Sobrevivência Ou Morte? O Que O Futuro Reserva?
11 Chamadas de Emergência
Notas iniciais
–Yukiteru-kun, me dê seu diário aqui. -Peço, estendendo a outra mão.
Ele entrega o celular para mim. Eu digito o número do Akise-san.
–Alô Yukiteru-kun? -Atende o garoto, calmamente.
–Sou eu, Tsubaki! Akise-san, ouça bem! É uma emergência, vá até o Templo Omekata e peça para Orin-chan executar o plano B, depressa! Diga para ela que estou no Parque de Sakurami, e que isso é uma ordem da Omekata-sama. Depois venha com alguns policiais para cá. -Cuspo as palavras sobre o celular.
–O que está acontecendo?! -Pergunta ele, com um tom de aflição na voz.
–Depois! Agora vá! Avise Orin-chan que ela tem oito minutos. -Desligo e ligo para Ai-chan.
–Alô? -Atende a mulher, com uma voz alegre.
–Ai-chan! Sou eu, Tsubaki! Temos uma emergência! Venha para o Parque de Sakurami, rápido, por favor! Tenho pouco tempo! Traga Marco-san também!
–Parque de Sakurami? É perto do meu apartamento, estaremos aí em alguns minutos. -Ela desliga o celular, e eu devolvo o diário para Yukiteru-kun.
–Precisamos procurar abrigo. -Afirmo, olhando para os lados, mas só vi árvores.
Yukiteru-kun assente, tremendo.
Começamos a correr, mas em ambos os lados da trilha, havia apenas árvores. Após um minuto aproximadamente, as árvores escassearam, e logo depois entramos em campo aberto.
–Tsu... Tsubaki-san... -Yukiteru-kun gagueja, olhando fixamente para a nossa esquerda.
–Sim? -Olho também, e o que vejo me paralisa de medo. Vários cachorros se aproximavam. Mas não cachorros normais. Suas bocas tinham aparatos de metal, que imitavam dentes. Me viro para correr, mas da direita também vinham cachorros. Pensei em seguirmos reto, mas alguns cachorros vinham de lá também.
–Vamos voltar! -Choraminga Yukiteru-kun.
–Tem razão. -Olho para trás, mas um cachorro maior que os outros avançava. Com olhos brilhantes e cruéis.
–Estamos cercados Yukiteru-kun. Teremos que lutar. -Digo para ele. Ele tremia da cabeça aos pés. -E me desculpe por ter lhe convidado para vir aqui, eu realmente não sabia.
–Não tem... Não tem problema. -Ele coloca a mão em algo como se fosse um pequeno bolso, preso em sua cintura e tirou de lá um dardo. -Vamos sair dessa, não vamos?
–Vamos sim. -Abro minha bolsa e tiro uma faca de lá. -Você ataca pela esquerda, eu ataco a direita, ok?
–Ok. -Eu podia sentir suas pernas tremendo.
–Agora! -Eu corri no meio de quatro cachorros e os esfaqueei antes que eles soubessem o que estava acontecendo. De relance pude ver Yukiteru-kun atirando dardos nos cachorros, matando alguns, mas outros simplesmente tomavam seus lugares.
Um cachorro pulou nas minhas costas e me derrubou de cara no chão. Eu rolei e passei minha faca nas patas dele. Ele ganiu e eu enterrei a faca na barriga dele. Me levantei e arranquei a faca, toda ensanguentada, da barriga do animal.
–Yukiteru-kun, aguente firme! -Gritei, quando um cachorro pulou sobre o peito do garoto e o derrubou. Lancei minha faca e ela se enterrou no pescoço do animal, o matando instantaneamente.
Me vi indefesa, encarando o líder da matilha, que sorrateiramente havia se movido para perto de mim.
–Hahaha! -Exclama o cachorro.
"O quê? Um cachorro que fala?" -Pensei, mas então percebi o pequeno alto-falante no pescoço do bicho.
–Você perdeu, Sexta! Dead End! -O alto-falante silenciou e o cachorro atacou.
Ele estava no ar, com a bocarra aberta, pronto para abocanhar minha cabeça, quando um homem o acertou bem nas costelas com um soco. Ouviu-se um barulho de algo quebrando e ele voou, bateu em uma árvore próxima e caiu no chão, morto.
–Tsubaki-san, você está bem? -Marco-san sorriu pra mim. -Pelo visto Ai e eu chegamos a tempo.
–Muito obrigada Marco-san, estou lhe devendo essa. Mas onde está Ai-chan?
–Está matando alguns desses estúpidos cachorros. -Diz ele, apontando para um grupo de cachorros cercando uma mulher, que imaginei ser Ai-chan. Estava muito escuro para conseguir ver direito.
–Você não vai ajudá-la? -Pergunto, preocupada.
–Ela disse que não queria minha ajuda. E de fato, meu diário disse que ela não vai nem se arranhar.
Ai-chan saltou e lançou duas facas contra um cachorro, que foi perfurado e desabou onde estava. Ela acertou um soco no topo da cabeça de um que havia pulado para tentar abocanhá-la, e ele caiu no chão. Quando ele ia se levantar, ela caiu em pé sobre ele, e ele cedeu, caindo novamente. Ela virou para enfrentar os cachorros restantes. Eles pularam todos ao mesmo para tentar matá-la. Não pude ver o que aconteceu a seguir, mas no momento seguinte, todos eles caíam, com facas em seus pescoços.
–Uau. -Fiquei boquiaberta, mas então lembrei do Yukiteru-kun. -Oh, Marco-san, você viu Yukiteru-kun?
–Aquele garoto? -Pergunta Marco-san, apontando para o garoto, que estava sentado na grama um pouco mais adiante.
–Ele mesmo. Obrigada Marco-san.
Corri até ele, pulando alguns corpos de cachorros. Todos eles haviam morrido. Ele estava cercado por corpos também. Afastei um cadáver e me sentei ao lado dele.
–Você os matou? Nossa. -Parabenizei-o, sorrindo.
–Não fui eu... -O garoto parecia assustado.
–Então quem foi? -Pergunto, espantada.
–Foi... Foi a Yuno... -Diz ele, parecendo que estava a ponto de chorar.
–A Yuno?! Como ela te achou aqui? -Começo a olhar para os lados, procurando-a.
–Ela já foi... Ela simplesmente saiu do meio das árvores quando um cachorro saltou para morder meu pescoço, e enterrou uma faca no meio do peito dele. -Ele aponta para um corpo próximo de onde estávamos. -Então matou os outros e foi embora.
–Nossa... Bom, agora não temos para pensar na Yuno. Precisamos achar quem estava controlando esses cachorros. -Começo a me levantar, mas ele segura a minha mão.
–Tsubaki-san, espere. Ela me disse uma coisa...
–Sim? -Pergunto, curiosa.
–Ela disse para eu me afastar de você, ou ela irá matá-la... -Ele parecia envergonhado, e com medo.
–Oh... Não se preocupe Yukiteru-kun, eu sei me cuidar. Não vou deixar nenhuma garota de cabelos rosa se colocar entre eu e meus amigos. Agora vamos?
–Vamos. -Ele parecia admirado com a minha determinação. Nos levantamos e entramos no conversível da Ai-chan e do Marco-san.
–Quem é esse Tsubaki-san? Seu namorado? -Pergunta a Sétima, sorrindo.
–Ai-chan! -Senti meu rosto enrubescer, ele é meu amigo, Amano Yukiteru.
–Sei, amigo. Enfim, para onde querem ir? -Pergunta ela, colocando a chave na ignição. -Hoje eu quem irei dirigir, e Mar vai no banco do passageiro.
–Acho que devemos deixar Yukiteru-kun em casa e... -Começo a falar quando vi Akise-san correndo de dois cachorros. -Akise-san!
–Ele está com problemas. Precisamos ajudá-lo. -Diz Yukiteru-kun, olhando fixamente para o garoto de cabelos brancos que corria como se não houvesse amanhã.
Ai-chan tirou duas facas de dentro do colete azul claro e as atirou. As facas passam a milímetros do pescoço do detetive júnior e se enterram entre os olhos dos cachorros que o perseguiam.
Ele parou, assustado, e olhou para a salvadora dele.
–Muito obrigado.
–Não se sinta agradecido, fiz isso pela Tsubaki-san, não por você. -Responde ela. Marco-san a olha com espanto.
–Que seja. Falei com Kurusu-san e ele me disse que estava havendo ataques de cachorros por essas regiões, e que o principal suspeito disso é o dono dos canis Tsukishima, Karyuudo Tsukishima, que inclusive fica aqui mesmo, no parque. Íamos para lá, mas Orin-chan, os cinco seguidores que nos acompanhavam, os dois policiais e eu fomos emboscados por essas pragas. No final, todos, exceto Orin-chan e eu morreram, e começamos a correr . Nos separamos em uma bifurcação e eu acabei encontrando vocês. -Relata ele, ofegante.
–Akise-san, entra aqui atrás. -Eu e Yukiteru-kun nos esprememos no banco de trás. -Indique-nos o caminho. Ai-chan, vamos até a base do inimigo. Pisa fundo. Para os canis Tsukishima.
–Com prazer. -Diz ela, então ela liga o carro e pisa no acelerador.
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