Sobre Dores, Sexo E Álcool.
9 Capítulo VIII
Capitulo VIII
Trancou a porta e acionou os alarmes.
Quando Victor voltou ao apartamento, passavam das cinco da manhã. Ele andou pela cidade procurando alguém para satisfazer a depravada necessidade de matar, depois de duas rodadas de poker, várias garrafas de cerveja com velhos conhecidos e desculpas feitas à contra gosto. Infelizmente, não encontrou alguém interessante o suficiente para se divertir.
O problema era Kurt. Não conseguia tirá-lo da cabeça, nem por um momento e só pensar nele e no corpo a disposição o deixava na vontade insuportável de saciar as necessidades das áreas baixas. A cauda fazia um bom trabalho o provocando.
Creed era o típico homem violento e assustador, o qual adorava matar.
Entra descontraidamente em um bar ilegal e após umas cervejas, o que sobra é um estabelecimento destruído, rapazes decapitados e uma porção de chumbo. Um “balaço” na cabeça não fazia muita diferença.
A primeira vista, uma surra bem dada. A segunda, carne humana dilacerada.
A única coisa boa da influencia em meios estranhos: Creed era aliado ao governo.
Uma ou duas vezes ao mês, o governo entrava em contato, oferecendo uma quantia notável para fazer algumas visitas a sujeitos dos mais variados tipos – anarquistas, terroristas, repórteres, lideres de movimentos anti-governamental... E a lista anda. Um maníaco solto não gerava tanto polemica quanto um deslize do governo.
A cerca de favores, havia uma divida enorme com Victor.
Jogou o casaco em cima do sofá e parou no meio do caminho para olhar o pequeno bar perto do quarto. Três doses de vodca com uísque poderiam resultar numa fissura para acalmá-lo, mas não a que ele estava procurando.
Victor precisava de sangue.
Ele precisava senti-lo sobre suas mãos, escorrendo entre as garras e salpicando no rosto e vestes. De sentir o gosto irresistível e amargo do metal e da sensação macia que só a carne humana pode proporcionar. Da satisfação que só um assassino sem alma poderia ter. Sua luxuria homicida.
Olhou para Kurt.
As garras aumentaram de tamanho ao pensar como ele ficaria bonito todo ensangüentado e contorcendo-se de dor, com aquele jeito confuso e lábios trêmulos. Podia matá-lo a qualquer hora, e no começo foi isso que tornou aquela relação tão divertida.
Quando matava, principalmente presas frágeis e fáceis de persuadi-las ao sexo, gostava de tornar o ato mais intimo. Praticava o ato sexual até o momento que estivesse completamente saciado, então as rasgava, deformando os corpos de maneira tão repugnante para não serem
reconhecidas. Com Kurt não seria diferente, a não ser que estava impossibilitado de fazê-lo.
A princípio, Creed só queria atirá-lo na cama, se divertir um pouco e terminar o serviço. Apenas sexo escondendo a vontade de se vingar de Logan, matando o melhor amigo que supostamente tinha uma paixão platônica pelo melhor no que faz. Entretanto, pensamentos e vontades anormais domaram sua mente tão forte que bloquearam seu desejo de vingança. Vontades que há anos, não sentia.
Vontades, propriamente dito, de um casal. Outras coisas que não envolvessem só sexo.
Ele não criava e sustentava laços desde Leni – se preferir, uma das desconhecidas aparências de Mística- e foi uma surpresa ao saber que ele se importava com Noturno, o filho bonzinho daquela megera odalisca.
Kurt o fazia se esquecer de onde veio, das coisas que fez e das pessoas que matou, e acima de tudo, da selvageria que representava e a maldade que formava sua essência. Ele o tratava não como um animal – o que todos o julgavam ser – mas como homem com todos seus direitos e
respeitos. Um demônio disposto a conceber quantas chances fossem necessárias para Dentes-de-Sabre deixar de ser reconhecido com um assassino.
E mesmo o corrompendo, Kurt continuava puro.
Nesse sentido, a relação que vivenciava não obedecia qualquer razão, apenas ao instinto selvagem e prazeres do pecado.
Suspirou. Escolheu ser mal e por ironia, não conseguia praticar qualquer maldade desde o primeiro gemido de êxtase, particularmente, seu nome sussurrado na primeira relação sexual.
Ele o vicia mais do que sangue.
Tirou a roupa, ficando com a cueca preta protegendo as partes intimas, e as jogou perto da cômoda. Acomodou-se ao lado do x-man e o puxou com cuidado para perto do seu corpo, mantendo uma distancia confortável e menos protetora.
Visualizou o rosto adormecido em suas feições suaves e não conteve a vontade de enterrar o nariz entre os cabelos escuros e inalar o cheiro exaltado pelo alemão e permaneceu assim por longos minutos até se afastar.
Ao sentir a falta de contato, Kurt murmurou sonolento como protesto. Então aconchego-se entre os braços de Victor,encostando a cabeça em seu peito. A cauda passou por cima das pernas canadenses, vez ou outra se mexendo tranquilamente.
Aquela estranha sensação de segurança.
Victor deveria checar os e-mails, retornar as chamadas perdidas e dar uma conferida na secretaria eletrônica, possivelmente continha alguns pedidos urgentes e poucos importantes, gente para assassinar, entrar clandestinamente em lugares perigosos ou bancar o espião canadense. Ele devia fazer isso, mas estava ocupado demais vendo Kurt dormir.
Toda aquela fragilidade disponível a mercê de suas garras.
Wagner seria sua vingança emocional.
Wolverine nunca achou que fosse tão difícil seguir o rastro de Creed.
Havia registros de homicídios na região, mas nenhuma matança generalizada aos moldes do assassino. Incomum quando Dentes-de-Sabre estava na cidade. Das pessoas que interrogou e das cinco primeiras que ocasionalmente foram para o hospital, nada sabiam. Algumas comentaram quase sujando as calças que o mutante não aparecia há tempos significativos. Muito ao menos no Circo de Satã.
O filho da puta se divertiu muito mutilando o corpo do Noturno, o suficiente para saciar a ânsia assassina descontrolada que conhecia tão bem. Era o pior das hipóteses, Logan não sustentava essa idéia longe de ser absurda, ainda existia uma espécie de... Esperança. De alguma forma, sentia que Kurt estava vivo.
O celular vibrou e o canadense não ficou contente. Mansão X. Definitivamente não era uma bela hora para enfrentar Ororo e alarmá-la que o queridinho azulado foi capturado por garras tão cruéis e cheias de ódio. Wolverine coçou a cabeça imaginando a tempestade de raios caso o nome de Dentes-de-Sabre chegasse aos ouvidos dela.
–Já o encontrou?- a voz apreensiva de Tempestade aumentava o sentimento de fracasso.
–Ainda não, Rô.- limitou-se a dizer, desejando que ela desligasse o telefone, por estar irritada ou ainda por não acreditar.
Um silencio incomodo.
–Charles se recusa a rastreá-lo. Disse que está com medo de usar os poderes e no mal que pode causar. –confessou, mas a voz se aproximava de uma suspeita, alegando que essa desculpa estava presa na garganta. Talvez Chuck não estivesse se esforçado ou até mesmo tentado — Não conseguiu encontrá-lo na primeira e única vez.
Mortos não possuem atividade mental.
–Tudo bem, eu vou achar o elfo. – a sutileza do tom indicava uma firmeza tanto desequilibrada. Iria encontrá-lo sem saber em que estado.
–Precisa de ajuda?- a Deusa praticamente já sabia a resposta.
–Rô, não posso te pedir isso. – fez uma pausa — É coisa minha... Kurt é meu melhor amigo. – e era verdade. Mesmo com certos desentendimentos no passado, o elfo era uma das poucas pessoas que se dava bem. Muito relevante por sinal.
–Entendo.- e Logan podia imaginá-la com um pequeno sorriso triste no rosto.
Sentiu-se pior do que nunca. Ororo era uma mulher incrível, sedutora e misteriosa, mas ela não entendia. Há essa hora, Kurt pode estar morto, estripado e enterrado a sete pés.
Olhou para o céu domado por poucos raios de sol.
Precisava dormir.
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