Sobre piratas, tesouros e laranjas

12 Sobre os sentimentos do espadachim e da navegadora, parte três


Notas iniciais
bom, chegamos ao final da mini-história e da coletânea de one-shots, infelizmente porque decidi que seria algo de 12 capítulos porque nunca gostei de número ímpar mas quem sabe, um dia, eu volto um dia com ela, tá bom? a minha rotina tá tão corrida que nem dá tempo de atualizar minhas outras fics.

Assim que souberam do ocorrido com Nami, imediatamente levaram o estuprador para a cadeia da cidade, logo em seguida saíram da ilha o mais rápido possível da ilha sob as ordens sérias do capitão. Chopper ficou ao lado de Nami cuidando dos ferimentos e pediu para que ninguém a perturbasse.

Na madrugada, Nami não conseguiu pregar os olhos mas continuou com eles fechados, enrolada fortemente numa manta super quentinha e a garganta permanecia seca de tanto gritar mas não se importava muito com isso. Ao ouvir a porta abrir e fechar ao mesmo tempo, suas narinas sentiram um cheiro de sabonete, dedos calejados colocando seus cachos ruivos atrás da orelha e iniciar uma pequena carícia no processo até rumar em sua bochecha, onde secou a singela lágrima.

Nem percebeu que estava chorando novamente.

Estava se sentindo sufocada naquele cubículo.

Não que odiava estar na enfermaria de Chopper, mas por lembrar do fato de estar trancada entre quatro paredes a assustava demais. Se sentou lentamente na cama e pediu silenciosamente um copo d’água para Luffy e o mesmo entregou sem pestanejar.

Ao tomar tudo em um gole só, entregou o copo vazio e suspirou.

— Quer ir lá pra fora?

Apenas balançou a cabeça numa afirmação.

Luffy pegou sua mão de um modo delicado e ambos saíram da enfermaria.

Estava quase amanhecendo quando encarou o horizonte de uma cor arroxeada com tons azuis escuros, as águas do Novo Mundo estavam calmas e o clima permanecia frio. Luffy se sentou na proa em forma de leão e se sentou no meio das pernas dele e os braços fortes a rodearam de conforto e segurança.

— Naquela hora, eu realmente queria matar o cara, eu só não o fiz porque você estava lá.

Nami engoliu seco.

— Seria traumático tanto para você quanto pra mim…

Nami deu um sorriso mínimo nos lábios

— E prometi ao moço do catavento que nada ou ninguém tiraria seu sorriso.

Arregalou os olhos. Genzo…?

Quis chorar pelo tal segredo que este guardou mas deu um suspiro baixo. Com um movimento rápido, virou-se para encará-lo e lhe deu um abraço forte. E ficaram assim por um bom tempo.

— Eu posso fazer uma coisa? Prometo que não quero te assustar.

— Claro. — a voz da navegadora soou rouca, talvez por ter se mantido calada por tempo demais.

O capitão acariciou suas costas com a palma de sua mão em cima da coberta em que a ruiva estava enrolada, causando uma série de arrepios em sua espinha. Depois de um tempo, sua mão entrou debaixo da sua camisola e espalmou com calma as suas costas nuas. O dedo indicador começou a fazer desenhos aleatórios na sua pele alva.

— O que está fazendo? — sua voz gaguejou.

— Desenhos invisíveis nas suas costas. — disse com sinceridade. — O bastante para que esses arroxeados saiam da sua pele. Tô tentando desenhar uma laranja shishishishi. E quem sabe uma carne.

Era incrível como ele permanecia inocente em todos os males do mundo. Afundou o rosto no pescoço dele, secando as lágrimas insistentes e ria de um modo fraco.

— Mas se quiser, pode tocar na minha cicatriz e fazer desenhos invisíveis.

Arregalou o olhar e voltou para seu rosto pela primeira vez naquela madrugada.

— Eu tenho uma coisa para te mostrar — sussurrou em seu ouvido de uma forma misteriosa —, não sei se vai gostar.

Logo, conectou seus lábios aos dele. Sua curiosidade se atiçou que a boca dele também era de borracha. Luffy arregalou o olhar mas depois de um tempo percebeu do que se tratava, retribuiu o gesto com delicadeza, pedindo a passagem com a língua e acariciando e fazendo desenhos em suas costas enquanto a navegadora enrolava o braço esquerdo no pescoço deste e acariciava os cabelos rebeldes negros com sua outra mão.

Pararam por falta de ar e Luffy deu mais um selinho em sua boca e encostou sua testa na dela. A sua mão saiu debaixo da camisola e rumou até à sua tatuagem fazendo outro desenho invisível.

— Robin me explicou o que é beijo. Diz que é um ato cheio de emoções e para fazer com uma pessoa que confia e amava muito shishishishi. — disse, ajeitando o corpo da navegadora em seu colo. — E agora sei que você me ama e podemos ficar juntos, não é?

Nami arregalou o olhar. Espera, muita calma nessa hora...

— Luffy… Desde quando?!

— Se me lembro, bom, foi muito antes mesmo. Depois de chutar a bunda do Shiki ou declarar guerra ao governo mundial.

— Luffy, depois de todo esse tempo?!

— Ué, eu fiquei confuso. Por favor, não me bata por isso!

Quando todos acordaram, a primeira pessoa a notar o bom humor de Nami foi Yamato e a segunda foi Jinbei. Sanji pensou que o único indivíduo que poderia arrancar um sorriso da navegadora seria seu capitão idiota. E pelos mínimos detalhes, notou que ele não soltou a mão dela nem por um segundo sequer.

‘É melhor fazer a vida de Nami-chan mais feliz ainda, borrachudo sortudo’, pensou com um sorriso nos lábios ao ouvir a notícia no deque do navio.

Mas logo seu rosto virou uma expressão pensativa sobre o que aconteceu ontem a noite. As palavras do espadachim eram repetidas várias vezes em sua mente. Se perguntava como aquilo tudo chegou àquele ponto.

O caso que teve com Law era apenas atração, ambos esquecendo o mundo em que viviam para esquecer que tinham corações pertencendo à outras pessoas e odiando o passado em que sofreram bastante e o sexo foi uma válvula de escape mas, de alguma forma, entregar-se aquele sentimento carnal com certeza já estavam desgastando a mente de ambos colocando um ponto final naquela relação.

Com certeza Law deve ficar feliz ao lado de Eustass Kid, afirmou o loiro em pensamento enquanto acendia um cigarro.

Como café da manhã, fez uma bela tapioca recheada de queijo, presunto e carne moída e para melhorar ainda mais o humor da navegadora do bando o prato preferido dela com a receita de Bellemere. Foi uma festa ver o sorriso de Nami nos lábios.

Ao meio-dia, atracaram numa ilha inabitada. Yamato, Luffy, Jinbei e Nami saíram do navio tanto para acompanharem a cartógrafa quanto explorarem a ilha. Robin se juntou a Chopper e Usopp para explorar a mata densa, deixando um leve beijo na bochecha de seu marido, Franky que ficou na sua querida oficina. Zoro se escondeu no Ninho da Gávea, treinando.

Sanji subiu até a área o esverdeado trazendo um refresco de limão para este. O observou por um instante, levantando pesos bem pesados. Fechou calmamente a portinhola do ninho e ficou encarando. Claro que Zoro tinha notado a presença do loiro mas não lhe disse nada. Apenas ficou levantando aquelas pesadas barras de metais até ficar com sede e pegar o refresco numa mesa pequena que tinha ali no cômodo.

— O que faz aqui, sobrancelha encaracolada?

— Andei pensando muito a respeito sobre o que você me disse ontem.

O espadachim quase se engasgou — lê-se querendo se esconder debaixo de um buraco ou se afogar no oceano.

Sanji notou a inquietação e o fato de Zoro se engasgar e deu um sorrisinho de canto, achando engraçado.

Ele vai me dar muito trabalho mas foda-se.

— A resposta é sim.

— O QUÊ??!

— Você tem expressões estranhas de demonstrar surpresa, caramba. — tragou o cigarro.

— Mas é que… Você… — começou a gaguejar e as bochechas ganharem uma coloração avermelhada. — Você…

— Sério que você está gaguejando? — começou a rir. — Isso me lembra logo de Thriller Bark, cabeça de alga! — gargalhou.

— AH CALA A BOCA! — coçou a nuca irritado.

Aquilo tudo menos essa ilha. Droga Perona, tomara que tenha desaparecido da face da terra. Não sei como o Mihawk aguenta a presença dela.

E vendo como ele não ia parar de rir, caminhou até ele com passos, o pegou pela nuca e conectou seus lábios aos dele num beijo arrebatador. O loiro pouco se importou se este estava coberto de suor, apenas retribuiu o ato com veracidade.

Pararam por falta de ar e o esverdeado encostou o polegar nos lábios do cozinheiro, com um sorrisinho de canto, malicioso ao ver as bochechas avermelhadas de Sanji. Tão sensível assim?

— Pelo menos eu sei como calar essa sua boca.

Notas finais
espero que tenham gostado! e se quiserem mais uma fic de lunami para ler, é só dar uma olhadinha no meu perfil que tem uma nova publicada chamada "a felicidade é sutil e quase trágica" e também espero que gostem muito dessa fic, de coração!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!