Capitulo VII


Dentes-de-Sabre precisava voltar a especialidade sangrenta e sabiamente divertida, não podia perder a fama de assassino psicótico. Entretanto, sua rotina modificou-se totalmente quando confrontou Wagner há alguns dias, e agora passava a maior parte do tempo saciando o apetite selvagem e destruindo aquele corpo inocente com contatos, caricias e o arsenal de impureza conhecido por poucos. Todo pecado que o sexo oferece e aos desejos cedidos pelo corpo, o possuindo a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer lugar do apartamento e das maneiras mais variadas possíveis.

O que, realmente, não o incomodava e lhe dava o maior prazer.

Apesar dessa satisfação em longo prazo, nos círculos os quais freqüenta, Creed precisava manter a hierarquia selvagem da identidade. Assassinar um ou dois inocentes serviria por hora até voltar a trabalhar. Deixar de lado aquela imagem provocante e retalhar alguns corpos. O prazer da violência o alimenta e sacia o animal sanguinário por dentro.

Ouviu um resmungo baixinho e constatou que precisava fechar logo o zíper e sair do quarto o mais rápido possível. Só de pensar em Wagner, o membro se manifestava e dificultava o simples ato de colocar as calças.



Kurt se viu em alguma coisa nova.

Pela primeira vez desde que acordou na cama de Victor, o desejo ativo e sexual despertou os sentidos. Os olhos foram capturados pela curvatura do quadril que se destacavam da cintura baixa das calças enquanto Dentes-de-Sabre movia-se com toda força animalesca no
andar. Creed era alto e corpulento, o peito largo e um formidável sistema respeitável de músculos bem desenvolvidos que o fascinava e concebia a
vontade de tocar, lamber, mordiscar.

Um macho que exalava perigo e despertava grande interesse. Com uma força física sobre-humana, dotado por destrezas felinas e movimentos de um predador.

Altamente masculino sem quaisquer características femininas. Com um tipo de personalidade só é encontra em homens extremamente violentos movidos por instintos primitivos.

Dotado por uma sensualidade brutal.

–Tá se divertindo, Azul?- perguntou divertido Creed, de costas para ele, concentrado em achar uma camiseta no armário. Ouviu um pigarrear malicioso.

–Certamente... Ja- gemeu de satisfação antes de morder o lábio inferior e dos olhos correrem toda extensão dos ombros até a parte recém coberta pelas calças.

E Victor desistiu de se vestir.





Circo de Satã.

O primeiro odor foi da cerveja velha e de má qualidade que muitos consumiam. E ele aspirou o ar esfumaçado com um sorriso pequeno nos lábios. Quando Creed entrou, um silêncio incrédulo pairou sobre o bar. Com seus olhos ferozes e tomado por uma sensação de posse, observou os ocupantes calmamente à procura de qualquer vilão derrotado pelos X-men, metido a durão que chegou a machucar Kurt.

Por um momento, ele percebeu no que estava fazendo e constatou que o jovem demônio deixou de ser um rapaz entre muitos outros mutantes e passou a ser propriedade. Seu objeto de prazer, de fúria e de fragilidade.

Kurt era o tormento provocador, um vicio de gosto e cheiro, um mistério envolto do corpo.

Talvez estivesse exagerando.

Sexo podia virar amor e ele podia se apaixonar por causa disso.

Deus, ele precisava de uma bebida.

Caminhou entre as mesas até área privada do estabelecimento, cumprimentando conhecidos com o leve aceno, outros mais amigos com um leve tapa nos ombros e sempre demonstrando inimizade e perigo. Aproximou-se da mesa sem ser percebido, contornando-a até o balcão de bebidas, onde podia se servir a vontade.

Ao que parece, o jogo de poker estava bem interessante e Constrictor apenas levantou o olhar quando perdeu.

–Faz tempo que tu não aparece, Creed.- e o comentário atraiu olhares de todos na mesa, que logo entenderam o sinal para saírem do local o mais rápido possível. Cadeiras foram arrastadas para um canto, e ao se direcionarem para a outra parte do bar, os indesejados desviaram o mutante assassino, pelo próprio bem.

Restando apenas Frank, Constrictor, e duas cadeiras vazias endereçadas às pessoas certas.

Victor limitou-se a concordar discretamente com a cabeça enquanto tomava cerveja. E sentiu mãos femininas no peito em movimentos rápidos e ousados, além da dificuldade de lábios traiçoeiros sussurrarem no ouvido em tom provocante.

–Por onde andava, gatão?- e as mãos que estavam em seu peito desceram até o cinto e o puxaram para trás em um movimento sensual.

Creed fechou os olhos e franziu a testa.

–Tava ocupado com umas coisas.- rosnou entre os dentes desfazendo aquela diversão. E no exato momento em que Dentes-de-Sabre não entrava em detalhes, a melhor coisa a fazer era mudar o assunto e se afastar.

Foi o que ela fez. Simplesmente assim.

Mary o contornou e se sentou na cadeira, dobrando as pernas e colocando dois dedos nos lábios inferiores. Apesar dessa provocação, ela tinha um corpo belo e maltratado, carregando um histórico de brigas e sexo com pessoas erradas, lindos olhos verdes e um corte de cabelo longe de ser feminino, porem na cor entre o vermelho e o rosa.

Sentindo a tensão e a hostilidade no grupo perante a irritação exalada, Constrictor recolheu as cartas e começou a embaralhá-las para uma nova partida.

–Vai querer jogar?- perguntou quando ao separar as cartas e aguardou a resposta se deveria ou não incluir mais um jogador e excluir todas as possibilidades de ganhar uma partida.

Dentes-de-Sabre raramente perdia uma partida de poker.

–Só vim aqui pra uma cerva. –balançou o copo e bebeu o ultimo gole — Já to de saída.- tirou do bolso algumas notas mais do que suficientes para pagar a cerveja e colocou em cima do balcão antes de ajeitar a pele do casaco e privá-los da companhia adorável.

Então aconteceu algo muito incomum entre aquele círculo de amigos quando Creed estava nesse estado instável de agressividade.

–Ohh, quem está segurando sua coleira?- e o tom irônico da voz só fez a irritação crescer ainda mais eliminando qualquer respeito que tinha por ela.

Mary o provocou e foi o suficiente.

Ela não viu quando Creed se aproximou, apenas sentiu um puxão no pescoço e logo estava sendo sustentada pela coleira que usava. E logo a dificuldade para respirar aumentou quando a coleira foi levantada, forçando-a a acompanhar o movimento com a cabeça e uma das garras resolveu brincar perto de seus seios.

–Tu sabe o que eu faço com engraçadinhos.- a voz não era amigável, diferente da maioria das ameaças que fazia para aquela mulher. Victor estava sério e sem paciência para brincadeiras insolentes, sem pudor para usar a violência a fim de resolver seus problemas.

Os dedos começaram a passar por dentro da coleira, lentamente a sufocando enquanto suas pernas se debatiam. Usando a agilidade, Mary tentou apanhar a faca no cós da calça e seu braço foi apanhado e torcido o suficiente para ela sentir uma leve dor. E percebeu que o olhar acompanhava cada movimento do corpo, sem hesitar por um instante.

Creed estava a mil por hora na estranha e incomoda sensação de abandonar sua propriedade. Um macho – talvez apaixonado, era um perigo, especialmente quando deixava a “fêmea” por algumas poucas horas.

Quando o velho de cabelos grisalhos fez menção de levantar e repetir pela milésima vez as regras da casa –na maioria das vezes em que os dois brigavam-, soltou o braço meio torcido e retirou os dedos de dentro da coleira, fazendo-a respirar profundamente de alivio.

–Fique tranqüilo, Frank. – soltou Mary a derrubando no chão- Respeito às regras- e estendeu a mão para ajudá-la a se levantar, e sentiu uma dor quando as unhas cravaram em sua pele, numa espécie de vingança inacabada.

Como Frank adorava obrigá-los a parecerem amigos depois de um mal entendido.

Após ajudá-la a se sentar na cadeira, como um bom cavalheiro faria, acenou numa despedida simples e pouco acolhedora. Quando estava prestes a sair da sala, Constrictor aproveitou para fazer uma ultima pergunta que incomodada Frank desde noite passada.

–O que você fez pros x-men dessa vez?- e o efeito da pergunta fez Creed parar.

E lhe veio à mente o corpo enlouquecedor emaranhado entre os lençóis de sua cama e a cauda se mexendo de um lada ao outro, esperando para ser pega.

–Nada que eu saiba... – esforçou-se para a voz sair neutra e sem rastros de luxuria — O que tá pegando?- virou o rosto e encarou os três.

Havia algo de errado naquele olhar, mas Mary não conseguiu especificar o que exatamente. Algo muito diferente do que costumava ver, mudado, preocupado ou qualquer coisa parecida que tivesse o mesmo efeito de fazê-lo mais humano.

Frank demonstrou inquietação antes de falar.

–Não faço idéia, ontem o Wolverine apareceu a tua procura. O cara tava louco e quebrando tudo pela frente. – o encarou sério, demonstrando o nítido desconforto em tocar no nome e no acontecimento, não pelas perdas dos clientes que, ao avistarem Logan espumando como um cachorro louco e gritando o nome de Victor, provavelmente não voltariam nessa semana, mas pelo efeito que causaria a todos.

A velha rivalidade e contas a acertar.

A boca de Dentes-de-Sabre transformou em um sorriso assustador, tanto quanto atraente, reluzido pelos caninos grandes e brilhantes. E ninguém desconfiaria do prazer que estava sentindo pelo simples fato em saber que o pulguento estaria desesperado atrás do seu Elfo.

E faria qualquer coisa para confrontá-lo.

–É mesmo?- e ele se voltou ao grupo e resolveu se sentar à mesa para uma partida.