Sobre Dores, Sexo E Álcool.
4 Capítulo III
Capitulo III.
Dor. Confusão mental. Onde estava?
Ele lutou para voltar à consciência com a cabeça pesada e dolorida, prestes a estourar. Abriu os olhos lentamente em uma sensação estranha e eles se fecharam ao se deparar com os poucos feixes de luz que filtravam da janela. Foi como vir à tona depois de um salto de trampolim a cem metros do chão, realizado para fascinar toda a platéia.
O único problema: ele estava velho demais para isso.
Piscando várias vezes, Kurt conseguiu visualizar onde estava. Em um quarto sofisticado com espaço amplo onde as cores neutras predominavam o ambiente. Com a intenção de se levantar – em que a vontade o assombrava desesperadamete — ele se mexeu lentamente até se apoiar em um dos cotovelos e se impulsionou para o lado, temendo que fosse visto pelo dono do quarto.
O corpo desabou na cama ao sentir espasmos musculares na região do abdômen e nas partes intimas em um simples movimento. Deitado em uma cama desconhecida com lençóis macios cobrindo parte de seu corpo, praticamente só as pernas, e vestindo uma camisa extremamente grande em comparação ao próprio tamanho – que cheirava muito bem -, Kurt estava confuso.
Respirando profundamente com a cabeça afundada no travesseiro, o x-man encarava o teto do quarto, tentando montar uma seqüência lógica capaz de explicar o que havia ocorrido na noite anterior. Não sabia
onde estava nem conseguia entender o que estava acontecendo, só lembranças voltando de forma parcial.
Obviamente, o que aconteceu era imprecisa. Fragmentos de conversas começaram a soar dentro de sua cabeça, teve a sensação do próprio corpo sendo jogado contra a parede, o gosto amargo da cerveja na boca, as provocações batendo na orelha. O álcool fazendo efeito, o vendo frio batendo contra o corpo... Tontura, mal estar.
Uma espécie de... Prazer.
Quando o som da porta se fechando chegou aos seus ouvidos, Kurt ignorou a dor e se sentou assustado. Juntou as lapelas da camisa até o pescoço e dobrou as pernas por instinto ao se deparar com os olhos de Creed.
Victor estava encostado à porta, usando apenas uma calça jeans aberta, com os cabelos loiros charmosamente desarrumados caindo na testa e observando-o com cautela e no mínimo, com interesse.
Por algum motivo inconveniente, ele não imaginava, nem por um instante, em submeterKurt à humilhação que havia feito com os corpos femininos, muito menos de extingui-lo como as prostitutas, estraçalhadas e ensangüentadas jogadas num canto qualquer da cidade, expondo-as para que todos temessem a selvageria primaria. Desde que inalou aquele cheiro, a mente foi incapaz de pensar em tais hipóteses.
Como se tivesse cedido à loucura passiva que amenizava o animal sanguinário que era, enquanto esteve com Kurt.
Sem asas, Wagner nasceu como um demônio com charme descomunal capazes de tirar todo o autocontrole de Dentes-de-Sabre de maneira tão incomum, impedindo que a ferocidade destruísse por completo aquele corpo.
Suspirou.
Uma pura contradição que ficava muito bem usando uma de suas camisas.
Ele se aproximou da cama, com os olhos fixos em Kurt, vendo-o se encolher a medida que a distancia entre eles diminuía. Subiu na cama e se rastejou até ele como um predador prestes a sucumbir sua presa, pelo meio da impotência causada pela sua ferocidade e força.
Intimidando-o.
Creed é selvagem, mortal e assustador, alem de ser extremamente atraente.
O alemão estava totalmente vidrado pelos olhos cor de âmbar. E não conseguiu pronunciar uma única palavra quando os lábios foram esmagados pelo de Victor. Eram pressionados com uma firmeza delicada enquanto as mãos passavam por debaixo, acariciando suas costas e fazendo-o se deitar de volta na cama e entre as pernas dele.
O beijo não era forçado, mas era tão selvagem quanto.
Os lábios de Creed se movendo com fome sobre os lábios tímidos de Kurt. A língua intrusa percorrendo cada parte explorada por ela, arrancando sons satisfatórios toda vez que as línguas se roçavam.
Victor interrompeu o beijo ao sentir a falta de ar vinda do x-man. O olhava de um jeito tão intenso, explorando e aprovando cada pedaço do corpo que via. Kurt estava tão bonito com o olhar confuso e os lábios entreabertos e o corpo entre os lençóis emaranhados e os travesseiros espalhados na cama, com os braços jogados em cada lado da cabeça e a cauda balançando lentamente na cama.
Quase duzentos quilos de músculos em cima do frágil demônio.
–Eu preciso disso, Kurt. – inclinou-se para sussurrar no ouvido — Preciso que você afaste a dor.- e avançou pelo corpo azul, com as mãos explorando por cima da camisa e a língua descendo pelo pescoço.
E o mais jovem tremeu só de ouvir seu nome sendo dito por aquela voz rouca. A sensação era contraditória, a figura de Creed causava medo e ao mesmo tempo o convidava para se entregar aos desejos confinados da luxúria.
Um pecado que lutou ardentemente para não servir de vitima há tantos anos.
Deus, o cheiro que Kurt exalava... Delicioso demais para ser descrito com detalhes, parecia ser uma mescla entre o medo, prazer e algo novo que agia com grande potência sobre os demais. Uma submissão tão forte ao ponto de obedecer a qualquer desejo dele.
E o faria da forma mais deliciosa possível. Para ambos.
Os dedos hesitantes roçaram sob a pele do abdômen e recuaram quando ele rosnou em satisfação. Kurt não sabia exatamente o que poderia fazer, onde e como tocá-lo. Dentes-de-Sabre poderia matá-loa
qualquer hora devia a insatisfação ou movimento errado.
Ou por apenas diversão.
Ao sentir a falta de contato, Victor se apoiou sob os cotovelos, erguendo seu corpo até uma altura suficiente para encará-lo, inclinado com os dois braços esticados. Kurt estava todo encolhido embaixo dele, olhando com aquele jeitinho confuso e inocente, com as mãos uma perto da outra, com incerteza acompanhada pelo medo de tocá-lo.
–Juro que não mordo.- sussurrou maliciosamente ao inclinar a cabeça para o lado e dar um sorriso com uma sombra de ameaça.
Com receio, Kurt encostou a mão no peito largo de Creed e a manteve, mesmo quando foi puxado para mais perto até os corpos colarem um no outro e para um novo beijo. Dessa vez, seus dedos se fecharam quando o movimento se tornou mais ousado e ímpio, e relaxaram quando os lábios de Victor descolaram e traçaram um caminho, desde o canto da boca até sua orelha. E passaram a sugar o lóbulo direito, fazendo com que Kurt se contorcesse embaixo dele, gemendo
baixinho.
Ele tinha aceitado aquilo passivamente, sem reclamar ou lutar, mergulhado em um vácuo de submissão ao Creed.
Era errado sentir-se bem?
Kurt Wagner não era santo.
... E nada tinha a perder.
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