Sobre Dores, Sexo E Álcool.
16 Capítulo XV
Capitulo XV.
Os olhos cor de âmbar refletiam compaixão. O que havia em sua cama não era o desejo extinto da vingança, mas o mais profundo afeto que Dentes-de-Sabre poderia ter. Ele se apegou ao objeto de desejo.
Então aconteceu algo muito improvável e Creed não estava preparado para um impacto tão forte. Acostumado a não haver qualquer interação social após o sexo, Kurt o deixou atordoado. Perguntou a razão pela qual Victor adotou-o como companheiro. Não por menos, aquilo o deixou confuso. Ele não soube o que responder a principio e explicar exatamente as mudanças em sua alma.
Desejava simplesmente ignorar a pergunta, tomar os lábios e acabar com a situação no melhor jeito que conseguia, fazendo o alemão gemer enquanto o levava ao orgasmo. E adorava isso. Mas sabia que Kurt estava usando todo o charme pra cima dele. Com isso, não conseguiria sair ileso da conversa inocente.
Noturno foi bem sucedido, ainda mais estando ao seu lado. A cabeça apoiada em seu peito, os olhos brilhando no escuro.
Victor sentiu-se desconfortável por compartilhar informações intimas. Ele não estava familiarizado em falar de si próprio para outras pessoas, ele nunca compartilhava qualquer assunto que remetia ao seu passado e a ele próprio. Pois o passado sempre fora envolvido por mistérios que deixavam rastros de sangue pelo mundo.
Alias, sentiu-se um tanto inseguro a medida que as palavras que se aproximavam. Ele era experiente em demonstrar os horrores em torno da figura de Dentes-de-Sabre. No fundo, temia que Kurt simplesmente enxergasse a parte mais negra de sua alma e o rejeitasse.
Levou algum tempo pensando. Mística costumava o atiçar. Na época em que se conheceram, Dentes-de-Sabre topava qualquer coisa para ficar com ela.
-Eu amei sua mãe, Kurt. –começou incerto, pensou que “amar” foi a palavra errada- Fez muito tempo... Éramos jovens. Tive bons momentos com ela e até pensávamos em criar uma família.-ele riu de jeito amargo e sem ânimo- Ela estava grávida de poucos meses quando me botou pra dormir.
Então ele fez um movimento com a mão semelhante a uma injeção direto no pescoço. Ele suspirou fundo.
-Sofri um bocado com as consequências. — mexeu no cabelo de Kurt. Pareceu pensativo por um instante e com um dar de ombros, continuou- Aí eu parei de gostar da Raven, mesmo que ela fosse mãe do meu filho.
Por um momento incerto, Kurt se lembrou de Graydon Creed. Um homem com um plano de assassinar qualquer mutante que ultrapassasse seu caminho. No passado, foi um meio-irmão que tentou matá-lo. Também recordou que Graydon fora estripado até a morte e era de conhecimento público o responsável por isso.
Olhou para Victor.
-As coisas mudaram antes disso... A Raven começou a curtir o Wolverine.- o ultimo nome soou perigoso, uma ligeira preocupação de como o alemão reagiria ao ouvir -Na época, não dei muita bola, também estava em outra.- disse rapidamente para evitar alguma pergunta ou conflito desnecessário.
Ouviu um resmungo descontente. O rapaz em seus braços era um tanto ciumento como todo bom romântico. A cauda balançou por cima de sua perna em desagrado.
Ele riu baixinho.
-Aí Forge entrou na jogada e ela, bem... Caiu de quatro. O quase matei por causa disso. O amor tinha ido embora.- ele pareceu longe, talvez relembrando todos os acontecimentos e revivendo o passado de um jeito doloroso.
Seja por tal acontecimento, Dentes-de-Sabre tornou-se um homem que não procurava mais criar uma família. Mas a ideia de possuir uma companhia o agradava e não apenas um comprometimento ao sexo. O seu instinto selvagem de proteger amenizaria a necessidade de matar toda forma de vida pela frente.
Por fim, ele seria mais humano.
-Pensei que ia continuar assim, matando e sozinho. Até você entrar na história – e acrescentou em tom sedutor- Não como x-man.
Ele se moveu para o lado, ficando por cima de Kurt. Eles se encararam por um longo instante, os lábios azuis estavam entreabertos pela surpresa. Afinal, não imaginava que Victor cederia à curiosidade e revelaria acontecimentos íntimos sobre uma vida inteira de homicídios. Os relacionamentos apenas pareciam distantes, em uma época que Dentes-de-Sabre não era possuidor de tantas famas sangrentas.
Victor Creed ainda era um homem dotado por sentimentos e humanidade, mesmo que fracos e quase inexistentes.
Era melhor do que uma declaração de amor.
-Você é diferente, Kurt. De tudo que já senti, você é o único capaz de fazer essa matança parar e sem causar qualquer tipo de dor. –ele acariciou o rosto aveludado, então o puxou para mais perto, os olhos mantendo o intenso contato- Eu finalmente posso encontrar paz.
O plano era não permitir que as poucas malas estivessem ao alcance de Dentes-de-Sabre, foi complicado e difícil. No final, Kurt teve que ouvir reclamações durante o dia todo. Victor odiou as roupas. Largas demais, com decote de menos... Simples e não tão provocantes. As camisas dele eram melhores. Só passaram pelo teste de qualidade o uniforme dos X-men (para uma futura noite de fantasia erótica) e uma estranha calça de couro limitada a não receber comentários pelo dono.
Até que...
Victor alcançou uma cueca preta muito suspeita. Examinou-a com cuidado antes de incomodar Kurt.
-Que cuecas grandes você tem...- maliciosamente olhou para as partes intimas alemãs- Imagino o porquê...
E lá vinha o elfo todo irritado e corado até a cauda tentando recuperar alguma peça de roupa. Dentes-de-Sabre tinha a altura a favor, erguendo o máximo que conseguia e tendo um acrobata quase em cima dele para recuperar a peça intima. E ao final, após algumas brigas, teleportes desnecessários, beijos e carícias trocadas, algo preocupou a ambos.
O guarda roupa sofreu uma divisão casual.
Noturno ficou parado, olhando para a situação atual do móvel. Ele não esperava que uma noite de sexo bêbado o levasse a isso. Victor, por outro lado, parecia não se importar com o fato. Até ficou satisfeito, talvez por ser oficial.
Enquanto arrumava a bagunça feita entre as discussões sobre roupas intimas, o viu aparecer ocasionalmente no quarto, caminhando em direção ao banheiro. E estava concentrado demais em dobrar uma peça para reparar no andar provocativo de terceiras intenções. Precisava manter a concentração no trabalho.
A voz grave o fez tremer.
-Huh, vou tomar banho. –Victor voltou com um sorriso bobo e galanteador. Fez uma pergunta bem inocente- Quer vir junto?
Uma risada nervosa abafada pela boca.
-Isso é um convite para sexo embaixo do chuveiro?- virou-se em sua direção, uma expressão divertida e descontraída no rosto. Kurt mordia o dedo indicador, o provocando ainda mais.
-Bem... Isso soa como um plano!
Uma leve expressão de choque diante da felicidade canadense. E Kurt tentou explicar com um “nein” baixinho, chamando-o pelo nome em seguida, na tentativa de demonstrar autoridade. Mas era tarde demais. O loiro já tinha tirado metade da roupa e ligado o chuveiro. Naquele momento, soube que não poderia escapar da ideia sugerida.
Na verdade, ele tentou. Como consequência, foi arrastado minutos depois até o banheiro. E atirado com certa delicadeza contra a parede. Logo, Creed estava a sua frente, os caninos satisfeitos por possuir uma presa tão deliciosa. O cheiro de excitação demoníaco o deixava louco para sentir cada pedaço.
Deslizou a garra sobre os lábios azuis, empurrando a parte inferior para baixo. A água quente escorria pelo corpo, molhando as costas e o peito. O brilho cristalino formava um caminho entre os pelos abaixo do umbigo. O corpo de Kurt estremeceu ao contato com a parede fria e foi ao encontro de Victor em um reflexo sedutor. Com as peles juntas, a água molhava a camiseta branca e assim, o tecido semitransparente grudava em todas as superfícies, só aumentando a vontade de tirá-la.
Um formigamento na língua causada pelo veludo o estimulou a percorrer lentamente o caminho do queixo aos lábios, torturando Kurt.
Antes do beijo, ouviu seu nome transformado em um gemido de maior desejo.
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