Sobrevivência Ou Morte? O Que O Futuro Reserva?
10 Primeiro ou Último Dia?
Notas iniciais
O Quarto e o Nishijima-san foram levados para o hospital. Eu disse para Akise-san me encontrar no templo amanhã de manhã para irmos para a escola juntos. Então o despachei para ver como estavam o delegado e seu assistente.
Espero alguns minutos até que o conversível vermelho do Marco-san e da Ai-chan para na minha frente. Eu salto para o banco de trás.
–Obrigada por terem vindo. Ai-chan. Marco-san. -Agradeço-os, sorrindo.
–Imagina. Nos conte o que aconteceu pra você ligar desesperada. -Pede Ai-chan, me olhando apreensiva.
Eu explico toda a história com a Nona e o Terceiro, como Akise-san havia me salvado, como o Quarto tinha tirado o diário do criminoso e como eu quebrei o diário dele.
–Nossa... -Começa Ai-chan, perplexa.
–Então o Terceiro morreu? -Pergunta Marco-san.
–Sim. -Confirmo.
Eles param em frente do templo, eu desço do carro.
–Obrigado Ai-chan... -Então a abraço. -E Marco-san.
–Não há de quê. Disponha. -Responde Marco-san.
–Sempre que precisar, só ligar. -Completa Ai-chan.
Eles partem, e me deixam acenando na porta do templo.
Eu entro, evito todos os seguidores, tomo um rápido banho na tina preparada pela Orin-chan, e vou logo me deitar. Olho no diário para ver se algo está errado. Nada. Então coloco meus óculos, fecho meus olhos e me preparo para a próxima reunião.
03\\\\07, Terceira Catedral da Casualidade, 1600.
A plataforma do Terceiro agora estava igual a do Quinto. Com um Dead End flutuando sobre ela.
–Oh, o Terceiro também morreu. -Afirma o Primeiro, que eu já sabia que era o Yukiteru.
Deus o cala com um aceno da mão.
–Bem-vindos jogadores! -Deus nos cumprimenta com entusiasmo.
Eu olhei para os nove portadores restantes, tentando memorizar as características daqueles que não conhecia.
O Primeiro, a Segunda, o Quarto, a Nona e os Sétimos, eu já conhecia. Eram Yukiteru-kun, Gasai-san, Kurusu-san, Uryuu Minene, Ai-chan e Marco-san.
O Décimo Segundo tinha uma cabeça extremamente redonda, como uma laranja, e estava curvado, como um corcunda.
O Décimo Primeiro era alto, e sua cabeça parecia pelada, como se fosse careca, ou usasse um chapéu daqueles que os cardeais usam.
O Décimo era mais ou menos da altura do Décimo Primeiro, só que seus braços pareciam maiores que o normal.
Percebi o braço da Nona na tipóia, mas nem me importei. A Oitava era baixinha, com um chapéu parecido com os de chefs de cozinha e sua cabeça era meio desproporcional ao corpo.
Ai-chan estava ao meu lado, e sorriu pra mim. Retribui o sorriso. Kurusu-san estava a duas plataformas de distância, sozinho, já que ambos os portadores de seus lados, o Quinto e o Terceiro, já haviam morrido. Gasai-san e Yukiteru-kun pareciam trocar um jogo silencioso de palavras.
–Como já devem ter notado, nosso caro Terceiro também foi eliminado. -Diz Deus, apontando para a plataforma do senhor Hiyama, agora vazia.
–Quem o matou? -Pergunta o Décimo.
–O Quarto fez uma boa parte do trabalho, tanto que está com o braço um pouco... Dolorido, não é Quarto? -O grande ser aponta para a plataforma do delegado. -Mas quem o matou efetivamente, foi a Sexta.
Mais uma vez, sinto todos que todos me olham, exceto a Ai-chan, que estava distraída olhando para a Oitava.
–A Sexta eliminou dois portadores? -Pergunta o Décimo Primeiro.
–Oh, não, não. A Sétima foi quem efetivamente matou o Quinto. -Replica Deus. -Bom, de qualquer forma, agora temos apenas 10 portadores. Que os jogos continuem.
A familiar luz azul envolve minha consciência, e retorno ao meu corpo.
Orin-chan me acorda cedíssimo.
–Omekata-sama, acorde, Akise Aru está aqui. -Diz ela, me dando leves empurrões, para que eu acorde.
Quando percebo que hoje é meu primeiro dia na escola, me levanto desesperada, porque havia perdido o horário. Me arrumo com uma roupa que minha mãe havia comprado para que eu fosse a escola, mas eu me recusara na época. Agora, eu finalmente vou usá-la. Mas ela não está aqui para ver.
Me olhei num espelho que eu havia pedido para Orin-chan trazer.
A blusa era meio no estilo "tomara que caia", pedi pra Orin-chan me ajudar com o cordão, então ela o amarrou, entrelaçado no pescoço. A saia não era muito longa, marrom, franzida, com um pequeno laço. Uma "bota", com um salto meio plataforma, mas não muito alto, e usava as polainas verdes que ela me dera. Pela primeira vez, pude me sentir bem comigo mesma usando uma roupa. O traje do culto me enojava. Peguei uma bolsa bege também, onde coloquei meu diário e meus livros.
Pedi pra Orin-chan cuidar de tudo. Saí e fui encontrar Akise-san nos portões do templo.
–Uau... Você está muito linda. -Exclama ele, ao me ver.
–Obrigada. –Sorrio para ele. –Vamos a pé?
–Oh, não, não. Um policial vai nos levar. Por medida de segurança, após o incidente com Hiyama. –Responde ele, apontando para uma viatura estacionada perto.
–Ah, claro. –Entramos na viatura, e vamos conversando até o Colégio. Saímos da viatura, agradecemos o policial e entramos no edifício. Akise-san me mostra rapidamente onde ficam os banheiros, a sala dos professores, a secretaria, e então entramos em uma sala de aula, onde todos já estavam sentados e já esperavam o professor.
–Ei, Akise, quem é essa? –Pergunta uma garota com cabelos castanhos, até a altura do pescoço. Estava usando uma blusa rosa, que deixava o umbigo de fora, calças jeans, e sandálias brancas.
–Ela é Kausgano Tsubaki, a nova aluna da nossa turma. –Responde ele.
–Oh, muito prazer. Eu sou Hino Hinata. –Diz ela, acenando.
–O prazer é meu, Hinata-chan. –Digo, acenando de volta.
Uma garota de cabelos roxos, usando um chapéu rosa claro, uma blusa branca, com um colete alaranjado por cima. Usava também uma saia vermelha, com alguns babados na parte inferior, uma meia calça preta e uma sapatilha roxa apontou uma câmera laranja para mim e tirou uma foto.
–Olá, prazer, eu sou Nonosaka Mao. –Diz ela, sorrindo.
–O prazer é todo meu, Mao-chan! –Respondo, retribuindo o sorriso.
Outro garoto, com cabelos pretos, até a altura do pescoço, usando uma camiseta, amarela na altura das mangas, azul na parte do peito, com uma estampa estranha, meio circular, vermelha, no centro, uma bermuda verde, até pouco acima do joelho, uma meia até pouco abaixo do joelho, como as de jogadores de futebol, e um tênis azul, me encara.
–Hunft. Eu sou Ouji Kousaka. –Se apresenta ele, com ar de superioridade.
–Kasugano Tsubaki. –Respondo secamente, o encarando de volta.
Vejo Yukiteru-kun meio isolado, sozinho, em uma carteira próxima, e decido falar com ele.
–Olá, Yukiteru-kun! –Digo, animada.
–Oh, Tsubaki-san. Como está? –Pergunta ele, sorrindo.
–Bem, e você? –Respondo, me sentando na carteira ao lado da dele.
–Um pouco preocupado. A Yuno não veio pra aula hoje, e ela não é de faltar, é a aluna modelo. –Ele aponta tristemente para a carteira do outro lado dele, atualmente vazia.
–Espero que não tenha acontecido nada com a Gasai-san. Mas ela deve ter pego um resfriado. –Tento tranquilizá-lo, sem muito efeito.
–É... Talvez... De qualquer modo, ela não me atende. –Ele me mostra o celular azul, o diário dele.
–Não deve ser nada. –Afirmo. –Eu estou pensando em ir ao parque hoje depois da aula. Gostaria de ir comigo?
–Mas é claro! –Confirma ele, sorrindo radiante.
Então o professor entra na sala e pede silêncio. Me apresenta para a turma. Ter aulas foi emocionante. Cada professor, sua maneira única de lecionar. Algo novo para mim. Eu realmente gostei da escola.
Depois da aula, Yukiteru-kun e eu fomos ao Parque de Sakurami. Assistimos ao pôr-do-sol juntos. Foi um tanto amigável.
–Nunca me diverti tanto em uma tarde, Yukiteru-kun! –Digo para ele, enquanto passávamos por um caminho ladeado por árvores.
–Digo o mesmo, Tsubaki-san! –Ele sorri de volta. –Podemos...
Ele começa a falar algo, mas um barulho metálico o interrompe. Algo como metal batendo em metal. Eu peço para ele olhar seu diário, enquanto eu olhava em volta, procurando sinais.
–Tsu... Tsubaki-san... –Gagueja ele, com um tom de pânico na voz.
–Sim? –Pergunto, receosa.
Ele me mostra a previsão.
“18:47: Amano Yukiteru foi morto por cachorros assassinos. Dead End.”
Eu olho o horário na parte superior da tela do celular.
–Nada bom. –Afirmo, ao ver as horas. –São 18:39. Espere, vou olhar meu diário.
Abro minha bolsa, e tiro meu pergaminho de lá. Eu o abro, com medo do que iria ler.
“18:47: Kasugano Tsubaki foi morta por cachorros assassinos. Dead End.”
–E então? –Pergunta ele.
–No mesmo horário. Esses cachorros são treinados. Precisamos achar quem os comanda. E rápido. –Afirmo, e pego a mão dele. –Você confia em mim?
–Confio. –Responde ele, e segura firme na minha.
–Então vamos, em busca da salvação.
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