Notas iniciais
Vocês curtem um triângulo amoroso, né? Seus cretinos. Saibam que a Riko tá sofrendo com essa indecisão enquanto vocês tão suaves aí lendo de boa.

No último capítulo: Teppei beija Riko no vestiário do ginásio, mas a garota entra em pânico e foge. Ela não entende porque fica pensando em Hyuuga enquanto deveria pensar em Teppei, e isso a deixa confusa. O capitão a vê chorando e vai consola-la, e Teppei se sente incrivelmente culpado com tudo o que aconteceu. Acompanhe agora a continuação.

_____________________________

Eu precisava de um fim-de-semana. Informei a todos os meninos que não teríamos treino no sábado e passei o dia inteiro comendo chocolate e vendo filme.

Foi um dos dias mais produtivos da semana, mas não consegui desvendar a pergunta que rondava minha cabeça.

Meu celular não tocou nenhuma vez, nenhuma mensagem, nada; e isso me deixou tanto inquieta quanto aliviada.

Quando já era o final da tarde, a campainha toca.

–Riko-nee!

Meu coração quase pula do peito ao ver aquele pirralho de cabelo espetado sorrindo.

–Yo.

Daichi e Hyuuga-kun estão na minha porta.

–O-Oi — digo, tirando o cabelo do rosto e tentando esconder meu pijama de coelhinhos atrás da porta.

–Por favor quebra esse galho pra mim — diz Hyuuga-kun, meio perturbado.

–Que foi?

–Meus pais não estão, tenho que sair, mas não posso deixar Daichi sozinho em casa. — ele aperta a cabeça do irmão com uma das mãos.

–Não sei porque — o menor diz, fazendo bico — Eu já tenho 5 anos! Sou grande!

–Claro, pirralho — Hyuuga-kun volta a olhar pra mim — Por favor? Uma hora no máximo.

Daichi está tão fofo nesse casaco de ursinho que não consigo recusar.

–Obrigado — Hyuuga-kun está aliviado — 'To te devendo uma.

–Claro — digo.

Daichi corre para dentro da minha casa e senta no sofá.

–Escuta — Hyuuga-kun se inclina para frente e diz num tom mais baixo — Você 'tá melhor? Se for incômodo, eu deixo ele na casa do Koga ou sei lá.

–Não, não precisa — sorrio — Gosto do seu irmão.

Hyuuga-kun sorri.

–Valeu, técnica. Volto daqui a pouco — ele diz e sai andando.

Fecho a porta e suspiro.

_____________________________

–Izuki. Cadê você?

–Do lado da árvore, idiota. Na esquerda.

Cerro os olhos e aperto o celular no ouvido.

–Cadê?

–Aqui!

Vejo alguém acenando. Ah, é ele. Fecho o celular e vou até lá.

–Que foi?

–Cara, ele fez a técnica chorar.

Izuki quase cospe o refrigerante que está tomando.

–Isso é sério?!

–Claro que sim! Eu a vi chegando em casa chorando, mas ela não quis me contar o porquê.

–Cara — Izuki balança a cabeça — Kiyoshi nunca faria a técnica chorar. Você sabe disso. Não tem por quê se vocês dois estão disputando pra ver quem fica com ela.

–E-Eu...

–Não faz sentido! Kiyoshi não é burro, ele nunca entregaria os pontos assim. Alguma coisa deve ter acontecido, e ele não fez de propósito.

Espera aí.

ESPERA UM SEGUNDO. IZUKI NÃO PODE ESTAR SENDO SÉRIO NESSE EXATO MOMENTO.

–Você acha que eu não vou conseguir? — pergunto casualmente, olhando ao redor — Acha que Kiyoshi vai conseguir a menina?

–Q-Quê?

–Você acha que eu não vou ficar com ela.

Ele fica quieto. MALDITO.

–Valeu, é isso que eu precisava saber — digo e dou a volta, andando na direção contrária.

–Ei! Eu nunca disse isso! — ouço Izuki e depois passos — Espere aí, idiota.

Ele para ao meu lado e segura meu casaco.

–Não estou dizendo que você vai perder — ele parece bem sério -, só estou dizendo que Kiyoshi está a muitos passos na sua frente.

Engulo em seco. Não sei se estou pronto pra continuar ouvindo.

–Ele e a técnica já andaram de mãos dadas, foi isso que o Furi me disse. Eu tive a clara impressão de eles também já se beijaram, mas não dá pra confirmar. E você? Fez o que com ela?

–...C-Compras.

Tenho vontade de me socar ao perceber o quão patético isso soa.

Izuki somente dá de ombros e sai andando pela esquerda, deixando-me plantado no meio da rua com cara de bosta.

_____________________________

–O que foi? — pergunto a Daichi, porque ele me encara tão fixamente que até dá medo.

–Porque Riko-nee 'tá triste?

Pisco algumas vezes.

–Não estou triste.

–'Tá sim. O Jun-nii fez alguma coisa ruim?

Ele e Hyuuga-kun são tão parecidos, meu Deus.

–Não, não aconteceu nada, Daichi-kun — levanto do sofá — Quer chocolate?

–Quero!

Ele pulula atrás de mim.

–Só um pouquinho porque daqui a pouco é hora do jantar, tá?

–Tá.

Dou um quadradinho de chocolate para ele e o ponho sentado em cima do balcão da cozinha.

–'Tá pensando no que? — ele me pergunta, ainda mordendo o chocolate.

–No Teppei.

Arregalo os olhos quando me dou conta do que falei.

–Q-Quer dizer...

–No Kiyo-nii? Ele te deixou triste?

Os olhinhos verdes de Daichi estão ansiando por uma resposta e, pra falar a verdade, já 'to cansada disso tudo.

–Mais ou menos — respondo — Eu acho que gosto dele e de outra pessoa, mas 'to em dúvida.

–Escolhe quem é mais legal — Daichi termina o chocolate e eu pego um guardanapo para limpar a boca dele.

–Os dois são legais.

–Escolhe quem você gosta mais.

Ele fala de um jeito tão simples, como se alguém tivesse perguntado quanto é dois mais dois e ele estivesse respondendo quatro.

–Não sei de quem gosto mais — respondo e suspiro. Na verdade o que ele falou faz total sentido. A ideia não está errada, o que é complicado é saber de qual eu gosto mais.

–O Jun-nii vai ficar chateado se você não escolher ele. — ele abre os braços para que eu o coloque no chão — Ele gosta muito de você, Riko-nee.

Minhas bochechas pegam fogo e eu olho para o outro lado instintivamente.

–A-Ah, é? Sério?

–Aham!

Fico agitada sem nenhum motivo aparente. Olho para o celular, esperando alguma mensagem nova de Teppei; nada. Fico um pouco decepcionada, mas coloco as mãos na cintura e digo:

–Ok, hora de vermos um pouco de TV.

_____________________________

–Puts, valeu, técnica. Desculpe ter demorado um pouco.

Hyuuga-kun está parado na minha porta com o rosto vermelho e meio suado. Parece que veio correndo. Ou está calor? Sei lá.

Parece que está meio calor.

–Claro, sem problemas. Daichi-kun, seu irmão já chegou — chamo o pirralho que está vendo desenho.

–Ahh, Jun-nii, deixa eu ficar aqui! — Daichi-kun faz um bico enorme.

–Pra casa — Hyuuga-kun diz.

–A Riko-nee é bem mais legal que você.

Pra casa, Daichi.

O pequeno larga o controle em cima do sofá e atravessa a rua correndo, entrando na casa da frente.

–Enfim — Hyuuga-kun ajeita os óculos e agita os braços nervosamente -, obrigado por tomar conta do Daichi.

–Você sabe que eu gosto do seu irmão — rio.

–Escuta, hm...

Nós nos encaramos por alguns segundos que eu juro que foram os mais longos da minha vida. Meu coração disparou de repente e eu claramente vi as bochechas de Hyuuga-kun irem de brancas a vermelhas. Ele respira fundo e parece pronto pra dizer algo bem importante.

–Ah. — exclamo.

Meu celular 'tá tocando.

–E-Eu... Ahn — fico meio sem jeito — Tenho que atender...

–Ok. — ele solta o ar num suspiro — Valeu de novo. Até depois.

–Até.

Fecho a porta e corro para pegar o celular. Apesar de ter andado uns 5 metros, parece que corri 2 quilômetros de tão rápido que meu coração bate. Jesus.

–Alô?

–R-R-Riko?

Afasto o celular do rosto e vejo o nome na tela. Fecho os olhos por um segundo e respiro devagar.

–Oi, Teppei.

–Você, hm, 'tá em casa?

–'To sim.

As palmas das minhas mãos estão pingando de suor.

–'Tá ocupada?

–Não, não — ando até o sofá e me jogo.

–Posso dar uma passada aí rapidinho?

–Claro que pode.

–Ok, em cinco minutos 'to aí.

Despedimo-nos. Fecho o celular e encaro a TV que nem boba. Os Backyardigans não parecem tão interessantes assim.

Pulo de susto ao ouvir a campainha. Meu cabelo 'tá bom? A roupa 'tá amassada?

Ugh, Riko, para com isso.

Abro a porta.

–Oi, Teppei — cumprimento-o. Ele, também, parece meio vermelho de calor.

O tempo deve estar esquentando, é; só pode ser isso.

–Oi! É... Então. — ele sorri.

–Então — repito. Literalmente não sei o que falar ou esperar.

–Eu só queria pedir desculpas por ontem, sabe? Eu não deveria...

–Ah, aquilo? — rio da situação, apesar de saber que não tem nenhuma graça — A culpa não foi sua, relaxa. Eu só estava um pouco estressada. — por algum motivo eu 'to quase acreditando nessa mentira.

Teppei me olha fixamente por vários segundos. Sinto-me incomodada.

–Ok, então — ele diz e dá de ombros. — Só queria esclarecer as coisas, não quero que a gente fique de mal ou algo assim, né! — ele ri, eu rio também — Toma.

Ele estica a mão na minha direção, e no meio da palma tem aquele cachorrinho de pelúcia do qual me mandou a foto. Ah, meu Deus.

–P-Pra mim? — meu rosto fica meio quente.

–Uhum. Eu disse que vi e pensei em você, então pega. É um presente.

–Obrigada.

Pego o cachorrinho e o aperto contra mim; não consigo olhar nos olhos de Teppei.

–N-Não quer entrar? — pergunto meio que automaticamente.

–Ah? Não, não posso — ele ri — Tenho que ir pra casa. A gente se vê depois, ok?

–O-Okay.

Ele me olha daquele jeito de novo, por vários outros segundos constrangedores. Teppei, então, sorri de leve e se despede, seguindo rua abaixo.

Fecho a porta.

O cachorrinho, de repente, também não parece tão interessante assim.

_____________________________

Porque ela mentiu tão descaradamente pra mim? Será que aquilo foi bem mais sério do que pensei?

Riko não mente. Porque então ela mentiria pra mim? Não quer me magoar?

Bom, deixa eu falar que estou magoado. Não vejo motivos pra ela ter mentido; bastava ter falado a verdade, que ela ficou chateada com o que eu fiz, que eu pediria desculpas apropriadamente.

Porque ela mentiu?

_____________________________

Eu odeio pessoas de timing perfeito.

Mais precisamente, odeio o Kiyoshi por ter um timing perfeito.

Eu estava reunindo toda a coragem que juntei durante os três anos que gostei dela para FINALMENTE chamá-la para sair quando o maldito celular toca. E depois vejo pela janela que ele aparece na casa dela.

Maldito.

Eu ia chamá-la para sair, tomar um café, ir no cinema, sei lá, mas nãããããããããão, o puto do Kiyoshi tinha que interromper.

Ele consegue ser um saco mesmo não estando presente. Merda.

_____________________________

Sabe quando você está fazendo alguma coisa aleatória e a ficha simplesmente cai?

Eu não sabia o que era isso até hoje.

Por exemplo, eu estava indo para a escola, parada no farol para atravessar a rua quando um pensamento simplesmente me ocorreu, da forma mais simples possível.

"Eu gosto de Teppei".

Pronto. Foi só isso. O pensamento veio e eu não senti nada de mais. Foi uma simples constatação de fatos. Pra falar a verdade, isso meio que me irrita um pouco. Era assim tão óbvio?

Por isso, naquele mesmo dia logo no final da aula (dia de folga do treino), eu toquei naquele assunto de tomar sorvete e Teppei sorriu como se tivesse acabado de descobrir que Papai Noel é de verdade.

Então lá fomos nós tomar sorvete.

Foi uma tarde agradável, admito. Foi simples de lidar, e eu não me preocupei em nenhum momento sobre nada. Acho que a melhor coisa em ter Teppei por perto é que eu posso ser eu mesma, e ele parece gostar.

Ele parecia meio receoso de início, mas logo depois se soltou. Quando ele tentou me beijar de novo, eu... Bom, e-eu deixei.

Qual é, eu já havia admitido que gostava dele.

O beijo dele é bom, e tinha gosto de sorvete de baunilha. Lembro que meu coração disparou e minhas mãos suavam muito, mas de resto foi legal. Ele me deixou na porta de casa e sugeriu irmos ao fliperama da próxima vez.

Disse que era uma boa ideia e agora estou aqui na banheira refletindo sobre o meu dia. É, nenhum arrependimento.

Termino de lavar o cabelo e saio do banho. Já fiz o dever de casa e já jantei, agora é só dormir.

Ponho o pijama e subo para o meu quarto. Apago as luzes e deito na cama. Por algum motivo, estou agitada. Mal consigo ficar parada. Resmungando, levanto e abro um pouco a janela.

Do outro lado da rua, consigo ver Hyuuga-kun pela janela do quarto dele. Ele está sem camisa e se olha no espelho fixamente.

Puxo a cadeira e sento no escuro, apoiando os cotovelos no parapeito da janela. O vento 'tá frio, mas isso me acalma um pouco.

Hyuuga-kun começa a falar consigo mesmo na frente do espelho. Agita os braços e até mesmo pega o celular, mas o joga na cama de novo; pega de novo e escreve uma mensagem, mas não sei se envia ou não. A porta se abre, e Daichi aparece de pijamas segurando um livro.

Hyuuga-kun senta na cama e o puxa para seu colo, abrindo o livro. Daichi se ajeita e Hyuuga-kun lê em voz alta. É uma cena bonitinha.

Devo ter ficado mais de uma hora olhando pela janela. Hyuuga-kun terminava de ler o livro e Daichi já estava dormindo em seu colo. O mais velho leva o menor para o quarto e volta, tirando os óculos e os deixando em cima da mesa de cabeceira.

Ele veste a camisa do pijama e encara o teto por uns segundos. Logo depois, levanta e vem até a janela, olhando na minha direção. Ele provavelmente não pode me ver (não cego do jeito que ele é), então suspira e fecha a persiana.

Sinto-me sonolenta também. Fecho a minha persiana e sento na cama, coçando os olhos. Deito a cabeça no travesseiro e um pensamento surge espontaneamente.

"Eu gosto de Hyuuga-kun".

Então fecho os olhos e durmo.

Notas finais
Devo dizer que essa história de 'cair a ficha' aconteceu comigo. Eu estava no ponto de ônibus com um garoto que gostava de mim, e quando eu entrei no maldito ônibus, sentei, olhei pela janela e simplesmente me ocorreu que eu gostava do melhor amigo daquele mesmo garoto. De foder, né? Deixando conflitos amorosos de lado, saibam que a tia Honey está muito feliz que estejam gostando da história. Estou terminando o 10° capítulo, e vi que já estamos chegando ao fim. Espero que tenham gostado deste capítulo, e saibam que se resolverem comentar, a tia Honey vai responder com muito carinho! Beijos :*