Sobrenatural 3 - Infinito

9 Capitulo 8 - Como isso foi acontecer?


— Tudo bem? — Isaac perguntou se inclinando por trás de mim apoiado na cadeira e olhando a foto.

— Estou. — Respondi.

— Onde é isso?

— Uma pista de patinação.

— Você sabe patinar? — Ele perguntou se afastando e eu o encarei por cima do ombro.

— Sim. Eu fazia patinação ate os 13 anos eu acho. Mais ou menos nessa época. Um dia te mostro algum vídeo.

— Por que não continuou fazendo?

— Por que isso era um hobbie. Meu serviço era caçar.

— E agora?

— Você quer me incentivar a ser uma patinadora profissional?

— Você pode ser o que quiser. Basta querer. — O encarei e sorri.

— Você foi o melhor presente que eu ganhei na vida, Isaac. O melhor. — Ele sorriu e se inclinou desta vez na minha frente para alcançar meus lábios.

Bateram na porta de novo e desta vez era a turma do Isaac. Scott, Malia, Stiles e Lydia.

— Tudo bem? — Scott perguntou e eu guardei a foto dentro da minha carteira.

— Tudo perfeito. — Respondi.

— Vamos conhecer Beacon Hills então? — Lydia perguntou sorrindo.

— Eu fiquei sabendo que alguém tem talentos para patinar. Acho que podemos dar uma passada por lá. — Isaac falou sorrindo.

Andamos pela cidade. Eles estavam animados contando historias. Fazendo brincadeiras.

Fomos patinar. Stiles, Scott e Malia eram uma negação. Isaac era mediano. Já Lydia era perfeita.

Eu comecei a patinar dando voltas logo estava fazendo manobras que era acostumada antigamente. Rodopiava sem parar. Era perfeito. Aproveitei que só estávamos nós.

E eu não precisava me esconder.

Parei na frente deles que estavam parados me encarando com a boca aberta.

— Tudo bem? — Perguntei.

— Você é demais! — Stiles falou. — Não fica tonta?

— Não. Eu já era acostumada.

— Eu não conseguia te ver fazendo algo menos...

— Bruto? — Completei a pergunta de Isaac que assentiu. — É que as vezes eu sou uma princesa, outras eu sou o cavalo da princesa.

— Quase sempre você é o cavalo da princesa. — Isaac respondeu.

— Esta mais para Shrek. — Stiles falou.

— Fiona. — Corrigi e ele sorriu.

— Achei que nunca tinha olhado Shrek.

— Stiles eu vivia em uma escola, não em uma prisão.

— Ela tem humor minha gente. — Debochou.

— Meio mórbido, mas tenho. — Respondi.

— Achei que não apresentavam esse tipo de coisa para vocês.

— Cara eu olhei Sobrenatural. The Walking Dead. Ate a Saga Crepúsculo eu olhei. Eu conheço a cultura pop. — Voltei a patinar.

Era como me sentir livre. Ou melhor, era como voltar no passado. Onde não tinha preocupações.

Quando retornamos para o hotel fomos pegar nossas coisas. No aeroporto nos juntamos e os 4 abraçaram Isaac ao mesmo tempo, eu sorri olhando aquela cena. Lydia me puxou para o abraço também e eu me fui apertada por todos.

Era com certeza um bando. Uma família. E eu me sentia parte deles.

Quando chegamos a Los Angeles tudo o que queríamos era descansar.

— Como foi? — Alexandre perguntou assim que chegamos.

— Como o esperado. — Respondi tirando o casaco e o pendurando no gancho ao lado da porta.

— Chris tentou falar com você.

— Veio com um papo de perdão por nunca ter feito nada, mas eu falei o que tinha que falar. A parte Argent da minha família esta morta e enterrada. O que eu mais aprendi nessa vida é que família não é sangue. É quem esta com nós ate o final.

Ele sorriu e eu fui em direção as escadas.

Voltamos a rotina normal. Isaac foi para a Fronteira ficar com seus lobisomens. Derek foi embora com o seu novo bando. Era estranho vê-los se apartando.

Os dias foram passando e eu mantinha contato com Lydia e Jesse. Saber que ja estavam construindo uma nova fortaleza no Alasca me deixava feliz por eles. Contou que a Fortaleza do Canada ajudou a exterminar o resto dos lobisomens que sobraram nas redondezas da Caçada.

Era estranho falar sobre isso com ele agora. Não era natural. Antigamente eu estaria comemorando. Agora estava mais aliviada. Eram sentimentos diferentes por que eram situações diferentes. Hoje eu sou noiva de um lobisomem e amiga de vários. Mas a Caçada e nem as outras Fortalezas foram tão ruins ao ponto de sair caçando.

Eles so entravam em ação quando era preciso. Isso me deixava aliviada. Era um sentimento estranho.

A conversa com Chris passou e repassou na minha cabeça nas ultimas semanas. Não falei com ninguém sobre aquilo. Mas ele tinha razão. Eu não era diferente deles. Eu estava sempre procurando a guerra. Sempre sujando as minhas mãos.

Tinha falado serio quando minha conta também estava quase no vermelho. Tinha matado alguns lobisomens inocentes. Eu tinha mais noção disso agora do que há um ano. Cada dia que passava aquilo me deixava aterrorizada. Eu não queria ser a minha mãe.

Por isso tomei um decisão drástica. Abandonei o exercito também. Não queria mais sangue nas minhas mãos. Eu não queria mais ter que matar. Entreguei o cinturão publicamente e anunciei que iria me aposentar das lutas.

Era estranho tomar aquelas decisões e ser questionada por Jesse, Alexandre e Isaac. Mas eram as minhas escolhas.

— E o que você vai fazer? — Isaac perguntou uma vez quando estávamos no quarto.

Já fazia uma semana que eu tinha guardado tudo e deixado tudo de lado.

— Uma boa pergunta que eu não vou saber te responder.

— Katrina... Olha não é que você precise fazer algo, mas me deixa arrepiado que você esteja largando tudo que amava. Estou preocupado.

— Eu sei que esta. Mas eu não quero ser a Kate.

— Isso tem a haver com o que Chris falou? — Fiquei em silencio. — Você não é como ela.

— Você não sabe as coisas que eu fiz, Isaac.

— O que importa? Todos erramos! Você fazia o que achava que era certo. Cumpria suas missões e regras.

— Sim. E eu cansei disso.

Meu estomago revirou e eu levantei correndo para o banheiro. Me abaixei no vaso e coloquei meu café da manhã para fora. Isaac entrou no banheiro e segurou meus cabelos. Assim que terminei limpei a boca e puxei a descarga.

Fiquei ajoelhada no chão e olhei para Isaac em pé ao meu lado.

— Você esta doente?

— Estou uma pilha de nervos. Minha menstruação esta atrasada. E os enjoos começaram essa semana. Não posso ver comida. Não posso sentir qualquer cheiro. E o pior sinto uma vontade imensa de comer carne. — Ficou me encarando.

— Você já fez o teste? — Perguntou.

— Não. Eu estou morrendo de medo de fazer e dar positivo. Não posso estar gravida Isaac. Agora que eu estou começando a minha vida. Você nem sabe o que vai fazer agora com a faculdade e com o bando... — Ele me calou com um beijo e eu o encarei assustada quando se afastou.

— Eca! — Ele falou limpando a boca e eu revirei os olhos antes de pegar a escova de dentes. — Desculpe estragar o momento.

Escovei os dentes e o encarei.

— Estou muito nervosa.

— Mas você não pode ficar nervosa. — Beijou minha testa. — Eu vou sair para comprar um teste de farmácia. Vamos descobrir isso hoje.

Ele saiu rapidamente e eu voltei para a cama. Quando Isaac retornou precisei de toda a coragem do mundo para fazer o teste. Esperei pelo resultado e cai sentada na cama quando aqueles dois pauzinhos apareceram.

Passei e repassei na minha mente como aquilo tinha acontecido. Lembrei que na época em que fomos para o Alasca depois para o Canada e Beacon Hills eu esqueci de tomar varias vezes o anticoncepcional.

E eu devia imaginar que aquilo iria acontecer. Devia ter me protegido. Era obvio que isso aconteceria Isaac e eu não dávamos trégua um para o outro quando estávamos dentro do quarto. Ele era um lobisomem forte e meu organismo não era mais humano.

Se ate um humano engravidava assim. Como isso não iria acontecer comigo?

Idiota!

— Vou ser pai? — Isaac perguntou sorrindo.

Seus olhos tinham um brilho.

Eu só consegui assentir.