Sobre Dores, Sexo E Álcool.
12 Capítulo XI
Notas iniciais
Capitulo XI.
Os lençóis desarrumados evidenciavam uma noite agitada, não diferente das outras. Apesar disso, um detalhe não passou despercebido. Ao reconhecer as manchas escuras e avermelhadas, Creed passou os olhos pelo quarto à procura do x-man e se alarmou ao vê-lo no banheiro.
Kurt estava sentado no vaso sanitário, a perna apoiada ao lado do corpo, os dedos habilidosos entrelaçados no fio. Ele costurava lentamente um corte profundo, apesar da dificuldade em manusear a agulha com apenas três dedos.
E Dentes-de-Sabre percebeu o que tinha feito em Kurt.
O corpo aveludado recoberto por marcas de garras e dentes, com manchas arroxeadas cobrindo os ombros e pescoço. Parte da cauda estava com uma estranha coloração. Tanta dor ocasionada pela necessidade voraz de saciar o ódio movido pelo prazer, além do instinto animalesco de marcar o que lhe pertence.
Bestial.
Sentiu-se o pior animal do mundo.
–Victor...?- Noturno o chamou tirando-o do transe. Um olhar assustado percorreu do rosto aos pés -Esse sangue todo...?
As roupas rasgadas por três garras, o sangue respingado na calça, a camisa banhada de carmim. O cabelo loiro, antes perfeitamente charmoso, encontrava-se um caos. A adrenalina e a raiva haviam desaparecidos, mas o rosto continuava com algo a mais, como se houvesse uma perturbação interna, um conflito incerto.
–Não é meu. – disse por vez, caminhou até Kurt e se agachou ao lado. Grande parte do sangue não era. Sentiu um leve cheiro do medo e o corpo azul tremeu levemente. -Deixa que eu faço isso.
Pegou a agulha das mãos do Kurt sem esperar uma resposta.
–Mas...- Kurt sentiu dor quando a agulha perfurou a pele, impedindo-o que retrucasse -Ach.
Ao soltar um gemido de dor, imediatamente foi depositado um roçar de lábios na região.
–Ta tudo bem agora, Kurt. –a agulha tornou a perfurar a pele e a linha ligou as fendas, expelindo uma quantidade mínima de sangue. O canadense tomou fôlego antes de continuar. Passou a puxá-la de um lado ao outro calmamente.
Victor repetiu o processo duas vezes até estar totalmente fechado, livre do risco de infectar ou até mesmo abrir. Fazê-lo foi desagradável, sabia que Kurt suportava baixinho uma dor dos infernos e nada podia aliviar essa dor.
Havia somente um corte profundo, necessitando assim, de ser costurado. Os outros pareciam leves arranhões. Creed desinfetou todos os cortes e marcas de mordidas. Ao terminar, ele enfaixou a coxa esquerda, cuidadosamente para que não abrisse. O mesmo fez com a marca na cauda, como se temesse que ela simplesmente desprendesse do corpo.
Os toques carinhosos, a atenção exagerada e aquela preocupação descomunal refletiam que Creed estava diferente.
E na incerteza, o canadense quebrou o silencio entre eles.
–Quero que fique comigo – disse baixinho, quase inaudível.
Sentiu duas mãos segurarem o rosto, levantando-o até os olhos se encontrarem. Foi questão de segundos até o leve encostar de lábios em um beijo terno. O tímido perdão sendo passado por lábios indignos de qualquer contato com uma criatura tão feroz e sanguinária.
Kurt o fascinava a cada momento.
–Por que há tanto ódio em você?- a voz alemã tão suave e a pergunta tão íntima sem resposta correta derrubaram Dentes-de-Sabre.
A dor era terrível.
A sensação de mil agulhas o trazem de volta a realidade.
Wolverine encarava qualquer briga se considerando o invencível. Naquela
noite, ele aprendeu o que significava ser ferido pra valer. Tanto fisicamente quanto psicologicamente. Além de tudo, aprendeu o que significava o medo mais profundo e perturbador da alma.
O corpo começou a se remendar aos poucos, entretanto apenas recobrou o sentido algumas horas depois. Arrastou-se até um beco não muito longe ao perceber que não sentia as pernas. O simples fato de possuir fator de cura mutante não eliminava a dor que ela trazia. Qualquer movimento só piorava.
O filho da puta acertou no ponto mais vuneravel do esqueleto. Levaria algumas horas até se recuperar totalmente. Evidente que, não queria esperar o corpo se recuperar 100%, mas também não podia sair feito maluco atrás do Creed.
Logan sentiu cada golpe o detonar. E não tinha qualquer desculpa pronta para ignorar que subestimou Dentes-de-Sabre. Apesar do maníaco não ser lá o grande exemplo de humanidade, naquele encontro, Victor pareceu um homem, não animal.
E aquela conversa toda só ajudou a aumentar o ódio mortal. O pior de tudo e o mais complicado, começou a acreditar nas coisas que foram ditas sobre Kurt. Esqueceu o quando era sensível nesse assunto.
Não queria, mas era inevitável.
A falta de importância que concebeu ao Elfo o atingiu no peito. Quando se está na pior, o passado sempre volta. Wolverine fez coisas as quais não se orgulhou, muitas o condenaram a consequências irreversíveis. Imprudente afirmar que ele estava “ocupado” nessa época.
Lugares para ir, babacas para matar, enquanto Kurt aguentava dores imagináveis, ele estava por aí, batendo em bandidos e bebendo feio louco.
E a saudade dos encontros, saídas para beber e conversas fora deram lugar a uma duvida. A duvida seria se o desejava da mesma forma.
“Ser o melhor...”
Notas finais
Esse ano eu prestarei vestibular para psicologia. A falta de tempo é evidente. Adição de capítulos ocorrerá nos feriados (os quais eu tiver) e finais de semana vagos.
Continuem perfeitos,
Helena Darkhölme.
Fale com o autor