Soho Dolls

5 Capítulo 4 - The sweetest drug


Notas iniciais
Hey gente, obrigada pelos comentarios do capítulo anterior, adorei. E espero não decepcionar vocês, né.... Ah, e não era um graaaaaaande segredo, era apenas um segredinho que a elena guardava...

Damon Salvatore Narrando

Ah Nina… A dona dos olhos castanhos que cintilavam sedução, do sorriso que transbordava malicia e daquele corpo escultural que conseguiu me enlouquecer. Seus movimentos hipnotizantes, seus toques entorpecentes e seus beijos viciantes... Essa mulher não saía de minha mente. Ela tinha causado em meu corpo sensações que nem mesmo Katherine conseguia causar, tinha conseguido despertar um desejo que até então estava adormecido e tudo isso em apenas uma noite. Sua voz, seu cheiro tinham sido tatuados em minhas lembranças e eram reproduzidos como um filme o tempo todo.

Eu tinha a impressão de que ainda conseguia sentir seu corpo pequenino sobre o meu ou então seu quadril rebolando sobre mim para me excitar. Elena tinha o tamanho certo para os meus braços e meu corpo, parecia até que tinha sido feita sob medida para mim.

O final de semana inteiro passei pensando em Nina e na segunda, quando finalmente me concentrei no trabalho, por ironia do destino, ela aparece no hospital me tirando da sanidade de novo.

- Nina? – Não precisei de muito tempo para reconhecer, ela que tinha sido a protagonista de meus sonhos eróticos durante as ultimas quarenta e oito horas. Eu reconheceria aquele rosto meigo, aqueles olhos escuros e aquelas madeixas compridas e castanhas de longe.

- Damon – Ela sussurrou parecendo tão assustada e surpresa quanto eu. Então ela lembrava meu nome? Não pude deixar de sorrir por dentro com isso. – Então é aqui que você trabalha... – Sorriu levemente.

- Pois é, acho que você me descobriu. – Sorri de volta. Meus olhos se prenderam em sua boca que agora seus dentes mordiam o canto do lábio inferior sensualmente. Será que ela fazia ideia do quanto estimulante aquele simples morder de lábios era?

– Meu Deus, Elena, finalmente te achei, te procurei por toda a parte... –Uma voz feminina soou atrás de mim e eu vi a postura de “Nina” enrijecer e seus olhos fuzilar a dona da voz que nos atrapalhou.

– Caroline! – Forçou um sorriso. – E então? Como foi? – Então minha Nina, na verdade, se chamava Elena? Mas porque diabos ela mentiu seu nome para mim?

– Desculpe amiga, não queria interromper... – Me virei de costas e encontrei Caroline, uma moça linda, loira e igualmente jovem que encolhia os ombros como se me pedisse desculpas. – Bom, a doutora quer fazer uns exames de sangue então eu vou seguir para o laboratório que tem aqui. – Explicou. – Se quiser ir embora eu vou entender, vai demorar bastante e você deve estar cansada.

– Não, negativo, eu te espero, vai lá C.

– Obrigada! – Sorriu. – Vou estar lá dentro, ok?

– Claro, claro! – Elena acompanhava com o olhar a amiga que andava pelo corredor em direção a porta que levava aos laboratório e mais uns consultórios, ela parecia evitar minha presença mas assim que a loira sumiu seu olhar voltou ao meu.

– Então... – Suspirou.

– Estava pensando, quer ir tomar um café comigo? – Sugeri. Meu Deus, o que eu tinha acabado de fazer?

– Não quero ocupar seu tempo, Doutor... – Olhou meu jaleco procurando meu nome. – Salvatore. – Sorriu vitoriosa. Não gostava que as pessoas me chamassem de Doutor sem que fosse meu paciente, isso me passava uma superioridade que eu não possuía mas o jeito que ela me chamava não era como os outros e sim para me provocar. Sempre gostei de meu sobrenome e ouvi-lo na voz sensual de Elena me fazia gostar ainda mais dele.

– Eu acabei de atender o ultimo paciente, tenho tempo de sobra. – Olhei a prancheta que estava em sua mão, foleando os papeis que ali se encontravam. – E eu adoraria te conhecer melhor. – Sorri para ela. – Podemos ir à lanchonete aqui do hospital, eles tem o melhor pão de queijo que eu já comi. – Eu tinha uma hora até meu próximo paciente e não queria desperdiça-la.

– Você quem manda. – Sorriu. Ela se virou e eu coloquei a mão na base de sua espinha a conduzindo por entres os corredores até chegarmos à lanchonete.

Durante aquele pequeno percurso, tive que tirar forças de outra dimensão para não agarrar sua cintura e leva-la até uma dispensa que tinha de baixo das escadas que descíamos para fazê-la minha mais uma vez. A tentação era grande principalmente porque em minha mente rolavam inúmeras fantasias de nós dois naquele cubículo. “Damon, controle-se” Me repreendi em pensamento.

Quando chegamos à lanchonete minha tensão piorou, inconscientemente a levei até uma mesa isolada das demais com apenas dois lugares, o que nos fazia ficar mais perto do que o permitido para a situação.

Nós fizemos nossos pedidos e enquanto eles não chegavam eu comecei a falar.

– Então, Elena... – Chamei sua atenção. – Estou me perguntando se Nina seria um apelido ou um diminutivo de seu nome, mas até agora não cheguei a uma conclusão.

– Vejo que me descobriu também, Doutor... – Se debruçou à mesa ficando ainda mais perto de mim do que antes. Em seus lábios formava um sorriso que não chegava a mostrar seus dentes e uma de suas sobrancelhas bem feitas estava arqueada. Essa maldita estava flertando comigo? Aquele sorriso um tanto sedutor e a forma que se referiu a mim deixava isso evidente. – Na verdade, Nina não vem de Elena e não é meu segundo nome, também. Quem me batizou com esse nome foi Meredith... – Explicou. Meredith seria a cafetina do bordel?

– Meredith, é...

– Sim, isso mesmo que você está pensando... Dona do bordel. – Falou com descaso.

– Entendi.

– Médico então, huh? – Continuou com a mesma feição. – Isso explica seu pequeno agrado. – Ela não estava facilitando nada aquela conversa fazendo me lembrar de nossa noite juntos. Por um segundo fiquei me perguntando se ela tinha gostado daquela noite tanto quanto eu...

– Costumo agradar quem me agrada... – Dei de ombros. “Elena, você não faz ideia o quanto eu quero que você me agrade no momento, querida...” – Mas, Elena, se me permite lhe chamar assim... – A olhei pedindo permissão e ela assentiu. – Me conte mais sobre você...

– Não te muito a ser dito. – Se encolheu dando de ombros. – Você já sabe meu nome de verdade e com que trabalho, não tenho nada de interessante, Doutor Salvatore, nada que não saiba. – Riu sem graça. Doutor Salvatore... Doutor Salvatore... Doutor Salvatore. Ela conseguia deixar essas duas palavras tão sensuais, era inexplicável e o quanto aquilo me excitava. – Mas com certeza sua vida é cheia de acontecimentos... – Seu olhar perdeu aquele brilho malicioso, alegre que eu conhecia e uma tristeza evidente tomou conta deles. Que sua vida não tinha sido fácil isso eu já supunha, mas não fazia ideia de que era tanta assim para apagar aquele brilho lindo de seus olhos.

– Bom, sei também que você trabalha sério e consegue enlouquecer um homem de prazer quando quer... – Sussurrei malicioso me debruçando à mesa como ela ficando extremamente perto de seu rosto. Estava decidido a fazer aqueles olhos lindos voltarem a ficar como estavam, por mais perigoso que aquilo fosse, pelo jeito, ela não gostava de falar muito sobre si, então escolhi sexo como o assunto porque era algo que ambos gostávamos.

Eu sentia sua respiração acelerar com a nossa proximidade e ela parecia não saber para onde olhar, se para meus lábios ou meus olhos. Elena parecia ter entendido minha intensão e seus olhos que há segundos atrás estavam obscuros, agora transbordavam desejo, algo novo em seus olhos, que eu não tinha visto nem na noite em que transamos. Ela parecia querer aquele reencontro tanto quanto eu e quando percebi, nossos rostos estavam mais próximos do que antes e nossos lábios quase se tocando.

Quando eu estava prestes a sentir novamente a textura macia de sua boca contra a minha, nossos pedidos chegaram nos fazendo nos ajeitar nas cadeiras acabando com aquela proximidade deliciosa.

Céus, como eu a queria...

– Me conte o que quer saber... – Continuei com meu tom de antes não querendo vê-la tristonha novamente.

– Bom, eu sou órfã... – Começou. – Meus pais morreram quando eu tinha dezesseis anos em um acidente de carro, era isso que você queria saber? – Para minha tranquilidade, ela parecia estar descontraída falando sobre isso então pude deixar toda aquela malicia.

– Obrigado! – Falei aliviado. – Então desde então você... – Assentiu. Céus, ela era apenas uma adolescente quando começara a se prostituir. Não pude evitar sentir compaixão, ela era tão jovem...

– E você?

– Bom, eu sou viúvo, tenho uma filha de doze anos e como já pode perceber, sou médico. – Elena pareceu ficar um tento incrédula com isso.

– Sei que é falta de educação, mas se me permite, quantos anos tem? – Cerrou os olhos.

– Trinta e mais três! – Ri a deixando mais perplexa que antes. – E a Dama tem quantos anos de vida?

– Dez a menos. – Sorriu.

– Sua amiga trabalha com você? – Eu tentava escolher as palavras certas para falar com ela quando o assunto era seu trablho, esse assunto era um tanto delicado, em minha visão, e seria muito rude que eu perguntasse diretamente se Caroline era uma prostituta também. Elena assentiu tomando um gole de seu café. – E ela está bem?

– Enjoos matinais. – Explicou. “Gravidez...” Pensei.

– Ela está...

– Espero que não! – Soltou um suspiro pesado. Bom, gravidez deveria ser algo um tanto inevitável para elas que tinham uma vida sexual muito ativa, diga-se de passagem.

– Ela não sabe quem é o pai? – Supus.

– Não sei, na verdade, não cheguei a conversar sobre isso com ela. – Franziu o cenho parecendo estar incomodada.

– Desculpe a intromissão....

– Sem problemas. – Sorriu me reconfortando. – Você foi casado muito tempo?

– Eu e Katherine erámos amigos de infância, nossos pais eram melhores amigos e em consequência fomos criados juntos e na adolescência acabamos nos apaixonando. Começamos a namorar eu tinha dezessete e ela dezoito, depois de idas e vindas, eu acabei a engravidando aos vinte e então nos casamos! – Dei de ombros. Já estava acostumado a contar a minha historia e a de Kath então, praticamente havia decorado esse pequeno texto. Falar sobre minha esposa era um prazer para mim, adorava compartilhar com os outros a minha historia de amor verdadeiro.

– Mas casou porque foi obrigado?

– Não, eu a amava de verdade. – Sorri. Na verdade, eu não a amava, ainda a amo e amo muito aquela mulher.

– E então...

– E então nós criamos nossa pequena Emily juntos em harmonia, até descobrirmos que ela tinha arritmia cardíaca e uma “bela” manha, teve uma parada cardio respiratória. – Fiz aspas no “bela”.

– Sinto muito... – Franziu o cenho, visivelmente, culpada por estarmos falando desse assunto.

– Tudo bem. – Tomei um gole de minha bebida. – Ela tinha só vinte e oito anos... – Era inevitável não ficar chateado ao falar da morta de minha amada. Ela era tão nova, tinha toda a vida pela frente, tínhamos bodas para comemorar, mais filhos para ter, Emily para criar... Mas tudo isso foi arrancado dela, assim como ela fora arrancada de mim.

Um silencio constrangedor tomou conta de nossa mesa. Ela terminava seu café e eu apenas encarava meu pão de queijo meio comido por ter perdido o apetite. Não sabia mais sobre o que conversar com ela, o clima estava pesado e por mais que quiséssemos conversar, nosso assunto tinha acabado.

Até que seu celular tocou e nós tivemos que nos despedir, algo sério havia acontecido com a sua amiga pela sua preocupação e por mais que eu quisesse que ela ficasse, Caroline precisava mais dela, naquele momento, do que eu.

Conversar com Elena tinha feito minhas lembranças de sexta à noite voltarem, mas mais intensas quanto antes, o que me resultou em uma grande dispersão durante o trabalho. Agora sua voz doce também estava gravada em um arquivo chamado “Coisas de Elena” em mim e tinham formado um edição especial de remix e entravam como “música” de fundo de nossas cenas na cama.

Eu estava enlouquecendo... Só podia ser isso.

No final de meu expediente, sai do hospital apressado por estar atrasado para jantar com Anna e Emily. Eu e Emms havíamos combinado um jantar com a minha irmã mais nova para distraí-la um pouco. Annabel tinha terminado um namoro de três anos e estava péssima por isso.

- Tem alguém sonhando acordado ou é impressão minha? – Minha irmã mais nova me tirou do devaneio enquanto estávamos em meu carro seguindo para a pizzaria.

- Ele está assim desde sexta feira, tia Anna. – Emily falou maliciosa. – Tenho minhas duvidas de que ele tenha mesmo saído com Alaric depois do trabalho...

- Emily! – A repreendi.

- Mas é verdade! – Se defendeu. – Não adianta mentir, alguma coisa está perturbando sua mente, pai.

- É verdade, Damon! – Anna riu defendendo Emily. – Divida conosco o que está formando essa carranca em sua testa!

- Vocês estão curiosas demais para o meu gosto! – Revirei os olhos.

- Então você não vai nos contar com quem passou sua sexta-feira a noite? – Emily rebateu.

- Hey, um homem tem que ter seus segredos! – Sorri. – Agora parem de bisbilhotar minha vida! – As repreendi de brincadeira.

- Pelo jeito o negocio é serio, tia! – Emms riu. – Agora mesmo que não vou querer saber, eu ein...

- Ah, eu também não... Me poupe de algo que possa me traumatizar!

- Obrigado! – Sorri presunçoso.

Era ótimo mesmo que elas não soubessem o que tanto passa pela minha cabeça. Não seria nada agradável a reação delas ao saber que a razão de meu silencio era uma prostituta.

Mas não era uma simples prostituta, era a prostituta que estava me tirando do sério. Algo me dizia que Elena era muito mais do que isso, eu sabia que por dentro daquela pose de mulher sedenta havia uma pessoa incrível e estava disposto a conhecer esse seu lado também.

Eu precisava vê-la nem que fosse pela ultima vez.

Elena Gilbert Narrando

- Amiga, calma... – Caroline chorava aos prantos em meu colo enquanto eu acariciava seus cabelos. Ela não tinha descido aquela noite mas assim que meu turno acabou eu voltei para ficar com ela e desde as cinco e meia da manha estava a ouvindo chorar.

- Como assim calma, Elena? Eu estou gravida de um cara que não quer nada comigo. Eu não sei o que faço. – Ela se sentou na cama de frente para mim.

- O filho é mesmo de Klaus? – Perguntei.

- Ele é o único que eu fiz sem camisinha... – Assentiu. – Elena, não sei o que faço...

- Então você quer tirar o bebe?

- Não sei ainda... – Nunca pensei que Caroline fosse capaz de fazer isso, na verdade, eu sei que ela não era, aquela era Caroline desesperada, agindo por impulso e eu como sua melhor amiga deveria alertá-la e não deixa-la fazer isso.

- Caroline, eu não posso te deixar fazer isso! – Suspirei. – C, esse bebê não é só de Klaus, é seu também. – Coloquei a mão sobre seu ventre. – Ele é metade seu também... Já imaginou uma mini Forbes ou um mini Mikaelson? — Um breve sorriso surgiu em seus lábios e eu continuei. – Com os cabelos loiros e os olhos claros, com um sorriso lindo te chamando de “mamãe”? – Eu tentava consolá-la mas em minha mente era um garotinho nada parecido com os dois mas sim comigo. Seus olhos eram verde claro e seus eram cabelos castanhos e um tanto compridos, seu rostinho tinha um formato arredondado e ele parecia um anjo... O meu anjinho. – Imagine quando ele começar a mexer, Carol, ou então a emoção de ouvir seu coração e o desenvolvimento dele no ultrassom?

- Vamos lá, Elena, tente se levantar um pouco! – Meredith se sentou ao meu lado do sofá enquanto eu procurava forças para me levantar dele e ir me arrumar para trabalhar. – Você passou praticamente o dia inteiro dormindo, noite passada não pode ter sido tão cansativa.

- E não foi... – Dei de ombros. – Eu só não estou me sentindo muito disposta hoje, Meredith. – Disposição era algo que não estava em meu vocabulário ultimamente, praticamente tinha até esquecido seu significado.

- Hoje, ontem, antes de ontem e provavelmente amanha também! Elena, assim não dá, eu preciso que você trabalhe sério!

- Eu sei Meredith, mas não estou bem, ok? Estou cansada demais!

- Cansada do que? — Ela debochou. – Cansada de dar? – Meredith era uma segunda mãe para mim, apesar de ser um tanto fria de vez em quando.

- Prostituta cansada de dar, ah tá, essa é nova! – Bonnie comentou se sentando em uma poltrona ao nosso lado e roubando o controle da televisão de minha mão. – Está perdendo o profissionalismo, querida?

- Cala a boca! – Rebati. – Ninguém aqui pediu a sua opinião, fique na sua. – Revirei os olhos suspirando. Um perfume horrível exalou no ar fazendo minha boca se encher de saliva e uma vontade de correr para o banheiro e deixar todo meu almoço na privada. – Por favor Bonnie, tem que levar tão a serio a vida de vadia a ponto de usar perfume de uma?

- Ui sua enjoada, se você não se lembra, esse perfume foi aquele que eu ganhei de Meredith de aniversario que você gostou, por sinal.

- Eu vou vomitar! – Coloquei a mão sobre a boca e corri para o lavabo. Mal tinha me debruçado sobre a privada e tudo o que havia comido no dia foi deixado lá.

Era claro que eu iria adoecer, aquela indisposição não era normal mesmo... Minha saúde estava me preocupando um bocado, eu tinha de terminar um tratamento com um antibiótico por uma infecção na garganta e agora mais isso?

Me levantei lentamente do chão e me debrucei na pia para me lavar.

- Elena, quando foi sua ultima menstruação? – Meredith se encostou na batente da porta enquanto falava.

- Não sei, não cuido disso... – Dei de ombros. – Nunca marquei em um calendário para ver se ela era regular. Por que a pergunta?

- Você e Matt transam de camisinha?

- Não, ele não gosta! – Revirei os olhos. – Fala que incomoda.

- Anticoncepcional?

- Obvio! – Sai do banheiro e ela me acompanhou. Mas a que ponto ela queria chegar? A não ser invadir minha vida pessoal... Ah não... Camisinha, anticoncepcional, enjoos... – Não está querendo dizer que eu possa estar...

- Grávida! – Concluiu. – É exatamente o que eu estou insinuando, Elena.

- Não... – Ri sem graça. – Sem chances... Não costumo falhar um dia com o anticoncepcional e quando estava doente tomava junto com o antibi... – Parei por alguns segundo e analisei minha situação. Eu tinha sido suficientemente idiota por ter tomado antibiótico junto com o anticoncepcional? – Eu sou uma grande idiota! – Murmurei. – Não acredito nisso!

- Precisamos fazer um teste... – Meredith falou. – Quer que eu vá até a farmácia para você?

- Só vou pegar o dinheiro! – Levantei meu indicador para que ela esperasse e fui até meu quarto pegar o dinheiro para o meu teste.

- Não estamos mais falando de mim, não é?

- Claro que estamos... – Tentei sorrir. – Só estou tentando te ajudar a não cometer o pior erro de sua vida.

- Eu não quero esse filho, Lena. – Balançou a cabeça. – E tenho certeza que Klaus também não quer.

- Eu também não queria... – Rebati. – Não fale por ele, Caroline, vocês ao menos conversaram sobre essa criança. – Peguei suas mãos a fazendo me olhar. – Você não sabe o quanto dói saber que foi responsável por tirar a vida de alguém... – Mordi forte o canto de minha bochecha para controlar as lágrimas que ameaçavam cair.

Em minha frente tinham cinco testes diferentes mas todos com o mesmo resultado; positivo.

- Quer fazer um de sangue para confirmar? – Caroline estava ao meu lado, os testes estavam em minha frente um do lado do outro e ela acariciava minhas costas.

- Mais confirmado do que já está? – Soltei um riso pesado. – Não tenho mais dúvidas, eu estou mesmo grávida de Matt.

Matt era um cliente especial, ele era meu cliente fixo já fazia um bom tempo e eu até que gostava dele, como amigo, é claro. Mantínhamos uma relação saudável, ele me chamava para sair, nós nos divertíamos como dois amigos e depois ele me levava para sua casa ou para algum motel e lá virávamos amigos com benefícios.

Matt era um filhinho de papai, seu pai era dono de uma grande empresa de construção de Nova Iorque e vivia as custas dele ou seja, o ou seja, todo o dinheiro que recebia pelos meus programas não eram de Matt mas sim de seu pai.

- E agora, amiga? – Carol perguntou.

- E agora eu vou ter esse filho! – Suspirei. – Mas Matt não pode sem sonhar da existência desse bebê, ok?

- Lena, você sabe que não matou ninguém! Não foi sua culpa. – Revirei os olhos. – Ainda dói, não é verdade?

- Você não imagina o quanto! E eu não quero que você tenha que viver com essa dor também.

- Elena, é diferente... – Se defendeu.

- Ai que você se engana Caroline, é exatamente a mesma coisa, a diferença é que eu não morria de amores por Matt. – Matt... Quanto tempo fazia que eu não falava dele? – Ou você pensa que Matt queria muito aquela criança?

- Eu sei que não...

- Então!

- Mas... – Tentou se defender.

- Caroline, você não faz ideia o quanto dói saber que não vai poder pegar seu filho nos braços e sentir seu cheirinho, que você não vai poder ser mãe... Tudo aquilo que você imaginava, de como ele seria nas roupinhas, de qual seria sua primeira palavra ou seus primeiros passos, tudo isso sendo arrancado de você sem a mínima piedade! – Meus olhos se encheram de lágrimas e eu não consegui mais lutar contra elas. – Você se sente tão importante porque uma vida depende de ti, sabe? Mas daí você recebe a noticia de que não conseguiu segurar seu próprio filho e então toda aquela importância vai para o ralo.

Naquela noite subi mais cedo do que o normal, não estava me sentindo muito bem, desde que começara a me arrumar uma cólica um tanto forte estava me incomodando. Quando cheguei ao meu quarto, apenas coloquei um pijama leve, tirei a maquiagem e me deitei, adormecendo rapidamente.

Eu já não fazia mais programas, apenas atendia as mesas e de vez em quando me apresentava. Como estava disposta a não contar a Matt sobre a gravidez, durante o dia corria atrás de um emprego mais digno, se eu quisesse mesmo ter meu filho, não era no meio de um bordel que eu iria cria-lo e colocar meu bebê para adoção estava fora de cogitação. Eu estava disposta a mudar de vida por aquele serzinho que crescia dentro de mim.

Na manha seguinte acordei um pouco melhor mas assim que levantei da cama, me deparo com meu colchão e toda minha roupa de cama inundada de sangue. Minhas pernas estavam da mesma forma, banhadas de sangue, e por impulso, levo minha mão até meu ventre como se o protegesse.

- Carol! – Gritei.

- Huum? – Minha amiga se virou na cama preguiçosamente.

- Caroline, me ajude, eu estou sangrando! – Comecei a chorar em desespero.

- Oh meu Deus! – Levantou da cama e veio até mim. – O que eu faço?

- Não, sei, peça ajuda, por favor, rápido! – Me sentei na cama novamente. Eu não podia estar perdendo meu bebê, ele era tudo o que eu tinha.

- Socorro! – Caroline abriu a porta e gritou. – Alguém ajuda aqui? Rápido!

- Por favor, bebê, esteja bem! – Eu acariciava meu ventre com todo o carinho, como se tocasse meu filho.

- O que houve? – Meredith chegou ao quarto em desespero e atrás dela estava Marcos.

- Por favor, me levem para o hospital! – Minhas palavras saiam meio falhas devido ao choro. – Rápido! – Implorei.

- Marcos, pega ela e vamos no meu carro. – Meredith falou e Marcos a obedeceu.

- Marquinhos, salva o meu bebê! – Passei o braço ao redor de seu pescoço enquanto ele me levava no colo até a garagem. – Não me deixe perde-lo, por favor!

- Fique calma, Lena, tudo vai acabar bem! – Ele me garantiu. – Seu bebê vai ficar bem.

Mas não foi isso que aconteceu...

- Pense bem antes de fazer qualquer besteira, C.

- Vou pensar sim... – Suspirou. – Mas...

- Não fale nada, ok? Apenas pense. – Não era isso que minha amiga queria fazer, eu tinha certeza. – Agora eu vou dormir ok? Estou exausta!

- Vou ficar pensando... – Sorriu levemente. – Obrigada, Lena!

- Eu sei que você vai fazer a escolha certe! – Dei um beijo em sua testa a abraçando forte. – Boa noite amiga, qualquer coisa me chame.

Eu cambaleei até minha cama e assim que me ajeitei nela cai em um sono profundo.

- Acorde sua vadia! – A porta de meu quarto fora aberta de forma brusca e um homem gritando me acordou. – É uma vagabunda mesmo! – Meu coração parecia estar na minha garganta pelo susto e eu não conseguia reunir forças para levantar. – Ande, vamos, quero meu dinheiro! – O dono da voz chegou até o lado de minha cama e puxou meu colchão me fazendo cair com tudo no chão.

- O que? Você pirou? – Me levantei indignada e fui para cima dele. Logan... Idiota. – Quem você pensa que é para me acordar desse jeito, seu imbecil? – Logan Fell era irmão de Meredith e o verdadeiro dono da SoHo Dolls, ele comprou o estabelecimento e o transformou em um bordel para investimentos, não querendo sujar seu nome, colocou a irmã para cuidar do seu “negócio”. Meredith sem condições de sobreviver, porque Logan não a ajudava financeiramente, optou por também se prostituir.

- Ah me poupe, você sabia que hoje era dia do pagamento, porque a frescura? – Me empurrou de volta para a cama não gostando da forma que eu o enfrentava. – Anda, cadê meu dinheiro? –Ele exigia trinta por cento de todos os programas que fazíamos, ou seja, cinquenta dólares dos míseros duzentos que recebíamos, e todo o dinheiro que a boate rendia com a entrada, as comidas e bebidas iam para ele também. Logan era um homem grotesco, um verdadeiro ogro. Ele tinha muito dinheiro, mas o bordel era como se fosse uma distração para ele, depois que seus pais morreram, ele, por ser o filho mais velho e por ser homem, herdou os negócios da família e rapidamente enriquecera com isso.

- Espera! – Me levantei da cama indo em direção ao armário onde eu guardava meu dinheiro. Eu nunca dava o dinheiro certo a ele, por mais que eu fizesse de três a quatro programas por dia de quinta a domingo, eu o pagava como se fosse apenas um por dia e ficava com o restante para mim. – Aqui! – O entreguei as notas que já estavam separadas para pagá-lo.

- Mas o que significa isso? – Arrancou o dinheiro de minhas mãos.

- Se está achando ruim pode devolver! – Debochei.

- Nem pra abrir as pernas você serve, sua vadia! – Me empurrou com força de sua frente.

- Ao contrario do que você pensa, eu não sou uma máquina de fazer sexo, Logan! – Defendi.

- Ah sim, você é! – Riu. – Caso ao contrario não estaria aqui dando para os outros pra conseguir sobreviver!

- Cala a boca! – Gritei.

- Quem você pensa que é pra gritar comigo? – Agarrou meu braço com força me sacudindo.

- Está me machucando! – Me debati.

- É pra machucar mesmo, quem sabe da próxima vez você abre direitinho essas pernas. – O ódio tomou conta de mim e eu me soltei dele. – Ou você quer que eu te mostre como que faz? — Juntei toda a força que eu tinha e descontei em seu rosto com um tapa forte e ardido. – Ah, isso não vai ficar assim! – Logan veio para cima de mim e fez o mesmo comigo, só que me acertando com muito mais força e violência.

- Seu idiota, nojento! – Gritei colocando a mão sobre minha face dolorida.

- Isso, xinga mais... — Ele veio até mim de novo e entrelaçou os dedos em meus cabelos o puxando com força e fazendo minha cabeça ficar da altura dele.

- Você não passa de um aproveitador, egoísta e mal amado! – Sibilei entre dentes. — Eu odeio você! – Eu me debatia em sua mão o fazendo tentar me soltar, meu coro cabeludo já reclamava pela brutalidade que meus cabelos estavam sendo puxados.

- E você não passa de uma vadiazinha de quinta de quinta sem ninguém em sua vida e nem lugar para cair morta! – Ele estava em minha frente, em uma posição perfeita para eu acertasse sua região sensível entre as pernas, mas assim que eu estava prestes a chutá-lo, ele segura minhas pernas e me acerta outra bofetada com a mão fechada, ainda mais forte que a anterior. – Eu odeio você! – Sussurrei de novo.

- Tudo bem, posso conviver com isso! – Me jogou de volta no chão e eu sem forças para me proteger e colocar a mão na frente, cai de cara no piso gelado de madeira do meu quarto. – E cadê aquela loirinha que você divide o quarto, ela já deveria estar aqui para me pagar.

- Está falando de mim? – Caroline falou atrás de nós. – Mas o que aconteceu aqui?

- Olha só, essa nunca morre! – Riu. – Vamos ver quantos verdinhos você tem para me dar e espero que sejam muitos porque essa sua amiga não me rendeu em nada.

- Lena, o que aconteceu? – Ela veio até mim e se ajoelhou ao meu lado.

- Depois você presta socorro, querida, anda logo, quero meu dinheiro! – Falou impaciente.

- Será que da para esperar? – Caroline gritou.

- Não, não dá! – Respondeu com um grito mais alto.

- Vai lá, amiga... – Me levantei do chão a olhando.

- Elena, você está sangrando!

- Não piore a situação, Carol, o pague logo! – Um cheiro insuportável de ferrugem estava em meu nariz e eu sentia o sangue quente escorrer por minhas narinas... Levei minha mão ele e tentei em uma tentativa falha de limpar aquele liquido vermelho.

Caroline fez o que eu disse e se levantou para pegar seu dinheiro.

- Mas o que é isso agora? – Logan falou abismado. – Que mixarias são essas?

- Desculpe, eu estive muito doente ultimamente... – Caroline falou cabisbaixa.

- Ahh, estava doentinha é? Não quero saber! – Deu de ombros. – Eu exijo mais dinheiro da próxima vez... E aí de vocês se eu descobrir que tem dinheiro escondido em algum lugar desse quarto! – Ameaçou.

- Pronto, já recebeu seu dinheiro, agora saia daqui! – Caroline disse.

- Vocês são umas inúteis, mesmo! – Guardou nosso dinheiro na carteira e então saiu do quarto.

- Lena, o que ele fez com você? – Caroline voltou a se ajoelhar ao meu lado.

- Não se preocupe, Carol, eu estou bem, só me ajude a levantar! – Ergui a mão esquerda em sua direção e ela apoiou meu braço em seu ombro me ajudando a levantar.

- Amiga... – Resmungou.

- Eu só preciso de um banho, ok? Já conversamos!

Caroline por fim assentiu e eu segui para o banheiro. Minha amiga não estava nas melhores condições e eu precisava me mostrar forte para ela, não queria preocupa-la com mais isso. Carol iria ter um longo dia pela frente, ainda teríamos que contar sobre a gravidez para Meredith, o que também não seria algo fácil, mas só iriamos contar se Caroline realmente quisesse ter esse filho,

Notas finais
Espero mesmo que vocês tenham gostado, gente. Ainda vou falar em flashback o que aconteceu com a bonnie e a Elena, ok?N esqueci desse detalhe ainda. AAAAH, e sera que a Carol vai mesmo ter esse bb? Qual será a reação de Klaus? Pfvr, me digam se estam gostando mesmo, ok? bjsbjs