Soho Dolls

15 Capítulo 14 - A little devil


Notas iniciais
14 recomendações, que lindo gente s2 Quero agradecer a CahNog pela recomendação linda, adorei amr, obrigada s2
Não sei se esse capítulo ficou muito bom, mas espero que gostem s2

Damon Salvatore Narrando

Meu relógio de cabeceira marcava 11h40min da manhã quando, pela primeira vez, virei-me na cama para encarar aqueles números em verde. Levantei-me em desespero, demorando em me lembrar de que naquele sábado eu estava de sobreaviso e só iria para o hospital se fosse chamado. Finalmente já era final de semana e apesar de ter que trabalhar se fosse preciso, precisava daquele tempo longe do hospital. A semana que estava se acabando tinha sido mais do que estressante; um de meus pacientes falecera devido a um câncer de pulmão depois de uma cirurgia, o operamos na segunda de manhã e quinta feira de noite ele não resistiu aos efeitos pós-cirúrgicos e acabou falecendo, então tive que passar minha sexta feira inteira cuidando de sua certidão de óbito e de satisfações sobre seu caso clinico.

Mas felizmente o estresse tinha acabado e se tudo desse certo naquele sábado eu não iria trabalhar e como um bom pai, iria passar o dia com Emily fazendo todas as suas vontades e tentando suprimir minha ausencia.

Levantei-me da cama e segui para o banheiro para fazer minha higiene matinal e então fui para o quarto de Emms, onde ela provavelmente anda estaria dormindo. Ao entrar no quarto de paredes cor de rosa, encontro a enorme cama vazia e arrumada com um papel de sua agenda sobre ela.

“Pai, sei que hoje é seu dia de folga e por isso vou te deixar descansando. Sai com tia Anna, não se preocupe, ela me deixara no treino e depois vamos sair. Descanse bastante...

Te amo, Emms.”

Pelo que parecia, iria passar aquele dia sozinho, provavelmente, sem ter o que fazer, jogado no sofá assistindo televisão ou dormindo... Não que eu estivesse reclamando, longe disso, mas realmente queria ter companhia. Obvio que meu subconsciente, no momento em que pensei no que iria fazer o resto do dia, formou a imagem de uma mulher de longos cabelos castanhos e olhos amendoados escuros que a semana inteira fiz um esforço enorme para não pensar. Revirei meus olhos mentalmente com a ideia de ligar para Elena a convidando para passar o sábado comigo, apesar de muito tentadora, a possibilidade era absurda, eu não queria alimentar aquela relação, mas cada dia que passava ficava ainda mais difícil ficar sem ela. Por mais que lutasse contra aquilo a atração que sentia era mais forte e minha vontade de tê-la comigo conseguia ser maior do que qualquer contra dessa relação.

Emily e Anna, com certeza, iriam passar o dia em um shopping ou andando por Nova Iorque, fazendo lá Deus sabe o que, dando-me por vencido, voltei ao meu quarto e peguei meu celular procurando o numero de Elena. Sem pensar mais, apertei no botão de discagem antes que eu me arrependesse.

- Alô? – A voz doce que eu tanto esperava ouvir soou do outro lado da linha me fazendo sorrir levemente.

- Elena?

- Damon?

- Acertou! – Sorri presunçoso. – Como você está?

- Bem, obrigada... Você? – Sua voz era um tanto surpresa, provavelmente ela não esperava minha ligação.

- Bem também. – Suspirei. – Me diga uma coisa, o que vai fazer hoje de tarde?

- Hm... Nada, porque?

- O que acha de passar o dia com um cara solitário que foi abandonado por sua filha de doze anos?

- Wow, isso soa muito depressivo... Acho que posso dar uma passadinha ai. – Imaginei um sorriso provocativo brotar em seus lábios enquanto ela falava isso.

- Ótimo! – Respondi animado. – Venha de táxi, vou deixar o dinheiro com James, aquele cara que fica como uma estatua na porta do prédio...

- Não precisa, Damon! – Relutou.

- Eu insisto! – Rebati. – E não demore, estou te esperando! – Sem deixa-la responder, eu desligo o celular o arremessando em cima de minha cama ainda bagunçada.

E ali estava eu, alimentando meu vicio proibido por essa mulher... Já estava desistindo de lutar contra ela, a atração que sentia por Elena era mais forte do que minha força de vontade para ficar longe dela. Durante a semana inteira, enquanto trabalhava, antes de dormir ou durante minhas refeições, seu rosto delicado e seu sorriso angelical tomavam conta de meus pensamentos, não sei ao certo quantas vezes tentei mudar o foco tentando ocupar minha mente com outra coisa, mas ela insistia em voltar.

O que mais me surpreendia e ao mesmo tempo me assustava era que agora, quando Elena vinha em minha mente, eu pensava em seus sorrisos sinceros e contagiantes, sua voz doce, seus traços delicados... Enquanto que antes, minha mente se enchia com vislumbres nossos na cama. Elena não mexia comigo só fisicamente mais.

Agora não tinha mais como voltar atrás, ela estava vindo para passar o dia comigo e eu não podia negar que estava ansioso para que ela chegasse.

Levando em consideração de que Elena estivesse no bordel, ela iria demorar um tanto até chegar à minha casa, então teria tempo o suficiente para que eu tomasse banho e arrumasse meu quarto para espera-la. Antes de entrar no banheiro, desci até o saguão e deixei o dinheiro do táxi com James, como havia dito que faria, depois feito isso, subi para meu apartamento e fui direto para o banho.

Como ainda tinha que arrumar o quarto, decidi que era melhor tomar uma ducha rápida sem me preocupar em fazer a barba. Depois de ter saído do banheiro, enrolei-me na toalha e voltei para meu quarto assoviando uma musica antiga procurando alguma roupa no closet.

- Hm... Gosto do que vejo! – A voz doce que eu tanto pensava ecoou pelo meu quarto em um tom sedutor fazendo-me pular de susto.

- Elena, que susto! – Peguei as roupas e segui para o quarto a encontrando sentada em minha cama, que surpreendentemente estava estendida, com as pernas cruzadas com os cabelos lisos jogados para o lado. Ela estava linda, como se isso fosse novidade, usava um jeans de lavagem escura, bem colado e com cós alto, por baixo da calça uma regata decotada bordô com um cardigã comprido por cima. – Chegou rápido, ein.

- Você me falou para não demorar e foi o que fiz... – Deu de ombros presunçosa, levantou-se e em passos lentos, veio em minha direção deixando o barulho de seu salto alto ecoar pelo cômodo.. Encostei-me a parede e esperei que ela chegasse até mim com um sorriso no rosto.

Elena colocou a mão em meu peitoral e subiu até minha nuca enlaçando os dedos em meus cabelos, sem se importar que eu ainda estava molhado por ter me secado mal após do banho, ela nos aproximou encostando seu corpo ao meu e molhando a blusa que usava.

- Obrigado por ter vindo! – Aproximei um pouco mais nossos corpos segurando sua cintura.

- Você chama, eu venho, é assim que funciona! – Deu de ombros com descaso. – Não se preocupe, não vim em um táxi a cem por hora, eu estava há três quadras daqui quando me ligou. – Continuou com o mesmo tom. – Aqui está o dinheiro do táxi, não foi preciso. – Retirou do bolso de trás de seu jeans as notas que havia deixado com James mais cedo.

- Não vou precisar... – Dei de ombros.

- Eu sei que não, mas ele ainda é seu! – Falou relutante. – Eu insisto que fique com ele.

- Ok ok, discutimos isso depois...

- Prefiro fazer outra coisa! – Mordeu o lábio sensualmente me provando.

- E o que você tem em mente? – Fiz-me de desentendido.

Elena lançou um olhar malicioso para mim e então me puxou para si selando nossos lábios em um beijo intenso. Seus braços envolveram meu pescoço, aprofundando o beijo de imediato, e eu a puxei com mais força contra mim apertando sua cintura e sem mais delongas, a conduzindo para minha cama.

Não estava em meus planos leva-la para cama aquela tarde, mas não consegui resistir à ideia de tê-la para mim quando nossas línguas começaram a entrelaçar-se, e se querer recusá-la, deixei que meus instintos mais primitivos prevalecessem.

Aconcheguei-me em meio a suas pernas enquanto afastava o cardigã de seus ombros e busto para beijar a parte que estava exposta de seus seios pelo decote generoso de sua blusa. Enquanto fazia um caminho pela região com a boca, Elena arranhava minhas costas nuas de cima para baixo e abraçava minha cintura com as pernas aproximando nossas intimidades deliciosamente.

Retirei com dificuldade a blusa de dentro de sua calça e adentrei minha mão por debaixo de sua blusa subindo pelas suas costas aproveitando a textura de seda de sua pele a causando arrepios enquanto meus dedos passeavam por ela. Elena, querendo assumir o controle, leva as mãos que estavam em minhas costas até meu abdômen, tentando desfazer o nó firme de minha toalha. Com um muxoxo de reclamação por não sido bem sucedida, ela dá-se por vencida e entre nossos corpos mesmo e por cima do pano úmido, tocou meu membro o massageando com vontade enquanto em uma tentativa vã, tentava me livrar das peças de roupa que me impediam de beijar-lhe os seios por completo.

Estávamos absortos, extasiados com o prazer e excitação daquilo... Nossas mentes estavam focadas no corpo um do outro, esquecendo-se completamente do restante, tanto é que nem percebemos quando a porta de meu quarto fora aberta.

- Damon, o que você ach... – A voz de minha irmã nos fez parar de imediato e Elena empurrarem-me para longe de si. – Wow... – Anna estava parada na batente da porta um tanto assustada, sem saber o que fazer enquanto a mulher que estava comigo na cama, parecia se esconder atrás de mim colocando suas roupas no lugar.

- Pai, vamos sair... – Sem ao menos Anna impedir, ouço Emily vir correndo pelo corredor e parar no mesmo lugar e com a mesma expressão que a tia. – Ops... – Annabelle, exagerada, tapa os olhos da sobrinha com a mão para que ela não visse aquela cena.

- É... Hm... – Tentei formular uma frase, explicar o que estava acontecendo, mas eu tinha um péssimo defeito de gaguejar ou apenas não saber o que falar em momentos constrangedores. – Anna, essa é Elena. Elena essa é Annabelle, minha irmã e minha filha, Emily. – Elena as cumprimentou com um aceno de mão e Anna correspondeu com acenar frio de cabeça.

- Hm... Terminem o que vocês estavam fazendo, depois conversamos...- Sem demorar mais, ela sai do quarto, fechando a porta com força. Aquilo não tinha sido apenas embaraçoso para mim e Elena, mas também para Anna, que nos pegou no flagra.

- Você deveria ter me dito que elas iriam vir para cá. – Elena sussurrou levantando-se da cama.

- Mas eu não sabia que elas viriam, pensei que fossem passar o dia fora. – Levantei-me também pegando minhas roupas de onde havia deixado e segui para o banheiro. Ao contrario de mim, Elena parecia um tanto indiferente com a situação, sem demonstrar nervosismo ou algo do tipo, apesar de seu rosto estar levemente corado e seu sorriso expressar um pouco de diversão. – Acho melhor eu ir falar com elas, quer ir comigo?

- Não! Sem chances! – Exaltou-se. – As prepare primeiro e depois me diga a reação delas e só então eu saio daqui.

- Tudo bem, você tem razão. Já volto, ok? – Fui até ela selando, por impulso, nossos lábios em um beijo castro e sai do quarto, de toalha mesmo, sem me preocupar com as roupas que havia pegado.

Ainda do corredor, eu conseguia ouvir as duas cochichando e rindo na sala e assim que cheguei, fui recebido por sorrisos e olhares maliciosos.

- Vocês deveriam aprender a bater na porta antes de entrar. – Fiz-me de indiferente perante a situação, usando Elena como exemplo e sorrindo divertido.

- E você a avisar quando trouxer alguma mulher para dentro de casa ou a trancar a porta do quarto quando estiver em um momento intimo com ela. – Annabel rebateu com meu mesmo tom de diversão. – Já pensou se quem pega vocês é Emily e bem no meio do ato?

- Ok, desculpem, prometo tomar mais cuidado da próxima vez. – Encolhi meus ombros sentindo-me culpado, nem se quer passou pela minha cabeça de que tive sorte que quem nos pegou foi Anna e não Emms.

- Cadê ela? – Annabel se levantou do sofá e veio em minha direção deixando Emily mexendo em seu celular.

- No quarto, ela está com um pouco de vergonha de vocês, é obvio.

- A traga aqui, quero conhece-la, agora você não tem mais desculpas para não nos apresentar. – Sorriu presunçosa cruzando os braços sobre o peito.

- Não Anna, coitada, deixe para outro dia, ela já está envergonhada o suficiente.

- Sem chances, Damon! – Relutou. – Estávamos indo te chamar para almoçar conosco, aproveite que ela já está aqui. – Aquilo seria mais difícil do que eu pensava, meus planos eram enrolar Anna tempo suficiente para que eu conseguisse terminar essa relação maluca com Elena para que eu não precisasse ter que apresenta-la ou então, outra opção, era marcar esse encontro com muita antecedência para que eu tivesse tempo o suficiente para me programar e ter em mente o que falar ou para concretizar um pouco mais minha relação com Elena, mas é obvio que nada disso deu certo. – Se você não chama-la, eu mesma vou até seu quarto e a chamo, não duvide de mim, Damon.

- Pode ter certeza que eu não duvido! – Ri sem humor. Apostar coisas com Annabelle ou duvidar de que ela fosse incapaz de algo, não era uma atitude muito inteligente a se fazer. Eu e Stefan, nosso irmão do meio, vivíamos fazendo apostas com ela quando erámos mais novos e quase sempre, se não sempre, tínhamos que paga-la com uma alta quantia em dinheiro por ter perdido as apostas. Anna era uma mulher muito destemida e determinada, e isso era uma das coisas que eu mais admirava em minha irmã.

- Então está esperando o que? – Ela não iria desistir tão fácil...

- Tudo bem, falarei com ela, ok? Vá preparando Emily para mim.

- Não se preocupe com Emily, ela já tem idade o suficiente para entender isso! Estaremos esperando vocês dois aqui na sala, não demorem, estamos famintas.

Eu assenti e segui para meu quarto onde Elena estava encostada na janela, apreciando a vista.

- E então? – Dirigiu-se a mim ao ouvir a porta do quarto abrindo e fechando.

- Elas querem que você vá almoçar conosco. – Elena pareceu estremecer com a ideia e ela assumiu uma expressão séria.

- O que?

- Vou entender completamente se não quiser ir mas é que Anna ficou insistindo para que eu a convidasse e ameaçou vir aqui ela mesma para te convidar pessoalmente caso eu não fizesse. –Franzi o lábio encolhendo os ombros.

- Em uma escala de zero a dez, quanto ela vai insistir para eu ir caso eu negue o convite?

- Onze! – Ri. Elena ficou pensativa por um tempo, mas logo soltou um longo suspiro.

- Ok, eu vou! – Afirmou. Não sabia se isso era bom ou ruim... Na verdade, para ser sincero, era péssimo. Mas pode ser que eu estivesse enganado.

Elena Gilbert Narrando

Eu não sabia se me jogava da janela do quarto de Damon ou se pegava minha bolsa e saia correndo sem me importar com as duas garotas na sala. Eu tinha aceitado ir almoçar com eles, mas fizera isso por Damon, não como um favor, e sim porque queria passar um tempo com ele, sem que fosse entre lençóis. Não sabia quando iria vê-lo novamente então decidi fazer esse grande esforço para ficarmos juntos um pouco se quer.

Quando meu celular tocou com o nome dele no identificador de chamadas, meu mundo pareceu ter parado naquele momento, principalmente pelo fato de ter sido chamada para passar o dia com ele. Sem conter a excitação, desmarquei meu compromisso com Caroline e corri para o apartamento dele, na esperança de que passaríamos o dia só nós dois. Com certeza, se soubesse que esse incidente com sua família aconteceria, eu não iria, de forma alguma, me encontrar com ele, mas infelizmente eu não tinha bola de cristal para adivinhar tal acontecimento.

Enquanto Damon se arrumava para sairmos, pensei em usar a desculpa de que Caroline estava passando mal e que precisava de mim, mas eu não me dava muito bem com esse tipo de mentiras e eles iriam acabar descobrindo minha farsa. Comecei a ficar inquieta e ansiosa para esse almoço, Anna pareceu não ter gostado das circunstancias a qual nos conhecemos, além de incomodada com a cena de nós dois na cama, consegui perceber um pouco de irritação em sua reação e isso não era bom para mim, o que menos queria no momento era criar antipatia com a irmã ou a filha de Damon.

Sem querer ficar parada, levanto-me da cama e vou para junto de Damon que se arrumava no banheiro. Encosto-me sobre o mármore da pia assistindo meu moreno arrumar-se minuciosamente.

- Se você quiser me esperar na sala com elas... – Disse sem desviar a atenção de seu reflexo no espelho.

- Sem chances, não saio daqui sem você. – Eu precisava de sua companhia para conseguir encarar sua família frente a frente, se fizesse isso sozinha, iria entrar em desespero e sair correndo, como tanto desejava. Damon sorriu divertido de minha resposta e eu continuei a encara-lo.

Ele aplicava algum produto na palma de sua mão e esfregava uma na outra para passar em seus cabelos. Seus dedos bagunçavam os fios deixando-os desgrenhados, como de costume. Insatisfeito de como havia ficado, repete o processo feito com o cosmético e bagunça mais os fios que insistiam em ficar comportados.

Aquela cena me fez sorrir por dentro, que Damon era vaidoso, isso eu já havia percebido mas não imaginava que chegava ao ponto de ter produtos capilares em seu banheiro e de ficar emburrado por seu cabelo não ficar do jeito que ele queria. Em seu lábio inferior formou-se um beicinho fazendo-me derreter por dentro por sua beleza excessiva.

- Você sabe que não precisa fazer isso... – Damon acabou desistindo de arrumar seu cabelo e pegou o frasco de perfume do canto da pia o borrifando em seu pescoço.

- Não me custa nada te fazer esse favor, Damon. – Dei de ombros. – A não ser que você não queira que eu vá.

- Não fale besteira! – Balançou a cabeça negativamente. – Estou pronto, vamos?

- Claro! – Ele passou a mão por a minha cintura e nos guiou até a porta de seu quarto.

Conforme andávamos pelo corredor e aproximávamos da sala de estar, onde Anna e Emily estariam, meu estomago começava a revirar e uma descarga de adrenalina percorria meu corpo. Tentava focar minha mente na mão de Damon, que ainda estava em minha cintura, mas as risadas vindas da sala faziam o contato entre mim e o homem ao meu lado parecer ir embora.

Obviamente, assim que chegamos ao campo de visão delas, toda a atenção foi dirigida para nós dois. De imediato, senti minhas bochechas ruborizarem e em desespero, pego a mão de Damon entrelaçando nossos dedos com força, como se pedisse socorro.

- Elena, não é? – A garota de cabelos longos e castanhos sorriu simpaticamente e levantou-se vindo em minha direção. – Sou Annabelle. Prazer em te conhecer!

- O prazer é todo meu e nos desculpe por mais cedo, realmente não sabíamos que vocês iriam chegar. – Disse envergonhada.

- Tudo bem, esqueça isso... – Deu de ombros. – Venha conhecer Elena, Emms. – A garotinha levantou-se um tanto emburrada do sofá e guardou o celular no bolso vindo em minha direção.

- Emily, não é? – Ela assentiu. – É ótimo, finalmente, te conhecer, seu pai fala muito de ti.

- Engraçado porque eu só descobri sua existência hoje... – Disse com desdém. Outch, minha alma chegou a doer com aquilo. Mas era obvio que ele nunca havia falado de mim para elas, seria até estranho se fosse ao contrario.

- Emily! – Anna reprimiu a sobrinha que deu de ombros, revirando os olhos.

- Temos como ir logo? Estou faminta. — Emily cruzou os braços, entediada.

- Mas é claro, o que acha de irmos naquele restaurante que nós dois gostamos? – Sem soltar minha mão, Damon passou o braço pelos ombros da filha a puxando para si.

- Tanto faz.

- Vou aceitar isso como um sim, se não, te deixarei em casa passando fome, mocinha... – Ele a reprimiu de uma forma divertida, fazendo cocegas na região de suas costelas.

Nós entramos no elevador e a atmosfera, novamente, ficou pesada. Parecia que eu não conseguia respirar, que faltava oxigênio naqueles poucos metros quadrados. O que me consolava um pouco era ainda ter os dedos de Damon entrelaçados com os meus, por mais que fosse fingimento, aquilo significava muito para mim.

Quando o elevador parou no térreo, Emily decidiu ir no carro junto com a tia deixando Damon e eu sozinhos no dele. Fiquei eternamente grata por Annabelle estar conosco, só assim o almoço seria um pouco menos “pesado” por não estar sozinha com Emily e Damon.

- E agora? – Perguntei a Damon enquanto caminhávamos em direção ao seu carro, ainda de mãos dadas.

- Agora fingimos que somos um casal. – Falou como se fosse a coisa mais normal do mundo. – Não vai ser tão difícil, Lena.

- Podemos falar que estamos apenas nos conhecendo, que somos amigos ainda... – Dei de ombros. Fingir ser namorada de Damon seria doloroso demais, principalmente quando eu desejava, com todas as minhas forças, que isso fosse verdade.

- Depois do que elas viram mais cedo? Não acha que iria confundir um pouco a mente de minha filha? Ela só tem doze anos e ainda não entende que as pessoas transam casualmente.

- Você quem sabe, Damon, só estou tentando te falar que às vezes falar a verdade pode ser o melhor caminho. – Eu ainda estava tentando concertar meu coração partido, não estava pronta para outra decepção.

- Eu compreendo seu lado, Elena, concordo que seria melhor se contássemos que somos amigos e que estamos nos conhecendo ainda, mas isso seria complicado de explicar. Pense comigo, se dissermos que estamos namorando, elas só vão perguntar quando e como nos conhecemos.

- Ai que está, como responderemos? – “Então, eu e Damon nos conhecemos na boate onde eu trabalho como prostituta, nós transamos uma noite e depois disso nos encontramos quase todos os finais de semana para uma maratona de sexo.” Pensei revirando os olhos mentalmente.

- Nós damos um jeito na hora, fique tranquila Elena, tudo vai dar certo, eu te prometo. – Querendo me confortar, ele pega minha mão e deposita um beijo sobre as costas dela. Ele deveria parar de fazer isso comigo, parar de fazer meu coração palpitar por atitudes falsas que alimentavam cada vez mais o que sentia por ele.

Endireitei-me no banco cruzando meus braços e direcionando minha atenção para a rua, que passava lentamente pela minha janela. Fiquei tensa, naquela posição durante o percurso inteiro, sem deixar que ele me tocasse novamente e evitando o contato visual entre nós dois. Havia uma coisa que se chamava auto preservação, e era melhor eu começar a aderir isso se não quisesse sofrer toda a semana que visse Damon.

O restaurante não era tão longe como eu imaginava então chegamos nele menos de dez minutos. Emily e Anna já estavam lá nos esperando, sentadas a uma mesa, guardando nossos lugares. O recinto não estava tão cheio e pela falta de movimento, logo nossos pedidos foram entregues.

- Então Elena, fale um pouco de você para nós! – Anna largou seus talheres sobre o prato bebericando sua Coca-Cola. – Sua idade, em que trabalha, se mora com seus pais...

- Bom, eu tenho vinte e três anos, trabalho de noite como garçonete em um bar aqui de Nova Iorque e moro em uma republica com amigas. – Eu deveria agradecer a Caroline por ter me dado a ideia de dizer que morava com amigas em uma republica, normalmente falava que morava sozinha, mas sempre estranhavam o fato de que com um salario de uma garçonete eu conseguiria manter as despesas de uma casa e ainda conseguir me sobreviver, a desculpa da republica era perfeita, já que os gastos eram divididos. – Meus pais morreram em um acidente de carro quando eu tinha dezesseis anos e desde então eu moro sozinha.

- Dezesseis anos? Bem nova... Sinto muito.

- Tudo bem, já faz um tempo.

- E desde então trabalhou como garçonete? – Assenti. – Você não pensa em fazer faculdade ou algo do tipo?

- Na verdade, eu fiz design de moda por quase um ano, mas tive que trancar por problemas pessoais, mas pretendo voltar a estudar assim que as coisas melhorarem.

- Problemas pessoais? Nada grave, não é?

- Nada que não possa ser superado! – Assenti.

- E como você e meu pai se conheceram? – Emily ergueu o olhar para mim, perguntado friamente.

- Foi no bar onde eu trabalho, era uma sexta feira e eu estava atendendo as mesas quando sem querer, esbarramos e eu derrubo tudo o que tinha na bandeja em cima dele. –Sorri divertida com a minha própria historia imaginando o quanto minha relação com Damon teria sido mais fácil se isso fosse verdade. – Ele, achando que era o culpado por eu tê-lo sujado com os pedidos de outros clientes, esperou meu turno acabar e pagou uma bebida para mim. – Damon parecia surpreso com a minha capacidade de inventar historias, com certeza, ele não esperava uma mentira tão bem bolada.

- Não sabia que meu pai frequentava bares. – Emily disse desconfiada. Essa garotinha não era nada fácil...

- E não frequento mesmo, quem me fez sair naquela noite foi Alaric. – Damon acrescentou.

- E quando vocês se conheceram? – Anna perguntou animada, parecendo cair em nossa historia perfeita. Sem saber o que responder, levo minha mão até a coxa de Damon por debaixo da toalha de mesa a apertando com força em um pedido mudo de socorro.

- Há dois meses. – Ele respondeu com naturalidade.

- Wow, vocês são rápidos. – Emily comentou. – Mas enfim, mudando de assunto... – Olhou para Damon e abriu um sorriso enorme, ignorando completamente minha presença ali. – Pai, você não vai acreditar, meu técnico me inscreveu em uma competição lá em Nova Jérsei no sábado que vem, isso não é incrível?

- Nossa que legal, filha, mas não está muito em cima da hora?

- Claro que não, tenho a semana inteira para treinar e nem vou precisar de coreografia nova, posso usar a das Inter seleções do mês passado.

- Se você diz... – Damon deu de ombros. – Sei que consegue, princesa! – Inclinou-se a mesa e apertou o nariz da filha delicadamente.

- Mas me responda, você vai me ver, não é?

- É no sábado que vem? – Ela assentiu. – Emms, diga para seu técnico marcar apresentações e competições com antecedência, se você tivesse me dado essa noticia essa semana, eu conseguiria ter marcado meu sobreaviso mensal para o sábado que vem.

- E isso quer dizer que?

- Quer dizer que eu estou de vinte e quatro horas plantão no sábado que vem. – O sorriso de Emily murchou e ela, visivelmente, desmoronou.

- Você não vai me ver de novo, não é? Essa é a terceira competição que você não vai, pai, sem contar as amostras publicas que fazemos sempre e você nunca está presente.

- Emily, você sabe que é difícil eu conseguir ir... Peça para Jenna ou Anna irem no meu lugar e gravarem sua apresentação para eu ver em casa.

- Mas eu queria que você estivesse lá também, não é a mesma coisa sem você, pai. – Presenciar aquela discussão estava cortando meu coração, por mais que Emily não fosse um anjo, como achei que fosse, ela só era uma filha querendo um pouco de atenção do seu pai.

- Eu sei querida, mas você sabe que meus dias são lotados e que eu mal tenho tempo para dormir.

- É, mas tem tempo de sobra para ir a bares... – Emily fuzilou-me com olhar, insinuando que Damon usava o tempo que tinha para ficar comigo e não com ela. Encolhi meus ombros, sentindo-me culpada por isso... Ao invés de ficar em casa com a filha, ele ficava fazendo sexo com uma prostituta... Isso não era legal, tinha que admitir.

- Depois conversamos sobre isso, Emily, agora coma. – Damon disse em um tom rude a repreendendo.

- Estou satisfeita! – Respondeu no mesmo que o pai o desafiando e levantou da mesa seguindo em direção à porta do restaurante. Damon se levantou tentando ir atrás da filha, mas Anna segurou sua mão o impedindo.

Eu também estava satisfeita, na verdade, nem se quer havia tocado na comida. Um nó se formou em minha garganta impedindo que a comida chegasse ao seu destino e agora eu sentia que o pouco que havia comido, estava prestes a voltar.

- Deixa que eu vou. – Saiu em passos rápidos atrás da sobrinha.

- Acho que vou pedir a conta. – Damon soltou um longo suspiro fazendo um gesto para o garçom.

- Deixe que eu pago minha parte... – Não o deixaria pagar meu almoço nesse restaurante, não era certo ele gastar mais do que já gastava comigo.

- Nem pensar, eu te convidei, eu pago!

- Damon, eu insisto! – Relutei. – Eu posso pagar! – Ele provavelmente deveria pensar que eu não tinha condições de pagar uma refeição em um restaurante desse nível e isso me incomodava um pouco, não era porque eu era uma prostituta e ele um médico podre de rico que ele tinha que cobrir meus gastos quando estávamos juntos.

- Temos que superar isso, Elena, não é do meu feitio deixar que a mulher pague sua parte.

- Damon, não somos um casal e isso não é um encontro. – “ E por favor, pare de agir como se fosse.” Adicionei mentalmente.

- Na verdade, somos sim, ainda estamos com minha família, temos que fingir o máximo que pudemos. – Forçou um sorriso presunçoso tentando esconder que estava nervoso.

- Você é impossível, sabia disso? – Revirei meus olhos.

- E a sua teimosia me irrita! – A conta chegou e ele levantou-se da cadeira, retirando o cartão e indo em direção ao caixa.

- Estarei te esperando lá fora, ok? – Ele assentiu e eu me levantei, ajeitando minha bolsa no ombro e fazendo o mesmo caminho que Annabelle e Emily.

Em um balanço de madeira, ao lado de fora do restaurante, estava Emily sentada, provavelmente ela tenha despachado a tia querendo ficar sozinha. Sem me importar que ela fizesse a mesma coisa comigo, aproximei-me lentamente dela e com cuidado, sentei ao seu lado.

- Posso me juntar? – Perguntei.

- Já sentou mesmo! – Deu de ombros virando o rosto para o outro lado para não me olhar.

- Emily, não quero que pense que seu pai está deixando de ficar contigo para sair comigo e ao contrario do que deve estar pensando, eu não estou tentando roubá-lo de ti.

- Será que não? – Riu sem humor.

- Nós raramente nos vemos e quando isso acontece é só nos finais de semana.

- Eu também, mas às vezes, nem nos finais de semana eu o vejo, então... – Disse friamente virando o rosto para mim e me olhando nos olhos.

- Eu sinto muito por isso, de verdade.

- Não minta, eu sei que não sente. – Respondeu entediada. – Meus pais se amavam muito, Elena.

- Eu sei que sim, mas eu também gosto bastante de seu pai.

- É o que todas diziam e agora, não sobrou nenhuma para contar historia.

- Bom, mas eu com certeza gosto mais do seu pai do que elas!

- Elena, meu pai ainda ama minha mãe e é por isso que nenhum relacionamento dele dá certo, não sei o que te faz pensar que com você vai ser diferente. – Que eu e Damon não iriamos dar certo, isso eu já sabia, não precisava ninguém ficar esfregando esse fato em minha cara e eu também sabia que ele nunca me amaria como um dia amou Katherine ou como ainda a amava.

- Isso eu não posso garantir, mas realmente espero que você esteja errada, Emily. – Suspirei dando-me por vencida. Eu não iria ficar ali me humilhando para uma pirralha possessiva e ciumenta de doze anos. Aquilo era só um favor que eu estava fazendo para Damon, não precisava que ela ou Annabelle gostassem de mim, isso não iria mudar o fato de Damon ser meu cliente ou não iria nos impedir de continuar com a “relação” que tínhamos.

- Está tudo bem por aqui? – Damon chegou até nós, interrompendo aquela pequena discussão.

- Sim! Elena só estava se despedindo, não é? – Emily olhou para mim com um olhar desafiador e um leve sorriso.

- Sim, me despedindo. – Assenti.

- Tenho más noticias... – Damon disse cabisbaixo. – Fui chamado no hospital, vou ter que ir até lá ver um paciente.

- Tanto faz, vou sair com a tia Anna mesmo! – Emily deu de ombros e levantou-se do banco. –Que por sinal, está me esperando no carro.

- Quando eu voltar, podemos pedir pizza, o que acha? – Damon perguntou tentando melhorar o clima com Emily.

- Não sei se vou poder, meu sábado está lotado! – Deu de ombros e sem se despedir, foi em direção ao carro da tia.

- Eu não sei mais o que faço com essa rebeldia... – Confessou com um tom cansado.

- Que tal começar a ficar mais tempo com ela? – Levantei-me para encara-lo.

- Emily sabe que vida de médico é algo complicado, pensei que ela já tivesse superado isso.

- Bom, mas parece que não, ela só quer atenção Damon, ficar um tempo com o pai. Imagine o quanto é difícil para ela, que já perdeu a mãe, e mal vê o pai, você é tudo que ela tem, Damon. – Ele alisou a testa, desconfortável com a situação. – Mas quem sou eu para me meter na relação de vocês?! Isso você tem que resolver com ela...

- Claro claro... – Suspirou fundo.

- Não precisa me deixar em casa, eu vou de metrô mesmo.

- Sem chances, eu te levo.

- Damon, você tem compromisso e eu moro longe, isso só vai te atrasar.

- O paciente não é tão grave assim e eu disse que estava almoçando e que iria demorar um pouco.

- Damon, isso não é certo, não quero ser um estorvo.

- Elena, será que tem como entrarmos em um consenso sem que seja preciso discutir? – Falou de forma grosseira.

- Ok, você venceu, eu aceito sua carona!

- Aleluia! – Suspirou aliviado. – Vamos?

- Vamos! – Assenti.

Eu tinha que encarar os fatos e admitir a realidade; eu e Damon nunca daríamos certo. Além de vivermos em mundos completamente distintos, de eu não ser mulher o suficiente para ele e de ele não me querer da mesma maneira que eu o queria, nós não conseguíamos manter uma conversa civilizada por cinco minutos sem que começássemos a discutir, nossa harmonia era perfeita na cama mas fora dela, vivíamos em desavenças e conflito de interesses. Como eu esperava ter uma relação saudável com alguém assim? Quanto mais convivíamos e mais nos conhecíamos, mais nos distanciávamos... Fora um erro ter aceitado manter uma relação fora do bordel com ele.

Mas agora era tarde demais para me arrepender, eu já estava completamente apaixonada por ele e só de pensar na possibilidade de não o ver mais, um vazio tomava conta de mim.

- Desculpe-me por Emily, ela não costuma a ser assim. – Damon quebrou o silencio que havia se formado entre nós durante o percurso inteiro até minha casa.

- Tudo bem, Damon, ela só está cuidando do que é dela. – Dei de ombros.

- Espero que ela não tenha te ofendido...

- De jeito nenhum, fique tranquilo.

- Tem certeza?

- Absoluta! – Respondi com frieza. Era preciso mais do que uma garota mimada como Emily para me derrubar, muito mais...

- Obrigado mesmo por hoje, Lena, não era sua obrigação ter feito isso por mim.

- Eu sei que não, fiz porque eu quis... Não foi tão ruim assim, pare de se martirizar dessa forma.

- Que bom que encara os fatos assim! – Riu com gosto. – Anna pareceu gostar de você.

- Sua irmã é ótima, gostei muito dela! – Assenti sorrindo.

- Ela não sossegou enquanto não te conheceu... – Então ele já havia falado de mim para ela?!

- Como assim?

- Ela acabou percebendo uma marca sua em meu pescoço e desde então não para de falar que quer te conhecer.

- Desculpe por isso... – Disse envergonhada pela parte da “marca no pescoço”, deveria começar a me controlar mais.

- Por falar nisso, adorei sua historia, me surpreendeu! – Sorriu abertamente.

- Tem muitas coisas sobre mim que você não sabe, Doutor! – Dei de ombros.

- E quando eu vou descobrir?

- Com o tempo... – Suspirei ajeitando a bolsa em meu ombro.

- Eu gosto de pessoas misteriosas. – Desatou o cinto e se virou no banco para me olhar.

- Acho que vou manter o mistério então, talvez assim você não enjoe de mim tão fácil. – Fiz o mesmo que ele e virei-me no banco de modo que ficasse de frente para ele.

- Acho meio difícil eu me enjoar de ti... – Damon pegou minha mão que estava sobre meu colo e a acariciou fazendo meu coração bater descompensado por tal confissão.

- Isso me deixa muito feliz, Doutor! – Sorri timidamente para ele.

- Desculpe mesmo por hoje, Lena, eu tinha planejado um dia totalmente diferente para nós dois.

- Já falei para parar de se desculpar, não foi tão ruim assim, eu adorei passar o dia contigo! – Enfatizei minha ultima palavra.

- Acho que temos que parar de discutir por futilidades, não acha? – Falou enquanto brincava com meus dedos sobre meu colo.

- Concordo... – Suspirei. – Quando você vai entender que eu posso pagar o que como e que não vejo problema algum em voltar para casa de metrô?

- Que tipo de cavalheiro eu seria se entendesse isso? Não vamos mais discutir sobre dinheiro, ok?

- Vai me deixar pagar pelo menos um sorvete para nós dois, na próxima vez que sairmos? – Arqueei uma sobrancelha o desafiando.

- Isso te deixará menos incomodada? – Assenti. – Então te deixarei pagar nosso sorvete! – Suspirou.

- Obrigada! – Sorri levemente. – Não que eu esteja te dispensando, por mim ficaria até anoitecer aqui nesse carro contigo, mas acho que se você demorar mais um pouco, ira se atrasar de verdade, Damon.

- Você tem razão... – Suspirou. – O dever me chama. – Eu levei a mão até a porta com intenção de abri-la, mas Damon segurou meu braço fazendo-me olhar para ele. – Vai sair sem se despedir? – Sussurrou.

Eu suspirei fundo e me virei para ele com um sorriso estampado no rosto. Levemente, com o indicador, ele toca meu queixo levantando meu rosto e acabando com a distancia entre nossos lábios selando um beijo casto.

Inconformada com apenas um selar de lábios, eu peço brecha com a língua e sem hesitar, ele me cede espaço o suficiente para eu invadir sua boca e ir em busca do contato com a dele. Nosso beijo começou calmo e assim se manteve até o fim, tentamos finalizá-lo com vários selinhos mas aquele “simples” beijo parecia não ser suficiente para nos dois e insatisfeitos, demos inicio a outro, um pouco mais intenso do que o primeiro.

- Eu preciso ir... – Damon sussurrou conforme o beijo ia criando intensidade.

- Adeus, Doutor. – Sorri puxando o seu inferior com os dentes.

- Até! – Selei nossos lábios por uma ultima vez e então sai do carro o deixando partir.

Damon não estava cooperando nem um pouco com meus planos de auto preservação. Quando eu estava, finalmente, decidida a não cair mais em seus encantos, ele encontrava um jeito de mexer comigo e bagunçar meus sentimentos.

O carro de Damon desapareceu pela rua e eu entrei em casa sentindo as lágrimas arderem meus olhos. Nunca pensara que amar fosse tão complicado, não conseguia me conformar que um dia, fui masoquista e estupida o suficiente para desejar amar alguém.

Notas finais
E ai, gostaram? I hope so.
Hum, no proximo capítulo vamos descobrir o que a Anna achou da Lena, já que está evidente que a Emily não foi com a cara dela. Ah, e vamos conhecer um novo personagem, que vai criar uma pequena desavença no nosso casal...