Slytherin Blood
36 Chapter Thirty Three - Ecrix
Notas iniciais
(POV Jasper, continuação)
—Isso tornou-se uma guerra por controle. A Ordem quer que os trouxas vivam entre os bruxos, sim. Quer que não haja distinção. Sim. Mas quer controlar tudo. Quer detonar com os que não tem os mesmos ideais. Quer reinar.Dumbledore quer vingar-se de Voldemort. Os Comensais hoje lutam pelas perdas que tiveram no passado, lutam para impedir que os favoraveis tomem o poder e acabem abrindo as portas aos trouxas. Eles não querem mais que haja mestiços, não por serem inferiores, mas por significarem laços com aqueles que um dia os feriram. Quanto menos, melhor.
—Jasper. Você é um soldado. Você sabe que essa luta não é nossa. Eu, eu realmente não me importo com quem vai mandar aqui. Só quero minha vida de volta. Já perdi tudo uma vez. Não vou perder de novo.
Olhei em seus olhos e sabia que a decisão estava tomada.
—Não foi certo o que Edward fez com a Isabella. Mas já foi, já era. Ela está bem, está feliz. Não quero ter que destruir a ela ou os amigos. Não quero matar humanos. Jasper! O que acha que vai acontecer?
—Devemos estar contra ou a favor do lado onde nossa família está.
—Não. Quando essa batalha começar, vamos precisar ter parado de tomar essa poção para que não fiquemos fracos. Acha mesmo que vamos matar humanos sem derramar sangue? Mesmo que o façamos, acha que os outros ao redor ficarão sem ferimentos? Você, eu, todos já vimos pessoas se cortando, se queimando em batalhas bruxas. Podemos ter um aliado sangrando ao nosso lado, ou um inimigo. E então atacaremos. Outro nos verá e se for inteligente o suficiente ateará fogo em nós. Assim, ou morremos numa luta que não tem nada a ver conosco, ou matamos humanos. A troco de que? Carlisle já pensou nisso?
—Rosalie. Está certa. O que fará?
—Eu não Jasper. Nós. Seremos a Suíça. Eu me nego a lutar contra ou a favor de nossa família. Não lutarei.
Suspirei. Rosalie era a mais sábia de nós ao que parecia.
—Eu jurei a Isabella que a ajudaria.
—Ajude com informações. Não lutamos Jaz!
—Rose.
—Eu o ajudo a ajudar. Faremos o que puder. Mas não lutaremos. Convenceremos nossa família.
Trocamos um olhar intenso.
—Seremos a Suíça. — Rosalie sorriu ao me ouvir e lançou seus braços ao meu redor
Point of view Observador Onisciente
Em grupos de dois ou três alunos, os Comensais de Isabella levavam seus “novos amigos” à Sala Precisa e esperavam ansiosos pela chegada dos outros.
Isabella chegou com Draco, Kate e Charlotte.
Os amigos abraçaram a “filha pródiga” e deram as boas vindas rindo.
Após terem certeza de que todos estavam ali, assentaram-se e começaram.
—Então, todos nós trabalhamos esse tempo e cada um tem alguém para apresentar — Alice disse tomando a frente quando Emma foi começar.
—É, lembra que falei os nomes enquanto comíamos Izzye?
—Sim. Mas já esqueci todos, desculpem. — Sorriu amarelo.
—Bem, essa é… Quer saber? Acho melhor cada um falar seu nome e sua casa e já falar aquele blá blá blá. Não vou ficar falando nome aqui — Alice disse interrompendo Emma que nem teve tempo de vocalizar.
—Ninguém pediu pra falar Alice
—Calada Emma, você sempre fala.
—Calada as duas. Achei ótima ideia Alice. Emma, ignore-a, por favor. Vamos começar isso? — Isabella pediu sorrindo e quando se sentaram, Emma fez bico e Alice mostrou a língua. Mas sorriam por dentro.
A garota sorridente, da aula de Estudo dos Trouxas se levantou.
—Sou Sarah Bowes, Sonserina. Procurei Emma, pois percebi que vocês tinham uma coisa diferente. Eu sei de coisas, meu pai me conta. O ministério é podre, e Dumbledore também. Além disso, não quero trouxas por aí. — Tinha a mania de mexer nos cachos quando falava, e ao terminar, sorriu — Muito prazer.
—Igualmente Sarah. Já conhece todo mundo?
—Sim.
—Que bom. A propósito, adorei seu cabelo — Isabella disse e tirou alguns risos de seus amigos. Era um comentário um tanto quanto avulso.
Sarah sorriu feliz.
—Obrigada!
A garota ao seu lado levantou-se.
—Sou Anna Jacobs, e essa é minha irmã Lya.
—E aí gente. Somos da Corvinal. — Lya completou com um sorriso torto.
—Ellie é bem persuasiva. — Anna disse e riu — Boatos correm, fatos estão aí. Se houver uma luta, estamos nela. Não estamos Lya?
—Estamos sim maninha. Agora deixa o Marshal falar. -Puxou a irmã para que se sentasse ao seu lado e piscou pra Marshal.
—Prazer em conhecê-las — Isabella acenou e as duas retribuíram o aceno.
—Sou Marshal Owen, Lufa Lufa. — Ele sorriu sedutor e fez uma rosa aparecer em sua palma. -Ao seu dispor. — Isabella riu enquanto Draco estreitava os olhos e Lya revirava os olhos ao mesmo tempo que Sarah o mandava deixar de ser exibido. Ele se sentou enquanto Marianna se levantava.
—Sou Marianna Cassidy. Minha mãe era uma bruxa espanhola e morreu no ataque. Grifinória. Prazer em conhecê-los. — Isabella assentiu compreensiva e Marianna continuou. — Essa é Madalene Chevallier. — Apontou para a garota que sorriu felina.
—Ótimo jogo aquele em que perdemos. — Todos riram. Seu sotaque francês lhe dava charme.
—Você era da Beauxbatons?
—Não. Mas morei em Cannes até os 9 anos, quando meus pais decidiram ir para Londres
.-Legal. Prazer.
—O prazer é meu.
—Nossa, pra que tanta formalidade. Credo. -O garoto capturou a atenção de Alice que sorriu traquina por um momento. — Sou August Patts. Corvinal
—Sou Jhon Houston — O garoto perto de Alice falou sorrindo torto. — Lufa Lufa.
—Gente, a Helga tá roubando a beleza dos Corvinos — Alice gargalhou enquanto os Corvinos reclamavam.
—E eu sou Joy Ellis. Sonserina. Estou no quinto ano.
—Bem, é um prazer conhecer todos vocês e espero que estejam cientes de que não estamos em uma brincadeira.
—Os boatos são verdadeiros? — Joy perguntou erguendo a sobrancelha
—Depende de qual boato estiver falando. — Isabella disse e arqueoou a sobrancelha
Joy sorriu.
—Você é Comensal. — Isabella manteve o rosto sério, os outros sustiveram a respiração. Ninguém tivera coragem de perguntar em voz alta a algum dos amigos dela, muito menos à própria.
—Depende de quem pergunta. — Sustentou o olhar da morena que decidida, a encarou de volta, séria.
—Todos entramos aqui por um motivo. -Joy insistiu. Isabella suspirou
—Sim, acredito que sim. Agora… — Olhou para cada um dos presentes refletindo em suas próximas palavras — Qual de vocês vai sair daqui, é outra coisa. Não é? — Um arrepio percorreu a coluna de alguns, outros engoliram em seco. Marshal riu. Isabella o olhou ferina e o sorriso sumiu. Seu olhar era intenso. — Quem eu sou?
Ergueu a sobrancelha esperando que alguém respondesse.
Lya sorriu ajeitando a faixa colorida no cabelo
—Uma Comensal. E mais que isso provavelmente. Importante na guerra que está por vir
—Com um papel principal nela. — Acrescentou Jhon.
—E esse papel é contrário ao papel do Potter. — Marianna falou com seu sotaque espanhol e Madalene sorriu.
—Que aliás, é um connard. — Exibiu seu francês acrescentando um singelo “babaca”.
—Não gosto de como o profeta diário está soando. — Joy torceu o nariz
—Sabemos que uma guerra vai acontecer — Anna antes que a irmã falasse.
—E queremos estar do lado certo. — August terminou e o silêncio se fez por alguns instantes
—Qualquer um que esteja mentindo, não terá um fim… bom. — Isabella disse usando legilimens na mente dos presentes. Lya arfou quando sentiu uma presença estranha em sua mente.
—Você não pode! — Exclamou Joy e a Milady sorriu.
—Eu posso, e fiz. Foi necessário. É melhor que todos pratiquem como fortalecer suas barreiras mentais. — Não demonstrara, mas a magia cobrara seu preço. Podia sentir o cansaço dando um soco no queixo.
—Bem, seria legal ter confiança. — Uma das garotas novas disse. Anna.
—Claro, vou ter confiança em pessoas que acabei de conhecer, e que podem muito bem ser enviadas da Ordem. Não. Primeiro me certifico de que dizem a verdade, e se sim, aí recebem o voto de confiança.
—E quem quebra o voto, já era. — Pansy disse com um sorriso macabro
—Viemos aqui sabendo o que queremos.
—Pois bem. — Isabella sorriu — E o que querem? — Se entreolharam e disseram em uníssono, como se houvessem ensaiado.
—Ser parte da guarda do Lord.
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Point of view Jasper
Esperei pacientemente até que ouvisse os passos de Isabella.
Ela chegou com companhia e esperei que seus amigos passassem antes de me interpor a frente dela e de Draco.
Se sobressaltaram e o garoto Malfoy se colocou em frente a ela.
—Relaxa Drake — Ela disse colocando a mão sob seu bíceps. Rosalie saiu das sombras e o garoto murmurou encarando-a. — Draco. Vamos entrar querido. — Levou o indicador aos lábios e apontou para a porta no fim do corredor. — Andou até lá e quando tocou sob a porta ela deslizou. Ainda me surpreendia com algumas coisas.
Tiraram os mantos e os penduraram ao mesmo tempo, ao lado da entrada. Isabella andou até a poltrona onde sua cobra estava e tirando a cobra do assento sentou-se. Dusk se enrolou nela imediatamente e sibilou levemente.
—Ele está… — Rosalie apontou para a serpente
—Dormindo. — Isabella sorriu. Draco soltou o corpo ao sentar-se na cama e desatou a gravata. — Certo, podem falar. — Com um aceno fechou a porta e nos indicou duas cadeiras que surgiram de Deus sabe onde.
—Como disse uma vez, peço desculpas pelo que houve. Mas não estamos aqui para isso. Estive conversando com Jasper. — Pausou e Bella, não, Izzye assentiu estimulando-a a continuar- Não gosto dessa história de Guerra. — Pausou novamente esperando uma reação, mas o rosto da Lady estava impassível. — Não faz sentido estarmos aqui e participarmos disso. Perderemos o controle quando a batalha começar e sangue jorrar. Ou fugiremos para não matar ou transformar inocentes e desfalcaremos nosso lado. Tentarei convencer Emmett e os outros. -Suspirou — Conversei com Tanya, ela enxergou esse lado. Disse que Eleazar refletiu sobre isso, e que pretende dar resposta negativa a Carlisle. Querem que ele não se envolva nisso. Espero que ele considere a opinião dos Denalli.
—E? — Draco olhava de sobrancelhas apertadas, Isabella manteve a expressão implacável enquanto inquiria.
—E então me decidi por a sua disposição para ajudar, uma vez que Jasper fez isso, mas não lutaremos.-Trincou os dentes. Estava um tanto frustrada por ser obrigada a deixar o orgulho de lado- Podemos ajudar de alguma forma?
—Rosalie. — Sorriu — Parabéns. — Rosalie a encarou desconfiada e ela riu levemente — É sério, não estou brincando. Agradeço a sinceridade, agradeço a disposição. Entendo esse detalhe da batalha, e realmente ainda não tinha entendido a mente de Dumbledore em convocar vampiros, a não ser é claro, que ele não se importe com quem morra e como, e sim, em eliminar o máximo de pessoas possível.
Assentimos.
Fazia sentido. Sinceramente, nem nós havíamos entendido.
—Carlisle guardou essa. Eu, Rosalie e Emmett não sabemos qual foi a conversa que tiveram para que decidisse vir para cá. — Falei e tirei o cabelo da testa.
—Isso é realmente, muito… paternal. — Draco comentou bufando.
—Então Rosalie, faça o que disse. Convença Emmett. Tente demover os outros. Jasper,Rosalie, preciso que distraiam as atenções do trio amanhã a noite. Preciso ir a Floresta, tenho certeza que Dumbledore nos mantém sob vigilância. — Ergueu a sobrancelha — Não amntém?
—Sim. Edward está sempre sondando a mente de vocês. Alice está sempre tentando ver o futuro; O trio está sempre pesquisando formas de derrotar Lord Voldemort, formas de chegar até você.- Falei e então Rose me interrompeu
—Dumbledore tem fortes suspeitas de que você é a criança de Tom Riddle. Ele sabe que de alguma forma, a criança levada até a sede da Ordem não era a criança da Profecia. Eles sabiam que a criançade Tom e a criança de James estavam na mesma profecia. Alguém traiu vocês, pois deu o que ele precisava para saber que a criança existia. Ele, ele tinha uma foto. A criança da foto tinha cabelos mais escuros e olhos mais claros que o cadáver que lhe mostraram.
Arregalei os olhos. Draco e Isabella estavam surpresos.
—Como sabe desses detalhes Rose?
—Pesquisei. Juntei trechos de conversas, chantageei Edward. Ele leu a mente do velho. Me incomodou profundamente saber que há crianças inocentes envolvidas nisso. — Apertou a ponte entre os olhos e suspirou. — Desculpem. Bem, é isso que sei.
—Obrigada novamente Rosalie e Jasper. Mantenham seus amigos ocupados amanhã a noite
—Não são nossos amigos — Afirmamos juntos. Ela sorriu
—Nem meus. — Rosalie abriu um sorriso de dar calafrios e ambas se olharam prazerosas. Aparentemente tinham achado algo em comum.
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Point of view Isabella
A luz inclinava-se de maneira que o quarto tornou-se esmeralda com o reflexo do lago.
Draco beijou-me lentamente enquanto minhas mãos passavam por seu peito. Deitou a cabeça em meu colo.
—Eu a amo Isabella Riddle.
Suspirei.
“Ama-me por amor do amor somente.
Não digas: “Amo-a pelo seu olhar.
O seu sorriso, o modo de falar
Honesto e brando. Amo-a porque se sente
Minh’alma em comunhão constantemente
Com a sua” Porque pode mudar
Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
Do tempo, ou para ti unicamente.
Nem me ames pelo pranto que a bondade
De tuas mãos enxuga, pois se em mim
Secar, por teu confôrto, esta vontade
De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
Me hás de querer por tôda a eternidade.
Elizabeth Barret Browning, Trad. de Manuel Bandeira
Draco ficou em silêncio por alguns instantes, surpreso pelo meu recitar.
Seus olhos se fixaram aos meus e então sorriu.
“Podeis com asa bater, tentando, sem efeito,
A taça derramar em que me dessedento:
Do que cinzas em vós há mais fogo em meu peito;
E, em mim, há mais amor que em vós esquecimento”
—Ainda recitarei completo, quando for o momento certo. Obrigado Isabella.
—Obrigada Draco Malfoy. Eu o amo.
Sorrimos entre os beijos e quando fomos ao Salão para o café, estavámos leves.
Felizes.
—Hey Izzye! — Joy cumprimentou ao passar por nós. Sentou-se alguns lugares distante com Sarah e Lucca.
Sarah acenou e Lucca lançou seu corriqueiro piscar. Revirei os olhos rindo.
—De ótimo humor hoje não é Izzye? Emma perguntou sorrindo sapeca.
—É. — Sorri pegando um bolinho.
Draco que estava em pé na ponta da mesa, conversando com Dylan e outro garoto, andava em nossa direção quando Susan franziu a testa.
—Não é a garota Bell? — Apontou por sobre a cabeça de um dos garotos do Quadribol.
Nossos olhos foram para o local onde apontou.
Cátia andava com uma das meninas do Quadribol da grifinória em direção ao banco. O Potter ergueu a cabeça na direção dela e Hermione disse algo para ele que a ignorou.
Draco ficou parado encarando a garota enquanto Harry andava até ela.
Um mau pressentimento me assolou.
—Ai, ai ai. — Pansy meneoou a cabeça murmurando baixinho.
Eles trocaram algumas palavras e então o garoto Potter olhou para Draco. Os dois se encararam por alguns instantes e então o doido começou a andar na direção do meu namorado.
O olhar de Draco cruzou com o meu e ele virou as costas saindo do Salão. O Potter foi atrás dele.
Nossos amigos não ficaram alheios a cena e do outro lado meu olhar cruzou com o das meninas na Lufa Lufa. Alice me encarava com um olhar que dizia “Não”.
Ellie meneoou a cabeça quando me ergui. Emma segurou meu braço.
—Fique.
—Não Emma. — Na mesa da grifinória, Hermione e Rony olhavam aflitos, e Gina se levantou.
Levantei novamente e ouvi o movimentar de alguns.
Os dois pareciam ter deixado um caminho de pessoas estupefatas.
Droga. Havia pelo menos uns cinco banheiros naquele andar, e umas 10 salas. Ficamos em silêncio.
—O que você pensa que faz aqui? — Ginevra inquiriu rude e bufei
—O mesmo que você.
—Sei que o Malfoy e você estão aprontando alguma. — Rony chegou e puxou o braço da irmã.
—Cala boca Gina, você não vai atrás do Harry. Mione! — Hermione chegou com o rosto rosa.
—Gina. Acalme-se. Ignore-a.
Ouvimos um estrondo vindo do lado oeste. Corremos até lá. Fiz uma barreira enquanto ouvia mais atentamente de onde o som veio. Um grito me fez correr em direção ao banheiro da direita e alguém quebrou meu escudo.
—Isabella! — Ouvi a voz de Snape e ergui o escudo de novo enquanto entrava no banheiro.
Draco voou e caiu no chão, o peito aberto com cortes.
Olhei para o Potter. Ele sabia sobre Sectumsempra. Como? O feitiço era do Severo!
Murmurei olhando para ele.
Seu corpo foi lançado para a parede e me ajoelhei ao lado de Draco.
—Draco! — Tossiu sangue e ouvi o grito de Severo de novo.
—Isabella! Saia daqui agora! — Ele olhou para Potter na parede. Ele estava se levantando. Olhou para Draco e para mim. — Saia.
Retribuí o olhar teimosa.
—Agora Srta. Priden!
—Eu a tiro daqui professor. — Ouvi a voz de Alice e olhei surpresa. — Venha logo. Vem. — Me puxou e livrei-me de seu aperto. — Nem pensar Isabella. Ou vem por bem, ou faço você pagar vexame aqui mesmo. -Estreitei os olhos para ela — Sabe que farei.
—Você vai se ferrar Harry Potter. Vai se dar muito mal. Vai morrer lentamente. Grave isso. — Falei antes de fazer sua cabeça bater na parede.
—HEY, HEY, HEY, O que você pensa que está fazendo? Chega Izzye!
Severo estava murmurando feitiços sob o peito de Draco e suspirei quando vi o sangue voltando ao seu corpo. A raiva ainda vinha em ondas, mas andei ao lado de Allie.
Do lado de fora alguns de nossos amigos, alguns amigos do Potter e curiosos estavam. Emma pulou a nossa frente.
—AH MEU DEUS, O QUE ELES FIZERAM LÁ DENTRO?
—SAI DA FRENTE EMMA, SAI. — Alice exclamou me arrastando. — Já tá difícil levar essa aqui pra baixo.
—Mas…
—Ela vai fazer vexame Emma. Certifique-se que o Draco fique bem.
Deixei que Alice me guiasse até seu quarto. A lufa lufa era perto das cozinhas e o cheiro de comida era delicioso, mas meu foco estava na briga lá em cima.
—Abaffiato— Murmurou entrando e fechando a porta.
Uma jarra quebrou.
—AAAH, NÃO. NEM PENSE EM QUEBRAR MINHAS COISAS. — Suspirou e olhando para a jarra murmurou um reparo. — O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? EIN? QUER DESTRUIR TODO O SEU TRABALHO? QUER DESTRUIR TODO O TRABALHO DO SEU PAI? VAI JOGAR FORA TODO O ESFORÇO FEITO ATÉ AGORA PORQUE SEU NAMORADINHO FICOU MACHUCADO? —Ela gritava no jeito Alice de ser e não me deixava falar.— Vê se cresce e começa a esfriar essa cabeça — Olha quem fala, pensei, mas preferi segurar— porque eu já estou cheia desses seus ataques histéricos toda vez que alguma coisa acontece com o Malfoy. Você acha que toda vez que perder o controle vai ter alguém pra te acalmar? — Tomou ar — POIS NÃO VAI. Então, trate de sair do seu mundinho arco-íris, senta aí e espera porque eu vou trazer um chá. Ah, só mais uma coisa. Se. você. quebrar. mais. alguma. coisa. desse quarto… Pode dar ADEUS ao seu planinho.
Virou as costas e saiu batendo a porta.
Encostei a cabeça na mesa fria de mármore ao meu lado e suspirei.
Ninguém falou assim comigo desde que chegara ali.
Ergui a cabeça e observei o quarto. Era bonito.
A cama de Bea era ao lado, depois a de Kate e Charlie.
Eu precisava delas.
—AAAAH, você está aí, quietinha. Nada quebrado? Muito bem. Toma seu chá. Peguei nas cozinhas.
—Alice. Você não deveria ter falado do jeito que falou.
—Foda-se Isabella. Você é foda e tals, mas peloamordeDeus, pelas barbas de Merlin! Alguém precisava dar um choque de realidade em você. Lembrá-la de que nem tudo é do jeito que você quer, como você quer, quando você quer. Você precisa de nós.
—Quem disse?
—Se não precisasse não tinha travado amizade. Tenha dó. Não vou pedir desculpas por gritar ou dizer as coisas que disse, porque eu estou certa. Você tem que parar de focar no Malfoy. Foca no plano. Foca no que precisa fazer esta noite e depois dela. O amor é lindo e blá blá blá, mas FOCA.
Suspirei. Odiava admitir. Alice estava certa.
Se tivesse demorado mais, provavelmente tivesse ameaçado Potter soltando algo mais importante, ou pior, tivesse cumprido a ameaça. Aí seria portas fechadas para mim em Hogwarts e portas abertas para Azkaban.
Caramba.
—Você está certa. Não espere que eu vá admitir num megafone.
—Um obrigada serve. — Sorriu desafiadora sabendo o quão difícil seria dizer aquela palavra.
—Obrigada. — Arqueei a sobrancelha e ela gargalhou
—Ah cara, eu gravei isso!
—O QUÊ?
—Ai sua esquentada, é brincadeira. Toma o chá aí. — Riu mais se jogando na cama.
—Não vou mais te agradecer.
—Aaah, vai. Relaxa. Pronto, parei de rir. É que sua cara foi o máximo, sabe, deveria ter tirado uma fotografia e… — Tagarelou enquanto eu tomava o chá, e aos poucos senti a raiva restante se esvair. Meus pensamentos clarearam e de repente, estava sorrindo.
É, talvez eu tivesse precisado daquilo.
—-------------
O resto do dia passou sem incidentes, Draco estava bem, graças a Severo, e o Potter já havia sido repreendido e eu não me importava com o que Snape tinha lhe dito, desde que tivesse sido punido.
Ao cair da tarde eu estava ansiosa. Conseguiria o último ingrediente necessário para a poção.
Allie piscou enrolando spaghetti no garfo quando passei por ela e as garotas.
Sentei ao lado de uma das garotas da noite anterior, Joy Ellis.
—O que você faz melhor Joy? Tipo, com que tem mais afinidade?
—Os animais. Quero um grifo. Aquele do Potter por exemplo, é lindo! Consigo falar com eles, chamá-los. É maravilhoso.
—Ótimo. — Sorri enquanto escolhia uma salada super colorida com alguns legumes e frutas que nem sabia o nome.
Draco comia calado próximo a mim, bravo por não querer levá-lo comigo.
—Drake, eu já disse. Você vai ficar quietinho aqui. Vai descansar.
—Eu estou bem Izzy.
—Drake. — Suspirei enquanto pegava mais uma garfada. Preferi mastigar.
Ouvi as conversas ao meu redor enquanto comia e pensava nos próximos passos a serem dados.
Terminei de comer, peguei um punhado de red grapes.
—Me encontre dentro de 50 minutos em nosso salão comunal.
—O quê?
—Por favor. A espero lá.Não conte a ninguém.
Olhou em dúvida , mas suspirou escolhendo ver no que dava.
—Ok.
Arqueei a sobrancelha para Jasper quando nosso olhar se cruzou. Ergui um dedo e ele assentiu.
—Já acabei. — Draco se levantou, Emma e Dylan também.
—Nós também.
Andamos juntos para fora do salão depois de nos despedir de nossos amigos.
—Izzye, eu estou bem.
—Draco, Severo pode ter cuidado de você, mas não está 100%. Quanto menos gente, melhor. Obrigada pela preocupação, mas vai dar tudo certo. Lembre que só você sabe o motivo real disso. — Emma e Dylan estavam ocupados discutindo sobre peças de xadrez. Dei-lhe um selinho e Draco suspirou.
—Cuidado.
—Sempre tenho Malfoy.
Pisquei e despedi-me do casal xadrez.
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Joy estava com uma calça preta e blusa verde escura quando chegou. Tinha sua capa nos ombros e agitava a varinha entre os dedos. Parei de batucar a minha na coxa e sorri.
—Pode me acompanhar? — Ela assentiu e saí do salão.
Do lado de fora da entrada ela cruzou os braços.
—Pode me dizer onde vamos?
—Não aqui. — Ela suspirou me seguindo por mais algum tempo. Paramos em um corredor com um único quadro, e estava vazio. — Ótimo.
Ela parou de agitar a varinha guardando-a no bolso da frente da calça.
—Você disse que é boa com animais.
—Sim.
—Preciso que me ajude, hoje.
—Com o quê?
—Um unicórnio. — Sussurrei e ela arregalou os olhos.
—Certo. Mas me conte direito por favor. Ele está ferido?
—Não, calma. Vamos.
Alice estava na escadaria que combinamos.
—Ah, vocês. O que ela faz aqui?
—Vai ajudar Allie.
—Me expliquem o que está havendo!
—Você disse que ia ajudar esse lado, então só faz o que ela tá falando.
—Joy, preciso que convença um Unicórnio a dar dois fios de sua crina.
—O QUÊ? Quer entrar na floresta, encontrar um unicórnio, arrancar o cabelo dele e ficar de boa?
—É.
—Eles são delicados!
—Você consegue convencê-lo a dar?
—Se eu não fizer?
—Ele vai ter que dar do jeito difícil. — Olhei-a — E, você prova que mentiu.
—Eu consigo. Vocês não vão nocautear um pobre unicórnio.
Corremos pelas sombras em direção a floresta. Ao adentrarmos acendemos nossas varinhas.
—Como vamos encontrar um?
—Eles ficam na região Leste. — Falei e Alice olhou para os dois lados.
—Ficam em bando?
—Não sempre. Alguns machos saem a procura de novos lugares e fêmeas solitárias. Elas geralmente saem por um tempo do grupo quando tem bebês.
—E cadê a trilha desse nobre equino?
—Eles deixam uma trilha suave. — Joy fez um muxoxo
—Vou tentar achar um. Esperem um pouco.
Murmurou uma espécie de canção e alguns pontos luminosos apareceram no chão, marcando uma trilha.
—Tem um próximo. — Fechou os olhos concentrada e inspirou depois de murmurar mais palavras. As árvores próximas pareciam se inclinar levemente na direção de sua voz, uma coruja piou, e de longe outra respondeu.- Fêmea. — Abriu os olhos — Vamos.
—Como você…?
—São encantamentos passados entre os animálogos. Minha mãe era e me ensinava sobre os Animais fantásticos e onde habitam. Quando cheguei a Hogwarts procurei cada vez mais aprender sobre eles. Aprendi a localizar, a sentir, a comunicar. — Fez silêncio mais uma vez quando os pontos luminosos acabaram. Abaixou pegando um graveto quebrado. — Ela foi por ali. — Apontou na direção e começou a andar. Segui-mo-na.
—Esse seu talento veio bem a calhar. — Falei
—Ficaríamos procurando aqui uma eternidade. — Alice bufou quando uma gavinha grudou em suas vestes. — Saco.
Chegamos a uma espécie de clareira e deitada nela, cerca de 20 m longe estava uma unicornio exuberante em seu repouso. Ela tinha uma pata brilhando em prata.
—Oh. — Os olhos de Joy marejaram.
Meus olhos estavam arregalados, assim como os de Alice. Ela era mais linda do que poderíamos descrever.
Movimentou as orelhas em nossa direção quando pisei em uma folha seca que estalou. Paramos.
Joy começou a murmurar uma canção suave e deu um passo a frente. A unicórnio abriu os olhos olhando desconfiada.
—Olá. Qual seu nome?
Franzi a testa. O animal ia responder?
A equina tentou se mover.
—Não se preocupe. Não queremos fazer mal. Qual seu nome?
Um relincho baixo e suave foi ouvido.
—Bonito nome. — Joy disse sorrindo. Conforme falava, aproximava-se mais da fêmea. Permanecemos na entrada da clareira, atentas. — Sou Joy Ellis. Sim, minha mãe já esteve com vocês. É. Fique calma.
Começou a murmurar novamente ao se aproximar mais.
—Vejo que se feriu. O que houve? — Franziu a testa por qualquer coisa que a unicórnio tenha dito. — Podemos ajudar. Sim. Posso me aproximar mais?
Esperou alguns segundos. Enfim sorriu dando mais alguns passos.
—Minhas amigas podem se aproximar? Temo não ser muito boa com magias curativas. — Assentiu e virou-se apontando para nós — Venham, devagar. Sem barulho por favor. — Andamos lentamente, Alice se manteve mais atrás, varinha em punho. Olhava ao redor.
Joy chegou até a unicórnio quando eu estava a dez passos dela. Ajoelhou-se ainda conversando e pediu para ver a pata.
—Isabella, pode dar uma olhada? — Cheguei mais perto. Senti-me no dever de falar com a…
—Oi. Sou Isabella. Qual seu nome?
—Ecrix. — Joy respondeu com a mão estendida — Posso? — Esperou e então acariciou o pescoço de Ecrix. — Ela procurou esse lugar para que não tentem ferí-la enquanto tentava se recuperar. Um animal que nunca tinha visto tentou atacá-la, mas um ser como homem pegou o animal, entretanto deixou-a ferida. Está aqui desde ontem. Você pode curá-la?
Olhei para o ferimento. Parecia uma mordida de felino. Droga. Trouxeram animais para os Cullen drenarem? Eles não podiam ficar aqui, feririam os animais nativos.
Analisei a ferida e murmurei uma série de encantamentos de cura. Esperava que conseguisse o efeito esperado. Em bruxos funcionava.
A ferida pareceu suavizar. O sangue prateado não estava mais manchando a grama e a ferida começou a se fechar. Sorri e continuei com o encantamento. Ergui a varinha tentando um feitiço analgésico e pareceu funcionar quando Ecrix conseguiu mover a pata com sucesso.
Havia ainda alguma dificuldade, mas estava melhor.
—Ecrix está agradecendo. — Sorriu — Pode acariciá-la, se quiser. — Passei a mão por seu pescoço alvo e forte e acariciei sua crina brilhante. Seu chifre parecia brilhar nas cores do arcoíris, e ao mesmo tempo emitir aquela luz prateada atordoante. — Não olhe tanto. — Tirei os olhos do chifre.
—Peça a ela.
—Ecrix, nós gostaríamos de pedir algo. Podemos?
Ela relinchou parecendo feliz e sorri.
—Podemos levar dois fios de sua bela crina? — Pedi e a unicórnio me analisou. Seus olhos perscrutaram-me e ela bateu o focinho em meu peito.
—Você tem boas intenções. Ela sente amor e esperança. E sua necessidade. Vai conceder. — Joy sorriu e deu espaço.
Tirei dois fios e senti a energia que fluía dela.
—Muito obrigada Ecrix. Obrigada.
Ela balançou a cabeça levantando-se. Ficou em pé com sucesso e relinchou.
—Ela agradeceu por termos salvado a vida dela. Disse que unicórnios nunca esquecem. — Joy beijou o rosto da nova amiga.
Ecrix caminhou até Alice e baixou a cabeça para que ela a acariciasse. Allie arregalou muito os olhos e sorriu tocando o chifre levemente. Quase desmontou de emoção e Ecrix soltou um som como um riso ao sair da clareira.
—UAU. — Exclamei soltando o ar que não sabia ter prendido. Transfigurei um galho em um estojo seguro onde guardei os dois fios e o coloquei dentro das vestes.
—Isso foi incrível. — Alice comentou olhando para a própria mão.
—Sim. — Joy parecia atônita, um sorriso fixo no rosto
—Muito obrigada Joy. — Agradeci e andamos juntas até a escola.
Os sentinelas, pirraça, Filtch ou Madame Norra não foram problema e conseguimos chegar a nossos quartos sem transtornos.
Deitei após guardar os fios.
Agora tinha todos os ingredientes físicos.
Só faltava a canção do que renegou.
—Você vai ter seu corpo de volta papai. -Sussurrei enquanto a inconciência ganhava espaço.
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