Sobre Dores, Sexo E Álcool.
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo:
O estabelecimento de aparência sutil, como qualquer outra casa noturna, era desviado por pessoas sensatas que preferiam atravessar a rua para evitar os vários mutantes reunidos em volta de motos e carros estacionados, bebendo e conversando sobre mulheres e comparando cicatrizes. Não havia algo de errado, apenas alguns mutanas aglomerados num só metro quadrado fazendo a típica pose de "machão" para impressionar quem se atrevia a se aproximar.
Portões do Inferno sustentava uma clientela sinistra, e a maioria... Perigosa.
Uma Harley envenenada de Milwaukee anunciou a chegada com um forte rugido. Ela surgiu na estrada correndo furiosamente pelo asfalto e passou a diminuir a velocidade até sobrar leves rosnados vindo do motor. O motorista a estacionou não muito longe do local e a abandonou sem necessitar tomar alguma medida de segurança com a relíquia.
À medida que ele se aproximava do bar, automaticamente as pessoas abriam passagem. E só voltaram a respirar quando a porta se fechou.
Ele olhou em torno e não estranhou que o lugar estivesse repleto de mutantes supostos assassinos a sangue frio. Por ter essa "fama", o bar era bombado de belas mulheres usando couro a procura de uma noite cheia da adrenalina provindo do perigo mesclado com prazer. Elas provocavam com os lábios brilhantes, olhos vivos, sorrisos animados... E os homens sempre com garrafas de bebidas alcoólicas em mãos, fixando os olhares para partes sensuais que convidavam indiretamente para uma noite mal dormida.
Eles tentavam manter as expressões de maldade que anunciavam supostas longas fichas criminais... Mas não tão longa quanto à de certo psicopata homicida.
Era até irônico, pois Creed adorava rasgar os seres humanos, de transformá-los em pedaços de carne e sentir o sangue quente descer pela garganta. Sentia o simples prazer indefinido de dilacerar a pele de qualquer inocente. Ele é um assassino profissional respeitado no ramo, no qual há muitas pessoas para contratar a fim de eliminar pessoas indesejadas, e não havia ninguém tão hostil e cruel como Victor Creed.
Afinal, ele é conhecido pelo nome e reputação e ambos são temidos, tanto para humanos quanto para mutantes, pois Dentes-de-Sabre é considerado um predador definitivo que não mata por necessidade ou por esporte...
E sim por prazer.
Ele retirou o longo casaco de pele e o pendurou perto da porta. Caminhou até os acentos rentes ao balcão, escolhendo o mais distante possível daquela aglomeração mutante, e se sentou. Creed gostava de tranqüilidade enquanto apreciava a quantidade de álcool sumir em seu sangue, e aquele bar era um dos poucos que ainda o aceitava como cliente e não como um maníaco em busca de divertimento provindo de “espancamento a moda antiga“.
Alguém sempre merecia.
Em menos de cinco minutos, uma garrafa de cerveja escorregou até ele, parando antes de encostar em sua mão. Ele levantou o olhar e encarou uma bela mulher preparando o próximo drink. Ela piscou sensualmente envergonhada e sorriu. Ele agradeceu levemente com a cabeça entre um sorriso charmoso — tanto tempo o freqüentando que as marcas de suas bebidas preferidas já foram memorizadas.
Ele tomava a cerveja altamente americana enquanto escutava conversas depravadas de inocência. Ouvia o alto teor de frases sujas impregnando o ambiente entre os supostos casais. Uma última dose e iria procurar algum modo que diversão que não fosse matar prostitutas em hotéis baratos. Talvez importunar Logan, trazendo algumas lembranças do passado e fazendo alguns comentários indignos de honra, principalmente sobre a falecida Raposa Prateada, pois se passaram anos desde a morte dela e Logan ainda não teve coragem de se vingar.
Viva a obsessão em demonstrar que é mil vezes melhor do que o Wolverine.
Deu o último gole brindando silenciosamente e depositou a garrafa vazia e o dinheiro a mais para a bela moça atrás do balcão. Levantou-se e caminhou até a saída, colocando o casaco durante a passagem e estava prestes a sair quando sentiu um cheiro familiar entrar pelas narinas.
Fechou os olhos sentindo aquela fragrância invadir seu corpo. Como foi incapaz de não tê-lo sentido antes? Tantos aromas misturados no ar e vindos de tantas fontes diferentes fizeram com que aquele cheiro passasse despercebido. Creed conhecia aquele cheiro, o próprio perfume que saia dos poros... Enxofre e colônia, uma mistura interessante. Uma estranha combinação, única e distintiva.
Marcante.
Difícil de esquecer.
Virou o rosto em direção a fonte primária que o exalava, tendo dificuldade em encontrá-lo discretamente devido a corpos esfregando-se, tocando-se um nos outros em constante movimento maliciosos. Conseguindo uma brecha entre eles, viu um rapaz de cabeça baixa rodeado por garrafas vazias de cerveja, com os olhos tristes. E totalmente sozinho naquele canto do bar.
Fazia tempo que Noturno não dava as caras.
Creed avaliou o alemão de cima a baixo. O tempo fez algo bom para o garoto, ele estava mais velho, com músculos definidos e o rosto com ar de charme inocente. Belo, gracioso e com algo sobrenatural no vazio dos olhos. Ele não podia mentir... O pêlo de Kurt Wagner era lindo – mais lindo do que da mãe, Raven- era um azul incomum, atraente e estranhamente solitário, como uma beleza exótica prestes a ser destruída.
Afinal de contas, o que o garoto estava fazendo ali, naquele bar, sozinho, sem a proteção do caolho? Coisas realmente ruins poderiam acontecer com ele.
Coisas realmente ruins. Creed poderia matá-lo com a facilidade com que se rasga um veludo. E Noturno tinha a fama de ter a pele macia como veludo.
Sorriu com os caninos ansiosos em rasgar algo tão belo, tão puro e tão tolo.
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