Sobre Dores, Sexo E Álcool.
17 Capítulo XVI
Capitulo XVI.
O esforço de Victor foi bem sentido nas ultimas horas. Qualquer coisa que ele fazia era uma distração a Kurt. Seja agarramentos usuais ou brincadeiras insinuosas, o sorriso sempre cortava o azul. E por algum tempo, tudo estava bem. Mas chegou a um momento da solidão em que a mente foi domada por pensamentos de cicatrizes mal curadas.
Para ambos, nunca fora boa coisa.
Vê-lo na sacada, com o corpo encolhido e o cabelo ao vento, transmitia certa tranquilidade. Embora soubesse que havia um conflito interno entre os pensamentos de Kurt. O rosto, porém, revelava uma preocupação acompanhada por dúvidas pessoais. A insegurança de abandonar a suposta família e tudo pelo qual lutou por um relacionamento dito como proibido pela ética de Charles Xavier. Sem ter a certeza de que a felicidade estaria disponível.
Ele se aproximou silenciosamente. O envolveu pelos braços, encostando o queixo no topo da cabeça de Kurt.
–Você esta quieto. –comentou com a voz suave, o apertando contra o próprio corpo. Logo, o toque foi correspondido por mãos que seguraram seus braços.
O alemão abaixou a cabeça, os lábios encostaram-se aos próprios dedos. A inquietude não foi totalmente reprimida, a cauda continuava a balançar de um lado ao outro. Ele não desejava mais pensar. Por dentro, sentia o abandono bater contra o coração cada vez que pensava na família X.
E talvez, lá no fundo, ele soubesse que sempre esteve sozinho. Estava cansado de se sentir assim. Ele, por fim, saiu dos braços de Creed sem o menor esforço. Ficou de frente para ele, as costas contra a sacada. Mas Kurt não conseguia olhá-lo nos olhos. A insegurança o fez morder os lábios.
–O que você ouviu?- por fim, Kurt suspirou.
–Pouca coisa.- era uma mentira, com toda a certeza do universo.- O suficiente para confirmar minhas suspeitas... – o tom de voz ficou mais divertido, uma curvatura na boca que lembrava um sorriso pequeno. -Summers é um tremendo filho da puta.
Bem, não era novidade.
E isso não o fez se sentir melhor. Por dentro, o sangue de Kurt fervia, mas não era de ódio ou raiva. Fechou os punhos com força.
–Fui expulso da única família que me apoiou...- e antes que pudesse continuar, sentiu o toque quente de Victor acariciar o rosto. A boca se silenciou pelo inesperado movimento. As sensações ruins, aos poucos, deixavam sua mente. Uma paz ocupava esse lugar, lentamente para que Kurt não recebesse um choque de sensações tão opostas.
A mesma paz que Kurt ofereceu primeiramente a Victor.
–Eu não vou deixar que algo aconteça a você. –encostou a testa contra a de Kurt. O intenso olhar de dois amantes contra o mundo. E ressaltou baixinho — Nunca.
De certo modo, Kurt se sentia desconfortável.
–Relaxa. –ronronou Victor, chegando ainda mais perto.
Era impossível, mesmo estando no sofá confortável e macio. Ainda com um canadense praticamente em cima dele. Por mais que seja estranho, ele não se lembrava de como o loiro acabou ali. Victor Creed fazia um bom trabalho em ser um garanhão sedutor. A respiração quente batendo contra o rosto, o corpo bem próximo e o jeito predador refletidos nos caninos fizeram com que Kurt pouco se importasse com o mundo.
–Estou tentando…- resmungou baixinho e olhou para as próprias mãos. No momento, o maior desejo seu estava a
poucos centímetros. Mas estava tímido demais para agarra-lo ali mesmo.
A última experiência no sofá não tinha uma lembrança boa. Passava um filme na televisão e cinco minutos depois, Victor já estava entediado. Ainda mais estrelado por Brad Pitt, e o canadense realmente possui um desprezo por esse ator. Então o beijo virou algumas mordidas, houve uns gemidos, roupas jogadas em cima da TV. No final, havia uma bagunça com espuma e vinho tinto.
E Kurt gostava daquele sofá. O novo era... Estranho.
Victor riu à encantadora inocência de seu companheiro.
–Talvez você não precise fazer tanto esforço assim.- sussurrou em sua orelha. Adorou como o corpo azul tremeu em resposta.
O rosto se aproximou lentamente, o nariz encontrou a curvatura do pescoço. A essência exalada por Kurt o enlouquecia deliciosamente a cada respirar. Ele poderia passar horas ali, assim... Aspirando seu cheiro, ouvindo o coração bater, sentindo a pele macia contra o rosto. Isso era o suficiente para deixá-lo feliz.
O desejo de provar a carne foi maior.
Ele deslizou os lábios pela extensão do pescoço causando arrepios em Kurt. Abaixo dele, sentiu as pernas se remexendo, esfregando-se algumas vezes em suas coxas. A língua passeava pela pele, sentindo cada sabor de cada pedaço. Pelo gemido longo e baixo, Victor encontrou um dos pontos frágeis e sensíveis daquele corpo tão bem conhecido. Foi um acidente, na verdade.
As mãos deslizaram para dentro da camiseta, e passaram a acariciar cada músculo com firmeza. Durante a
exploração, ele encontrou o mamilo direito e passou a brincar com ele. Os movimentos circulares, apertando algumas vezes com a unha... Em resposta a esse estimulo, foi puxado pela camisa por Kurt, e os corpos se pressionaram contra o outro ainda mais.
Como forma de punição, Victor mordeu suavemente o ombro. Ele se deslocou até que pudesse visualizar o rosto corado. Era tão irresistível a expressão de prazer em Kurt. Estava prestes a beijá-lo.
Então, Creed ouviu um pisar diferente de salto alto -fluindo a agressividade- na escada que levava ao seu andar. Ele desligou-se de Kurt, o peito mal se mexendo com o respirar lento e gradual. Forçou-se a eliminar todo o tipo de som ao redor que poderia causar uma distração. Até mesmo, o mais irresistível gemido.
A aproximação evidente o fez virar o rosto em direção à porta. Por um momento, ele desejava que fosse um engano ou um inofensivo humano. Um andar quase silencioso acompanhava o pisar em raiva, a cada passo havia uma mescla de sentimentos tão confusos, que dificilmente são
esquecidos.
Sem aviso, o instinto felino rugiu dentro dele.
Kurt notou a modificação corporal em Victor. Os olhos em alerta, os músculos tensos e uma expressão facial séria, quase animalesca. Os dedos se mexeram de leve em seu peito. Sentiu a ponta das unhas pressionando a pele. Elas cresciam lentamente e não era um bom sinal. Imaginou se algum inimigo particular de Victor estaria prestes a fazer uma visita. Ele deixou de atender telefonemas e retornar a ligações, e bem, Creed conhecia muita gente de grande influencia. De contratos vestindo terno a psicopatas de plantão.
Mas algo parecia errado. Terrivelmente errado.
O viu se inclinar para trás, se apoiando nos calcanhares. Eles não se olharam, embora fosse possível ver a preocupação no canadense. As garras afiadas refletiram o desejo de proteção e Kurt fora intimidado pelo que viria.
Alguns segundos se arrastaram em silencio. Por fim, Victor se colocou ao lado do sofá, o corpo levemente inclinado, não o suficiente para indicar uma posição de luta ou defesa. A sede de sangue fluindo devagar pelo corpo, devido a provável invasão de território.
–Kurt... Vá pro quarto.- a voz séria em exigência pelo bem estar do companheiro eliminou qualquer som vindo de dentro do apartamento.
A ordem soou como um trovão.
–Was?- o forte sotaque alemão substituiu o “o que?” americano. Kurt se sentou no sofá e o encarou assustado.
Ele não teve tempo para perguntar ou desafiar aquele pedido. Não havia espaço para uma briga de casal. Sentiu um aperto no braço e foi movido de maneira delicada para fora do sofá. E Kurt realmente não entendia o que estava acontecendo.
–Agora.- disse baixinho, olhando diretamente para o par de olhos brilhantes.
O mundo, que antes tinha parada no intenso olhar de dois amantes, saiu do repouso quando uma voz aguda veio da porta.
–CREED!
Foi rápido demais para processar o que aconteceu. Victor o puxou pela cintura e o protegeu com os braços, o apertando contra o corpo. Lascas de madeira o atingiram nas costas, algumas se prendendo ao tecido da camisa. A pele já se regenerando dos arranhões. E a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi a segurança de Kurt.
Respirou profundamente, a sensação da pele aveludada contra a sua era bem vívida. Sentiu-se aliviado por ouvir os batimentos do coração inocente. Foi incapaz de capturar qualquer cheiro de sangue.
A possibilidade que Kurt estivesse machucado o fez perder a cabeça.
Pois agora, não havia mais Victor Creed. Ele foi tomado pelo mais puro instinto de proteger seu companheiro, e cedeu o controle para Dentes-de-Sabre. Ao que as garras afiadas indicavam, haveria um massacre.
Caso Wolverine quisesse entrar em um local qualquer, indiferentemente ele derrubava a porta.
Vampira fez a lição de casa.
Notas finais
.
De certo modo, Boozinha Luthor estava certa.
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