Sobre piratas, tesouros e laranjas

11 Sobre os sentimentos do espadachim e da navegadora, parte dois


Notas iniciais
parte dois da mini-história que trago aqui à vocês. mas quero lembrar à vocês que tem uma parte que vai gerar gatilho à todxs, tudo bem? se não quiserem ler, só podem pular a parte, certo?

Quando anoiteceu, de um por um, os membros dos Chapéus de Palha saíram do navio para aproveitar a festa da cidade. Luffy se interessou logo por uma deliciosa mesa de comidas na sua frente e atacou tudo por lá. Usopp e Yamato ficaram com raiva já que não sobraram nenhuma migalha sequer e o grito dos três era constantemente ouvido por todo mundo, mas ninguém ligou.

Chopper estava se deliciando com o querido algodão-doce e Robin e Franky dançavam uma música lenta com os moradores da ilha. Sanji e Brook, bom, foram até as madames charmosas que eles encontraram por aí, jogando cantadas sujas e pedir para ver suas calcinhas. Jinbei estava entretido num jogo de baralho pelos moradores enquanto bebia um copo cheio de cerveja.

Zoro não quis ficar ali, ainda mais com Sanji junto com o pessoal, pegou apenas o seu precioso saquê e foi andando pelos arredores daquela terra. Quando encontrou um local debaixo de uma árvore na mata escura, ficou apenas sentado com as costas apoiadas no tronco desta; bebia enquanto os pensamentos estavam se manifestando em sua mente.

A conversa que tive com a Nami horas atrás não era fácil de esquecer. Tinha que esquecer toda aquela insegurança que estava presa dentro do seu peito.

Ignorar que aquilo era chamado de tabu, pecado e erro.

Ele era livre para amar quem quiser. Contudo, não era a primeira vez que sentia aquele sentimento. Quando criança, já chegou a admirar a beleza de Kuina e ignorava isso enquanto treinava para ganhá-la num duelo.

— Por que diabos isso tem que ser tão complicado? — indagou sozinho. — Por que logo ele?

Bebeu o último resquício de saquê e se levantou para buscar mais. Andou à mesa e pegou no mínimo duas garrafas. Quando se virou, observou Sanji numa competição de culinária? Andou lentamente até a multidão de pessoas e ficou em frente ao palco o observando.

— Senhoras e senhores, uma salva de palmas para o lendário Sanji, Perna Negra!

— Oe marimo, veio aqui para me ver?

— Ué, você ganhou?

— Ganhei sim! Uns 100 milhões de berries para a Nami-swan e um leve aquecimento quando eu encontrar o All Blue.

— Qual foi o prato dessa vez?

— Ahn? Desde quando se interessa por comida?

— Não, só estou com fome. — respondeu simples.

Merda, tô dando muita bola para esse infeliz. Tô agindo que nem um adolescente apaixonado.

— Eu preparo um onigiri para você no navio. Vamos.

Pareceu uma eternidade quando voltaram ao navio. Era bem esquisito aquele momento de calmaria que nunca teve antes com o cozinheiro. Assim que ligou a luz, o esverdeado se sentou calmamente à mesa, deixando as suas três espadas encostadas na parede e ficou encarando o teto enquanto as mãos de Sanji trabalhavam de um modo delicado e suave no preparo dos onigiris.

Gohan, folhas de nori, água, gergelim com sal. Mas decidiu dar uma variada no sabor do alimento preferido do espadachim. Apenas um toque especial. Depois de fazer no total de cinco onigiris. Deixou-os num prato de madeira e na geladeira, pegou um saquê e serviu em um copo.

— O jantar está servido. Aproveite.

Se sentou calmamente no chão do cômodo e tragou seu típico cigarro. Zoro estranhou aquele gesto mas comeu a refeição feita pelo loiro calmamente, degustando muito. Assim que terminou, bebeu apenas um gole de saquê. Lavou as louças sujas e as guardou em seu devido lugar.

Logo, se sentou na sua frente sem falar uma palavra sequer.

Tragou mais o cigarro e o cheiro da nicotina ficou no ar.

— Você anda me evitando. — falou o loiro.

Zoro apenas suspirou mas continuou ouvindo o loiro falar.

— Ficou bastante estranho que nós não discutimos mais, treinando mais à beça do que devia. Tem alguma coisa que eu fiz, cabeça de alga?

Claro que tem algo de errado. Você beijou o Cirurgião da Morte e eu tô cheio de raiva!

— Não aconteceu nada demais — respondeu sério e depois se levantou. — Muito obrigado pelo jantar.

Saiu da cozinha mais rápido. Raiva e tristeza eram as duas emoções que tomavam de conta da sua razão. Tudo estava se complicando. Coçou os fios verdes com uma certa força. Já Sanji, sentia uma inquietação se manifestando dentro de si. Curioso seria a palavra certa mas a irritação também era uma delas. Esse imbecil fugindo de uma conversa? Que imbecil...

— Oe marimo, qual é a porra do seu problema? Nós ainda não terminamos a conversa! Quem você pensa para ficar fugindo do assunto? Você não é assim?

Tem razão, não sou assim.

— Quer saber qual é o meu problema? Meu problema é você! Sempre foi você, seu maldito! Sabe o quanto eu fico irritado quando você fica aos beijos daquele cirurgião maldito? De quantas vezes eu fico viciado no seu sorriso enquanto cozinha? Mesmo que o fedor de seu cigarro seja nojento me lembra muito você? Cacete, tudo em você complica em tudo, sobrancelha encaracolada!

O problema era eu? Isso é…

— V-VOCÊ… Você… Zoro-kun… — exclamou surpreso, com a voz rouca de tanto gritar com este. — E-Eu não sei o que dizer… Eu tô muito surpreso… — tossiu. — Quando isso… começou?

— É isso que você pergunta?

— Cacete, só responda: quando começou a gostar de mim?!

— Depois de Skypiea.

— Isso perdurou por todo esse tempo??! AINDA QUANDO O BANDO FOI SEPARADO? QUANDO FUI ATÉ AQUELA MALDITA ILHA WHOLE CAKE?? OE, ZORO, ISSO NÃO É ENGRAÇADO!! — gritou. — Puta que pariu…

— O que diabos queria que eu fizesse? Eu estou fodidamente confuso e você não ajuda nada! Tudo o que eu sei é que…

As bochechas começaram a ganhar um tom avermelhado. Não acreditava que ia falar aquilo mas era necessário.

Pôr para fora o que estava lhe matando.

— Tudo o que eu sei é que quero ficar ao seu lado. Mesmo provocando um ao outro, com sua taradice infernal… eu quero ficar do seu lado.

Agora vou morrer de vergonha. Cometer o seppuku agora.

— Pode repetir de novo?

— VOCÊ NÃO ME OUVIU??? — elevou a voz, tanto de vergonha quanto de fúria.

— Eu ouvi sim, cabeça de alga. — deu uma risada curta. — Se importaria se eu dissesse que vou te dar a resposta amanhã? É muita coisa para processar.

— Claro. Fique à vontade. — suspirou de alívio o vendo sair de sua vista.

A noite nunca foi tão longa…

Sem mais nada para fazer, ficou no Ninho da Gávea treinando.

A noite da navegadora foi tão tranquila quanto uma pena, apenas observando pessoas dançando, comendo, se divertindo como se nunca houvesse amanhã. Sentia a nostalgia que os cidadãos emanavam. Bebeu mais um gole de rum e engoliu sentindo a garganta ardendo e deixando seu doce sabor nos lábios. Ficou sentada numa mesa em um restaurante de aparência simples e humilde comendo uns deliciosos pães de queijo. Fez uma pequena nota mental para lembrar de pegar a receita para que um dia Sanji possa fazer a tal comida.

E a tontura veio num piscar de olhos. Sentia o corpo inexplicavelmente cansado e pesado. Se levantou de supetão da mesa, mas quase tropeçou nos próprios pés e foi segurada em braços fortes. Pensou que fosse Luffy ao olhar para o rosto do indivíduo mas os olhos embaçados não cooperavam.

Então se viu carregada e dominada pelo sono pesado. Quando abriu um de seus olhos, o efeito ainda não passou, pensou que estava terrivelmente doente e estava deitada numa coisa macia, numa cama. A janela transmitia uma luz amarela de um poste e o que levou a um pensamento inimaginável que estaria em um hotel. Mas quem lhe levou até ali.

Logo, duas mãos acariciaram suas duas pernas e engoliu seco, o cheiro de cigarro e bebida que parecia uísque impregnou em suas narinas, lhe fazendo enjoar. Queria vomitar.

Queria sair dali mas as mãos a seguraram com força. O único resquício de razão foi se debater e arranhar por um breve período de tempo até se encontrar completamente imobilizada no colchão, ouvindo suas roupas se rasgando rapidamente.

O seu cartaz de procurado estava logo ali, naquele criado-mudo.

Caçador de recompensas…

Lágrimas quentes escorreram pelo seu rosto alvo.

Por favor, alguém me ajude, socorro… — sussurrou na esperança de que alguém possa a ouvir. Principalmente seu Luffy.

Seu bastão climático estava ali no chão, mas seus braços estavam presos pela força descomunal do homem. Foi tomada pelo pânico quando ouviu a sua última peça de roupa do seu corpo rasgar.

Lutava para poder se debater, mas o homem empurrou seu rosto contra o colchão. Agora sua luta era a esperança de encontrar oxigênio e lágrimas incessantes eram derramadas.

Gritou, esperneou e nada.

Bellemere, Nojiko, Genzo… Eu quero ver os seus rostos mais uma vez.

Luffy, me ajuda…

O peso sob si, num piscar de olhos, desapareceu.

Mesmo tendo a visão nublada, conseguiu captar o estuprador caído no chão e sendo chutado e esmurrado por uma pessoa alta e muscular.

O que restava de força foi se enrolar num lençol para cobrir a nudez, tapar os ouvidos e fechar os olhos enquanto se afogava no choro descomunal.

Encolhida no canto do quarto, só conseguiu focar na sua sobrevivência e nada mais que isso.

Polegares carinhosos envolveram sua face e suas mãos delicadas pegaram no tato da pessoa, reconhecendo aquele calor que tanto amava… Luffy.

Encostou sua face no peito dele e recomeçou a chorar. De alívio e de felicidade.

— Eu estou aqui, não vou deixar nada que aconteça a você. Jamais.

A voz rouca — que jamais se adaptou a essa maneira — e segura lhe deu uma série de arrepios e um sorriso mínimo brotou nos lábios da navegadora e logo seus olhos pesaram, caindo num sono profundo.

O capitão pôs seu precioso tesouro nos cabelos da ruiva, a cobriu com sua capa negra e a carregou no colo saindo daquele hotel fajuto indo direto para o Sunny Go, onde sua amada precisava de sérios cuidados.