Sobre Dores, Sexo E Álcool.
7 Capítulo VI
Capitulo VI
Um sentimento errado voltou à tona.
Ele devia voltar para o Instituto ou pelo menos telefonar para Ororo, avisá-la que estava bem e garantir que nenhum vilão o mantinha cativo contra vontade e abusando do azulão de maneira bruta e forçada. Literalmente.
Afinal, ele nunca fora o típico homem que sai à noite sem avisar e ficar dias desaparecido. Apesar disso, provavelmente a Deusa estaria ocupada demais para notar sua falta, ainda mais com o projeto “Novos X-men” do professor e particularmente, Xavier não gostaria de ser incomodado por um de seus ex-alunos.
No momento, Kurt deixava de ser importante. E por um instante, passou por pela cabeça se devesse ignorar esse abandono e se entregar aos desejos gerados contra os dogmas de fé, que estavam sendo postos em duvidas desde a volta para New York.
Uma sensação de perigo espalhou por todo o corpo. Aquela sensação brusca e inesperada... A atração inexplicável e irresistível por Creed e pelo prazer que proporcionava. Coisa a qual deveria substituir por outra necessidade básica e confortável.
Hesitou, mas se aproximou tímido, demonstrando nítido receito em estar na casa do maníaco que os x-men costumavam enfrentar. E parou poucos metros dele, no outro lado do sofá.
–Uh... Creed? – o chamou após longos segundos de insegurança, enquanto, lentamente, erguia o olhar indeciso em direção ao mais velho.
Ouviu um resmungo.
–Me chame de Victor.- disse fazendo pouco caso e sem retirar os olhos da televisão, convidando-o indiretamente para diminuir a distancia entre eles.
Ousado.
Sentiu uma incerteza espalhar-se pelo corpo azul e riu mentalmente perante a timidez do Kurt. A aproximação foi pouca e o suficiente para alcançá-lo, caso necessário.
–Victor?- inclinou a cabeça com a estranha sensação de chamá-lo pelo primeiro nome.
Seu nome sendo dito por aquele tom de voz era altamente tentador.
E Kurt não soube exatamente como aconteceu. Uma hora, estava de pé, na outra, estava acomodado no colo de Victor, por um simples e rápido movimento corpóreo.
–Adoro quando você fala meu nome.- chegou mais perto do rosto azul e sentiu mãos em seus ombros, em uma tentativa inútil de parar a aproximação. Passou os braços entorno da cintura, o puxando mais perto, enquanto dava um sorriso de pura malicia.
–Eu... – sussurrou o alemão se inclinando para trás o máximo que conseguia, fugindo daqueles lábios perigosos – Eu preciso de roupas.
Victor piscou várias vezes e essa não era a reação esperada por Noturno.
Sorriu com os caninos arreganhados.
–Mas eu adoro você assim...- mergulhou o nariz no pescoço de Kurt e inalou o próprio perfume misturado com o cheiro do x-man. Com um rápido movimento, o deitou na mesinha de vidro e sussurrou — Nuzinho.
E rasgou a camisa que cobria o corpo azul, expondo aqueles traços perfeitos as vontades bestiais. Sorriu de satisfação e capturou os lábios entreabertos de susto para um longo e passivo beijo, aumentando o contato entre os corpos e explorando áreas sensíveis com as garras. E apertou-as quando um gemido entrou pela garganta.
Depois de horas na estrada, Logan finalmente chegou ao Condado de Westchester. Correndo com a moto pelo asfalto, ele diminuiu a velocidade ao avistar o bar que sempre freqüentava. Depois de estacioná-la em frente ao estabelecimento, que particularmente estava muito vazio, olhou para o relógio e percebeu que faltava uma hora antes de ser fechado — tempo suficiente para tomar uma cerva e saber de novidades, em especial sobre o alemão.
Que sorte.
Talvez o encontrasse por lá.
Empurrou a porta e deu uma olhada por cima, vendo que as poucas pessoas –a maioria bêbada – que estavam no estabelecimento. Caminhou até o balcão com passos lentos e cabeça abaixada. Nenhum deles era o elfo. Sentou em um dos primeiros bancos e esperou pelo Bobby de cabelos brancos, que limpava alguns copos no outro lado do balcão.
Nem um minuto se passou.
–Faz tempo que não te vejo aqui. – o homem disse com um sorriso velho nos lábios enquanto chegava perto dele.
Logan concordou com um leve aceno antes de soltar a fumaça do charuto pelos lábios. O olhou e deu um pequeno sorriso amigo.
–Tempo mesmo, xará. Me vê o de sempre.- apagou e depositou o charuto ao lado e se preparou para receber a bebida.
Quando a garrafa foi entregue a ele, aproveitou a oportunidade para perguntar sobre o paradeiro de certo demônio suposto ser um x-man.
–Vem cá, cê por algum acaso, viu o Kurt?-
–O teu amigo azul?- e viu um aceno afirmativo do canadense — É, ele veio a umas duas, três noites atrás. Estranhei, pois ele nunca veio aqui sozinho. – deu nos ombros e guardou o copo perto das garrafas de uísque barato.
Logan bebeu o resto da cerveja e logo foi servido com outra.
–E como ele tava? – perguntou após um momento, depois de fingir que estava se deliciando com a bebida gelada e bem-vinda e demonstrando pouco interesse.
Havia um pingo de preocupação naquela pergunta. O homem parou alguns segundos para pensar ao perceber isso, escolher as palavras apropriadas que não fizessem Logan pirar ou algo parecido, mas ele iria perceber. Aquele velho cão farejava mentira de longe. Resolveu por não ocultar fatos e falar por cima, sem incluir detalhes.
–Mal. Bebeu bastante. –acrescentou ao ver o cenho franzido do canadense- Pagou adiantado, disse que talvez não saberia contar o dinheiro se estivesse bêbado.
Apesar daquela seriedade, Logan queria rir da inocência do elfo.
Mais um gole.
–Aconteceu alguma coisa de diferente?- perguntou ao notar o cheiro de hesitação do barman. Levantou os olhos e não viu nada alem de um homem escondendo alguma coisa mal contada ao esquivar de seus olhares.
–Ele ficou até o bar quase fechar. – Bobby disse enquanto passava o pano de limpeza por cima do balcão- Saiu acompanhado.
E não acrescentou mais informação.
–Quem foi a sortuda dessa vez?- riu baixinho imaginando a cara da Ororo ao saber que o pequeno e indefeso Kurt estava entre as pernas de uma mulher e fazendo bem o trabalho, já que ele valia por dois com aquela cauda articulada.
Uma moça, com um belo traseiro, que passava perto dele respondeu:
–Não foi sortuda e sim sortudo.- e quando terminou de falar, não entendeu porque recebeu um olhar ameaçador vindo do chefe. Continuou andando entre as mesas e recolhendo copos e garrafas vazias com seu rebolado por de trás do avental.
Logan se virou para focar o movimento sutil.
–Que cê tá dizendo, gata?- perguntou quando ela se inclinou para frente e erguendo levemente a parte de trás. Observou ela alcançar o último copo com os dedos tremendo e o corpo quase em cima da mesa. Provocando-o, só podia. E passou a olhar para seu rosto quando ela se virou com a bandeja cheia e andando em sua direção.
Ela deu um sorriso que mais pareceu como um convite.
–O Azulão saiu com um cara, a princípio, achei estranho como os dois estavam se tratando, meio que a distância, sabe? –disse sem dar ênfase quando depositou a bandeja no canto do balcão e começou a retirar os copos — As coisas ficaram mais intimas e eles foram lá fora.- por um instante, ela olhou em direção à porta — Depois, Deus sabe onde.
Quando a moça passou por ele, pela segunda vez com aquele rebolado provocante, Logan segurou seu braço a fazendo parar.
–Explica melhor.- sua voz saiu baixa, porém intimidadora e de poucos amigos.O canadense não estava interessando na cerveja ou no charuto, muito menos no corpo sensual feminino a frente.
Ela o olhou surpresa, mordeu os lábios e tornou a falar.
–Ele o evitava, até que foi encurralado na porta. Acho que foi o ... – colocou o dedo nos lábios e pensou por alguns instantes tentando se lembrar no nome do conhecido — ... Senhor Creed que o encurralou. É, acho que foi ele. Ai, eles saíram.
O mundo parou para Wolverine e o nome soou como som de rugidos.
–...Creed? Victor Creed? – e só agora ele percebeu que estava gritando aquele nome e apertando fortemente o braço da garota.
A soltou e olhou para Bobby, em forma de desculpas antes de sair sem dizer mais uma palavra.
Saiu do estabelecimento com a respiração ofegante e aos tropeços, cambaleando pela calçada como um bêbado. Olhou para o céu coberto por nuvens e sentiu-se tonto, não sabia se estava na condição perfeita para dirigir. Seu mundo rodava, entrava em um caos que só ele conhecia, a visão se tornava vermelho sangue e tudo que soava por dentro da cabeça retomava ao nome de Dentes-de-Sabre e a dor que aquele assassino provocou.
Flashes dos amores estripados apareciam em qualquer direção que ele olhava. Para o sangue e para as garras, para os corpos retalhados e então para aquele sorriso sádico e perfeito demais para ser humano. Lembrava-se que foi incapaz de evitar tais tragédias e só de pensar que há grandes chances de Creed estar com o elfo, torturando-o por simples
diversão ou como forma de se vingar tão homicida, fazia o estomago revirar.
Um arrepio ultrapassou a espinha dorsal. Por alguns segundos, ele pensou se Dentes-de-Sabre já o teria matado.
Uma sensação nova o invadiu. Uma agressão passiva completamente dominada pela existência de Creed. Sentia algo novo, diferente e indesejada.
Sentiu medo.
Notas finais
Ultima nota (acredito que deveria ser lá pelo terceiro capitulo, enfim), a musica Hauted pela banda Evanescence combina com o casal. Esteja a vontade para ouvi-la.
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