Sobre Dores, Sexo E Álcool.
3 Capítulo II
Capitulo II.
Ao perceber, Kurt foi agarrado pela cintura e arrastado para fora do
estabelecimento.
Victor o puxou pela camisa e o atirou contra a parede do bar, imobilizando-o de um jeito desconfortável. O impulso e a rapidez fizeram com que de Kurt batesse a cabeça contra a parede de tijolos, arrancando um estrondo. Uma dor explodiu com tanta intensidade, ocasionando a visão ofuscada por borrões confusos em tons de cinza. Com a dor pulsando a cada segundo e os pulmões gritando por ar, os lábios entreabertos buscavam oxigênio e revelavam uma língua rosada prestes a ser explorada sem permissão.
As garras deslizaram até a cintura causando arrepios e ao ouvir um gemido baixo de dor, firmaram-se sob a pele macia como veludo. Victor sorriu de maneira perversa ao sentir o corpo frágil ficar rígido pelo toque bruto e pelo medo se intensificar a medida que se aproximava para desmembrar e corromper aquele corpo.
Sem pedir.
Uma das garras se soltou da cintura e percorreu o curto espaço até chegar ao pescoço, agarrando o queixo de Kurt, o segurando fortemente entre o indicador e o polegar até conseguir encarar aqueles olhos dourados em choque, memorizando o olhar assustado e absurdamente surpreso.
E ao mesmo tempo em que as imagens deixavam de serem borrões, Kurt se sentiu possuído por aqueles incríveis olhos cor de âmbar. Uma passividade submissa o infligiu, anunciando o despreparo para a luxúria que viria. Isso enlouqueceu Dentes-de-Sabre. Ouviu um rosnou orgulhoso e sentiu os lábios sendo tomados com extrema rapidez e brutalidade.
A língua passou suavemente pelos lábios cerrados, obrigando-os a se separarem para permitir a entrada da boca de Creed e da destruição total da inocência. O beijo não era gentil, não era calmo, porém Victor sabia beijar. Os lábios dele eram firmes e deliciosamente macios.
Kurt sentia-se vulnerável sendo pressionado contra a parede. Tentava empurrá-lo sem usar muita força. Com as palmas das mãos apoiadas no peito largo, tentava afastá-lo para longe, mas sem qualquer vontade disso. Seu corpo demonstrava uma resistência fraca diante daquele ataque surpreendente de lábios ansiosos por mais. Atos involuntários demonstravam que ele estava gostando de ter a boca violada tão rudemente por uma língua intrusa.
O cérebro não conseguia produzir um único pensamento lógico ou algum “plano de fuga”. As imagens se misturavam, embaralham uma nas outras, o incapacitando de imaginar um lugar seguro para se teleportar. A dor de cabeça se tornava eloqüente a cada segundo e facilitava a pouca concentração em sumir do local, deixando para trás uma nuvem de enxofre.
Sim, bebidas fazem efeito.
Dos lábios sendo esmagados, gemidos foram abafados quando as unhas, ainda na cintura, cravaram até rasgar profundamente a pele. Victor sentiu um tremor vindo das mãos de Kurt, que definitivamente tentavam, sem qualquer rastro de sucesso, afastá-lo devida a dor que sentia, infestando cada vez mais o corpo.
Afastá-lo daquelas unhas que carregavam um histórico de mortes terrivelmente extenso.
Creed o empurrou mais contra a parede com o próprio peso, fazendo o volume de sua calça jeans roçar em Kurt, deixando claras as intenções ímpias sob o corpo delicado do x-man. Descolou os lábios para encarar os olhos amarelos enquanto um sorriso sádico formava por baixo dos fios loiros bagunçados. Os dedos subiram por debaixo da camisa até o peito num roçar suave e depois desceram arqueados, com as unhas rasgando a pele.
Agredindo.
É exatamente esse tipo de toque apaixonante que daria ao Kurt.
–Só você e eu, Kurt. Às vezes, o medo pode ser divertido... — sussurrou deliciosamente na orelha do alemão.
Passou a lamber e morder toda a extensão do pescoço e aumentou a intensidade dos movimentos ao escutar um gemido não reprimido espaçar dos lábios azuis. Um som extremamente delicioso, indeciso entre a dor e o prazer. E apesar de estar adorando cada momento proporcionado na corrupção daquele corpo frágil e indefeso, Creed queria mais.
Ele estava ansioso para conhecer o que faltava.
O segurou pelos cabelos, a língua subia até o lóbulo em movimentos sensuais, os lábios deslocaram da pele macia para deixar um sorriso atraente surgir enquanto fazia, novamente, Kurt bater a cabeça em uma velocidade assustadora. O suficiente para o alemão sentir-se zonzo e deslocado, com um mal estar subindo pela garganta, sem ter noção do espaço e tempo, com a mente rodopiando a dois mil por hora.
A batida deu tempo suficiente para ter o corpo molestado por Dentes-de-Sabre, sem encontrar resistência. As mãos percorriam a pele macia de maneira bruta, sem qualquer rastro de carinho. Uma de suas garras se deslocou até as costas, rastejando por trás e entrando por dentro de roupas até chegar à divisa que a longa cauda fazia com o restante do corpo e passou a acariciar o pêlo sedoso que cobria toda aquela região, tendo uma ótima sensação formigar pelas pontas dos dedos.
Pelo o que sentia, Kurt tinha um belo traseiro.
Oh, que surpresa...
–Quem dera... Você andou se divertindo...- riu ao sentir que Kurt não era tão apertado como de um virgem seria.
Kurt resmungou em desconforto ao sentir dois dedos brincarem ao redor de sua parte íntima, em movimentos circulares e perigosos. A vontade que Creed afastasse era evidente. Apesar de sua mente estar em negação, seu corpo aceitava cada toque. Ele não conseguia controlar os próprios movimentos, não conseguia contradizer as garras que exploravam cada parte desconhecida do pecado.
Com o volume das calças chegando ao limite, juntamente com o autocontrole, Victor estava excitado demais para conseguir ser delicado.
Violando.
Kurt ainda sentia-se tonto quando foi virado bruscamente de costas. Com os braços na parede o sustentando e sendo forçado a inclinar o traseiro para trás, ele sentia a protuberância de Dentes-de-Sabre. Fechou os olhos esperando o que viria pela frente, a única coisa a se fazer era esperar que ele terminasse logo o trabalho.
O som do zíper sendo abaixado e do cinto se abrindo ecoou enquanto suas mãos foram juntadas acima de sua cabeça e presas com força por uma única de Creed. Sua calça foi abaixada sem hesitação, num movimento rápido e sutil, escorregando até os joelhos. A cauda foi presa pro dentro da camisa que estava levantada até o peito, imobilizando-a.
Dois dedos entraram em sua boca, com as unhas raspando o fundo da garganta a procura da língua. Pouco tempo após a invasão, Victor retirou os dedos molhados de saliva e os levou até a divisa da cauda, que tentava exaustivamente se libertar.
–Garanto que vai ser bom pra você também. – beijou a nuca e espalhou o liquido pelo orifício de Kurt e no próprio membro para facilitar a entrada.
Segurando mais forte os braços do alemão, Victor ficou imóvel por alguns segundos,sentindo sua selvageria começar a fluir pelos poros em plena excitação.
Creed não demorou em deslizar para dentro de Kurt.
Direcionou o membro com perfeição até a entrada e o penetrou violentamente com um único movimento. Ele colocou a mão na frente da boca do jovem x-man, abafando o grito de dor em meios aos espasmos. Dentro, percebeu que o coração de Kurt perdera uma batida. Ao sentir todo seu membro envolvido, parou para se acostumar com a sensação quente, confortável e tão prazerosa.
Nunca pensara que Wagner fosse tão apertado.
–Relaxe...- sussurrou ao sentir o corpo reagir a invasão, apertando seu membro e as pernas tremerem. Sua mão soltou as de Kurt para segurar sua cintura enquanto a outra diminuiu a pressão que exercia na boca -Eu vou te machucar pra valer.
O medo se manifestou por todo corpo azul e antes que houvesse reação, Victor se moveu, retirando-se para forçar-se novamente, penetrando-o mais fundo, até alcançar o interior de Kurt. Mais rápido, mais prazeroso, mais potente, com movimentos constantes e uniformes em uma velocidade que sabia que iria doer.
Como Kurt gritava bem.
O x-man se agarrou desesperadamente na parede a frente ao sentir o membro pulsando entrando e saindo freneticamente. Gritava em meio à dor, escutando grunhidos de prazer que o aterrorizavam, o atordoavam de maneira cruel. Por um momento, seus braços vacilaram em uma das investidas de Creed, fazendo com que ele colasse a testa na parede, tendo o corpo impulsionado para frente.
Corrompendo.
A garganta estava seca. Os braços encontravam-se cansados de sustentar o corpo, as pernas tremiam e se não fosse pela garra que o segurava –e o arranhava- pela barriga, estaria no chão. Estava exausto de gritar, entretanto não queria ceder à selvageria que o atacava. Kurt respirava pesadamente e a cada invasão violenta que sofria, tentava reprimir os gemidos dolorosos em meio aos espasmos de dor.
Creed diminuiu a velocidade das estocadas e afrouxou a pressão que a garra exercia na coxa esquerda de Kurt. O puxou pelo cabelo e seus lábios estavam a poucos centímetros da orelha pontiaguda, uma distancia suficiente para ouvir sussurros em provocação.
–Acha que eles iram se importar?- perguntou com a voz ofegante enquanto impulsionava para outra lenta e profunda penetração -Você foi mandado pra uma ilha para se recuperar dos ferimentos. – ele entrou novamente no corpo alemão, apreciando melhor a sensação em ter seu membro pressionado por uma carne tão macia.
Kurt virou o rosto mesmo querendo ouvir o que Creed tinha a dizer.
–Por que não ficou no instituto? Você daria muito trabalho? – ele riu ao se mover novamente. Pelos rumores da época, Kurt estava quase em coma, todo ferrado e precisando de assistência médica especializada.
Em outras palavras, Noturno passou por essa dificuldade longe da maioria dos amigos e por algum tempo, acreditou que todos estavam mortos. Sem ligações ou cartas durante um significativo tempo, ele não sustentava falsas esperanças. Então, quando os “X-Trouxas” estavam perdendo uma guerra, deram sinal de vida e imploraram por ajuda.
E é claro que Kurt sucumbiu ao pedido.
–Eles se importaram com você?- por um momento, a sua voz deixou de ser agressiva e tornou-se terna, expondo toda a verdade amarga que Noturno não conseguiu ou não quis enxergar.
A mão que o segurava pelo cabelo se soltou e alcançou o queixo, fazendo-o girar o pescoço para olhá-lo. Kurt o encarou pelo canto do olho, com aquela sensação de tristeza e desgosto envolvidos por uma pequena chama de ódio. E ao perceber que os olhos cor de âmbar esperavam por alguma coisa, um frio instalou-se em seu estômago.
Vingando.
Creed deu uma risada rouca, depravada e divertida, notando claramente a mudança do cheiro de Kurt. Sabia exatamente como mexer com a cabeça do x-man, e estava amando cada momento proporcionado pela confusão mental instalada aos poucos do mais novo.
A pergunta se arrastou pelos lábios como veneno.
–...Logan se importou? –e o invadiu de forma bruta, ao perceber que Kurt se manifestara, involuntariamente, ao ouvir o nome de Wolverine.
Era irônico que Wolverine fosse à causa disso tudo.
E para ambos os lados. Afinal, Victor Creed sempre fora o lado negro. Ambos compartilhavam o mesmo lado da moeda e a única diferença entre eles era simples.
Logan ainda tinha alma.
Ao penetrá-lo pela segunda vez em meio a sua fúria — tanto pela reação do Noturno quando pelas as lembranças do passado- percebeu que Kurt tinha parado de lutar. O corpo tinha relaxado, não havia aquela pressão incomoda em volta do membro. Não havia mais medo ou protestos, muito ao menos resistência. Nem gemidos e gritos de dor. Pois não havia necessidade, não mais, para isso.
Ele tinha tocado na ferida e era o suficiente.
Kurt sabia que era errado, muito errado, mas ele deixou acontecer de maneira forte, intensa e cruel o que viria pela frente.
Pois Creed tinha toda razão.
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