Notas iniciais
Se alguém vier e disser que a Riko tá OOC, vou dar três tapas e um peteleco. (porque eu sei, ok?)

No último capítulo: Hyuuga aparece na academia e convida Riko para fazer compras. Ambos pegam o trem lotado, e a garota é obrigada a se segurar no garoto. Riko se perde na multidão e Hyuuga a puxa pela mão e a zoa, dizendo que seria mais difícil ela se perder se fosse mais alta; Riko ri, e continua segurando na mão dele. Acompanhe agora a continuação.

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O dia já começou comigo sem a menor vontade de sair da cama. Aí eu lembrei que tinha que prestar a máxima atenção possível na aula de Física porque fui meio mal na prova (8,5), e tratei de levantar de uma vez.

Pelo menos a sensação estranha foi embora.

Ou é o que me parece.

Visto a meia nova, tomo o café e saio de casa me protegendo do frio enrolada no cachecol. Surpreendentemente, apesar de ser sexta, encontro Hyuuga-kun me esperando na porta de casa.

–Yo.

–B-Bom dia, Hyuuga-kun — digo e fecho a porta.

–Dia.

Ele 'tá sorrindo. Hyuuga-kun não sorri frequentemente.

Uau, 'tá meio calor.

–Vamos indo? — ele pergunta e ajeita os óculos.

–Claro.

E nós vamos andando para a escola falando sobre o que fazer no fim de semana.

Disse que tinha que fazer algumas coisas e ler um livro pra escola, ele disse que tinha que ajudar o irmãozinho com o dever de casa.

Quando se trata de Daichi, Hyuuga-kun é o melhor irmão do mundo.

Chegando lá, nos despedimos e cada um seguiu para sua sala. Consegui entender direito a matéria de Física (amém) e até acertei os exercícios. No intervalo, Kuroko-kun veio falar comigo.

–Técnica.

Ele parece meio preocupado.

–Que há de errado? — pergunto. Ele me guia até a porta da biblioteca e nós entramos.

–Só queria saber se as coisas entre Kiyoshi-senpai e o capitão estão melhores.

–A-Acho que sim. Hyuuga-kun parece ter melhorado de humor, Teppei continua o mesmo. Não sei se voltaram a se falar.

–Entendo. — ele desvia o olhar para a porta — Espero que isso acabe logo.

–Também espero, 'tá me dando nos nervos já.

Kuroko-kun me encara tão profundamente com aqueles olhos azuis que estremeço.

–P-Posso ir? — pergunto.

Kuroko-kun abre a porta para mim e eu saio, dando de cara com Teppei.

–Ah, Riko! — ele abre um enorme sorriso — Bom dia! Nem te vi hoje.

–Dia. Vim com Hyuuga-kun um pouco mais cedo e fiquei na sala tentando entender um exercício de Física — respondo, colocando uma mecha atrás da orelha nervosamente. Porque meu coração 'tá disparado?

Uma expressão diferente passou pelo rosto de Teppei, mas foi tão rápido que não consegui identificar direito.

–Entendi. Se quiser eu te ajudo em Física — ele abre bem os olhos e arqueia as sobrancelhas.

–Ah? Não, não precisa — rio sem graça — Já consegui entender na aula. Obrigada mesmo assim.

–Ok, a gente se vê — ele pisca um olho e continua andando.

Minhas mãos suam.

–Ah, Riko! — ele grita do outro lado do corredor e eu viro — O sorvete ainda 'tá de pé, né?

Eu travo. As palavras me fogem, então somente balanço a cabeça. Ah, sim, realmente 'tá meio calor.

Porque tudo fica tão confuso?

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–Hoje vamos treinar no jardim, ok? — anuncio — Podem começar dando 15 voltas pro aquecimento. Sem conversa!

Os meninos começam a trotar pelo caminho de pedra, mas Hyuuga-kun vem na minha direção e para ao meu lado.

–Não vai correr? — pergunto, apontando para o resto do pessoal.

–Queria conversar sobre uma estratégia nova.

–Ah, ok.

–Se a gente pegasse o Koga e o Izuki...

Ele continua me falando e explicando a estratégia. Parece que daria certo.

–Mas Hyuuga-kun, você é nosso melhor lançador de três pontos, e você sabe disso.

–A-Ah... Bom, é verdade, mas o Izuki também consegue, apesar de não com tanta frequência.

–Pode ser.

Pego a prancheta e vou anotando tudo o que ele fala, mas ele não parece concentrado.

–Hyuuga-kun, para de olhar pro outro lado e foco aqui!

–Foi mal, foi mal. E então o Koga bloqueia o que vem pela esquerda e o Izuki fica livre pra fazer o ponto.

–Uhum.

–Só isso.

Ele sorri e eu estremeço de novo. Não é normal, não é.

–...'Tá.

–Valeu, técnica.

Ele afaga minha cabeça e sai para correr com o resto do pessoal. Como pode estar tão calor se estamos do lado de fora?! Minha temperatura corporal só pode estar desregulada, não é possível.

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–Podem levantar — sopro o apito — e limpem essas calças. Vão para o chuveiro imediatamente, não quero ninguém doente.

Os meninos pegam suas toalhas e seguem para o ginásio. Levo Nigou para dar uma volta e depois entro também para terminar de guardar as coisas.

–Pegaram suas mochilas? — digo — Fukuda-kun, vai esquecer o celular! — aponto para o banco.

–Valeu, técnica — ele corre até lá.

–Cadê o Teppei? — pergunto, pronta para fechar tudo. Ele não está no meio do pessoal.

–Ainda está no vestiário — Tsuchida responde.

Suspiro.

–Vão indo na frente — digo — que eu vou ver o que ele está fazendo.

–Deixa ele lá — Hyuuga-kun diz, colocando a mão no meu ombro -, depois ele fecha tudo.

–Vão indo — insisto. Dispenso o pessoal e vou até o vestiário. O que ele está pensando? Nós temos horário para sair! — Teppei?

–Estou aqui — ouço a voz por trás da porta — Pode entrar.

Viro a maçaneta e vejo Teppei sentado no banco amarrando os sapatos com uma toalha na cabeça.

–Vamos logo, todos já foram embora.

Porque estou nervosa?

–Ah, sim, sim — ele levanta e enxuga os cabelos — Estava com dor no joelho, então demorei um pouco mais no banho.

–'Tá tudo bem? — só o que me falta é outro acidente (cadê um pedaço de madeira quando mais se precisa de um?)- Ainda 'tá doendo?

–Não mais.

O desodorante dele cai no chão e sai rolando até perto do meu pé. Abaixo e pego. Não consigo devolver a ele porque ele está ocupado de mais vindo pra cima de mim, colocando a mão na minha nuca e abaixando para me beijar.

E ele beija com vontade dessa vez.

Meu coração quase explode, sério. Fico tão surpresa que mal consigo reagir. Minha mente 'tá um turbilhão de coisas.

Teppei pega na minha mão com a sua livre e a única coisa que consigo pensar é como a mão dele é diferente da de Hyuuga-kun.

A mão de Teppei é grande e quente; a mão de Hyuuga-kun é menor e gelada. Teppei cheira a sabão enquanto Hyuuga-kun cheira a desodorante masculino.

Porque estou pensando nisso agora? Porque eu estou ficando histérica com esse pensamento? Porque estou pensando nas mãos de Hyuuga-kun quando Teppei está me beijando no vestiário do ginásio?

Eu quero ir tomar sorvete mas também quero sair e fazer compras.

Teppei me aperta um pouco mais e move os lábios nos meus, mas meu peito se aperta cada vez mais porque me sinto confusa não sei a respeito de quê e estou entrando em pânico e ficando histérica.

O beijo é até bom, sabe, mas esse sentimento me faz querer correr mil maratonas só pra fugir de alguma coisa que não sei o que é. Teppei se afasta um pouco e olha na minha direção.

–Riko? — ele pergunta suavemente, mas logo depois sua expressão muda — Porque você 'tá chorando?

Eu ia falar que não estava chorando até me dar conta que estava, de fato, chorando. Não sei porque. Esse sentimento ruim do meu peito precisava sair de qualquer jeito.

Não consigo falar. Teppei parece em pânico e preocupado, ele 'tá falando algumas coisas que eu não consigo entender porque estou soluçando muito. Ergo a cabeça e recuo, colocando as chaves do ginásio em cima do banco. Pego minhas coisas e trato de sair dali o mais rápido que consigo.

Corro.

Corro o máximo que consigo, fugindo de sei lá o quê. Sinto que preciso fugir de algo. Vou correndo pela rua e felizmente pego os faróis abertos. Continuo chorando, tanto que quase nem vejo o caminho direito; tudo 'tá embaçado e agonizante.

Corro, corro, corro até chegar na esquina de casa. Diminuo o passo para limpar o rosto antes que meu pai me veja, mas não consigo parar de chorar. Porque tudo está tão confuso?

–TÉCNICA?!

Não, não, não, não.

Hyuuga-kun vem na outra calçada segurando sacolas de supermercado nas duas mãos, mas a expressão dele é de horror. Volto a andar rápido pela rua, ouvindo-o me chamar. Por algum motivo, não quero falar com Hyuuga-kun no momento. Principalmente ele.

Ele continua me chamando, e eu vou soluçando mais forte enquanto abro a porta de casa com certa dificuldade e a fecho atrás de mim. Eu odeio essa coisa ruim, essa confusão. Penso que o beijo de Teppei é bom, mas que estou usando as meias que comprei com Hyuuga-kun.

Penso que gosto quando Teppei afaga minha cabeça, mas também gosto de quanto Hyuuga-kun bagunça meu cabelo. São duas coisas completamente diferentes, mas cada um é bom do seu jeito.

Por quê? Por que estou chorando?

Subo para meu quarto e espio pela janela Hyuuga-kun jogando as sacolas para dentro de sua casa e atravessando a rua correndo na direção da minha casa, e ele começa a bater na porta e tocar a campainha. Jogo-me na cama; não estou a fim de descer.

–Com licença! — escuto lá embaixo e depois ouço a porta bater. Os passos na escada ficam mais fortes.

Não, não quero que ele venha aqui. Não quero ver Hyuuga-kun. Não quero pensar nas mãos dele ou no café que ele me pagou, ou nas meias que ele disse que gostou ou...

–Técnica! — ele senta na beirada da minha cama e coloca a mão na minha cabeça.

Não.

–O que aconteceu, meu Deus? Que foi?

Ele parece tão preocupado...

E eu só consigo pensar nas mãos grandes e quentes de Teppei, e quando ele as esfregou contra as minhas e na mão dele fazendo carinho na minha nuca uns minutos mais cedo. Não consigo parar de pensar o quanto o beijo foi bom, apesar de eu ter estragado tudo.

Porque eu fico pensando nisso, porque?

Hyuuga-kun me pega pelos ombros e me levanta da cama, apertando-me contra ele com certa força. Um abraço.

É um abraço bom. O cheiro de desodorante masculino dele é legal. Eu me sinto confortável, mas não consigo parar de chorar. Ele fala para eu me acalmar e contar o que aconteceu. Hyuuga-kun diz que vai matar quem fez isso comigo e parece realmente um namorado ou irmão mais velho. Engraçado isso.

Estou conseguindo me acalmar, mas continuo pensando na cena do vestiário. Penso também em como as meias que uso agora são confortáveis. Reparo que Hyuuga-kun está usando o tênis de basquete novo. Isso me deixa feliz.

–Pronto? — ele pergunta suavemente, ainda me abraçando — Acalmou?

Respiro bem fundo. O cheiro do desodorante dele é bom.

Balanço a cabeça e enxugo os olhos na camisa dele. Ele passa a mão no meu cabelo. Fecho os olhos com força.

–Agora fala — ele se afasta e me segura pelos ombros, forçando-me a olhar bem nos olhos dele — Estou ouvindo.

–Não foi nada — tento me convencer também — Só estava estressada por causa de uma nota ruim.

Ele cerra os olhos como se dissesse "você? Tirando uma nota ruim? Ah, tá".

–Quem foi que te fez chorar?

Hyuuga-kun está tão sério... Chega a dar medo. Como contar que eu mesma que me fiz chorar? Não é como se fosse culpa de Teppei.

–Ninguém, eu já falei...

–Para de mentir e me fala.

–Não estou mentindo. Eu...

–Riko! — Hyuuga-kun está inconformado. E até me chamou pelo nome!

–NÃO ESTOU MENTINDO!

Ele para e me olha por um instante antes de me abraçar de novo, mas solta rapidamente dessa vez, voltando a me encarar.

–Nunca te vi chorando e, honestamente, nunca mais quero ver. Que coisa horrível, não faça mais isso.

Não sei se ele 'tá me zoando ou se é sério, só sei que rio pateticamente.

Hyuuga-kun não ri de volta. Aí eu percebo que ele estava falando super sério e que continua com a testa franzida. Ele parece bravo.

Respiro bem fundo de novo.

–Ok — respondo.

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Ela só precisava dizer que Kiyoshi a havia feito chorar para que eu pulasse no pescoço dele. Era só isso; meras palavras.

Mas não. Por algum motivo, ela quer protegê-lo.

Não sei o que aconteceu e nem quero saber, mas sei que quero dar mil socos na cara daquele idiota por ter feito Riko chorar.

Riko nunca chora, entende? Ela é feita de aço (as únicas vezes que a vi chorando foram por causa de basquete, e, fora isso, nunca). Pra ela ter chorado, alguma coisa deve ter acontecido e com certeza foi culpa dele. Kiyoshi fez Riko chorar e espero que se sinta muito culpado com tudo isso.

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Eu fiz Riko chorar e estou me matando de culpa.

Não sei o que aconteceu. Realmente, não sei. Por um momento ela até retribuiu o beijo, mas depois desabou em lágrimas e eu fiquei lá que nem um paspalho.

Foi algo que fiz? Foi algo que disse? Eu deveria tê-la beijado no vestiário? Eu deveria ter sido tão direto? Eu deveria ter pedido permissão ou... Ou...

–FNBIFDSBAGDSHAF~GUR´Q~GIDSF~DHJSGODSN — exclamo.

Olhar o cachorrinho de pelúcia em cima da minha mesa não está ajudando nada. Tenho até vergonha de ligar para pedir desculpas apesar de estar me coçando de ansiedade para saber o que aconteceu.

Droga, Teppei. Você estragou tudo.

Notas finais
Alguém gosta de Moriyama x Izuki? Vou escrever uma fic deles e vai ser meu legado neste site, certeza. Espero que tenham curtido esse capítulo. Óbvio que o drama está começando, daqui pra frente as coisas ficam meio tensas. Sábado tem capítulo novo, ok? Beijinhos e até lá :*