Slytherin Blood
37 Chapter Thirty Four - Canção do que Renegou
Notas iniciais
Saímos da aula de Herbologia e fomos almoçar. Meu estômago roncava audivelmente e meus amigos riam de minha pressa em chegar.
Meus pensamentos estavam em polvorosa. Os boatos de que Harry seria o Eleito estavam cada dia mais fortes e as tentativas de Draco que culminaram nos acidentes deixavam todos alertas, desconfiados. Charlie lembrou-se de contar-nos que Harry fazia visitas a Dumbledore e usava a penseira, mas ele nunca lhe disse o que via nela.
Durante nossos treinamentos secretos, Draco ajudava alguns amigos com feitiços não verbais, oclumência e era um duelista a altura. Isso me orgulhava, mas não podia demonstrar. Todos precisamos sempre melhorar.
A porcaria do armário ainda dava problemas, mas ele conseguiria resolver. Já tinha descoberto o problema, Pirraça esmagou o gabinete no segundo ano e provavelmente isso tenha danificado a conexão entre eles.
Enchi o prato tão logo assentamos e meus pensamentos foram interrompidos por Dumbledore.
—Alunos. Gostaria de lembrá-los que na quinta feira, depois do almoço, todos os que quiserem poderão visitar suas famílias, pois na sexta feira nossas aulas serão interrompidas em detrimento do dia da visita.
O barulho se instalou no refeitório e ele esperou alguns instantes.
—Devem estar aqui o mais tardar no último trem da noite. Haverá um professor para que garanta que sua entrada seja ordenada. Lembrem-se que na segunda feira terão aulas normais.
—Estou louca pra ir pra casa,vou ser a primeira a estar naquela porta! -Susan afirmou e Emma a olhou desafiadora
—Devo encarar como um desafio?
—Só se quiser — Susan riu enquanto tomava um gole de suco de abóbora.
Ri espetando um canelone de espinafre coberto por molho de ervas.
—Isso está delicioso! — Exclamei pegando mais, e descobrindo que eram de recheios diferentes. Sorri ao ver um de brócolis, lembrando de Reneé. Ela adorava isso.
—Concordo, estes canelones estão deliciosos. -Goyle falou e Pansy bateu nele
—Você acha qualquer coisa deliciosa. Comeria pedra.
—Mas tá bom mesmo-Dylan riu e o assunto desviou para feitiços quando antes de uma garota conseguir impedir que sua distração sujasse o garoto a sua frente com um feitiço muito bem feito.
Emma e uma das meninas novas começaram a discutir sobre os feitiços que precisavam melhorar e quando treinariam novamente com os outros- ficou subentendido para os integrantes de nosso grupo que ouviam de que estavam falando das reuniões que estavam fazendo na calada da noite.
Distraí-me planejando minha ida a Forks
Decidi que chegaria durante o dia, de forma que Charlie não estivesse em casa.
Ao término das aulas Draco rumou em direção à Sala Precisa acompanhado de Lucca; Kate estava com tudo pronto e combinamos de nos encontrar no Beco pela manhã.
Juntei todas as anotações que tinha e as conferi.
(Reconquistar a aparência — Quebra de maldição)
Para encontrar a aparência perdida, e para a maldição quebrar, é necessário voltar ao início.
Encontre um sangue puro, sangue do seu sangue.
Duas presas do sombrio voador.
Dois fios da crina do nobre e puro equino.
Uma medida do sangue do amaldiçoado.
Uma pitada de cinza de fênix
A canção do que renegou.
As palavras devem ser ditas, com fé, com intenção, com poder.
Se o encantador não tiver poder suficiente, definhará.
“Seu pai salvou sua mãe.”
“Ofereci-me para guardar o amuleto. A criança estava crescendo, a profecia fora feita e a Ordem estava se movendo. Era necessário protegê-la.
Deveria ficar do lado certo, e o lado certo era onde estava meu coração. Todos os meus instintos apontavam para aquela criança. Sua vida deveria ser mantida a salvo e em segredo.
Seus pais desconheciam o fato de que eu sabia sobre a criança e na verdade, se não fosse pelo sonho não saberia de sua existência.
Hoje o amuleto me foi confiado e devo protegê-lo com minha própria vida.”
“Seus olhos brilhavam verdes e intensos. Uma luz a envolvia intensamente e soube no instante em que se virou que era a criança da profecia.
Só não sabia como encontrá-la.
Então quando virou-se novamente lançando uma rajada de luz azul em seu oponente, percebi a cobra em suas costas. A maneira de se mover lembrou-me de Halley.
Agora sabia onde encontrá-la.”
“A única forma de fuga. B teve o mesmo sonho. Só pode ser uma visão. Precisamos estar atentas. Algo vai acontecer.
Devo ser procurada no mundo trouxa.”
“Procure entre os trouxas, lá encontrará a Guardiã do Amuleto. Está ligada ao que Renegou. Tudo está ligado. Os fios ligam-se como numa teia. Precisa recuperar o equilíbrio perdido a muitos e muitos anos. Há duas. Duas mulheres. Só uma Guardava. A outra sofreu pela Guardiã.”
Ela disse que havia duas mulheres e que uma sofreu pela Guardiã. A Guardiã é a mãe de Kate. Sua mãe chamava-se Bettina,Betty. Sua tia, Brienne sofreu por ela.
A parte da canção ainda me intrigava. Como teria uma canção de Charlie? Ele cantaria? Eu cantaria? E Bettina? Brienne teria morrido e Bettina estaria de alguma forma, ligada a Charlie. De que forma?
Só teria resposta a essas perguntas no dia seguinte e arrumei tudo o que precisava antes de meditar.
Quando Draco chegou e se arrastou para a cama — eu havia permitido que ele entrasse com um feitiço — apenas me remexi acomodando-me em seus braços e antes que dormisse novamente, senti seus lábios em meu cabelo “Boa noite”.
Não fui capaz de responder.
Acordei mais cedo que o costume e deixei que Draco dormisse enquanto separava tudo o que precisava, checando novamente se tudo estava onde havia deixado. Paranóica? Talvez.
Acordei Draco para que tomássemos café.
Após as aulas, almoçamos, pegamos nossas coisas e encontramos com todos os nossos amigos nas portas, e como dito, Emma e Susan estavam lá, antes de todos.
—Chegamos juntas — Emma disse desapontada e rimos.
—Bem, ao menos não perdeu — Ellie tentou consolar a irmã que apenas a olhou de soslaio.
—Vamos, vamos, estou ansiosa! — Luize exclamou batendo palminhas ao chegar pulando.
—Percebe-se — Rimos novamente
Filch conferiu os alunos e nos despedimos de todos.
Encontrei Kate no Beco. Usávamos roupas trouxas e levamos as coisas necessárias eu, num bolso sem fundo do sobretudo; Ela, numa bolsinha creme.
Decidimos ir de vassoura e com certeza seria incrível atravessar o oceano em uma.
—Tem certeza de que é seguro?
—Não — Respondi sorrindo.
—Isabella, não me responsabilizo.
—Relaxa, não acho que balaços vão nos derrubar — Ri enquanto decolamos.
—Hey Izzye! — Katie gritou um pouco acima de mim
—Que foi?
—Encontrei uma corrente! Sobe! — Subi e senti a temperatura do vento mudar. Imediatamente conseguimos mais velocidade, menor resistência.
—Mandou bem Katie! — Ela sorriu mais tranquila. Mas ainda evitava encarar o mar.
—Olha! Que ave legal! — Observamos a ave mergulhar e subir novamente com sua presa.
—Incrível mesmo! Mas precisamos ir, o tempo urge.
Aceleramos, embalando na corrente e logo avistamos a costa.
—Devemos parar no Macusa?
—Não Kate, precisamos passar despercebidas! — Contornamos diminuindo a altitude.- Vamos nos ocultar e encontrar um lugar pra pousar e descansar um pouco.
—Ah Izzye, neve! Precisamos descer, Quebec não, não trouxe agasalho suficiente
Gargalhei jogando a cabeça para trás. Nos ocultamos enquanto diminuímos ainda mais a altitude, começando a voar acima de telhados das primeiras casas do continente. A corrente de ar vinda do Canadá estava mais gelada e Kate trouxe a baila novamente não querer passar por Quebec.
—Está bem Kate. Vamos descer um pouco, mas nos manter próximas da fronteira.
Depois de passar pelo trecho correspondente ao Quebec voltamos para terreno canadense, parando em um restaurante na beira da estrada. Comemos e descansamos um pouco.
—Ok, daqui acho melhor aparatarmos, dessa forma chegamos mais rápido e há menos chance de nos perceberem.
—Mas acha que teria alguma coisa? Tipo, Macusa nos detectar?
—Não sei. Eles devem ter mais preocupações do que duas jovens britânicas, mas, melhor prevenir.
—Certo. Vamos.
Saímos do restaurante e indo até os fundos, próximas a margem do bosque demos as mãos. Visualizei a casa de Charlie, focando na sensação de estar lá, determinada a estar lá e aparatamos.
—É aqui? — Kate perguntou olhando a casa.
—Sim. — Minha voz saiu um pouco embargada e senti os olhos arderem. Reprimi.
—Tudo bem?
—Sim. Só não sabia que essa casa me fazia falta. — Suspirei. — Vamos.
Andamos até a porta. Ouvi o som da televisão.
—Charlie está aqui. — Sorri ao levar a mão a porta.
Campainha.
Passos pesados.
Maçaneta gira.
Respiração presa.
A porta se abre.
Charlie me encarou com olhar interrogativo.
Sorri.
—Oi — Ele arregalou os olhos e eles marejaram
—Não pode ser.
—Sou eu.
—Por Merlin! Bella! — Me abraçou apertado, senti uma lágrima morna. Nos separou secando os olhos. Charlie demonstrando emotividade era novidade. — Não se pode negar a semelhança com Halley e Tom! — Sorri — Mas o sorriso ainda é meu
Ri o abraçando novamente.
—Achei que não me reconheceria
—Impossível, pode não ser biologicamente, mas sou seu pai.
—Claro que é. Agora tenho dois. — Arrumei o cabelo. Ele sorriu.
—Venha, entre. Achei que nunca mais a veria! — Ao dar espaço para que entrasse foi que reparou em Kate. Seu sorriso congelou e sua testa franziu. — Quem é essa Bella?
—Ah, essa é minha amiga Kate. Kate Mason.
—Mason?
—Sim. Conhece? — Kate disse sorrindo
—Hum, de nome. Mas muito tempo atrás. Você é muito parecida com alguém que conheço.
—Dizem que temos pessoas parecidas conosco por aí, não é? — Falei entrando e olhando ao redor
—Sim, dizem mesmo. É. — Ele parou de encarar Kate e fechou a porta atrás de nós.
—Hum, entrem, é… -Ele parecia meio perdido
—Tudo bem Charlie, não se preocupe em nos servir alguma coisa.
—Tá, eu estava vendo o jogo, mas — Desligou a televisão — Bem
Ele estava sem jeito com as palavras.
—Tudo bem. Vamos sentar — Sentamos na sala e nos encaramos por alguns segundos. -Como está?
—Estou bem Bella. Como voce está?
—Estou bem. Muito bem. Ser bruxa é tão legal! — Rimos -Obrigada por tudo Charlie.- Ele corou
—Fiz meu papel querida. Fico feliz que esteja bem.
—Hogwarts é incrível e faço parte do time de quadribol!
—Quem diria Bella! Logo voce, que tinha dois pés esquerdos. — Rimos -É da Sonserina não é?
—Sim.
—Sempre soube que seria.
—Mesmo?
—Sim. Bem, acho que não foi só saudade que a trouxe aqui,no meio do período letivo, foi?
—Não, não só isso. Sei que se afastou do nosso mundo, mas soube de tudo o que houve?
—Eu não sabia de tudo. Cortei os laços quando… — Engoliu em seco — Quando conheci Renee já tinha cortado o contato. Soube que Halley casou-se, soube de boatos sobre a união dos mundo bruxo e o mundo trouxa, soube do seu nascimento e soube de Voldemort. Halley nunca admitiu que eu cortasse os laços familiares e me enviava cartas sobre como estava, mesmo que eu não respondesse. E umas 3 vezes veio até mim. A última foi antes que você nascesse. Ela estava no fim da gestação e disse que eu teria uma filha também, ela tinha visto. Me contou sobre a Profecia e sobre como se sentia. Sorriu ao ir embora e deixou uma manta para minha Isabella. Disse que a Isabella dela teria uma igual. Reneé nem sabia da gravidez ainda. Ri ao nos despedirmos. Foi a última vez. — Ele suspirou- Ela me enviou uma ou duas cartas depois que você nasceu e — fungou — Narcissa me contou o que houve quando trouxe você.
Flashback Charlie
Levantei-me, como sempre, para olhar a pequena Bella. Reneé dormia profundamente quando fechei a porta de nosso quarto. Entrei no quarto e notei a janela aberta demais.
—Reneé, Bella pode ficar resfriada se deixar a janela tão aberta — Resmunguei abaixando um pouco e puxando a cortina cor de rosa.
Ouvi o estalar e me neguei a me virar.
Alguém tinha aparatado.
—Halley — Murmurei enquanto virava e para minha surpresa era Narcissa. Com um bebê .
—Charlie. — Ela estava ferida, o cabelo desgrenhado e a roupa desalinhada. Estava agitada, mas tentava acalmar o bebê.
—O que?
—É Isabella. — Estendeu o embrulho — Prometa que vai cuidar dela com sua vida. Halley colocou um feitiço de proteção nela.
—O que? Como assim? O que está havendo Narcissa?
—Os trouxas, a Ordem e bruxos aliados. Eles invadiram a Mansão, eles invadiram outras casas. Ela é a criança da profecia e eles pareciam saber disso. Tentaram matá-la, mas Halley a protegeu e entregou a mim. Disse para trazê-la até você.
—Porque ela não trouxe? Onde ela está? Como assim, estão invadindo?
—Eles querem a criança! Eles querem acabar com os bruxos contrários a união dos mundos. Charlie, Halley estava terminando o feitiço e fez um escudo para proteger a bebê, ela ia fugir com ela, mas — Seus olhos marejaram — O avada.
Minhas mãos tremiam, meus olhos se encheram de lágrimas.
—Ela está morta — Murmurei
—Ela me fez prometer aparatar e ela era mais forte para proteger a bebê e eu não pude proteger a ela, eu precisei aparatar mas eu — Interrompi-a.
—Você cumpriu sua promessa. Você não a salvou, mas salvou a filha dela. Ela seria grata. Não sei como vou explicar outra criança pra Reneé, mas cuidarei dela.
—Ela é mais velha que sua Isabella, mas Halley ocultou a magia dela, ocultou a essencia. Assim ela não será encontrada. Tom pode voltar para buscá-la, mas não sei…
—Tudo bem Narcissa. Entendi. — Andei até o berço para colocar minha sobrinha e então notei.
Seus lábios estavam roxos. A pela pálida. Congelei por alguns segundos.
—Não.
—O que foi Charlie? — Narcissa se aproximou e olhou a bebê. Testou a respiração e o pulso. Seus olhos marejaram mais uma vez. — Sinto muito Charlie.
Meneei a cabeça, as lágrimas rolando. Peguei minha filha nos braços e a beijei. Sua pele fria.
Reneé… Uma ideia passou por minha mente.
—Ninguém nunca saberá que Isabella Swan morreu. Mas Isabella Riddle morreu. — Entreguei minha filha a Narcissa. — Leve-a. Não sei porque morreu, ela teve febre hoje, mas não parecia nada sério. Substitua as crianças e as chances de procurarem-na é praticamente nula. Vá.
—Obrigada Charlie. — Com minha filha nos braços Narcissa aparatou.
Coloquei Isabella no berço.
Caindo de joelhos, chorei
Chorei por minha filha
Chorei por minha irmã
Chorei por minha sobrinha
Chorei por todos os que estavam sofrendo.
Ninguém vai sofrer. Tenho uma filha pra criar. Faria um bom trabalho. Por mim. Por Reneé. Por Halley.
Por Isabella.
O silêncio se fez por alguns instantes enquanto Charlie se recompunha.
Abracei aquele homem que foi meu pai por tantos anos e que por tanto tempo reteve a dor.
—Quando isso aconteceu, por alguns meses, aproximei-me do mundo bruxo. Precisava saber o que estava havendo. Vasculhei os jornais no-maj norte americanos, os jornais trouxas do reino unido e os jornais bruxos. Eu conhecia gente no Macusa e eles estavam acompanhando o desenrolar no Ministério da Magia. Depois da derrota de Voldemort afastei-me novamente até o dia em que Isabella Swan morreu pela segunda vez. Não se preocupe. Aproveitei para dar o velório que ela merecia.
—Oh Charlie! Obrigada. E me desculpe.
—Não se preocupe Bella.
—Indo ao assunto, é sobre isso que viemos falar. Quando ele atacou o Potter, ficou com a essência dispersa e blá, blá, blá; Conseguiu recuperar sua forma, mas usou um feitiço onde usou Nagini para ajudá-lo e agora ele tem aparencia ofídica.
Charlie franziu a testa.
—Ok, e como posso ajudar? Céus, seria tão zuado se fossemos alguns anos mais novos! — Ignorei o comentário revirando os olhos
— O feitiço de recuperação diz que preciso voltar ao início e que preciso da canção do que renegou. O início suponho que seja aqui, e a canção, seja sua.
Ele ficou em silêncio.
—O início não é você sendo deixada aqui. É a casa onde estavam quando foram atacados. A primeira parte dele a morrer foi lá. Deve ir pra lá para que quebre a maldição.
—Certo. Tem razão. Mas e a Canção?
—Bem, eu reneguei. Então essa parte está certa. Mas a Canção… — Ficou imerso em pensamentos — Eu não cantei mais. Não depois que reneguei.
—Voce cantava?
Ele sorriu.
—Sim. Eu e sua mãe fazíamos excelentes duetos.
—Primeiro, como faríamos da Canção um ingrediente? Você não iria pra lá cantar, iria? — Ri
—Há um feitiço que aprisiona a voz. Dá pra capturar a voz e armazená-la, como um gravador. Sabe quando se puxa uma memória para a penseira?
—Sim.
—Você captura da mesma forma. Mas com cuidado. Se capturar notas demais, captura toda a voz e a pessoa fica muda. Assim como se agitar a varinha da maneira errada — Ergueu a sobrancelha — A versão da Úrsula foi mais radical, mas são magias parecidas.
—Úrsula? A bruxa da Ariel?
—Sim — Charlie riu — Enfim, não sei qual Canção seria essa. Sinto muito
Saquei a varina e a batuquei na perna, pensando.
—Posso? — Charlie estendeu a mão e a entreguei. Deixei que examinasse-a. — É maravilhosa.
—Obrigada.
—Você realmente não cantou mais nada? — Um flash passou por minha mente
—Papai! Cante para mim, por favor!
—Papai não sabe cantar Bella
—Sabe sim! Cante papai!
—Charlie, cante para ela. Os vasos não vão quebrar com sua voz, ao contrário da minha — Reneé riu recolhendo um brinquedo
—Papaai — Fiz biquinho
—A última vez que cantou ela era um bebe! E hoje já está fazendo 5 anos — Sorriu entrando em casa
—Só porque é seu aniversário — Ele sorriu me pegando no colo e começando a cantar ao caminhar para a borda da floresta.
—Há uma canção — Falamos ao mesmo tempo. Rimos.
—Quando era pequena, a última vez, você tinha 5 anos. Mas não sei.
—O que?! Eu acabei de me lembrar da cena Charlie. Você me pegou no colo e andou em direção ao bosque.
—Foi essa vez mesmo. Era uma canção que sua avó cantava para mim e sua mãe. Ela cantava brincando conosco no bosque e fazendo pequenas magias para nós. Eu a cantava quando você era bebê, mas decidi, naquela noite, que não cantaria mais. E dessa forma estaria renegando a parte que faltava de minha vida bruxa. Naquele seu aniversário a cantei pela última vez.
—Deve ser essa Charlie! Só pode ser essa! Cante, por favor.
Ele olhou para o relógio.
—Temos tempo.
—Tempo de que?
—Bem, há alguém que estou esperando chegar e… Explico depois. Vamos fazer isso antes que chegue. O feitiço é mollis vox filum. Agite a varinha de cima para baixo, da esquerda para a direita e termine com uma espiral de duas voltas. Com a segunda volta você puxa o fio. Para expelir o fio, dirá mollis vox filum external e fará os movimentos do fim para o começo. Faça isso e solte o fio no caldeirão.
Ele fechou os olhos suspirando e os abriu novamente.
—Faça.
—Mollis vox fillum— Agitei a varinha e ele sorriu assentindo, aprovando o movimento.
Venham crianças, venham brincar
No vale dos sonhos venha sonhar
Sinta a magia nos cercar
Toda a floresta encantar
O sol que nasce ilumina
Traz consigo alegria
Ao se por irradia cores e então vem
a lua encantar os amores
Pegue a varinha, agite assim
Veja, pirlimpimpim!
Venham crianças, venham correr
Lembre sempre de gentil ser!
Em meio as flores habitam Fadas,
Em meio as rochas habitam os Trolls
Lá nas montanhas estão os Duendes
E bem distante, ele, o Gigante!
E os Bruxos?
Ah!
Bruxos estão em todo lugar
E pra encontrar o seu lar
Basta sorrir e sonhar
Porque a luz
Vai sempre os guiar
Nunca esqueça seu lar.
Ele parou. Os olhos marejados. Era uma canção tão pura, tão inocente. Era uma canção para crianças.
O fio encerrou, o brilho das notas sumiu enquanto a Canção era guardada.
—Bem, agora tem a canção.
—Obrigada! — O abracei novamente.
A porta se abriu nos interrompendo.
—Charlie querido! Cheguei! Olha, tinha tanta gente na floricultura e depois no supermercado que eu demorei. Deve ser por causa do feriado, não é mesmo? — Os passos foram para a cozinha — Charlie! Onde está? Vou preparar uma lasanha para nós! — Os passos vieram para a sala.
A mulher era alta e esbelta,seus cabelos castanhos estavam curtos, seus olhos grandes e brilhantes, seus lábios eram cheios, sua pele, clara.
Se Kate cortasse o cabelo e fosse 20 anos mais velha, seriam iguais.
Charlie pigarreou.
—Essa é Bettina — corou — minha, hã, namorada — Pigarreou novamente — Essa é Isabella e a amiga dela é...
—Kate.
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