Sol Invictus - A Saint Seiya Fanfic

5 Ataquem, Cavaleiros da Coroa do Sol pt 2


Mansão Kido — Japão — 1988


Centenas de socos cósmicos e luminosos batiam na armadura de Coma Berenice e aparentemente não surtiam efeito algum a não ser balançar os longos cabelos ruivos da amazona. Shoko de Cavalo Menor avançou, os punhos cerrados, o cosmo vibrando ao redor de seu corpo pequeno mas teimoso. Lorelei permanecia imóvel, a armadura branca com detalhes laranjas num tom mais claro que o cabelo brilhando sob aquele sol doentio, a franja lateral repousada sobre a testa, os olhos verdes fixos na Saintia. A expressão de tédio e pena que irritava a Saintia.


— Você é corajosa — disse Lorelei, a voz feminina saindo baixa, controlada. — Ou tola.


— Já me chamaram de pior. — Shoko não parou. Ela saltou, o punho direito brilhando com o cosmo de Cavalo Menor.


Lorelei não se moveu. Em vez disso, ergueu a mão, e os fios de seu cabelo ruivo começaram a se erguer ao redor de seu corpo, como serpentes douradas despertando. O cosmo da amazona fluiu pelos fios, e eles brilharam com uma luz avermelhada.


— Véu de Berenice. — Ela manteve o tom de voz normal.


Os fios dispararam.


Shoko tentou desviar, mas eram rápidos demais — mais rápidos que qualquer coisa que ela já havia enfrentado. Eles envolveram seus braços, suas pernas, seu torso, seu pescoço. A pressão veio em seguida, forte o suficiente para fazê-la gritar.


— O que... — Shoko tentou se mover, mas os fios apertaram. — Não consigo…


— Shoko… — Gritava Mii, deixando a bandeja de prata que segurava cair.


Lorelei caminhou lentamente na direção dela, a armadura cobre-avermelhada refletindo o sol vermelho.


— Você não deveria ter vindo, Saintia. Isso não é uma briga sua.


— Saori... é minha amiga... — Shoko rangeu os dentes, o cosmo queimando ao redor de seu corpo. — Eu não vou... deixar você...


Os fios começaram a queimar. Shoko sentiu o calor penetrar a armadura e atingir a pele por baixo. Ela gritou outra vez, mas não parou de lutar. O cosmo de Cavalo Menor explodiu ao seu redor, e os fios vibraram.


Lorelei inclinou a cabeça, e algo como interesse cruzou seus olhos.


— Você é mais forte do que parece. Mas não o suficiente.


Com um movimento de mão e o comando do cosmo, os fios queimavam mais intensamente. A armadura de Shoko começou a rachar, o metal quase derretendo sob o calor solar.


— Shoko! — Saori gritou do jardim, levantando-se da cadeira onde sentava-se.


Com um estalo de dedos da mão livre, Lorelei deu um comando para que seus guerreiros subordinados surgissem de onde estavam escondidos, ficando diante de Atena e Abel.


Argo Navis, Coruja e Gato.


A mensagem era clara, assim como o desespero de Saori.


Shoko caiu de joelhos, os fios ainda a prendendo. O corpo tremia, a armadura rachada, a pele queimando. Mas ela não desistiu.


— Eu... não... vou...


O cosmo de Cavalo Menor brilhou uma última vez, e os fios ao redor de seu braço direito ameaçaram ceder.


— Pare, menina. Os fios de Coma Berenice são fortes demais pra você. — Lorelei franziu o cenho para si mesma ao dizer aquilo.


— Pare. — Saori gritou perturbada ao ver filetes de sangue cair entre os fios escarlates.


— Concordo, Atena. Não há nada de proveitoso em ver alguém como Lorelei judiar de uma pobre garota.


Abel se levanta, faz um sinal com as mãos para a amazona interromper a luta e oferece a mão para a irmã.


— Percebe agora que não há como enfrentar as forças de Abel, minha querida irmã? Junte-se a mim e transformaremos essa terra em um novo paraíso.


Saori olhou aterrorizada para o irmão e depois para Shoko, que foi solta dos fios de Lorelei e depois amparada por Mii, que correu até ela e a segurou.


— Shoko, você está bem? Eu te disse para não enfrentá-la. Seu cosmo é terrível.


Mii olhou para Lorelei, certamente uma das mulheres mais poderosas e belas que já conheceu alí diante delas, aparentando imponência com sua armadura. Porém, por alguns instantes, teve a impressão de que aqueles lindos olhos verdes pareciam perdidos.


— Eu… não posso permitir que ele leve a senhorita Saori… — Shoko murmura.


Saori olhou para a mão estendida de Abel. Os dedos longos, a palma aberta, o gesto que deveria ser de paz; mas que carregava a promessa de tudo o que ela temia. Porém, não havia o que ser feito. Preferia poupar a vida daquela que havia salvo o mundo dos planos de Éris do que tentar enfrentar o irmão naquele momento.


— Eu irei contigo, irmão. Vamos para o Egito. Mas por favor poupe os humanos de mais tragédias. — Saori estende a mão e toca a palma de Abel. O contato é como tocar o sol; não queima, mas pulsa.


— O que? não faça isso, senhorita — Tatsumi dizia desesperado, contido por Argo Navis.


— Você fez a escolha certa, irmã.


Lorelei observa a cena em silêncio. Seus olhos verdes estão fixos na mão de Saori sobre a de Abel, e algo em seu rosto se contrai.


Mii segura Shoko, que ainda está fraca, e sussurra:


— O que vai acontecer com a Saori?


Shoko não responde. Ela olha para Lorelei, e os olhos das duas se encontram por um instante. Lorelei desvia primeiro.


— Lorelei. Vá ao Santuário. Avise aos demais que Atena está comigo. É hora de voltarmos ao Templo do Sol. — Ordena Abel antes de ir com Atena.


— Sim senhor.


Ela assentiu com uma inclinação de cabeça. Gesto automático de quem serve há um bom tempo. Mas ao se virar sentiu uma presença. Um cosmo familiar, próximo.


Lorelei fechou os olhos por um instante, concentrando-se. Não era um cosmo qualquer; era denso, antigo, dourado como o amanhecer.


— Lorelei? O que te aflige, amazona? — A voz de Abel soou atrás dela, curiosa.


— Nada, senhor. — Ela se virou, o rosto neutro. — Apenas… um pressentimento.


Abel inclinou a cabeça, os olhos escuros avaliando-a por um instante. Depois, sorriu.


— Então vá. E leve a mensagem.


Lorelei assentiu e partiu, mas enquanto caminhava, não conseguia afastar a sensação. O cosmo intenso daquele cavaleiro era inconfundível.



…


Proximidades do Santuário de Atena


Ainda tentando se recuperar, Shun fez a corrente circular voltar às suas mãos e ergueu a cabeça, mirando os olhos verdes em Antínoo.


— Você usa veneno porque não consegue vencer de frente — disse Shun, e sua voz saiu firme apesar do cansaço.


Antínoo riu, um som melódico.


— Vencer é vencer, Andrômeda. Não importa como.


Ele lançou outra agulha, e Shun desviou com a corrente. Mas Cérbero estava sobre ele outra vez, a bola de ferro girando. Shun ergueu a corrente triangular, que envolveu a corrente inimiga e a puxou para o lado. A bola passou de raspão por sua cabeça, mas Cérbero não parou — ele avançou com as garras, rasgando o peito de Shun.


— Você é persistente — disse Cérbero, e havia algo como respeito em sua voz. — Mas persistência não vence batalhas.


Shun caiu de joelhos, sangrando. A corrente circular caiu de sua mão, inerte no chão.


— Shun! — Seiya tentou correr para ajudá-lo, mas Taurus o bloqueou.


— Fique onde está.


Seiya tentou desviar, mas o pé de Taurus o atingiu em cheio no peito, lançando-o contra uma parede. O Pégaso caiu entre os escombros, tossindo sangue.


— Seiya... — Shun tentou se levantar, mas o corpo não obedecia.


Antínoo aproximou-se, a agulha brilhando entre seus dedos.


— Chega — disse ele, e sua voz não tinha mais nenhum traço de gentileza. — Você foi um oponente interessante, Andrômeda. Mas todo jogo tem um fim.


Ele ergueu a agulha para o golpe final.


Cérbero riu, a bola de ferro girando ao seu lado.


— Faça as honras, Antínoo. Eu já me diverti o suficiente.


Antínoo sorriu, e a agulha desceu.


Mas antes que tocasse Shun, algo cortou o ar. Algo parecido com uma pena porém de cor azul escuro, brilhando com uma aura de fogo, atravessou a praça e atingiu Antínoo em cheio no peito. O cavaleiro de prata foi lançado para trás, caindo inconsciente e a agulha se perdeu no chão.


Cérbero virou-se, os olhos arregalados.


— O quê?!


Uma figura desceu do céu, envolvida em chamas alaranjadas. As asas de fogo se abriram, e o cosmo que emanava dele era imenso — maior que qualquer coisa que Cérbero já havia sentido.


— Ikki! — Seiya ergueu a cabeça, e um sorriso fraco cruzou seu rosto.


Ikki de Fênix pousou no chão entre Shun e Cérbero, a armadura brilhando com uma luz que não era avermelhada, mas dourada. Seus olhos estavam fixos no cavaleiro de prata, e sua voz saiu baixa, perigosa.


— Você tocou no meu irmão.


Cérbero recuou um passo, a bola de ferro girando defensivamente.


— Fênix... ouvi falar de você.


— E eu ouvi falar de você. — Ikki deu um passo à frente, e as chamas ao seu redor se intensificaram. — O cão de guarda da Coroa do Sol. Aquele que mata sem hesitar.


— Ele... ele estava no caminho — gaguejou Cérbero.


— Meu irmão nunca está no caminho. — Ikki ergueu a mão, e uma pena de fogo se formou entre seus dedos. — Você cometeu um erro. E vai pagar por isso.


Cérbero tentou atacar a bola de ferro girando na direção de Ikki. Mas o Fênix desviou com uma facilidade que beirava o desprezo, e a pena de fogo disparou.


— AVE FÊNIX.


A pena atingiu Cérbero em cheio no peito. A armadura avermelhada rachou, e o cavaleiro de prata foi lançado para trás, caindo no chão sem vida.


Ikki virou-se para Shun, que ainda estava de joelhos, sangrando.


— Levante-se, irmão.


Shun ergueu a cabeça, os olhos verdes marejados.


— Ikki... você veio.


— Eu sempre venho. — Ikki estendeu a mão. — Você não deveria estar lutando sozinho.


Shun pegou a mão do irmão e se levantou, o corpo tremendo.


— Seiya... — Shun olhou para o Pégaso, que ainda estava caído entre os escombros. — Precisamos ajudá-lo.


Ikki olhou para Taurus, que observava a cena com os braços cruzados.


— Deixe o Pégaso comigo — disse Ikki. — Você já fez o suficiente.


Ele caminhou na direção de Taurus, as chamas ao seu redor brilhando intensamente.


— Fênix — disse Taurus, e sua voz saiu grave. — Ouvi dizer que você é forte.


— Ouviu certo. — Ikki parou à frente do Touro. — E você? É tão forte quanto o Aldebaran?


Taurus riu, um som grave.


— Veremos.


Seiya finalmente conseguiu se levantar, o corpo coberto de ferimentos. Ele olhou para Ikki, depois para Shun, e um sorriso cansado cruzou seu rosto.


— Demorou, Fênix.


— Você estava se divertindo tanto que eu não quis atrapalhar. — Ikki olhou para trás, os olhos fixos em Seiya. — Descanse. Eu cuido dele.


Seiya assentiu e recuou, indo para o lado de Shun. Os dois Cavaleiros de Bronze ficaram juntos, observando enquanto Ikki de Fênix enfrentava Taurus de Poniatovii.


— Você acha que ele consegue? — perguntou Shun.


Seiya olhou para o irmão de Andrômeda, as chamas ao redor de seu corpo, a determinação em seus olhos.


— É o Ikki — disse Seiya. — Ele sempre consegue.


Taurus avançou com a Investida do Touro, e Ikki ergueu a mão, as chamas formando uma parede à sua frente. O impacto fez o chão tremer, mas o Fênix não recuou.


— Interessante — disse Taurus.


— Você não viu nada ainda — respondeu Ikki, e as chamas se intensificaram.


Galahad observava, pensando em se intrometer na batalha, mas o cosmo de Lorelei de Coma Berenice se aproximando chamou sua atenção.




Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.