Soho Dolls
6 Capítulo 5 - It's so hot... I can't stop
Notas iniciais
– Não! Não! Não! – Um grito de socorro me puxou rapidamente da inconsciência me fazendo acordar assustada. Me virei na cama e encontrei Caroline, se debatendo no colchão e gritando aos prantos. – Não! – Me levantei rapidamente e fui até o seu lado.
– Carol, hey! – A cutuquei de leve. – Caroline, é um sonho, acorde, amiga. – Acariciei seus cabelos a fazendo acordar.
– Lena? – Ela acordou atordoada e seu rosto estava banhando de lágrimas.
– Sim, sou eu!
– Ah Lena! – Suspirou fundo e desabou em lágrimas me abraçando forte.
– Hey, o que houve? – Me sentei em sua cama a abraçando também.
– Meu bebê, amiga! – Falou entre soluços.
– Sim, ele está ai dentro de você, o que tem ele?
– Amiga...
– Caroline, seja lá o que for, foi apenas um pesadelo, seu bebê está bem, bem protegido ai dentro! – Acariciei suas costas tentando tranquiliza-la. – Respire, se acalme e me conte o que houve. – Me separei dela e peguei sua mão. Caroline respirou fundo e aos poucos se acalmou.
– O bebê era uma menina linda, Lena, linda demais, cabelos loiros, olhos azuis, bochechas rosadas e ela implorava... – Suas lágrimas voltaram a cair. – “Mamãe não me mate, por favor, mamãe, me deixe viver” e eu continuava relutante, mas ela não parava, “Mamãe, eu vou ser uma boa menina, por favor, me deixe viver, não me mate”. – Eu não disse nada, apenas a abracei muito forte a reconfortando. – Eu não vou tirar esse bebê, Lena, vou tê-lo! – Aquilo me fez suspirar de alivio, eu sabia que minha amiga iria tomar a decisão certa.
– É mais sensato a se fazer, C. – Nos separamos e ela sorriu para mim. – Já decidiu se vai contar para Klaus?
– Vou contar sim... – Secou seu rosto. – Ele tem o direito de saber e meu filho tem direito de ter um pai.
– E se ele não aceitar?
– Se ele não aceitar eu pego esse pequenininho aqui. – Colocou a mão sobre o ventre. – E sigo minha vida sem ele. – Deu de ombros.
– Fico feliz que você tenha decidido ficar com ele, Carol.
– Eu também. – Sorriu. – Estou até gostando, sabe?
– Acredite, você vai amar! – Sorri. – O que você acha que ele é?
– Não sei mas algo me diz que é uma menina... – Se levantou da cama e foi até a frente do espelho com a blusa erguida olhar sua barriga. – Você nem chegou a saber o sexo do seu, não é mesmo?
– Não... – Neguei com um suspiro. – Meu bebê era uma criança muito tímida, na minha ultima ecografia, que era possível ver, ele estava de perninhas fechadas... – Sorri com a lembrança. – Mas eu sempre imaginei que fosse um menino, em meus sonhos eu dava de mama para um garotinho.
– Então deveria ser mesmo, falam que mãe nunca erra...
– É, talvez... – Suspirei pesadamente querendo mudar de assunto. — Hm... Tenho uma ideia!
– Lá vem! – Revirou os olhos rindo.
– O que acha de irmos ao shopping? Eu tenho que comprar umas coisas para mim e aproveito e compro o primeiro presente desse meu sobrinho lindo! – Me levantei e coloquei a mão sobre a barriga dela.
– Elena, não precisa se preocupar! – Relutou. – Nem sabemos o sexo ainda.
– Mas eu quero! – Insisti. – Não tem problema, compro branco que é uma cor neutra ou então um par de sapatinhos vermelhos, é tradição! – Cruzei os braços relutante. Eu me lembrava de quando comprei o primeiro sapatinho para o meu bebê, era vermelho também e tinha uma fita para ajustar o tamanho no tornozelo dele.
"Eu tinha feito minha primeira ecografia e aproveitei que estava em Upper East side para ver coisas de criança. Infelizmente, eu mesma tive que comprar o primeiro sapatinho do meu bebê, eu não tinha um marido ou um namorado para me presentear com um ou então uma mãe para mimar seu neto então me auto presenteei com o primeiro par de sapatinhos.
Ir até aquela loja de crianças me fez ficar boba, ver aquelas roupas pequenas, brinquedos, berços aumentou minha ansiedade. Eu já não via a hora de minha barriga começar a aparecer e olhar aquelas coisas de bebê me fez ficar ansiosa para ver meu pequeno naquelas roupas e tê-lo em meus braços.
Naquele momento eu estava deitada em minha cama, de barriga para cima e a blusa levantada mostrando minha barriga. Eu procurava algum volume, algum sinal de que mostrasse que eu estava grávida mas nada aparecia, minha barriga estava lisa, esguia, como sempre esteve. Peguei os sapatinhos um com o indicador e o outro com o dedo do meio e os coloquei em minha barriga os fazendo “andar” por onde eu sabia que meu bebê estava. Eu estava feliz com ele, apesar de tudo, tinha ouvido seus batimentos cardíacos pela primeira vez, o que me fez chorar como uma criança, se pudesse eu os gravaria em algum lugar só para ficar escutando o tempo todo. Ele era real e estava dentro de mim.
Essas lembranças me faziam estremecer por dentro...
– Tudo bem, vamos então! – Sorriu se dando por vencida. – Ah, mas antes eu tenho que falar com Meredith.
– Acho uma boa ideia! – Concordei.
Nós fomos juntas até a sala onde Meredith se encontrava. Caroline se sentou no sofá ao lado de Meredith eu ia para a cozinha pegar alguma coisa para comermos.
– Meredith, preciso falar com você... – Carol começou e Meredith abaixou o volume da televisão para prestar atenção no que Caroline tinha a dizer. – Vou ser bem direta!
– Fala logo, está me assustando!
– Eu estou grávida! – Falou de uma vez.
– Ah meu Deus... – Colocou a mão sobre os olhos massageando as pálpebras. Rapidamente voltei para sala e entreguei a Caroline um potinho de sobremesa com salada de fruta e mel por cima já sabendo que minha amiga não iria se alimentar antes de sairmos para o shopping. – Me fale que você sabe quem é o pai.
– É o Klaus.
– Caroline, como que vocês transam sem camisinha? Vocês melhor do que ninguém, deveriam saber o quanto encapar o queridinho é importante! – Caroline apenas escutava cabisbaixa e assentindo calada. – Se vocês não usam preservativo, pelo menos tomem pílula, não sei, é tão difícil assim?
– Meredith, não precisa ficar falando... Eu já estou bem culpada por ter feito isso. – Suspirou pesadamente.
– Eu não vou te fazer tirar essa criança mas vou exigir que você conte para Klaus que ele vai ser pai! – A postura de Caroline relaxou e eu acariciei suas costas. – Vocês se lembram do que aconteceu da ultima vez que escondemos uma gravidez do pai e eu não quero mais discórdia nessa casa. – Ela falou olhando para mim, me fuzilando com o olhar e dessa vez fui eu que me encolhi.
Eu tinha prometido a mim mesma que não iria deixar Matt nem sonhar que eu carregava um filho dele. Aquilo era um segredo de estado e todas as meninas que moravam comigo sabiam disso, mas o simples fato de elas saberem disso não impediu que abrissem a boca.
– Meredith, olha só a roupa que eu comprei para o meu pequeno! – Entrei em casa feliz tirando da sacola um tiptop branco.
– Temos visitas. – Ela falou apontando para a poltrona no canto da sala. Sigo meu olhar e encontro Matt sentado, se balançando nervosamente e com uma feição irritada. – Vou deixar vocês sozinhos.
– Matt... – Sussurrei.
– E então, como vai nosso filho? — Falou com sarcasmo. – Afinal, quando você ia me contar da existência dele?
– Eu não ia te contar... – Admiti.
– Pois é, eu sei! Sabe, foi preciso a Bonnie, sua colega de trabalho me contar que tem um filho meu na sua barriga.
– O que? Bonnie te contou? – Perguntei pasma. Essa garota não tinha limites, agora só porque um de seus clientes que sempre a procurava no sábado, escolheu passar uma noite comigo, que ela estava infernizando minha vida. Mesmo depois de ter feito a mesma coisa comigo e ter pego meu outro cliente fixo, ela contou para Matt a verdade. Onde essa vadia iria parar?
– Sim, porque né, se não fosse ela eu nunca saberia da existência desse filho.
– Eu vou contar... Hoje de noite. – Caroline falou.
– Ótimo! – Meredith concordou.
O clima estava pesado, eu estava desconfortável com o assunto e com as minhas lembranças. Já fazia quase um ano que isso tinha acontecido, mas mesmo assim eu não conseguia superar...
– Vou me arrumar... – Falei angustiada, precisava sair daquela sala, o assunto não me agradava em nada. As duas perceberam minha mudança de humor e me deixaram ir sem nem ao menos interviram.
...
Eu e Caroline já estávamos há horas andando pelo shopping olhando vitrines e esperando o tempo passar. Eu tinha comprado para o bebê um par de sapatinhos vermelho e um body branco, era simples mas era o que meu bolso conseguia dar. Depois dessa tarde o discurso de Carol era outro, minha amiga estava até feliz com a gravidez e eu estava feliz por ela. Caroline era uma pessoa muito auto astral e eu ficava deslocada quando ela estava triste, não conseguia reconhecer minha amiga para baixo e assim que compramos o presente de seu bebê, ela voltou a ser a Carol de antes.
Eu já tinha conseguido encontrar as coisas que eu precisava, e nós estávamos indo em direção à saída quando Caroline desacelera o passo.
– Elena, aquele não é o Damon? – Indicou com a cabeça. Olhei disfarçadamente em direção para onde ela me apontava e com as mãos no bolso do jeans, um moreno alto vinha em minha direção. O meu moreno.
– Oh merda. – Sussurrei. – É ele mesmo... – De novo senti aquela mesma sensação do hospital, mãos tremendo e um sopro gelado em minha espinha.
– Elena! – Ele sorriu ao ver-me, um sorriso lindo, mostrando todos os dentes perfeitamente brancos.
– Damon! – Correspondi o sorriso. – Essa é Caroline, mas creio que você se lembre dela... – Puxei minha amiga pelo braço procurando apoio.
– Ah claro! – Damon virou para cumprimenta-la. – Como vai, Caroline? – Falou educadamente.
– Bem, obrigada! – Minha amiga respondeu.
– Posso sequestrar sua amiga por algumas horas? – Perguntou olhando para Caroline. Horas? O que ele queria comigo em horas? Ah, obvio, o que todos querem....
– Fique a vontade, mas a devolva inteira, por favor! – Carol respondeu.
– Pode deixar, vou tomar conta dela.
– Desculpe, Damon, não vou conseguir sair com você... – Falei me amaldiçoando por isso. – Estamos com o carro de Meredith e não vou ter como voltar para casa. – Expliquei. Meredith tinha feito a boa ação de nos emprestar o carro para passearmos, não era sempre que isso acontecia, então tínhamos que aproveitar.
– Não seja por isso, eu tenho carro, posso te levar.
– Não quero atrapalhar! – Relutei.
– Mas eu insisto. – Falou amigavelmente. Ok, agora eu tinha certeza de que ele queria meus serviços. – Por favor, Elena.
– Carol... – Me virei para ela.
– Pode ir, eu vou ficar bem, vamos sobreviver. – Assentiu.
– Então se é assim. – Voltei à atenção para Damon. – Estou livre. – Sorri.
– Ótimo. – Damon sorriu abertamente como antes, me deslumbrando com seu sorriso branco.
– E., depois nos vemos, estou atrasada... – Carol falou. – Tchau amiga! – Me mandou um beijo no ar e saiu. Carol tinha um compromisso com Klaus de noite, ela finalmente iria contar a ele.
– Então, o que quer fazer? – Sorri ajeitando uma mexa de cabelo para trás da orelha.
– Elena, o que é isso em seu rosto? – Delicadamente ele pegou meu rosto e virou meu lado esquerdo para si. Meu cabelo escondia esse lado do rosto propositalmente, um pouco abaixo de minhas têmporas tinha um pequeno corte de quando Logan me jogou no chão, meu rosto bateu em alguma coisa ponte-aguda que causou o corte e ao redor disso estava levemente roxo devido ao segundo tapa forte que ele me dera. – Elena, quem te bateu?
– Ninguém, oras. – Tirei rapidamente meu cabelo de trás da orelha o fazendo voltar para onde estava, cobrindo meus machucados. – Eu cai, foi isso.
– Não minta, quem te bateu, Elena? Eu conheço hematomas de agressão e de quedas, ninguém machuca essa região em uma queda. – Com delicadeza, Damon colocou aquela mecha para trás de minha orelha novamente e com os dedos gelados contornou meus machucados. – Me deixe cuidar disso...
– Não precisa se preocupar, é só um machucado de nada, já sara...
– Por favor. – Ele olhou em meus olhos e disse. Parecia que ele tinha me compelido, ou algo do tipo porque só de olhar naqueles lindos olhos azuis, meu corpo inteiro se arrepiou e eu não consegui recusar.
– Ok... – Suspirei.
Damon me levou até uma farmácia que tinha dentro do shopping e comprou um pacote de gaze junto com um frasco de um remédio que eu não sabia a função e nem o nome. Depois ele me guiou até o banheiro familiar para que pudesse fazer meu curativo.
– Damon, isso é frescura! – Continuei relutante.
– Não é, não quero que você pegue nenhuma infecção.
– Mas ele já esta cicatrizando...
– Eu sei, mas com esse remédio ele vai cicatrizar ainda mais rápido. – Fechou a porta e nós ficamos sozinhos naquele banheiro família. – Agora sente-se aqui... – Colocou as mãos em minha cintura me empurrando para a pia de criança do banheiro para que eu me sentasse sobre o mármore da mesma. – E fique bem quietinha, ok?
– Sim senhor, Doutor. – Me sentei onde ele havia mandado o assistindo lavar as mãos na pia ao meu lado. O único barulho daqueles poucos metros quadrados era o som da torneira aberta e de Damon esfregando suas mãos uma nas outras, silencio demais me incomodava, principalmente quando estava com ele...
Minha atenção se prendeu a ele e só conseguia pensar que nós estávamos sozinhos de novo, só que dessa vez, sozinhos de verdade, trancados em um banheiro. Instantaneamente flashes de nossa noite juntos surgiu em minha mente e aquela excitação conhecida surgiu em meu corpo. Eu não ia conseguir me controlar, só a presença de Damon me causava aquilo, imagine quando ele chegasse perto de mim para cuidar do meu machucado.
– Vai arder só um pouquinho... – Ele sussurrou já em minha frente. Ergui minha cabeça para olhá-lo e de imediato nossos olhares se conectaram em uma química perfeita, seus olhos azuis pareciam cintilar e seu maxilar estava tensionado, assim como o meu. Eu assenti e ele ajeitou meu cabelo como antes e pegou meu rosto com a delicadeza de alguém que pega uma louça de porcelana delicadíssima. Eu já havia me esquecido do cuidado que ele tinha comigo e lembrar disso, naquele momento em especial, apenas contribuiu para que aquele fogo se alastrasse por mais partes de meu corpo.
Seu toque quente mandou uma corrente elétrica pelo meu corpo causando um arrepio violento em minha espinha e por impulso, ajeitei minha postura, que antes estava corcunda. Nós já estávamos próximos mas esse meu pequeno movimento fez nossa distancia diminuir tanto que nossos narizes quase se tocavam. Damon se ajeitou melhor em minha frente colocando uma de suas coxas no meio de minhas penas e com uma mão segurou meu cabelo que insistia em escorregar para cima de meus olhos enquanto que com a outra, pegou a gaze com o remédio e encostou em meu machucado. Um gemido de dor escapou de minha garganta quando o remédio entrou em contato com a minha ferida.
– Já vai passar... – Acariciou meu rosto me reconfortando e continuou o trabalho em meu rosto. Aquilo ardia muito mas eu quase não percebia, Damon me distraia da dor e se não fosse pelas sensações que ele estava me causando que me distraiam, eu até ficaria grata por não prestar atenção na ardência.
Ele estava concentrado, centrado demais no que fazia, seu olhar não desviava um milímetro se quer de meu machucado e enquanto ele estava distraído eu parei para analisa-lo melhor, me prender em sua beleza excessiva. Assim como no hospital, meu olhar vagava pelos seus lábios e seus olhos.
Meu Deus como eu o queria... Queria seus lábios nos meus, suas mãos em minha cintura vagando pelo meu corpo com ousadia, necessitava de seu corpo completamente nu sobre o meu e sua voz aveludada, extasiada de prazer gemendo meu nome em meu ouvido... Eu queria que ele me fizesse dele ali mesmo, naquele banheiro de shopping, queria que ele me tomasse para si de todas as maneiras possíveis que aquele ambiente permitisse e que ele desejasse. Meu corpo, minha mente imploravam para que isso acontecesse.
Damon terminou o que fazia e sem eu perceber jogou o que foi usado para o procedimento fora, em um piscar de olhos ele já estava na mesma posição que antes, só que com uma mão acariciando minha coxa e a outra abraçando minha cintura. Sua mão subia e descia pela minha coxa e entrava por de baixo do vestido que eu usava, minhas entranhas reviraram me fazendo morder o lábio de excitação.
– Eu te quero... – Ele sussurrou chegando perto de mim.
– Damon, estamos em um banheiro de shopping, tem câmeras aqui! – Sussurrei me deliciando com a caricia que seus dedos faziam no interior de minha coxa.
– Mas elas não filmam o interior dos reservados... – Seu dedos foram subindo perigosamente entre minhas pernas e por impulso eu as abria para que ele continuasse.
Dane-se, eu o queria, ele me queria, nós estávamos sedentos um pelo outro, não tinha por que recusar. Minhas mãos que estavam apoiando meu corpo no mármore da pia subiram pelo seu peitoral musculoso e foi para sua nuca o puxando para mim. Nossos lábios se encostaram e no momento que nossas línguas começaram a se mover, a maçaneta da porta do banheiro foi girada e a porta quase arrombada.
Nós nos separamos em um pulo e eu desci da pia ajeitando meu vestido enquanto Damon arrumava as compras da farmácia na sacola. Sem demorar mais nenhum segundo, eu destranquei a porta e uma senhora junto com um menino de no máximo seis anos esperavam impacientes do lado de fora.
– Perdão Senhora. – Falei e logo Damon saiu atrás de mim.
– Mas que pouca vergonha! – Ela respondeu. – Vão para um motel, isso aqui é um ambiente familiar!
– Vamos logo vovó, estou apurado! – O garotinho ao seu lado reclamou.
– Sinto muito, nós não estávamos fazendo nada! – Damon respondeu abafando o riso enquanto eu fazia o mesmo.
– Mas que baixaria! – Resmungou. – Vamos filho... – Ela empurrou a criança para dentro do banheiro e assim que a porta foi fechada eu e Damon começamos a rir.
– Pelo menos foi uma senhora indefesa e não os seguranças. – Falei mordendo o canto do lábio.
– Acho que demos sorte. – Veio até mim e colocou meu cabelo novamente para trás da orelha. – Ardeu muito? Não sou bom para curativos, dizem que eu tenho a mão pesada então costumo deixar para os enfermeiros... – Acariciou minha bochecha com as costas dos dedos. Fiz que não com a cabeça respondendo a sua primeira pergunta. “Mão pesada? Essa sua mão pode ser qualquer coisa, Salvatore, menos pesada...” Pensei. – Você sabe que não pode usar maquiagem com esse machucado, não é? – Assenti revirando os olhos. – Se você fizer esse procedimento duas vezes ao dia, antes que você espere esse machucado vai estar melhor!
– Pode deixar, Doutor. – Sorri para ele.
– O que acha de irmos comer alguma coisa? – Sugeriu. – Atravessando a rua tem um café delicioso...
– Você entende dessas coisas não, é? – Ri me lembrando do que ele havia me dito no hospital naquele dia que nos reencontramos. – Acho uma ótima ideia mas não posso demorar.
– Tudo bem! – Assentiu. – Vamos... – Damon me puxou pela cintura e nós fomos até o café com ele abraçado em mim.
O lugar estava vazio então fomos atendidos rapidamente e antes mesmo que o silencio voltasse a nos incomodar, Damon começou a falar.
– E ai, vai me contar quem bateu em você?
– Eu já falei que não foi ninguém, Damon... – Relutei.
– E eu já falei que não acredito nisso, Elena... – Meu Deus como ele era teimoso. – Bater em mulher é covardia.
– Damon, ninguém me bateu! – Ele ficou sério, me olhando nos olhos com uma feição irritada e eu desviei o olhar do dele, envergonhada.
– Foi um cliente? – Neguei. – Então quem foi?
– Logan. – Sussurrei. – O dono do bordel...
– E porque ele fez isso? – Perguntou indignado.
– Todo o mês eu tenho que pagar trinta por cento de cada programa que eu faço e dessa vez ele não gostou muito da quantia que recebeu... E então nós começamos a brigar, eu o enfrentei e acabei apanhando. – Encolhi os ombros enquanto falava me sentindo mais uma vez envergonhada.
– Não acredito que ele teve a coragem de erguer a mão para você. – “Já me acostumei, essa não é a primeira vez” Pensei em dizer isso, mas com certeza ele iria me pedir relatório completo de todas as vezes que apanhei de Logan.
“ Depois de ter aceitado o fato de que eu estava grávida, meus enjoos começaram exatamente nesse dia, parecia até psicológico...
Eu tinha acabado de deixar na privada toda minha janta e meu corpo inteiro tremia de fraqueza, com medo de desmaiar ou algo assim, me deitei em minha cama e fiquei ali encolhida até que aquele mal estar passasse. Naquela noite eu não iria descer, estava sem condições físicas para isso.
– Elena, se arrume que hoje temos um cliente especial e ele quer o seu trabalho! – Meredith entrou no quarto acabando com meu dia de folga.
– Meredith, estou sem condições hoje... – Expliquei.
– Elena, lembre-se do nosso combinado, você só fica com esse filho se você não nos der prejuízo com a gravidez, vai negar um programão desses e uma bela gorjeta se fizer direitinho? – Argh maldito dinheiro que me seduzia, se eu não estivesse necessitando dele, não iria fazer esse programa. Me levantei lentamente da cama ajeitando meus cabelos que estavam horríveis. – Muito bem! – Sorriu em aprovação. – Se arrume daquele jeito, garota! – Sorriu maliciosa e saiu do quarto.
Dinheiro, dinheiro, dinheiro, porque você me fazia tão bem?
– É bebê, desculpe a mamãe por isso mas no futuro você vai me agradecer! – Acariciei meu ventre conversando com meu filho enquanto escolhia uma roupa para vestir essa noite. Me odiava por ter que fazer sexo com um bando de estranhos mesmo estando grávida.
Em pouco tempo consegui me arrumar e ficar no mínimo decente para o cliente especial, então desci para a boate e esperei até que ele viesse me encontrar.
– Nina? – Um homem, bem mais velho do que minhas expectativas, uns cinquentão talvez, veio até mim.
– Você que me solicitou? – Falei e sorri maliciosa chegando perto dele mesmo que minha vontade fosse fugir, não queria passar a noite com ele, não com ele...
– Se você for a Nina de que me falaram. – Abraçou minha cintura enquanto eu brincava com a sua gravata começando a seduzi-lo.
– Se falarem bem, então sou eu sim! – Sorri ainda com malicia.
– Ah, com certeza, muito bem... – Riu. Eu queria acabar logo com aquilo, então tirei sua gravata de dentro do paletó e comecei a puxa-lo em direção aos quartos.
– Então, porque você mesmo não tira suas conclusões? –Abri a porta e o joguei para dentro do quarto.
Aquele homem já estava me esgotando... Me pediu para que eu dançasse para ele, quis me tocar e eu ainda tive que fazer meu trabalho de satisfaze-lo. Aquela já era a segunda vez que eu estava dando para ele e todo aquele seu perfume horrível misturado com cheiro de sexo estavam me enjoando e sem aguentar mais, eu o empurrei para longe e acabei vomitando, por sorte, no chão ao lado da cama.
– Sua vadia! – Ele me empurrou na cama e eu cai no colchão vomitando ainda mais. – Eu não acredito nisso! – Se levantou indignado e pegou suas roupas que estavam espalhadas pelo quarto e se vestiu rapidamente.
– Por favor, me desculpe... – Não acreditava que tinha feito aquilo, como pude ser tão fraca? Me enrolei no lençol e sai da cama correndo atrás dele. – Eu posso explicar, me de mais uma chance! – Eu tentava lutar contra as lágrimas mas elas eram mais fortes do que eu e acabaram escorrendo pelos meus olhos como duas cachoeiras.
– Sai daqui, sua vagabunda! – Me empurrou e saiu do quarto. O que eu tinha acabado de fazer? Estava ferrada...
Minhas pernas cederam e encostada na parede fui escorregando até chegar ao chão e sentar ali mesmo, só com o lençol vermelho cobrindo meu corpo.
– Elena, cadê você sua vadia! – A porta foi aberta com força ao meu lado e Logan entra no quarto furioso. – Você faz ideia em quem você acabou de vomitar?
– Logan, o que faz aqui? – Perguntei soluçando.
– Aquele era um dos maiores empresários de Nova Iorque e eu estava prestes a fechar negocio com ele! – Suas mãos prenderam em meus cabelos e ele me puxou por eles até que eu ficasse de pé em sua frente. – Ele falou que nunca mais vai olhar na minha cara! –Puxou meus cabelos com mais força. – Por sua culpa! – Sem que eu pudesse me defender ou falar alguma coisa, Logan me deu um tapa extremamente forte no rosto me fazendo cair na cama atrás de mim. Por instinto, me curvei sobre minha barriga para proteger meu ventre enquanto recebia outro tapa.
– Para Logan, para! – Gritei me protegendo. – Por favor, para! – Implorei mas ele não ligou e só subiu em cima de mim. – Logan, por favor, eu estou grávida!
– Damon, vamos mudar de assunto? – Falei incomodada.
– Claro, claro, desculpe... – Balançou a cabeça, envergonhado, mas logo um sorriso surgiu em seus lábios. – Caroline é sua melhor amiga, não é?
– Sim! – Afirmei sorrindo. – Na verdade ela é minha amiga, minha irmã e ás vezes até minha filha! – Ri. – Caroline é tudo que eu tenho nesse mundo...
– Sei bem como é que se sente! – Soltou um suspiro pesado. – Minha filha é tudo para mim, sem ela parece que meu mundo para.
– Emily, não é ? — Ele assentiu. – Ela deve ser adorável.
– Ela é linda sim, você iria gostar dela.
– Tenho certeza que sim! – Sorri. Nesse momento nossos cafés chegaram e de imediato eu comecei a tomar.
– E você não pensa em ter filhos, Elena? – Ele perguntou com cautela. Ah não Damon, esse assunto não...
– Não tenho condições de ter um filho, Damon, não tenho nem onde morar imagine para morar com um filho e criar uma criança no bordel não é admissível. Eu preciso aprender a cuidar de mim mesma para criar outro ser. – Dei de ombros. Era claro que eu pensava em ter filhos, mas depois do que aconteceu...
– E sair dessa vida? Fazer faculdade?
– Eu já tentei, na verdade, fiz quase um ano de Design de Moda, mas não deu muito certo. – Peguei um saquinho de açúcar e fiquei brincando com ele sem querer encara-lo.
– Por? – Esse era outro assunto delicado.
Assim que me formei no Ensino Médio, estava decidida que iria fazer uma faculdade e seguir meu sonho de ser uma estilista bem conceituada. Algumas faculdades me aceitaram mas eu entrei na primeira em que recebi a carta de admissão. As aulas começaram e eu estava muito animada, minhas notas eram boas, os professores gostavam de mim e eu estava decidida a sair da prostituição e seguir minha carreira. A única coisa que me incomodava um pouco era que não tinha amigos, ninguém falava comigo e pareciam me evitar o máximo, até tinha a impressão de que eles sabiam o que eu era... No inicio não me importei muito, afinal, eu não tinha tempo para amigos e nem para me socializar com eles, quando não estava trabalhando eu estudava e ia para faculdade, então amigos de faculdade não iriam ser uma boa...
Tudo ocorria bem, até o dia em que um engraçadão de minha turma apareceu na SoHo Dolls em uma noite de sexta feira, ele comemorava seu aniversario então levou o bando que o seguia junto. Eu não os tinha visto lá, mas eles, com toda a certeza me viram tanto é que fizeram questão de contar para a sala inteira e todo o resto do campus. Na segunda, a faculdade inteira sabia quem eu era de noite e faziam questão de jogar em minha cara isso, sem falar as inúmeras fotos que eles tiraram de mim, escondido, enquanto eu dançava ou estava com um cliente, que rodavam pelos corredores. Foi como se eu tivesse sofrido um bullying na faculdade...
– Damon, você já viu alguma coisa dar certo na vida de alguém como eu? – Sorri divertida para ele e ele assentiu com o mesmo riso. – Mas chega de falar de mim... Me conte de Emily.
– Emily tem doze anos, é a menininha mais adorável que eu já vi em minha vida, é madura, responsável, inteligente...
– Que pai mais babão! – Joguei o saquinho de açúcar que eu brincava nele.
– Mas é verdade! – Riu. – Ela perdeu a mãe muito nova e isso a fez amadurecer muito rápido... É uma mini adulta.
– Não deve ter sido fácil para ela.
– Nem um pouco, principalmente porque ela viu Katherine morta no chão do banheiro. – Meu coração apertou com isso, eu sabia como era difícil perder os pais, principalmente quando mais precisamos deles, mas Emily, pelo menos, tinha Damon que parecia ser um pai atencioso e presente.
– E depois de Katherine, você nunca mais namorou ninguém?
– Meus relacionamentos não passam dos três meses... – Deu de ombros. – Acho que eu sou um cara chato e que nenhuma mulher suporta. – “Duvido” Pensei. – E você? Nunca se envolveu com nenhum cliente?
– Meus relacionamentos não passam de clientes fixos! – Sorri. Nós ficamos em silencio de novo, o assunto tinha acabado, como sempre. Damon acompanhava cada movimento que eu fazia sorrindo, como se me contemplasse e eu desviava o olhar dele de vez em quando um tanto envergonhada. – Você atua em que área? – Foquei o assunto nele novamente.
– Sou onco cirurgião mas trabalho como clinico também e faço plantões na UTI... – Enquanto ele ganhava rios de dinheiro, ali estava eu, uma prostituta com seus míseros duzentos dólares por programa. Ironia, não?
– Estou me perguntando com que tempo você fica com a sua filha. – Cerrei os olhos.
– Finais de semana quando não estou de plantão...
– E ela fica com quem? – Perguntei me interessando.
– Com Jenna, a babá. – Obvio que ele tinha babá, Damon poderia jogar dinheiro no lixo que não o faria falta...
– Wow, espero não estar atrapalhando sua agenda lotada, Doutor. – Brinquei.
– De jeito nenhum! – Sorriu. – Essa era minha tarde livre, uma cirurgia foi desmarcada em cima da hora, e eu não consigo imaginar melhor maneira de estar passando essa tarde do que com você... – Damon se debruçou sobre a mesa e fez meu sorriso preferido. Meu coração acelerou com suas palavras e eu sorri para em resposta. Ele tinha que parar de flertar comigo desse jeito...
Aquela era a primeira vez que eu me sentava à mesa com algum homem para conversar, sem ser levada, depois do “encontro”, para a cama então de uma certa forma estava sendo muito especial estar com Damon, falando banalidades e nos conhecendo melhor.
A minha vontade era de ficar ali com ele, até que ele se cansasse de mim mas infelizmente, os minutos estavam passando e eu precisava ir embora...
– Damon, está na minha hora. – Suspirei tomando o resto do café e colocando sobre a mesa o dinheiro para pagar.
– Eu convidei, eu pago. – Pegou o dinheiro da mesa e colocou de volta em minha bolsa.
– Você já gastou com os primeiros socorros...
– E agora vou pagar seu café! – Sorriu presunçoso e colocou sobre a mesa uma nota de vinte dólares.
– Ok, Senhor eu-pago-tudo, até ficaria aqui discutindo com você, mas realmente preciso ir. – Ajeitei a alça da bolsa em meu ombro e me levantei.
– Eu te levo! – Se levantou junto.
– Não, Damon, não posso aceitar! – Balancei a cabeça negativamente.
– Eu prometi a sua amiga que iria te deixar intacta em casa.
– Eu não posso te fazer ir até o Sul de Houston só para me deixar em casa...
– Elena, eu quero te dar uma carona, por favor, aceite! – Pegou minha mão olhando no meu olho como mais cedo. Isso era golpe baixo... Ele estava me seduzindo, descaradamente.
– Ok então, obrigada. – E eu era fraca o suficiente para deixar ser seduzida.
Damon sorriu vitorioso e me puxou pela cintura me guiando até seu carro. Tentei parecer indiferente com isso, mas foi impossível não me deslumbrar com sua caminhonete Land Rover rlx branca.
– Carro legal... – Comentei.
– Obrigado! – Sorriu orgulhoso e abriu a porta do carro para mim.
O caminho foi silencioso, nós trocamos pouquíssimas palavras e de vez em quando nos olhávamos e sorriamos um para o outro.
Não podia negar que Damon mexia comigo, ele era especial, pelo menos para mim era. Nenhum homem antes me tratou como ele fez ou se importou comigo e teve curiosidade sobre minha historia. A atração que eu sentia por ele era inexplicável, eu queria estar com ele o tempo todo de tão bem que sua presença me fazia.
Mas aquilo me assustava, não podia me deixar levar por ele, Damon era um médico muito bem sucedido e eu não passava de uma prostituta, não tínhamos nada em comum, vivíamos em mundos completamente diferentes, nossas realidades eram distintas. Tentava colocar em minha cabeça que ele era apenas um cliente, mas eu era teimosa e insistia em me deixar levar pelos seus flertes. Enquanto ele tinha tudo, casa, dinheiro, uma profissão digna, eu não tinha nada, nem mesmo dignidade. As chances de darmos certo era uma em um milhão...
Agora eu entendia perfeitamente como Caroline se sentia em relação a Klaus, não pelo amor que ela sentia por ele, mas sim em relação ao futuro e sobre a relação deles. Aquilo me magoava, doía demais porque eu não era digna dele, ele era demais para mim.
O carro parou e só então percebi que estávamos em frente a minha casa, a viagem foi curta demais para o meu gosto, queria continuar com ele ali, por mais errado que fosse, eu não sabia quando o veria de novo, não sabia nem se o veria mais...
– Obrigada... – Desatei meu cinto e me virei de frente para ele.
– Por? –Fez o mesmo que eu.
– Pela carona, por ter cuidado do meu machucado. – Dei de ombros. Damon ficou em silencio por um longo tempo e então tocou meu rosto delicadamente.
– Eu não sei o que você tem que faz com que eu me importe tanto com você... – Admitiu. Eu não sabia o que falar, não estava esperando tamanha confissão. Em resposta eu cerrei meu cenho, balancei a cabeça negativamente e me virei abrindo a porta, mas sua mão segurou meu punho me fazendo voltar para o carro e fechar a porta.
Sem que eu pudesse protestar, Damon colocou a mão em minha nuca e me puxou para si selando nossos lábios. Sua língua pediu brecha por entre meus lábios e eu logo cedi e nós estávamos finalmente nos beijando.
Era exatamente como eu me lembrava, a textura, o sabor... Damon era um paraíso, o meu paraíso. Sua boca estava com o gosto amargo do café que criava uma antítese perfeita e deliciosa com o doce natural que já possuía, era melhor do que se podia imaginar ou descrever... Nossas línguas se acariciavam e dançavam em harmonia e o beijo era calmo mas ao mesmo tempo intenso.
Ele desceu a mão que segurava minha cabeça para minha cintura e eu descansei as minhas em sua nuca, fazendo um carinho em seu coro cabeludo com minhas unhas compridas. Nossas línguas se deliciavam uma com a outra e eu não sei ao certo quanto tempo ficamos ali no carro nos beijando.
– Nunca mais saia sem se despedir... – Sussurrou em meus lábios.
– Adeus, Damon. – Mordi seu lábio inferior sorrindo.
– Até mais, Elena. – Me deu um ultimo beijo e então eu sai do carro.
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