Notas iniciais
GENTEEE queria compartilhar com vcs que eu nunca sei o que falar aqui, e pedir desculpas por não ter respondido os comentários, mas eu tô muito sem tempo, já que comecei outra fanfic de suspense no Wattpad UHULLLLL Se preparem para o cap

Cinza no verde. Verde no cinza.

O choque chega ser ainda maior do que o choque que sinto assim que meus olhos encontram Percy. A sensação era complemente diferente; não importa quantas vezes eu o olhasse, sempre sentiria aquele mesmo fascínio pelo tom de sua íris. Mas agora, com aquela ruiva intrusa, eu sentia uma antipatia tão grande que era incapaz de controlá-la.

Rachel me encara da mesma forma que eu a encaro, quase como se me reconhecesse. Talvez eu carregasse 1/3 a mais de fúria. Não conseguia organizar a merda dos meus pensamentos como um só. Várias futilidades rolavam por ele, passando uma por uma por cada neurônio ativo no meu cérebro.

Que merda aquela garota estava fazendo em Londres? Ela não tinha sumido? Ah, mas resolve voltar justo agora?

Perfeito.

— O que você está fazendo aqui? — pergunto, sem me importar se estava sendo grossa ou não.

— Você deve ser Annabeth — me ignora, sorrindo de lado. Sua voz parecia veludo, e era o tipo de voz que eu gostaria de ter. Era grave e rouca, forte, mas ainda sim sexy e delicada. Droga, eu deveria reparar nos defeitos, e não nas qualidades.

— E você deve ser Rachel.

Eu odiava o modo com que eu pronunciava seu nome. Só não mais do que o modo como Percy fazia.

— É.

Porque eu a detestava? Não sabia ao certo. Talvez por ela ter sumido e deixado Percy quebrado. Talvez por ter fodido com todos à sua volta com as decisões do passado que agora influenciam no presente... Mas eu sabia que não era por nada disso. No fundo, no fundo mesmo, eu sabia que o real motivo pelo meu ódio tão gritante por aquela ruiva, era porque era foi o grande amor da vida de Percy um dia.

Merda, o que ele faria quando a visse? Estaria tudo fodido, não é mesmo? Tudo o que começamos um dia e que construímos para ter algo sério desmoronaria no mesmo instante. Ela era o verdadeiro amor da sua vida, e agora estava de volta.

Mas não importa. Eu descobri sobre o passado de Percy e decidi que não posso fazer parte da sua vida.

Mas eu sentia muita raiva, ainda sim.

— Porque você fez isso com ele?

Não percebo o momento em que as palavras deslizam pela minha boca naturalmente. Não arregalo meus olhos mesmo assim, e permaneço inexpressiva, talvez com as sobrancelhas franzidas e tentando controlar minha raiva.

— É uma longa história — confessa, suspirando.

— Tenho todo o tempo do mundo para escutar, principalmente antes dele chegar.

— Você é alguma coisa dele?

Aquela pergunta me pega de surpresa. Engulo em seco. Uma das últimas vezes que me perguntaram isso, acabei com Calipso dando em cima de Percy. Mas eu tinha o direito de dizer alguma coisa; eu prometi a mim mesma que não queria mais nada com ele.

— Não. Vai me contar porque fodeu a vida dele ou não?

— Direto ao ponto — ela diz, balançando o dedo indicador na minha direção e sorrindo. — Direto ao ponto, gostei de você. E respondendo sua pergunta: eu fodo com a vida de todo mundo.

— Eu imagino. A dele, a do seu melhor amigo e a própria. Fodeu com a vida de mais alguém que não estamos sabendo?

Seus ombros se encolheram minimamente, mas a ruiva logo ajustou a sua postura.

— Olha, não estou aqui para ouvir lição de moral. Voltei porque a poeira abaixou e eu devo desculpas a algumas pessoas.

— Ah, você realmente acha que pode foder com a vida de todos e então com um pedido de desculpas tudo vai voltar ao normal? — ironizo.

— Não espero que as coisas voltem ao normal — sua voz é calma e paciente, diferente da minha. Reviro os olhos. Thalia, Nico e Leo me encaram da forma mais esquisita que eu já vi. —, mas sei que tenho que dar explicações de onde eu andei e o que fiz nesse tempo.

— Ah, claro. Pode começar agora. Por onde você esteve?

— Annie, você está sendo dura demais... — Valdez me reeprende, mas Thalia segura seu braço.

— Não se mete — ela alerta, até que de forma educada.

Eu estava sendo dura demais? Ok, eles queriam que eu pegasse leve com a porra do amor da vida do Percy. Eles queriam que eu ficasse tranquila quando ela simplesmente começasse a jogar seu charme para cima dele, e então ele iria esquecer de tudo à sua volta e foda-se, eu fui apenas a merda de um estepe.

Droga, eu não deveria pensar dessa forma. Eu não queria mais nada com o problemático do Percy, certo?

Certo?

Olho para a ruiva de volta, que morde o lábio inferior e respira fundo antes de começar:

— Meus pais tem uma casa em uma cidade chamada Skyfall, na Escócia. Nós moramos lá todo esse tempo e agora estou hospedada na casa dos meus avós.

— E o que você diz sobre ter desaparecido?

— Não estou pronta para contar.

— Não tem nada a ver com Percy, não é? — pergunto, cruzando meus braços na frente do corpo. — Você fez com que ele acreditasse todo esse tempo que a culpa era dele, quando na verdade, era você que tinha a cabeça fodida.

— Eu não quis que as coisas fossem desse jeito, eu juro.

Seu jeito calmo estava me irritando. Como Rachel poderia ficar tão calma enquanto eu estava borbulhando de raiva?

— Ah, vai para a puta que pariu! Me fode!

Rachel arregala os olhos e Thalia solta um riso baixo. Ela sabia que havia pego essas manias dela, já que nunca fui uma pessoa muito propicia a utilizar o linguajar chulo. Mas, nessa única vez, esse linguajar tenha sido extremamente necessário.

— Eu não estou te ofendendo.

Me poupe.

— Eu quero mais é que você se f–

— Rachel?!

Paraliso onde eu estou, engolindo o resto da minha sentença goela abaixo. Aquela voz era divina. Eu estava sem escutá-la há poucas horas, mas ainda sim sentia falta do modo com que meus pelos se arrepiavam com sua presença. Mesmo que eu e Percy nunca pudéssemos ficar junto novamente, algo dentro de mim me dizia que eu precisava da sua presença para me manter bem.

Olho por cima de meus ombros e a expressão de Percy é quase de pânico, além de surpresa e confusão. Ele estava pálido, com um tom tão branco que poderia ser comparado a porcelana. Quando a ruiva sorri minimamente em sua direção, suas bochechas vão ganhando pouco a pouco a coloração de um vermelho em alto nível de saturação. Levanto uma de minhas sobrancelhas, sentindo meu coração se acelerar.

— Percy — a ruiva diz quase em um sussurro, baixo e de forma ofegante, antes mesmo de jogar seus braços envolta do pescoço do moreno e o abraçar apertado.

Eu teria rido da cena se meus olhos não começassem a incomodar. Deveria ser um cílios, e eu rapidamente afastei a possibilidade de meus olhos começarem a lacrimejar.

O clima fica sério no ambiente. Antes, estava mais para o clima de brigas e discussões, mas assim que Rachel e Percy se abraçam de uma forma tão intensa, todos os sorrisos morreram – mesmo que ninguém estivesse sorrindo. As mãos de Percy passeiam pelos cabelos ruivos e ondulados, e por cima do ombro de Rachel, onde a sua cabeça está repousada, vejo seus olhos se fecharem lentamente em uma expressão de alívio.

Engulo em seco.

Thalia percebe minha inquietação diante dessa cena. Ela de fato sabia o que realmente rolava entre eu e Percy e talvez ela esteja tentando desvendar algum indício de ciúmes no meu olhar. Seria essa a palavra certa? Eu não sabia o que aquela coisa esquisita no meu estômago, e não seria cedo que eu acabaria por descobrir.

•••

Uma hora e meia. Noventa minutos. Cinco mil e quatrocentos segundos.

Esse era o tempo aproximado em que Rachel e Percy estavam conversando próximos da onde nós estávamos, alheios as nossas conversas e vice-versa.

Meus olhos não conseguiam desviar de lá. Vários fatores me incomodavam – como o olhar gentil de Percy à ela e o sorriso fácil que ela sempre devolvia –, mas de longe, o pior de todos, é que aqueles olhos esverdeados estavam voltados para ela o tempo todo. Ele não olhou para mim nenhuma vez. Eu não tive o prazer de me afogar no fogo verde dos seus olhos nenhuma vez nessa noite.

Eu estava me sentindo estranha, como se um buraco tivesse sido aberto no meu peito e eu precisasse de muito concreto para tapar. Nunca fui boa com palavras, mas baseando-me nos poucos romances que li, aquela era a típica reação de ter o coração quebrado.

Mas que porra. Eu não sentia absolutamente nada por ele! Eu prometi a mim mesma que depois de descobrir seus segredos, eu iria embora. Em que mundo eu achei que seriamos perfeitos um pelo outro?

Espera, eu disse perfeitos um pelo outro? Eu nunca nem sequer pensei nisso. Nós nunca daríamos certo, de qualquer jeito.

— Do que vocês acham que eles estão falando? — Valdez pergunta, distraindo minha atenção daquela cena trágica.

— Depois de dois anos sem conversar, talvez estejam colocando o papo em dia — Thalia responde irônica, revirando os olhos. — Eles viviam grudados, lembra? Se eu chamasse "Percy", quem respondia era a Rachel.

— Vocês acham que ela quer transar com ele? — Nico indaga.

Para tentar evitar meu desconforto, pego meu copo de cerveja e tomo um longo gole, esperando que o efeito do álcool amenize o que eu estava sentindo.

— Está na cara, ela não consegue parar de passar a mão no braço dele — é Leo quem responde. Eles conversavam como se eu não estivesse ali ou como se eu fosse só mais uma.

— Talvez ela queira mais ele não — Thalia responde, passando a mão de leva nas minhas costas para chamar minha atenção. Sei o que ela está tentando fazer; quer fazer-me sentir melhor diante daquela situação, mas eu estava tão fodida quanto eles dois.

— É, pode ser — os garotos disseram baixinho.

Aperto o copo em minhas mãos ao voltar a olhar para Percy e Rachel. Ela não parecia ser uma pessoa ruim, de fato, mas algo nela me incomodava e eu não conseguia especificar o quê. Na verdade, minha cabeça estava tão repleta de trivialidades que eu não conseguia me concentrar em uma coisa só.

No momento em que Percy apoia a mão na base da coluna de Rachel e meneia com a cabeça o bar, eu endireito minha postura. Eles param poucos metros longe de onde estávamos, e eu o vejo conversar com o barman fazendo sinais com os dedos. Ele se volta para a ruiva no instante seguinte, abrindo um sorriso enquanto conta algo que parecia ser muito interessante. Não posso deixar de reparar na sua mão apoiada na cintura de Rachel, e a tremedeira em meus dedos chega a incomodar. É como se a qualquer minuto meu coração pudesse pular pela boca.

Porque ele estava agindo assim? Deveria ter uma explicação plausível para todo esse conforto. A garota namora com ele, o trai com seu melhor amigo e depois some durante dois anos. Mas agora é como se ele nem se lembrasse desses detalhes, sendo que são os mais importantes da história.

A barman volta poucos segundos depois, com duas taças em mãos. Eles estão muito longe, portanto não consigo enxergar com clareza o que estão bebendo. Apenas sei que eles estão muito próximos, muito íntimos, e eu não estava conseguindo me controlar da forma que deveria.

Bastou alguns segundos para eu perceber que a bebida era um Martini.

Meu corpo parece se desligar do mundo ao meu redor. Não consigo escutar a conversa dos meus amigos atrás de mim, muito menos o barulho periódico de movimento social. Toda a visão ao meu redor entra em desfoque, restando apenas Percy e Rachel saboreando um Martini como se fosse a última coisa que fariam na vida.

No dia em que nos conhecemos, Valdez estava me indicando uma bebida. Eu não consegui prestar atenção no que ele dizia porque foi o momento em que pus meus olhos em Percy pela primeira vez. O mundo parecia ter parado naquele momento, e quando ele falou comigo, me senti insegura pela primeira vez na vida e me odiei por isso. Percy se ofereceu para me pagar uma bebida e falou um monte de baboseiras para o garçom, inventando o seu próprio Martini e o nomeando gentilmente de Annie.

E agora ele fazia o mesmo com Rachel.

Sem pensar no que estou fazendo, espalho a palma da minha mão no balcão a minha frente, onde estava a minha bebida e a bebida de meus amigos. Meu braço contorna toda a extensão do balcão, arrastando todas os copos de cervejas e os jogando brutalmente no chão.

O movimento é rápido, e no instante seguinte, o vidro se espatifa em milhões de pedacinhos pelo chão do St. George's. O barulho de quatro copos sendo quebrados no chão atrai a atenção de todos a nossa volta, e consequentemente, eu percebo o que havia feito.

Todos os olhares estão presos em mim por conta de uma atitude impensada. Minha calça e minhas botas estão molhadas e eu mal consigo contar os cacos de vidro espalhados pelo chão. Levanto o olhar e encontro Thalia, Nico e Leo assustados. Olho para a outra direção e pela primeira vez na noite, os olhos verdes dissimulados me encaram de volta, com a expressão tanto atônita quanto a de nossos amigos.

Pelo menos eu consegui o que queria: Percy e Rachel não estavam mais tão próximos.

— Me desculpem — murmuro para meus amigos, agarrando minha bolsa no meu ombro. Dou leves passos para trás, me afastando cada vez mais deles. — Eu pago por tudo depois, mas agora eu só... preciso ir embora.

Eles não dizem nenhuma palavra e eu não espero que digam. Dou as costas sem olhar para trás uma última vez, tentando me concentrar apenas nos barulhos das coturnos se chocando no chão. Quando estou perto da porta do St. George's, deixo as lágrimas escorrem pela minha face.

Ainda está chovendo, mas agora de uma forma muito mais intensa. Não quero esperar por um táxi. Na verdade, só quero andar a pé até minha casa, deixando que a chuva se misture com minhas lágrimas. E por mais depressivo e anormal que isso soe, é o que eu faço.

Aos poucos, cada gota de chuva que cai no céu molha meus cabelos e minha roupa. Tenho que andar de cabeça baixa para que a água não atrapalhe minha visão, e consequentemente, tento não fazer muito barulho enquanto choro, saindo apressada pela avenida movimentada. Preciso pensar, preciso colocar minha cabeça no lugar. Para que porra eu estava chorando? Desde quando eu derramo lágrimas por caras? Eu não consigo nem me lembrar da última vez que fiz isso, então porque com Percy tinha que ser diferente?

Tento limpar as lágrimas impacientes com as costas da minha mão, mas elas simplesmente não paravam de rolar pelos meus olhos. Chegou a um ponto que eu comecei a soluçar; tanto pelo choro quanto pelo frio. Abracei meu próprio corpo tentando manter o calor.

Deus, como eu pude ser burra? Será que tudo que Percy já me disse até hoje é verdade? Será que ele estava falando sério quando disse que não poderia me perder? Eu não o conhecia mais, e o pior de tudo é que estava sofrendo por um cara que não conheço e que fez muitas merdas no passado. E por mais que a história de que ele seja um assassino me incomodasse, Rachel e o Martini me incomodavam mais; foram eles que de fato quebraram meu coração em pedacinhos.

— Annie!

Era a sua voz. Eu a reconheceria em um raio de quilômetros e quilômetros. Apresso ainda mais meu passo, sem olhar para trás e tentando me convencer de que era apenas minha mente pregando uma peça. Uma parte de mim queria que Percy tivesse permanecido onde estava, assim ele poderia me deixar ir embora e seguir com minha vida de uma vez por todas. No entanto, a outra parte agradecia por ele ter me seguido. Talvez isso mostrasse que ele se importa comigo.

Sinto uma mão enlaçar no meu pulso, e por inércia, sou puxada para trás. Percy faz com que nesse movimento fiquemos frente à frente, com corpos colados e olhares presos um no outro. Seu rosto estava molhado por causa da chuva, seu cabelo despenteado e a blusa encharcada. No entanto, seus olhos verdes continuavam os mesmos; eles continuavam me fitando de uma forma que ninguém nunca fez antes.

— Você está chorando?! — ele pergunta, surpreso. Não movo nenhum músculo, e pela primeira vez desde que saí do pub, tento segurar as lágrimas.

— Me solta — olho para meu pulso preso e depois para ele, que ainda tinha uma expressão confusa e preocupada.

— Eu não vou te soltar. Para onde você está indo?!

— Para casa. Não sei. Qualquer lugar. De qualquer jeito, não é da sua conta.

Puxo meu braço com mais força e pego Percy desprevenido, voltando a olhar pela avenida e continuando a movimentar-me sem rumo. Não me surpreendo quando Percy não insiste em me segurar novamente, era melhor assim. Eu precisava seguir a minha vida e ele a dele.

— Então você está me deixando?

Suas palavras fazem com que eu pare meus passo e volte a olhá-lo. Seus ombros estavam caídos, e eu quase não conseguia reconhecer o cafajeste quebrador de corações ali.

— O que te faz pensar que um dia estivemos juntos para eu ter que te deixar?

— Tudo — ele responde alto, por conta da distância entre nós. — Você sabe que nós somos bons juntos.

— Bons juntos?! — berro. — Nós somos péssimos juntos, Percy! Você sabe que nós nunca daríamos certo!

— Eu realmente acreditei que pudéssemos dar certo, Annie! — Percy anda alguns passos na minha direção, mas ainda sim se mantém distante. — Eu só não sei porque você se fecha tanto!

— Você quer saber o porquê? — ironizo. — Porque você é um fodido, Percy. Você matou um cara e só por aí é motivo o suficiente para me manter longe. E se isso não bastar, nós temos Rachel!

— Que merda ela tem a ver com isso? — esbraveja, confuso.

— Eu vejo o jeito que você olha para ela! Não tente me enganar agora, não existe um porquê. O amor da sua vida voltou, ótimo! Não vou fazer questão de atrapalhar vocês dois!

— Amor da minha vida?! — pergunta, quase que rindo sozinho, mas no fundo posso sentir a raiva tomar conta dele. — Rachel é só minha amiga agora, eu não sinto nada por ela! Da onde você tirou isso?

— Quando nos conhecemos você pagou a porra de um Martini para mim! — enxugo as lágrimas do meu rosto. — E agora você fez a mesma merda com ela, e não finja que não foi de propósito!

— Annie, pelo amor de Deus! Eu estava animado com minha amiga, eu nunca iria pensar nela desse jeito de novo! Você não entende!

— O que, Percy? O que eu não entendo? — sua respiração para por um minuto, e além das buzinas de carro, não consigo escutar nem o ar entrando e saindo em lufadas. Ele parece se dar conta do que vai dizer, e então passa as mãos no cabelo em um gesto frustrante. Se eu o conhecia como achava que conhecia, sei que ele está se preparando para quebrar alguma coisa. — Me diz agora ou eu vou embora.

— Que droga! — ele chuta uma lata de lixo antes de se virar para mim com fúria no olhar. — Você não entende que eu quero você mais do que qualquer coisa na minha vida! Eu odeio isso! Odeio esse jeito que você faz com que eu me sinta... diferente. Odeio isso de você ter tanta influência sobre mim, de me sentir preso a você! Isso me assusta pra caralho, e sei que somos tão diferentes mas ao mesmo tempo tão parecidos, que eu sinto como se você já fosse uma parte de mim agora!

Percy respira fundo ao terminar de falar. Vejo seu rosto ficar pálido e o olhar preocupante. Não duvido de que estou praticamente da mesma forma, assustada demais pelas coisas que acabara de dizer. Me sinto pesada contra o chão, e quase me deixo levar pelas suas palavras se não me lembrasse de Rachel.

— Isso não funciona comigo. Me desculpa, Percy. Eu vi o que vi e é nisso que eu acredito.

Me viro de costas, chegando até a beirada da calçada e estendendo a mão para um táxi que estava se aproximando. Foda-se a ideia de ir a pé, sei que se continuasse assim Percy iria me seguir até que eu chegasse em minha casa.

— Annie, eu falo sério!

— Eu não me importo. Não podemos ficar juntos, não posso fazer parte da sua vida.

— Eu não sinto nada por ela, porra!

— Desculpa, mas o seu showzinho não foi o bastante para me convencer disso. Você é um ótimo ator.

O táxi estaciona próximo do pavimento, e eu abro a porta do banco de trás, mas antes que eu pudesse entrar, sou impedida pela voz de Percy:

— Annie, eu...

— Você o que, Percy?! — resmungo, com a voz chorosa, embriagada e irritada.

— E-eu acho que te amo, Annabeth.

E então eu quase me engasgo com a própria saliva.

Não sei o que responder e o mundo ao meu redor parece parar. A única coisa que me mantém presa a atenção, são os olhos verdes aflitos de Percy, também quase não acreditando no que havia dito.

Percebo que eu nunca havia escutado um "eu te amo" de um garoto antes, mas a sensação é dominadora. Por algum motivo estranho, meu peito se aqueceu de uma forma avassaladora, liberando uma sensação esquisita, ainda desconhecida por mim. Eu estava me sentindo diferente e também mais leve e confiante. Era como se todas as opiniões ruins sumissem naquela hora. Como se todos os motivos ruins sobre aquele garoto sumissem da minha cabeça.

Até me lembrar deles.

— Você é doente, Percy. Você é bem doente — minha voz sai baixa, e eu desvio do seu olhar penetrante para entrar no táxi. Fecho a porta e escondo a cabeça entre minhas mãos para ele não me ver chorar.

Me dou conta de que não olhei para ele quando o taxista acelerou. Passo meu endereço de forma apressada, tentando fazer com que ele não repare nas lágrimas saindo de meus olhos descontroladamente. Mesmo que chorar fosse uma sensação libertadora, eu odiava isso. Odiava me sentir vulnerável na frente dos outros como se não fosse boa o bastante.

O "eu acho que te amo, Annabeth" ainda estava na minha cabeça. Não consigo deixar de reparar como elas soaram de uma forma tão perfeita na sua boca, com o sotaque britânico acentuado e meu nome reproduzido de uma forma tão intensa pela sua voz rouca. Porra, alguém me amava. A ficha cai como um baque: eu nunca havia escutado isso de alguém que não fosse de uma forma fraternal, e a possibilidade de aquilo ser mentira, era grande.

O que era real e o que não era? O que era mentira e o que era verdade? O que era certo e o que era errado? Eu não posso deixar de lembrar das coisas ruins que Percy fez e começar a me questionar se ter posto um fim na vida daquele cara fora algo certo. E se ele não estivesse dando em cima de Rachel e apenas a tratando bem porque é indiferente ao passado? De qualquer forma, não consigo ter certeza de nada, são apenas possibilidade criadas pela minha cabeça paranóica.

A única certeza que eu tenho é que minha vida e meu coração nunca mais serão os mesmos depois de Percy Jackson.

Notas finais
MEU DEUS VÁRIOS FEELINGS só queria dizer que — primeiro eu te amo percabeth — rachei chegou abalando o Percy só que não — vcs querem matar a annie q eu sei Xoxo, Kydd ❤️