girou o corpo e atingiu Hyoga com o punho direito, lançando-o alguns metros para trás.


— Eles são bons — disse Hyoga, limpando o sangue do canto da boca. — Não são cavaleiros de bronze comuns.


— Eu sei. — Shiryu enfrentava Câncer Menor, que tentava prendê-lo com uma pressão ao redor do adversário, como se estivesse no fundo do oceano. Shiryu sente o corpo ficar pesado, como se uma montanha tivesse caído sobre seus ombros. Seus movimentos ficam lentos, e Câncer Menor aproveita para atacar pelas laterais.


— O que... — Ele cambaleia, os pés afundando na pedra rachada. — O que você fez?


— Pressão do Fundo do Mar — responde Câncer Menor, e sua voz sai calma, quase gentil. — Não é um golpe. É uma condição. Quanto mais tempo você fica perto de mim, mais pesado o ar fica. Seus movimentos desaceleram. Sua respiração encurta. Seu cosmo... — Ele inclina a cabeça. — ...se dispersa.


Shiryu tenta erguer o punho, mas o braço parece feito de chumbo. Cada movimento exige um esforço que ele normalmente nem pensaria em medir. Ele consegue dar um passo à frente, mas o segundo passo é mais difícil. O terceiro, quase impossível.


— Você não precisa me atacar — continua Câncer Menor, caminhando lentamente ao redor dele. — A pressão faz o trabalho. Você vai se cansar. Vai errar. Vai cair. E quando cair, eu vou estar aqui.


O peso nos ombros continua. O ar continua espesso. Mas o cosmo do Dragão, em vez de se dispersar, começa a se concentrar. Não nos punhos, não nos pés. No centro, no núcleo. No ponto onde a vontade nasce.


— O que está fazendo? — Câncer Menor franze a testa.


Shiryu abre os olhos. Eles brilham com uma luz verde-azulada.


— Aprendendo — diz ele. — Você me ensinou que força não vence tudo. Mas paciência... paciência também tem limite.


Ele se levanta. Não rápido — devagar, cada centímetro conquistado com esforço. Mas ele se levanta. A pressão ainda está lá, ainda pesa, ainda sufoca. Mas o cosmo do Dragão agora está concentrado, e a pressão não o dispersa mais.


— Impossível — sussurra Câncer Menor. — Ninguém resiste à Pressão do Fundo do Mar.


— Ninguém... — Shiryu dá um passo à frente. — ...nunca enfrentou um Dragão.


Ele avança. Cada passo é lento, mas cada passo é firme. Câncer Menor recua, os olhos arregalados, e a pressão ao redor começa a vacilar.


— Você... você está quebrando a técnica...


— Não. — Shiryu para à sua frente. — Estou aceitando. A pressão faz parte de mim agora. E o Dragão... o Dragão não luta contra a água. O Dragão nada.


Ele concentra todo o cosmo no punho direito. Um único ponto. Um único golpe. A luz verde-azulada brilha intensamente, e a pressão ao redor se rompe como uma bolha.


— CÓLERA DO DRAGÃO.


O golpe atinge Câncer Menor no peito. A armadura avermelhada racha, e o cavaleiro de bronze é lançado para trás. A pressão desaparece. O ar volta a ser leve. Shiryu respira fundo, os pulmões finalmente enchendo.


Kaito observava a luta com atenção, de olho nos movimentos dos cavaleiros de bronze. Os braços cruzados na altura do peito e o pé esquerdo apoiado em cima de uma rocha.


— Humf… pensei que fossem uns vermes completos, mas vejo que têm mesmo experiência em combates. Cavaleiros da Coroa do Sol, última chance de mostrarem sua força. Ataquem com tudo e em conjunto. — Ordena o Lince.


Os quatro se unem e avançam contra a dupla de bronze. Corriam em direção a eles disparando socos na forma de cosmos, ora atingindo os guerreiros, ora somente o que havia atrás deles. Shiryu e Hyoga também avançaram, mas só Hyoga disparou seu golpe, pois Shiryu já havia usado o dele a pouco tempo.


— TROVÃO AURORA, ATAQUE.


Hyoga ergue os braços para cima e dispara rajadas de ar frio mais fortes, arrastando alguns deles pelo ar e fazendo-os cair no chão já sem vida.


Kaito permaneceu imóvel por um instante. O pé esquerdo ainda apoiado na rocha, os braços cruzados, os olhos âmbar fixos nos corpos caídos de seus Predadores. O sorriso que sempre carregava nos lábios não desapareceu — mas mudou. Ficou mais fino, mais afiado, como uma lâmina que acabou de ser desembainhada.


— Hm. — O som saiu curto, quase um rosnado.



…



Cérbero avançava com a bola de ferro girando no ar, o metal cortando o vento como um zumbido cruel. Antínoo circulava ao redor, a agulha brilhando entre os dedos, esperando o momento certo para atacar. Shun recuava, a corrente circular formando uma barreira ao seu redor, mas cada impacto da bola de ferro fazia seus braços tremerem. O veneno de Antínoo ainda pesava em suas veias, e seus movimentos estavam mais lentos do que o normal.


— Você está cansado, Andrômeda — disse Antínoo com um sorriso gentil nos lábios. — Por que não desiste? Seria mais fácil para todos.


— Não vou… — respondeu Shun murmurando, e a corrente triangular disparou na direção de Antínoo.


O cavaleiro de prata desviou com facilidade, e Cérbero aproveitou a abertura para atacar. A bola de ferro atingiu o ombro de Shun, e ele cambaleou para trás, a armadura de Andrômeda rachou um pouco com o impacto. Os cavaleiros de bronze se recordando de como era uma batalha.


— Shun! — Seiya gritou, mas Taurus estava sobre ele outra vez, os cascos metálicos batendo no chão.


— Preocupe-se consigo mesmo, Pégaso.


Taurus avançou com a Investida do Touro, e Seiya mal conseguiu desviar. O impacto de raspão o lançou de lado, mas ele fincou os pés no chão e se firmou, o cosmo de Pégaso queimando ao redor de seu corpo.


— Você é durão mesmo — disse Seiya, limpando o sangue da boca. — Mas eu ainda tô aqui.


Taurus sorriu sob o elmo com chifres.


— Interessante. Vamos ver quanto tempo dura.


Seiya avançou, disparando uma rajada de meteoros. Taurus ergueu os braços para bloquear, e cada impacto fazia faíscas douradas explodirem no ar. O Pégaso estava conseguindo equilibrar a luta — não estava vencendo, mas não estava perdendo. Cada golpe de Taurus era respondido com dois de Seiya, e o cosmo do Pégaso queimava mais forte a cada segundo.


— METEORO DE PÉGASO… — O rapaz ergue o punho, levando o cotovelo para trás e depois impulsionando o braço para frente, liberando vários socos luminosos por segundo contra o adversário.